Livro novo! #Paremdenosmatar!

Livro novo! #Paremdenosmatar!
Lançamento dia 26 de janeiro na Katuka Africanidades, em Salvador

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19 de jan de 2017

Prefácio do #Parem de nos matar!


Juntamos nossos cacos e fizemos um lindo mosaico


Se para a crônica, em seu flerte com a notícia, cabe o que excede ao fato, o detalhe desprezado, nós somos o detalhe, a senda que puxa a reflexão de Cidinha Da Silva sobre as várias mortes que nos impingem. Como a mesma nos diz: “Estamos como sempre estivemos: por nossa própria conta”, então estejamos certos de que “por nós, é nós”. 
O livro #PAREM de nos matar é nosso, é por nós, traz uma reflexão em dor e cor dos principais temas que nos afligem, escurece a análise para iluminar nosso racismo íntimo, apesar de estranhamente negado. Os rolezinhos, os linchamentos, o #Somos todos Maju, a Minissérie O sexo e as negas, Mr. Brau x Michele e a força do símbolo de um casal negro, o Empoderamento crespo e seu diálogo entre as pequenas e as coroas contemporâneas, a festa da sobrevivência no braço e no riso do carnaval de Salvador, o caso Holiday e os negros de direita, as chacinas nossas de todos os dias dos 12 do Cabula ou dos 111 tiros do Morro da Lagartixa e mortos do Carandiru são alguns dos frutos que brotam das terras áridas aguadas por nossa autora nesta obra.
Em sua poética afiada e doce, escura e precisa, Cidinha nos diz que nossas vidas importam, repete em vários momentos que somos 82 mortos todos os dias no Brasil, fazendo os números dizerem, doerem, remoerem nossa humanidade. Ela nos futuca para a consciência das mortes físicas, simbólicas, subjetivas, afetivas, as mortes de todos os dias, o que fortalece nossa certeza de que somos gente, ainda que o racismo diga o contrário.
As pessoas do meu ninho sabem que minha família convive com mutilação imposta a outras 82 famílias todos os dias, mas tentamos fazer, assim como essa obra de Cidinha, dos nossos cacos um lindo mosaico.
Obrigada pela obra e pelo convite para comentar um livro que me olha e me enxerga. Em minha sala de aula, ele será enxada para arar um mundo melhor.

Negras autoras em destaque no verão de Salvador

Mostra Cultural de Mulheres Negras acontece neste fim de semana em Salvador

Texto e Edição de Imagem: Pedro Borges
Encontro reúne cantoras, compositoras e poetisas pretas em Salvador
Entre os dias 21 e 22 de janeiro, das 16h às 22h, acontece o I Palavra Preta – Mostra Nacional de Negras Autoras. O evento, organizado pelas cantoras e compositoras Luedji Luna e Tatiana Nascimento, apresenta ao público música, poesia, pintura e gastronomia. As atividades ocorrem na Casa Preta, rua Areal de Cima, 40, e a taxa de participação em cada dia é de R$ 5,00.
O desejo de reunir diversas produtoras e artistas negras, como forma de resistência e expressão da ancestralidade africana na diáspora, não é um desejo de hoje. “Luedji já tinha esboçado uma iniciativa como essa uns anos antes, em Salvador; aí, quando ela e Tatiana descobriram que iam se encontrar na cidade elas decidiram fazer a mostra em terras baianas, como a primeira experiência desse projeto que pretende contemplar nas próximas edições negras autoras de todo o Brasil”, explica a organização da atividade.
Apesar de afirmar que a escolha do título “Negras Autoras”, ao invés de “Autoras Negras”, não ter sido proposital, a organização faz uma reflexão a partir da escolha. “A ordem das palavras ressalta nosso protagonismo pela subjetividade, por um lado; por outro, comunica a que universo estamos nos dirigindo - e de que universo estamos partindo: o conjunto de mulheres negras. Talvez fosse “autoras negras” a ideia seria de sair de uma coletividade mista, de autoras negras e não-negras, ou partir do fazer pra ver quais entre nós negras somos. Já “negras autoras” faz outro movimento: de nós por nós, sobre nós pra nós”.
As articuladoras também enaltecem a importância de mulheres negras que produzem arte e organizam eventos como este dentro de um contexto racista e sexista. “Ressaltar nosso fazer artístico é visibilizar e autorizar o que se tenta esconder, sabotar: somos seres complexos, corpo e alma e coração e mente, somos produtoras e realizadoras culturais. Arte não é coisa que só uma elite branca faz. Somos artistas!”.
Programação
Sábado
18:00 - 18:10 poesia Natália Soares
18:15 - 18:40 música Aryani Marciano
18:45 - 19:10 música Emillie Lapa
19:15 - 19:25 poesia Maiara Silva
19:30 - 19:55 música Aline Lobo
20:00 - 20:25 música Alexandra Pessoa
20:30 - 20:40 poesia Cidinha da Silva
20:45 - 21:05 música Tatiana Nascimento
21:10 - 21:35 música Zinha Franco
21:45 - 21:55 poesia Dricca Silva
Domingo
18:00 - 18:10 poesia Jamile Santana
18:15 - 18:40 música A Intêra
18:45 - 18:05 música Vanessa Melo
19:10 - 19:20 poesia Sys Fagundes
19:25 - 19:50 música Jadsa Castro 
19:55 - 20:20 música Marília Sodré
20:25 - 20:35 poesia Livia Natália
20:40 - 21:05 música Luedji Luna
21:10 - 21:35 música Verona Reis
21:40 - 22:00 música Karla da Silva

18 de jan de 2017

Cidinha da Silva e a crônica como ato de nomear


Por *Saulo Dourado

"No livro #Parem de nos matar! (Ijumaa, 2016), de Cidinha da Silva, há dados e evidências quanto às mortes físicas e simbólicas de toda uma população, mas a autora captura um ponto ainda mais alto: dá nome e forma a esses números. Com os valores absolutos se consegue convencer a razão daquilo que deve importar, contudo às vezes é difícil sentir a partir de termos gerais ou pelo hábito das repetições. Deve entrar então o particular e o miúdo para conectarem fatos às tripas e ao pranto. A crônica tem um papel fundamental, o de tornar especial uma pessoa e um acontecimento a ponto de formar o elo de sentimento entre o particular e o todo. Eis o gênero literário que é a pequena área, a área e o meio-de-campo de Cidinha da Silva, e o mote que ela alcança.

Tratam-se assim seus textos de Maria Julia Coutinho, de Taís Araújo, de Lázaro Ramos, de Mirian França, de Antônio Pompêo, de Luiza Bairros, de Aranha, de Claudia da Silva Ferreira, de Lívia Natália, de Liniker... Em uma crônica sobre a postagem de Fernanda Lima que elogia as empregadas domésticas como “batalhadoras”, há uma pergunta pontual da autora: “E por que não pôs os nomes dessas mulheres?” Esta reivindicação percorre o livro: a de tirar a mortalha do anonimato e da despersonificação, causas e efeitos da continuidade de um genocídio".

*Saulo Dourado, escritor. Autor de O mar e seus descontentes, entre outros


17 de jan de 2017

Salvador recebe Mostra Nacional de Negras Autoras dias 21 e 22 de janeiro




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Mais de 20 mulheres negras – artistas, compositoras, poetas – estarão reunidas durante dois dias, em Salvador, para a I Palavra Preta – Mostra Nacional de Negras Autoras, produzida pela cantora e compositora soteropolitana Luedji Luna e da poeta/cantautora brasiliense Tatiana Nascimento. A mostra acontecerá na Casa Preta, bairro do Dois de Julho e ingressos serão vendidos a R$5 no local (para cada dia), começando às 16h.
A Mostra Palavra Preta tem como objetivo ser mais um espaço negro de confluência, compartilhamento e visibilização do protagonismo de artistas afrobrasileiras com ênfase na produção cultural poética, musical, performática e plástica. Na ocasião, comidas serão vendidas pelo projeto La Frida e terá também exposição da artista, Annie Gonzaga.


tatiana nascimento
Tatiana Nascimento Foto: Priscilla Bertolucci
“A primeira Palavra Preta traz pra Salvador a confluência do sonho de muitas que trouxeram, de longe e de antes, nossos passos até aqui: sendo donas da nossa voz, da nossa palavra, do nosso canto e de nossa poesia, alimentamos a nós mesmas, e nutrimos também umas às outras” – Tatiana Nascimento. 
As organizadoras pretendem lançar um olhar crítico ao silenciamento e invisibilização que historicamente tem sido impostos às mulheres negras e seus fazeres culturais. Por meio do encontro, serão postos em diálogo – através das diversas artes – os papeis subalternos, exotizados, e/ou estereotipados associados às mulheres.
Luedji Luna
Luedji Luna – Foto Joice Prado
“Com Palavra Preta materializamos uma recusa frutífera e criativa aos lugares rasos que o racismo, o cissexismo, a lesbofobia, o classismo nos destinam: ao mercado artístico que nos carnavaliza, à mídia corporativa que exibe nosso sangue como troféu, respondemos com nossa própria voz, nossa própria canção, nossa própria poesia” – Tatiana Nascimento.

Confira a programação:

Dia 21/1 – Sábado
Compositoras:
Alexandra Pessoa
Aline Lobo
Aryani Marciano (SP)
Tatiana Nascimento (DF)
Emillie Lapa
Zinha Franco

Poetas:
Cidinha da Silva (MG)
Maiara Silva
Natália Soares
Sol (Dricca Silva)

Dia 22/1 – Domingo
Compositoras:
Jadsa Castro
Verona Reis
Luedji Luna
Marília Sodré
Vanessa Melo
A Intêra

Poetas:
Lívia Natália
Jamile Santana
Sys Fagundes

SERVIÇO
I Palavra Preta – Mostra Nacional de Negras AutorasQuanto:
Onde: Casa Preta (Rua Areal de Cima, 40 – Dois de Julho)
Quanto: R$5/dia
Horário: 16h

O escritor Fábio Mandingo sobre o livro #Paremdenosmatar!


"Genocídio que nos arrasta no asfalto com Cláudia. Que nos esmaga a cara sob os coturnos da marinha do Brasil com Rosemeire e Edinei. E a conseqüente mudez, depressão, paranóia, rancor, brutalidade, se torna nossa parte integrante. Porque sobrevivemos. Sobrevivi e não vou me matar. Diz Cidinha da Silva.
Sua escrita que honra nossas dores, então, não nos percebe passivos. Aponta sobrevivências, como a dos que trabalham no chão dos carnavais de Salvador e Rio de Janeiro. Celebra a inteligência que desafia a sutileza da segregação moderna, quando dialoga com a sagacidade de um Chris Rock na apresentação do Oscar, obrigando uma platéia racista a rir da própria estupidez. Vislumbra nossas vitórias, quando festeja o desafio dos garis ao descaso do Estado do Rio de Janeiro, ou uma nova dramaturgia preta que desponta em cidades diversas, uma nova música que desafia padrões raciais e sexuais, um novo futebolista que desafia o ‘lugar do negro’ tão caro à casa-grande do futebol brasileiro".
Lançamento em Salvador, dia 26 de janeiro
https://www.facebook.com/events/197549110708904/
Lançamento em São Paulo, dia 10 de fevereiro
https://www.facebook.com/events/382023432176790/

15 de jan de 2017

O livro #Parem de nos matar! no Encrespa Geral Salvador 2017



I Palavra Preta - Mostra Nacional de Autoras Negras



PROGRAMAÇÃO:

21/01 (sábado)

cantautoras:
Alexandra Pessoa
Aline Lobo
Aryani Marciano (SP)
Tatiana Nascimento (DF)
Emillie Lapa
Zinha Franco

poetas:
Cidinha Da Silva (MG)
Maiara Silva
Natalia Soares
Dricca Silva

22/01 (domingo)

cantautoras:
A Intêra
Jadsa Castro
Luedji Luna
Marília Sodré
Vanessa Melo
Verona Reis

poetas:
Livia Natália
Sys Fagundes
Jamile Santana

+ exposição de aquarelas de Annie Gonzaga Lorde, venda de livros de Cidinha da Silva, e gastronomia (inclusive vegana) com La Frida Café

a 1ª palavra preta - mostra nacional de negras autoras conflui em salvador o sonho de muitas que trouxeram, de longe e de antes, nossos passos até aqui: sendo donas da nossa voz, da nossa palavra, do nosso canto e de nossa poesia, alimentamos a nós mesmas, e nutrimos também umas às outras em dois dias de música, poesia, artes visuais, e gastronomia feita por, com, para mulheres negras!

a mostra avança na caminhada que reúne a força de nossa herança à criatividade inovadora da arte negra contemporânea que cada uma de nós reatualiza na própria obra. é um espaço fértil e receptivo pro compartilhamento de nossa arte negra afrodiaspórica, vibrante, diversa.

somos muitas, nos expressamos de diversas maneiras! reinventamos as fontes ancestrais, e renovamos os rumos da produção estética, poética, musical, performática. partimos da crítica contundente ao cultivo da semente maravilhosa, à construção das pontes simbólicas que pavimentam nossa vida na trilha do amanhã.

recusamos os lugares típicos em que o racismo, o cissexismo, a lesbofobia, o classismo tentam nos fixar, recusamos a invisibilização e o silenciamento, recusamos que nossas vidas sejam contadas por sinhozinho branco patrono literário e que as mortes dxs nossxs sejam narradas como sangue de plástico na mídia:

nós escrevemos nossas palavras!
nós cantamos nossas canções!
nós falamos nossos poemas!
nós somos donas da nossa voz!

vem com a gente! juntas somos mais fortes, mais lindas, mais plenas ♥

1ª Palavra Preta: Mostra Nacional de Negras Autoras
Casa Preta (Rua Areal de Cima, 40, 2 de Julho, Salvador)
Ingressos a R$5,00 (cada dia)

produção:
Luedji Luna
Tatiana Nascimento

apoio:
Casa Preta
La Frida Bike
Julia Morais

14 de jan de 2017

Fábio Mandingo sobre o livro #Paremdenosmatar!




Fábio Mandingo sobre o livro #Paremdenosmatar!

"Se nossas dores devem ser inventariadas, que sejam pela pena lúcida e elegante de Cidinha da Silva. Ponto.
No entanto, não vá despreparado ao encontro do mais recente livro da escritora mineira que, em outra brilhante coletânea de crônicas, apresenta desnuda a face mais doentia do Brasil: o racismo profundo. Um racismo tão enorme, que é capaz de abranger no prisma das suas perversidades, a homofobia, o machismo, o extermínio da juventude, o encarceramento em massa, o silenciamento, a estereotipia, o apagamento artístico, o linchamento virtual e físico, entre outras violências que no Brasil, têm o corpo preto como alvo principal".

13 de jan de 2017

4a Capa do #Paremdenosmatar!



“Todas as vezes que surge uma personagem negra estereotipada nos programas de entretenimento aos domingos, a segunda-feira das crianças e adolescentes negros na escola será um filme de terror, que se estenderá por semanas, meses e anos, a depender da duração da personagem na TV.

E os familiares dessas crianças perderão horas, dias, semanas e meses preciosos de educação, lazer e fruição, ensinando-as a reagir, a não sucumbir, a manter a cabeça erguida, a preservar o amor próprio diante de tanta violência direcionada e objetiva.
Os exemplos racistas da TV também inspirarão situações de discriminação racial na escola, minimizadas por professoras e professores cansados e despreparados, para dizer o mínimo. As crianças e adolescentes negros que não tiverem tido as lições de sobrevivência do amor próprio ministradas em casa, se sentirão sozinhos, desprotegidos e injustiçados.

Um dia perderão a paciência e poderão chegar às vias de fato com colegas racistas, como último recurso de autodefesa. Então serão taxados de violentos, serão estigmatizadas na escola, perderão o estímulo para permanecer naquele ambiente, evadirão com facilidade e a redução da maioridade penal será apontada como solução para retirá-los mais cedo do convívio social e puni-los por terem reagido, da maneira que lhes foi possível, à opressão racial”.

Trechos de “Rastro de Pânico do Racismo Brasileiro”, de Cidinha da Silva

Deu no Correio da Bahia

COLUNA VIP

VIP: Livro de crônicas que evidencia genocídio da população negra será lançado em Salvador

Cidinha da Silva apresenta Parem de nos matar! dia 26, em evento na Katuka Africanidades
Gabriela Cruz, Giuliana Mancini e Verena Paranhos (gabriela.cruz@redebahia.com.br)
Atualizado em 12/01/2017 18:27:57
  
Cidinha da Silva, escritora e dramaturga mineira radicada em Salvador, lançará seu 11º livro no próximo dia 26, na Katuka Africanidades, no Pelourinho. Parem de Nos Matar! apresenta 72 crônicas escritas entre 2012 e 2016, tendo como pano de fundo a morte imposta à população negra no Brasil. "Trata-se de leitura densa que exige estômago e coragem. É um livro que exige mais do que o desgastado uso do termo denúncia para caracterizá-lo. Este #Paremdenosmatar! é testemunha de acusação do genocídio contemporâneo da população negra. É memória viva em transformação que se vale da crônica como suporte", afirma a autora. 
Cidinha da Silva: 11º livro será lançado dia 26 (Foto: Pierre Gentil/Divulgação)
No evento de lançamento da publicação da editora Ijumaa, quatro convidados vão dar suas visões sobre a obra: Gabriela Gaia (professora da Faculdade de Arquitetura da Ufba), Felipe Estrela (professor de Direito na Uneb), Ana Carla Portela (professora de Literatura no Ifba) e o escritor e professor de filosofia Saulo Dourado.