Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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31 de jul de 2007

ISBN, osso do ofício para a publicação independente

Finalizei a leitura de “Hollywood depois do terreno baldio”, da Tata Amaral. Gostei. O livro me interessou por dois motivos, primeiro, porque curti muito o último filme da Tata, “Antônia”, e sabia que os textos foram escritos a partir da pesquisa de campo realizada para o filme. Queria conhecer as histórias, imaginava que encontraria muitos enredos protagonizados por mulheres e não me enganei, alguns muito belos e intensos. Depois, a autora foi uma das vencedoras do PAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo, 2006, e me interessa muito saber o teor das propostas vencedoras deste concurso literário e de outros. A periferia é um tema da moda, pelo que tenho observado. Não me parece que seja moda enfocar a força transformadora que irrompe dos bolsões de descaso do poder público, localizados no entorno das grandes cidades, mas a periferia como personagem, olhada por uma classe média, ora curiosa, ora amedrontada, ora comprometida (com o quê mesmo?), ora atenta aos ventos e ondulações do mercado editorial. Mas é justo. É muito justo. É justíssimo. Cada um escreve sobre o que quiser, do ponto de vista que lhe apraz, a partir do ângulo de visão que melhor lhe convier. Preocupo-me um pouco com os meninos e meninas escritores, atores principais das transformações nas periferias. Às vezes, por desinformação, e/ou teimosia, perdem a possibilidade de participar de certos concursos com chances reais. Por exemplo, a resistência a normas básicas do mercado editorial, tais como a feitura do registro de ISBN – Internacional Standard Book Number, que deve ser feito pelo autor ou pela editora na Biblioteca Nacional www.bn.br, para cada obra . Não é barato, mas é necessário fazer. E, se o tal ISBN não for encarado como osso do ofício, pelas editoras (alô, alô, Edições Toró!) e escritores independentes, certas portas que mais cedo ou mais tarde terão que se abrir para outros escritores talentosos e consistentes, além do Ferréz, deixarão de ser forçadas.

30 de jul de 2007

Não Funciona, a revista maloqueirista

Dia 31 de julho, das 18:00 às 20:00, será lançado o n.10 da revista "Não Funciona", editada pelos poetas maloqueiristas Berimba de Jesus e Caco Pontes. No espaço dos Parlapatões, Praça Rossevelt, centro de São Paulo. O movimento Poesia Maloqueirista nasceu em 2002 com a proposta de publicar livretos que eram vendidos em portas de espaços culturais, metrôs etc. A partir de 2004, após uma experiência performática de rua na FLIP (Festa literária internacional de Paraty) começou a contribuir abertamente para o diálogo sobre a arte contemporânea. O "coletivo" passou a publicar a revista "Não Funciona", título escolhido em homenagem ao poema visual de Oswald de Andrade, e criou o C.A.I-MAL (Centro de Ação In-formal), espaço de proposição do caos cultural, evento com base na poesia e na interação de linguagem com outras propostas de arte independente, agregando vertentes como música, audiovisual e artes plásticas. Participo da "Não Funciona" n.10 com a crônica, "Mais um dia dos pais e um homem negro sem camisa". Estarei lá para ler meu texto e apresentar os postais da coleção Tridentiana. Quem puder, apareça. Ao lado, um grafite maloqueirista. Para conhecer o movimento, acesse www.poesiamaloqueirista.blogspot.com

28 de jul de 2007

Salve Iléa Ferraz!

Começamos saudando Exu e terminamos saudando Iléa. Que não deve ser de Oxalá, será? Mas encerra a festa de aniversário do Tridente. No dia 13 de julho anunciamos festa de duração semanal, mas hoje é o 16o dia. Felizmente. Tivemos muita coisa para postar, alusivas ao aniversário e outras novas que cruzaram o caminho. Por falar em caminho, cruzamento, encruzilhada, Iléa é mais um presente que o caminho do Tridente me trouxe. Tudo começou assim: Vera Lopes, amiga comum, presenteou Iléa com um Tridente. Ela leu, se emocionou, me escreveu e assim nos apresentamos. Papo vai, papo vem, começamos a ensaiar trabalhos conjuntos, em trio, em dupla e já fizemos algumas parcerias. Constantemente ela me envia uns desenhos lindos. Eu fico encantada e trato logo de dividir o encanto com vocês, postando-os no blogue. E, nada mais justo do que também apresentá-la para que se possa unir seu rosto ao trabalho de arte. Muita gente já deve tê-la visto em telenovelas e especiais da rede plim-plim. Além de artista plástica, diretora e roteirista, Iléa é atriz, daquelas de primeira grandeza. É também mãe da Thaís, a moça bela que ilustra o Tridenteando 9. A todos/as vocês que acompanharam a festa do primeiro ano de vida do Tridente, obrigada e até segunda.

27 de jul de 2007

Quilombo - revista Afroargentina!

Para jogar mais uma pá de terra naquela idéia ultrapassada de que na Argentina não existem negros, tampouco uma cultura negra viva (além do tango, óbvio), segue parte de uma matéria da revista Quilombo (n.25). Uma publicação afroargentina, de excelente qualidade, que circula pela Internet. Poema do Edimilson, trecho da resenha do livro feita por William Luis. www.revistaquilombo.com.ar SIGNO El signo es cimarrón, el texto / una cimarronada, a veces / en los relatos, otras afuera / de la memoria. Preso, no dice / nada, libre se esconde / en la plaza. Tiembla el centro / de la página, se extravía / al margen. / El signo crea una fortaleza / – quien la asalta se hunde. / Su laceración no es la de la piedra, / el signo cimarrón se mueve. Signo cimarrón alude a una figura amenazante para algunos pero mesiánica para otros, no sólo en el contexto brasileño, sino también en el de otros países como es el caso cubano, peruano, norteamericano y de otras naciones en las que se producen las mismas condiciones que permiten la existencia del cimarronaje. Sin duda hay un contacto con otros mundos, se menciona Santiago de Cuba de Compostela, porque las tradiciones africanas lo exigen. Signo cimarrón resiste el concepto que encasilla al escritor y sus escritos en un determinado tiempo y espacio, porque el cimarronaje es dinámico y fugaz y, tanto el tema del cimarrón como la poesía o la escritura, trasciende las fronteras nacionales que imponen las estructuras geopolíticas y nacionalistas y abarca territorios fuera del espacio estado nación. Signo cimarrón es la voz silenciada del negro, pero no solamente del negro, de cualquiera que haya sido marginado por ignorancia, maldad, prejuicio, racismo, sexismo u otra infame, deshonesta, vergonzosa, payasada razón. Es la voz del intrépido, del que se arriesga a ser diferente o expresar diferentes ideas. Es también la voz de la protesta del que busca la justicia y la igualdad. Es la voz de la libertad. Con Signo cimarrón Edimilson consigue unirse al grupo de escritores privilegiados que abordan el tema de la diáspora africana en general y su contribución es concebir un nuevo e indispensable entendimiento de la figura del esclavo fugitivo. Con estos versos Edimilson adquiere un lugar fijo y permanente entre los grandes escritores latinoamericanos de nuestra actualidad. Él ha conseguido mostrar de manera convincente cómo este personaje de la historia sigue vigente y presente en nuestras culturas y cómo todos somos, de alguna manera u otra, herederos del cimarrón y el cimarronaje. Vanderbilt University Nashville, Tennessee, 2004 (fragmento) / Obra Edimilson de Almeida Pereira. SIGNO CIMARRÓN. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2005.

26 de jul de 2007

Salve Edimilson de Almeida Pereira!

Neste pôste semi-final de comemorações do primeiro ano de aniversário do Tridente, é hora de saudar meu querido amigo, Edimilson de Almeida Pereira. Poeta maior, homem de sensibilidade e generosidade ímpares, capacidade de trabalho amazônica e, agora, pai de uma pequena princesa das águas. Era menina, quando nos conhecemos. Ele também era menino, mas parecia daqueles que já nascem prontos. Santo velho, deve ser. Não sei em que medida a maturidade precoce trouxe soluções ou problemas à vida dele, temos uma amizade que não entra nesses meandros, mas tenho minhas desconfianças. É uma amizade de poucos e marcantes encontros ao longo de 18 anos, de admiração mútua - a minha, muito maior e fundamentada -, leitura dos textos, uma ou outra carta e conversas inscritas na história, na minha história. Ah... como me deliciei com seus primeiros livros de poesia, e com os outros, frutos de alentadas pesquisas sobre a cultura banto-mineira, "O mundo encaixado", "Assim se benze em Minas Gerais" e o mais recente, "Os tambores estão frios", sobre o Candombe. Edimilson escreveu o prefácio à segunda edição do Tridente. Como me senti feliz, agradecida e honrada. Quem quiser saber mais sobre o trabalho dele vá até o Portal LITERAFRO - www.letras.ufmg.br/literafro Por hora fiquem com o prefácio do Tridente e com as capas da obra poética reunida do Edimilson, publicada pela Mazza Edições. (foto Prisca Agustoni) A estrada é uma coisa, o caminho é outra por Edimilson de Almeida Pereira. "As relações entre literatura e história (apesar dos métodos específicos empregados na produção dos discursos de cada uma destas áreas) são tecidas no limiar de suas diferenças. Ou seja, no ponto em que os discursos evidenciam sua relatividade e permitem que ora o ficcionista abra clareiras para a análise do historiador, ora o historiador estimule a força criadora do ficcionista. Atraída por esse jogo, Cidinha da Silva, reconhecida pelos seus trabalhos de sociologia e historiografia, investe na literatura, urdindo uma textualidade na qual os conflitos e os diálogos entre fato e ficção representam grandes desafios ao seu processo de criação. A investigadora, empenhada em ressaltar a objetividade dos eventos, assume o risco de lidar com a relatividade própria do discurso de ficção. No livro Ações afirmativas em educação: experiências brasileiras (2003) o leitor reconhece a disciplina, a competência e o talento que deram a Cidinha da Silva argúcia para perceber os fatos e analisá-los a partir de diferentes perspectivas. Todavia, em Cada tridente em seu lugar, obra de ficção, o diálogo entre literatura e história se prenuncia e, não raro, retrai-se. Isso ocorre na medida em que a historiadora descortina belos e importantes temas sem que, no entanto, a ficcionista se aproprie inteiramente deles. A trajetória intelectual de Cidinha da Silva mostra sua opção por descer do mirante da história para estar entre as pessoas que fazem os fatos de uma outra história, silenciada porque pertencente aos menos favorecidos. Por isso, Cada tridente em seu lugar esconde núcleos grávidos de especulações estéticas e ideológicas. Algumas vezes bem aproveitados, esses núcleos resultam em narrativas abertas à discussão sobre o multiculturalismo da sociedade brasileira e às experimentações da criação literária. Cidinha da Silva – postada, à maneira do sociólogo Marc Augè, como um etnógrafo no metrô, ou seja, na esquina de sua cidade, na porta de sua casa para conhecer o outro que, agora, é o próprio sujeito – articula uma série de narrativas que não hesitam em alimentar-se de suas contradições. Porém, esse procedimento (que pode render excelentes exercícios de metalinguagem), às vezes, não se explicita como ação intencional da autora. A tentativa de Cidinha da Silva de costurar o conto e a crônica estimula, por um lado, o diálogo entre a ficcionista e a observadora. Nesse aspecto, no tom ligeiro da crônica se insinua a arguta investigadora de nossas demandas sociais. Por outro lado, esse diálogo não se aprofunda e contos instigantes (“seu marabô”, “dublê de ogum”,“domingas e a cunhada”) acabam por ter sua vitalidade ameaçada ao serem colocados na vizinhança de textos menos complexos. A indefinição da autora quanto a essas questões impede, por exemplo, que “licença aos meus que já foram” se desenvolva como uma grande narrativa vinculada ao universo dos cortejos, dos reinados de Congo e da estética banto-católica. Nesse texto, em particular, há personagens & dramas, paisagens & deslocamentos esperando para serem deslindados, ou enredados, numa inovadora saga de brasileiros. Em tempo, a epígrafe do livro, enunciada por Exu Tranca Rua, sugere que a dificuldade na resolução de um problema (como reconhecer a diferença entre caminho e estrada?) se impõe como o motor da vida. Em Cada tridente em seu lugar Cidinha da Silva impõe a si mesma o desafio de transformar as dificuldades em soluções para a sua escrita. Por isso, os seus embates com a escrita apontam, também, para as soluções que lhe permitirão vislumbrar o caminho literário (“é quando ocê escolhe uma estrada pra seguir e chegar no seu lugar”) que pretende percorrer".

Tempo Rei

"Não me iludo / Tudo permanecerá do jeito que tem sido / Transcorrendo / Transformando / Tempo e espaço navegando todos os sentidos (...) / Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei / Transformai as velhas formas do viver / Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei"... (Gilberto Gil; imagem Iléa Ferraz)

25 de jul de 2007

Uma constelação de diamantes, já com muitos brilhantes literários

(Por: Lima Coelho www.limacoelho.jor.br) É com indisfarçável e incontida alegria que apresentamos o Especial Literário Dia da Especial Mulher Negra no Site Lima Coelho, que demarca duas importantes e buscadas vitórias de nossa presença no ciberespaço: 1. Concretiza um sonho acalentado por nós: apoiar e abrir espaço para a divulgação da literatura produzida por pessoas, particularmente mulheres, dos setores oprimidos da sociedade; e 2. Inaugura uma parceria do Site Lima Coelho com a Casa de Cultura da Mulher Negra para estimular e visibilizar a produção literária de mulheres negras brasileiras, como uma das celebrações do 25 de julho – Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe. Eu não sabia bem como iniciar a apresentação do que resultou de um sonho, pois como disse Fátima Oliveira, envolvida com a organização do material recebido: “Temos jóias raras no material enviado. O conjunto é uma constelação de diamantes, já com muitos brilhantes...” E diante de uma constelação de diamantes, já com muitos brilhantes literários – a maioria, ou quase todas, estreando na literatura, falha a inspiração, que vem em ondas que batem em minha sensibilidade, habitualmente à flor da pele, com tamanha força, embotando-me de tal modo que não deixam aflorar a totalidade da emoção que é aglutinar tantas mulheres negras amantes da literatura e do “fazer literário”, em tão pouco tempo, pois o convite foi lançado dia 12 de julho, como verão neste “Especial” que consta de: 34 páginas/1.520 linhas, com 36 poesias; e 28 páginas/1.271 linhas, com 9 contos; 4 minicontos; e 5 crônicas. Destaco que são 62 páginas, em espaço simples, com letras “times new roman”, tamanho 12, totalizando um produto de 2.791 linhas Não posso deixar de externar que fui tomado e inundado por uma incomensurável força de vontade, decorrente da energia que flui de duas mulheres que são capazes de mover o mundo para concretizar sonhos: Alzira Rufino e Fátima Oliveira. Envolvi-me “de corpo e alma” com a proposta. Particularmente ganhei forças. Ganhei porque encontrei nas pessoas que visitam o site e escrevem comentários; em Alzira Rufino e Fátima Oliveira; e em todas as mulheres que co-produziram e estrelam o “Especial” a mesma vontade de realizar algo diferente e prazeroso que pudesse contribuir, ainda que mínima e pontualmente, para mudar padrões culturais racistas, também nos meios ditos literários. A produção literária do “Especial” aparece no site por ordem alfabética decrescente dos nomes das autoras. Cada autora inaugura um “post”, em quatro grandes blocos de postagem: Poesias; Minicontos; Crônicas; e Contos. (Ilustração: Iléa Ferraz)

Co-autoras do Especial Literário Dia da Mulher Negra do Sítio Lima Coelho

1. Alexsandra Monteiro; 2. Alzira Rufino; 3. Ana Sena; 4. Aretuza Ferreira Santos; 5. Celina Chrispim; 6. Cidinha da Silva; 5. Conceição Evaristo; 6. Deise Benedito; 7. Fátima Oliveira; 8. Gysa Rodrigues; 9. Inaicyra Falcão dos Santos; 10. Irene Izilda; 11. Julia Fernandes Batista; 12. Lia Vieira; 13. Lina Efigênia Barnabé Cruz; 14. Luciene Marcelino Ernesto; 15. Kátia Maria da Silva; 16. Maria Aparecida Mendes; 17. Maria Aparecida dos Santos; 18. Maria Helena (Helena do Sul); 19. Maria Luísa Passos; 20. Maria Madalena Fernandez de Souza; 21. Márcia Regina Adão de Souza; 22. Mirtes Bandeira; 23. Neusa Baptista Pinto; 24. Nilma Bentes; 25. Ori Wani; 26. Rosadosventos; 27. Rosalia Lemos; 28. Sandra de Oliveira Santos; 29. Silvana Brazeiro Conti; 30. Sinara Rúbia; 31. Talita Nery; 32. Tayná Wienne Adorno Tomás; 33. Vânia Penha-Lopes. www.limacoelho.jor.br Promoção: Casa da Cultura da Mulher Negra e Site Lima Coelho. Assessoria: Fátima Oliveira.

24 de jul de 2007

Dia da mulher negra latino-americana e caribenha

Havíamos anunciado na semana passada, a festa que rolaria no sítio do poeta Lima Coelho, dia 25 de julho, dia da mulher negra latino-americana e caribenha. Parece que ele não resistiu e postou os textos na noite do dia 24. Tenho lá quatro: Sonho (poesia), Seu Marabô (mini-conto), Licença aos meus que já foram (conto) e Filhas do vento (crônica). Todos na Vitrine Literária. Tem muita coisa legal, dêem uma olhada www.limacoelho.jor.br (ilustração: Iléa Ferraz)

Vida longa à Mazza Edições!

"Quem foi que falou / Que eu não sou um moleque atrevido / Ganhei minha fama de bamba / No samba de roda / Fico feliz em saber / O que fiz pela música, faça o favor / Respeite quem pode chegar / Onde a gente chegou / Também somos linha de frente / De toda essa história / Nós somos do tempo do samba / Sem grana, sem glória / Não se discute talento / Nem seu argumento, me faça o favor / Respeite quem pode chegar / Onde a gente chegou / E a gente chegou muito bem / Sem a desmerecer a ninguém / Enfrentando no peito um certo preconceito / E muito desdém / Hoje em dia é fácil dizer / Que essa música é nossa raiz / Tá chovendo de gente / Que fala de samba e não sabe o que diz / Por isso vê lá onde pisa / Respeite a camisa que a gente suou / Respeite quem pode chegar onde a gente chegou / E quando chegar no terreiro / Procure primeiro saber quem eu sou / Respeite quem pode chegar / Onde a gente chegou". Esta musica é a cara de Maria Mazarello, a moleca atrevida da foto, criadora e mantenedora da Mazza Edições. É por esta editora, vocês sabem, que saiu a segunda edição do Tridente. Quando ganharam a Copa América - 2007, os meninos da Seleção (negra) de futebol cantaram "moleque atrevido". Eu não tenho necessidade nenhuma de dizer que a Seleção era negra, não cultuo o óbvio e tampouco o óbvio me incomoda, tô parafraseando um ex-juiz de futebol, atual sensacionalista, digo, comentarista, que atribuiu os problemas apresentados pelo escrete canarinho, durante os primeiros jogos, à falta de um loirinho em campo (palavras dele). Os jornalistas, por sua vez, quando iam repetir trechos da letra cantada pelos meninos negros, como recado a quem os havia desacreditado, se enrolavam, não conheciam a letra, era novidade. Jorge Aragão, gente! Fundador do Cacique de Ramos, autor de "Coisinha do pai", aquela música que foi ouvida na lua, numa nave espacial. Samba de qualidade, pagode, no sentido primevo da palavra. Fosse um "samba-swing", pagode, na acepção global-capitalista-contemporânea do termo, e os jovens jornalistas teriam cantado junto. Nós, do lado cá, junto com os meninos da Seleção, cantamos Jorge Aragão. E é com ele, que, de maneira despretensiosa, neste final de festa no blogue, agradeço à Mazza, pelo convite honroso para compor o catálogo da Mazza Edições (foto Netun Lima).

23 de jul de 2007

Tridentiando 10

“Engraçado... outro dia estava numa sessão de leitura de um escritor que não conhecia até então. O Angolano José Eduardo Agualusa. Que homem lindo! Pensei de cara... mas meus olhos brilharam mesmo quando ele leu uma de suas crônicas. Naquela mesma noite, me apresentei e fiz Agualusa autografar os dois livros que tinha acabado de comprar. Um deles, "O vendedor de passados" é meu livro querido. Tanto, que esse exemplar já passou nas mãos de várias pessoas também queridas. Bem, a verdade é que me apaixonei por esse homem enquanto ele lia suas histórias. O seu sotaque não sai da minha cabeça, principalmente quando leio ou releio algo dele. Depois de tantas delongas, Cidinha, o que quero dizer é que ontem, enquanto ouvia você lendo suas palavras, contos que eu já conhecia... essa sensação me voltou. A sensação de menina, sentada na roda, ouvindo uma contadora, embaixo da árvore, tardezinha, vento soprando no rosto e som das folhas de fundo musical... e a sua voz, ali, sua entonação, sua mineiridade... Xônei n'ocê!” (quase anônimo 12) “Adorei te ouvir ontem falando do livro ( o mesmo mas na verdade outro) e do seu processo de criação. O Edimilson, carioca do brejo, infelizmente, cobra de você ser mais literária. Eu gosto do jeito que está: texto leve, crônica gostosa de ler, anotações de coisinhas do dia-a-dia, pequeninas mas tão importantes que precisam ser colocadas urgente em livro. Não se esqueça de escrever o conto sobre o ferro de passar roupa. Ah, adorei a lembrança dos muitos ferros que passaram também pelas minhas mãos. Nem me lembrava do ferro de marca Tupy. Era tão feio que varri-o da minha lembrança. Fiquei me lembrando sobre o trabalhão que tinha para engomar minhas anáguas com ferro cheio de brasas, soprado sem parar pela menina magricela que precisava do volume das muitas saias para ganhar corpo. Soubesse ela como iria engordar depois, teria soprado mais brasas para ficar sempre magrela e nem precisar tomar remédio para pressão alta”. (quase anônimo 13) "Preciso te dizer que o teu texto (e suplemento!) continua cortante, cruel e intenso, +- como as "fisgadas" q agora sinto na mão, por estar forçando a escrita.. gostei muito do "melô da acontradição".. me fez lembrar dummonte de coisa... interessante isso, penso que um dos teus grandes méritos, nas crônicas , é falar tão bem do cotidianno, sem perder, com isso, o "tom" da literariedade, a provocação ao absurdo, o chamar a atenção para os abusos do real. Na escola, estamos numa fase de seleção dos livros didáticos, sempre aquela mesma coisa... estou com o teu em punho, para qdo discutirmos os paradidáticos"... (quase anônimo 14)

TV a Gato

Você sabe que às vezes o pessoal da favela faz gato não é só pela falta, mas também pela revolta. Você imagina o que é no inverno só ter água quente pro banho se esquentar a gás ou a lenha, porque não há energia elétrica? Andar a favela inteira com as suas sacolas de lixo debaixo do braço até o asfalto, porque caminhão coletor não sobe o morro? A moçada então, não perdoa. Esperança desacreditada, fermentada pela falta de perspectiva vira revolta. Na juventude da Elza Soares existia bica e o pessoal subia com a lata d’água na cabeça. Vieram os sambistas do asfalto e fizeram os sambas que romantizaram a pobreza, como se viver do nada e das sobras fosse bom. Hoje o pessoal resolve a falta de água encanada com o gato feito por umas mangueiras sujas, furadas por pedregulhos e roedores. Contaminadas também por excrementos de bicho. É tanta gente neste país que bebe clorofórmio fecal – para não ofender os ouvidos mais puros. Gato de TV a cabo você deve achar que é luxo, pois talvez nem você tenha (TV a cabo ou um gato de TV a cabo) em sua residência. Mas, veja bem: assim como um vivente tem direito à água potável, tem também direito à programação televisiva de qualidade. Para obtê-la, no Brasil, é preciso pagar uma assinatura. Suponhamos que você possa pagar. Ocorre que a empresa prestadora do serviço acha que o lugar onde você mora não é digno dele. E você, além de perguntar-se onde mora a lógica capitalista da empresa, faz o quê? Os meninos fazem gato. E quer saber do que mais, quem gosta de miséria é intelectual, já disse o Joãozinho Trinta. E quer saber de outra coisa? O prédio do seu vizinho aluga apartamentos com TV a cabo incluída. Só que os usuários não pagam nada. Nem a administração. Ninguém paga. É gato. (Ilustração: Lia Maria)

21 de jul de 2007

Tardou, mas foi

Embora no Brasil, qualquer sujeito seja santificado ao morrer, no código de leis que rege o universo, deve haver recepção adequada para cada tipo de sujeito.

Tridentiando 9

(Por Alex Ratts) Cara Cidinha, quando vi minha mãe, com seus 70 anos, com o seu Tridente na mão, percebi mais ainda a largueza de horizontes que essa obra e sua escrita têm. Esse que interesse vinha em parte porque ela lhe conhece pessoalmente e ficou curiosa em saber o que e como você escreve. Mas tenho comentado todo o livro ou alguma crônica com pessoas de várias faixas etárias e isso indica, como eu disse, as possibilidades da obra. Nessa segunda edição, as "sugestões de atividades" em si mesmas estimulam a observação crítica e cuidadosa dos temas que o livro leva a discutir. Fico imaginando as educadoras e os educadores (formais ou não) parando para pensar nas questões que você coloca. Vejo com extrema alegria que, em um ano, algumas estradas têm se tornado caminhos para o Tridente (como a rota Goiânia - Brasília que presenciei). Esses caminhos ligam e potencialmente ligarão lugares de leitura/escrita/pensamento/arte. Nessas rotas estamos nós, esperando os seus próximos escritos. (ilustração: Iléa Ferraz)

20 de jul de 2007

Tridentiando 8

“Oi querida Cidinha! tudo em paz com você? Espero que esteja bem e feliz. Estou aqui do outro lado do mundo. A terra dos samurais e gueixas é realmente linda e estranha, mas estou contente pelas escolhas feitas. Acho que você não sabia que eu estava vindo pra cá e agora menos ainda que "Cada tridente..." também. Pois te falo como seu livro chegou aqui. Um sonho de muitos anos se concretizou. Não sei dizer quando começou, mas sempre pensei em vir para o Japão. Um vontade danada e sem razão. Tentei muitas vezes e sempre acontecia algo para eu não vir. Eis que dessa vez aconteceu. Visto na mão e mochila nas costas vim parar aqui. Faz um mês e tudo indica que serão muitos outros... Mas vamos ao "tridente"... Começou ainda em Sampa quando na abertura do livro vi algumas palavras do Sr Exu tranca Rua. Fiquei tão comovido com essa coisa do "caminho" que acabei decorando. Sem a devida autorização cheguei até a colocar durante um tempo no meu orkut. Hoje coloquei uma coisa mais zen budista: "...se sua casa pegasse fogo, o que você salvaria? Ele disse: eu salvaria o fogo!" Depois foi "sobre o exercício da arte difícil e nobre de estar só". Acabei lendo pra quase todo mundo que ia me visitar em casa. Falei pra alguns por telefone também. E assim foi com outros: "Dublê de Ogum", 'Aconteceu no rio de Janeiro!", "Cada tridente em seu lugar"... Quando estava nas vésperas de minha viagem pensava no que iria ler durante a demorada e exaustiva viagem. Peguei o "Pequeno tratado das grande virtudes" de Andre Comte-Sponville, também "Capoeira Escrava" do Carlos Eugenio Soares, e o "Cada tridente..." Pensava como faria para continuar estudando, lembrando e sonhando com as coisas que ficavam pra trás. Um equívoco, não? Coisas assim não ficam para trás e é bom que seja assim, eu na verdade não desejaria isso. Hoje a capoeira é minha religião, uma forte oração, uma das coisas que mais me dão força e esperança. Como é bom saber do que existe pelos nossos ancestrais e como fazemos parte disso tudo. Eu também gostaria de saber melhor como todos aqueles que vem de Aruanda falam e olham por mim, mas não estou bem certo, apenas sinto que eles estão aqui... e fico feliz por isso. Olha eu fugindo do Tridente... Agora ele esta na cabeceira do tatami. Ontem mesmo eu li "Sobre o exercício..." para minha namorada. Ela gostou e disse que entendia, que sabia como era. Agora vamos ler outros mais. Bom, eu vou. Te escrevo mais outra hora”. ( quase anônimo 11)

19 de jul de 2007

Tridentiando 7

“Então é da coragem que vamos falar primeiro, não é?. O meu tom para encontrar esta coragem na sua literatura tem a ver com uma coisa muito íntima, que costumo carregar: a sobrevivência através da literatura. Uma vez que escrever é se manter vivo às expectativas; às previsões; às providências; aos sonhos. É muito maior que uma coragem que esmera denúncia; que dita força braçal a qualquer custo. A coragem que detecto ali, no meio absurdo em que as coisas acontecem, é aquela visão de necessidade da escrita como meio de revolta/solução ao nosso arredor. Ter coragem é escrever contra, ao mesmo tempo que é, também, escrever a favor da vida, entende? O seu texto tem a carga desta força. Uma força de impressão que não vela olhos e bocas, ao surrar e ser surrado na e pela palavra escrita sobre o cotidiano. Ter coragem, para mim, no seu texto, é se assumir como autor implícito (aquele que fala pelo autor empírico somente na narrativa) na hora de assinar um cheque. Um xeque-mate contra todo o desespero, de uma nossa impermanência, de uma nossa inconsistência com as coisas simples. Ter coragem é exagerar no imperceptível das coisas invisíveis, que, aliás, para mim quem as inventou foi o Manoel de Barros. Para resumir, a coragem é a única força capaz de nos levar a retirar um papel torto, pra anotar um cumulozinho daquela descrição, na hora exata que você olhou o absurdo em sua volta, parou, olhou novamente, reconsiderou, e, quem sabe, teve de chorar pra acreditar no acontecido. Bom, é quase isso o que eu penso sobre essa CORAGEM. Agora vamos passar à frente. A sua linguagem literária é veloz e metafórica, com transposições de quadros que nos deixa uma impressão de um preenchimento natural, para este espaçozinho entre as trocas. Entre cada final de quadro e, conseguinte, começo de outro, o que chamamos de limiar, é possivel, na sua escrita, mapear uma referência natural em nosso histórico de vida. Vou ilustrar. No conto (viu, que absurdo?! ha ha) Avelha na soleira da porta, ao final do trecho: "Ela receberá presentes levados pelos homens e eles conversarão com ela. Conversas cujo teor ninguém saberá". Fica aí, um universo de expectativas que o seu narrador cria em torno do mistério de quem, que tipo de pessoa seria a velha, e que tipo de morte e vida ela teve (prostituta!?). Estas indagações fazem parte de um conteúdo pragmático-metafórico que remete o leitor ao seu desdobramento poético. Ainda que este não tenha conhecimentos sobre o que é a poesia da linguagem comum. Então, torna-se uma questão de democratização do saber/sentir poético. É assim que os personagens tomam vida, e se manifestam através da sua literatura”. (quase anônimo 10)

Seu Marabô

__ Mas você não vê como ele flutua? É incrível. É fascinante. É encantador! __ Não, não vejo nada. Só sinto que ele roda, gira, gira, e não tenho controle. __ Ah, é uma pena que você não veja. Ele é diferente, anda de lado, dançando. E gira de lado também, torto. E tira o chapéu, cumprimenta as pessoas e sorri de lado. __ E vocês não têm medo? __ Medo? Nada, de que jeito? Ele é duro, não alivia, põe a batata quente na mão da gente e você que se vire, que resolva seus pobrema. Mas é humorado, engraçado, filosófico. Usa metáforas que todo mundo entende. Outro dia recomendou a uma moça que derretesse em um tacho de estanho o orgulho que lhe obstruía o peito, os olhos e a respiração. À outra falou um negócio sobre a cavalaria que ela trazia dentro do peito. Disse que cavalo cansado não ganha guerra. Precisa parar, descansar, beber água e dormir. Disse que se o cavalo está cansado, na hora em que o cavaleiro mais precisa dele, o bicho resfolega e não responde. “Já pensou que vexame, perder a guerra porque o cavalo tá cansado?” A mim, disse que eu era dele, que carregava o povo dele. Por isso, não deveria passar no meio de encruzilhada, sempre nas laterais, pois, “pra entrar na casa dos outros não tem que pedir licença?”. Então. Era assim também para passar pela casa do povo da rua. Olha lá, olha lá! Lá vem ele. (ilustração: Lia Maria)

18 de jul de 2007

Festa na Casa dos Olhos de Tempo!

Tridentiando 6

“Cada vez mais confirmo uma conclusão que tive a ousadia de fazer, certa vez, para aquele que escreve: "escrever é ter coragem" e "ter coragem é ter vinte e poucos anos". Prometo que ainda lhe envio uma "coisa" para ilustrar esta minha fala. Lá nunseiaonde sei que tens "vinte e poucos anos", e muita coragem. Mas, vamos às apresentações seguidas de desculpas pela demora, ou vice e versa. Sou mineiro, de São Paulo capital, e embora ser um não-católico praticante, aprendi, desde cedo e sozinho, o discernimento e respeito para com a religiões. Compartilho arrepios como os seus, quando ouviu, no astral da inspiração, aquela voz, alta de-baixo, dizer o "Deus-vaca". Que luxo! Pessoas com mania de ignorãnças... Pois bem, não me sinto à altura (digo, dígno) de lhe agradecer pelo presente que me deu , em Cada tridente em seu lugar e outras crônicas. Mas, tomo um ar egoísta ao agradecer não só por minha leitura deste, mas por todos aqueles em que sua "língua" toca. Por vezes doce, por vezes apimentada ao ponto. Agradeço à você e a Exú em nome de todos, pela literatura versátil, rica e gostosa. Adorei assim, o insuportar aos idólatras de pets. Ah, e sabemos bem dos líquidos modorrentos do katrina pessoal nosso de cada fim. E o passo preto, como ginga a gente por dentro!? Incrível! Um tridente desses a gente lê com os olhos de dentro, procurando não discernir sobre a literatura em si, formas, ahiii, etc. A gente procura um numseiuquê, pra suprir a necessidade de cada página. Mas, a Literatura em si, só pra sacar, tá é divina! Desculpe-me, mas me lembrei que a primeira palavra que veio à cabeça, quando decidi lhe escrever foi aquiescência. Acho que agora ficou mais claro que eu queria era dizer "luminescência". Que é a palavra que melhor me traduz sua visão crítica. Luz de adolescência madura... Essência de poucos. Obrigado pela literatura decência, e pela indecência necessária também. Sinto-me humildemente poderoso, quando leio poderes como os seus. Poizé Cidinha, espero vê-la em breve e com essa sempre forte escrita acelerada. Pois coragem, já provou que tem. Coragem, minina, corage”. (quase anônimo 9)

17 de jul de 2007

Conceição Evaristo na Mazza Livraria, em BH

Tridentiando 5

“Logo depois de nosso encontro no Rio, tirei da gaveta da minha mesinha de cabeceira o seu tridente e me pus a ler. Não consegui fechar até chegar à última página. Adorei!!!! Você podia fazer alguns outros, porque é muito bom para levar em viagens: pequeno, leve, fácil de carregar e delicioso de ler! Além de tudo isso, achei que você conseguiu ser bem provocativa, mas de uma forma bem sutil. Obrigada pelo presente! Só não escrevi antes porque viajei em seguida para minhas férias (e aí não quis saber de ligar o computador, só para baixar as fotos da câmara digital quando o cartão de memória estava cheio!)”. (quase anônimo 7)“Ouvir vc lendo Domingas, foi bonito de ver, o texto convida para ir ao encontro dessas duas mulheres fantásticas e felizes em sua simplicidade, acariciando o prazer de amar. São histórias do cotidiano, de nossos ancestrais, de cidades, pessoas do interior, da capital, outros saberes. Fiquei fascinada com: Licença aos meus... são conversas que se escuta, que se reproduzem, que saudade das histórias de meus avós. Que bom que vc veio com a palavra escrita em formato "crônico", o seu conteúdo revela-se no íntimo prazer de te ouvir. Uai, eu também acho que o mineiros não dão muita bola pro mar, eles querem mesmo é saber é de suas cachoeiras, rio é a mesma coisa; é só um pouco maior, diz: uma mineira que eu conheço. Você tem andado bastante e observado que o nosso povo vive em meio à violência: Luana é o cotidiano de nossos jovens negros, foi o que nos restou de presente da democracia racial. Enfim, vou terminando a conversa pensando que de fato "cada macaco no seu galho", ou melhor, a cada segredo reservado na história de seu povo confere-lhe a responsabilidade e a autonomia de ser sujeito, e por isso deve atuar como intermediário, cheio de curiosidade, como no caso da velha na soleira da porta”. (quase anônimo 8)

16 de jul de 2007

Dois meses da Kitabu - parabéns!

aneDotáRio - do blogue do Rique Aleixo

Rique, querido, sei o quanto a parte gráfica lhe é cara e peço desculpas por minha tacanhez na tecnologia internáutica. Aguardo as aulas, que ainda não lhe pedi. Adorei o poema e transcrevo-o aqui, com o preâmbulo explicativo. Convido os/as visitantes a passearem pelo seu blogue: www.jaguadarte.zip.net e verem in locco, mas não in natura, seus textos, belamente diagramados. (por Rique Aleixo) "Sábado de manhã fui à livraria Café com Letras para o lançamento da 9ª edição do jornal "Dezfaces", que teve como editora a poeta Ana Caetano. Fui por causa da talentosa e gentil Ana, que dedicou duas páginas do tablóide a coisas minhas: o poema "Um ano entre os humanos" e o visual "mobilestabile". Mal entrei e já alguém me contava da anedota que circulava outra noite no Palácio das Artes, durante o lançamento de uma edição especial do "Suplemento Literário de Minas Gerais": "Ricardo Aleixo mandou um poema lindo para a edição especial do 'Suplemento' em homenagem ao Décio Pignatari. Só que o poema termina com a palavra buceta, e por isso ele não será publicado". Triste e velhorizonte! Pois se eu mesmo dei - por escrito - à editora do "Suplemento", Camila Diniz, a opção de não publicar o poema, para evitar embaraços a ela e ao jornal... Se soubesse que ia dar no que deu, teria simplesmente declinado do convite para participar da homenagem ao Décio. Segue, abaixo, o poema, iniciado em 2002 e concluído na semana passada. Não sei se o poema é de fato "lindo", como diz a tal anedota, mas é dos que mais gostei de escrever (o tema ajuda) nestes trinta anos de tentativas poéticas. [Detalhe: a linda palavra-título (= palavra), apropriada do português arcaico, foi utilizada com maestria pelo poeta catarinense Dennis Radünz, num dos poemas de seu excelente livro "Extraviário", lançado no ano passado pela Ed. Letrad'água]". Parávoa - à deriva no mar da parávoa mais bela ( "o belo é o significado"; "o significado é o uso", assertou signatari ) para a visão o olfato a audição o paladar e o tato : buceta (foto do Rique feita por Ignácio Costa, durante a performance "pesado demais para a ventania")

Tridentiando 4

“Aconteceu outra vez... Vc estava lá com seu vermelho Oyá, com seu tridente em punho..forte, linda e imponente.. não com a força de quem “ é pau pra toda obra” e tem de estar disposta e disponível a tudo...não!!...forte em sua magestria de nos passear pelas esquinas da vida onde “ a arte nobre e difícil de estar só”..pode ser comparada a “insustentável leveza do ser” de Milan Kundera. Se Joel Zito tem de abrir uma caixa postal para todas as cartas imaginárias que nossos corações reconfortados enviaram, vc deverá de abrir duas..uma para @s que compraram o livro e outra para @s que pegaram emprestado e não querem devolver...tenho 3 amig@s nesta situação. È uma delícia... adorei suas falas... me encontrei em muitas e encontrei pessoas em outras... dá vontade de comentar cada crônica.. Mas vou pincelar dizendo que os ovos de pata, em conversa de Barbearia, estão cada vez mais freqüentes... na vida de homens de grande idade..a solidão desafia as nossas escolhas e na prateleira da vida a escolhida para o amor nem sempre é a mulher negra. Para além das escolhas pelo físico, pelo aceito como belo... estão as questões que independem da outra pessoa; estão em nós e na nossa dificuldade de se permitir amar, escolher e ser amada. Às vezes parece que qualquer pessoa que mostre interesse, sexual, intelectual, militante ou estético (nunca todos juntos) está apta a fazer parte de nossa vida..a dividir agenda, dinheiro, tempo e sonhos... e o amor... o laço que segura o buquê , não podemos amar!?... Só ser amadas e gratas por isso?? Não... não quero isso pra mim..Ainda não construí o melhor caminho, mas me apoio nas Máximas de Pontes de Miranda, que escreveu dez tomos para falar que o amor é um sentimento transitório. Segundo Pontes, nas relações temos fases que podem durar ínfimos segundos ou meses e os sentimentos são revisitados de quando em vez... passamos por encantamento, tesão, paixão, admiração, amor, culpa, cuidado, compaixão, doação, e enfim, ou sublimamos as diferenças e criamos laços de “amor”, ou cancelamos o contrato e damos a liberdade para que a pessoa sofra por meses e tente “amar outra vez” . E vice-versa. Mas e o destino... e as coisas que Seu Marabó num explica...????...Se nem ele explica, que dirá..! Quero meu Deus-vaca para acompanhar as viagens de ônibus com um pouco mais de graça... adorei!! Os transportes públicos são uma lição de vida...mais pra frente, pq pretendo te escrever outras vezes...te contarei uma situação de Van.... Se eu fosse mais ativa nas comunicações eletrônicas com certeza o Katrina pessoal seria meu retrato neste momento.. ao contrário do Skipe, msn e etc e tal..meus territórios minados são esquinas, lugares, pessoas em comum...e o próprio telefone... que hesito em teclar..vai que num impulso involuntário do meu corpo a minha mente dedilha os números para o meu Katrina..!?.. Ufa!!!...Isso deve acontecer muito, né!..as pessoas te lêem e se sentem parte e ficam desabafando as suas impressões e similitudes com suas crônicas.... Não pretendo te fazer de terapeuta, é que seu livro é uma “pretinhosidade”, como diria Martinália, e é impossível, para mim, ao menos neste primeiro momento, me organizar e não te brindar com esta avalanche de informações... Que começa a deixar os meus quatro dedos utilizados para teclar com dor...estou no serviço, têm ar condicionado... já é hora de almoço, enfim, na realidade: não tenho muita habilidade com os dez dedos e sobrecarrego quatro..sou “catamilheira” e um tanto faladeira...começo e não páro... pode ser uma herança da minha família mineira”. (quase anônimo 6)

15 de jul de 2007

Aconteceu no Rio de Janeiro!

Em São Paulo havia a velhinha de Taubaté. No Rio de Janeiro tem D. Mariana que não foi imortalizada entre os velhos de Copacabana da Carla Camuratti, até porque é moradora do Glória, mas é uma figura. Trata-se de uma senhora de oitenta anos, bem vividos, corpinho de sessenta e cinco, disposição e humor de quem nasceu para bem viver. Todo dia, às 15h30, a intrépida avó se prepara para ir à padaria buscar os pãezinhos do café da tarde. Escolhe a roupa, um batom que combine, passa o perfume leve que a acompanha há trinta anos. Chega pontualmente às 16h15 e espera os pãezinhos que ficam prontos às 17 horas. Padaria de bairro, sabe como é, tudo sai na hora marcada. Pega os pãezinhos e segue revigorada para casa. As duas netas que sempre a visitam, não entendem porque ela insiste em sair de casa para buscar pães. Afinal, para que serve o eficiente serviço de delivery, senão para encomendar pães pelo telefone e recebê-los na porta de casa? Em uma tarde preguiçosa de sexta-feira, Marianinha, a neta de dezessete anos, resolve acompanhar D. Mariana à padaria, não sem antes reclamar que saíam muito cedo de casa. Eram 16h08 e os pães só ficariam prontos às 17 horas. D. Mariana chega ao estabelecimento e é cumprimentada por todo mundo. Esgueira-se entre as mesas lotadas de rapazes de sungas coloridas, salpicados de areia, molhados do banho de mar. Sorridentes, cervejeiros, cheios de bossa. Um deles grita ousado: “Bela netinha, heim vovó!” ‘É, mas não é para o seu bico”, ela responde. A neta disfarça, olha para o rapaz galante e observa que é um tipão. Bonito, sarado. Se já não estivesse ficando com o Guto, bem que daria um jeito de passar o número do celular para ele. Sentam-se em um cantinho discreto e D. Mariana acerta o aro dos óculos escuros. Marianinha tira um livro da bolsa e a avó sorri compreensiva, pois sabe que a neta está se preparando com afinco para o vestibular. Faltam quinze minutos para as 17 horas e Marianinha, impaciente, pergunta: “Mas vovó, por que a senhora não usa o serviço de delivery? Fica aqui esperando o maior tempo para pegar esses pãezinhos. Ou por que a senhora não sai de casa mais tarde? Já estamos sentadas aqui há meia hora”. “Ora minha filha (passando os olhos pela bunda do gostosão mais próximo e pela profusão de peitorais, bíceps, adutores e outros glúteos ao redor), e você acha que eu iria perder essas be-le-zuuuu-ras?” “Vóooo!? (ilustração: Lia Maria)

Tridentiando 3

"Agora devem ser umas 11 da noite. Acabo de terminar a leitura de “Cada tridente em seu lugar e outras crônicas”, este seu “primeiro rebento literário”, se posso chamá-lo assim... Me comoveu. Me incomodou. Risos surgiram nos meus lábios, lágrimas desceram dos olhos. Acelerou as batidas do coração... ao final de todas essas sensações, o sentimento era de paz. Convidar a paz pra dentro de si. Acho que essa paz é você quem passa. Não sei como seria se eu não a conhecesse, mas arrisco o palpite de que essa paz se apresenta também aos que não sabem qual o tom da sua voz, a entonação das palavras, o gestual (mínimo) do corpo da autora daquelas crônicas quando fala. Muitas coisas me encantaram na sua maneira (ou nas suas maneiras?) de contar histórias. O humor moderado, o bom humor insinuado, a ironia, “azeitada”. Como quando traz a imagem do “jacaré de protetor solar à beira da lagoa”, na crônica “Angu à baiana”. Ou no caso do cara que saiu com a colega da pós-graduação e que “só” a comeu para não ficar falado pelos corredores da universidade (“Papo de barbearia”). Foram muitas as cutucadas que senti em teus textos. Foram muitos os prazeres também. Amei a história da Domingas e a cunhada. Que delícia a maneira como é contada. “Mindinha”, “Inha”, “Arminda”. Que maneira de me comprazer... “O inusitado das histórias de bicho e gente”. A idéia de um pet shop a cada esquina é de doer. Esse “inusitado” passeia pelo livro... A literatura tem isso de bom: a possibilidade de passeios pela subjetividade, passeios pr um caminho apontado por outra pessoa, com a lupa dessa pessoa. Mas os olhos são nossos, né? Lembrei da frase do Exu Tranca Rua que “abre” o livro. Você joga luz em coisas dolorosas de se olhar. Alguns questionamentos me rondaram durante a leitura, mas sabia que não era o momento deles. O momento era de conectar-me com as sensações. Pros questionamentos, haverá os momentos posteriores à leitura. A leitura era o meu “depenar da galinha que vai servir de almoço”. Almoçar é o deleite, preparar o almoço é etapa necessária para a obtenção desse momento... Li em algum lugar que o objeto pode fazer com que um documentário seja bom, independente da proposta estética presente nele. Isso apareceu na minha leitura do seu livro. Eu tive prazer com experiências estéticas que vivenciei nele, mas também tive prazer-e-dor ao ser conduzida por diferentes assuntos, sem maiores avisos antes das “mudanças de rumo” dos seus textos. No decorrer deles, às vezes era a descrição de uma cena, às vezes, uma palavra o que me chamava a atenção. Em outras, muitas delas, foi que eu vi. O melhor, o que eu pude ver com a lupa que você carregava nesses caminhos. Nesses momentos, eu não pude detectar “proposta estética”, mas o objeto, o olhar para ele, enxergar o que me era oculto, me fascinou. É o caso de “Pessoas trans” e “Histórias da Vó Dita”, com o seu criterioso percurso pela obra de Maurício de Souza. Me fascinou também percebê-la nos textos. Perceber a presença dos muitos universos presentes na sua vida ali, reunidos. Nesse ponto, você tá mais pra mascate do que pra vendedor de porta-a-porta, né? (gostei muito de ter que parar pra pensar na diferença entre eles na história da família Silva Santos e os dicionários de capa dura...história de uma família brasileira – “dois contra o mundo” – mas que vem na contramão da continuação dada na música do Mano Brown – “mãe de um promissor vagabundo(a)”). “Historinha de São João”... A cena de abertura é primorosa. A história é gostosa, mas é dura de alguma forma... O “sorriso de quem troca dentes” me transportou no túnel do tempo... Senti cheiro de vinho quente, a batata assando na fogueira, pude até ouvir os estampidos dela. Acho que nenhum leitor escapa de viajar a alguns lugares internos ao ler esses textos... Difícil passar ileso por eles... O medo de tomar o elevador e ser discriminado(a), incriminado(a) de algo que não fez... Preto(a)s e branco(a)s olhando pra isso... A metáfora pra definir Belo Horizonte é um golpe de estilete no coração, e o que vem depois dela também... O título da história, “Poesia num ônibus de BH”... Pra mim, história difícil de nomear, fala de muitas coisas, as imagens são muitas... mas a que ficou pra mim foi a do móvel de madeira maciça que o sobrado herdou da casa grande e as histórias que “guardam” aquelas montanhas ocas... A história da Isabel Allende e a de Joel Zito, unidas, forte essa junção... Forte também a sua leitura delas... O choro foi inevitável...Choro de limpeza... Minha sensação é a de que são muitos lugares internos pra gente visitar... Que cada um deguste e degluta esses lugares. Apalpe, sinta o cheiro, seja perfume ou seja mal odor... Depois é o momento de “descansar o cavalo”, né? (“grande” Seu Marabô...). Obrigada pelas crônicas... Obrigada por reuni-las. Obrigada por “cada tridente”... (quase anônimo 5)

14 de jul de 2007

Tridentiando 2

“Acabei a leitura desta pérola de livro e usando do seu minerês ele [o livro] "tá bem bunitim". Eu comecei a ler euforicamente, afinal, não é comum ter amigas que escrevem um livro de crônicas. Fiz uma interrupção de alguns dias, por ele [de novo o livro] ser tão real, que alguns pequenos desencontros murcharam o desejo da leitura, mas como a ranzinice não passou de uma semana, retomei a leitura, ontem, e ontem mesmo acabei. Quero lhe dizer, que para além do ótimo estilo afro-mineiro que transforma a vida em letras, vc ajudou-me a descobrir que eu gosto de ler e, o faço quando a leitura me retrata e às coisas do meu povo. Senti-me grande, feliz porque não eram os "outros" escrevendo sobre nós, era o nos de nós se revelando, se fazendo autônomo, independente, saindo, realmente, da tutela dos "outros" que sempre falaram dos nossos nós. Valeu, pretinha”. (quase anônimo 2) “Não!!! Não era para ter perguntado! Para teres uma idéia, larguei o Tridente há duas semanas atrás, simplesmente apavorada porque só me falta ler uma crônica! Pensei comigo: se eu ler a ultima o livro acaba! Por isso, não abri mais, prolongando o tempo dele na minha cabeceira. Foi muito bom encontrar uma Cidinha que eu não conhecia, Vivinha da Silva”. (quase anônimo 3) “Voltei numa sexta-feira dia 25 de agosto, decidida a ler teu livro na viagem. E que viagem! Adorei viajar contigo, literalmente. Eu no meio das nuvens, vestida de branco de Oxalá, sendo transportada a situações, momentos que você viveu ou criou e eu rindo sozinha. Noutras, quase fui as lágrimas. Enfim, gostei muito do seu jeito de escrever, de demonstrar teus sentimentos, indignações, indagações etc. Sabe eu tô de saco cheio de ler textos, sempre com todas as armas e raiva na frente. Os seus não são assim. Vc fala das nossas dores, de posturas políticas, tanto no campo do movimento negro, feminista, sem aquele ranço. Isso foi uma das coisas que mais me chamaram atenção em seu livro. Vc fala dos nossos problemas de um lugar sadio, sadio no sentido do não ranço. Nos chama prá reflexão, numa boa. legal! Enfim, foi muito bom viajar com vc”. (quase anônimo 4)

Sonho - texto e ilustração (Lia Maria) da coleção Tridentiana

Quisera um amor como o de Cássia e Eugênia. Chica e Clementino. Stela e Dorival. Zélia e Jorge. Adélia e Zé. Quisera. Mas o amor se fez como o de Lota e Elizabeth. Intenso. Profundo. Tumultuado e finito.

Tridentiando

Quando escrevi Filhas do Vento, depois de assistir por duas vezes ao filme homônimo de Joel Zito Araújo, não imaginava que a menção feita às cartas recebidas por Isabel Allende, após a leitura de um dos seus livros, Paula, inspiraria tantos leitores do meu texto a também me escrever. Acabei fazendo um convite, embora involuntário. Inconsciente, talvez. O certo é que chegaram diversos e-mails, bilhetes, cartas, além das conversas, impossíveis de reproduzir. A princípio pensei em escrever um texto no qual dialogasse com os outros recebidos. Ocorre que há coisas riquíssimas, que ensejam variadas leituras. Assim, achei mais justo achar um jeito de não restringir os textos à minha leitura, e resolvi divulgá-los no blogue, durante a festa de aniversário. Como não consultei as pessoas que me escreveram, tampouco pedi autorização, os textos serão publicados sem autoria e editadas as partes mais pessoais. A intenção é partilhar com vocês as leituras feitas do Tridente. Estou certa de que "meus" escribas não se importarão. Seguirão assinados os textos do Férrez (publicado em seu blogue) e do Edimilson de Almeida Pereira, inicialmente escrito para a 4a capa do Tridente primeira edição, mas que não entrou por falta de tempo hábil. Boa leitura! “Uma escritora chamada Cidinha. Salve, bom cês sabe que eu sou chato pra caralho, ainda mais pra indicar livro, é que a responsa nos obriga a falar sempre de livros que realmente marcam a gente. foi assim parando minha leitura de Alá e as crianças Soldados, um livro do Africano Ahmadou Kourouma que comecei a ler um livro que recebi na Flap. a escritora se chama Cidinha da Silva e tive a honra de receber o livro de suas mãos. Cara, a mina escreve muito, o nome do livro é Cada Tridente em Seu Lugar e outras Crônicas. é lançado pelo Instituto Kuanza, o contato dela eu vou deixar no final desse texto, porque tenho certeza que ela enfrenta o que aconteceu muito comigo no meu inicio de carreira, a barreira da distribuição. o Conto Dublê de Ogun é brilhante, assim como Uma historinha de São João, e não tinha como não se apaixonar por Histórias da Vó Dita. realmente é um livro que indico com todo carinho, são contos e crônicas tão gostosos de ler, que da raiva o livro só ter 136 páginas. quem quiser se divertir e também aprender mais sobre a nossa valorosa cultura negra é só mergulhar nessas páginas”. (Ferréz) "Cada tridente em seu lugar & outras crônicas, estréia literária de Cidinha Silva, arguta investigadora das questões sócio-culturais de nosso tempo, esconde em suas franjas núcleos grávidos de especulações estéticas e ideológicas. Bem aproveitados, esses núcleos resultam em perturbadoras narrativas, abertas à discussão sobre o multiculturalismo da sociedade brasileira e às experimentações que tornam pertinente a criação literária. Cidinha Silva, conhecedora das circunstâncias e agentes que nos fundaram, tece uma linguagem que não hesita em alimentar-se de suas próprias contradições e daquelas geradas pela nossa sociedade. Ao assumir essa linguagem, a autora nos ensina a estar com outros brasileiros – móveis, fluentes, dignos, humanos –, até então exilados das grandes idéias que moldam este país". (Edimilson de Almeida Pereira) ”O Ferréz tinha razão....parabéns pelo seu talento..... Gostei muito do seu livro...você tem um estilo muito loko de escrever.... Fiquei pensando se você mandou tão bem em crônicas, fico imaginando se você tivesse colocado todo esse talento numa história...agora fico esperando seu romance”... (quase anônimo 1)

13 de jul de 2007

Laroiê!!!

Eis que o Tridente completa o primeiro ano de vida. Com direito a erro de data. Primeiro achei que fosse 18/07, corrigi para 16/07 e posteriormente me certifiquei de que o dia é hoje, 13/07. Aqui estamos. Uma trajetória de sucesso, não dá pra esconder, nem pra segurar. Também não dá pra resumir todo o percurso neste textinho miúdo, por isso vamos comemorar e rememorar ao longo da semana. Aqui, agora, em primeira mão, o agradecimento ao amigo Marcelino Freire, que mal me conhecia, ainda pouco nos conhecemos, leu e comentou generosamente meus textos. Como gostou, pedi logo a orelha, digo, uma apresentação, e ele escreveu o texto abaixo. (por Marcelino Freire) "Vivem dizendo que a crônica está morta. É um gênero à míngua. Ora, ora. Não creio. Basta ver os blogues por aí. Centenas de páginas pessoais, etc. e tais. Cotidianos on-line. Nunca se escreveu tanto e ave! Sem contar as recentes coletâneas com o melhor de João do Rio, o melhor de Paulo Mendes Campos. Ledo engano. Basta ler, idem e agora, por exemplo, Cidinha da Silva. Ela, autora deste "Cada Tridente em seu Lugar". Maravilha! Com que propriedade ela vem nos falar de Exu, Ogum, Seu Marabô. Salve, Meu Pai Xangô! Não lembro de ter lido estilo assim, vindo de longe. Sentido na pele. Sensibilidade à flor. Foi o que me chamou a atenção: como é tocado, de perto, o preconceito racial. Religioso, sexual, sei lá. Sem perder a ironia. Sem perder o humor. Engraçado, a saber, é quando Cidinha, mineira que é, reproduz a oralidade do seu povo. Rural. Do seu povo. Ancestral. De um Brasil que, a cada dia, precisa ser descoberto. E libertado. Este livro nos ajuda nisso. Volume para ser lido atento e comovido, podem apostar. A crônica continua viva. Vivinha da Silva, Cidinha. Coisa para se comemorar e saravá!" Pois bem, é melhor que você passe pelo blogue mais de uma vez por dia, porque, provavelmente, haverá mais de uma postagem. Várias surpresas, textos, ilustrações, muita emoção. O desenho de agora é da Lia Maria, artista plástica responsável pela coleção Tridentiana. Este, o primeiro postal. Começamos as comemorações. Daqui a pouco chegam o bolo e a vela.

12 de jul de 2007

Convite para co-produção do Especial Literário Dia da Mulher Negra do sítio Lima Coelho

Visando: 1. Estimular a produção literária das mulheres negras; e 2. Dar visibilidade à literatura feita por mulheres negras O Site Lima Coelho, que é um site literário, e a Casa de Cultura da Mulher Negra decidiram produzir o Especial Literário Dia da Mulher Negra do Site Lima Coelho, que constará da seleção para publicação no site Lima Coelho dos seguintes gêneros literários: conto (de até no máximo 100 linhas); crônica (de até no máximo 100 linhas); miniconto (entre 20 a 50 linhas); e poesia (de até no máximo 50 linhas). Partindo do entendimento que as mulheres negras enfrentam dificuldades e entraves, explícitos e implícitos, em todos os setores da vida social, o Site Lima Coelho estabeleceu uma parceria com a Casa de Cultura da Mulher Negra para estimular e visibilizar a produção literária das mulheres negras como uma das celebrações do 25 de julho, Dia da Mulher Afro-latino-americana e Afro-caribenha (Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe). Cientes de que a iniciativa é apenas uma gota d’água no oceano anti-racista que precisamos construir, mesmo assim nos alegramos em tornar realidade um sonho acalentado por nós: apoiar e abrir espaço para a divulgação da literatura produzida por mulheres dos setores oprimidos da sociedade. Aguardamos, e desde já agradecemos, contribuições nos estilos literários conto, crônica, miniconto e poesia. Vale à pena reafirmar que este É UM CONVITE para a co-produção de um Especial de Literatura para a celebração do 25 de julho com a produção literária de mulheres negras. NÃO É UM CONCURSO LITERÁRIO! DA SELEÇÃO: 1. Toda a produção literária recebida será publicada, desde que: 1.1. Se enquadre nos gêneros literários deste convite (conto, crônica, miniconto e poesia); 1.2. Esteja nos limites de tamanho especificados neste convite, a saber, conto/até 100 linhas; crônica/até 100 linhas; miniconto/entre 20 até 50 linhas; e poesia/até 50 linhas; 1.3. Esteja pronto para a publicação, isto é, não necessite de revisões substanciais, pois a editoria do site não fará revisão e nem preparação de texto para a publicação; e 1.4. Esteja condizente com a linha editorial do site de não publicar “texto com conteúdo impróprio, racista, machista, sexista, pornográfico, etc.”; 1.5. CADA AUTORA PODERÁ ENVIAR ATÉ 4 (QUATRO) CONTRIBUIÇÕES, DESDE QUE SEJA UM CONTO, CRÔNICA, MINICONTO E POESIA; e 1.6. Solicitamos de cada autora o envio de uma breve biografia de no máximo 500 caracteres com espaços 2. Os textos e poesias recebidos serão publicados em dois espaços no Site Lima Coelho, a saber: 2.1. Conto, crônica, miniconto e poesia inéditos enviados pelos/as autores/as serão publicados na Vitrine Literária. 2.2. Indicações de conto, crônica, miniconto e poesia de autores/as já publicados serão “postados” no Fala, Tigre! Período de envio: 15 a 23 de julho de 2007. Enviar para: Carlos Alberto Lima Coelho carlosalberto.limacoelho@gmail.com e/ou Casa de Cultura da Mulher Negra ccmn@uol.com.br (ilustração: Iléa Ferraz)

História e culturas africanas - curso de extensão na PUC SP com prof. da Universidade de Ifé

O curso História e culturas africanas constitui mais uma atividade para atender demandas em torno de temáticas, materiais de ensino, abordagens teórico-metodológicas, discussões historiográficas desencadeadas pela Lei 10.639, que introduziu História e Culturas Afro-Brasileiras e Africanas em todos os níveis, em caráter de currículo transversal. Será ministrado pelo renomado Prof. Dr. Toyin Falola, nigeriano formado pela Universidade de Ifé, tendo atuado como professor na Nigéria, Canadá, Inglaterra, e atualmente leciona na Universidade do Texas, Austin (USA), preocupado em articular temas, diversificar concepções em torno de fontes históricas, literárias, artísticas e de religiosidades afro-ascendentes, privilegiando encontros e confrontos entre Europa, África e América sob a ótica do Atlântico Negro. Perspectivas eurocêntricas atribuíram a culturas ao sul do Sahara, no continente africano, caracteres a-históricos, representando e relacionando-se com seus habitantes como povos sem escrita, sem arte, sem cultura, estigmatizados pelo “não ser do escravo”. Desde os primórdios do século XX, suas expressões artísticas e de comunicações, seus códigos iconográficos de escrita, seus valores, costumes e religiosidades, como lutas e afirmação de suas tradições, renovadas frente domínios coloniais, vêm configurando a alteridade de seus modos de ser, sentir, viver e estar no mundo. Essas e outras questões serão trabalhadas, neste curso de extensão, que se propõe a repensar a chamada História Universal, construída e ensinada na lógica ocidental, problematizando conhecimentos e formas de abordagens em relação a narrativas históricas em torno da África. Nas aulas, os participantes terão acesso a abordagens a partir do conceito de diáspora, que trata a dispersão de povos e culturas africanas através de línguas, músicas, contos, provérbios, religiões, rituais, refeitos em relações com povos nativos e seus colonizadores, retomando cosmovisões, sociabilidades, saberes e modos de ser trazidos por mais de 10 milhões de africanos que nas Américas chegaram. Número expressivo de pessoas que participaram da construção do patrimônio cultural do Novo Mundo. (ilustração: Iléa Ferraz) O curso é dirigido a: professores de História e áreas afins, alunos de pós-graduação em História e Ciências Humanas. Será promovido pelo CECAFRO/PUCSP – Centro de Estudos Culturais Africanos e da Diáspora, no período de 20/07 a 30/07. Informações: (11) 3670.3300 www.pucsp.br/cogeae

Educando contra o racismo - vídeo documentário

Os amigos Jerônymo Santos e Tadeu Vago lançam dia 12/07, em Vitória, o vídeo-documentário "Educando contra o racismo". Parabéns e vida longa ao trabalho de vocês. Vale lembrar que a dupla de produtores, responsável pela Lúmen Vídeos, deve realizar até dezembro 2007, a adaptação de "Domingas e a cunhada" para o cinema.

10 de jul de 2007

Tridente 2 no Sarau da Cooperifa - dia 11 de julho

Mais um passo no caminho do Tridente 2. Desta feita, em Sampa, no Sarau da Cooperifa. É uma honra ser acolhida pela moçada que se reune semanalmente no Bar do Zé Batidão, Piraporinha, Zona Sul de São Paulo. Um prazer reencontrar os amigos/as: Akins, Allan, Elizandra, Dinha, Robson Canto, Danilo, Maria Tereza, Mateus,Gaspar, DuGueto, Magda, Elis, Rosi, a musa da Cooperifa. São poetas, professoras/es, estudantes, donas-de-casa, funcionários/as públicos/as, moradores/as da região, artistas de diversas artes. Duas horas de poesia e chego eu com minha prosa, que não deixa de ter poesia também. Aproveito para agradecer publicamente ao poeta Sérgio Vaz e à Cooperifa, sempre muito generosos e respeitosos com meu trabalho. Nos vemos por lá, quarta-feira, 11/07, às 21:00: rua Bartolomeu dos Santos, 797. Ônibus Jardim Ângela, descer no ponto da igreja de Piraporinha (católica). Para saber mais sobre a Cooperifa, além de matérias anteriores postadas neste blogue, visite o endereço www.colecionadordepedras.blogspot.com

9 de jul de 2007

Festival Centenário Solano Trindade - dias 21 e 22 de julho no Embu das Artes

(Por Rita de Biaggio) A Prefeitura da Estância Turística de Embu e o Teatro Popular Solano Trindade realizam o Festival Centenário Solano Trindade, nos dias 21 e 22 de julho, na Avenida Sao Paulo, 100 - centro de Embu das Artes, São Paulo. No local serão montados dois palcos, onde ocorrerao todos os shows musicais e manifestações culturais que compõem o evento. A inauguração de um monumento em homenagem ao poeta, pintor, teatrólogo, cineasta, ator e folclorista Solano Trindade, confeccionado pelo escultor Jofe dos Santos, também marcará o início das comemorações de seu centenário. Haverá exposição de Arte Negra. A abertura oficial do festival será dia 21/07, às 11h, com a presença de autoridades e convidados. Entrada gratuita. Solano Trindade nasceu no Recife em 1908, filho do sapateiro Manuel Abílio e da quituteira Emerenciana. Casado com Margarida, Solano teve quatro filhos: Raquel, Godiva, Liberto e Francisco Solano. Atuou, além do Rio, nos Estados de Minas, Rio Grande do Sul e São Paulo. Iniciou junto com outros artistas, nos anos 60, na cidade do Embu, na região metropolitana, o núcleo cultural que contribuiu para o atual batismo de Embu das Artes, e onde Raquel Trindade, filha do poeta, fundou e mantém até hoje um grupo de teatro popular com o nome do pai. Dentre seus poemas, Tem Gente com Fome foi talvez o mais famoso e elogiado, tendo sido musicado em 1975 pelo grupo Secos & Molhados. A censura, no entanto, proibiu sua execução e somente em 1980 Ney Matogrosso, já em carreira solo, incluiu a música em seu disco. Tem gente com fome "Trem sujo da Leopoldina,/ Correndo correndo,/Parece dizer:/ Tem gente com fome,/ Tem gente com fome,/ Tem gente com fome.../ Piiiii!/(...) Só nas estações,/Quando via parando,/Lentamente, começa a dizer:/Se tem gente com fome,/Dai de comer.../Se tem gente com fome,/Dai de comer.../Mas o freio de ar,/Todo autoritário,/Manda o trem calar:/Psiuuuuu...Em o Negro Escrito, Oswaldo de Camargo apresenta assim, o trabalho de Solano Trindade: Sua "carreira" como militante inicia-se, de fato, a partir de 1930, quando começa a compor poemas afro-brasileiros e, já integrado nesta corrente, participa em 1934 do I e II Congresso Afro-Brasileiro, no Recife e Salvador. Em 1936 fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro, que tinha o objetivo de divulgar os intelectuais e artistas negros. Em 1940 transfere-se para Belo Horizonte. Depois chega ao Rio Grande do Sul, fixando-se por um tempo em Pelotas, onde funda com o poeta Balduíno de Oliveira um grupo de arte popular. Esta foi sua primeira tentativa de criar um teatro do povo, o que não se concretizou devido à enchente de 1941, que carregou todo o material. Voltou então para Recife, indo logo depois para o Rio, onde no "Café Vermelhinho", detém-se a discutir e a conversar com jovens poetas e intelectuais, artistas de teatro, políticos e jornalistas. Ali fez sucesso. Em 1944, edita o livro "Poemas de uma vida simples", onde se encontra o seu declamadíssimo "Trem sujo da Leopoldina". Em 1945 funda o Comitê Democrático Afro-brasileirom, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito. Em 1954 está em São Paulo, criando na cidade de Embu, um pólo de cultura e tradições afro-americanas. Em São Paulo também funda o Teatro Popular Brasileiro – TPB, onde desenvolveu uma intensa atividade cultural voltada para o folclore e para a denúncia do racismo. Em 1955 viaja para a Europa, com o TPB, onde dá espetáculos de canto e dança. Em 1958 edita "Seis tempos de poesia"; em 1961, "Cantares ao meu povo" (com uma reunião de poemas anteriores). Solano Trindade faleceu no Rio de janeiro, em 19 de fevereiro de 1974. Sua obra, não! Continuará eternamente viva, como que escrita com brasas na pele escura de todo afrodescendente, mesmo que não queira, mesmo que não saiba... Informações: Cel. 11 9575-0004 / 4785-3632 www.embu.sp.gov.br

8 de jul de 2007

Repercussão em Brasília

(Informativo da Seppir - www.planalto.gov.br/seppir/informativos/destaque.htm ) Chegou ao circuito cultural de Brasília com apoio da Seppir, o livro Cada Tridente em seu Lugar (Mazza Edições) com sessão de autógrafos da autora Cidinha da Silva e apresentação das encantadeiras do cerrado Cris Pereira e Luciana de Oliveira na última terça-feira (3). Com ilustração de Lia Maria, a publicação revela em crônicas o universo das religiões de matriz africana, a vida na periferia, as relações interraciais, a singeleza rural e a disseminação das tradições afro-brasileiras. Além das ricas histórias, a obra tem sugestões de atividades em sala de aula, servindo como um instrumento para a lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira. De acordo com Cidinha da Silva, "a idéia é dialogar com os professores e expandir as fronteiras além do texto, fornecendo elementos da cultura de massa como as histórias em quadrinhos. Nossa proposta é ampliar as possibilidade de trabalho de forma multidisciplinar para que seja útil em sala de aula e em outros ambientes". Já levado aos públicos do Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o livro seguirá a rota de São Paulo (11/7) – no Sarau Cooperifa (Cooperativa dos Poetas de Periferia de São Paulo), Teresina (18 e 19/7), São Luís (20/7) e Uberlândia (29/7). Apoiadora do lançamento do livro na capital federal e do debate na Universidade de Brasília "Diálogos: Juventude, homossexualidade e movimento social", a integrante do EnegreSer Lia Maria diz que as discussões sobre juventude e sexualidade ficam restritas à prevenção das DST e aids. "A questão é muito maior. O debate suscita possibilidades de interlocução e estabelecimento de redes", refletiu ao acrescentar o público seleto formado por movimento negro e pela diversidade sexual, professores e estudantes da graduação e pós-graduação. Autora do livro Ações Afirmativas em Educação: Experiências Brasileiras (ed. Selo Negro), em terceira edição, Cidinha da Silva atuou em Geledés – Instituto da Mulher Negra e é fundadora do Instituto Kuanza. Confira o calendário dos lançamentos regionais no blog www.cidinhadasilva.blogspot.com

6 de jul de 2007

Primeiro ano de vida

Dia 18 de julho, o Tridente completará um ano de vida, mas desde maio estamos em festa. Motivo central da comemoração, a segunda edição revisada está na estrada, fazendo seu próprio caminho. Iniciado em Vitória, passou pelo Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Ainda em julho estará em São Paulo - Sarau da Cooperifa (11/07) e Uberlândia (29/07). É um livro que se põe em movimento para contar a própria história. A festa do Rio vocês já conhecem. O quadro pintado pela Iléa Ferraz ainda não chegou, mas outras ilustrações dela têm embelezado o blogue. Inclusive um desenho desta vossa escriba que substituiu a foto do perfil. Em Belo Horizonte foram muitos reencontros. É, afinal, minha cidade. Velhas amigas, amigos novos, família, lançamento conjunto com Rita Silva, CD "Encontros Inusitados", debate-papo com Eduardo Assis, autor de "Machado de Assis Afro-descendente". Vários convites para novos trabalhos, outras propostas advindas do reconhecimento do trabalho feito. À medida que as coisas se concretizarem serão postadas aqui. Em Brasília, a primeira possibilidade de lançamento com a presença de Lia Maria, artista plástica, criadora da capa do Tridente e das ilustrações da coleção de postais Tridentiana. Um sucesso, aliás. O brilho das cantoras Cris Pereira e Luciana de Oliveira, encantadeiras do cerrado. Debate-papo na UnB e no Nzinga, querido grupo de Capoeira Angola. As conversas com Goretti, mãe da Lia, fonte preciosa de muitas histórias. O suporte institucional e afetivo dos amigos queridos, Alex Rats, professor da UFGO e Denise Botelho, professora da UnB. Participações de diversos grupos: EnegreSer, Coturno de Vênus - Associação Lésbica Feminista de Brasília, NEAB / UnB, GERAJU - Grupo de Estudos de Gênero, Raça e Juventudes da Faculdade de Educação da UnB, Comunidade Bahaii e Aquilombando - Instituto de Valorização da Cultura Negra, entre outros. Entrevista da dupla Lia e Cidinha para o boletim da Seppir - Secretaria Especial de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, que apoiou todas as atividades de lançamento do Tridente segundinha no DF, organizadas pela "Produção Criola", empreendimento cultural da Cris Pereira, Lia Maria e Guto Martins. Para comemorar a semana do aniversário, a partir de 16/07, confira textos inéditos, artigos de opinião e ilustrações belíssimas. Até o próximo pôste.

5 de jul de 2007

Professor da UnB é punido com suspensão por racismo

(Fonte: Afropress) O professor Paulo Roberto da Costa Kramer, do Curso de Mestrado em Ciências Políticas, da Universidade de Brasília (UnB) foi considerado culpado pela Comissão processante que apurou a prática de racismo, e punido com pena de suspensão de trinta dias, convertida em multa de 50% dos seus vencimentos. A pena de 30 dias, segundo Ato da Reitoria 998/2007, assinado pelo reitor Timothy Mulholland datado de 29 de junho, começou a ser cumprida a partir desta terça-feira, 02 de julho. O reitor acatou integralmente o parecer da procuradora federal Cíntia Tereza Gonçalves Falcão, que também posicionou-se pelo envio do caso ao Ministério Público Federal para apuração, em processo criminal, das afirmações de cunho racista que teriam sido feitas por Kramer. É a primeira vez, em toda história da UnB, que um professor é acusado e punido por crime de racismo. O estudante Gustavo Amora, que denunciou o caso, disse que a decisão da Universidade “é um fato histórico.”. Kramer foi considerado culpado por ter se referido a negros como “crioulada” e chamado o estudante Gustavo Amora de “negro racista” e membro da “ku klux klan negra”, em reação às denúncias do estudante. As referências depreciativas ocorreram numa aula no início do ano passado. Ele negou que as expressões tivessem caráter depreciativo. A procuradora Cíntia Falcão, porém, entendeu que Kramer contrariou vários artigos da Lei 8.112 (que trata do regime jurídico do funcionário público federal), bem como praticou comportamento previsto no artigo 20 da Lei 7.716/89 (Lei Caó), praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional . A comissão processante, presidida pelo professor Alexandre Bernardino, do Departamento de Direito, e integrada pelos professores Carla Costa Teixeira e José Leonardo - respectivamente, dos Departamentos de Antropologia e Física - foi constituída em julho do ano passado e tinha o prazo de 30 dias, prorrogáveis por igual período. A entrega do relatório, contudo, só aconteceu no dia 11 do mês passado, quase um ano depois. A demora levantou suspeitas de que o caso “terminaria em pizza” pelo fato do acusado ser pessoa influente e que acabaria contando com uma certa espírito corporativo - comum nesses casos. Não foi o que aconteceu. Segundo a Comissão, ficou comprovada conduta de Kramer em desacordo com com o artigo 116, incisos II (ser leal às instituições que servir); III (observar as normas legais e regulamentares) IX (manter conduta compatível com a moralidade administrativa), XI (tratar com urbanidade as pessoas) e o artigo 117, inciso XV, (proceder de forma desidiosa) todos da Lei 8.112/90.” A Comissão entendeu também que o servidor praticou comportamento descrito no artigo 20 (praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional) da Lei 7.716/89 – (redação dada pela Lei n. 9.459/97). Ao contrário dos trabalhos da Comissão, o Relatório tramitou em tempo recorde. No dia 11 foi entregue ao reitor; no dia seguinte – dia 12 – foi despachado à Procuradoria; no dia 20, a procuradoria emitiu parecer ; e no mesmo dia 20 saiu o despacho final do reitor aprovando parcialmente o Relatório da Comissão processante e integralmente o parecer da Procuradoria jurídica. O estudante Gustavo Amora, do Curso de Mestrado em Ciências Políticas, que denunciou o caso, disse que passou um ano de sofrimentos e perseguições. “Me acusaram até de com a denúncia ter arrumado um factóide para me promover. A decisão da Reitoria fez justiça e mostrou que os que me atacaram estavam errados”, afirmou. Amora ressaltou ter sido esta a primeira vez na Universidade em que “um ato de racismo é investigado e punido” e destacou a importância da criação de uma Ouvidoria para Crimes Raciais na Universidade, para que se evite a demora na apuração de casos desse tipo.

2 de jul de 2007

Segundo mini-conto do Tridente segundinha - "Amai-vos uns aos outros"

Escrevo pra me vingar. Declarou Marcelino durante a oficina. De um sentimento, uma situação, um (des)amor. Imagine que eu também me vingue. Negrinha ressentida. Você não acha que essa amargura que o negro carrega no peito é a causa principal do racismo? ilustração: Livia Lima

1 de jul de 2007

Tridente e coleção Tridentiana em Brasília

Dia 03 de julho, às 19:30, com a participação de Lia Maria, artista plástica, capista do Tridente e criadora das ilustrações da coleção de postais Tridentiana. Sarau com jovens encantadeiras do planalto central: Cris Pereira e Luciana Oliveira, cantoras, e Cristiane Sobral, poeta. Além de debate-papo com Cidinha da Silva. Local: Balaio Café – 201 Norte Bloco D loja 51 Realização: Produção Criola Apoio: SEPPIR - Secretaria Especial de políticas de Promoção da Igualdade Racial Dia 04 de julho, às 19:30, debate-papo sobre literatura negra e Lei 10.639/03, na sede do Grupo Nzinga de Capoeira Angola - DF. Local: CRN 708/9, bloco C, entrada 19, em cima da Fun House Festas, entrada pela rua de trás. Fone para contato: 61 - 8118-9051