Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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29 de dez de 2009

2009-2010!

São inevitáveis, ao fim de cada ano, as avaliações dos 365 dias vividos e da vida por extensão, ou da vida em primeiro plano, tendo o ocaso do ano corrente como mote. Tenho pensado e conversado com alguns amigos sobre o tema da honestidade intelectual. Sobre a necessidade vital de dar nome aos que nos influenciam, aos que nos injetam ânimo, aos que nos tiram do lugar com suas idéias inquietantes, àqueles aos quais somos tributárias(os). Ao mesmo tempo, desprezo o pensamento que se locupleta do pensamento de outrem e não o nomina. Às vezes, quando os amigos me mostram como isso acontece na blogosfera fico irritada, noutras, rio um riso de escárnio e segue a vida, porque há brigas que não quero comprar (prezo a honra e travo o bom combate), diálogos impossíveis de desenvolver, pois o autoritarismo é essencialmente não-dialógico. Continuaremos em 2010 apresentando idéias, pouco importando que os covardes se valham delas sem referi-las. Das coisas boas do ano (e da vida) há as flores e o perfume do caminho. O Pentes é minha flor mais bela, como Ayana, minha personagem. Ah... como foi trabalhoso (e compensador) produzir esta novela. A produção é o processo todo, vocês sabem, mais do que a escritura. Escrevi o livro em cinco dias, exatos. Antes de trabalhar no computador desenvolvi vários trechos à mão, escrevi muita coisa na cabeça, depois coloquei tudo e mais um pouco na tela durante as manhãs dos tais cinco dias. Revisava durante as tardes e noites o que havia escrito pela manhã, reescrevia os registros à mão, lia até cansar – na tela, em papel, de pé, deitada, na cozinha, na sala, na varanda, de cabeça para baixo -, para testar a sonoridade da palavra e acertar o ritmo da narrativa. Depois de escrito, mais uns três meses de trabalho da linguagem. Primeiro foram as leituras críticas e tantas boas sugestões vieram. Também alguns comentários tortos que serviram para robustecer a certeza de algumas escolhas. Alguém me perguntou, por exemplo, se os personagens eram negros, pois isso não ficava “claro”. Disseram-me também que as personagens não “mereciam” os nomes que as batizavam - Abayomi, Ayana, João Cândido, Onirê, Aganju, Ainan, Zazinho, Ayrá, Aroni, dentre outros -, haja vista o fato de “não demonstrarem consciência sócio-racial”. Eu estava no caminho certo, concluí. Esta é a literatura que desejo, a tal “consciência sócio-racial” não me interessa. Outra leitora acusou-me de exagero na escolha dos nomes de origem africana. Disse que forço a mão, não são usuais e são conhecidos num círculo muito fechado. Por fim, este exagero emprestaria um caráter artificial ao livro. Recorri à Aritimética para contra-argumentar. Há no Pentes sete nomes próprios de origem africana, dois de origem tupi-guarani, catorze nomes “comuns”, ocidentais ou ocidentalizados, sete personagens sem nome e três grupos de apoio compostos por personagens cujos nomes são vulgarizados na cultura de massas (Rin-tin-tin, Lassie, Tornado, Corcel Negro, dentre outros). O suposto excesso só poderia vir do incômodo causado pela força vital da África! Aos olhos desacostumados (ou refratários), a pulsão da africanidade é uma ameaça à hegemonia branco-européia. Dentre os vários comentários oportunos, destacarei um, aquele que, em várias nuances me ajudou a cortar aspectos militantes do texto e me trouxe de volta à literatura. Esta literatura transbordante de africanidades que me localiza na cena. E aí, quando achava que o livro estava pronto para ser entregue à editora e publicado, ela o recusa, peremptoriamente. Esbravejei, me retorci em cólicas, discuti asperamente com a editora, desqualifiquei os argumentos dela. Passada a cólera, coloquei minha violinha no saco e voltei ao texto. Continuo discordando de todos os argumentos apresentados, à exceção de um, essencial, a saber, o formato inovador que eu jurava ter adotado não atingiria o público infanto-juvenil, tal qual a versão publicada atinge. Neste sentido, este comentário de Maria Mazarello foi fundamental para definir a pegada de um livro que pretendia ser lido por determinado público. Refiz o que merecia ser refeito e mantive minhas certezas. Deu certo! Veio a segunda fase de leituras críticas e o momento delicioso de acertar detalhes, pois o texto já estava pronto, maduro para ser apresentado aos leitores. Quanto ao público, eu duvidava do interesse das crianças, achava que o Pentes seria lido e “compreendido” por adolescentes e gente mais velha, mas, tenho tido a surpresa feliz do diálogo com os pequenos, que têm sugerido muitas coisas, algumas já incorporadas no meu primeiro romance para crianças, escrito, revisado e pronto para as leituras críticas no mês de janeiro de 2010. Quanto à minha editora, finalmente se rendeu ao Pentes e reconhece seus méritos. Quanto a mim, fazer o caminho consciente das escolhas é imperativo. Saber por onde vou e porque vou são buscas constantes. Isso me dá tranqüilidade para deixar o imponderável operar sem grande resistência.

28 de dez de 2009

Paulo César Pinheiro lança primeiro romance

(Texto de divulgação). "Paulo César Pinheiro, conhecido letrista da música popular brasileira, leva para as páginas literárias sua experiência em contar histórias e publica seu primeiro romance, Pontal do pilar (Leya, 136 pp., R$ 34,90). O livro tem ilustrações de Marcílio Godói e narra a saga dos moradores de um povoado, local imaginário e esquecido pelo progresso. O sonho de escrever um romance acabou se desenhando às vésperas do carnaval de 2008. Mais especificamente entre 1 e 10 de fevereiro daquele ano, ou seja, em apenas dez dias, Pinheiro diz que “psicografou” a história de Zambiano, Zulina, Coré, Quiango, Quiloma, Quanzo, Zindo, Duilio, Culimara, Deodora, Maiana, Jordel, Véia Jamila, Ninda e tantos outros habitantes da imaginária Pontal do Pilar. Entre uma ponta e outra do livro, personagens místicos, sobrenaturais. História de gente do povo, costumes antigos, lendas, seres da terra, oriundos da natureza, uma parideira, um lobisomem".

26 de dez de 2009

"Segurança nacional" dá ao Brasil seu 1º presidente negro

(Do portal G1): "Depois de Barack Obama, em 2010, o Brasil também terá seu primeiro presidente negro. Pelo menos nas telas do cinema. Em "Segurança nacional", longa-metragem que tem previsão de estreia para maio do ano que vem, o ator Milton Gonçalves encarna o presidente da República em um thriller de ação policial dirigido por Roberto Carminatti. Filmado em 2006, com direito a cenas dentro do Aerolula, nome popular do avião presidencial do governo brasileiro, o longa gira em torno de uma disputa entre o presidente, a Abin (agência nacional de inteligência), a Força Aérea Brasileira e o Exército contra traficantes latino-americanos que ameaçam a região de fronteira amazônica. Na trama, Thiago Lacerda interpreta um agente policial. Também estão no elenco os atores Ailton Graça, Gracindo Júnior e Angela Vieira. "Segurança nacional" tem previsão de estreia para maio de 2010".

18 de dez de 2009

Marvel publicará quadrinhos feitos por mulheres

(Do Universo HQ, por: Sérgio Codespoti). "Segundo o The Beat, a Marvel Comics vai lançar, em março de 2010, a antologia Girl Comics, de três partes, produzida apenas por mulheres. A série vai ser escrita, desenhada, arte-finalizada, colorida, letrerada e editada por mulheres. O logo, o design interno, a produção gráfica a revisão, tudo será feito por elas. Apesar disso, as histórias não se destinam apenas ao público feminino e nem mesmo seus protagonistas são apenas mulheres. O Quarteto Fantástico e o Justiceiro estarão entre os personagens de Girl Comics".

17 de dez de 2009

"Sim, é necessária uma nova Abolição"

(Por: Milena Almeida e Angélica Basthi, em 15/12/2009). "Cabe lembrar que nova Abolição é um lema que, apesar de ter sido elaborado na década de 1920, não está totalmente obsoleto. Os afro-descendentes ainda se encontram em posição de desvantagem em relação às pessoas brancas no Brasil." (Petrônio Domingues) "Em 27 de outubro, o professor-doutor Muniz Sodré publicou um artigo no site Observatório da Imprensa cujo título era "É necessária uma nova Abolição?". No artigo, Sodré critica o tratamento tendencioso da grande imprensa na cobertura sobre Ações afirmativas – mais especificamente as cotas universitárias – e questiona a opção dos "jornalões" em favorecer a publicação de conteúdo contrário ao sistema. Ocorre que, no dia 03 de novembro, Demétrio Magnoli, colunista de veículos conceituados como a revista Época e o jornal Folha de S. Paulo, publicou uma "resposta" desrespeitosa intitulada "Matem os escravistas" onde ataca Sodré com ironia. Com um discurso enviesado, Magnoli deprecia os argumen tos de Sodré e o árduo trabalho que vem sendo construído pelo movimento negro brasileiro na luta contra o racismo ao longo da história do Brasil. Numa suposta tentativa de criticar o "método" utilizado por Sodré, Magnoli menospreza a "consistência interna" do texto de Muniz, segundo ele, causado pelo seu posicionamento ideológico, e classifica o discurso de Sodré como "violência verbal". Melhores argumentos É no mínimo espantoso reconhecer que alguém que ostenta um título acadêmico como o Sr. Demétrio Magnoli nega para si mesmo e para a opinião pública a existência de injustiças originadas pelo racismo enraizado na estrutura da sociedade brasileira. Reza a máxima que o título acadêmico deveria garantir maior capacidade de análise dos fatos sociais. É igualmente espantosa a cegueira que o Sr. Demétrio representa – e hoje é seu principal porta-voz – ao negar sistematicamente a existência do deseq uilíbrio no caráter dos artigos e no conteúdo das reportagens publicadas nos veículos da grande imprensa brasileira. Em sua "resposta", o Sr. Demétrio desafia Sodré a provar este suposto desequilíbrio. Magnoli ignora o fato de que determinados veículos da grande mídia propõem uma agenda-setting unilateral e, com isso, contribuem para o desaparecimento do princípio da imparcialidade na imprensa, tão caro à sociedade brasileira. É impossível acreditar hoje em dia que os veículos de comunicação são unanimemente éticos e imparciais. Um dos grandes problemas desta premissa é encobrir o fato de que algumas opiniões editoriais invadem o campo das matérias e reportagens, que deveriam ser imparciais. Ao invés destes veículos de comunicação terem como foco o serviço de utilidade pública, acabam se transformando em juízes e algozes da realidade que nos cerca. Se antes de escrever vorazmente contra as ações afirmativas – e duvidar da veracidade e do compromisso ético de acadêmicos dignos de todo respeito como Muniz Sodré –, o Sr. Magnoli deveria ter recorrido às pesquisas acadêmicas que estão sendo realizadas neste momento. Talvez assim ele apresentasse melhores argumentos para duvidar da existência de um posicionamento parcial de alguns setores da grande imprensa no Brasil. Trata-se ou não de desequilíbrio? Os pesquisadores João Feres e Veronica Daflon, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), por exemplo, realizaram recentemente uma análise dos textos publicados pela revista Veja sobre as ações afirmativas entre 2001 e 2009. Foram analisados 66 textos e artigos sobre o tema de janeiro de 2001 a junho de 2009, sendo 39% colunas assinadas e 38% reportagens. Deste total, 77% continham avaliações negativas sobre as ações afirmativas raciais e apenas 14% favoráveis. Se tivesse feito essa consulto, o Sr. Demétrio descobriria, por exemplo, que deste universo, 19 reportagens são contrárias às ações afirmativas e apenas três são favoráveis. Em relação às colunas na revista Veja no período, 20 foram contrárias e apenas quatro favoráveis. Trata-se ou não desequilíbrio? Feres e Daflon identificaram que a partir de 2005, quando as políticas de cotas estão consolidadas no ensino superior público do país, as raras manifestações favoráveis às ações afirmativas simplesmente desapareceram da revista Veja. Feres e Daflon analisaram ainda os títulos e suas mensagens explícitas na revista neste período. Um dos exemplos são os títulos "O grande salto para trás" e "Cotas para quê?", ambos publicados em 2005. Ou ainda a reportagem em 2007 sobre o caso de um professor da Universidade de Brasília acusado de racismo, cujo título era "A primeira vítima". Todos os títulos já evidenciav am a parcialidade nua e crua da revista Veja. O artigo do colunista Diogo Mainardi, cujo título era "O quilombo do mundo", demonstra a sua dita "criatividade" a serviço da intolerância como "o Brasil macaqueou o sistema de cotas raciais dos Estados Unidos" ou sobre "a chance para acabar de vez com o quilombolismo retardatário que se entrincheirou no matagal ideológico das universidades brasileiras". Trata-se ou não de desequilíbrio? Nomenclatura de assuntos investigados Vamos agora aos "jornalões". Um estudo realizado pelo pesquisador Kássio Motta para o Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) analisa o caso do jornal O Globo no período de março de 2002 a julho de 2004. De acordo com o levantamento, no total foram publicados 55% de textos negativos e 15% de textos positivos sobre as cotas. Neste contexto estão 34% de matérias negativas contra 6% posit ivas, e 66% de editoriais e artigos negativos contra 34% positivos. Outra vez questionamos: trata-se ou não de um desequilíbrio? Outra pesquisa, desta vez encomendada pelo CEERT ao Observatório Brasileiro de Mídia, observou os jornais Folha, Estado e Globo, dos quais se extraiu 972 textos publicados entre 1º de janeiro de 2001 e 31 de dezembro de 2008, além de 121 textos veiculados pelos semanários Veja, Época e IstoÉ, totalizando, portanto, 1.093 escritos – incluindo reportagens, editoriais, artigos e colunas. Os assuntos investigados foram agrupados a partir da seguinte nomenclatura: cotas nas universidades; ação afirmativa; quilombolas; estatuto da igualdade racial; diversidade racial (incluindo racismo, discriminação racial, etc.) e religiões de matriz africana. Leitura indispensável Fechando o foco nos textos de jornais, cinco tópicos merecem especial atenção: 1) desagregando-se o tema das cotas nas universidades, os textos opinativos somaram, no caso da Folha, cerca de 28% do total de ocorrências, sendo evidente a freqÃ?ência mais alta das reportagens em comparação com as opiniões; 2) examinando-se os textos opinativos da Folha sobre cotas nas universidades, 46,7% posicionaram-se abertamente contrários, número elevado, mas não configuram a totalidade das opiniões; 3) o Globo sobressai em relação aos seus concorrentes no que se refere a uma orientação anticotas mais organizada e institucionalizada, tendo sido o único jornal em que os textos opinativos foram mais freqÃ?entes do que as reportagens – 53,1% e 28,1% respectivamente, quando o assunto é cotas nas universidades; 4) as pesquisas ocupam apenas 5% dos textos e são aludidas quase que exclusivamente nas reportagens (83%), aparecendo muito raramente nos tex tos opinativos (8,3%); 5) a parcialidade da mídia impressa suscita preocupação inclusive nos seus próprios mecanismos internos de fiscalização, o que pode ser ilustrado por uma manifestação emblemática do ombudsman da Folha publicada em meados de 2006. Portanto, quando Sodré questiona sobre uma nova Abolição, não se trata de um "pressuposto factual falso", como diz o Sr. Demétrio. Provavelmente, este Sr. desconhece toda leitura indispensável para construir um argumento com seriedade, tais como o livro A nova Abolição (2008), do historiador PetrÃ?nio Domingues. Na obra, é possível aprender que a expressão foi citada pela primeira vez no dia 13 de maio de 1924, como manchete principal do primeiro número do jornal O Clarim da Alvorada, importante veículo da história da imprensa negra no período. A luta pelos direitos fundamentais Já naquela ocasião a defesa de uma nova Abolição propunha uma transformação radical na sociedade brasileira para garantir a justiça e a igualdade racial. Quase 90 anos depois, essa expressão mantém sua mensagem viva. O Brasil continua com o desafio de garantir a justiça e a igualdade de direito para todos. Vale lembrar também que Muniz Sodré está amparado por uma clarividência histórica acompanhando por extensa lista de pensadores, pesquisadores e intelectuais como Kabenguele Munanga, Abdias Nascimento, Sueli Carneiro e tantos outros. É por isso que nós, afro-descendentes, integrantes do movimento negro, profissionais de imprensa, intelectuais e acadêmicos declaramos publicamente que Muniz Sodré desfruta do nosso total apoio neste posicionamento em favor da pluralidade de opiniões e reportagens nos "jornalões" e demais veículos de comunicação sobre as ações afirmativas, em especial, sobre as cotas nas universidades públicas. Lembrand o que resta ainda uma longa caminhada até atingirmos a plenitude do princípio da igualdade no Brasil. Jamais haverá igualdade onde as pessoas se encontram em condições desiguais na luta pelos seus direitos fundamentais".

14 de dez de 2009

Notas sobre um processo de criação literária, ao poeta Rique Aleixo

Querido amigo, quando convidada a escrever este texto para a revista “Matriz”, sobre arte negra (especialmente artes de performance) a ser lançada durante o IV Encontro de Arte de Matriz Africana, em Porto Alegre, RS, neste dezembro, imediatamente, pensei em você e em nossas iluminadoras conversas. Lembrei-me daquela tarde de chuva no LIRA em que eu tomava chá de erva-cidreira e você um cálice de cachaça, enquanto registrava o papo em seus arquivos audiovisuais. Falamos sobre tantas coisas: filhas, família, Belo Horizonte / Velhorizonte e muito sobre criação literária. Meses depois, irrompi em sua casa, via Grambel, para ouvir sua opinião de mano mais velho a respeito do dilema pessoal que vivia: para enfrentar apertos financeiros, precisava voltar o mercado formal de trabalho e interromper o ano sabático auto-financiado de dedicação exclusiva à literatura. Exclusividade aqui é eufemismo para o trabalho remunerado autônomo que desenvolvia à época, diferente da operária do intelecto que voltei a ser. E você me disse uma daquelas frases elegantes e inspiradoras: “Cidinha, crie um lugar no mundo para aquilo que você faz. Não existe um lugar pra gente, é preciso criá-lo. Há 31 anos venho fazendo isso com minha arte. Invento um lugar de existência para ela”. Queria te contar que estou criando meu lugar no mundo, Rique. Aproveito para agradecer pelo lampião. Não é um caminho propriamente duro, de sofrimento, não, mas é um caminho trabalhoso, armadilhoso, para parafrasear o Rosa. Meu primeiro passo tem sido compreender e assimilar minhas mudanças de perspectiva no seguinte trajeto: ativista / artivista / artista. Lembro-me de um comentário irônico feito por ti sobre minha definição como artivista, postado no Jaguadarte : “Ela se diz artivista”. Não pense que passo incólume às suas ponderações. Já posso me definir como artista, Rique (e nem estou falando baixinho). Descobrir e encontrar a mim mesma como artista tem redimensionado meus sentidos de Sul e Norte e, por vezes, a bússola orientadora se desgoverna, acuada pela premência do trabalho operário-intelectual de sustentação do cotidiano de consumidora e contribuinte. A descoberta também tem me levado a consolidar as distinções entre o trabalho da alma - a literatura -, e o trabalho que precisa ser feito. Dentre as armadilhas referidas está a distinção entre a chave e a fórmula. Explico: Drummond, em algum momento da vida poética, disse que os escritores precisavam ter a chave para gerar literatura. Muita gente tem a fórmula, não é? Fórmula para seduzir o leitor; para atender às exigências mercadológicas das editoras; para emplacar livros nas compras institucionais do Estado; para vencer certos concursos viciados; para agradar sem comover, sem divergir, sem revirar, embora de maneira competente. Que Zambi me proteja da tentação da fórmula e me conceda a graça da chave. Embora seja uma mulher de Kissimbi e manifeste muito da minha fertilidade no trabalho, não quero parir literatura como uma coelha e assim, fazer coro a certos autores: “Já escrevi tanto livro que nem sei mais...” Naquilo que me cabe, sou prolífica, é característica de personalidade ou de essência, mas não almejo as cifras coelhais. Desta forma o ofício de escrever perde a magia, assemelha-se àquelas pessoas namoradeiras que esquecem (ou confundem) as nuances do gozo da dita pessoa amada. Penso que escrever literatura é caminhar na estrada do tempo, às vezes sobre o fogo. Não sei se isso vale para qualquer arte, mas se amálgama ao meu modo de oficiar a literatura. Outro ofício me socorre para compreender o meu, o de quem faz pão. Um padeiro escolhe bem os ingredientes e instrumentos de trabalho para produzir o melhor alimento. Domina a técnica para preparar a massa. Sova a massa, macera até deixá-la no ponto de assar. Porém, antes de escolher a temperatura adequada para a fase final da feitura, a massa descansa para crescer. Depois recebe os detalhes de acabamento. E quando vemos aquele pão bonito, corado e delicioso, não imaginamos o trabalho investido para prepará-lo. Escrever literatura é como fazer pão. Lembra-se quando trocávamos e-mails às cinco da manhã, Rique? Pois é, continuamos madrugadores, não é? Acho cômico o susto de algumas pessoas quando conto que acordo muito cedo para escrever e procuro fazê-lo todos os dias da semana, naquele horário, antes de sair para o trabalho no escritório. Parece que, no entendimento delas, a disciplina mata a criatividade. Engano bobo. O que faço é dedicar a mim mesma, as melhores horas do dia. Lamento, apenas, não conseguir estendê-las. A disciplina me organiza e estrutura. O trabalho diário no blogue me apóia muito nesta matéria. Adélia Prado critica a pretensão do artista ao descrever o próprio processo criativo. A criação estaria no campo do divino e não nos seria dado retratá-la. Como mulher mais jovem do que ela e distante da sabedoria Adeliana, ouso apontar uma característica ou outra do meu processo, tudo interligado à liberdade que a literatura me oferece. A busca da disciplina é uma delas, já disse. Gosto de manter meus arquivos organizados, embora minha mesa de trabalho (em casa) não o seja. Gosto de ter cadernos e cadernetas bonitos para fazer anotações, canetas de várias cores e lápis apontados. Sempre que possível, uso protetores nas canetas e lápis, como um carinho aos dois calos desenvolvidos no fura-bolo, nos tempos em que o computador não era o instrumento privilegiado para escrever. Antes de mergulhar na escritura de um novo texto e mesmo durante o processo, tenho fome visceral de leitura. A música também me acalenta, além de levar a buscar a incisão do verso para minha prosa, a liberar emoções teimosas, remosas. A música faz fruir, enfim. Reescrevo uma frase incontáveis vezes até que a leitura oral do texto tenha o ritmo, a cadência e a harmonia pedidos pelo meu ouvido. Não dou um trecho por terminado enquanto a sonoridade dele não me agrada plenamente. Faço marcação de zagueira taticamente aplicada às muletas do texto criativo. Aspirantes a estrelas, os “quês” e “mas” tentam roubar a fluidez da escrita, principalmente na literatura para crianças e adolescentes. Não abro mão das leituras críticas e das consultas aos dicionários antes de publicar. Elas me trazem para a terra e partindo da terra vôo com mais segurança. Você se lembra, Rique, há uns vinte anos, num seminário sobre cultura negra no Brasil e nos EUA, realizado em Belo Horizonte, você ou nosso amigo Edimilson - não me lembro quem foi -, citou a resposta de Wole Soyinca à indagação sobre sua negritude e o pioneirismo africano na premiação do Nobel de Literatura? “Um tigre não anuncia sua tigritude, ele ataca”. Lembra? Estou no ataque, mon ami. A retaguarda da palavra está garantida pelos N’kices, pelos ancestrais e pelos mais velhos. Os mais novos me puxam pela mão e sigo, resoluta, o caminho do meu tempo.

11 de dez de 2009

Grupo Caixa-Preta realiza o IV Encontro de Arte de Matriz Africana em Porto Alegre

(Texto de divulgação). "Ocorre, de 14 a 20 de dezembro, o IV Encontro de Arte de Matriz Africana realizado pelo Caixa-Preta, desde 2006, visando promover uma aproximação entre as diversas modalidades artísticas de matriz africana, de teatro, dança, artes plásticas e cinema do Rio Grande do Sul e do Brasil. O evento possibilita a troca de experiências, pesquisas estéticas e conhecimentos ocupando espaços tradicionais dedicados às artes cênicas. É uma celebração à diversidade e à brasilidade, marcada pela afirmação das múltiplas identidades populares. As atividades ocorrerão no Teatro de Arena, no Teatro Renascença e na Sala Álvaro Moreyra, entre outros espaços de Porto Alegre A cada ano, é eleito um eixo temático. Na primeira edição, a aproximação dos grupos; na segunda, a noção de quilombos culturais, por meio dos espaços dos realizadores, e para esta edição o eixo escolhido é o teatro e a dança negros e suas linguagens contemporâneas. Segundo Jessé Oliveira, o objetivo do encontro é “criar uma rede solidária entre estes agentes propiciando o debate sobre uma política cultural que garanta a continuidade e o aperfeiçoamento das ações realizadas pelos grupos de teatro e dança negros e sua sobrevivência”. Durante sete dias, o Caixa-Preta, em conjunto com a Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre e outros colaboradores, promoverá apresentações de espetáculos, leituras dramáticas, mostras fotográficas, oficinas e debates sobre a produção artística negra, favorecendo a discussão sobre a arte de matriz africana e estabelecendo parâmetros estéticos com vistas a propor novos modelos. Todas as atividades terão entrada franca. A quarta edição trará novidades, entre elas o espetáculo “Ensaio Sobre Carolina”, do Grupo Os Crespos, formado por Gal Quaresma e Sidney Santiago e o “Espetáculo”, de Luiz de Abreu (“Samba do Crioulo Doido”), além de Júlio Moracen (Cuba), Toni Edson (Florianópolis) e Evani Tavares (Salvador) e Hilton Cobra (Rio de Janeiro). Também haverá a estréia do mais recente espetáculo do Caixa-Preta, “Estudo sobre O Osso de Mor Lam”, a partir do texto "O Ossso de Mor Lam", do senegalês Birago Diop, sob direção de Jessé Oliveira, sendo a primeira incursão do grupo à dramaturgia africana. Depois do impacto de obras como “Hamlet Sincrético” e “Antígona Br”, o Grupo investe numa linguagem despojada, abusando da convenção teatral como recurso cênico. O IV Encontro de Arte de Matriz Africana destacará, ainda, o espetáculo de dança “Chão”, da companhia Xirê – Jogo de Dança, com o bailarino Robson Duarte, e “Madrugada, Me Proteja”, ambas com direção de Jessé Oliveira. A realização de espetáculos, oficinas, debates e painéis referentes ao teatro, à dança e à performance objetiva estabelecer uma verdadeira troca de experiências e saberes acumulados ao longo das carreiras de cada núcleo cultural". Programação: Espetáculos de outros Estados: - Ensaio sobre Carolina – Os Crespos (São Paulo) - Espetáculo – Luiz de Abreu (Salvador) - Afrocanto, afrocontos (Florianópolis) Espetáculos locais: - Estudo Sobre O Osso de Mor Lam (Caixa-Preta) - Chão (Xirê Teatro e Dança) - Madrugada, Me Proteja (Caixa-Preta) - Estandarte do Samba – música - Canto de Cravo e Rosa (Bando de Brincantes) teatro infantil Oficinas: Oficina - A Capoeira de Angola no Treinamento do Ator - Evani Tavares (Salvador) Afro contos - Toni Edson (Florianópolis) - Oficina Caixa-Preta de Música, com Luiz André da Silva (Porto Alegre) Debate: A performance negra e teatralidade contemporânea Julio Moracen – ator diretor e professor (Cuba) Jose Fernando Azevedo - São Paulo diretor e professor Evani Tavares - atriz e pesquisadora – (Salvador) O artista negro e sua formação – o contexto educacional Toni Edson – ator, diretor e professor Luiz de Abreu ( Salvador) bailarino e coreógrafo Jessé Oliveira - Diretor e iluminador Leandro Machado (Porto Alegre) e Grace Patterson Outras atrações: Feijoada Preta - dia 20 de dezembro, 12h A tradicional feijoada será preparada pelo gourmet Dagoberto Lucas Barreto e irá ocorrer no saguão do Centro Municipal de Cultura (Avenida Erico Veríssimo, 307). Participação especial da banda General Groove. Festa do Embaraço - Dia 18 de dezembro, sexta-feira, 23h Extraordinariamente inovadora, a Festa do Embaraço traz performaces com atores do grupo CAIXA-PRETA, shows com artistas convidados, além de muita Black Music. O grupo busca, desta forma, valorizar aqueles cantores negros que fazem e fizeram parte da história da música nacional e internacional. Em sua VI Edição, a Festa do Embaraço chega agitando o coração da Cidade Baixa, no Mr. Dam - PUBlic Ambient (José do Patrocínio, 824), ao som de DJ Fausto e banda B&B, além de muitas surpresas reveladas pelos atores do grupo. Ponto de Encontro - com DJ Guto (Africanamente) – Saguão do Centro Municipal de Cultura - Avenida Erico Veríssimo, 307 Informações sobre grupos visitantes Ensaio sobre Carolina – Os Crespos (São Paulo) A Companhia Os Crespos é uma das mais importantes de São Paulo, entre seus componentes estão Sidnei Santiago, que atuou na novela Caminho das Índias, como o jovem com distúrbio mental, e por Gal Quaresma, ex-integrante do Bando Olodum e da Uzyna Uzona, no espetáculo Os Sertões. Baseado em Quarto de Despejo, Diário de Uma Favelada, diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus (1914-1977), flerta com a performance num espetáculo moderno e vigoroso. Em 2007 o grupo excursionou pela Alemanha, participou do Festival Theaterformer e uma curta temporada no Teatro Volksbühne, em Berlim. No mesmo ano a companhia estreou Ensaio sobre Carolina, com a direção de José Fernando de Azevedo (professor da Escola de Artes Dramáticas da USP, dramaturgo e diretor integrante do Teatro de Narradores, em São Paulo). Espetáculo – Luiz de Abreu (São Paulo/ Salvador) De Luiz de Abreu, um dos mais destacados e polêmicos bailarinos do País. Esteve no Porto Alegre em Cena com o badalado e discutido “Samba do Crioulo Doido”, que circulou por todo Brasil, além de visitar América do Norte e Europa. Realizador ligado à pesquisa formal que dialoga com a questão racial, por meio de uma estética vigorosa e provocativa. Estudo sobre O Osso de Mor Lam – Caixa-Preta (Porto Alegre) O mais recente espetáculo do Caixa-Preta, que pela primeira vez encena texto de autor africano, o senegalês Birago Diop, que já foi realizado por Peter Brook, em 1979. O Grupo investe, cada vez mais, em uma linguagem corporal acentuada e em signos culturais de forte apelo visual. Chão – Xirê – Jogo de Dança (Porto Alegre) O já experimentado espetáculo transita por elementos da cultura religiosa afro-brasileira e, ao mesmo tempo, flerta com o que há de contemporâneo na dança. Participou de eventos ligados à dança como Dança Alegre Alegrete e Mostra SESC, Diálogos da Dança, além de ter cumprido roteiro de apresentações em terreiros da Cidade e do Interior do Estado. Madrugada, Me Proteja – Caixa-Preta (Porto Alegre) Trabalho do Caixa-Preta, com texto de Cuti (Transegun), primeiro solo de Silvio Ramão, um dos integrantes mais destacados do Grupo, indicado ao Açorianos de Melhor Ator Coadjuvante, em 2005, por Hamlet Sincrético. Assessoria de Imprensa: Silvia Abreu (MTB 8679-4) - Fone: (51) 92772191 – 84869779 - 08/12/09

10 de dez de 2009

Edições Toró lança livro novo, em São Paulo

(Texto de divulgação). "Edições Toró e CEDECA Interlagos convidam pro lançamento do livro “18 anos, 20 histórias”, no Sarau do Binho, dia 14/12, de noitinha. Pra ver a arte do convite e outros feijões, chega em nosso sítio, o www.edicoestoro.net A capa traz fitilhos de cetim e desvenda a tarja verde-amarela que vem engrupindo nossa juventude faz tempo. Pra dedilhar esse trabalho, é só chegar no debate e no sarau que abrem o lance. OS PRIMEIROS 80 CHEGANTES PARTICIPANTES DO DEBATE GANHARÃO O LIVRO Às 20 horas, debate-papo: “E a minha história? ECA, funduras e detalhes na peleja por dignidade”. Com Daniel Fagundes – (Núcleo de Comunicação Alternativa/NCA), Mari Casellato (Museu da Pessoa), Givanildo – (Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente) e Fernanda Vargas (CEDECA Interlagos). Mediação de Allan da Rosa. Às 21hs30, Sarau com a destreza, a leveza e as lâminas da poesia do povo da sul. No Sarau do Binho, ponte de sabedorias e traquinagens Rua Avelino Lemos Júnior, 60 – Campo Limpo, zona sul paulistana ---------- O livro “18 anos, 20 histórias”, é o 18º livro da Edições Toró e traz contações de 18 jovens que completaram 18 anos junto com o ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente. Não é propriamente um livro de literatura, mas derrama estórias doces e escabrosas, casos de urgência e bagatelas de sonho, em ocas, malocas, trilhos e cozinhas das beiradas de SP. Estórias de uma juventude que inventa um relaxo ou que corre na pesaria de ainda esperancear. A parte final do livro traz ensaios e reflexões de 39 ativistas e de pesquisadores que pelejam, entrelaçando as estórias da rapaziada às questões de direitos indígenas, racismo, saúde, educação, transporte, lazer e outras águas espirituais de bacia sem fundo. Textos de Marilene Felinto, Coletivo FACA, Aldaíza Sposatti, entre outros".

9 de dez de 2009

Tião Carvalho canta João do Vale em shows na Caixa Cultural Rio - 11 e 12/12

"A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta o show “Tião canta João” com uma seleção especial da obra do compositor João do Vale, na interpretação de seu conterrâneo Tião Carvalho, nos dias 11 e 12 de dezembro. No repertório a diversidade de ritmos que abrangem a carreira dos dois artistas: xotes, baiões, sambas, bumba-meu-boi, tambor de crioula. Canções consagradas como “Matuto transviado (Coronel Antônio Bento)”, “Peba na pimenta”, “A voz do povo” e “Carcará” compõem o repertório ao lado de outras pouco conhecidas como “Baião de viola”, “Os óio de Anabela”, e “Todos cantam sua terra”. Um dos grandes nomes de expressão da cultura popular brasileira, com dois CDs solos lançados, Tião Carvalho participou de grupos musicais de grande importância na divulgação da MPB dançante como a banda “Mexe com Tudo” e a banda Mafuá. Diretor e fundador do Grupo Cupuaçu, realiza desde 1990, no Morro do Querosene, São Paulo, as festas do Bumba-meu-boi, (nascimento, batizado, e morte do boi). O maranhense Tião Carvalho já se apresentou ao lado de grandes artistas como Vanessa da Mata, Zeca Baleiro, Cássia Eller, João do Vale, Sivuca, Hermeto Paschoal, Naná Vasconcelos, Dinho Nascimento, Barbatuques, Renato Anesi, Emerson Boy, Paulo Moura, Klauss Viana, Na Ozetti, entre outros. Teve sua música “Nós” gravada nas vozes de Cássia Eller, Na Ozzetti e Simone". Banda Tião Carvalho: Voz e percussão Marquinhos Mendonça: Cordas Renata Amaral: Baixo Felipe Soares: Acordeom Dudu Marques: Bateria Cacau Amaral: Percussão Mariana Bernardes: Cavaco Dia 11 - Participação especial: Rita Ribeiro João do Vale (11/10/1934 – 06/12/1996) João Batista do Vale nasceu em Pedreiras, Maranhão, em 1934. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a visitar periodicamente as rádios, principalmente a Nacional, a procura de artistas que gravassem suas composições. João do Vale, compôs inúmeras músicas de extremo valor para o universo popular como: “Carcará”, “Pisa na Fulo”, “Meu samba, é a voz do povo”, "Peba na pimenta", "Uricuri", "Minha História", "Sina de Caboclo", entre outras. O compositor faleceu em São Luís (MA), em 1996. Deixou mais de 300 composições gravadas por diversos artistas, entre os quais Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nara Leão, Maria Bethânia, Tim Maia, Ivon Curi e Alaíde Costa.

8 de dez de 2009

Seminário Gênero Raça e Educação: espaço para a diversidade, em Santo Antônio de Jesus, BA

(Texto de divulgação). "O Seminário Gênero Raça e Educação: espaço para a diversidade surgiu da iniciativa de algumas professoras que pesquisam, militam e ou discutem as relações de gênero, raça e feminismo de maneira central ou transversal e se insere na Campanha dos 16 dias pelo fim da violência contra as mulheres, que acontece há 18 anos, em 130 países. A participação da UNEB nessa campanha se dará através de várias ações, esse seminário é uma delas. As pesquisas e os debates sobre gênero, raça, classe e educação são importantes na medida em que possibilitam conhecer, compreender e analisar como essas estruturas hierarquizantes de poder conformam as relações de gênero na sociedade e isso é fundamental para a formulação de políticas e estratégias de enfrentamento dessas desigualdades sociais. Diante disso a implementação de políticas públicas para a população feminina e para a população afro-brasileira têm sido uma preocupação dos movimentos de mulheres e do movimento negro. A agravante situação de violência contra as mulheres e contra as populações negras exige, portanto, discussões e ações integradas e inter-setoriais. Por isso, a UNEB convida a comunidade local, movimentos sociais e todos os interessados na temática para dialogar sobre o assunto. O seminário também faz parte do Projeto de Extensão “Gênero, sexualidade e educação: espaço para a diversidade”, desenvolvido no Departamento de Ciências Humanas, campus V desde 2008, que visa contribuir com a formação continuada de professoras (es) da rede pública de ensino de Santo Antônio de Jesus e alunas (os) dos cursos de graduação do campus V – UNEB, enfocando nas questões de gênero, sexualidade e educação, possibilitando-lhes intervir mais qualificadamente nas atividades que realizam". Objetivos: Estabelecer diálogos com escolas, profissionais da área de saúde, jurídico policial, gestores governamentais e movimentos sociais. Estreitar as relações da universidade com a comunidade local. Divulgar e ampliar as possibilidades de pesquisas da temática na universidade. Público: Estudantes, professoras(es), organizações populares e movimentos sociais locais e a comunidade local em geral. Programação: 08/12/2009 (terça-feira) 19 h: Conferência de abertura “Gênero, raça e educação: espaço para a diversidade” Cidinha da Silva (Escritora – RJ). Lançamento de livros.

6 de dez de 2009

Adeus ano velho...

2010 se aproxima, mas ainda este ano, temos o seguinte: 1) A resenha que fiz sobre o livro da Érica Peçanha, "Vozes marginais na literatura", continua exposta para debate no Portal Literal, seção artigos. O portal tem um sistema complexo e interativo para permanência dos textos. A partir da etapa em que o meu foi posicionado, exigia-se um mínimo de votos para que ele continuasse no ar por mais de 48 horas. Ao que parece, os votos apareceram, mas não sei até quando ele estará por lá. De toda forma, estou bem contente. 2 - O penúltimo compromisso do ano é a conferência de abertura do "Seminário Gênero, Raça e Educação: espaço para a diversidade" que faço no dia 08/12 à noite, no Campus V da UNEB, em Santo Antonio de Jesus, Bahia. inda a conferência tem lançamento do Pentes e apresentação dos outros livros meus. No dia 09/12 ministro a oficina "Relações raciais e de gênero na literatura de Cidinha da Silva", para educadores(as) e agentes do movimento popular. Sim, sou eu falando sobre minha obra. A partir de agora baixei essa norma para mim mesma, só trabalho de graça se for para abordar minha produção literária. 3 - Encerro o ano de labor dia 22/12, em Belo Horizonte, lançando o Pentes no Sarau do Coletivoz, liderado pelo amigo Rogério Coelho. Espero ainda notícias do amigo Jessé de Oliveira de Porto Alegre, a respeito do texto que produzi sobre o tema da criação literária para revista editada por ele e que desejo postar aqui no blogue. Aguardo também o envio da apresentação que o amigo Emerson Inácio fez sobre o Pentes, em São Paulo, para mostrar a vocês.

Estou pensando, Ronald, estou pensando

(Atores pensando, por Ronald Augusto)."Poesia e prosa são as duas faces da moeda da arte da palavra. Um poeta deveria conhecer o mínimo indispensável no que concerne à prosa, por outro lado, o mesmo procedimento (no caso o movimento em direção à poesia) deveria ser adotado pelo prosador. Essa conjunção tem resultado em grandes experiências: a poesia modernista se precipita em direção a uma forma mais vertiginosa de prosa por meio do coloquial; romancistas como James Joyce e Guimarães Rosa foram também poetas de primeira linha. É importante incorporar as virtudes das demais linguagens. Pois, antes de virar, de uma vez por todas, cinema ou ação pura (como nos sugere a prática de muitos recentes prosadores), a prosa deveria confinar um pouco mais com a sua oposição complementar, isto é, a poesia. Mas o quadro aqui esboçado tem a ver com as determinantes de um tempo audiovisual. Entretanto, a prosa também não despreza as questões formais. O que acontece é que sua pegada é mais interessada na audiência, ou em sua manipulação virtuosa. O cinema de Alfred Hitchcock, em certo sentido, representa uma metáfora do efeito da prosa: o cinéfilo-leitor é convidado a participar com lucidez dos acontecimentos; um filme do “mestre do suspense” é desenganador, percebemos a gramática construtiva, jogamos um jogo cujas regras estão mais sugeridas do que determinadas. A boa prosa solicita um leitor atento, e não em transe".

Cuti lança livro novo, em São Paulo

5 de dez de 2009

Lançamento do Negrafias 02, em São Paulo

(Texto de divulgação). "Neste mês de dezembro, o projeto editorial CicloContínuo promove o lançamento da Antologia Negrafias 02 - Literatura e Identidade (org. Marciano Ventura). O primeiro volume de Negrafias foi editado em novembro de 2008, a partir da finalização da série de atividades denominadas “Os Novos Griots”, realizadas no bairro Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo. Tais atividades tinham como objetivo reunir curiosos de vários gêneros artísticos em torno das produções culturais negras, dentre elas as literaturas negras e afro-brasileiras. A obra reuniu 14 autores e autoras com textos literários diversos, dedicados ao centenário do nascimento de Solano Trindade (1908 – 1974). O segundo volume da série é composto por 17 autores e autoras, evidenciando a riqueza e complexidade do mundo negro, trazendo textos em diferentes gêneros, tais como: conto, poesia, teatro e ilustrações. Negrafias 02 é carinhosamente dedicado a duas importantes lideranças comunitárias e religiosas do bairro Cidade Tiradentes: Yá Silvia de Oyá e Edu Oju Obá. Os autores e auttoras integrantes da Antologia são: Akins Kintê, André L. Patrício, Elizandra de Souza, Felipe Augusto, Gildean Silva Panikinho, Giovanni di Ganzá, Lourenço Cardoso, Marcelo Mafra, Marciano Ventura, Marcio Folha, Michel Yakini, Miguel, Oubi Inaê Kibuko, Pilar Ferreira, Raquel Almeida, Rinaldo Teixeira, Samantha Pilar. Serão realizados quatro lançamentos durante o mês de dezembro, nos quais haverá festas, sorteios de livro e literaturas mil. Agende-se e venha compartilhar conosco mais esse rebento"! Dia 10/12 (quinta – feira) – 19:30 horas, Sarau Elo da Corrente. Bar do Santista - R. Jurubin, 788-A. Pirituba. Entrada Franca. (11) 3906-6081 elodacorrente@hotmail.com Dia 12/12 (sábado) – 14:00 horas CrespoSim. Galeria Presidente – R. 24 de Maio, 116. Loja 13 térreo. Apresentação musical de Giovanni di Ganzá e discotecagem com DJ Guinho e convidados. Entrada Franca. (11)3221-9796 cresposim@yahoo.com.br Dia 18/12 (sexta-feira) – 21:00 horas USP - CRUSP (Conj. Residencial USP) R. Prof. Melo Moraes, trav. 08 – Cid. Universitária/Butantã. Festa com bandas de rap e samba. Entrada Franca. (11) 3091- 3255 amorcrusp.aroeira@gmail.com Dia 19/12 (sábado) – 19:30 horas Sarau Poesia na Brasa. Bar do Carlita - R. Prof. Viveiros Raposo, 234. Brasilândia. Samba com Kolombolo Diá Piratininga e representantes da Velha Guarda da Rosas de Ouro. Entrada Franca. (11) 3922-8593 brasasarau@yahoo.com.br

Jorge dos Anjos em Ouro Preto

Recicle-se: Artes plásticas, música, poesia, teatro, moda, fotografia, vídeo, instalações...

(Texto de divulgação): "Em sua 11ª edição, a Coletiva de Todas as Artes reúne – em um único dia e espaço – as mais variadas formas de expressões artísticas. O evento congrega mais de 50 artistas de todas as áreas e terá renda revertida para a OAF - Organização de Auxílio Fraterno - instituição que, através de oficinas de Arte, ensina moradores de rua e de classes menos favorecidas a transformar materiais recicláveis em peças artísticas e decorativas, transformando também a si próprios, em um trabalho de resgate da dignidade e auto-estima.- www.oaf.org.br DATA: 5 DE DEZEMBRO DE 2009 - sábado. LOCAL: GALPÃO DA OAF - RUA GALENO DE ALMEIDA, 575 - Pinheiros (embaixo do viaduto da Sumaré cruzando com a João Moura). HORÁRIO: A PARTIR DAS 16:00 hs. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: R$ 10,00. IMPORTANTE: TODA A RENDA OBTIDA COM OS INGRESSOS SERÁ REVERTIDA PARA A OAF.

4 de dez de 2009

Religiosidade, memória e ancestralidade estudados em obra de Cidinha da Silva

Hoje, caso a burocracia tenha se comportado bem, os estudantes Diego e Cristiane Carvalho defendem monografia sobre o Tridente, em curso de especialização sobre literatura brasileira na UFJF, sob orientação do Prof. Edimilson de Almeida Pereira. A dupla elegeu três temas para análise em meu primeiro livro: religiosidade, memória e ancestralidade. Confesso que a escolha da memória me pegou na curva. Talvez porque eu não me reconheça como uma pessoa de memória pródiga, mas sim, como uma observadora atenta ao meu tempo. De todo modo, é uma boa surpresa saber que uma leitura crítica do meu trabalho reconhece este elemento como algo significativo. Sinal de que estou além do que percebo de mim mesma. É uma alegria ter minha obra contemplada em monografias e, em breve, dissertações, uma reafirmação do meu caminho. Agradeço aos dois estudantes pela delicadeza da escolha. Abaixo, uma rápida entrevista que concedi aos dois com vistas a complementar dados biográficos. 1- Sua criação literária recebeu influência direta de algum escritor em especial? Para mim é muito difícil falar sobre influências literárias diretas. Sei falar sobre o que li, ouvi e vi e que me marcou de maneira definitiva. Por exemplo, desde que lembro de mim como leitora, são os quadrinhos minha primeira lembrança. Depois, na adolescência, o encontro com Machado de Assis e Lima Barreto foi revelador. Ver Reinaldo, centro-avante do Clube Atlético Mineiro jogar, era assistir o espetáculo da poesia feita com os pés. Descobri o Drummond cronista, antes de conhecê-lo poeta. Depois vieram outros cronistas: Paulo Mendes Campos, o predileto, Fernando Sabino e Rubem Braga, este, embora fosse capixaba, era mineiro em espírito. No início da juventude descobri Adélia Prado e sua poesia e o primeiro escritor negro que conheci, em carne e verso, uns dois anos mais tarde, foi Edimilson de Almeida Pereira. A vida inteira ouvi muita música brasileira, samba de um modo geral, Milton Nascimento e Gilberto Gil, em especial, e muita música instrumental de diversas origens, notadamente a brasileira. Estas são referências importantes que, provavelmente me influenciaram e influenciam, mas, repito, é difícil (para mim) detectar influências literárias diretas na minha escrita criativa. 2- O que despertou seu interesse para escrita da literatura? A leitura dos cronistas mineiros mencionados acima. Eu gostava (gosto) muito daquele jeito de escrever e sempre tive vontade de escrever textos com aquela leveza. 3- Sua decisão de se mudar para são Paulo foi devido a atividade mais intensa do movimento negro naquela região? Não. Eu me mudei para São Paulo porque queria sair de Belo Horizonte para um lugar maior e quando conheci a cidade, em 1988, fiquei encantada. Gosto muito das metrópoles. A vida cultural negra da cidade, a diversidade de espaços culturais, o acesso mais democrático a eles, a vida anônima dos grandes centros e a forma como existe lugar para tudo e para todos em São Paulo, isso me seduziu. Mas não acho que a cidade seja acolhedora (Belo Horizonte o é - com as pessoas de fora), não se trata disso. Lá é uma cidade onde todo mundo que tem força para se estabelecer, cabe, só isso. 4- O que te motivou em participar do movimento negro? Eu sempre me reconheci negra, desde muito pequena, não passei por essa história de me descobrir negra num dado momento da vida, como ocorre com muitos afro-brasileiros. Portanto, minha consciência racial, despertada na primeira infância, foi se fortalecendo e ampliando ao longo da vida. Trabalhar numa organização do Movimento Negro foi uma contingência, uma resposta a um convite. Eu queria me mudar para São Paulo e pedi ajuda à Sueli Carneiro para arrumar trabalho por lá. Um dia ela me telefonou e me convidou para trabalhar em Geledés. Eu aceitei, me mudei para lá e assim tudo começou. 5- De que forma a literatura esteve presente em sua infância? Como disse, por meio dos quadrinhos, lidos em casa. Na escola lia livros da biblioteca e pela TV, já que nunca fui de freqüentar estádios, via a poesia de Reinaldo. Ouvia muita poesia nas músicas do rádio, LPs e fitas k-7.

Jussara Santos lança primeiro infanto-juvenil

2 de dez de 2009

O malungo Tizumba, em CD e DVD

Irene Santos apresenta novo sítio de fotografias

Viva o Centro de Mídia Independente!

(Texto de divulgação). "O CMI Brasil - Centro de Mídia Independente é uma rede de produtores e produtoras independentes de mídia que busca oferecer ao público informação alternativa e crítica de qualidade que contribua para a construção de uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente. O CMI Brasil quer dar voz à quem não têm voz constituindo uma alternativa consistente à mídia empresarial que frequentemente distorce fatos e apresenta interpretações de acordo com os interesses das elites econômicas, sociais e culturais. A ênfase da cobertura é sobre os movimentos sociais, particularmente, sobre os movimentos de ação direta (os "novos movimentos") e sobre as políticas às quais se opõem. A estrutura do site na internet permite que qualquer pessoa disponibilize textos, vídeos, sons e imagens tornando-se um meio democrático e descentralizado de difusão de informações".

1 de dez de 2009

Cidinha da Silva no Portal Literal

Na semana passada fui surpreendida por um pedido de republicação de texto meu no Portal Literal, um dos melhores portais de literatura do país. A surpresa deveu-se à despretensão do texto, uma resenha sobre o "Vozes Marginais na Literatura", livro de Érica Peçanha do Nascimento. Está lá! Quem quiser discuti-lo tem pano pra manga, é só clicar no link acima. Quero agradecer à Érica por esta possibilidade, pois foi a leitura do Vozes que me levou até o Literal. Para os que não sabem, Érica Peçanha é uma autora negra e jovem, cheia de talentos e talentos burilados que já se transformaram em competências. Neste final de semana fiquei muito orgulhosa em ver o Vozes na vitrine da Aeroplano na Primavera dos Livros, primeira fila, primeiro time, o lugar merecido desta autora que leva a todas nós, autoras negras, junto com ela.

30 de nov de 2009

Bicentenário do editor Paula Brito

(Do Jornal do Brasil, por Rodrigo Ferrari). "Dezembro marca o bicentenário de uma figura esquecida na história de nossa cidade, personagem marcante na cena carioca de meados do século 19. Poeta, tipógrafo, livreiro, editor, jornalista e dono de jornal, comerciante, impressor, tradutor, compositor, dramaturgo, Paula Brito marcou seu tempo não só por tudo isso, mas principalmente por criar em seu estabelecimento um espaço de sociabilidade que o transformou num dos mais importantes agentes de mediação cultural da sociedade de então. Nascido no dia 2, em 1809, na então Rua do Piolho (atual Carioca), Francisco de Paula Brito passou a infância no interior da província na cidade de Suruí, região de Magé. Apesar do golpe, adquiriu de um primo uma pequena loja de miudezas conhecida como “loja de chá do melhor que há” e, nos fundos dela, instalou sua tipografia, onde iria botar em prática os ensinamentos adquiridos em seu primeiro emprego como aprendiz na Tipografia Nacional. Surgia ali a famosa Loja do Canto, como era conhecida sua livraria no Largo do Rossio, atual Praça Tiradentes".

27 de nov de 2009

Aconteceu em São Paulo!

Cheguei à cidade que escolhi para viver, deixei a mochila no maleiro do aeroporto e fui do Sul (Guarulhos) ao Norte (Pirituba) para o sarau do Coletivo Elo da Corrente. Êta lugar benfazejo! Aqueles tambores, aquelas folhas e pétalas de rosa no chão, Clara Nunes no toca-cds, aquilo tudo me transporta para a minha adolescência, para os templos de umbanda, susto e fascínio. É o sarau mais negro do mapa literário de São Paulo. Era a festa do poeta Carlos de Assumpção, 82 anos de poesia negra, e lançamento de uma coletânea de poemas, “Tambores da noite”, publicado pelo Coletivo Cultural Poesia na Brasa. O poeta lá, firme. Eu adquiri o livro, pedi autógrafo e logo me chamaram para ler. Fui lá e fiz a primeira leitura pública do Pentes em Sampa. Meu coração bambeou quando vi Carlos de Assumpção atento à leitura. Um pouco depois o Marciano, do Ciclo Contínuo, muito emocionado, nos convidou à leitura conjunta do Poema "Protesto". Longo poema. Fui bem até a metade e aí o velho coração desbordou, eu balbuciava, mas a voz não saía. E não sei bem o que me fez chorar, talvez a alegria do poeta, a emoção do Marciano Ventura, aqueles tambores, que calam tão fundo em mim. Talvez o fato de estar frente a frente com um desbravador e a responsabilidade de carregar a pena que ele nos entrega, a nós, as gerações mais novas. Ainda tive a chance de trocar idéias com os amigos queridos Allan da Rosa, o sorridente Marciano, Akins Kintê e o Michel Yakini. Mais tarde foi a vez de conversar mais detidamente com a Raquel Almeida, nosso primeiro papo de verdade, na casa dela, onde dormi. Foi ótimo. É tão alentador ver uma mulher jovem enfrentando o machismo dos amigos (recalcitrante e venenoso) com a coragem de uma leoa a proteger sua própria dignidade e a de todas as mulheres. Fiquei muito feliz e orgulhosa por conhecer esta Raquel. Na sexta-feira pela manhã fui comprar flores para o lançamento do Pentes e à noite, assisti o "Ensaio sobre Carolina", espetáculo dos Crespos. Gostei muitíssimo da performance dos atores Sidney Santiago e Lucélia Sérgio, gostei também do cenário. O texto de Carolina (Maria de Jesus) sempre me nocauteia, é visceral demais. Justamente por isto, qualquer acréscimo pode se tornar excessivo e foi esta a minha sensação. Achei inadequada a inclusão de situações contemporâneas de discriminação racial no texto da peça, visando, talvez, uma interação maior com o público. No sábado rolou o lançamento do Pentes na Odun Formação e Produção, uma festa belíssima organizada por Viviane Ferreira e sua equipe. Houve performance de Evani Tavares, Sidney Santiago, Maria Gal e a música maravilhosa do Kadhira Neiva. A apresentação do Pentes, peça fina e preciosa, foi escrita e lida pelo amigo Emerson Inácio, professor de literatura na USP. Em breve vou postá-la aqui. Eu também li uns trechos do livro, acho importante que as pessoas ouçam a dicção da autora. Finda a saga paulistana, preparo-me para a segunda parte da odisséia, Salvador. Aguardem notícias (Na foto Carlos de Assumpção e Marciano Ventura).

26 de nov de 2009

Vozes marginais na literatura

Terminei na semana passada a leitura de "Vozes Marginais na Literatura", de Érica Peçanha do Nascimento, publicação bonita e bem cuidada da editora Aeroplano, Coleção Tramas Urbanas. O livro me arrebatou. Saí do lançamento com meu exemplar autografado e comecei a lê-lo no metrô, enquanto me dirigia ao hotel. Nos seis dias seguintes, queria chegar em casa rapidamente para prosseguir a leitura. Não me lembro quando foi a última vez que uma obra não-literária me tomou, assim. O estilo de escrita de Érica flui, seduz pela leveza, objetividade e fidelidade às construções discursivas dos informantes. Entretanto, merecíamos ler mais das reflexões sagazes da autora. Em certos momentos quis ver mais análise do discurso e menos reprodução das idéias dos informantes, por exemplo, no capítulo 3, "Por uma interpretação antropológica do movimento de literatura marginal dos escritores da periferia". Neste aspecto, parece-me que o livro deixou de ganhar em ousadia, atributo correlato ao conhecimento e perspicácia analítica da autora. Ainda sobre o estilo, um contraponto interessante à elegância da escrita de Érica é o posfácio do livro, um texto acadêmico burocrático, não-criativo, como lemos freqüentemente por aí. É embasada no quão longe Érica pode ir, ainda que limitada pelo alcance da minha mirada, que faço os comentários críticos a seguir, motivados pela leitura de um livro inspirador: 1 - Parece-me haver uma certa santificação das ONGs que têm apoiado o Movimento de Literatura Marginal em São Paulo. É honesto dizer que os saraus e outros aspectos da mobilização literária periférica pegam muita gente pelo coração porque o tema bombou e isso dá visibilidade política e pedagógica, aumentando assim, o poder de fogo junto a agências financiadoras. "Ninguém é inocente em São Paulo", já disse o Ferréz, num título muito feliz. Obviamente, sei que estou numa posição muito mais confortável do que a da autora para fazer esta observação, mas, de alguma forma, esperava encontrá-la no livro. No último capítulo, "A atuação político-cultural dos escritores da periferia", há elementos pouco explorados que, caso merecessem maior atenção, poderiam contribuir para posicionar a literatura periférica como voz autônoma e pró-ativa no mercado editorial brasileiro; 2 - Poderiam ser abordados os trabalhos de geração de renda e mesmo os empregos promovidos pela movimentação da literatura periférica; 3 - As estratégias de promoção e comercialização do objeto-livro no Movimento de Literatura Periférica merecem atenção, pois têm muito a ensinar ao mercado livreiro e 4, precisa ser debatida também, a questão da tiragem dos livros feita pelos autores periféricos e o quanto este grupo é precursor das doses homeopáticas de edição, feitas à conta-gotas, à medida que o livro circula. Lemos por aí uma louvação desmedida a editoras de classe média que têm adotado esta estratégia (publicação de um certo número de exemplares de acordo com a demanda e fôlego de circulação da obra) como se tivessem inventado a roda. Do lado de cá, a moçada da literatura periférica já vem fazendo isso há tempos, justamente porque tem feeling de mercado. Ainda que não tenha sido o propósito do livro, senti falta de mais comentários sobre as questões de gênero, sobre a ausência numérica de mulheres no movimento, sobre o machismo que as subalterniza, bem como do debate racial, que acabou se resumindo à auto-declaração de pertencimento racial dos informantes e de seus pais e à declaração reiterada de que um dos sujeitos entrevistados pertence ao Movimento Negro. "Vozes marginais na literatura" se impõe pela qualidade da escrita, pela riqueza de dados e adequação da análise, pelos resultados da pesquisa sensível e humanizada levada a termo pela autora e não, pela legitimidade do tema. Isso é fundamental, tanto para o trabalho de Érica, quanto para a literatura que fazemos nós, periféricos, negros, mulheres, gays e lésbicas escritoras e escritores, dentre outros sujeitos não canônicos. O livro de Érica nos convoca a que nos estabeleçamos no mundo literário por meio da literariedade dos nossos textos, pelo apuro da forma e pela universalidade que emprestamos aos nossos temas legítimos. De minha parte, aceito a convocação.

25 de nov de 2009

Atenção, Paulicéia! Ricardo Aleixo na área, imperdível!

(Do blogue do Rique: www.jaguadarte.blogspot.com). "Peço licença às pessoas que se interessam pelo que faço para divulgar minha agenda “à paulista” neste fim de ano que – para o papai aqui – mais parece um começo: quarta-feira, dia 25/11, no Museu Afro Brasil, às 18h, participo da mesa redonda “Exclusão e inclusão na cultura”, dentro da programação do seminário Eu tenho um sonho – De King a Obama, a saga negra do norte, com a antropóloga Sheila Walker e o cineasta Joel Araújo; sábado, 5/12, ainda sem horário definido, performo na Rave Cultural da Casa das Rosas, durante o lançamento do livro O que é poesia, de Edson Cruz; no dia 19/12, às 20h, no Itaú Cultural, faço o espetáculo de lançamento da série radiofônica ARQUIVOX: a paisagem sonora da poesia brasileira, junto com o sound designer Daniel Reis, os bailarinos Franciane de Paula e Jorge Schutze e a cantora Patrícia Ahmaral. Em tempo (1): pela miríade de novidades que o envolve, o espetáculo (que é só ARQUIVOX) merecerá um post todo dele. Sendo que em breve falarei, também, claro, da série de programas, que está ficando o fino, para dizer pouco. Aguardem, se acharem que é o caso. Em tempo (2): a foto acima é de Foca Lisboa".

24 de nov de 2009

Aconteceu em BH!

Os lançamentos em BH mobilizam muito das minhas emoções, como sempre acontece na volta à minha cidade. O mais importante é reencontrar minha família nuclear, com quem convivo menos do que com a familía estendida. Vinícius, o menino da sacola gorda de livros lidos, pegou um exemplar do Pentes e começou a ler, caminhando pelo saguão da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. Estranhei e ofereci uma cadeira. Ele não aceitou, estava bom daquele jeito. Lembrei-me de Luciana, minha personagem que na hora de parir come amoras e não pára de caminhar. Seriam manifestações de Teempo, Kitembo, para quem tudo é movimento? Descobri que o diretor da Biblioteca é de Ponte Nova, terra de quem? Rei-nal-do, centro-avante do Clube Atlético Mineiro, uma das referências poéticas da minha infância, ao lado de Drummond. No Maleta encontrei aquela Belo Horizonte que pouco muda, Velhorizonte, talvez,como a alcunhou o poeta-amigo Rique Aleixo. À noite uma festa da palavra, organizada pelos amigos da foto, Anderson e Elaine - aqueles que me acolhem com um carinho grande que chega a lugares fundos de mim, onde nem o perfume das rosas amarelas do vô Francisco alcança. Frutas, flores, sucos para alimentar a palavra e um debate delicioso na sede da companhia A Farsa de Teatro, que já está se transformando em casa minha. Agradeço e agradeço a todo mundo que compareceu, promoveu e torceu pelo sucesso dos lançamentos belorizontinos. Foi massa, véi!

23 de nov de 2009

Resultado do sorteio em BH

O tempo!

Na semana passada Pelé completou o quadragésimo aniversário do milésimo gol. Há dois dias o lançamento do Pentes em São Paulo comemorou o primeiro ano de vida da Odun Formação e Produção. Há quatro dias assinei os documentos de liberação para a produção de audio-visual do Dublê de Ogum. No mesmo dia ele, o Dublê, participou da festa de lançamento do Questão de Pele, coletânea organizada por Luiz Ruffato, da qual o texto participa. Na semana que passou ficaram prontos os cartões de divulgação do Pentes. Ontem li trechos da monografia mais recente sobre o Tridente: memória, ancestralidade e religiosidade na minha obra. Como cantou o poeta, "a vida da gente é mistério, a estrada do tempo é segredo, o fio do enredo é mentira e tudo o que eu disse é ilusão", mas ôh tempo bom!

22 de nov de 2009

Solano Trindade, poeta do povo!

Angélica Basthi fala sobre "Pelé: Estrela Negra em Campos Verdes"

(Por: JULIANA FARANO - colaboração para a Livraria da Folha). "O futebol é visto como uma das manifestações populares mais democráticas do mundo. O elenco de protagonistas, que faz a alegria da torcida com a bola nos pés, é formado por gente de todo o tipo. Para gostar do esporte, também não é necessário pertencer a qualquer etnia ou condição social específica. Hoje em dia, o único fator que exclui certas camadas da população é o preço dos ingressos para ver o espetáculo ao vivo, efeito colateral maléfico da chamada modernização, que busca elitizar o esporte. No entanto, nem sempre a situação foi assim. Quando retornou ao Brasil da Inglaterra em 1894, Charles Miller, paulistano descendente de ingleses e escoceses, trouxe consigo uma bola e um conjunto de regras. O futebol, então, passou a ser praticado pela elite tupiniquim sendo, inclusive, proibida a participação dos negros. Quem diria que anos depois, o rei do futebol seria justamente um negro vindo de uma família humilde do sul de Minas? Prova de que o tempo e a evolução do ser humano não agregaram somente coisas ruins ao mundo. Curiosamente, o milésimo gol do rei do futebol foi marcado no dia 19 de novembro de 1969 e ontem, véspera do dia da Consciência Negra, a ocasião completou 40 anos. Pelé é um dos negros mais bem-sucedidos do mundo e sua trajetória profissional brilhante, inevitavelmente, serve de inspiração para milhares de jovens aspirantes a carreiras dentro do futebol e ao sucesso profissional, de uma maneira mais ampla. Ainda assim, o atleta nunca levantou objetivamente a bandeira do orgulho negro e nem assumiu a causa como uma de suas prioridades. "Pelé nunca se envolveu diretamente com o problema racial deste país, mas isso não significa que ele não tenha enfrentado problemas de racismo ao longo da sua trajetória", afirma Angélica Basthi, autora do livro "Pelé: Estrela Negra em Campos Verdes". Na publicação, que aborda tanto a trajetória brilhante do atleta nos gramados como também os episódios polêmicos de sua vida pessoal, a escritora fala de momentos em que o racismo era total e descarado. "Na Copa de 1958, por exemplo, uma reportagem afirmava sobre a passagem do jogador, então com 17 anos, pela Suécia: 'Ao ver Pelé, a criança loura solta a mão da babá e corre chorando: mamãe, mamãe, ele fala'", conta. Em entrevista para a Livraria da Folha, Angélica fala sobre a carreira profissional de Pelé, o processo de pesquisa para o livro e o envolvimento do rei com as questões da raça negra. Confira abaixo. * Livraria da Folha - Como surgiu a oportunidade para escrever este livro? Angélica Basthi - Fui surpreendida pelo convite do meu amigo e também jornalista Carlos Nobre, criador da coleção "Personalidades Negras", editada pela Garamond. Ele me convidou inicialmente para escrever sobre o Aleijadinho, outro grande nome da participação negra ao longo da história do Brasil. Na conversa com o diretor da editora, surgiu o nome do Pelé. Fiquei especialmente feliz, pois alimentava o sonho secreto de escrever sobre o rei do futebol desde quando, há uns cinco anos, vi uma exposição sobre a vida dele na Casa França-Brasil. Claro que já conhecia sua história, mas vê-la em detalhes me tocou. Fiquei realmente impressionada com a trajetória de Pelé e cheguei a dizer para amigos que gostaria de escrever sobre ele um dia. Livraria - Você sempre gostou de futebol ou passou a se interessar mais pelo assunto depois do convite para escrever o livro? Angélica - Sempre gostei de futebol. Sou flamenguista e mangueirense desde pequena, ou seja, gosto mesmo é das torcidas polêmicas e passionais. Sou do tipo de torcedora que xinga o juiz, sai da sala e já vai se inscrevendo para a vaga de técnica. E já realizei o sonho de todo torcedor de pisar no gramado do Maracanã. Foi uma sensação estonteante estar num dos gramados mais famosos do mundo e também palco do milésimo gol de Pelé. Além disso, estou curtindo muito ser a primeira mulher a escrever uma biografia sobre o rei. Livraria - Você viu o Pelé jogar? Angélica - Tenho 38 anos e não vi o Pelé fazer suas jogadas magistrais. Recentemente estive no Museu do Futebol em São Paulo e, claro, revi algumas de suas jogadas históricas nos vídeos disponíveis por lá. Aliás, fiquei morrendo de inveja dos paulistas e pensei por que o Rio de Janeiro, que tem o Estádio Mario Filho em casa, não teve uma idéia tão genial. Bom, a escrita do livro do Pelé foi feita com muita pesquisa documental. Exigiu tempo e paciência para visitar bibliotecas e mergulhar em livros, revistas e jornais da época. Tive um amigo em especial que eu recorri uma ou duas vezes para tirar algumas pequenas dúvidas técnicas. Fora isso, foi um trabalho solitário. Livraria - Como se deu o processo de pesquisa para a concepção da obra? Você chegou a entrevistar o próprio Pelé? Ele sabia do livro? Angélica - Conversei com meu editor na época sobre isso. Concluímos que o Pelé é uma pessoa pública e o acesso ao material sobre sua vida e sua trajetória não seria difícil. De fato não foi. Exigiu paciência, mas tem muito material que foi publicado sobre o rei na época. Livraria - O livro trata não só da brilhante carreira no futebol, como também de fatos não tão agradáveis da vida pessoal do atleta. Você recebeu algum tipo de crítica por conta dessa abordagem de fãs mais exaltados do Pelé? Angélica - As pessoas lêem o livro e ficam surpresas com a minha abordagem. Sou bastante ética ao retratar a vida do Pelé tanto do ponto de vista pessoal quanto do jogador profissional. Acho que a surpresa do público tem acontecido por duas razões: por conta da linguagem fácil e objetiva que imprimi no livro e pela proposta de mostrar um Pelé que ninguém viu até agora. O público está acostumado com o rei Pelé distante da problemática racial no Brasil. Até porque a verdade é que ele nunca se envolveu diretamente com o problema racial deste país. Mas isso não significa que ele não tenha enfrentado problemas de racismo ao longo da sua trajetória. Abordo também sobre o momento que o Pel é percebeu como sua figura negra era carregada de um simbolismo que ia para além da riqueza e da fama acumuladas pelo talento no futebol. Na Copa de 1958, por exemplo, era um homem negro e um herói nacional, mas era retratado com uma matéria de cunho racista. Uma reportagem afirmava sobre a passagem do jogador, então com 17 anos, pela Suécia: "Ao ver Pelé, a criança loura solta a mão da babá e corre chorando: mamãe, mamãe, ele fala". Ou seja, uma indução grotesca ao estereótipo do homem negro primitivo, selvagem e animal. Livraria - O que o milésimo gol do Pelé representou para o Brasil na época? Angélica - O milésimo gol de Pelé gerou muita expectativa no país inteiro. Ao longo daquele ano de 1969, o público acompanhou em contagem regressiva cada passo do jogador. Houve suspeitas na época de que tudo estava sendo preparado para que o milésimo gol acontecesse no Maracanã. O fato é que ele aconteceu sim no Maraca. E o aniversário da ocasião tem um aspecto curioso pois acontece na semana da Consciência Negra. É a comemoração pela memória de outro grande nome negro, Zumbi dos Palmares. Pelé desconfiou de acordo para que milésimo gol acontecesse no Maracanã; leia trecho Livraria - Na ocasião do milésimo gol, em seu agradecimento, Pelé fez um alerta para as crianças carentes do país. Você acha que isso foi positivo para sua imagem? Angélica - Na época o Pelé foi muito criticado. Ninguém entendeu o porquê de naquele momento tão importante ele se lembrar das crianças de rua. Mas hoje o problema da criança e do adolescente é um dos maiores desafios políticos nos grandes centros urbanos deste país. Livraria - A temática do projeto que deu origem ao livro foi contar a história de personalidades negras. Qual é o papel do Pelé nesta questão? De que forma ele representou os negros em sua trajetória? Angélica - Pelé foi emblemático para o resgate da autoestima do negro no Brasil. Era a primeira vez que um negro era fonte de orgulho nacional e referência no mundo. Quem afirma isso é o José Jairo Vieira, que tem uma tese de doutorado sobre a participação dos jogadores negros no futebol brasileiro. Pelé representava a possibilidade do homem negro simples e um trabalhador honesto e sem vícios vencer na vida. Isso num ambiente absolutamente contraditório e controverso gerado pelo racismo à moda brasileira. Na época, a ideologia do branqueamento já começava a ser confrontada pelas ideias de Gilberto Freyre e pelos resultados do trabalho de pesquisadores, como Florestan Fernandes, contratados pelo Projeto Unesco. Mais tarde, Carlos Hasenbalg realizaria um novo marco na interpretação desta questão ao afirmar que o preconceito e a discriminação raciais vinham adquirindo novas funções e significados na estrutura social desde a escravidão. Na prática, os jogadores negros continuavam enfrentando barreiras visíveis e invisíveis geradas pelo preconceito racial. Mas a imagem de Pelé também contribuiu para a ideia de um Brasil que deu certo ao personificar o jogador negro que ascendeu socialmente. De certa forma, ele também representa nossas contradições. Livraria - Como você vê o Pelé hoje em dia? Angélica - Acho a figura de Pelé continua sujeita a polêmicas. Aos 69 anos, tem ainda uma vida agitada e intensa. É um dos nomes mais conhecidos em todo o mundo e ainda é referência no futebol internacional. Quando morei nos Estados Unidos via que ao mencionar que era brasileira diziam quase que automaticamente "Pelé". É um jogador que soube se renovar ao longo do tempo, mas como qualquer ser humano contabiliza erros e acertos.

20 de nov de 2009

Livro Os nove pentes d'África celebra o primeiro ano da Odun, em São Paulo

19h - Exibição do documentário " Twelve Disciples of Mandela" de Thomas Allen Harris. 20h - Lançamento do livro " Os nove pentes d´Àfrica " de Cidinha da Silva. A autora, em "Os nove pentes d'África", cativa pela descrição minuciosa do universo das relações familiares, pela reverência à sabedoria dos mais velhos e à ancestralidade africana. Após o lançamento haverá leitura de trechos do livro por Maria Gal , Sidney Santiago e Evani Tavares acompanhados de Kadhira Neiva que apresentará, por meio de instrumentos tradicionais africanos, uma leitura rítmica de "Os nove pentes d´Àfrica". 21h - Coquetel regado à musica na voz e violão de Paulinho Jr. 22h - O Esquadrão do Grouve animam a festa até às 3h. Endereço:Rua Jardim Francisco Matos, 180, Bela Vista, São Paulo. Informações: (11)31057247

Quartinhas de Aruá - Jônatas Conceição - Literatura e Consciência Negra, em Salvador

Dia da Consciência Negra – ainda precisamos disso?

(Por: Ana Paula Maravalho, do Observatório Negro). "O ano é 2009. Segundo alguns calendários esotéricos, neste ano entramos na Era de Aquário, período de modificação da humanidade para melhor: “harmonia e entendimento, simpatia e confiança reinarão; não mais falsos e ridículos”, na letra do The Mamas and the Papas (para quem tem mais de 30...). Neste contexto, é fácil concordar com aqueles que insistem na inutilidade da comemoração de uma data como o 20 de novembro – afinal, já somos mais do que conscientes que o Brasil é o segundo país mais negro do mundo, que o tempo da escravidão já acabou, que o negro contribuiu historicamente para a construção do país, e todo esse blá-blá-blá. Ninguém aguenta mais as eternas celebrações com rodas de capoeira e batuques, as reivindicações pelo fim do racismo...ufa! Ainda precisamos mesmo disso? Não terão sido suficientes os libelos dos negros que se revoltaram e reagiram à escravidão? Os testemunhos de vida das mulheres libertas que, desprovidas mesmo da condição de humanidade, ousavam ir aos tribunais reivindicar a liberdade dos seus filhos nascidos durante o período em que permaneciam obrigadas a prestar trabalho, em servidão condicional à liberdade por elas conquistada? A herança de cidadania e direitos humanos deixada por personagens históricos como Luiz Gama, João Cândido, a família Rebouças? A trajetória do movimento negro, do movimento de mulheres negras, em sua luta incansável por políticas públicas reparatórias da desigualdade racial? Será que não temos ações suficientes para que a Consciência Negra seja, efetivamente, algo que não necessite de uma data para ser lembrada, reivindicada, para se tornar algo tão naturalizado na prática do brasileiro quanto outrora o racismo o foi (para os que acreditam que “não somos racistas”)? A julgar pelos acontecimentos que recepcionaram o 20 de novembro deste ano, no entanto, ainda estamos muito, mas muito longe mesmo, de prescindir da necessidade de reafirmar a luta de Zumbi e dos quilombos pela liberdade e igualdade. A televisão aposta na reedição das novelas retratando o tempo da escravidão (devidamente atualizadas, óbvio, o ibope assim exige), para levar aos lares a cena aviltante de uma mulher negra, de joelhos, olhos baixos, diante da senhora branca, espumando de raiva ao aplicar o golpe de misericórdia às pretensões de igualdade dos que ousaram um dia imaginar possível à tal negritude ocupar o lugar de direito da branquitude no reino onde o ideal de brancura é realizado plenamente. No Rio de Janeiro, o Sesc Madureira envia convite para evento celebrando a temática da Consciência Negra, com “café servido por mucama, lembrando os áureos tempos coloniais”. Em busca de informações sobre a agenda do movimento negro em Recife, uma jornalista bem intencionada se refere às raízes culturais “deles”, os afrodescendentes. Tudo isso aconteceu na mesma semana, com o mesmo objetivo de comemorar o Dia da Consciência Negra. Ao falar da Consciência Negra, não estamos buscando impor os “nossos” significados, a “nossa” história ou os “nossos” heróis em contraposição aos significados, história e heróis oficiais. Estamos insistindo apenas em que o Brasil finalmente resolva tirar o pó-de-arroz, olhe-se no espelho e perceba que afrodescentes não são somente os mais de cinquenta por cento da população brasileira que se declara preta ou parda: afrodescendente é o Brasil, por mais que esta constatação faça espernear ou espumar em delírios esquizofrênicos aqueles que se consideram os últimos representantes da pura linhagem ariana. Para estes, ainda precisamos repetir, não sem alguma dose de compaixão pelo sofrimento e atraso evolutivo que impõem a suas almas divididas pela ilusão de uma branquitude à qual não pertencem: a verdade dói, mas liberta. Penso que ninguém mais que os ativistas do movimento negro gostariam de ver virada esta página. Que não precisássemos mais nos preocupar em discutir soluções para o racismo genocida brasileiro e pudéssemos, enfim, falar de outras coisas. Quem sabe, daquela “harmonia e entendimento, simpatia e confiança” prometidos para este Terceiro Milênio. Mas o tempo ainda é de quebrar pedreiras. A nossos postos, então. Viva Zumbi! Viva Dandara! Viva Palmares! Axé para os que constroem o ideal da igualdade!"

19 de nov de 2009

Ministro Joaquim Barbosa é obrigado a renunciar à cadeira no TSE, por problemas de saúde

(Por: Mário Coelho - Congresso em Foco). "O ministro Joaquim Barbosa renunciou na noite desta terça-feira (17) ao cargo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele, que preenchia uma das vagas destinadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), estava na corte desde 8 de abril do ano passado e era o vice-presidente do tribunal. O ministro justificou sua saída por problemas de saúde. Barbosa seria o responsável por conduzir o processo eleitoral de 2010. A saída do ministro foi divulgada na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo. Segundo a reportagem, Barbosa renunciaria após voltar de uma licença médica de 90 dias que tirou para fazer um tratamento de saúde. Ele tem problemas de coluna que fazem com que sinta dores insuportáveis depois de ficar muito tempo sentado. As sessões do TSE ocorrem sempre depois das do STF e se estendem às vezes pela madrugada, causando maior sofrimento a Barbosa. Durante a tarde, Barbosa ainda não havia comunicado oficialmente o TSE da sua saída. Ele esperou o início da sessão plenária da noite de hoje. Aos ministros colegas, agradeceu pela "compreensão e pela camaradagem". Emocionado, o ministro afirmou que "aprendeu muito" nos 19 meses que esteve no tribunal. "Eu sinto ter que tomar essa decisão", disse no plenário. Com a vaga aberta pela renúncia de Barbosa, a ministra Carmen Lúcia, antes substituta, agora passa para a composição efetiva do tribunal. Durante seu discurso de despedida, Barbosa também agradeceu aos funcionários do seu gabinete, "um time de colaboradores de primeiríssima qualidade". "Eles prestaram uma ajuda inestimável nesse período", afirmou. O ministro ainda pediu desculpas aos advogados pelo "jeito ranzinza" durante os julgamentos. "Não se preocupem, é minha preocução pela igualdade", afirmou. Para o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, o colega é dono de uma "cultura geral e jurídica admiráveis". "Fará grande falta ao TSE. E nos deixa imersos num sentimento vazio de perda", disse. Ayres Britto afirmou que Barbosa compartilha os mesmos valores que ele, de que não basta ganhar uma eleição, é preciso fazê-lo de maneira limpa e honesta. "Felizmente temos o ministro Lewandowski que é outro arauto desses valores. Ambos são acadêmicos, são professores, são escritores, são doutores, fazem o casamento entre a teorização refinada e a prática cotidiana que a prática nos exige", comparou Ayres Britto, referindo-se ao ministro Ricardo Lewandowski, que assume a vice-presidência da corte. O procurador-geral eleitoral, Roberto Gurgel, lembrou que o ministro integrou, "por vários anos", os quadros do Ministério Público. "Sempre com essa dedicação, com essa coragem pessoal, coragem intelectual. São aspectos, são virtudes, são traços da personalidade do ministro que levam nós do Ministério Público a admira-lo cada vez mais. São traços essenciais a um juiz", opinou. Gurgel ressaltou também que o ministro é um "amante das artes", e que espera pela volta de Barbosa em breve. O TSE não possui um quadro fixo de ministros. Ele é composto por três membros vindos do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois indicados pelo júri. A presidência, porém, só pode ser exercida por um dos três ministros vindos do Supremo. Como o mandato de Ayres Britto termina em 12 de maio de 2010, Barbosa, por ter mais tempo de TSE, seria o próximo comandante da corte. À ele caberia conduzir as eleições presidenciais do próximo ano. Mas, com sua saída, Lewandowski deve ser confirmado na presidência a partir de 2010 por ter mais tempo de tribunal".

Balada Literária 2009

16 de nov de 2009

Ferréz lança primeiro livro do Selo Povo, em São Paulo

(Texto de divulgação). "Sempre com uma escrita forte e contundente, muitas vezes até mal-interpretada, como o recente processo por apologia ao crime, acatado pelo Ministério Público, por conta de um dos seus textos. Se fosse em suas palavras, ele certamente diria nesta introdução: “Apologia ao crime é a panela vazia”. Enquanto a esmagadora maioria está escrevendo para ter um lugar ao sol, Ferréz parece estar escrevendo para simplesmente chegar ao sul, ao leste, a oeste ou ao norte de lugar algum, afinal o autor trabalha vendendo roupas com frases de seus livros e fazendo palestras em escolas públicas, municipais, além de jovens em liberdade assistida, cadeias, ONGs e dezenas de movimentos populares. Neste livro, podemos ler a crônica “SPPCC”, que o escritor escreveu meses antes dos atentados cometidos pela facção criminosa, e que somente quem tem uma visão muito pontual da cidade poderia fazer. Assim como também a crônica “Meu dia na guerra”, que, além de narrar os fatos após os atentados, ainda foi um texto muito importante por denunciar as dezenas de chacinas que vieram em seguida, esse texto inclusive foi fator determinante para que elas fossem reprimidas.Outro que merece destaque é o texto “Cotidiano 100%”, que foi proibido de sair no livro da companhia de metrô de São Paulo. O que esperamos dele agora? O que ele faz com muita competência, um bom texto que nos cause indignação e que continue andando onde ele é mais urgente: nas ruas deste imenso país periferia. Este livro contém textos publicados na revista Caros Amigos, Folha de São Paulo, Le Monde Diplomatique Brasil, revista Trip, e Relatório da ONU".