Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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30 de nov de 2007

Grande Roda do Dia Nacional do Samba, no Planalto Central

Dia 02 de Dezembro é o Dia Nacional do Samba e Brasília não vai ficar fora dessa grande festa! "Reunir toda a comunidade em uma grande roda de samba na Rodoviária do Plano Piloto foi a melhor forma que sambistas da cidade encontraram para comemorar o Dia Nacional do samba, celebrado em todo país dia 02 de dezembro. Muito mais que um gênero musical , o samba é uma filosofia popular afro-brasileira, uma festa da consciência do povo, onde quem dá o tom maior é a amizade, o respeito, a solidariedade, a fé e a luta para se viver em paz". Você faz parte dessa festa! Venha comemorar! Dia 02 de dezembro (domingo). A partir das 10h. Na plataforma inferior da Rodoviária. Realização: Produção Criola. Apoio: Administração da Rodoviária do Plano Piloto. Grupo Adora Roda. Bar Raízes.

Lançamento de Dicionário Literário Afro-brasileiro

29 de nov de 2007

A quem interessar possa: quem é Oswaldo de Camargo

(Entrevista concedida ao Portal Afro) "Oswaldo de Camargo é jornalista, poeta, contista, novelista e músico amador. Acha pouco? Saiba que provavelmente seja a maior autoridade brasileira em literatura negra. Desde os 17 anos, Oswaldo de Camargo dedica-se a literatura e a seu acervo literário, um dos mais brilhantes quando o assunto é negritude. Nascido em 1.936, em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, ele é um dos responsáveis pela inclusão da literatura negra no circuito cultural do Brasil. Dono de um raciocínio ágil e aguçada inteligência, Oswaldo de Camargo surpreende por todo conhecimento que possui sobre os escritores negros brasileiros e livros que tratam da temática negra. Sobre este assunto, publicou em 1987 "O Negro Escrito", pela Imprensa Oficial do Estado, um dos raros trabalhos a tratar dos ainda marginalizados autores negros. Acompanhe a entrevista concedida pelo grande estudioso e descubra o maravilhoso mundo da literatura. Boa leitura! Portal – Podemos usar a expressão "literatura negra"? Existe literatura negra? Oswaldo de Camargo - Acredito que a partir do momento que o negro resolve falar de sua realidade e identidade como negro, trazendo as marcas de sua história, mesmo dentro de uma língua portuguesa, ortodoxa, acadêmica, que seja, se ele conseguir fazer isso com arte e se essa literatura estiver sancionada por uma produção, ela existirá. A produção existe. É fato. Portanto, atestada pela produção, a literatura negra existe. Quando o negro pega suas experiências particulares e traz, sobretudo o "eu", a persona negra, com suas vivências, que um branco pode imitar mas não pode ter, o nome que damos a isso é literatura negra. Portal – Quando surge essa literatura negra no Brasil? É possível identificar suas fases até os dias atuais? Oswaldo de Camargo - Ela começa a existir a partir do momento que o negro olha para si mesmo e passa a contar como negro suas experiências particulares, suas memórias, sua vida, suas diferenças, sua identidade, mesmo que esta escrita tenha como base um português camoneano. A grosso modo podemos iniciar este movimento com Luís Gama ao escrever o poema "Bodarrada", que traz o problema da identidade negra. Um texto como "Bodarrada" só poderia ter saído de um negro. O branco não pode idealizar isto, pois o autor está trazendo sua experiência particular de negro. É verdade que podemos citar, no século XVIII, Domingos Caldas Barbosa, mas aí de uma maneira mais enfraquecida, o "Eu", mesmo, aparece apenas com Luís Gama. Depois vem Cruz e Souza com "Consciência Tranqüila", "Escravocratas" e sobretudo "Emparedado". Essas obras são particularíssimas, jorram de dentro de um "Eu" negro. Continuando, podemos lembrar Lima Barreto e dizer que uma nova fase da literatura negra se inicia em 1926, quando aparece a figura de um poeta pobre e pequeno, Lino Guedes, que escreve com os olhos voltados para a comunidade negra. A diferença é que Luiz Gama e Cruz e Souza escreveram sobre o negro, mas não para um público negro. Já Lino Guedes escreve como negro, sobre o negro, para o negro, num momento de ebulição cultural e social. Não podemos considerar a obra de Lino Guedes como grande literatura, mas vale como marco do começo da negritude no Brasil. Depois vem Solano Trindade com sua poesia política, contestatória e marxista, que dá um rumo de grandeza à literatura negra cantando e exaltando Zumbi dos Palmares. Um contraponto ao trabalho de Lino Guedes, que era católico e moralista. Podemos dizer que a literatura negra atual segue essas duas tendências, somadas às influências africanas e sobretudo norte-americanas. Portanto, podemos ordenar desta forma: Domingos Caldas Barbosa, Luís Gama, Cruz e Souza, Lima Barreto, Lino Guedes e Solano Trindade. Portal - Todos estes nomes seriam nomes guias? Oswaldo de Camargo - Sim, são nomes guias. Portal - Então Solano Trindade seria o último grande nome guia? Oswaldo de Camargo - Diria que sim, pois para que possamos medir a importância de um escritor, de sua obra e vislumbrar até que ponto ela influenciou a produção literária de seus sucessores é preciso esperar 30, 50. Portal – A literatura africana influenciou ou influencia a literatura negra produzida no Brasil? Oswaldo de Camargo – O escritor negro brasileiro está muito desvinculado da questão africana. Quando ele escreve, está usando os padrões europeus, latinos, padrões herdados por uma cultura, digamos, ocidental. A literatura africana foi na maior parte ágrafa (sem escrita). Nossa literatura negra está enrolada com a literatura ocidental, sobretudo com a norte-americana, francesa, portuguesa e etc. Portal - A influência da literatura norte-americana é boa? Não seria mais interessante uma maior proximidade com a produção africana? Oswaldo de Camargo - Não. Nossa realidade está muito mais próxima da norte-americana. O escritor negro brasileiro conhece muito mais os conflitos e as questões de identidade do negro norte-americano. O africano não passou por isso. Estou falando da diáspora. O escritor africano não foi desraizado, mesmo com a invasão do colonizador ele não foi retirado de sua "casa" e mandado para uma terra estranha. Já os norte-americanos, assim como os brasileiros carregam esta herança. Então, quando o negro escreve no Brasil, ele naturalmente tem mais afinidade com o negro dos Estados Unidos. Uma unidade nascida da experiência comum da diáspora, que foi fundamental. Portal – Então, diante desse histórico, não há condições para uma unidade ideológica entre a produção brasileira e africana? Oswaldo de Camargo - A produção literária vem do subconsciente. O escritor não é um ser que escreve à toa. Ele mesmo determina o rumo que quer dar à sua obra. O ímpeto que leva africanos e brasileiros a escrever são diferentes. Os africanos "lutam" contra um invasor, nossa luta é pela afirmação de uma identidade, que foi esfacelada. Nós estamos tentando nos recompor, os africanos estão se defendendo. Portal – A literatura produzida por brancos que falava de negros foi prejudicial à "causa negra"? Oswaldo de Camargo – Depende muito do escritor. Por exemplo, Trajano Galvão, que iniciou no século XIX com os ventos do romantismo, olhou ao redor de si, descobriu o negro na senzala. e começou a escrever poemas, a grande linguagem da época, a respeito disso. Foi muito válido, foi muito bom. Ninguém tinha interesse em escrever sobre escravos. Escravos não mereciam literatura. Ninguém se deteria a analisar psicologicamente um escravo, que era apenas uma coisa, um vazio, no mesmo patamar dos animais. Então Trajano Galvão passa a se interessar e ergue o negro a condição de objeto de literatura. Foi uma valorização. Feita por branco? Sim, mas somente poderia ter sido feita por branco, que detinha a literatura naquela época. "Para que surja uma literatura é necessário que haja um caldo literário. E esse caldo já existia no Brasil. Já existiam vários poetas brancos escrevendo sobre negros. Mulatos também escreviam, mas não voltados para a negritude. Veja bem, naquela época, a partir do momento que o mulato escrevia, ele já não era mais considerado como negro. A partir do momento que ele aprende a ler e escrever, viaja para Lisboa e ascende socialmente, ele obscurece suas raízes negras. Portanto não produz essa literatura negra. Ele não tem conflitos de negro. Ele não tem conflitos de cor. Ele não pensa no fator cor. Ele vive com naturalidade a ilusão de ser um branco, por ter ascendido socialmente. Culturalmente era um branco. Então sua produção será geralmente a produção de um branco. Como escritor ele será um branco." "A única exceção que encontraremos no século XVIII será Domingos Caldas Barbosa. Um mulato que volta seu olhar para sua cor e escreve sobre isso. Não é a toa que Manuel Bandeira cita-o como precursor da poesia brasileira. Ele, um mulato, que foi chamado de orangotango por Bocage e de macaco por outros. Foi ridicularizado e humilhado por ter ousado entrar nos palácios, recitando e cantando o lundum, um rítmo de negros. Os intelectuais da época zombavam dele. Ele era satirizado pelos outros escritores. Tudo isso por assumir sua cor e ascendência." Portal – Existe algum elo que une os escritores brasileiros a outros de mesma língua (portuguesa)? Oswaldo de Camargo – O fator primordial não é a língua. A personalidade do escritor é que irá dar a cor para a língua. É como Kafka, que nasceu em Praga e fala o alemão. Não houve um encadeamento de experiência de escritores africanos de língua portuguesa com os brasileiros. É difícil imaginar que o escritor apenas por comungar a mesma língua irá compartilhar das mesmas experiências. Não esqueçamos da diáspora... "... Esta experiência enorme de sermos descendentes de escravos marca profundamente toda nossa produção e nossa vida. Tudo que fazemos está marcado pelo fato de sermos netos e bisnetos de escravos. Essa lembrança não se arreda tão facilmente. Portanto, nossa produção terá essa marca, é isto que a torna singular, diferente. É isto que justifica chamarmos o que escrevemos de literatura negra... quando ela tem os quesitos de arte..." Portal – Como podemos identificar essa literatura que é arte? Oswaldo de Camargo – É quando lemos um texto que tira o melhor partido das palavras, que se adapta perfeitamente ao que ele quer expressar e esta adaptação não é um texto científico, um compêndio, é um texto com arte. O escritor manipula a palavra com arte. Ele não quer apenas que o texto traga indícios de uma realidade e sim uma coisa complexa, um instrumento que vai mostrar, vindo do subconsciente, uma outra realidade, de uma maneira atípica. A visão do escritor é realista ou supra-realista, que pode mostrar uma realidade muito além do que se imagina, quando for verdadeiro. Caso não seja verdadeiro, não se discute... Não adianta discutir... Não entrou no subconsciente... ... Como dizia Carlos Drummond de Andrade: usar a chave... ele não abriu nenhuma porta... O grande verso do Drummond é "trouxe a chave?" Infelizmente, boa parte de nossos escritores não possui a chave... Portal - Será por isso, então que a literatura negra é tão pouco representativa? Oswaldo de Camargo - A literatura de modo geral é um instrumento frágil para se sustentar, independente de ser branca ou negra. Sozinha, a literatura é fraca, por trabalhar com a palavra. Ela não tem as atenções da mídia como tem a música e até mesmo as artes plásticas, por se aproximar mais de uma arte utilitária. Se você não faz então uma literatura academiável, que possa ser discutida em universidades, propositalmente você se marginaliza, pois seu tema é marginal. Você estará usando o instrumento literário para tratar de assunto que não é usual, um assunto que se ocupa da proporção mais empobrecida, menos respeitada, historicamente desvalorizada da sociedade brasileira... E tem mais, a literatura não é apenas escrever, ela tem que vender. As editoras não querem apenas um bom texto, elas querem é vender. Nenhum editor, com raras exceções, publica um texto apenas por sua beleza, ele quer é vender o livro. Portal – Mas aí ele não tem os mesmos critérios... Oswaldo de Camargo – Não tem. Nem pode ter, pois essa literatura não esta imbricada num processo tradicional do negro escrever. O negro escreve pouco. Portal - E lê pouco. Oswaldo de Camargo - Talvez até por isso. Percebe como é complexo? Por melhor que seja um livro com temática negra, ninguém garante que haverá um publico enorme para ele, pois o grau de impregnacão de uma realidade negra que o escritor quer propor, não existe na sociedade brasileira. O norte-americano já tem esta possibilidade. A sociedade americana está impregnada de uma questão negra, por fatores históricos, etc. A sociedade branca brasileira não é seduzida por este assunto, pelo contrário, esse tema nem existe para ela. Não existe uma questão negra para o brasileiro, em geral. Portanto uma literatura concebida com padrões negristas não terá a ressonância que tem um texto negro nos Estados Unidos. A sociedade americana, até por seu pragmatismo, proporciona ao escritor muito mais chance de vender, justificando um investimento, do que um escritor negro brasileiro de mesma capacidade. O escritor negro brasileiro é um grande herói. Ele aposta muitas vezes no vazio. É um profeta que acredita a despeito de tudo. E eu como um dos mais velhos escritores desta época, estou vendo que vale a pena apostar. Portal – Mas o senhor é uma instituição. Oswaldo de Camargo - Não sei... Sei apenas que sou um dos mais velhos. Sou um dos poucos que conviveu com Solano Trindade, o que foi uma grande honra. Comecei muito cedo e digo que vale a pena apostar Quando você escreve um texto nunca se pode prever seu caminho. Este texto pode começar a falar de verdade depois de 50 anos, então é um ato de aposta. Mas vale a pena de fato tentar traduzir, fazer uma nova leitura do país, escrevendo poema, conto, novela, ensaio, dentro de uma visão negra que o branco não poderia ter dado nunca, por não ter a vivência especifica do negro. Portal – Se o negro brasileiro não lê e o branco que lê não se interessa por nossos assuntos, para quem o escritor negro escreveria? Oswaldo de Camargo – A pergunta é interessante. Mas, em primeiro lugar o escritor escreve para ele mesmo. Como falou Dostoievsky.. "Eu escrevo para espantar meus demônios." O escritor precisa expor o que sente, dividir o que tem com os outros, mas primeiro consigo mesmo. Portal – É um ato de angústia, então? Oswaldo de Camargo - Sim, por que não? Ele pega um fato de sua infância, um amor frustrado, por exemplo. Frustração é que faz boa literatura e não o que dá certo. É por isso que a pessoa equilibrada não pode ser um bom escritor. Um pai de família que chega em casa tira os chinelos, beija a mulher, beija os filhos, senta-se à mesa, nunca poderá ser um bom escritor. Escrever é um ato de desencontro, de angústia. Ele vai escrever para compensar o que não é, desde que tenha talento. É a sublimação pela arte: Eu sou nada socialmente, mas sou um príncipe escrevendo. E este canto é o canto da liberdade, eu escrevo o que quiser. Posso ser um santo ou um demônio escrevendo... Portal – Canto da liberdade...A literatura seria uma das possibilidades de nós negros sermos livres? Oswaldo de Camargo – Sim. "Mas ter talento não basta para ser escritor. Existe todo um aparato para chegar a ser um bom escritor. É preciso saber entender o termo de uma palavra. A palavra pesa. A diferença entre a palavra "belo" e "bonito" pode modificar totalmente o sentido de um texto. O escritor é um alquimista do verbo. Ele tem o dom da mágica, é um demíurgo, cria um mundo com palavras. Para se fazer isto tem que se preparar, "ter a chave", e isto passa pela observação da obra dos outros, pela leitura, pela obsessão por alguns textos que marcaram sua vida. Até para imitar... Não existe um escritor sem outro escritor. Portal – E nem sem leitor... O senhor é otimista? Acredita na formação de uma geração de jovens negros brasileiros interessados por literatura? Oswaldo de Camargo – Este é um fenômeno geral. Não acontece apenas com o negro. Não existe uma questão negra isolada da realidade brasileira. Este drama da leitura é um drama geral do Brasil. A leitura não se tornou um hábito, uma paixão, uma obsessão. O Brasil seria outro país se houvesse a obsessão da leitura. A realidade brasileira seria melhor pensada. Haveria uma crítica violenta à estrutura partindo das grandes massas. A vida religiosa seria outra. Eu sou católico. Aqui é somente por tradição, pois as verdades religiosas profundas não são conhecidas... "Qual a força do Japão pós-guerra? Qual a força da Alemanha pós-guerra?. Cultura. E a cultura passa necessariamente pela leitura". "No século VIII foi escrita a Ilíada, de Homero, que se tornou a educadora da Grécia, que era lida pelos poetas ambulantes para o povo, nas casas, nos palácios. Hoje quem substitui Homero é a televisão. Ela está educando? Não, pelo contrário, está nivelando da maneira mais baixa possível, o que interessa a muita gente. E grande parte destas pessoas influenciadas por este subproduto continua sendo negra e miscigenada, que são os que detém as condições de dar o pulo, de dar o salto..." Portal - A vaidade maior de um escritor é ser lido? Oswaldo Camargo – Sim, mas pelo bom leitor, pelo leitor inteligente, que troca figurinhas com o autor, que indaga, é raro mas acontece. Aí é o prêmio máximo. Mas voltando à vaidade, minha vaidade é ter persistido num mesmo rumo. Muitos desistiram e eu consegui. Este é meu grande orgulho. Portal – Falando em persistência, os Cadernos Negros chegam à sua 23ª edição. Qual sua opinião sobre os Cadernos? Oswaldo Camargo - É uma proeza inédita no país, pertence à vida da resistência negra neste país. Examinar literariamente o peso disto já é outra história, uma coletânea é uma coletânea... Se em cada Caderno aparecer pelo menos um escritor com um texto legitimo terá valido a pena. Os Cadernos devem ser elogiados por sua persistência, por serem uma grande referência neste roteiro do negro trazer sua experiência particular de literatura. É uma referência obrigatória. Portal – O que o senhor pensa dos escritores brancos de hoje que escrevem sobre vivências e temas negros? Oswaldo de Camargo – Não há nenhuma novidade nisto. É um branco interessado no assunto. Ele fez. A visão dele irá somar-se a outras visões. É uma visão possível. Um branco também vê. O branco está fronteiriço ao problema negro, mesmo sendo da alta sociedade, mas ao lado, a quinhentos metros há uma favela. Mas que fique claro, ele não está fazendo uma literatura negra, está fazendo um livro de sociologia, de etnografia, de recolha de conhecimentos sociais. Quando eu falo de literatura negra, falo sobretudo daquilo que torna a literatura um ato neurótico. Você cria um mundo de um nada, aparentemente nada, mas este nada é você, seu subconsciente, sua memória... Neste campo eles não entram. Vários escritores brancos já escreveram com muita categoria, Florestan Fernandes, Otaviani, Roger Bastide e outros... Mas não peça-lhes para entrar neste campo da literatura que é criar com palavras um mundo calcado tão só na experiência particular de um temperamento. "Eu como negro sou um escritor, meu mundo é outro. Até pela geração que pertenço, pela religião que me salva e por minha sensibilidade... O escritor criará um mundo de dentro de si mesmo. Eis o ato neurótico. É o vazio e de repente o mundo."

28 de nov de 2007

Homenagem a Luiz Gama, na Faculdade de Direito da USP, dia 28/11

(fonte Afropress)"A Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) homenagearão hoje, o líder negro abolicionista Luiz Gama. Na solenidade, que marcará a passagem dos 125 anos de sua morte, será descerrado um quadro à óleo do poeta, que posteriormente irá ocupar espaço na Sala Visconde de São Leopoldo, área nobre da instituição. Gama foi um dos mais brilhantes lutadores da Causa da libertação do povo negro e mesmo sem ser advogado diplomado, (funcionava como rábula, pois embora tivesse freqüentado aulas não era aceito formalmente na Faculdade por ser negro), conseguiu a libertação de mais de 500 negros escravizados. A solenidade está marcada para 18h, no Salão Nobre da Faculdade de Direito, no Largo São Francisco. Depois da homenagem haverá conferência sobre o tema "O SISTEMA DE JUSTIÇA E O COMBATE AO RACISMO INSTITUCIONAL", com a participação dos professores Hélio Santos, Sueli Carneiro e Celso Lafer".

Eventos literários em São Paulo, dias 30/11 e 01/12

Sarau da Consciência Negra, promovido pelo coletivo VACAMARELA. Dia 30 de novembro de 2007, a partir das 19:30, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. Rua Henrique Schaumann, 777. Pinheiros (SP) Programação: vídeo "Larguei os livros e me sujei com a merda toda." Produzido por Allan da Rosa, Matheus Subverso e Akins Kinte. Edições Toró. Fala sobre Moçambique: Professora Rejane Vecchia (FFLCH-USP). Literatura Africana de Língua Portuguesa. Música: Agnelo Filho (Coral USP) e Casa da Mãe Joana. Leitura e Declamações: Rui Marcarenhas e o seu MEIOHOMEM, Marcelino Freire (a confirmar) e Poetas integrantes da VACAMARELA. Palco Aberto ao Público! Lançamento d'o CASULO N° 7 Dia 1° de dezembro de 2007, a partir das 19:00, na Casa das Rosas. Av. Paulista, 37 O Casulo - Jornal de Literatura Contemporânea, periódico literário realizado pelo Coletivo VACAMARELA e patrocinado durante 2007 pelo VAI (Valorização de Iniciativas Culturais - programa de incentivo à projetos culturais da Prefeitura de São Paulo), chega ao 7º número e comemora 2 anos de atividades de divulgação da nova poesia brasileira publicando mais de 150 escritores de todo o país. Com o apoio da Prefeitura de São Paulo a publicação passou sua tiragem de 3 mil para 30 mil exemplares, todos com distribuição gratuita em quase 300 pontos da cidade, incluindo 150 escolas de ensino médio, 23 CEU, 88 Bibliotecas e Centros Culturais, entre outros. Confira nesse número: - Matéria sobre a Biblioteca Comunitária Machado de Assis (Ocupação Prestes Maia); - Poemas de Alberto Pucheu, Ana Elisa Ribeiro, Lígia Dabul; - Tradução de poemas de Bill Knott por Reuben da Cunha; - Resultado do 1º Concurso Literário "Saia do Casulo": premiação de 20 alunos do Ensino Médio com um kit de livros doados pelas Editoras Azougue, Lucerna, Escrituras e Lumme. Ainda nessa noite será lançada a Antologia VACAMARELA - livro que traz poemas em espanhol, inglês e português de 17 jovens poetas contemporâneos: Ana Rüsche, Ana Paula Ferraz, Andréa Catrópa, Carol Marossi, Donny Correia, Eduardo Lacerda, Elisa Buzzo, Fábio Aristimunho, Gustavo Assano, Ivan Antunes, Júlia Lima, Lilian Aquino, Paulo Moura, Renan Nuernberger, Thiago Ponce, Victor Del Franco e Vinicius Baião. Informações: contato.vacamarela@gmail.com

27 de nov de 2007

"Trompas d' África: percussão do triunfo", um espetáculo de Beth Béli

Espaço Bartolomeu. Rua Augusto de Miranda 786, Pompéia, São Paulo. Dias 30/11 e 01/12, às 22:00 e 02/12, às 20:00.

Conceição Evaristo em Belo Horizonte, dia 27/11/07

"Quase uma História", no teatro SESI, Rio de Janeiro

"Uma carta publicada na seção de leitores de um grande jornal, somada às histórias de pessoas afro-brasileiras (anônimas e reais) e à própria história da Cia de Dança Rubens Barbot, hoje Rubens Barbot Teatro e Dança, servem de enredo para Quase uma História - espetáculo de dança contemporânea que entrará em cartaz no Teatro SESI para uma curtíssima temporada. De cena em cena, Quase uma história se transforma numa grande colcha de retalhos, mas retalhos sobre o mesmo e infinito tema: a vida e como são as histórias negras em geral. O espetáculo fala de vidas de pessoas anônimas e solitárias, que constituem a sociedade e da importância do entendimento sobre a existência do Homem. A Rubens Barbot comemora 17 anos de trabalho e é a primeira companhia de dança contemporânea afro-brasileira do país".

26 de nov de 2007

Os filhos de Luzia

Nos tempos em que o Mar Morto ainda andava doente, éramos todos filhos de Luzia. Mãe parideira e dadivosa, origem do povoamento de todos os mundos, feito por filhos pródigos e corajosos, que ultrapassaram desertos, rios de crocodilos e quedas d’água, mares desconhecidos. Luzia a tudo assistia e a nada impunha limites. “Quer ir, vá. Filho é do mundo, não é da gente, não”. Tinha a autoridade do começo do mundo, de primeira ancestral, rainha maior. Quantos filhos teve, Luzia nunca soube. Sabe que hoje sente falta de muitos, sapientes, inventores, criativos, verdadeiros gênios que fizeram maravilhas nas terras desbravadas. Alguns filhos mais gananciosos renegaram Luzia, deixaram as próprias terras e invadiram as terras da mãe, e as esquartejaram, destruíram reinos, deram nomes e limites alheios à organização das antigas terras. Não satisfeitos, arrancaram do ventre de Luzia, os filhos que haviam permanecido com ela e os conduziram em navios luzieiros para um novo mundo. Circundaram a árvore do esquecimento sete vezes para forçá-los a apagar da memória à Luzia e seus ensinamentos, tornando-os escravos e impondo-lhes o trabalho forçado e castigos mil e milhões de atrocidades. Violaram as mulheres, cujo parentesco consigo esqueceram. As mulheres pariram crianças que não se tornaram filhas dos homens que as fecundaram. As crianças nascidas foram chamadas de mestiças, frutos da mescla. Cresceram fazendo o trabalho sujo, acreditando que eram diferentes e melhores do que os descendentes diretos de Luzia, aqueles que mantinham semelhanças físicas com ela. Os projenitores fomentavam a fantasia, interessava-lhes que os filhos de Luzia se mantivessem divididos, assim, enfraquecidos, despotencializados. O tempo passou e num dado momento os que detinham o poder quiseram alçar os frutos da mescla ao posto de depositários culturais do novo mundo, das boas influências vindas de todos os lados: multi-étnicos, multi-facetados, multi-diversos, multi-celebrativos. Tudo sem conflito, sem animosidade, sem perdas e sem ganhos, sem privilégios e desvantagens, sem dores, só cor e amor. Mais à frente resgataram do ostracismo a velha e superada Luzia, reivindicaram a ancestralidade esquecida, convocaram DNAs e os estudaram, concluiriam que tudo e todos eram misturados, que quem aparenta ser verde na cara, no DNA é vermelho. Quem tem aparência azul no corpo, no DNA é lilás. Mas e a perseguição aos verdes? Todos sabem que eles são caçados pelo sistema, não é mesmo? Será que ao sacarem o exame de DNA e mostrarem à polícia, provando que seu material genético é vermelho, o sistema os protegerá? Garantirá aos verdes, a sobrevivência e os protegerá do extermínio? São as perguntas que não querem calar e só o material genético com força de salvo-conduto poderá responder. /// Finalmente consigo postar um texto autoral, não tenho tido tempo para escrever para o blogue e tenho ouvido várias reclamações, além da minha insatisfação. Este "Os filhos de Luzia" será encenado por um grupo de mulheres, dirigido pela dodecana amiga Beth Beli, no espetáculo - Trompas d'África: percussão do Triunfo, com estréia marcada para o dia 30/11, em São Paulo. Assim que tiver mais detalhes sobre o espetáculo posto aqui. Quem puder, compareça.

25 de nov de 2007

Acharque racista em livraria de Brasília

Notícia divulgada na lista de discussão racial do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil. "Ontem, dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, fomos à *Livraria Cultura de Brasília** *e presenciamos uma cena, senão absurda, criminosa - o lançamento de um livro intitulado "A revolução quilombola", do jornalista (?) Nelson Ramos Barreto, que consiste em desqualificar o pleito das comunidades quilombolas pela formalização da posse de seus territórios tradicionais, com foco na crítica ao processo de regularização fundiária destes grupos efetuada pelo INCRA por meio deste Governo. Fosse somente a divergência de posições a respeito da questão quilombola, não nos admiraria. O mais chocante foi ver homens de terno preto (fenótipo - brancos), com broches da *TFP* (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), ao redor do "Príncipe Imperial" Dom Bertrand de Orleans e Bragança, bisneto da Princesa Isabel, discursando em prol dos "valores ocidentais" e do "direito de propriedade", contra uma "reforma agrária negra". Afirmando sempre que nunca houve "problema racial" no Brasil, o discurso de tais senhores pregava que a mestiçagem deveria ser incentivada e que, assim como o comunismo, a reforma agrária quilombola poderia matar milhões de pessoas. Nem é preciso dizer que a base para esse discurso ainda é o mito freyriano da mistura das três raças. Esqueceu, talvez, de que os negros após a "abolição" foram deixados à própria sorte, sem terras ou trabalho – quando se iniciou o processo de incentivo à imigração européia para uma formação mais civilizada da sociedade nacional (ideologia perene do branqueamento biológico e ideológico). Na contracapa do livro, podemos ter um aperitivo "A bondosa Princesa Isabel substituída por Zumbi, um escravocrata" (!). 23 nov (2 dias atrás) perversos do evento era a presença de um único negro que ficava parado como que exposto em um zoológico segurando o livro do jornalista. Tivemos certeza de que se tratava de um show de horror quando um dos jovens da TFP, também com seu terno e brochinho, nos disse "escutem o negro falar!" Ao que foi constestado, retrucou "façam um teste de DNA com os presentes nesta sala e vejam se existe raça!". O referido negro disse ter sido discriminado em suas andanças pelo Congresso Nacional por uma princesa da Etiópia.... Ele foi convidado a falar no evento, prestando uma homenagem ao autor do livro. No entanto, anteriormente aos discursos, circulava sozinho pela biblioteca. Em sua primeira fala, chegou a dizer que os quilombos sempre foram uma "farsa", pois os negros eram "obrigados" a fugir, contrariando seu desejo de permanecer nas casas grandes, junto aos seus senhores. Chocante a forma como o discurso estava descolado da imagem do sujeito. Muito triste ver em operação uma manobra comum a esses movimentos, a cooptação de um sujeito, com vistas à legitimação de um discurso contra ele mesmo. Imaginem a violação psíquica que sofre esse sujeito se prestando a esse papel. Por fim, os homens nos cercavam dizendo coisas do tipo "por que vocês não vão para Cuba?", ou "essas meninas são agentes provocadores enviados por alguém". Aliás, éramos as únicas mulheres do local, exceto por uma portuguesa bem jovem, provavelmente esposa de um dos nobres (?) senhores, e as funcionárias da loja, alienadas ao que se passava. A funcionária responsável pelos lançamentos de livros até tentou se desculpar, mas também tentou se desculpar com a categoria de clientes aos quais nos opomos. Não fosse nossa presença no lançamento, seria uma turma de fascistas juntos, comemorando mais uma grande obra de Nelson Barreto, que já escreveu contra a reforma agrária - detalhe: o princípe desafiava qualquer "sociólogo ou economista" a citar um exemplo de reforma agrária no mundo que tenha dado certo - e a favor do trabalho escravo (!) Registramos nossa reclamação na Livraria Cultura, da qual somos cliente. Nos surpreende, ainda, que uma livraria com este perfil tenha aberto espaço para um evento de caráter racista. Algum intelectual sério foi convidado para este evento? Por que o lançamento deste livro foi agendado para o dia nacional da consciência negra? No mínimo, a assessoria de imprensa da Cultura ou é muito ruim e desinformada, ou também é racista. É impressionante como este caso vem comprovar que existem pessoas "saindo do armário" para demonstrar seus preconceitos, seus valores fundados na exploração e violência (a exemplo das reações positivas ao BOPE da "ficção", e negativas às cotas nas Universidades; dos comentários sobre a fala do Governador do Rio de Janeiro sobre a necessidade de legalização do aborto por causa dos filhos das favelas, "naturalmente" marginais etc.). Outra coisa que isso nos mostrou: a briga é feia".

23 de nov de 2007

LIRA, um selo editorial para abalar "Velhorizonte"

Na próxima segunda-feira, a partir das 19h, na Quixote Livraria e Café (rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi, Belo Horizonte), lançamento do selo editorial LIRA, do poeta e amigo Rique Aleixo.

Pelourinho na Rota da Rima, Salvador, 21 a 25 de novembro

"Entre os dias 21 e 25 de novembro, a Praça das Artes, no Pelourinho, será palco do projeto Pelourinho na Rota da Rima. A iniciativa vai aproximar várias linguagens artísticas, como o graffiti e a música, mas terá como cerne a literatura negra brasileira. Estruturado como seminário-espetáculo, o evento propõe uma aproximação entre o texto dos mestres Luís Gama, Lima Barreto e Abdias do Nascimento com os dos novos poetas da negritude, principalmente, aqueles oriundos da cultura hip hop. Entre os convidados - professores, pesquisadores, poetas, atores – destaque para as presenças do rapper brasiliense GOG e do grupo paulista Z'África Brasil, que fazem shows na abertura e no encerramento. Pelourinho na Rota da Rima é idealizado e produzido pelo coletivo Blackitude – Vozes Negras da Bahia em parceria com o Programa Pelourinho Cultural, do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), uma autarquia da Secretaria de Cultura da Bahia. O evento integra a programação especial do Pelourinho, em homenagem ao mês da Música e da Consciência Negra – por causa da morte do líder e símbolo da resistência negra Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695. "De nosso modo, reverenciamos Zumbi dos Palmares com menos festa, mas com uma ação efetiva. O objetivo central é discutir autores da chamada literatura negra brasileira, transitando pela poesia, prosa, drama e música", explica Nelson Maca, do coletivo Blackitude, que coordena o Pelourinho na Rota da Rima. Programação - Durante os cinco dias, a reflexão e a diversão se equilibram em aulas ilustradas, recitais, grafitagem e performance de teatro e dança. A programação, de quarta a sábado, começa sempre às 13h, com os grafiteiros Limpo, Lee 27, Roque ou Dimak executando ao vivo um trabalho relacionado aos temas do dia. Na abertura, o destaque fica por conta da trajetória do cantor e compositor Genival Oliveira do Gonçalves, mais conhecido como GOG, que será tema da palestra O poeta do rap, ministrada por Nelson Maca (UCSal), das 14h às 17h. A partir das 19h, o próprio GOG, que tem uma trajetória solidificada em duas décadas de rap e oito discos gravados, mostra ao vivo as canções de Aviso às Gerações, seu último cd. Antes de GOG, acontece o recital de poesia negra com os Poetas da Blackitude. O rapper brasiliense dividirá a noite com o grupo de rap local RBF – Rapaziada da Baixa Fria e interagirá com os dançarinos de break do grupo Independente de Rua, o grafiteiro Neuro e o DJ Joe. Nos dias seguintes, acontecem as palestras Abdias do Nascimento – Negro Drama, com o ator e diretor teatral Ângelo Flávio, que contará com a leitura dramática de um texto de Abdias pelo Coletivo de Atores Negros Abdias do Nascimento – CAN; Lima Barreto: Sentimento íntimo e luta coletiva, com a professora Sueli Santana (UNEB), e Luís Gama: Gênese da literatura negra brasileira , com o professor Sílvio Roberto (UNEB). As três palestras têm como público alvo professores, estudantes e a juventude e estão linkadas à Lei 10.639, que propõe a obrigatoriedade dos conteúdos africanos-brasileiros no sistema educacional brasileiro. No encerramento, o Pelourinho na Rota da Rima tem o prazer de promover o primeiro show em Salvador do grupo paulista Z´África Brasil, que tem se destacado no cenário nacional, e até internacional, com um rap que trabalha com sonoridades afro-percussivas e com letras que tratam aspectos do cotidiano do povo negro brasileiro. O show começará às 18h, e a participação local fica por conta do grupo Opanijé, do grafiteiro Peace e, novamente, dos dançarinos do Independente de Rua e do DJ Joe. Toda a programação tem entrada franca, porém a participação no seminário depende de inscrição prévia, que pode ser feita na sede do Programa Pelourinho Cultural, no largo do Pelourinho, casa 12". MAIORES INFORMAÇÕES: Pelourinho Cultural (Daniela Lustosa): (71) 3117-1509

22 de nov de 2007

I Encontro de Cinema Negro Brasil Africa, no Centro Afro Carioca de Cinema - Rio de Janeiro

"O encontro pretende divulgar a importancia da influencia da cultura Africana na formação da identidade do povo brasileiro, rompendo uma lacuna existente até hoje, sobre a historia e a sabedoria dos povos africanos atraves da sua cinematografia tradicional e moderna, mundialmente conhecida e praticamente inexistente aqui entre nós. O Encontro terá também a função de aproximar os cineastas Afro descendentes brasileiros com o cineastas africanos através de suas obras num foro de reflexões, debates e discussões na tentativa de abrir novos caminhos para a produção artistica entre os dois povos onde suas historias sejam mostradas e divulgadas por aqueles que as realizam hoje sujeitos de suas proprias trajetórias. O Encontro tem a intenção de formar uma plateia que possa se identificar e se espelhar com ela mesma atraves da realidade do seu povo de origem. Esta sendo realizado para fortalecer a nossa auto estima como afrobrasileiro que desconhecemos quem somos, por falta de comunicação com nosso continente de origem". Veja a programação completa: www.afrocariocadecinema.com.br Locais e horários: Cine Odeon BR dias 23 à 25 de novembro das 12h às 20h Cinelândia Centro Cultural Justiça Federal Dias 23 à 25 de novembro das 12h às 17h Cinelândia Caixa Cultural 26 de novembro das 12h às 18h Largo da Carioca Tenda na lapa 26 e 27 de novembro das 19h às 23h Arcos da Lapa Seminários: Cine Odeon BR 26 de novembro das 09h às 13h Centro Afro Carioca de Cinema 27 e 28 de novembro das 09h às 18h

20 de nov de 2007

"Nós Negras", em Brasília

"O Show Nós negras: uma homenagem às mulheres negras do samba, que está encantando Brasília desde outubro de 2007 vem agora unir força e beleza às comemorações pelo Dia da Consciência Negra - dia 20 de novembro - na Praça Zumbi dos Palmares, CONIC às 19h, entrada franca. O espetáculo que reúne um elenco de pérolas negras brasilienses formado pelas cantoras Teresa Lopes, Renata Jambeiro, Cris Pereira, Dhy Ribeiro, Kris Maciel e Kiki Oliveira vem mais uma vez prestar uma justa homenagem às mulheres negras que marcaram a história do samba com talento, graça e muita ancestralidade como Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Jovelina Pérola Negra, Clara Nunes, Alcione, Mart´nália, entre outras. Acompanham as pérolas negras um nipe valioso de músicos formado por Dudu 07 cordas (violão), Nelsinho Serra (cavaquinho), Márcio Bezerra (clarineta), Nelson Félix (pandeiro) Alexandre Cidade (surdo), Marcelo Bicudo (percussão geral) e Luis Jambeiro (percussão geral)." Serviço: Show "Nós Negras" Data: Dia 20 de novembro (terça-feira) Local:Praça Zumbi dos Palmares - Conic Horário: a partir das 19h Entrada Franca

Ilú Obá de Mim, em São Paulo

III Encontro de Professores de Literaturas Africanas, no Rio de Janeiro

Veja a programação completa no sítio: www.letras.ufrj.br Programação Dia 21/11(quarta-feira)Local: FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL Rua México, s/nº (acesso pelo jardim) - Centro – Rio de Janeiro 8:00 às 9:00: Credenciamento 9:00 às 10:30: - ABERTURA OFICIAL Apresentação especial: Coral de Flautas da Maré 11:00 às 13:00 – Mesa de Escritores Luandino Vieira, Boaventura Cardoso, Manuel Rui e João Melo Coordenador de Mesa: Silviano Santiago 13:00 às 14:00 – Almoço 14:00 às 15:50 - Mesa de Poetas João Maimona - Angola; Luís Carlos Patraquim - Moçambique; Adriano Botelho de Vasconcelos - Angola; Conceição Cristóvão - Angola Coordenador de Mesa: Jorge Macedo - Angola Intervalo 16:00 às 17:30 – Mesa de Escritores Nélson Saúte - Moçambique; Jacques dos Santos - Angola; Fragata de Moraes - Angola; Ondjaki - Angola. Coordenador de Mesa: Fernando Costa Andrade - Angola 17:40 às 18:30 - Martinho da Vila e Os Meninos à Volta da Fogueira 18:30 às 19:30 – Coquetel, autógrafo e lançamento de livros. Dia 22/11 (quinta-feira)Local: Faculdade de Letras da UFRJ (Campus do Fundão) Endereço: Av. Horácio Macedo, 2151 – Cidade Universitária- Ilha do Fundão 21 941-590 – Rio de Janeiro, RJ 7:30 às 9:00- Minicursos 9:00 às 10:50 –Mesas-redondas simultâneas Auditórios G2; E1; E2; E3, os quatro auditórios do Espaço João Cabral, salas F103, F105 Intervalo 11:00 às 12:30 – Comunicações Almoço: 12:30 às 13:30. Projeção de filme no Auditório G1; Exposição de fotos na sala João do Rio; Venda de livros. 13:30 às 15:00 – Comunicações Intervalo 15: 15 às 17:00 – Mesa de Escritoras Paula Tavares (Angola), Vera Duarte (Cabo Verde), Conceição Lima (São Tomé), Odete Semedo (Guiné-Bissau), Ana Mafalda Leite (Moçambique). Coordenadora: Maria Aparecida Santilli. Auditório G2. 17:00 às 17:30 - Autógrafos das escritoras Dia 23/11 (sexta-feira)Manhã Local: Faculdade de Letras da UFRJ (Campus do Fundão) Endereço: Av. Horácio Macedo, 2151 – Cidade Universitária- Ilha do Fundão 21 941-590 – Rio de Janeiro, RJ 7:30 às 9:00 - Minicursos 9:00 às 11:00 – Mesas-redondas simultâneas Auditórios G2; E1; E2; E3 e os quatro auditórios do Espaço João Cabral, salas F103, F105 e F107 Intervalo 11:15 às 12:30 – Lançamento da idéia da criação de uma Associação de Estudos Africanos – Auditório G2 Coordenação de: Álvaro Pacheco dos Santos 12:30 às 13:00 - Autógrafos de escritores 13:00 às 14:00 - Almoço Tarde Local: Auditório Roxinho (Prédio do CCMN) 14:00 às 15:30 – Miniconferências: Dr.Russell Hamilton ( Professor Emérito da Universidade de Minnesota, ex-Professor da Universidade de Vanderbilt) e Dr. Lourenço do Rosário ( Reitor do ISPU e Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa). Coordenador: Benjamin Abdala Jr. 15:30 às 16:00 – Homenagem. Coordenação de Cleonice Berardinelli 16:00 às 16:30 - Encerramento 16:30 às 17:30 - Jongo pela Companhia Folclórica da UFRJ e Jonguinho da Serrinha 17:30 às 18:00 - Lançamento Obs.: Embora o Congresso se encerre no fim do dia 23 de novembro, para que os minicursos tenham uma carga horária de 3 dias, usaremos o sábado dia 24 de novembro apenas pela manhã. Dia 24/11 (sábado)Local: Faculdade de Letras da UFRJ (Campus do Fundão) Endereço: Av. Horácio Macedo, 2151 – Cidade Universitária- Ilha do Fundão 21 941-590 – Rio de Janeiro, RJ 10:00 às 11:30 - Minicursos

19 de nov de 2007

Primeira mostra de cinema africano no Museu Afro Brasil

Clic na imagem para ampliá-la.

"Morada" - Fotografias de Guma e poesia de Allan da Rosa abordam a luta pela moradia na cidade de São Paulo

Lançamento de mais um livro da Edições Toró, no Sarau da Consciência Negra da Cooperifa, dia 21/11/07, às 21:00. Rua Bartolomeu dos Santos, 797, Jd.Guarujá, tel 5891-7403

17 de nov de 2007

Mazza Edições lança 5 livros no FAN - Festival de Arte Negra, em Belo Horizonte

"A Kinda e a Misanga". O Brasil encontra Angola, por meio da literatura."

Lançamento de "A Kinda e a Misanga – Encontros Brasileiros com a Literatura Angolana", organizado por Rita Chaves, tânia Macedo eRejane Vecchia. Data: 21 de novembro de 2007, de 18:30 às 19:30. Local: FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL Endereço:Rua México, s/nº (acesso pelo jardim) - Centro – Rio de Janeiro

16 de nov de 2007

Sobá Livraria & Café na Expominas, em Belo Horizonte

"A Décima Oitava Edição da Feira Nacional de Artesanato Mãos de Minas – Centro Cape – que ocorrerá no Expominas no período de 20 a 25 de Novembro homenageará o Continente mais velho do mundo – África e sua bela história. Nessa perspectiva, a Sobá Livraria & Café, em seu stand instalado no Pavilhão 1 será palco de uma série de atividades e performances que irão referendar o legado de África entre nós, herdeiros que somos desse magnífico manancial de cultura. Para abrilhantar mais nossa participação nessa atividade convidamos V.Sa. e os seus para nos visitarem nesse belíssimo evento que terá, além de sua programação, as seguintes propostas pela Sobá Livraria & Café. Performance de Teatro e Poesia com Evandro Nunes 20.11 às 19:00 H. Performance de Dança Afro com Evandro Passos 21.11 às 19:00 H. Apresentação de Dança Afro Marilene e Querubins 22.11 às 15:00 H. Performance de Teatro com Arrebate de Pará de Minas 23.11 às 14:00 H. Contação de Histórias Africanas com Fernanda de Senna 24.11 às 16:00 H. Performance de teatro e Percussão com Trupe Olho da Rua 24.11 às 18:00 H. Desfile de Penteados e Cabelos Afro Espaço Baobá 25.11 às 16:00 H. Lançamento de Livros Diversos Espaço Literário Ver programação no Stand Em nosso stand você encontrará, ainda, diversos produtos artesanais de lugares distintos do estado, produzidos pelo povo negro". Celeste Libania / Rosane Pires. Sobá Livraria & Café. (31)3224-7655 ou 3234-7655 sobalivros@uol.com.br

Livro novo de Laura Padilha

14 de nov de 2007

Lançamentos de autores angolanos em Belo Horizonte

<Clic na imagem para ampliá-la. A Tradição Planalto Editora fará o lançamento em primeira mão de 2 títulos de autores angolanos, no estante da Nandyala Livros na XVIII Feira Nacional de Artesanato, de 21 a 25 de novembro no Expominas, Belo Horizonte, Estudantes na terra dos outros: vivência dos angolanos no Brasil, de José Manuel Sita Gomes procura analisar a experiência de ser estudante e viver na terra dos outros, a partir das experiências de universitários angolanos no Brasil. Njango: Contos em volta da fogueira, de Kandjila enaltece a cosmovisão africana perpassada pela oralidade. O Njango representa a forma de passagem do conhecimento pelos mais Velhos, considerados os detentores do conhecimento milenar das tradições e costumes - como forma de perpetuar e fortalecer as gerações vindouras. Mais informações: Tradição Planalto Editora, e-mail livro@tradicaoplanalto.com.br, fone (31) 326-2829.

PRIMEIRO POPULAR na Balada Literária, em São Paulo

"No dia 15 de novembro, a partir das 20 horas, no Centro Cultural b_arco, acontecerá a primeira "balada" do evento, com a apresentação do PRIMEIRO POPULAR, comandado por PAULO SCOTT, acompanhado de vários lançamentos (veja relação dos livros no site). PRIMEIRO POPULAR é um evento idealizado pelo escritor gaúcho PAULO SCOTT. Iniciou em Porto Alegre, em 2006, e vem se realizando em outras capitais do Brasil (São Paulo, Rio, Belo Horizonte), reunindo - em uma noite de ruídos & literatura - escritores, compositores, músicos e DJs para intervenções inusitadas, misturando textos e trilhas sonoras produzidas especialmente para a ocasião. Em suas edições, já contou, entre outros artistas, com Antônio Cícero, Bruna Beber, Caco Ishak, Cardoso, Cecília Giannetti, Daniel Galera, Fabrício Carpinejar, Jimi Joe, João Paulo Cuenca, Marçal Aquino, Nicolas Behr, Rodrigo Penna e Ronaldo Bressane. Neste PRIMEIRO POPULAR, em edição especial para a BALADA LITERÁRIA 2007, participarão: BRÁULIO TAVARES, BRUNO BRUM, CAROLINA VEIGA, CLARAH AVERBUCK, CLAUDINEI VIEIRA, DANIEL MINCHONI, FERNANDA D'UMBRA, FERRÉZ, FLÁVIO VAJMAN, FLU, GLAUCO MATTOSO, IVANA ARRUDA LEITE, MANU MALTEZ, MARCELO BRUM LEMOS, MARCELO MONTENEGRO, MÁRIO BORTOLOTTO, MAURO DAHMER, MIRÓ, PAULO SCOTT, POESIA MALOQUEIRISTA, RICA P., RUY MASCARENHAS, SERGIO MELLO, SÉRGIO VAZ, VERONICA STIGGER, WANDER WILDNER, XICO SÁ. E no encerramento, dia 18 à partir das 20h: Mercadorias e Futuro, com JOSÉ PAES DE LIRA O cantor e compositor pernambucano LIRINHA, do grupo CORDEL DO FOGO ENCANTADO, mostra neste ensaio aberto, o que virá a ser o seu espetáculo solo e lítero-musical Mercadorias e Futuro, título de seu primeiro romance, inédito". GRÁTIS. Onde: Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 422 Pinheiros - Tel. 11 3081-6986 http://www.baladaliteraria.org www.poesiamaloqueirista.blogspot.com

10 de nov de 2007

Música e dança: tambores do Oeste da África no Sesc Pinheiros - São Paulo

"Dias 10 e 11 de novembro, o Instituto Famoudou Konatê e a ONG África Viva apresentam percussão e dança da República da Guiné aqui em São Paulo, uma das maiores riquezas culturais do mundo, preservada desde o século XIII Os guineanos Fanta Konatê, Petit Mamady Keita e a Troupe Djembedon formada por artistas brasileiros farão duas apresentações no SESC Pinheiros, em São Paulo. Durante o espetáculo destaca-se a variedade de ritmos e dança provenientes da Guiné, que somados ao gingado brasileiro resulta numa explosão de alegria e vibração contagiantes. Não por acaso essa afinidade artística. A cultura e a tradição do povo Mandinga também fizeram parte da formação do brasileiro. “Palavras do nosso vocabulário, alguns pratos de nossa culinária e costumes são originados desses ancestrais africanos, uma riqueza incontestável”, comemora Luis Kinugawa, musicoterapeuta, diretor artístico da Troupe e fundador do Instituto África Viva www.africaviva.org.br . O show apresenta temas tradicionais Malinkês e contemporâneos dos balés de Conakry, ao som de diversos instrumentos de cordas e percussão, timbres e as virtuosas danças da África Oeste. As canções refletem a vida e arte das Savanas do Mandéng - região do Império de Mali -, com seus temas atemporais e profundos: o amor, o destino, a educação das crianças, a família, a natureza, os líderes, a relação social e material, a índole em muitas metáforas"... Perfis: Fanta Konatê é cantora e bailarina da Guiné, www.fantakonate.com filha do mestre percussionista Famoudou Konatê. Dança desde a infância e formo-se em quatro balés da Capital da Guiné, Conakry, além de pesquisar e aprender as danças ancestrais de sua aldeia natal. Petit Mamady Keita, iniciado na música pelo Pai de Fanta Konatê, www.famoudoukonate.com aos 3 anos de idade , documentado no filme "Djembefolá", sobre a vida de seu homônimo "Mamady Keita". Um dos poucos conhecedores da música das aldeias e também dos velozes e diversificados ritmos dos Balés de Conakry. Chegou ao Brasil para liderar a Troupe Djembedon, formada por quatro percussionistas brasileiros e Fadima Konatê, irmã de Fanta. Integrantes Troupe Djembedon: Fanta Konatê – cantora e bailarina Petit Mamady Keita – percussionista Luis Kinugawa - percussionista Fadima Konatê - bailarina Ivan Chaer - percussionista Thiago Barbosa – percussionista Kauê Belisário - percussionista Sobre a ONG África Viva Fundada em 2006 pelo musicoterapeuta brasileiro Luis Kinugawa, a ONG África Viva é resultado de uma pesquisa musical feita por ele durante os dois anos em que esteve na República da Guiné, país de origem dos tambores Djembê e Dununs, e, ainda, Senegal e Serra Leoa. Sem fins lucrativos, tem como principal objetivo viabilizar condições para o desenvolvimento humano pesquisando e promovendo culturas tradicionais da África Oeste, formada por três núcleos: Fanta Konatê e Troupe Djembedon, grupo profissional de dança e percussão guineana formado por três artistas africanos ,- as cantoras e bailarinas, Fanta e Fadima Konatê, e o percussionista “Petit Mamady Keita” - e quatro percussionistas brasileiros. Realizam shows desde 2003, com projeção multimídia desde 2005, performances em eventos sociais e workshops. www.fantakonate.com e www.myspace.com/fantakonate Instituto Famoudou Konatê, núcleo de difusão cultural e escola de percussão e dança da República da Guiné. Promove desde 2004 aulas regulares em São Paulo, oficinas em diversos estados, palestras e vivências para professores (Lei 10.639), jantares africanos, mostra de filmes, e viagem cultural à Guiné. www.africaviva.org.br Biomúsica sem Fronteiras, desde 1997, realiza trabalhos humanitários e sociais com a utilização de sons e movimentos, musicoterapia, percussão brasileira e africana, fusão de linguagens e culturas populares para o desenvolvimento individual e coletivo das potencialidades humanas. Já foram atendidas pessoas com necessidades especiais, população carente no Brasil e em ONGs Internacionais na África com refugiados, ex-combatentes e adolescentes de rua. A Biomúsica Recursos Humanos foi criada em 2006 e atua como uma ferramenta facilitadora de consultoria, “Team Building”. http://www.africaviva.org.br/biomusica_biomusica.php Local: SESC Pinheiros – Praça de Entrada Data e Horário: 10 e 11 de novembro, sábado e domingo, às 16h00 Endereço: Rua Paes Leme, 195 - Pinheiros - São Paulo - SP mapa de localização Telefone: 11 3095-9400 ou pelo email@pinheiros.sescsp.org.br Entrada Franca

9 de nov de 2007

"Painéis resgatam negros ilustres, branqueados pela História"

(Deu no Estadão, dia 08/11/2007. Por Valéria França). No mês de novembro, as ruas paulistanas viram uma galeria a céu aberto, ao receber imensos retratos de brasileiros negros, que marcaram a história do País. Eles serão instalados em 20 prédios públicos e particulares, como o Teatro Municipal e o Instituto Itaú Cultural, em forma de banners de 5 metros de altura. Os primeiros retratos começaram a ser instalados ontem. A foto da compositora Chiquinha Gonzaga - que escreveu, entre outras canções, a marchinha Ó, Abre Alas - foi pendurada na Sala São Paulo, no centro, e a do engenheiro Teodoro Sampaio, fundador da Escola Politécnica, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Essas mesmas fotos ainda serão espalhadas em 20 CEUs da capital, 11 pontos de atendimento do Poupatempo e 20 terminais de ônibus. A iniciativa é da secretarias de Cultura do Estado e do Município, que lançam a campanha Mês da Consciência Negra. As fotos ficam expostas na cidade até o final do mês. Além de mexer com a cara da cidade, elas podem provocar polêmica, já que algumas das personalidades não são reconhecidas como afrodescendentes pelas famílias. “É o caso de Nilo Peçanha, que tinha mãe negra, mas a família nega a raiz africana”, diz Dagoberto José Fonseca, professor de antropologia, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Araraquara. Ele pesquisou cerca de 100 nomes de brasileiros negros importantes, que serviram de base para a escolha dos 20 finalistas. “Quando entreguei a lista, avisei que era polêmica.” O fluminense Nilo Peçanha, elegeu-se vice-presidente de Afonso Pena em 1906 e, quatro anos depois, com a morte do presidente, assumiu seu posto. Na gestão de Peçanha, suas fotos foram retocadas para não transparecerem os traços marcadamente negros. “Nunca soube que Nilo Peçanha era negro”, diz o governador José Serra. “Para mim foi uma surpresa. Também não tinha idéia, até por ser de uma área distante da minha, que a Sociedade Brasileira de Psicanálise foi fundada por Virgínia Leone Bicudo, uma mulher negra.” Fonseca explica que a sociedade brasileira promoveu e promove uma espécie de branqueamento da cultura negra. “Chiquinha Gonzaga, por exemplo, foi interpretada no seriado da TV Globo pela atriz Regina Duarte, a namoradinha do Brasil”, lembra. “Existe um jeito bem brasileiro de estabelecer o processo cromático. O Brasil sempre quis ser europeu, mas não é. Os portugueses que chegaram aqui eram miscigenados.” Pelos critérios da exposição da Secretaria da Cultura, até mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que tem uma avó negra, poderia estar ali pendurado num prédio. Uma forma escolhida por colégios particulares para mudar o jeito brasileiro de encarar a participação dos negros na sociedade foi inserir o assunto na grade. “Este ano, os alunos estão estudando a cultura africana antes da chegada dos europeus na África”, diz Onofre Rosa, coordenador pedagógico da Colégio Bandeirantes, no Paraíso, zona sul. A escola chegou a discutir se fazia algo especial para o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro. “Achamos que poderia gerar preconceito e optamos por dar mais informações sobre o assunto o ano todo e não num dia só.”

7 de nov de 2007

7o Ilú na Mesa - "Mulheres no samba: uma conversa entre o samba paulistano e o baiano"

As convidadas do 7o Ilú na Mesa são: Nega Duda - Cantora e compositora do Bloco Afro e da Banda Ilú Obá De Min, baiana de São Francisco do Conde, cresceu ouvindo sua avó cantando para Cosme e Damião e outros Santos, sempre batendo na palma da mão e dançando. Sua maior influência musical é o samba de roda. Participou do grupo de dança Lindroamor, onde foi descoberta por um produtor francês e convidada para participar do Festival "Primavera dos Artistas" em Montpellier - França. Fabiana Cozza - Cantora, jornalista e atriz, filha do lendário intérprete da Camisa Verde e Branco -Oswaldo Santos lançou seu primeiro CD "O samba é meu dom" em 2004, recebendo duas indicações ao Prêmio Tim 2005 - Melhor Cantora de Samba e Artista Revelação no Prêmio Rival-Petrobrás 2005.Como atriz e cantora participou de vários musicais, dentre os quais "Rainha Quelé", em homenagem à Clementina de Jesus.Em 2007 lançou o seu segundo CD "Quando o Céu Clarear" , com participações especiais de Dona Ivone Lara, Quinteto em Branco e Preto e dos cubanos Julio Pádron e Yaniel Matos. Neste trabalho ela afirma: ser ela ali, com o samba, os tambores, com a música que se faz no Brasil há muitos e muitos anos e que dialoga com outros lugares do mundo. Claudete Pereira e Ana Rosa da Rocha - Moradoras de Mauá e integrantes do Samba Lenço, um grupo que existe a mais de 50 anos, cujo propósito é não deixar morrer o samba de origem africana, estas mulheres cresceram no samba e aprenderam com seus pais a tradição dos sambas do tempo da escravidão. Local: Ação Educativa - Rua General Jardim, 660 - Vila Buarque Data: 09/11/2007 Horário: 19:30h Informações: 7257-9235 iluobademin@yahoo.com.br www.iluobademin.com.br / www.acaoeducativa.org.br

6 de nov de 2007

“Seminário Negros Escritos” no Museu da Língua Portuguesa

Mesas de debate, bate-papos e sarau estão entre os eventos que vão acontecer no “Seminário Negros Escritos” durante o mês de novembro no Museu da Língua Portuguesa. Todos os eventos serão gratuitos e as inscrições devem ser feitas pelo e-mail: museu@museudalinguaportuguesa.org.br. A programação começa na terça, dia 06 de novembro, às 17h, com uma performance poética de Dirce Tomaz. Às 18h, a palestra “Homenagem aos grandes autores negros que marcaram a Literatura Brasileira” com Oswaldo de Camargo vai apresentar os maiores autores negros do Brasil. No dia 13 de novembro, às 17h, será realizada uma mesa de debates “Versos e Reversos da Literatura Negra Brasileira” com a presença de Raquel Trindade, Oswaldo de Camargo e Luiz Silva (CUTI). A mediação será feita por José Gaspar. Outro debate será realizado no dia 21/11, também às 17h: “Conceito de Raça” com a antropóloga Wilmihara Santos e Dr. Terezinha Bernardo. No mesmo dia, às 18h30, um bate-papo descontraído com leituras e vídeos vai mostrar os autores brasileiros negros dos mais diversos períodos como Cruz e Sousa, Lima Barreto e Machado de Assis. O evento será mediado por José Gaspar e terá Ana Paula Portela, Rita Camargo e Waltecy como convidados. O sarau “Encontro com Cooperifa e Quilomboje” terá recitação de poesias e músicas, no dia 24/11, às 17h, e finaliza a programação do mês da Consciência Negra. Programação: 06/11 - 17h – performance poética de Dirce Tomaz - 18h – palestra “Homenagem aos grandes autores negros que marcaram a Literatura Brasileira”. 13/11 - 17h - mesa de debates “Versos e Reversos da Literatura Negra Brasileira”. 21/11- 17h – mesa de debates “Conceito de Raça” - 18h30 – bate-papo sobre os autores brasileiros negros de diferentes períodos. 24/11 - 17h – sarau “Encontro com Cooperifa e Quilomboje”. Serviço: Museu da Língua Portuguesa Praça da Luz, s/nº, Centro São Paulo – SP CEP: 01120-010 Telefone: (11) 3227-0402

53ª Feira do Livro de Porto Alegre recebe a "A Poesia de Oliveira Silveira" em recital

No dia 9 de novembro, sexta-feira, às 20 horas, Vera Lopes, Glau Barros, Sirmar Antunes fazem recital de poemas de Oliveira Silveira, acompanhadas por Abiaxé e Djâmen, no Teatro Sancho Pança - Cais do Porto - na 53ª Feira do Livro de POA, com entrada franca. As músicas do Recital são poemas do poeta negro, gaúcho, contemporâneo, vivo, Oliveira Silveira musicados pelos gaúchos Pedro Homero, Luiz Wagner,Ronald Augusto, Marcos Faria e o baiano Miguel Arcanjo. Roteiro de Vera Lopes. *********** (Veja artigo de Ronald Augusto, de 17/10/2007, sobre a obra do poeta) Oliveira Silveira contra a metáfora chapa-branca. "Oliveira Silveira, poeta, nasceu em Rosário do Sul (RS) no ano de 1941. Publicou, entre outros, Germinou, Porto Alegre, 1968; Banzo, Saudade Negra, Porto Alegre, 1970; Pêlo Escuro, Porto Alegre, 1977; Roteiro dos Tantãs, Porto Alegre, 1981; Anotações à Margem, Porto Alegre, 1994. Todos livros de poesia. Seus poemas também já foram traduzidos, entre outras línguas, para o inglês e o alemão, e essas traduções apareceram respectivamente na revista Callaloo, The Johns Hopkins University Press (1995), e na antologia Schwarze Poesie, Edition Diá, 1988. De 1995 para cá, mais exatamente com a publicação do ensaio “Transnegressão” (in Presença negra no Rio Grande do Sul, org. Fernando Seffner, UE, Cadernos Porto & Vírgula, págs. 47-55), momento em que comecei a escrever de maneira mais crítica a respeito de poesia e coisas afins, o percurso textual de Oliveira Silveira tem sido objeto do meu interesse e da minha fruição. Cabe lembrar (e disso me orgulho) que mantemos um diálogo fraterno já há mais de 25 anos. Sobre sua poesia, entre outras coisas, posso adiantar ao leitor que Oliveira Silveira despreza a complexidade do “literário” convencido e convencional em benefício de outra espécie de complexidade, a saber, ele credita suas forças numa secura antes espartana do que cabralina. Oliveira é capaz de uma contensão e de uma elegância que só me permito associá-las à sempiterna e serpentina vanguarda da velha-guarda de todos os sambas. A metalinguagem do samba - que se dá a ver na mais ligeira recordação de alguns exemplos do seu cancioneiro -, desmente a concepção de que o uso da metalinguagem é uma prerrogativa viciosa e restrita à erudição de cunho burguês. Assim, como acontece na arte dos grandes sambistas, a nota metalinguística comparece na obra de Oliveira Silveira, mas de maneira não exibicionista. Oliveira, então, fala de poesia no poema, mas como se reconhecesse um discreto fardo contido nesta sorte de felicidade “arte-feita”. A gestalt severa e exata da poesia de Oliveira, sua brevidade grave e algo epigramática - considerada se quisermos a partir da perspectiva que reconhece uma vertente negra na literatura brasileira -, é emblema de ceticismo tanto em relação à ética do homem branco, quanto ao viés estético referendado pelo meio literário, representação especular, mas com suas particularidades, dos conflitos étnicos e sociais presentes sob o arco ideológico. Oliveira nunca perde de vista, no trato com a matéria verbal, que o que aí está em causa é a visão da poesia como arte, isto é, ele constrói o poema desde um ponto de vista estético. A poesia é uma coesão fundo-forma. A idéia ou o conteúdo são visados pelo poeta como dados estéticos e construtivos agenciados e relacionados a outros dados estéticos que compõem a estrutura do poema. Sua poesia, portanto, não cabe dentro dos limites reducionistas de uma “arte participante” ou engajada. A poesia de Oliveira Silveira se nutre de uma salutar desconfiança a propósito do poder de comunicação da metáfora. Silveira parece dar-se conta de que a naturalização da metáfora, sua precedência, por assim dizer, sobre outros elementos da função poética da linguagem, encobre um barateamento expressivo mesclado a uma afetação kitsch que está a serviço da mundanização da figura do poeta e de sua inserção filisteísta nos quadros de um sistema literário cada vez mais chapa-branca. Felizmente, imbricada em sua poesia elegante há a dose essencial de antipoesia. Os poemas de Oliveira Silveira continuam, portanto, críticos e, a cada dia que passa, menos alambicados. Um desaforo calmo aos medianeiros da metaforização indecorosa. Os versos de sua linguagem produzem uma estranha delicadeza que vela maliciosamente o cacto “áspero, intratável e forte”. Oliveira, o homem que inventou o 20 de Novembro. Tradutor de Aimè Cèsaire e Langston Hughes. Poeta que se atreveu a exercitar, hoje, o que nos restou do eco épico (Souzalopes dixit) sem cair em erro: refiro-me à obra Poema sobre Palmares de 1987, onde Oliveira tematiza e recria a experiência histórica e hoje canonizada do mais importante quilombo das Américas. Silveira, um dos poucos poetas que se banhou na líquida algaravia das línguas africanas. E mesmo não se dedicando por inteiro a uma franca experimentação poética, Oliveira, em alguns dos seus livros, tem contribuído com inteligentes exemplos de poemas que se fragmentam até a unidade mínima da palavra, isto é, a letra. Em tais poemas, suspensa na página branca, a letra quase deixa de ser letra ao “contornar” ou esboçar, digamos assim, desenhos metonímicos de atabaques, gaiola, banjo: em suma, todo um arranjo não-convencional, concorrendo para subverter a linearidade discursiva. Não tenho receio de afirmar que estes poemas ampliam consideravelmente as possibilidades de leitura da obra de Oliveira Silveira. E, finalmente, numa época em que a prática da autopromoção faculta a muito poeta de segunda categoria um lugar de destaque no florilégio medíocre das letras “locais” (Porto Alegre), o silêncio vil e incivil em torno do nome de Oliveira Silveira - sem esquecer que para isso contribui a sua orgulhosa e solitária modéstia - pode ser interpretado como um sinal de distinção. Em resumo: quem não leu ainda a poesia de Oliveira, seja por imperícia, seja por má-fé, que não atrapalhe". (Nas fotos, o poeta Oliveira Silveira e a atriz Vera Lopes).

5 de nov de 2007

Lançamento de "Filosofia da Ancestralidade: corpo e mito na filosofia da educação brasileira".

Lançamento - Filosofia da Ancestralidade: Corpo e Mito na Filosofia da Educação Brasileira do Prof. Dr. Eduardo David de Oliveira Data: 10 de novembro, às 9:30 Local: FEMPAR- Fundação Escola do Ministério Público do Paraná. Rua XV de Novembro, 964. 5º. Andar. Centro - Curitiba- PR ( próx. ao Teatro Guairá) Informações: IPAD BRASIL: Instituto de Pesquisa da Afrodescendência Rua José Loureiro, 464. conj. 94. Centro. Curitiba- PR Fone/Fax: (41) 30 180993. Site: www.ipadbrasil.com.br E-mail: ipad@negro.brte.com.br Sobre o autor: Eduardo David de Oliveira (Duda) é Doutor em Educação Brasileira pela UFC; Mestre em Antropologia Social pela UFPR; Especialista em Culturas Africanas e Relações Interétnicas na Educação Brasileira; Graduado em Filosofia pela UFPR. É Professor de Filosofia e Antropologia da Educação de UFRB; Ativista do Movimento Social Negro; presidente do IPAD BRASIL.

3 de nov de 2007

Novo olhar do cinema africano, 02, 03 e 04/11/2007, em Sampa

A Cinemateca Brasileira exibe os 11 documentários que compõem, ao lado de obras de ficção, a coleção Novo olhar do cinema africano, organizada pela Cinemateca da Embaixada da França. De produção recente, os documentários captam diversos aspectos da realidade do continente africano: as guerras étnicas, as marcas deixadas pela violência da colonização européia, os conflitos entre tradição e modernidade, a música e a cultura africanas. Além disso, muitos filmes partem da experiência biográfica de seus diretores, que retornam anos depois à sua terra natal – a África – para revisitar antigas memórias. Onde: SALA CINEMATECA / PETROBRAS Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana. São Paulo. Próximo ao Metrô Vila Mariana. Outras informações: 3512-6111 (ramal 210) / 3512-6101. www.cinemateca.gov.br ENTRADA GRATUITA / PROGRAMAÇÃO: 02/11 – sexta 19h00 Memória entre duas margens: de Frédéric Savoye e Wolimité Sié Palenfo. França/Burkina Faso, 2002, cor, 90’. Exibição em DVD. A história da colonização francesa em Lobi, região a sudoeste de Burkina Faso,e a memória dolorosa de seus habitantes. 21h00 Rastros, pegadas de mulher: de Katy Léna Ndiaye. França/Bélgica/Burkina Faso/Senegal, 2003, cor, 52’. Exibição em DVD. Partindo do conflito entre tradição e modernidade, o filme trata da relação entre três anciãs e uma jovem que é iniciada nas técnicas ancestrais da pintura mural kassena. 03/11 – sábado 16h00 Si-Gueriki, Rainha-mãe: de Idrissou Mora Kpai. França/Alemanha/Benin, 2002, cor, 62’. Exibição em DVD. Depois de 10 anos de ausência, Idrissou Mora Kpai volta ao Benin para rever a família.. 17h30 Ruanda in memoriam: de Samba Félix N’Diaye. França/Senegal, 2003, cor, 68’. Exibição em DVD. Entre abril e julho de 1994, o massacre dos tútsis e dos hútus moderados fez um milhão de vítimas. Pela iniciativa do Fest'Africa, autores africanos encontraram-se para uma oficina 4 anos depois. Em maio de 2000, durante o lançamento de obras inspiradas nessa experiência, escritores e artistas reúnem-se em Ruanda. 19h00 House of love: de Cécil Moller. França/África do Sul/Namíbia, 2001, cor, 26’. Exibição em DVD. Documentário sobre a prostituição no porto de Walvis Bay, na Namíbia. Poeira urbana (Poussières de ville), de Moussa Touré. França/Congo/Senegal, 2001, cor, 52’. Exibição em DVD Um grupo de crianças de rua sai dos tabuleiros de um mercado de Brazzaville, onde passaram a noite. Moussa Touré os descobre e passa a registrar suas perambulações pela cidade, atrás de comida e de pequenos biscates. 20h30 Xalima la plume: de Ousmane William M'Baye. Senegal, 2003, cor, 51’. Exibição em DVD. Precursor da música folk senegalesa, Seydina Insa Wade ficou famoso nos anos 1970. Nos anos 1980, mudou-se para França e, aos poucos, foi esquecido pelos conterrâneos. Ao sentir que a juventude senegalesa mal o conhecia, voltou a Dacar para gravar seus últimos trabalhos. 04/11 – domingo 16h00 Zimbabwe: contagem regressiva, de Michael Raeburn. Zimbabwe/França, 2004, cor, 55’. Exibição em DVD. Um retrato dos acontecimentos que, a partir de 2000, mergulham o Zimbábue no caos e na falência. 17h30 Contos cruéis de guerra, de Ibéa Atondi e Karim Miské. França/Congo/Mauritânia, 2002, DV Cam, cor, 51’. Exibição em DVD. Uma reflexão sobre os conflitos bélicos que atormentam a África contemporânea. 19h00 Férias em casa, de Jean-Marie Téno. França/Camarões/Alemanha, 2000, 35mm, cor, 75’. Exibição em DVD. Jean-Marie Téno volta à sua terra natal – os Camarões – para apresentar um inventário irônico do país. 20h30 Wa n'wina, de Dumisani Phakathi. África do Sul, 2001, cor, 52’. Exibição em DVD. Dumisani Phakathi volta à sua cidade, na África do Sul, para captar a vida da comunidade nos tempos duros da Aids. Câmera em punho, ao acaso dos encontros, o cineasta conversa com amigos de infância.

1 de nov de 2007

Estreei no teatro!

A Cia dos Comuns, dirigida pelo dileto amigo Cobrinha, é o palco da minha estréia dramatúrgica. Modesta, constituída por fragmentos de um dos três textos enviados por mim para o novo espetáculo da trupe - "Silêncio" - sobre os efeitos do racismo no corpo e na alma das pessoas discriminadas. Cobrinha me pediu algo que soltasse pus. Para conhecer o processo de construção das "experiências" (nesse espetáculo não há personagens) fui a um ensaio, vi seis horas de trabalho contínuo, transcorridas como fossem duas. Fiquei estupefata com a performance corporal, com as coreografias, com a densidade dramática de atrizes e atores tão jovens. Conversei com o grupo, ouvi suas histórias, contei as minhas. Agora estou louca pra ver o espetáculo. Enquanto isso, registro aqui o texto do qual sairam trechos integrados à construção coletiva de "Silêncio". TEXTO 1 Ele vem à noite e não me traz flores. Entra pelo telhado, se joga em minha cama, abre minhas pernas, rouba meus sonhos e eu me despetalo. Mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer. A gata grita no telhado de onde ele veio. Dizem que pinto de gato tem espinhos. Machuca. Eu também grito no bumbo do meu peito: DE-SEN-GA-NO, DE-SA-LEN-TO, DE-SA-TEN-TO, DE-SEN-RE-DO, DE-SI-LU-SÃO. Ele me come e eu olho o teto. Vejo os meninos correndo, os filhos que ele não quer ter comigo. Os dele balançam os cabelos ao vento. Saíram à mãe, me diz orgulhoso. Eu dou a ele me olhar de mar... de água de choro, doída por saber que ele não quer ter filhos parecidos comigo, nem parecidos com ele. Se reclamo do sexo de gato, dos encontros furtivos, ele me diz que sou a mulher da vida dele, igual a ele, de pele e alma. Só na minha cama ele dorme tranqüilo por algumas horas durante a semana. Na cama de todo dia não consegue dormir, fica em vigília, um olho aberto, o outro fechado. Diz que o inimigo dorme ao lado. Por isso ele está sempre em riste e mete por cima para ela saber quem manda. E dá uns tabefes nela para lembrar que é o senhor da força. De uns tempos para cá parou de bater, só ameaça para manter a pose, depois de levar uns tabefes na delegacia. Na guerra é assim, minha filha, o vencedor come a mulher do inimigo. Você não entende? Eu mato um leão por dia. À noite preciso de uma presa mais fácil para abater. Não quero um espelho para ver meu rosto cansado, quero a mulher do inimigo, para me sentir vitorioso e para fazer filhos que não se pareçam comigo, que sofram menos do que eu. Se você quer compreender minha arte, é bom saber o que retrato em meus quadros. A deformação das mulheres é a busca da beleza, da alegria, do amor amado e respostado. É a busca da mulher que tenha forças para animar um projeto de construção de si mesma, que gere flores e poesia, a partir das cinzas e dos escombros.