Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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27 de mai de 2007

Crônica da semana

Cadeia não é lugar para mulher ou para certas mulheres! Naquele dia a cobra fumou. Duzentos e quarenta policiais armados com metralhadoras invadiram a Daslu, a “Disneylândia dos ricos”, em uma bem-sucedida operação para coibir a sonegação de impostos. A principal acusação: emissão de notas fiscais subfaturadas com conseqüente impacto na arrecadação de ICMs, impostos federais e despesas aduaneiras. Os números eram estratosféricos, como nunca se viu antes: 10 milhões de dólares sonegados em dez meses. Mas alguém disse que era pouco diante das cifras desviadas na construção de obras públicas. O povo não acreditava no que via. O povo da favela vizinha, principalmente. Diz que D. Maria José, mãe de cinco filhos, pegou os três que estavam em casa e escondeu debaixo da cama, enquanto rezava para que os dois que estavam fora não voltassem. Achou que era o fim do mundo – Polícia Federal em loja de rico? Só podia ser o final dos tempos, tratar os ricos como se tratam os favelados. O responsável pela Polícia Federal ficou bravo. Não houve confusão entre ricos e favelados. Péra lá. Não houve invasão. Foi uma operação legal, respaldada por quatro mandados de prisão expedidos por Vara da Justiça Federal e trinta e três mandados de busca e apreensão. Foi mesmo tudo dentro dos conformes. A Fiesp, por sua vez, considerou o trabalho da Polícia Federal uma “arbitrariedade”. Engraçado, os favelados do vizinho estado do Rio de Janeiro só conheceram um mandado de busca e apreensão quando a Benedita foi governadora. Naquele curto período, para entrar em um barraco do morro a polícia precisava ser conduzida por esse instrumento. Eliana Tranchese, dona da loja, foi presa por medida cautelar, prática comum, para evitar, por exemplo, a destruição de provas. A prisão causou comoção entre os ricos, bem-nascidos, aspirantes a ricos e defensores do clube dos abastados. Houve político importante e editor da Folha de S. Paulo aos brados questionadores acerca da justeza da prisão, da operação da PF etc. Um abuso. A polícia chegou perto demais. Dez anos antes fora presa Deolinda Alves de Souza, esposa de José Rainha Júnior, principal liderança do MST em São Paulo. Não havia qualquer acusação formal contra ela, mas como não encontraram o marido, aproveitaram a viagem para prendê-la e, com isso, forçar o Rainha a aparecer. O nome disso é arbitrariedade. A repetição de uma das frases do episódio – cadeia não é lugar para mulher – serve para Eliana, mas não serve para Deolinda. A primeira é branca, rica, empresária e foi detida por acusação de formação de quadrilha, sonegação de impostos, importação fraudulenta e falsidade material. Ficou presa durante dez horas, sendo uma hora e meia aplicada em seu depoimento. Deolinda é mestiça, pobre e integrante do MST. Seu crime: ser cônjuge da principal liderança paulista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Cinco dias de prisão, humilhação e depoimentos. Passado o escândalo da prisão, na surdina, a Daslu tentou intimidar a Daspu, marca de roupas criada para levantar recursos para a ONG Davida, que luta pelos direitos das prostitutas em todo o país. Na frente das câmeras convidou MV Bill, rapper carioca famoso, para lançar o Falcão: meninos do tráfico, em suas dependências. As colunas sociais que nunca pronunciaram as expressões pobre e negro, naquele dia o fizeram. É lógico que foi pra narrar que um ou outro negro pobre chegou à Daslu, suado, depois do trabalho, para prestigiar o lançamento do livro do Bill e foi fulminado pelo olhar do segurança. Que livro, que nada, né gente? O pobrezinho foi lá para conhecer a Daslu por dentro, chance única e imperdível.

25 de mai de 2007

Roda - arte e cultura do atlântico negro

Recebi ontem um exemplar da revista Roda - arte e cultura do atlântico negro, primorosamente editada pelo poeta Rique Aleixo, em Belo Horizonte. O trabalho gráfico é belíssimo, as imagens de Daniel Lima são estonteantes e, a exceção da entrevista de Muniz Sodré, publicada na Roda n.01, este n.04 é, em minha opinião, o melhor, o número mais maduro. Há um texto de Sueli Carneiro, mestra de todas nós, outro de Joel Zito Araújo e uma análise consistente do lugar de transformação artística (perdão pelo pleonasmo) ocupado pelo FAN - Festival de Arte Negra, na cidade de Belo Horizonte, no Brasil e no atlântico negro. Tem também um texto de minha lavra, "TV a gato", dentre outros. Saio agora para Vitória, lançamento da 2a edição do Tridente. Amanhã tem crônica nova. Não deixem de ler. Bom final de semana.

24 de mai de 2007

CINEMA E LIVRO

PROGRAMA DUPLO NESTA SEXTA (25/05): PRÉ-ESTRÉIA DO VÍDEO-DOCUMENTÁRIO EDUCANDO CONTRA O RACISMO E LANÇAMENTO DO LIVRO DE CRÔNICAS CADA TRIDENTE EM SEU LUGAR, NO HOTEL CANTO DO SOL Relações raciais é o foco das duas obras: o documentário da produtora capixaba Lúmen Vídeos terá sua pré-estréia durante o lançamento nacional do livro de crônicas da mineira Cidinha da Silva, na sexta-feira (25/05) às 19h, no Hotel Canto do Sol, em Camburi. A pré-estréia do vídeo-documentário Educando contra o racismo, realizado pela produtora capixaba Lúmen Vídeos, com roteiro e direção de Tadeu Vago e Jeronymo Santos, acontece nesta sexta-feira, às 19h, no Hotel Canto do Sol, em conjunto com o lançamento da segunda edição do livro de crônicas da escritora mineira Cidinha da Silva, Cada tridente em seu lugar (Mazza Edições). O lançamento ocorre durante o 6º SENENAE – Seminário Nacional de Entidades Negras na Área da Educação, voltado para a implementação da Lei 10.639/03, que inclui o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo do ensino fundamental e médio, no sistema educacional público e privado do País. Com duração de 27 minutos, o vídeo-documentário Educando contra o racismo se organiza em torno das entrevistas feitas com alunos e educadores sobre o racismo vivido no cotidiano das escolas e da sociedade. São falas contundentes que, ao mesmo tempo em que desmistificam a democracia racial presente no imaginário social e desvelam o racismo, conseguem afirmar positivamente a identidade negra e propor novos caminhos para a superação do preconceito, a começar pela educação. A Prefeitura Municipal de Vitória utilizará o vídeo na formação de seus professores, como parte de um projeto de aquisição de materiais didáticos voltados para a implementação dos estudos étnico-raciais nas escolas. O projeto conta com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino – FNDE e do próprio município. Cada tridente em seu lugar, o primeiro livro de crônicas da escritora mineira Cidinha da Silva, ganha segunda edição apenas dez meses após ser lançado. A grande novidade é que alguns textos serão adaptados para roteiros de vídeo e cinema desenvolvidos pela Lúmen Vídeos, que adquiriu os direitos de adaptação. Serão adaptadas as crônicas “Domingas e a Cunhada”, um história de amor repleta de lirismo tendo como cenário o interior nordestino da primeira metade do século XX, e “Papo de Barbearia”, uma radiografia do universo masculino que a manicure Marieta nos revela pelos “causos” deliciosamente mineiros ouvidos numa barbearia do interior. PRÉ-ESTRÉIA DO VÍDEO E LANÇAMENTO DO LIVRO: 25/05 – 19h - Hotel Canto do Sol Av. Dante Micheline, 3957 Jardim Camburi – Vitória-ES

23 de mai de 2007

TRÊS LIVRARIAS

São três as livrarias. SOBÁ é a mais velha. MAZZA, a do meio. KITABU, a mais novinha. São cinco as livreiras: Celeste, Rosane, Íris, Rosa e Fernanda. "C" de como é difícil, mas chegamos, acontecemos, aqui estamos e permaneceremos. "R" de resiliência que, em síntese, tem o mesmo significado do "C". "I" de inda bem que somos assim. Mais um "R", este de riqueza. Riqueza de beleza, de arco-íris e heranças múltiplas. O "F" é de fartura, de abundância, de vida longa. Dê uma passadinha pra conhecer as meninas, os livros, as livrarias-projetosdevida. SOBÁ LIVRARIA & CAFÉ Rua Rio de Janeiro, 1278, Lourdes, Belo Horizonte, MG. Fone: 31 32247655 MAZZA LIVRARIA Av. do Contorno, 6000, loja 01, Funcionários, Belo Horizonte, MG. Fone: 32815894 KITABU LIVRARIA NEGRA Rua Joaquim Silva, 17, Lapa, Rio de Janeiro, RJ. Fone: 21 22249847 kitabulivraria.wordpress.com

22 de mai de 2007

ENCONTROS LITERÁRIOS NO MUSEU AFRO BRASIL

Dia 26 de maio próximo, nosso querido Oswaldo de Camargo inicia a série ENCONTROS LITERÁRIOS no Museu Afro Brasil. Não é apenas mais uma atividade na cartografia literária da cidade. É algo pensado e executado por Oswaldo de Camargo - autor e crítico reconhecido, um dos nossos maiores. Nesse primeiro encontro Salve JOSÉ DO PATROCÍNIO - abolicionista, literato, jornalista, orador, polemista. Aquele que fez da palavra sua "pedra filosofal". Não perca: José do Patrocínio - Literatura e Idéias. 26 de Maio, das 16h às 18h. Auditório do Museu Afro Brasil Pavilhão Manoel da Nóbrega Parque do Ibirapuera - Portão 10Sao PauloFone: 5579-0593 De 3a. a domingo das 10 às 17hENTRADA GRATUITA www.museuafrobrasil.com.br

21 de mai de 2007

LANÇAMENTO DE "PUNGA" - ELIZANDRA SOUZA E AKINS KINTÊ

Boa Noite! Vejam o convite de lançamento da obra poética "Punga" dos queridos e valorosos jovens, Akins Kintê e Elizandra Souza. "Salve, Povo. Com satisfação salgada de suor, ouvidos e olhos ardendo frutificação, chapados pelos livros das ladeiras, Edições Toró se manifesta e convida para o lançamento de “Punga”, Poesia de Elizandra Souza & Akins Kinte. Ilustrado por Coyote, Marco ZX e Bylla. Lírica suburbana, quilombola canetada nos tropicões dos ônibus e nos giros da África paulistana. Doces sonhos de revide necessário, trançando estrelas milenares. 22/05 às 19 h, na Ação Educativa, com *A música de Denegrí e de Amandla; *As pinturas e xilogravuras de Leandro Válquer e de Édson Pereira; *As cenas teatrais de Ellen Lucinda e de Débora Marçal & Priscila Preta; *O vídeo “Vaguei os livros, me sujei com a m... toda”, de Akins Kinte E a presença especial do escritor Osvaldo de Camargo, que tá faz décadas na guerrilha, no cultivo e no dendê da teimosa e enluarada literatura negra. É só chegar, com a Positividade e o Peito afins". AXÉ Allan da Rosa / Edições Toró

CONVITE DE LANÇAMENTO DO TRIDENTE EM VITÓRIA - ES

CECUN - Centro de Estudos da Cultura Negra-ES Escadaria São Cosme, 59 – Ilha de Santa Maria – Vitória-ES. Cep 29040-610. – www.cecun.org.br Lei 10.639/03 CONVITE O Centro de Estudos da Cultura Negra no Estado do Espírito Santo tem a honra de convidar você, família e amigos/as, para participar dos lançamentos dos livros: · Cada Tridente em Seu Lugar. Autora: Cidinha da Silva-SP. Editora: Mazza Edições. · Projetos Políticos Pedagógicos do 5º SENENAE, organizado pelo CECUN-ES. · Atividades Culturais - “DANÇAS AFRO-BRASILEIRAS: recontando a História Através do Corpo- Evandro Passos-BH-MG, Cultural Navio Negreiro – Mestre Falcão – C. Itapemirim-ES; Performance Dança Afro – Fábio Viana Pereira -Vitória-ES. Estas atividades fazem parte do 1º dia da programação do 6º SENENAE – Seminário Nacional de Entidades Negras na Área da Educação, quando educadores/as de todas Regiões do Estado do Espírito Santo discutem e elaboram políticas, para a implementação da Lei 10.639 de 2003. Dia do LANÇAMENTO - 25 de maio (sexta-feira) – ás 18h30 - Pátio Sabia – Hotel – Canto do Sol – Av. Dante Michelini, 3957 – Jardim Camburi-Vitória-ES. INFORMAÇÕES : (27) 3223-7959 ou 9995-1907. Coordenação

19 de mai de 2007

Crônica da semana

Um Outro Olhar Sobre a Cueca Aquele foi um ano imortalizado pelo transporte de dinheiro na cueca. Ficou até parecendo coisa de serial killer. Ensina a justiça forense que quando a imprensa divulga detalhes sobre o modus operandi de um serial killer, aparecem vários candidatos a maníacos, que, em busca de notoriedade, resolvem imitá-lo. Com o dinheiro na cueca foi a mesma coisa. Cada dia o transporte era feito por um novo mensageiro. De mais a mais, nestes tempos de homem-objeto e revistas especializadas em vender a imagem nua dos homens-objeto, a cueca não é mais um acessório escondido, insignificante, não senhora! Hoje, as opções cuecais são tão importantes quanto a camisa, o estilo da gravata, o tecido da calça, etc. Não é raro ouvirmos nas mesas de bar, moças irrequietas comentando sobre o tipo de cueca pendurada no varal de um paquera, ou sobre a marca que se enunciou quando o outro paquera cruzou os braços, a camiseta curtinha subiu e se anteviu então o estilo da cueca do rapaz. Não é a toa que milhões têm sido investidos nas propagandas de cuecas. Considera-se a cor, o design, a legenda da borda, a combinação com algum detalhe da marca da camiseta ou tênis. Tudo isso é moda. Mas não pensem que todos os homens aprovam o lugar de destaque conquistado pela cueca no imaginário de consumo hetero-feminino. Tem muito homem que ainda acha que isso é coisa de viado ou outra afronta qualquer à sua macheza. Perto da minha casa, por exemplo, um desses machos se manifestou. De um lado da avenida tem um posto de gasolina. Em frente tem um out door e no out door tinha um homem dourado, fazendo propaganda de cueca. As duas mocinhas passaram e quase quebraram o pescoço olhando para o modelo e desejando coisas inconfessáveis. O frentista do posto de gasolina, irritado com a cena e com a vida, provavelmente, segura os genitais e grita para elas – aqui, oh... Rude engano. Ele acha que as coisas dele têm o mesmo valor e apelo erótico das coisas do homem dourado. Talvez porque sejam ambos brancos e ele ache que a sua brancura lhe coloca em condição de igualdade com um homem bonito, recém saído do banho, produzido e perfumado. É tanto perfume que o out door desprende uma fumaça cheirosa, como fosse uma banheira de águas medicinais. Um homem relaxado, em posição de coma-me. Sim, porque um homem-objeto que se preze deve dar à mulher a sensação de que é um garoto de clube de mulheres - pronto para ser cheirado, apalpado, mordido e beliscado. Mas isso tudo é coisa de viado, pensa o frentista branco do posto. O que mulher gosta mesmo é de ser comida, até com violência, porque umas gostam de apanhar. E homem que é homem fede a gasolina. Mulher é quem tem que se lavar. (ilustração: Livia Lima)

"CADA TRIDENTE EM SEU LUGAR CHEGA À SEGUNDA EDIÇÃO E VIRA ROTEIRO DE CINEMA"

Relações raciais é o foco da segunda edição do livro de crônicas e contos da escritora Cidinha da Silva, com lançamento nacional dia 25 de maio no Hotel Canto do Sol. O lançamento de “Cada Tridente em seu Lugar” (Mazza Edições) acontece no dia 25 de maio, às 18h, durante o 6º SENENAE – Seminário Nacional de Entidades Negras na Área da Educação, no Hotel Canto do Sol, em Vitória. A grande novidade é que alguns textos serão adaptados para roteiros de vídeo e cinema desenvolvidos pela produtora capixaba Lúmen Produções, que adquiriu os direitos de adaptação. Dez meses depois da primeira edição, a nova versão chega mais enxuta: saíram oito histórias curtas, dando lugar a três novas, mas o foco continua sendo a complexa questão das relações raciais na sociedade brasileira. Renovam o livro a história do jovem negro que figura como “pretinho básico” das moças brancas, nas baladas de fim-de-semana, em “Melô da contradição”, e os textos “Só derreal” e “Amai-vos uns aos outros”, também reveladores do racismo que permeia nossa sociedade. Permanecem “Domingas e a Cunhada”, um história de amor repleta de lirismo tendo como cenário o interior nordestino da primeira metade do século XX, e “Papo de Barbearia”, uma radiografia do universo masculino que a manicure Marieta nos revela pelos “causos” deliciosamente mineiros ouvidos numa barbearia do interior. Além disso, chega em bom momento o encarte com sugestões de atividades didáticas para auxiliar os professores/as na implementação da Lei 10.639 de 2003, que inclui na Rede de Ensino do país a obrigatoriedade da temática História e Cultura Africana e Afro-brasileira. Como Edimilson de Almeida Pereira escreve no prefácio da 2ª edição do livro, “Cada tridente em seu lugar esconde núcleos grávidos de especulações estéticas e ideológicas. (...) Esses núcleos resultam em narrativas abertas à discussão sobre o multiculturalismo da sociedade brasileira e às experimentações da criação literária.” LANÇAMENTO DA SEGUNDA EDIÇÃO: 25/05 – 18h00 - 6º SENENAE (Vitória) Hotel Canto do Sol Av. Dante Micheline, 3957 Jardim Camburi – Vitória-ES