Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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25 de fev de 2009

Morreu o escritor sudanês Al-Tayyeb Salih

(Fonte: LUSA - Agência de Notícias de Portugal). "O romancista sudanês Al-Tayyeb Salih, um dos mais importantes escritores da literatura árabe, faleceu dia 18/02 em Londres, aos 80 anos, após doença prolongada, informou a agência de notícias sudanesa SUNA, citando um comunicado do gabinete presidencial do Sudão. De Al-Tayyeb Salih está traduzido em português, na editora Cavalo de Ferro, o romance "Época de migração para norte" (em Portugal)/"Tempo de migrar para o Norte" (no Brasil, Planeta), que o tornou mundialmente conhecido e que a UNESCO integrou na sua Série de Obras Representativas da Humanidade. Nascido em Dabba, norte do Sudão em 1929, Salih licenciou-se em Literatura na Universidade de Cartum e prosseguiu os estudos, nos anos 50, na Universidade de Londres y Exeter, no Reino Unido. De regresso ao seu país, foi professor, antes de ser contratado pela cadeia britânica BBC em língua árabe. Trabalhou depois para o ministério da Informação do Qatar e fez parte do Departamento de informação da UNESCO em Paris. Encontrava-se exilado em Londres há alguns anos. Declarado em 2001 "o romance árabe mais importante do século XX pela Academia da Literatura Árabe, com sede em Damasco, "Época de migração para norte" é ainda hoje proibido em diversos países do Médio Oriente e da África. Publicado em 1966, o romance foi censurado pelo governo islamita de Cartum no princípio dos anos 90 com o argumento de que continha cenas sexualmente explícitas". (Por: Milton Hatoum): "Este romance denso e evocativo, com lances da lírica árabe, narra as viagens e visões de Mustafa Said, dilacerado entre dois continentes. Trata-se de uma complexa sondagem na alma humana, que e também uma reflexão sobre o colonialismo britânico na África e uma crítica implacável aos governantes do Sudão pós-colonial. Mustafa Said, órfao de pai, abandona a mãe e sua aldeia pobre no Sudão e parte, ainda jovem, primeiro, para o Cairo e, depois, para Londres, onde se destaca como um profissional brilhante, uma grande promessa para a África. Mas o estranhamento da vida londrina, da visão dos britânicos sobre o continente africano e de sua própria condição de expatriado são fatores de instabilidade, revolta e decepção. Suas amantes o vêem como um ser exótico, em que o calor, o deserto, a pele do corpo e as feições do rosto formam uma coleção de estereótipos. A vingança do personagem será justamente contra essas mulheres, que ele seduz lançando mão do exotismo que elas tem em mente. Toda a violência do ato vingativo acaba se voltando contra ele próprio, num ritual que alterna o êxtase com a auto-expiação e a loucura. Depois de passar sete anos na prisão e vagar pelo mundo, Said regressa a uma aldeia do Sudão, onde se casa com uma nativa, trabalha na lavoura e encontra o narrador do romance. E esse narrador que, aos poucos, descobre e revela a trama de Mustafa Said, seus pensamentos e suas seduções diabólicas. E é também esse narrador que receberá o legado de Said, depois que este morre misteriosamente e deixa ao amigo a tutela de sua esposa, de seus filhos e de suas obras. Esse legado e assimilado pelo narrador como urn duplo fantasmagórico, a ponto de persegui-lo e atormentá-lo até os limites da loucura e da morte. Assim, o tempo de migrar e também o do impasse e o da dúvida: tempo de desespero, na medida em que o sonho da Europa torna-se um pesadelo, e a esperança ou a crença no futuro e banida do lugar de origem."

23 de fev de 2009

O bloco afro Ókánbí homenageia o acarajé no carnaval de Salvador

(Texto de divulgação). "O bloco afro Ókánbí, do Engenho Velho da Brotas, homenageia no carnaval deste ano o acarajé que já recebeu status de patrimônio imaterial brasileiro, outorgado pelo Ministério da Cultura (Minc). O tema do desfile é “Todo Mundo Gosta de Acarajé – O acarajé eco o lai lai ô” , inspirado na canção A preta do acarajé do compositor baiano Dorival Caymmi, falecido no ano passado. O bloco do Engenho Velho desfila segunda-feira (23) e terça-feira (24), no circuito Batatinha, com muitos foliões e os destaques são para as alas de 500 dançarinos, de grupos e companhias de dança de Salvador e Região Metropolitana (RMS), e de 100 baianas, algumas ligadas a terreiros de candomblés e vendedoras de acarajé e outros petiscos afro-baianos. Nos dois dias de desfile o bloco se concentra, a partir das 19 horas, na Praça Municipal, com destino ao Campo Grande, fazendo o circuito Batatinha. Os foliões acompanham a banda Ókánbí Afro-Pop, que mistura ritmos afro-baianos com afro-cubanos, como a rumba e a salsa. Além do trio, dois carros farão parte do desfile do Ókánbí: um com convidados e o outro trará a bailarina Samonair Santos, a Deusa Negra Atikun Ókánbi 2009, eleita em 4 de fevereiro último. No decorrer do percurso o bloco oferecerá acarajés em alguns pontos. E a ala de canto formada por Jorjão Bafafé, Nito Gato, Tiano, Nailton X receberá o reforço da cantora Gal Borges. “A cada ano priorizamos trazer para as nossas alas de dança bailarinos profissionais ou semi-profissionais para abrilhantar mais os nossos desfiles e buscamos também a profissionalização, sem esquecer que o Ókánbí é um bloco de comunidade e por isso nunca deixamos de fazer um desfile cultural, com temas pertinentes”, diz Zezé Barbosa, diretora da agremiação de carnaval".

Sinais distorcidos e o nariz de palhaço

(Deu no Irohin, por Edson Lopes Cardoso) “Othelo lutava por seu filme, mais até do que eu (...) para ele, as dificuldades que enfrentávamos em conseguir recursos para filmar tinham um sentido penoso suplementar: davam a medida de seu prestígio, revelavam os limites da consideração e da confiança dos que batiam amistosamente em suas costas e traziam de volta seus bordões clássicos. ‘Eles me querem do lado, mas não me dão a palavra’. ‘Eles me vêem como um palhaço’.” "O fragmento citado é de Roberto Moura, extraído de “Grande Othelo – um artista genial”. Rio de Janeiro: Relume-Dumará/Prefeitura, 1996, p.145, e pode ajudar a quem queira compreender tanto um “núcleo negro” de novela da Globo (p. ex. Três Irmãs, a atual novela das sete), quanto uma candidatura a presidente da República. Nem os personagens negros estereotipados se vinculam à trama, por mais medíocre que ela seja, nem (im)prováveis candidaturas negras se incluem entre as considerações dos caciques partidários e analistas políticos. Podemos até repetir, e faço isso com freqüência, uma das três irmãs da peça de Tchecov, escrita na Rússia do final do século XIX, dizendo que a vida não é só isso, e até sinto que alguma coisa grande se aproxima. Mas, por enquanto, vamos continuar chorando no banheiro de um cinema no Catete, como fez Grande Othelo durante a exibição de Malcolm X, de Spike Lee. Pior do que não ter candidato, só mesmo um candidato de mentirinha. Mas parece que não é o caso, porque desde 26 de novembro de 2008 sabe-se que os setores de movimento negro mais diretamente ligados à base do governo proclamaram em ato realizado no Palácio do Planalto o nome de sua preferência e as razões da escolha. Vejam trecho de Eduardo Scolese e Simone Iglesias, repórteres da Folha de S. Paulo: “Explícita, a primeira declaração eleitoral veio de uma integrante do movimento negro. Cleide Ilda de Lima, 46, filiada ao PT de Belo Horizonte, falou em nome da Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras). ‘Acreditamos que esse governo tem cumprido o que veio realizar. Nós acreditamos que ele precisa dar conta de sair de 2010 elegendo a nossa sucessora, a nossa candidata Dilma Rousseff a presidente’, disse Cleide, para aplausos. ‘Queremos elegê-la para dar continuidade aos programas que o Lula construiu nesses oito anos’, completou, já sob os gritos de ‘Dilma, Dilma, Dilma’. ‘Desculpe, mas já estamos em campanha’, finalizou Cleide. Ao lado dos colegas Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Guido Mantega (Fazenda), a ministra da Casa Civil sorriu diante da cena”. A presumida candidatura Paim explicitaria algum racha na base negra do governo? Não creio. Houve uma recente aclamação de Dilma em Belém, com vibrante participação negra semi-oficial, durante o Fórum Social Mundial. A reeleição de Paim ao Senado enfrenta oposição forte no interior do PT gaúcho? É muito provável, há uma enxurrada de candidatos fortes (inclusive uma reedição do embate com Emília Fernandes), e talvez seja esse o alvo da marola: faturar (perdoem, é o jargão utilizado pelos políticos profissionais) o efeito Obama e fortalecer a candidatura Paim ao Senado. Cada palavra, cada gesto, cada mensagem na internet, portanto, correspondem a imperativos da lógica eleitoral, mas nada é o que parece. No entanto, o reconhecimento desses sinais não é, felizmente, uma graça concedida a poucos".

20 de fev de 2009

Ilu Obá de Mim pelas ruas de São Paulo

Educação Básica brasileira passará a valorizar a diversidade sexual em sala de aula

(Deu no Mix Brasil). "A Diversidade Sexual finalmente aparece como algo importante na Educação e faz parte de cinco propostas deliberadas na 1ª Conferência Nacional da Educação Básica, realizada em abril de 2008, em Brasília. O documento final com todas as propostas ficou pronto neste ano e traz preocupações como o tratamento correto sobre as questões de gênero, homofobia e orientação sexual no cotidiano escolar. A Conferência teve como objetivo discutir a educação brasileira com todos os setores ligados à educação básica, a fim de melhorar o ensino e promover o efetivo aprendizado em sala de aula. Pessoas que trabalham ou estudam a Educação e estejam interessadas em um exemplar do documento podem enviar um e-mail para conferencia@mec.gov.br A tiragem é 220 mil exemplares. As políticas de inclusão e diversidade na educação básica deverão: 1) Realizar constantemente a análise de livros didáticos e paradidáticos utilizados nas escolas - conteúdos e imagens -, para evitar discriminações de gênero e de diversidade sexual e, quando isso for constatado, retirá-lo de circulação. 2) Desenvolver e ampliar programas de formação inicial e continuada em sexualidade e diversidade, visando a superar preconceitos, discriminação, violência sexista e homofóbica no ambiente escolar, e assegurar que a escola seja um espaço pedagógico, livre e seguro para todos e todas. 3) Rever e implementar diretrizes, legislações e medidas administrativas para os sistemas de ensino promoverem a cultura do reconhecimento da diversidade de gênero, identidade de gênero e orientação sexual no cotidiano escolar. 4) Garantir que a produção de todo e qualquer material didático-pedagógico incorpore a categoria "gênero" como instrumento de análise, e que não se utilize de linguagem sexista, homofóbica e discriminatória. 5) Inserir os estudos de gênero e diversidade sexual no currículo das licenciaturas".

19 de fev de 2009

Sobre o vale-cultura

(Por: Paula Laboissière, da Agência Brasil). "O vale-cultura, benefício proposto pelo governo federal para ampliar o acesso da população às opções culturais, deve ser anunciado logo depois do carnaval. A informação foi divulgada hoje (11) pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, durante o Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília. O valor definido para o benefício é de R$ 50 e será válido para assistir a peças de teatro e para a compra de livros. Segundo o ministro, apenas empresas que pagam impostos com base no lucro real poderão disponibilizar o vale-cultura aos trabalhadores. “É muito parecido com o vale-refeição mas, no lugar de alimentar o estômago, vai alimentar o espírito. Estamos formatando a proposta, já há um grau de entendimento grande. O presidente Lula é um entusiasta porque você, no lugar de apenas fomentar a produção cultural, vai fomentar o acesso. Precisamos garantir que a cultura chegue ao povo brasileiro e o vale-cultura é um instrumento de acessibilidade", disse Ferreira. Ele adiantou que o processo de negociação está “em fase final”. Apesar de admitir que a próxima e última etapa é “difícil”, o ministro está confiante de que o projeto será provado no Ministério da Fazenda. “Está quase no finalmente. Aceitamos uma série de ponderações, queríamos um quantitativo maior, chegamos a R$ 50 que já é uma grande contribuição. Depois do carnaval, já começo a me preparar para lançar junto com o presidente”, completou".

Uma noite de terror em Paraisópolis: policiais usaram violência contra trabalhadores que vivem na região

(Deu no Brasil de Fato)."Ao andar pelas ruas íngremes e apertadas de Paraisópolis é fácil perceber que o assunto principal é a violência da polícia e o medo da comunidade por represálias, como foi dito por diversas pessoas. Um líder comunitário, que já está há aproximadamente 30 anos na comunidade, vem sendo muito solicitado por moradores que trazem relatos dos mais absurdos cometidos pelos policiais que ocupam a área, compostos por três corporações: Rondas Intensivas Tobias Aguiar (Rota), o Choque e o Comando de Operações Especiais (COE). Ele relata que, no dia 2 por volta das 23 horas, com a situação já controlada, homens das três corporações da Polícia Militar invadiram a comunidade e mesmo sem ter ninguém nas ruas atiraram bombas de efeito moral e disparavam tiros de borracha contras as janelas das casas, inclusive contra as pessoas que voltavam do trabalho. “Crianças e idosos gritavam desesperados pela dificuldade de respiração que a fumaça da bomba causava, inclusive idosos acamados”, diz. Para a comunidade foi uma noite de terror, mas para um morador em especial quase lhe custou a vida. O jovem garçom de um restaurante situado na Avenida Paulista, que resguarda sua identidade, contou que, preocupado com a violência desmedida quando da invasão dos policiais, foi encontrar sua mulher que voltava do trabalho, mas ao sair de casa ele encontrou com “aproximadamente oito policiais, eles pediram para eu entrar em casa novamente, mas quando coloquei a mão na cabeça e virei as costas levei muitos tiros de balas de borracha e o pior, a bomba de efeito moral foi atirada contra meu corpo, estilhaçando na minha perna” . Arrastando -se até a sala e sangrando muito foi socorrido por sua esposa que chegou logo em seguida e havia assistido tudo. Ela conta que mesmo com o uniforme de serviço, quando gritou para que deixassem seu marido em paz, recebeu insultos. “Me xingaram muito, deram muitas risadas e continuaram a percorrer pelo bairro”. O pior estava por vir, quando chamou a ambulância e a demora em chegar persistia, ela retornou a ligação para a central de atendimento da Prefeitura. Pelo telefone lhe informaram que a unidade móvel estava na entrada de Paraisópolis, mas impedida de prestar qualquer socorro aos moradores por ordem da polícia. “Meu marido ficou das 22h às 2h15 da madrugada sem atendimento médico, só conseguimos sair de madrugada quando um vizinho que tem carro nos prestou ajuda”, desabafa. Ainda não se sabe, pela gravidade dos ferimentos, se o jovem conseguirá recuperar os movimentos da perna ou mesmo se terá que amputá-la. Em casa, ele lamenta o ocorrido e promete que irá processar o Estado. “Um pai de duas filhas precisa trabalhar, eles pensam que na favela só tem bandidos, sou muito criminalizado por morar aqui”, conclui. A vizinha da frente conta que teve sua casa invadida sem nenhum mandado judicial e ainda que, quando os policiais viram sua televisão e computador novos, pediram nota fiscal. “Fui humilhada, sou trabalhadora, será que só porque eu moro na favela, se tiver algo é porque roubei, quase esfreguei na cara deles as notas”, revela. O líder comunitário deixa claro que não é contra a polícia na comunidade, mas ressalta, “somos contra pelo modo de agir da mesma, tenho relatos e vi barbaridades nesses últimos dias, os negros são os que mais são abordados, policias revistam mulheres e crianças de 10 a 13 anos de idade, menores e moradores algemados, os pedidos de ajuda são respondidos com bombas de efeito moral”, indigna-se. Quando o líder da comunidade repudiava a atuação da polícia para a reportagem do Brasil de Fato, parece ter tomado outro golpe ao ser interrompido por uma moradora que diz que seu filho foi agredido, porque é deficiente auditivo e quando abordado tentou se comunicar por sinais. “Essa polícia não tem preparo nenhum, bateram no meu filho, porque ele sofre de uma deficiência, será que nem deficientes eles respeitam”, questionou. Atordoado, ele diz que nos dias a rotina foi essa, sair pelas ruas e escutar reclamações de todos os lados sobre as abordagens dos policiais. “A revolta contra a polícia é geral, por isso, a atuação da polícia não melhora a comunidade, precisamos muito mais de educação do que repressão”, reflete".

18 de fev de 2009

Paraisópolis x Morumbi, bairros cresceram juntos, um fornece mão-de-obra, o outro opressão

(Deu no Basil de Fato, por: Márcio Zonta). “Essa humilhação constante no trabalho, aliada à própria violência simbólica que a riqueza desmedida provoca na população da favela, transforma a relação entre os dois pólos numa bomba-relógio”. Essa é a análise do sociólogo da Universidade de São Paulo (SP) Tiaraju D’Andrea, autor da dissertação de mestrado Nas Tramas da Segregação: o Real Panorama da Pólis, sobre a relação entre Paraisópolis e o bairro de classe econômica alta do Morumbi. Em sua pesquisa para o mestrado, ele constatou que 25% da população de Paraisópolis está desempregada e os outros 75% trabalham no setor informal; a maioria no entorno rico, servindo como mão-de-obra barata, prestando serviços de babás, empregadas domésticas, zeladores, motoristas e pedreiros com baixa remuneração e alta exploração. O sociólogo revela que esses trabalhadores não usufruem as conquistas da classe trabalhadora, já que, “não possuem nenhum tipo de benefício como carteira assinada, férias, ou 13º”. A população da comunidade de Paraisópolis serve a eles para que realizem os serviços braçais, diz o sociólogo. “Pensar que o Morumbi apresenta ofertas de emprego ao Paraisópolis é uma análise rasa. Afinal quem precisa de quem no final das contas? A elite do Morumbi não realiza nenhum desses trabalhos e necessita dessa população pobre para realizá-los. E quanto maior for a oferta mais explorados eles serão”, enfatiza. Segundo Tiaraju, pode-se afirmar que Morumbi e Paraisópolis crescem imbricados por uma necessidade mútua, “impulsionada a partir da década de 1960, pelo crescimento do bairro rico. Paraisópolis se constitui como sendo o abrigo dos trabalhadores da construção civil contratados para edificar as mansões e condomínios do Morumbi e para trabalhar nas obras viárias e de infra-estrutura urbana que passaram a ocorrer na região nessa época”, revela. Por que não se oferecem à comunidade, com tanta riqueza ao redor, meios de vida dignos, já que as principais demandas são por educação, saneamento básico, moradia e trabalho. José Maria, Líder da União do Movimento em Defesa das Moradias e Melhoras da Comunidade de Paraisópolis, tem a resposta ao seu modo: “Eles querem acabar com a favela, nos tirar do meio dos ricos”. A menos de 30 metros de uma das entradas que dá aceso a Paraisópolis, num comércio da avenida Giovanni Gronchi, um morador de um suntuoso prédio da região faz jus às palavras de Zé Maria. “Adorei essa Operação Saturação, esses caras pensam que são quem, para quebrar tudo, não são ninguém, tem que tomar bala mesmo”, afirmou. Esse pensamento opressor explicita o modo de vida na região. “Existe toda uma gama de situações que induzem à revolta local: o trabalhador explorado, o jovem miserável e sem perspectiva, o desemprego em massa, a tortura da polícia denunciada pela população local, a opressão simbólica expressa pelas mansões e condomínios do entorno, a falta de moradia digna, de saneamento básico, de serviços públicos, dentre outros fatores que transformam o morar em favelas em uma humilhação cotidiana”, conclui Tiaraju".

17 de fev de 2009

Parabéns Dugueto!

(Deu no Estadão- Do caos ao minuto de silêncio para a poesia, por Livia Deodato ). "Na quinta-feira (12/02) à noite ocorreu um encontro em que o silêncio e a atenciosa escuta se fazem providenciais. Após um dia estressante de trabalho, trânsito acompanhado de buzinaços e uma garoa fina que parece não querer deixar a capital, mais de 50 pessoas se deixaram levar pela poesia de palavras duras, doces, fantasiosas, divertidas e até mesmo pornográficas. Quinta-feira foi dia da 2ª edição do ZAP!, abreviação de Zona Autônoma da Palavra, um slam brasileiro organizado pela atriz Roberta Estrela D?Alva, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos. Criado por Marc Smith em 1986 em Chicago, nos Estados Unidos, o slam nada mais é do que uma competição de ?spoken work?, a palavra falada. Uma arte de escrever e apresentar os poemas. "Existem muitas iniciativas de poesia pipocando pela cidade. Acredito que há uma necessidade urgente de as pessoas se organizarem coletivamente e pararem para se ouvir", diz Roberta. "Precisamos de silêncio para prestar atenção naquilo que tem de mais genuíno, que vem de dentro do coração de cada um." Pouco antes da primeira edição do evento, também organizada na sede do Núcleo no fim do ano passado, Roberta encontrou o e-mail de Smith na internet e arriscou escrever para ele. No dia seguinte, lá estava a resposta do criador do movimento que mais tarde foi levado para Nova York por Bob Holman. "Pedi algumas dicas", conta a atriz, que bem tentou encontrar algo nesses moldes por aqui, sem sucesso. Entre as regras estão a duração máxima de 3 minutos para cada poesia, a proibição de acessórios, figurino especial ou acompanhamento musical e a soberania do júri, formado por cinco pessoas, sorteadas ou escolhidas pelo apresentador, que atribuem nota de 0 a 10 após a exposição de cada poema. A entrada e a inscrição são gratuitas. Anteontem, 14 concorrentes disputaram o slam cujo prêmio era uma pilha de mais de dez livros. "Coloquei um livro que tinha acabado de comprar pra mim, Poemas, do Brecht, além de muitas outras doações. Não contamos com nenhum apoio ainda, infelizmente", diz Roberta. Mix de castanhas, brigadeiros caseiros deliciosos, vinho e cerveja são vendidos a preço de custo. Todo um evento para saciar a fome de poemas declamados em torno do substituto moderno da velha fogueira, o microfone. Tula Pilar Ferreira fez rir e emocionou com Formas Femininas. Moradora de Taboão da Serra e vendedora da revista Ocas há seis anos, Pilar descobriu a poesia como fuga de uma realidade difícil, que por pouco a fez ir morar na rua junto a seus três meninos. Ficou entre os finalistas, mas não levou o prêmio. Nada que tirasse o seu sorrisão do rosto. Nina Levisky, de 10 anos, preparou O Amor numa folha de sulfite cheia de corações. Arrancou aplausos e garantiu que não foi buscar inspiração em nenhum menininho, não. O vencedor da noite foi Ridson Mariano da Paixão, de 25 anos, mais conhecido como Dugueto, poeta nato, morador do Jd. Jaqueline, zona oeste de São Paulo. Sem ler nenhum de seus três poemas, pôs vida em cada verso dito, como "Cabelo rebelde não aceita ser condicionado/Coroa do poder negro Deus seja louvado/Herança musical de tradição oral/Poesia criada na dor do canavial". Comemorou a premiação ao lado de dois dos integrantes de sua banda de rap, Denegri, Dena (cuja voz é inexplicavelmente bela) e James, entoando a capela o convite em forma de canção Vamos pra Palmares. Em meados de março tem mais slam." Não entendi porque a voz da Dena seria "inexplicavelmente bela"? Caso encontre a jornalista perguntarei.

16 de fev de 2009

Lançamentos no Sarau Elo da Corrente, dia 19/02

Comunidade Paraisópolis saturada

(Deu no Brasil de Fato, por: Márcio Zonta). "O real motivo que levou jovens moradores a apedrejarem comércios e carros na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo (SP), no dia 2, ainda não foi divulgado pela imprensa e tampouco pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. Um fato levantado pela comunidade parece que não ganhou eco nesses meios: a morte de um homem pela polícia e a ocultação de seu cadáver. A família, muito abalada e com medo, não quer falar sobre o assunto. De acordo com moradores que preferem manter em sigilo suas identidades, a polícia chegou a Paraisópolis atirando. Tanto Marcos Purcino, identificado como foragido da justiça, e o outro homem não esboçaram reação alguma. “Chegaram atirando, nenhuns dos dois reagiram, o outro rapaz era trabalhador e ainda sumiram com o corpo dele, talvez por verem que ele não devia nada a polícia”, relata um morador. Um dos líderes comunitários da região, que também não quer ser identificado, indaga, “porque o socorro foi prestado a Purcino, que eles sabiam que era um foragido e o outro rapaz que não tinha nenhum envolvimento com o crime teve seu corpo desaparecido. Não tem entrada em hospital, Instituto Médico legal, nada?”. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, que vem alegando vários motivos para a realização da manifestação, dentre eles a morte do foragido, os conflitos a mando de facções criminosas e até a troca de um comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar, parece querer esconder a realidade. Segundo o sociólogo da Universidade de São Paulo (USP), Tiaraju D’Andrea, isso se dá pela forma como a polícia contextualiza o ocorrido. “A polícia tentou impor a mais óbvia de todas as versões: a de que um ‘criminoso’ havia sido morto em uma ‘troca de tiros’ e que, em decorrência disso, o ‘crime organizado’ havia ordenado o levante. Enfim, a versão clássica utilizada em qualquer contexto”, comenta. Conforme revela a própria Secretaria de Segurança, dos nove homens detidos no conflito, entre eles três menores, nada foi provado contra os mesmos, principalmente se faziam parte de alguma facção criminosa ou se estavam se manifestando a mando delas. Nesse sentido, o sociólogo avalia que isso prova que não é um caso de criminosos, até porque em seu raciocínio ele enfatiza, “não sou em especialista em facções ligadas ao tráfico de drogas, mas realmente tenho dúvidas sobre o caráter da ação. Geralmente esses grupos organizados não se expõem tanto quando realizam uma ação, pois não desejam o confronto direto e nem a presença policial”, pontua. A comissão de líderes comunitários de Paraisópolis acredita que esse desencontro e as variedades de informação podem ser propositais para a não-elucidação do caso e para manter em foco apenas os atos de vandalismo: “A manifestação não pode ser taxada apenas como vandalismo. Ela foi realizada por jovens da comunidade que estão revoltados não só com a opressão da polícia, mas com o preconceito da sociedade em geral”. Para o sociólogo, o argumento dos líderes da comunidade faz sentido em relação a manifestação e os seus reais motivos, pois “tudo indica que o ocorrido em Paraisópolis tenha sido um levante popular, protagonizado em sua maior parte por jovens, desejosos de exporem sua revolta, mas sem uma demanda reivindicativa clara ou sem saberem os meios de expressarem publicamente essa demanda”, identifica. O sociólogo ainda afirma que, indiferentemente do ocorrido, já havia uma pré-tensão na região que só precisava de um estopim para acontecer a revolta. “Qualquer que tenha sido o fato ocorrido no domingo [dia 1º], já existia uma tensão latente nessa população. Esta foi canalizada em um fato ocorrido. Sem uma tensão latente, sem um clima de revolta anterior, o fato não teria servido de estopim”, complementa."

14 de fev de 2009

Inscrições abertas para o CineCufa 2009 - 3a edição

"As inscrições para 3ª edição do CineCufa estão abertas. Este festival nasceu da proposta de democratização da Sétima Arte, por isso, só serão exibidas produções criadas por moradores e legítimos representantes das favelas. Para os cineastas e cinéfilos que acabam de nos conhecer, e mesmo para os que já participaram de uma e/ou outra de nossas edições, vale lembrar que neste início de século XXI, por conta de avanços tecnológicos, houve um barateamento dos equipamentos audiovisuais. Deste modo, hoje qualquer pessoa pode fazer um filme usando tecnologia digital (amadora ou profissional). Isto faz com que o número de produções audiovisuais aumente, bem como os cursos de capacitação profissional. Assim, a Central Única das Favelas, que já desenvolve seu Núcleo Audiovisual há pelo menos uma década, pretende valorizar cada vez mais as produções dos cineastas de favela, bem como fomentar a construção de uma identidade que passe a atuar mais fortemente no mercado cinematográfico, ou seja, criando um viés para que essas obras sejam exibidas e possam ser ativas neste movimento. O que incentiva os realizadores dessa crescente vertente audiovisual a se reconhecerem como representantes de um novo movimento estético, social e político. Enfim, este é o mote do CineCufa: a realização de um festival de cinema no qual as obras exibidas não abordem necessariamente o tema “favela”, mas sim, que tenham por trás das lentes o ponto de vista da periferia e de seus legítimos representantes, oriundos de toda e qualquer parte do mundo. E como prova do crescimento do nosso festival, na 2ª edição, tivemos como novidade o prêmio “Governo do Rio – Na Tela da Favela”, que se dividiu em dois quesitos: “Voto Popular” e “Júri Especializado”. Destes, Guilherme Varella (jovem diretor do curta “Raízes”) e o trio composto por Paulo Silva, Júlio Pecly e Cavi Borges (com o filme “7 Minutos”) foram os ganhadores, respectivamente. “O CineCufa é composto pelas produções de quem está dentro da comunidade, de lá pra fora. Por meio de cursos como os que a CUFA oferece, as pessoas da comunidade passam a ter um olhar cinematográfico, mais crítico” – comenta Paulo Silva, ex-aluno do Núcleo de Audiovisual da CUFA. “E isso não quer dizer que na favela só tem história triste, e só existe felicidade na Zona Sul”, acrescenta Júlio, também ex-aluno. É por isso que, desde já, estamos convidando você a participar desta empreitada. Inscreva agora a sua produção, pois a pré-seleção dos filmes que serão exibidos nesta edição de 2009 já começou!!" Rua Carvalho de Souza, 137 – Madureira CEP.21350-180 Rio de Janeiro – RJ Tel. 3015-7113 / 3015-5927 isabela.madureira.rio@cufa.org.br / julianadionisio.madureira.rio@cufa.org.br

13 de fev de 2009

"Salve Xangô, meu Rei Senhor! Salve meu Orixá!"

Funk movimenta R$ 10 milhões por mês só no Rio de Janeiro, diz estudo

(Deu na Folha de São Paulo, por: Bruna Bittencourt). Estudo realizado pelo instituto de pesquisa da Fundação Getulio Vargas, o FGV Opinião, deixou as batidas e os versos provocativos do funk de lado para analisar o gênero por sua perspectiva socioeconômica. "Realizada entre 2007 e 2008 na região metropolitana do Rio, o berço do "pancadão", a pesquisa ouviu agentes envolvidos na produção do funk, como DJs, MCs (autores e intérpretes de suas faixas) e equipes de som (que promovem os bailes e fornecem seus aparatos), além de camelôs que faturam com as festas. As mais de 400 entrevistas mapearam relações e mostraram que o gênero movimenta cerca de R$ 10 milhões por mês no Estado do Rio. Hermano Vianna, autor do pioneiro estudo "O Mundo Funk Carioca" (1988), acredita que esse tipo de pesquisa ajuda a esclarecer o funcionamento do gênero e que deveria ser mais frequente também em outras áreas. "Não é um problema só do funk. A produção cultural brasileira tem poucos censos econômicos. A cultura perde, com isso, muitas oportunidades na comparação com outras atividades econômicas mais organizadas", avalia. "Conseguimos mostrar com essa pesquisa que o funk é um mercado de trabalho e de produção econômica", diz Marcelo Simas, pesquisador da FGV Opinião. O instituto já havia se debruçado sobre outro gênero, o tecnobrega, em pesquisa compilada no livro "Tecnobrega: O Pará Reinventando o Negócio da Música", de Ronaldo Lemos e Oona de Castro. Fenômeno no norte do país --numa realidade econômica bem diferente--, o tecnobrega movimenta R$ 5 milhões por mês em Belém, metade do que o funk movimenta no Rio. Os dados mostram que é o MC quem mais fatura na cadeia produtiva do funk, ganhando, em média, R$ 4.140,19 mensais. "Até então, muitos achavam que o dono da equipe de som era o principal articulador dessa cadeia produtiva. Ele de fato arrecada o dinheiro e faz os pagamentos, mas o MC é o agente mais lucrativo", diz a pesquisadora Elizete Ignácio, da FGV. A partir de 2003, os MCs começaram a se desligar das equipes de som e a conquistar um espaço próprio. De acordo com o estudo, eles fazem uma média de 35,2 apresentações por mês, enquanto DJs se apresentam 29,5 vezes no mesmo período. Segundo Ignácio, uma das grandes queixas dos entrevistados é quanto à instabilidade do mercado. "As pessoas entram e saem do funk a todo o tempo. O tempo médio de carreira é muito baixo", diz. DJs e equipes de som trabalham, respectivamente, 13 e 15 anos, em média. O tempo médio de carreira do MC é mais curto --nove anos. Bailes funk no Rio movimentam R$ 10 milhões por mês; cachê médio de MCs é de R$ 411 Os DJs, que até a década de 1990 tocavam de costas para o público nos bailes, são apontados como os principais responsáveis pelas inovações musicais e vêm diversificando suas funções --seja apresentando programas de rádio, seja atuando como empresários de MCs, com quem costumam ter uma relação mais harmoniosa do que com as equipes de som. Segundo o estudo, a informalidade que rege cachês e contratos gera uma série de atritos e acusações entre os agentes. Há dois anos, porém, vêm surgindo associações que pleiteiam a formalização das relações econômicas e de trabalho. As equipes de som promovem uma média de 878 bailes por mês no Estado do Rio de Janeiro. Para realizar mais de uma festa por noite, dividem-se em subequipes e recorrem a aluguel de equipamentos. Apesar de faturarem mais nos bailes em clubes (em geral quadras de esportes ou danceterias da cidade) do que naqueles promovidos dentro das chamadas comunidades (praças, quadras e escolas de samba), as equipes não deixam estas últimas de lado. Entre as razões, estão a "gratidão" pelo fato de as comunidades terem abrigado o funk quando ele foi reprimido pelas autoridades do Rio, nos anos 90, e o fato de elas ainda serem plataformas para lançamento de artistas e sucessos."

12 de fev de 2009

Amêsa, dramaturgia angolana em Salvador

(Texto de divulgação). "Dias 13 e 14 de fevereiro, às 20:00hs será apresentado o monólogo Amêsa, que tem como atriz interprete a angolana Heloísa Jorge, e direção de Suelma Costa. Amêsa ou a canção do desespero é um texto de José Mena Abrantes, escritor angolano que viveu alguns anos da guerra pela independência de Angola e toda a guerra civil que se iniciou logo após a independência. Por isso, é impossível pensar esse texto distinto da história de Angola, assim como não dá para separá-lo da história do próprio autor. O texto trata da personagem Amêsa narrando sua própria história. Sua narrativa parte, não dos fatos, mas das marcas que ficaram em seu corpo e em sua alma,.que simbolicamente revela as marcas e lembranças de uma Angola que ainda grita e sente na pele de seus filhos a dor da guerra. Amêsa (personagem) embarca em um rio de lembranças e numa intensa busca pela sua própria identidade. Ao longo dessa busca ela vai se deparando com as cicatrizes que ficaram tatuadas em sua pele, e também com a sua força, suas fraquezas e fantasias. Rasga suas próprias máscaras e se encara na sua condição humana e limitada. A proposta de montar o texto neste formato surgiu do diálogo existente entre o próprio texto, a história da atriz, que também é de Angola, e o desejo da diretora de partir do sensorial para o racional, o que numa linguagem teatral podemos dizer: do dionisíaco para o apolíneo. O espetáculo, que se prepara para participar do Festival Internacional de Curitiba em março deste ano, trás na sonoplastia o cantor e compositor angolano Wiza. A cenografia é assinada pela diretora Suelma Costa e a iluminação é de Everton Machado. O espetáculo é uma realização da Cia de Teatro Gente." O Que? AMÊSA. Onde? Teatro Gamboa Nova, salvador. Quando? 13 e 14 de fevereiro, 20:00hs. R$ 5,00(preço único) Produção: Cia de Teatro Gente. contato@ciadeteatrogente.com.br www.ciadeteatrogente.com.br 71 88041667

Rodrigo Santos recria e interpreta Fela Cuti, no Rio de Janeiro

(Texto de divulgação). "A Cia dos Comuns e Karê Produções apresentam O SUBTERRÂNEO JOGO DO ESPÍRITO, Concepção, dramaturgia e interpretação: Rodrigo dos Santos. Monólogo em processo de criação livremente inspirado na música/vida do nigeriano Fela Kuti (1938 - 1997). Músico, profeta, político, pensador, multi-instrumentista, dançarino, compositor e revolucionário, Fela foi o inventor do movimento cultural e musical “Afrobeat”, combateu os abusos da ditadura militar e do governo civil na Nigéria, utilizando como arma sua música - uma combinação de ritmos afro-americanos, como o soul, o funk, o jazz, com elementos musicais tradicionais." Café do Teatro Gláucio Gill. Praça Cardeal Arcoverde, s/nº - Copacabana. (21) 2332 - 7902 e 2332 - 7904. Cia dos Comuns: (21) 2242 - 0606. 5 a 14 de fevereiro - quinta a sábado - 19:30 h. ingressos: inteira 6,00 / meia 3,00. classificação etária: 14 anos.

11 de fev de 2009

Paulo Lins na TV Cultura

(Texto de divulgação). "O escritor Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus, e o jornalista Ruy Castro, que se notabilizou pelas biografias como as do craque Garrincha e da cantora Carmen Miranda, estarão na edição de fevereiro do programa Letra Livre, que vai ao ar na TV Cultura nesta quarta-feira, dia 11, às 23h10 com apresentação do jornalista e crítico literário Manoel da Costa Pinto. Ruy Castro é autor de biografias de algumas das personagens mais marcantes da cultura brasileira, incluindo a do dramaturgo Nelson Rodrigues, e, recentemente, lançou Era no tempo do rei – um romance histórico que tem como fio condutor a chegada da corte portuguesa ao Brasil, há 200 anos. Com apenas um livro publicado, mas com muita estrada na literatura, o carioca Paulo Lins tornou-se um marco da prosa contemporânea brasileira. Cidade de Deus, romance lançado em 1997, inovou ao retratar a favela carioca do ponto de vista de quem conviveu de perto com essa realidade. Adaptado para o cinema pelo diretor Fernando Meirelles, a obrafez de Paulo Lins um escritor conhecido internacionalmente. Em seu segundo romance – anunciado para este ano e com o título Desde que o samba é samba é assim – Paulo Lins aborda esse universo de um outro ângulo, mostrando como a música tornou-se elemento de inclusão social do negro no Brasil."

Bikudos - os que vêm da Steve Biko, na Mudança do Garcia, em Salvador

KWANZA - Baile da Solidariedade Negra

(Texto de divulgação). "O KWANZA - Baile da Solidariedade Negra surge da necessidade de organização de um grupo de estudantes negras da universidade Católica do Salvador que vêem semestralmente a sua permanência ameaçada por não possuir condição financeira para dar continuidade à graduação. Pensando nisso o Kwanza surge em primeiro momento como uma festa política com fins de arrecadar fundo financeiro para garantir a matricula de algumas lideranças estudantis. Esse mesmo grupo se propõe a discutir a questão d@s outr@s muit@s estudantes que por motivo financeiro foram obrigad@s a se afastar da universidade. Não sabemos precisamente o número de estudantes que estão de fora da universidade, até porque a mesma não disponibiliza estes dados, mas acreditamos que nós últimos três anos esse número se aproxima a mil estudantes. Entendemos este fato como uma política racista dessa instituição no seu pleno exercício de linchamento étnico-racial. Kwanzaa é uma palavra swahili - língua Bantu oficial no Quênia e na Tanzânia. Significa "os primeiros frutos" e pertence às antigas tradições de celebrações de colheitas na África. Os sete princípios da Kwanza são: UMOJA (unidade), KUJICHAGULIA (autodeterminação), UJIMA (trabalho coletivo e responsabilidade), UJAMAA (economia cooperativa), NIA (finalidade), KUUMBA (criatividade) e IMANI (fé). Inspiradas nestes princípios e entendendo que “estamos por nossa própria conta” pedimos o apoio de todas irmãs e irmãos; para que possamos vencer essa batalha e dar seguimento às nossas jornadas."

10 de fev de 2009

Akins Kinte recita poesia erótica no Sesc Pinheiros, em Sampa, dia 11/02

(Texto de divulgação). "Nesta quarta-feira, dia 11 de fevereiro de 2009, ás 19h - o poeta Akins Kinte recitará versos eróticos no Projeto Entrelinhas do Corpo, no qual saúda as delicadezas do erotismo e suas entrelinhas no Encontro de Literatura Erótica, com debates, oficinas e leituras. A programação estimula a imaginação e quer aguçar o senso crítico dos leitores. Os convidados para o debate são: Marcelino Freire, Ivan Marques, Gonçalo Júnior e mediação de Ricardo Santhiago. Recital de poesias com o poeta Akins Kinte." 100 vagas. Retirada de senha no local. Sala de Oficinas, 2º andar. Grátis. Dia 11/02 Quarta, às 19h. SESC Pinheiros: Rua Paes Leme, 195 (proximo do Largo da Batata)

"Oh Lara, cadê Clementina de Jesus? Ai Jesus, cadê Dona Ivone Lara?"

(Deu no jornal do Brasil: "Pesquisa traça e analisa a biografia peculiar de Dona Ivone Lara", por Marcelo Moutinho, jornalista e escritor). " É espantoso como as músicas de Dona Ivone Lara remetem a ancestrais cantigas de domínio público. Parece que suas sinuosas melodias estão imemorialmente gravadas no inconsciente coletivo e ela apenas as retira de lá para, como uma Iabá, fazer com que breves instantes de transcendência possam rasgar vez por outra a malha ordinária do dia a dia. A essa formidável capacidade, somam-se outras. Foi Dona Ivone, por exemplo, a primeira mulher a assinar um samba-enredo – e não se trata de um samba qualquer, mas de Os cinco bailes da História do Rio, parceria com Silas de Oliveira e Bacalhau, que o Império Serrano levou à Avenida em 1965. Foi ela, também, a responsável pela criação de pérolas como Sonho meu e Acreditar (ambas com Delcio Carvalho), Mas quem disse que eu te esqueço (com Hermínio Bello de Carvalho) e Enredo do meu samba (com Jorge Aragão), que integram sem favor o rol dos maiores clássicos do nosso cancioneiro. Além disso, saindo de uma infância pobre e de um núcleo familiar iletrado, Dona Ivone formou-se assistente social e enfermeira, e trabalhou com a Dra. Nilse da Silveira na aplicação das terapias que revolucionaram, nos anos 1970, o tratamento psiquiátrico. As tantas facetas que se amalgamam na singularidade dessa personagem que é mito e sinônimo de canção, referência e signo da ancestralidade africana, nunca haviam sido objeto de análise sob a forma de livro. Até agora. Pois a Record acaba de lançar Nasci para sonhar e cantar - Dona Ivone Lara: a mulher no samba (Record, 174 páginas, R$ 32), de Mila Burns. A obra é uma adaptação da dissertação de mestrado da autora em Antropologia Social (pelo Museu Nacional, da UFRJ). Digno de elogios por preencher uma lacuna da bibliografia sobre a música popular – e, mais genericamente, sobre a cultura brasileira –, o livro narra a história de Dona Ivone da infância aos dias atuais, carreando, na trajetória da protagonista, as profundas mudanças por que passou o país durante o século passado. O ponto central do exame feito por Mila é a tentativa de compreender como uma menina negra e carente, moradora do subúrbio, transformou-se em diva do samba. A jornalista (repórter do RJ TV, da TV Globo) e antropóloga elenca possibilidades: o fato de a família da sambista ser ligada ao gênero; o casamento com o filho do presidente de uma renomada escola (a extinta Prazer da Serrinha); a capacidade de se impor em um nicho majoritariamente masculino – o dos compositores. Cada uma dessas “razões” é investigada a fundo, à medida que a vida da protagonista se descortina. Mila demonstra, entre outros detalhes, como Dona Ivone experimentou em âmbito radicalmente íntimo o encontro entre popular e erudito que viria a dar contornos particulares à música brasileira. Provinda de uma família de sambistas e chorões – a mãe desfilava em ranchos, o pai tocava violão de 7 cordas –, a compositora estudou canto orfeônico no internato público, onde permaneceu dos 10 anos até a maioridade. Na escola, chegou a ser aluna de dona Lucília Villa-Lobos, então casada com o maestro. Curiosamente, Dona Ivone também teve aulas de música com Zaíra de Oliveira, a primeira esposa de Donga. No universo próprio que aos poucos se esboçava, a ela operava a síntese entre dois polos: “Fui pro colégio interno, vi um mundo diferente. Voltava pra casa, via outra coisa. Saía de novo, e mais uma coisa”, observa no livro. Aos 12 anos, estreou como compositora. Estava em casa, acompanhada dos primos mais velhos, Hélio e Fuleiro, que lhe deram um passarinho. As brincadeiras com o bicho inspiraram Tiê-tiê, canção ainda hoje incluída em seu repertório. E Fuleiro, que mais tarde viraria baluarte do Império Serrano, acabou se transformando num dos principais responsáveis pela caminhada da prima no mundo artístico. Foi ele, na verdade, quem começou a cantar as músicas da compositora em rodas de samba. E o fez a pedido da própria, que, ainda jovem e intimidada com o domínio masculino em tais espaços, procurou-o e propôs que apresentasse suas canções como sendo dele. Dona Ivone frequentava essas rodas, inclusive a que ocorria na casa de Seu Alfredo Costa, o comandante da Prazer da Serrinha. Lá, conheceu o futuro marido, Oscar (filho de Seu Alfredo), e começou a ganhar confiança para apresentar publicamente seus sambas. Quando um grupo dissidente deixou a Prazer da Serrinha e fundou o Império Serrano, ela foi junto. Corria, então, o ano de 1947, e Dona Ivone passou a integrar oficialmente a ala dos compositores da nova escola. Mila conta, no livro, como se deu a parceria em torno de Os cinco bailes da História do Rio. Bacalhau e Silas de Oliveira, este já consagrado autor de sambas-enredo, tentavam escrever o hino do Império para aquele ano, mas não conseguiam. Haviam bebido demais. Quando Dona Ivone os encontrou e soube da dificuldade, cantarolou parte de uma melodia, que logo ganharia os inspirados versos da dupla. Na época, a escola da Serrinha já era conhecida por trazer inovações ao carnaval, e Fábio Mello, um dos diretores, concluiu que seria interessante reconhecer a participação da compositora e colocar uma mulher assinando o samba junto com os homens. Foi o que aconteceu – e o resto é história. Como sempre se preocupou em manter a estabilidade financeira que lhe garantia a independência, somente após a aposentadoria Dona Ivone pôde se dedicar exclusivamente à música. O primeiro disco, uma coletânea ao lado de Clementina de Oliveira e Roberto Ribeiro, foi lançado em 1970, ano em que ganhou também a alcunha consagrada: por sugestão dos produtores Oswaldo Sargentelli e Adelzon Alves, a Yvonne Lara do registro em cartório deu lugar a Dona Ivone Lara. No livro, ela se recorda do desgosto inicial com o segundo batismo. “Dona? Pra quê Dona? Não quero isso, não, sou nova, ainda! Não tenho nem 50 anos, imaginem!”, respondeu aos dois na ocasião. Mila relata ainda o princípio da união com aquele que seria o mais constante parceiro: Delcio Carvalho. Dona Ivone andava deprimida devido à morte de Silas de Oliveira, que teve um infarto enquanto cantava Os cinco bailes. Preocupado com o estado da mulher, o marido Oscar sugeriu a Delcio que escrevesse algumas letras para ela. Três anos depois, em 1975, foi Oscar quem faleceu, e a compositora enfrentou um período de tristeza intensa. Tristeza que o parceiro soube sentir – e purgar em palavras. “O Delcio fazia letras tristes porque olhava para mim e sabia o que eu estava querendo dizer com as minhas melodias”, diz a sambista. O maior encanto de Nasci para sonhar e cantar vem exatamente dessas revelações, que documentam fatos relevantes com objetividade e sabor. O que não significa que o livro não tenha problemas. Ao adaptar a dissertação, Mila retirou os excessos de referencial acadêmico, mas o pouco que ficou irrompe brutalmente no texto, causando incômodo. Em algumas passagens, faltou também uma revisão mais atenta para eliminar a repetição de expressões e ideias. Por fim, há escorregadelas de pesquisa, como a atribuição da autoria do samba Senhora da canção apenas a Nei Lopes, esquecendo-se do violonista Cláudio Jorge. A conclusão a que Mila chega ao fim do estudo é que o percurso de Dona Ivone não dependeu só de seus movimentos internos, embora também deles. Houve, segundo a autora, uma confluência paralela de fatores externos. “Quando a compositora começa a se destacar e grava seus primeiros discos, o Brasil atravessa uma fase de notável transformação social. A partir dos anos 1960, o bonito era a diferença, fosse ela de raça, faixa etária ou sexo”, argumenta. Assim, sem se encaixar em nenhum dos tipos mais conhecidos no meio do samba – não é “tia”, nem passista, nem musa –, Dona Ivone entortou o destino previamente traçado para uma mulher de sua origem e de seu tempo. Em quase nove décadas, foi esposa, mãe, enfermeira, assistente social, artista na essência mais plena do termo. Impôs-se como pérola rara (que é) e construiu uma vida tão rica que dá até enredo de carnaval. O que o Império Serrano está esperando?" (O título do pôste é um verso da imortal Jovelina Pérola Negra).

9 de fev de 2009

LIRA 2009, em Belo Horizonte

(Por: Ricardo Aleixo). "O poema acima, do livro/DVD Modelos vivos - produzido com recursos do programa Petrobras Cultural -, está quase no ponto para ganhar as ruas em agosto próximo, diz muito sobre a relação que venho mantenho com a arte verbal nos últimos 16 anos, desde que comecei a estudar a fundo a questão da palavra em performance. Criado em 2006, como mote e título da performance que montei quando participei do projeto “Noite do Griot”, promovido pela Casa África, e logo depois retrabalhado como poema visual, Boca também toca tambor tornou-se, ainda, com o tempo, uma espécie de “vocograma” pessoal, ao qual atribuo funções as mais diversas: sua entoação serve tanto para o meu treino vocal diário e para os testes com o microfone em ensaios e passagens de som, quanto para me ajudar a recuperar o equilíbrio emocional em meio a alguma turbulência. Sem deixar, é claro, de ser uma saudação ao dono da fala. Como sabem as pessoas que acompanham o que faço, sempre dou mais de um uso às minhas “inventações”, como dizem os baianos: Boca também toca tambor passa, assim, a intitular o workshop que oferecerei no LIRA, no dia 14/3, sábado, das 9h às 13h, em torno da exploração das dimensões percussiva e timbrística do signo verbal, para fins de criação do que chamo de “textos-tambores” (dos cantopoemas rituais africanos e da diáspora negra – e o peso de sua influência sobre o projeto sonoro de dadaístas e cubofuturistas – aos "africanismos" de Raul Bopp, Jorge de Lima e Ascenso Ferreira; das proezas vocais de Clementina de Jesus e Amiri Baraka ao batuque camerístico de Bob McFerry e Naná Vasconcelos; do rap ao vissungo e ao neo-oriki). Da metodologia fazem parte os seguintes recursos: audição comentada de gravações raras em áudio e vídeo – momento em que farei breves explanações sobre questões téoricas relacionadas às tecnologias da voz – e exercícios vocais/corporais individuais e coletivos. Como bonus track, mostrarei algumas peças inéditas que farão parte do DVD do Modelos vivos, além de realizações de outras fases da minha trajetória como poeta-performador. Importante: devido às dimensões do espaço, apenas 10 vagas serão disponibilizadas. Público-alvo: poetas, cantores/as, profissionais/estudantes de artes cênicas, arte-educação, letras e demais interessados na questão da voz e do corpo como elementos estruturantes nas poéticas de extração africana. Valor do investimento: R$ 100,00. Os interessados deverão enviar carta de intenções (máximo de 10 linhas)e breve currículo para a produtora Jaqueline Melo (lira.jaquelinemelo@gmail.com), que poderá, também, fornecer maiores informações sobre a atividade. Muito importante: na próxima semana começaremos a divulgar as primeiras oficinas do LIRA em 2009 (entre os professores, o poeta e artista visual Eduardo Jorge e o prosador e poeta Sérgio Fantini). Continuem na escuta! "

7 de fev de 2009

Cine Cufa 2009 - inscrições abertas até 7 de março

(Texto de divulgação). "Com o objetivo de democratizar a Sétima Arte, o CineCufa é um festival internacional de cinema que exibe somente produções criadas por moradores e legítimos representantes das favelas. Não apenas das favelas do Brasil, mas das favelas do mundo. Realizado no Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro), no mês de maio de 2009, o festival realizará sua terceira edição. Não foram só os facilitadores tecnológicos, como a câmeras digitais e de celulares, que impulsionaram os moradores das favelas a realizarem obras cinematográficas. Esta nova ordem estética e cultural nasce também da vontade e necessidade da periferia de ser protagonista de sua própria história e de expor seu ponto de vista, de retratar o mundo segundo sua própria ótica. O fator tecnológico, entretanto, foi a mola propulsora que alavancou mundo a fora cursos e oficinas de capacitação. Desta renovação nasceu também o Núcleo de Audiovisual da Cufa, atuante como uma produtora de vídeo desde o ano 2000. Entretanto, além de produzir é preciso exibir. E por identificar esta lacuna no mercado de exibição a Cufa criou esta janela para difusão das mais diversas obras cinematográficas realizadas pela periferia. Com isso pretendemos valorizar cada vez mais as produções dos cineastas de favela, bem como fomentar a construção de uma identidade que passe a atuar mais fortemente no mercado cinematográfico. O CineCufa exibe obras com tema, gênero e duração livres, tendo como única prerrogativa para exibição da obra a atuação da favela como protagonista do projeto. Como prova do crescimento do nosso festival, na 2ª edição, tivemos como novidade o prêmio “Governo do Rio – Na Tela da Favela”, que se dividiu em dois quesitos: “Voto Popular” e “Júri Especializado”. A premiação serviu como incentivo a novas produções destes realizadores, que ganharam legendagem de seus filmes e equipamentos. Isto comprova que o CineCufa está no caminho certo, dando visibilidade aos talentosos cineastas de favela, cujas obras normalmente não têm acesso às salas de exibição. É a favela mostrando ao mundo seu pensamento, seu talento! É a favela escrevendo sua própria história."

"Encarna" - livro novo do Berimba de Jesus

6 de fev de 2009

Arte africana no centro de São Paulo

(Deu na Folha de São Paulo). "No volume máximo, o pagode grita nos alto-falantes das lojas. No chão em frente ao prédio, alguns sem-teto tentam dormir. Mas bem pouco do som nervoso do centro vaza para dentro do mais novo cubo branco de São Paulo, a imaculada Soso Arte Contemporânea Africana, galeria que será inaugurada amanhã no segundo andar do edifício Seguradoras. Foi neste prédio quase esquecido de Oscar Niemeyer, na avenida São João, a alguns metros do vale do Anhangabaú, que se instalou a primeira galeria de arte africana do país. "Mesmo que haja gente dormindo na rua, há segurança aqui", diz Mário de Almeida, empresário hoteleiro angolano, dono da Soso. "Este é o centro de uma das maiores cidades do mundo, e o centro de uma das maiores metrópoles do mundo não pode ser decadente." Deslumbrado, Almeida conta à Folha que decidiu comprar o segundo andar do Seguradoras quando soube que era um projeto de Niemeyer, pelo qual diz ter pago R$ 300 mil. Desembolsou mais R$ 1,5 milhão para comprar o antigo Hotel Central, projeto de Ramos de Azevedo, do outro lado do calçadão da avenida São João. "As pessoas querem prédios com assinatura", afirma o secretário municipal da Cultura, Carlos Augusto Calil, que está tocando agora um projeto de revitalização da área, a chamada "praça das artes", orçado em R$ 100 milhões. "Essas iniciativas espontâneas de empresários nos sinalizam que há uma demanda de parte da sociedade por prédios de qualidade." Cada um dos 40 quartos do antigo hotel de Ramos de Azevedo vai receber artistas africanos para residências a partir de agora, sendo que em maio cada apartamento abrigará uma instalação, parte de uma grande mostra que integra o calendário da próxima Trienal de Luanda, marcada para 2010. A reforma do hotel, que deve ser concluída em 2011, está orçada por Almeida em cerca de R$ 11,6 milhões -valor que deve vir do próprio bolso, mas terá parte captada por leis de incentivo e créditos do BNDES. "Eu já fiz isso em Angola, investir numa área decadente, que depois vira motor do desenvolvimento", diz Almeida. "Eu tenho um complexo em Luanda que era uma construção do século 18, um armazém destelhado, que hoje virou um grande espaço de lazer." Almeida, casado com a filha do cantor Djavan, não descarta também a possibilidade de sua atual residência artística virar hotel de luxo no futuro, algo na linha dos "concept hotels" que pipocam pelo mundo, sendo que "cada quarto será uma possível instalação de arte". No lado artístico da jogada, Almeida também não faz feio. Tem o apoio do artista e curador angolano Fernando Alvim, responsável pelo primeiro pavilhão africano na Bienal de Veneza, em 2007, e também mentor da Trienal de Luanda. "Venho de uma situação particular em Angola, em que artistas têm de ser curadores, críticos e galeristas ao mesmo tempo, porque não temos os sistemas da arte", conta Alvim. "Por isso consideramos o artista o epicentro de um fenômeno cultural e criamos um movimento cultural para tentar legitimar a arte africana." Alvim é também vice-presidente da Fundação Sindika Dokolo, por trás da maior coleção de arte contemporânea africana do mundo, com mais de 3.000 peças, e em parte responsável pelos gastos dos artistas angolanos que participam da nova residência paulistana, grande aposta da fundação. "É importante uma galeria que mostra um pouco da África, mas com uma versão da história contada por nós mesmos", diz Alvim. "Queremos o comando da nossa própria história, já que ninguém sabe mais disso do que nós mesmos." São Paulo acaba surgindo então como vitrine da produção contemporânea africana e contraponto a Veneza, que, nas palavras de Alvim, "já morreu". "No pavilhão africano, pusemos líderes políticos que lutaram pelo fim do preconceito, porque achamos que Veneza era preconceituosa", afirma Alvim. "Foram 112 anos sem arte africana, e ainda fomos submetidos a um júri mais incompetente do que nós. Não é preciso passar por Veneza para fazer arte contemporânea".

Campanha nacional contra o extermínio da juventude negra

Fórum Nacional de Juventude Negra lança, durante o Fórum Social Mundial 2009, a Campanha Nacional contra o Extermínio da Juventude Negra. (Por: *Thais Zimbwe). "Sob os princípios de promoção de um espaço aberto ao pluralismo e à diversidade de engajamentos e atuações das entidades e movimentos que dele decidam participar, para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de idéias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes, o Fórum Nacional de Juventude Negra, lançou no dia 28 de janeiro durante a edição 2009 do Fórum Social Mundial, realizada na cidade de Belém no Pará, a Campanha Nacional contra o Extermínio da Juventude Negra. A Campanha é fruto de um processo de articulação nacional da juventude negra brasileira reunida durante o I Encontro Nacional de Juventude Negra, em 2007 na Bahia. A Campanha Nacional contra o Extermínio da Juventude Negra, sob coordenação do Fórum Nacional de Juventude Negra com dinamização dos Fóruns Estaduais de Juventude Negra, surge como um instrumento de luta e discussão com a sociedade brasileira sobre um modelo de segurança pública, que respeite os direitos humanos, e seja compatível com um Estado democrático e de Direito, reduzindo assim, o alto índice de violência contra a população negra, especialmente jovens negros e negras. A atividade foi realizada durante o Dia da Pan-Amazônia, dedicado levar ao mundo as vozes da Amazônia, evidenciando 500 anos de resistência, conquistas e perspectivas africanas, indígenas e populares. Os dados para a violência na região amazônica do país são alarmantes, dos 100 municípios com maiores índices de desmatamento, 61 estão entre os que apresentam as maiores taxas de assassinatos no país, de acordo com o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros. Entre os municípios que figuram nas duas listas, 28 estão no Mato Grosso, 21 no Pará, oito em Rondônia e dois no Maranhão. A violência é um dos maiores problemas enfrentados pela sociedade brasileira, fruto de condições sócio-econômicas profundamente desiguais, de corrupção e de uma tradição de impunidade. “O racismo não vai deixar de existir, precisamos criar políticas de enfrentamento a ele. Apoiamos a luta da juventude negra, precisamos salvar os nossos jovens”, enfatizou o Babalorixá Edson de Oxossi, integrante da organização paraense CEDENPA, durante a atividade. O lançamento reuniu lideranças das religiões de matriz africana, do movimento negro paraense, integrantes dos Fóruns Estaduais de Juventude Negra e dezenas de participantes do Fórum Social Mundial, no universo de cerca de 200 pessoas que assistiam a atividade, foi consenso durante as intervenções que é urgente a incorporação de uma cultura de paz e garantia de vida saudável para a juventude negra. “O racismo presente na sociedade impede a população negra, principalmente sua juventude, de acessar uma educação de qualidade, acesso no serviço público de saúde, e principalmente se materializa na violência diária sofrida pelos jovens negros. O Fórum através dessa Campanha abre um espaço de diálogo com a sociedade para evidenciar essas práticas e dar um grito de alerta, precisamos viver”, enfatizou Gleidson Alves, coordenador do Fórum de Juventude Negra do Pará. Apesar dos avanços na legislação de proteção aos direitos humanos, os índices de homicídios contra a juventude permanecem elevados e alguns deles cresceram ainda mais nos últimos anos. Pesquisas recentes têm demonstrado que é o homem, jovem e negro a vítima preferencial da violência. No início de 2006, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou dados sobre o genocídio praticado pelo estado brasileiro contra sua juventude. O Brasil ficou conhecido como o país que mais mata jovens no mundo, sendo que a imensa maioria destes(as) jovens são negros(as). Reforçando o ambiente do Fórum Social Mundial como espaço convergente das várias lutas sociais, sob um contexto de dimensão internacional, durante a atividade de lançamento da Campanha Nacional contra o Extermínio da Juventude Negra, contou com a participação do jovem colombiano Hugo Mondragon, que apresentou o cenário de violência contra a população afro-colombiana, “No meu país, sofremos perseguições e todos os dias são cometidas violências e chacinas contra os negros. Nossos líderes são mortos, desaparecidos ou impossibilitados de seguir na sua luta social, visando assim deixar a população negra colombiana sem lideranças, assim menos forte”, explicou Mondragon. De acordo com o Mapa da Violência: Os jovens da América Latina, as taxas de violência da América Latina para o conjunto da população são dezesseis vezes maiores que as taxas européias, quando se trata de vítimas jovens, viram 31 vezes maiores. Historicamente, os pólos dinâmicos da violência encontravam- se localizados na América do Sul, principalmente na Colômbia e no Brasil. Apesar de não ser totalmente correto, nas últimas décadas, a violência na América Latina virou sinônimo de tráfico de drogas, com seu aparelho criminal infiltrado nas diversas instâncias da sociedade civil e política e seus assentamentos territoriais. As alternativas a esse cenário são a promoção de políticas e estratégias que estimulem a plena inserção e um papel protagônico para os(as) jovens, em que sejam articulados esforços e iniciativas do setor público em suas diversas instâncias, da esfera privada, das organizações não-governamentais e dos(as) próprios(as) jovens. Estratégias que promovam o conhecimento, a revalorização e o fortalecimento da identidade juvenil e sua participação, como setor ativo e consciente da construção da cidadania e do desenvolvimento dos países. A Campanha Nacional contra o Extermínio da Juventude Negra visa despertar uma reflexão sobre o valor da vida humana e das práticas discriminatórias predominantes na sociedade, fortalecer, impulsionar e disseminar as discussões sobre violência e segurança pública através do olhar da juventude negra. Serão desenvolvidas ações nacionais baseadas na formulação de estratégias de prevenção à violência contra a juventude negra de forma que os índices de violência contra este grupo da população seja reduzido. A avaliação do sucesso desta iniciativa se dará a partir de cada vida poupada e da elevação da consciência coletiva sobre os fatores que norteiam a permanência de uma conjuntura exterminadora e violenta para a juventude negra brasileira". (*Thais Zimbwe - foto - é jornalista, corresponde do Portal Mundo Negro e integrante da Coordenação do Fórum Nacional de Juventude Negra).

5 de fev de 2009

Invasão da Polícia Militar paulista a Paraisópolis

Quem quiser acompanhar o lado B das notícias sobre a invasão da comunidade de Paraisópolis pela Polícia Militar de São Paulo, sob o argumento falacioso de proteção à ordem pública, visite o blogue do Sarau Elo da Corrente, editado pelo amigo Michel da Silva. As imagens também oferecem idéia do que está em jogo, atentem ao contraste.

Discurso de posse Barack Obama - traduzido

(Fonte: revista Época). "Aqui me encontro hoje humilde diante da tarefa à nossa frente, agradecido pela confiança depositada por vocês, atento aos sacrifícios feitos por nossos ancestrais. Agradeço ao presidente Bush pelos seus serviços a esta nação, assim como pela generosidade e pela cooperação mostradas durante esta transição. Quarenta e quatro americanos, até hoje, prestaram o juramento presidencial. Suas palavras foram ditas durante a maré ascendente da prosperidade e nas águas calmas da paz. Mas frequentemente o juramento é prestado em meio a nuvens crescentes e tempestades ruidosas. Nestes momentos a América foi em frente não apenas graças ao talento e à visão daqueles no poder, mas porque nós, o povo, permanecemos fiéis aos ideais de nossos antecessores e aos nossos documentos fundadores. Foi assim e deve ser assim com esta geração de americanos. É bem sabido que estamos no meio de uma crise. Nossa nação está em guerra contra uma rede de violência e ódio de longo alcance. Nossa nação está bastante enfraquecida, uma consequência da ganância e da irresponsabilidade de alguns, mas também da nossa incapacidade coletiva de tomar decisões difíceis e preparar a nação para uma nova era. Lares foram perdidos; empregos foram cortados; empresas destruídas. Nossa saúde é cara demais; nossas escolas deixam muitos para trás; e cada dia traz novas evidências de que a forma como usamos a energia fortalece nossos adversários e ameaça nosso planeta. Eles [os desafios] não serão superados facilmente ou num curto período de tempo. Mas saiba disso, América: eles serão superados. Estes são os indicadores de uma crise, tema de dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profundo, é o solapamento da confiança por todo o nosso país. Um medo persistente de que o declínio da América seja inevitável, e que a próxima geração deva ter objetivos menores. Hoje eu lhes digo que os desafios diante de nós são reais. São sérios e são muitos. Eles não serão superados facilmente ou num curto período de tempo. Mas saiba disso, América: eles serão superados. (aplausos) Neste dia nós nos unimos porque escolhemos a esperança e não o medo, a unidade de objetivo, e não o conflito e a discórdia. Neste dia viemos proclamar o fim de nossos choramingos e falsas promessas, as recriminações e os dogmas desgastados, que por tempo demais estrangularam nossa política. Ainda somos uma nação jovem, mas, nas palavras das Escrituras, chegou a hora de acabar com as coisas de menino. Chegou a hora de reafirmar nosso espírito resistente; de optar pela nossa melhor história; de levar adiante esse dom precioso, essa nobre ideia, passada de geração em geração: a promessa divina de que todos são livres, todos são iguais e todos merecem a chance de lutar por sua medida justa de felicidade. Ao reafirmar a grandeza de nossa nação, compreendemos que ela não é um presente. Deve ser conquistada. Nossa jornada nunca foi aquela de atalhos ou de quem se contenta com pouco. Nunca foi o caminho dos fracos de coração – daqueles que preferem o ócio ao trabalho, ou buscam apenas os prazeres da fortuna e da fama. Foi, isto sim, o dos que correm risco, dos que fazem, dos que executam coisas – alguns célebres, mas mais comumente homens e mulheres obscuros em seu trabalho, que nos levaram pelo longo e áspero caminho da prosperidade e da liberdade. Por nós eles empacotaram suas pequenas posses mundanas e viajaram pelos oceanos em busca de uma nova vida. Por nós eles trabalharam em condições ruins e se estabeleceram no oeste; suportaram o estalar do chicote e araram a terra dura. Por nós eles lutaram e morreram em lugares como Concord e Gettysburg; na Normandia e em Khe Sahn. A partir de hoje, temos que nos levantar, sacudir a poeira e começar de novo o trabalho de refazer a América. Mais de uma vez esses homens e mulheres lutaram, se sacrificaram e trabalharam até que suas mãos estivessem em carne viva para que nós vivêssemos uma vida melhor. Eles viram uma América maior que a soma de nossas ambições individuais; maior que todas as diferenças de nascença ou riqueza ou partido. Esta é a jornada que continuamos hoje. Ainda somos a nação mais próspera e mais poderosa na face da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos que no início desta crise. Nossas mentes não são menos inventivas, nossos bens e serviços não são menos necessários que na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade permanece intacta. O tempo de deixar as coisas como estão, ou de proteger pequenos interesses e adiar decisões desagradáveis, esse tempo certamente passou. A partir de hoje, temos que nos levantar, sacudir a poeira e começar de novo o trabalho de refazer a América. Para onde quer que olhemos, há trabalho a fazer. O estado da economia exige ação, ousada e rápida, e nós vamos agir – não apenas para criar novos empregos, mas para estabelecer novas fundações para o crescimento. Construiremos as estradas e pontes, as linhas elétricas e digitais que alimentam nosso comércio e nos unem. Recolocaremos a ciência em seu devido lugar, e usaremos as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade de nosso atendimento de saúde e reduzir seu custo. Usaremos o sol, os ventos e o solo para abastecer nossos carros e fazer funcionar nossas fábricas. E transformaremos nossas escolas e universidades para atender as exigências de uma nova era. Podemos fazer tudo isso. E faremos tudo isso. Ora, alguns questionam a escala de nossas ambições. Sugerem que nosso sistema não pode tolerar planos demais. Suas memórias são curtas. Pois esquecem o que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem obter quando a imaginação se une a um objetivo comum, e a necessidade à coragem. O que os cínicos não conseguem entender é que o chão moveu-se sob seus pés. Que as disputas políticas vazias que nos consumiram por tanto tempo não servem mais. A questão que se deve perguntar hoje não é se o governo é grande demais ou pequeno demais, mas se funciona – se ajuda as famílias a encontrar empregos com salários decentes, assistência que possam pagar, aposentadorias dignas. Onde a resposta for sim, nossa intenção é seguir em frente. Onde a resposta for não, os programas serão cortados. E aqueles que administram os dólares da população terão que assumir suas responsabilidades: gastar com sabedoria, mudar os maus hábitos, fazer negócios à luz do dia. Porque só então poderemos restaurar a confiança que é vital entre um povo e seu governo. Tampouco a pergunta diante de nós é se o mercado é uma força do bem ou do mal. Seu poder para gerar riqueza e expandir a liberdade não tem igual, mas esta crise nos fez lembrar que, sem um olhar atento, o mercado pode sair do controle – e que uma nação não pode prosperar por muito tempo se favorece apenas os prósperos. O sucesso de nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho do nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance de nossa prosperidade; e da nossa capacidade de levar as oportunidades a todos os corações desejosos - não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para nosso bem comum. Saibam que a América é amiga de toda nação e todo homem, mulher e criança que busca um futuro de paz e dignidade, e que nós estamos prontos para liderar uma vez mais. Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre nossa segurança e nossos ideais. Nossos pais fundadores, diante de perigos que mal conseguimos imaginar, elaboraram uma carta para assegurar o império da lei e os direitos do homem, uma carta difundida pelo sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abandoná-los em nome da praticidade. Assim, a todos os outros povos e governos que estão assistindo hoje, das maiores capitais ao vilarejo onde meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de toda nação e todo homem, mulher e criança que busca um futuro de paz e dignidade, e que nós estamos prontos para liderar uma vez mais. (aplausos) Lembrem-se que as gerações anteriores encararam o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças resolutas e convicções duradouras. Elas entenderam que nosso poder, por si só, não pode nos proteger, nem nos autoriza a fazer tudo como queremos. Em vez disso, elas sabiam que nosso poder cresce quando usado com prudência; que nossa segurança emana da justeza de nossa causa, da força do nosso exemplo, as sóbrias qualidades da humildade e do comedimento. Somos os mantenedores desse legado. Guiados por esse exemplo uma vez mais, podemos superar estas novas ameaças, que exigem um esforço ainda maior, uma cooperação e uma compreensão ainda maiores entre as nações. Começaremos de forma responsável a deixar o Iraque para seu povo, e forjaremos uma paz duramente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e ex-inimigos, trabalharemos incansavelmente para reduzir a ameaça nuclear e fazer recuar o espectro de um planeta em aquecimento. Não pediremos desculpas por nosso modo de vida, nem fraquejaremos em nossa defesa, e para aqueles que buscam atingir seus objetivos induzindo ao terror e massacrando inocentes, dizemos a vocês que nosso espírito é mais forte não pode ser quebrado; vocês não sobreviverão a nós, e nós os derrotaremos. (aplausos) Pois sabemos que a colcha de retalhos de nossa herança é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus - e ateus. Somos formados de todas as línguas e culturas, trazidas de todo canto desta Terra; e porque provamos o fel amargo da Guerra Civil e da segregação, e emergimos desse capítulo sombrio mais fortes e mais unidos, não podemos deixar de acreditar que os velhos ódios um dia passarão; que as linhas tribais logo dissolver-se-ão; que à medida que o mundo se torne menor, nossa humanidade em comum revelar-se-á; e que a América deve exercer seu papel no surgimento desta nova era de paz. Ao mundo muçulmano: buscamos uma nova trilha adiante, baseada em interesses mútuos e respeito mútuo. Àqueles líderes mundo afora que buscam semear o conflito, ou pôr no Ocidente a culpa pelos males de suas sociedades: saibam que o povo os julgará por aquilo que vocês podem construir não pelo que vocês destruírem. Àqueles que se agarram ao poder por meio de corrupção e trapaças, e que silenciam opositores: saibam que vocês estão do lado errado da história; mas que estendermos a mão se vocês estiverem dispostos a descerrar seus punhos. Aos povos das nações pobres: comprometemo-nos a trabalhar ao lado de vocês para que suas fazendas floresçam e águas limpas possam fluir; para alimentar corpos esfomeados e mentes famintas. E àquelas nações como a nossa, que gozam de relativa abundância, dizemos que não podemos mais aceitar a indiferença ao sofrimento fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem pensar nos efeitos disso. Pois o mundo mudou, e precisamos mudar junto com ele. No momento em que divisamos a estrada que surge diante de nós, lembramo-nos com gratidão daqueles bravos americanos que neste exato momento patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer hoje, assim como os heróis caídos que repousam em Arlington murmurarão até o fim dos tempos. Nós os homenageamos não apenas porque são os guardiões de nossa liberdade, mas porque eles encarnam o espírito do serviço; uma disposição para encontrar sentido em algo maior que eles mesmos. Neste momento, um momento que definirá uma geração, é exatamente este espírito que devemos ter dentro de todos nós. Pois, por mais que os governos possam e devam fazer, no fim das contas é na fé e na determinação do povo americano que esta nação confia. É a gentileza de socorrer um estranho quando um dique é destruído, a generosidade dos trabalhadores que aceitam reduzir sua jornada de trabalho para que um amigo não perca seu emprego, que nos fazem superar os piores momentos. É a coragem do bombeiro que atravessa uma escadaria cheia de fumaça, mas também a disposição de um pai para criar um filho, que decidem afinal a nossa sorte. Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que nosso êxito depende – honestidade e trabalho duro; coragem e ética; lealdade e patriotismo; essas coisas são antigas. Essas coisas são verdadeiras. Elas têm sido a força silenciosa do progresso ao longo de nossa história. O que se exige, então, é um retorno a essas verdades. O que se exige de nós agora é uma nova era de responsabilidade – um reconhecimento, por parte de todo americano, de que temos deveres para conosco, para com nossa nação e o mundo, deveres que não devemos aceitar de mau grado, mas sim agarrar com alegria, firmes na percepção de que não há nada mais satisfatório para o espírito, mais definidor de nosso caráter, que darmos o máximo de nós mesmos em uma tarefa difícil. Com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o grande dom da liberdade e o entregamos em segurança às gerações futuras. Este é o preço e a promessa da cidadania. Esta é a fonte de nossa confiança – a noção de que Deus nos pede que definamos um destino incerto. Este é o significado de nossa liberdade e de nosso credo - razão pela qual homens, mulheres e crianças de todas as raças e religiões podem reunir-se em celebração nesta magnífica avenida, e a razão pela qual um homem cujo pai, menos de 60 anos atrás, não poderia fazer um pedido num restaurante local, pode agora comparecer diante de vocês para prestar um sacratíssimo juramento. Marquemos, pois, este dia, com a lembrança, daquilo que somos e do quão longe chegamos. No ano do nascimento da América, no mês mais frio do ano, um pequeno grupo de patriotas juntou-se diante de fogueiras que se apagavam às margens de um rio congelado. A capital fora abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado de nossa revolução parecia mais incerto, o pai de nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo: “Façam saber ao mundo futuro… que nas profundezas do inverno, quando nada a não ser a esperança e a virtude poderiam sobreviver.. que a cidade e o país, alarmados por um perigo comum, ergueram-se para vencê-lo”. América. Diante de nossos perigos comuns, neste inverno de dificulades, lembremos estas palavras atemporais. Com esperança e virtude, vamos enfrentar uma vez mais as correntes geladas e suportar quaisquer tempestades que surgirem. Que os filhos de nossos filhos possam dizer que, quando fomos testados, nos recusamos a permitir o fim desta jornada, que não viramos as costas nem fraquejamos; e com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o grande dom da liberdade e o entregamos em segurança às gerações futuras. Muito obrigado. Deus os abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América.”

4 de fev de 2009

Bienal Afro-Brasileira do Livro será lançada em Salvador

(Texto de divulgação). " Acontece no dia 07 de fevereiro de 2009 (sábado), às 10h, na Câmara Municipal de Salvador – Pça. Tomé de Souza, o lançamento da Bienal Afro-Brasileira do Livro - Educar para a Diversidade. O evento traz à tona, com grande ênfase, a cultura afro-brasileira situando, além do foco nas produções literárias independentes, produções literárias do mercado editorial com prioridade no corte racial e outras manifestações culturais resultantes da trajetória de resistência dos afro-descendentes. Durante a Bienal, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia – SEC, faz lançamento do edital para seleção publica de material didático em Historia e Cultura Africana e Afro-brasileira e Educação das Relações Étnico Raciais para professores e alunos da rede estadual de educação. A programação do evento conta com: Colóquio Intelectual, mesas temáticas, exposição de artes plásticas e livros temáticos. CONCEITO - Foi compreendendo que é necessário valorizar, sem disfarces, a luta e a história do povo negro na formação da identidade e cultura da sociedade brasileira que a Bienal Afro chega à conclusão que contribuir para ajudar a minimizar a desigualdade racial não é apenas resolver seus aspectos puramente econômicos, plasmar leis, mas é também educar a família, a comunidade, o professor e, nessa educação, reconstruir a educação nos parâmetros edificados pelos seus principais protagonistas. Para que a pessoa, indistintamente, não seja só um ente social, mas que seja também capaz de viver, difundir e contribuir para o desenvolvimento da cidadania plena, esse caminho é, portanto, a preparação das novas gerações para a vida em sociedade plenamente democrática, justa e conhecedora da sua formação histórica, e, consequentemente transformadora, para que, de fato, sejamos gigantes pela própria natureza humana, rica em sabedoria. A Bienal Afro-Brasileira vem de encontro às políticas públicas que visam o combate à discriminação racial, à igualdade de oportunidades e às reparações. “A história é um processo, prossegue, e todos nós, conscientes ou inconscientemente, por atos ou omissões, participamos dela”. OBJETIVOS 1 - Dar visibilidade às produções independentes, cujos conteúdos editoriais valorizem a História da África e a Cultura Afro-Brasileira, aproximando-os do mercado editorial e/ou auxiliando-os na criação de Cooperativa Editorial para concretizar as suas produções literárias. 2 - Oferecer essas produções aos Educadores de todos os níveis, cada um ao seu turno, para suprir a ausência de material didático para ser difundido nas salas de aula. 3 - Auxiliar as instituições de ensino na construção da identidade étnica dos alunos, pais, funcionários e comunidade. 4 - Fazer a discussão e tornar visível a temática racial para o conjunto da sociedade, através das manifestações culturais resultantes da trajetória de resistência: capoeira, samba, tambor de criola, ciranda, música, congada, reisado, boi-bumbá, etc.; além dos instrumentos musicais: atabaque, agogô, caxixi, cabaça, chocalho, etc.; exibição de vídeos e filmes; culinária de origem africana de todas as regiões do Brasil; moda; beleza; exposições artísticas; exposições fotográficas; artesanato; religiosidade de matriz africana e outras intervenções culturais relacionadas ao tema do evento. 5 - Introduzir a comparação do sistema brasileiro de inclusão racial e social, no contexto de uma economia transacional , com outros países desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos, demonstrando o impacto de diferentes ambientes culturais, político-econômicos e normativos sobre a natureza da diversidade".

3 de fev de 2009

Anotações à margem e uma vírgula irritante

(Por: *Ronald Augusto) "Em vida, Anotações à margem (1994) foi o último livro individual que Oliveira Silveira viu publicado e incorporado ao conjunto de sua obra[i]. É impressionante que seu recente desaparecimento feche um ciclo de quinze anos sem que mais nenhum livro seu apenas viesse à luz. E isto é de espantar, ainda mais se levarmos em consideração, por um lado, a qualidade de sua produção poética — referida e solicitada mais além do que aqui — e, por outro, a facilidade e a regularidade com que poetas e prosadores ruins publicam suas obras sem que quaisquer obstáculos lhes sejam ofertados. Suspeito que, hoje, qualquer um consegue reunir num arco de tempo parecido, no mínimo uns sete ou oito títulos (mas, se tudo correr bem, ninguém os guardará na memória). Registre-se que embora Oliveira não possa ser relacionado como um poeta de inspiração caudalosa, tampouco era um sujeito que se vangloriasse ou abusasse da esterilidade. Era um artista em movimento. Não raro, em nossos encontros, relatava a existência de poemas em progresso na fermentação da gaveta; mesmo aqueles já publicados estavam sujeitos a expurgos e revisões. Em alguns exemplares dos seus primeiros livros (todos eles tipográficos, exceto por este que agora é objeto de análise) tive a chance de conferir em diversos poemas correções, supressões e acréscimos visando a futuras re-edições. Pode-se dizer que Anotações à margem é um livro pensado sob o signo da reescritura e da reconsideração a um tempo caprichosa e à vontade das perspectivas estéticas com que se debate um artista ao longo de sua vida. Oliveira Silveira submete um trecho do seu percurso textual (1967-1994) a um ponto de vista sincrônico: recupera para o seu (nosso) presente os esboços neográficos que pôde rastrear no passado do seu acervo intelectual-vivencial, e que se foram depositando nas fraturas e nos prazeres do corpo a corpo com a linguagem. Biografemas e fotogramas reencarnados através do fortuito e do forçoso das anotações de punho: leitor de lápis em punho no sigiloso desenho da imagem-pensamento: “Que é uma foto da pessoa morta/ para quem a conheceu/ em vida?/ Em geral coisa opaca e estática/ e pouco diz de quem foi.// Mas quando menos se espera/ pode mudar-se em cor, em movimento,/ sorriso, voz, braços que vêm e cingem/ e nós ressucitamos” (“A foto”). No entanto, o poeta ordenou os poemas de maneira cronológica: do mais remoto ao mais recente. Cada peça aparece identificada com uma espécie de subscrito onde constam lugar e ano de realização. Muitas levam dois registros, um assinalando (ao que tudo indica) o momento em que o processo de composição foi iniciado, e outro, onde o poeta estabeleceu um ponto final ou uma interrupção no trabalho de criação. Assim, ficamos sabendo que alguns pequenos poemas custaram ao poeta — sem exclusão de outras realizações significativas, inclusive do ponto de vista extraliterário — cerca de dez anos de oficina ansiosa e ociosa para alcançar sua forma-fundo necessária; outros, ainda, vinte anos e um pouco mais. Portanto, Oliveira Silveira, em sintonia com Ezra Pound, também entende a poesia como essa condensação discursiva onde o vivido e o imaginado comburem transes de tempo por meio da palavra. Há, grosso modo, uma invariante de cunho estético-informacional a atravessar toda a obra poética de Oliveira Silveira. Refiro-me, naturalmente, àquilo que muitos dos estudiosos de sua poesia chamariam talvez de “o compromisso com as causas negras”. Não entrarei no mérito da questão que aqui vai implícita, isto é, se a poesia teria outras motivações que não as suas próprias, ou se sua “legitimidade” se pautaria fora dela mesma, etc. Digamos, para todos os efeitos, que não conceder atenção ao fato de que a poesia de Oliveira se projeta para além das definições e marcos estabelecidos, não importa por que tipo de embate político, não a torna menos pertinente, inclusive mesmo, para os interesses da causa negra. Por outro lado, desconhecer essa pulsão radicada na estrutura significante da linguagem do autor de Roteiro dos tantãs (1981) seria um falsear crítico, ou um purismo retrô. O ponto não é esse. Para o bem ou para o mal, esse aspecto de sua obra há muito se tornou como que um fait accompli. Isto está dado. Mas o próprio Oliveira resolvia a coisa para si do seguinte modo, citava o episódio em que Murilo Mendes (1901-1975) uma vez se manifestara sobre seus primeiros livros, marcados por um nítido e “participante” catolicismo. O poeta mineiro, em resposta aos que objetavam, às vezes veladamente e outras frontalmente, o posicionamento estético que resolvera trilhar, se afirmava um “poeta, católico”, mas prontamente complementava, dizendo: “a ênfase está na vírgula”. Assim, Oliveira Silveira não tinha trauma nenhum em se manifestar ou em se deixar reconhecer como um “poeta, negro”, desde que ninguém desprezasse essa vírgula — irritantemente indecidível para uns e outros — imiscuída entre os dois termos. O qualificativo que vem após a vírgula, católico, negro, etc., não é de modo nenhum irrelevante, mas, antes, e tal como o papel da significação no poema, apenas secundário. Ou melhor, trata-se de uma vereda por meio da qual podemos empreender uma leitura possível, provável. E no tocante a essas questões, Anotações à margem representa também um feliz desvio. Vale dizer, talvez seja sua obra menos negra ou, quem sabe, a experiência mais intrínseca e desanuviada que Oliveira teve com o seu “compromisso histórico” e étnico. Mas o livro não é melhor nem pior por causa disso. Tal situação apenas o singulariza. Em Anotações à margem o poeta se percebe no inverno da sua idade. Oliveira haure algumas gotas de niilina para poder enfrentar as perdas e a “perspectiva do fim”, e fica um pouco mais rude e dado à filosofemas enfeixados numa dicção que alude a “quadras ao gosto popular”: “Quando eu morrer/ não vou pro céu, vou prà terra./ Apaga-se a chama da vela/ e se extingue o calor que ficou nela./ O resto é com os outros.// Céu ou céu, Terra ou terra,/ tanto faz./ Ou tanto fez”, (“Notas soltas”). Em outro poema, Oliveira Silveira saúda a saudade simulando uma melopéia quase naïf que diz: “Dei ô de casa na frente,/ bati na porta, ninguém abria./ Dei a volta pelos fundos,/ entrei na casa, vazia.”. Modelo de redondilha maior. Notar o uso funcional da anáfora: “Dei ô de casa...”, “Dei a volta...”; do ponto de vista da acentuação não há nenhuma palavra com mais de três sílabas, fato esteticamente significante num poema que encarece a figura da oralidade e do coloquial feito fala que apela ao canto; e, finalmente, em “entrei na casa, vazia”, a presença desta “vírgulágrima” (sirvo-me do compósito verbal criado por Décio Pignatari) incrustada na ostra involucrada do texto, iconização do profundo silêncio, tristeza átona, elipse a deslocar para mais além o que poderia ter sido, passo malogrado em direção à origem. Uma ou duas aproximações intertextuais. A primeira. Em 1985 Haroldo Campos lançou o livro A educação dos cinco sentidos. Nesta obra há o seguinte poema-divisa no qual o poeta revela: “já fiz de tudo com as palavras/ agora quero fazer de nada”. De um jeitão meio despojado e tentando tirar o peso a tanta polêmica em que se envolvera no período áureo de instauração da poesia concreta, Haroldo de Campos esboça com esse metapoema um acerto de contas, primeiro consigo mesmo, e depois com os seus pares, no que diz respeito ao conflito das visões poéticas em jogo. Pois bem, de certa maneira, em Anotações à margem, Oliveira Silveira pretendeu também um “fazer de nada” com a linguagem e com alguns índices do seu próprio percurso textual, tanto no que se refere à sua condição de poeta, quanto à sua situação de intelectual negro. A propósito, chamo atenção do leitor, por exemplo, para este epigrama quase brossiano: “Agora é tarde, o policial foi preso/ e o vendedor de guarda-chuva/ está todo molhado na rua” (“Deu pra bola”). Em seu derradeiro livro, Oliveira desborda o limiar do identitariamente tolerável. É poeta, e o melhor de nós todos. E a segunda. Meu amigo e parceiro de canções Alexandre Brito tem um poema ainda inédito em livro que admiro muito. Faço essa menção que, parece, mas não está fora do lugar, pela seguinte razão. A imagem que guardo entesourada do Anotações à margem, por assim dizer, ideal para mim, teria um acréscimo apenas: como epígrafe e chave léxica ao livro de Oliveira Silveira vislumbro estampado em suas páginas o poema de Alexandre, que diz assim: “no dia seguinte/ decifrando os sulcos da caneta/ na página em branco/ ao resgatar o poema posto fora/ encontrei a minha arte”. Com efeito, e felizmente para nós, Oliveira encontrou mais uma vez a sua arte. E, de outra parte, quando foi no Pelourinho decidiu não entrar na igreja de ouro". ________________________ [i] Em 1995 Oliveira Silveira lança em parceria com o músico e artista plástico Pedro Homero a brochura Orixás, obra que reúne a expressão pictórica deste e poemas inéditos ou já publicados daquele, onde exercitam e recriam representações das divindades da religiosidade afro-brasileira. Ronald Augusto poeta, músico, editor e crítico de poesia. É autor de, entre outros, Homem ao rubro (1983), Puya (1987), Kanhamo (1987), Vá de valha (1992), Confissões Aplicadas (2004) e No assoalho duro (2007). É editor associado do website www.sibila.com.br. Dá expediente nos blogs: www.poesia-pau.blogspot.com e www.poesiacoisanenhuma.blogspot.com E-mail: ronaldaugustoc@yahoo.com.br