Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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30 de abr de 2009

Geledés - 21 anos de História!

Geledés completa neste 30 de abril, 21 anos de vida! Parabéns! Quando penso na História desta Organização, penso em minha inscrição no mundo, pois vivi lá, alguns dos anos e acontecimentos mais importantes da minha vida. Cheguei com uma mala de sonhos em setembro de 1991 e saí, em dezembro de 2004, com a maioria deles realizada e tendo sonhado outros que sequer imaginava sonhar. Vivi alguns sobressaltos, até pesadelos, todos, entretanto, inerentes ao fazer político e aos humanos que fazem a política, ou seja, nada que maculasse o saldo final: positivo e operante! Lá, aprendi a ser soldada e comandante, mas me cansei da guerra. Ela, a guerra, é que não arrefece, assim, quem luta contra o racismo no Brasil, pode dar-se o luxo de escolher a trincheira. Isto não configura uma vantagem, propriamente, mas como guerrear é imperativo, que pelo menos possamos escolher o campo onde sejamos mais felizes. Geledés protagonizou capítulos importantes da História contemporânea do negro no Brasil e da luta pela superação do racismo e da discriminação racial. Numa passada superficial pela memória relembro seis: 1 – como uma das ONGs negras mais velhas e consistentes do país, Geledés foi pioneira ao pensar um programa de comunicação para estruturá-la, responsável por fomentar o diálogo dos demais programas e ações da instituição com o mundo. 2 – Geledés iniciou diálogo político independente, sem tutela, com um setor fundamental da juventude negra brasileira (hoje, sujeito autônomo e consolidado), o Movimento Hip Hop paulistano. Contribuiu para o aprofundamento da discussão racial junto às lideranças do Movimento, para a consolidação do próprio conceito político de juventude negra no Brasil, falamos de finais dos anos 80, início dos anos 90. 3 – O trabalho realizado por Geledés com o SOS Racismo – Serviço de atendimento jurídico às vítimas de discriminação racial, inaugurou a alameda de trabalhos no tema que veio a consubstanciar a área de Direito e Relações Raciais no país e fez "pegar" a Lei 7.716/89. 4 – Iniciou, em 1994, o diálogo com diversas organizações negras da América do Sul, embrião da Aliança Estratégica de Organizações Negras da América Latina e Caribe que desempenhou papel essencial no capitaneamento de nossas demandas durante todo o processo de Durban e realização da III Conferência Mundial Contra o Racismo. 5 – Geledés foi determinante na constituição da AMNB - Articulação de Mulheres Negras Brasileiras que, finalmente, é representante legitimada do coletivo de negras brasileiras organizadas, quer em instâncias nacionais, quer no exterior. 6 - Por fim, o projeto Geração XXI, implantado em 1999, e demais programas de ação afirmativa que o seguiram, com vistas à promoção do acesso, permanência e sucesso de jovens negros em boas universidades, dois anos antes da III Conferência Mundial Contra o Racismo, em Durban, África do Sul, e da implantação das cotas para negros na UERJ, ambos em 2001, bem como do grande debate sobre as ações afirmativas, como uma das estratégias possíveis de enfrentamento do racismo no Brasil. Daqui do blogue envio um beijo saudoso, um agradecimento emocionado e votos de vida longa e produtiva à casa que me acolheu durante 13 anos, me ensinou muito do que sei e me possibilitou ser quem sou. 21 anos não são 21 dias, mas os dois períodos são tempos de iniciação. “Quem foi que falou que eu não sou um moleque atrevido?/ Ganhei minha fama de bamba/ No samba de roda/ Fico feliz em saber/ O que fiz pela música, faça o favor/ Respeite quem pode chegar/ Onde a gente chegou/ Também somos linha de frente de toda essa história/ Nós somos do tempo do samba/ Sem grana, sem glória/ Não se discute talento/ Mas seu argumento, me faça o favor/ Respeite quem pode chegar/ onde a gente chegou/ E a gente chegou muito bem/ Sem a desmerecer a ninguém/ Enfrentando no peito um certo preconceito e muito desdém/ Hoje em dia é fácil dizer/ Que essa música é nossa raiz/ Tá chovendo de gente que fala de samba e não sabe o que diz/ Por isso vê lá onde pisa/ Respeite a camisa que a gente suou/ Respeite quem pode chegar onde a gente chegou/ E quando pisar no terreiro/ Procure primeiro saber quem eu sou/ Respeite quem pode chegar onde a gente chegou”. (Moleque atrevido, de Jorge Aragão, Flávio Cardoso e Paulinho Rezende).

29 de abr de 2009

Retaliação preventiva (a Joaquim Barbosa)

(Por: Wálter Fanganiello Maierovitch, em Carta Capital). "Depois da briga na última sessão do Supremo Tribunal Federal, toma corpo um movimento para impedir que o ministro Joaquim Barbosa comande as eleições em 2010, na presidênca do Tribunal Superior Eleitoral. Ontem (26/04), no programa Canal Livre, da tevê Bandeirantes, o ministro Marco Aurélio de Mello falou dos desacertos de Barbosa com ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. No fundo, outra crítica pessoal, disfarçada de resposta a pergunta formulada. Marco Aurélio chegou a frisar ainda não estar Barbosa acostuado a julgar em órgão colegiado. Convém frisar nada ter sido perguntado ao ministro Marco Aurélio sobre a liminar que deu e com a qual Salvatore Cacciola fugiu do país. No episódio, os democratas do DEM solidariazaram-se com Mendes e os ministros que publicaram nota de confiança no presidente, depois de longa reunião, demonstraram insatisfação com Barbosa. Com efeito. O ministro Mendes continua a entender que o seu par Barbosa não julga a lide, a controvérsia, existente nos autos processuais. Na sua visão, o ministro Barbosa julga conforme o interesse de um estamento social, para o qual se inclina e protege. Bastou essa infeliz colação do ministro Mendes para se iniciar uma grande especulação sobre a futura presidência do ministro Barbosa, à frente do Tribunal Superior Eleitoral, na condução das eleições de 2010. Para o ministro Barbosa, –com todo o acerto–, o presidente do Supremo Tribunal Federal, não é o juiz dos juízes. Não tem poder para censurar qualquer dos seus pares. Em síntese, o ministro Barbosa julga conforme a sua consciência e o solene compromisso, –quando da sua investidura no cargo–, de seguir a Constituição e as leis. Nenhum dos dois ministros, –que protagonizaram o lamentável episódio de grande repercussão e que anteriormente chamamos de “Barraco Supremo”–, recua um único passo no sentido de admitir erros e excessos. Sobre isso, deixa claro matéria de hoje do jornal Folha de S.Paulo. A respeito da repercussão do “Supremo Barraco”, ela continua por todos os cantos do país. Até no You Tube apareceu o “Créu do Barbosão”. Por meio do deboche, ficou claro a conseqüência do transbordamento da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF). A provocação, com ato de censura, foi iniciada pelo ministro Gilmar Mendes. Até então, havia divergência, ainda que acirrada. O ministro Mendes não se convence quanto a não poder tecer considerações públicas (em sessões de julgamento) de natureza censória. E é do seu hábito se exceder, inclusive na presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mendes não tem poder de censura sobre o convencimento de um seu par. Não lhe é permitido formular juízo sobre outro ministro fora da discussão jurídica em questão, isto para não cair no ataque pessoal. Em outras palavras, Gilmar não pode se posicionar,– como fazia o inquisidor Torquemada–, nos ataques ao pensamento alheio e divergente do seu. Vários dos pares do ministro Mendes no CNJ o consideram prepotente, “dono da verdade” e incapaz de ouvir e refletir sobre posicionamentos contrários aos que sustenta. Como desabafou um conselheiro do CNJ e os jornais ecoaram, o ministro Gilmar nem presta atenção sobre discussões, divergências. O ministro Barbosa, –no episódio inédito ao qual chamamos anteriormente de “Barraco Supremo”–, foi provocado e usou daquilo que em Direito se chama de retorsão imediata. Só que o ministro Barbosa cometeu, na retorsão, excesso de linguagem, ainda que tenha dito verdades. Ou seja, o ministro Mendes destrói a imagem da Justiça, pois prejulga, fala fora dos autos e se intromete em questões políticas, que não estão na sua alçada: disse até que chamaria o presidente Lula às falas. Fora a exigência de afastamento do delegado Paulo Lacerda, por um “grampo telefônico” até agora sem prova da materialidade: pura invenção, até o momento. Nos tribunais, o julgamento é colegiado. Prevalece no julgamento a decisão da maioria, conforme regra básica num Estado democrático de direito. As divergências jurídicas e factuais, debatidas num julgamento, são balizadas pela controvérsia (lide) presente nos autos. Divergências e considerações fora do tema em debate nos autos processuais implicam em reprovação pessoal, censura própria de mentes autoritárias e que desrespeitam a Justiça. Pelo andar da carruagem, dias piores virão. Já que “tapas e barracos” não representam forma civilizada de solução de contendas, em breve, –e se o ministro Mendes insistir em censurar e continuar com ataques pessoais–, a solução virá num processo (forma civilizada) por danos morais. Felizmente, o ministro Barbosa não é de “afinar” aos poderosos. Sobre eleições de 2010, a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mantida a regra de escolha que recai na rotatividade estará afeta ao ministro Barbosa. Só que já começou, como destaquei acima, uma guerra surda para mudar a regra e saltar Barbosa. Sintomático, no particular, o apoio do partido Democrata (DEM) a Gilmar Mendes, no episódio do “Barraco Supremo”. Já se começa a espalhar que Barbosa inclina-se para o lado dos petistas. Ou seja, um ataque infundado à sua isenção. E a meta é inviabilizar a sua escolha à presidência do TSE. Como se percebe, a elite não gosta de independentes como Barbosa, mas de engajados".

Peleja entre Joaquim Barbosa e o Cavaleiro das Trevas

(Por Jorge Portugal - circula pela Net; o título é da editora do blogue). "Naquele 22 de abril de 2009, nenhum nobre navegante português ousaria nos “descobrir”. Descobertos fomos pelos olhos e pela voz do primeiro negro que, com altivez e coragem, no topo da nau capitânia do judiciário, admoestou o pretenso comandante. Naquele 22 de abril de 2009, não caberia um 7 de setembro em que o filho do rei, futuro imperador do país, daria gritos de independência às margens de um riacho qualquer; ali, ouvimos o brado da liberdade e da insubmissão da voz abafada do povo, silenciada por séculos pelos donos do poder, através de sucessivos crimes de lesa-cidadania: “Respeite, ministro! Vossa Excelência não tem condições de dar lição de moral em ninguém!” Naquele 22 de abril de 2009, nenhuma princesa “bondosa” assinaria uma vaga lei que nos concedia liberdade, mas nos cassava a condição de cidadãos, proibindo-nos o voto, a escola de qualidade e o trabalho digno; presenciamos, sim, a abolição proclamada em nossas almas, 121 anos depois, pela voz corajosa de um Luís Gama redivivo, encarnando todos os quilombos massacrados e abrindo os portões de todas as senzalas: “Vossa Excelência não está nas ruas; está na mídia destruindo a credibilidade de nossa justiça!” Naquele 22 de abril de 2009, nenhum marechal, de pijama, ousaria proclamar república nenhuma; o pacto de poder que condenou a maioria de nossa gente a ser um povo de segunda classe viu-se desmascarado pela indignação patriótica de um João Cândido reeditado, que fez a chibata girar em movimento contrário, açoitando o lombo dos que se acostumaram a bater, por séculos a fio: “Respeite, ministro! Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso!” Naquele dia, Ogum, Xangô e Oxóssi desceram os três num corpo só e reafirmaram a presença arquetípica da África dentro de nós. Todos os movimentos aparentemente derrotados dos nossos heróis anônimos puseram-se de pé, vitoriosos, mesmo que não tivessem vencido uma só batalha. A Revolta dos Búzios, a Revolução dos Malês, o Quilombo dos Palmares, todos, reencenaram seus teatros de operação e puderam, séculos depois, derrotar simbolicamente o inimigo. Naquele dia, saíram às ruas todas as escolas de samba, de jongo, todos os blocos afros; bateram os candomblés e as giras de umbanda, a procissão da Boa Morte, o Bembé do Mercado de Santo Amaro; brilharam os pequenos olhos da criança negra recém-nascida ao descortinar a luz azul de um futuro melhor. Naquele dia, materializando todos os nossos sonhos e desejos secularmente negados, Vossa Excelência deixou de ser apenas um ministro do Supremo Tribunal Federal para tornar-se o supremo ministro de todos os brasileiros". Instada pelo texto, a editora do blogue escreve: (...) Manifestou-se Iansã, também naquele corpo, e rodou suas nove saias sacudindo a suprema poeira do Tribunal. E provocou redemoinhos siderais de onde nasceram um Saci altivo e um Negrinho do Pastoreio, punido pela tortura, até a morte, por desviar comida da fazenda para um grupo de negros fugitivos. Lembrança Semoguiana dos anos 80. Apareceu Oxum que cedeu seu Abebé ao guerreiro e fez refletir no rosto do cavaleiro das trevas, o brilho tosco com que pretendia abater Joaquim. Por fim, veio Ossanha que fechou com folhas, o corpo do filho de Joaquim, para impedir que os capangas do Mato Grosso o alcancem.

28 de abr de 2009

Mostra de cinema negro Brasil, África e América Latina

Dia 28/04 BOM DIA ETERNIDADE - 87.` Direção: Rogério de Moura Brasil – Brasil /2008. Clementino foi um famoso jogador de futebol. Participou da Seleção Brasileira de Futebol, na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Atualmente,vive das lembranças de um tempo de glória e sucesso. Tornou-se uma pessoa amarga e rancorosa. Acredita que sua vida acabou. Odete, sua esposa, é ao mesmo tempo companheira, mãe e enfermeira. Um dia, um acontecimento mágico mudará a rotina do casal. Clementino tem a chance de viver tudo novamente. Dia 29/04 Abdias, Memória Negra - 95.’ Direção: Antônio Olavo - Bahia/2008. O filme conta a trajetória de Abdias Nascimento, histórico militante considerado um ícone da cultura negra, atualmente com 94 anos, cuja obra e atuação política ao longo do século XX são essenciais para a compreensão da importância do negro na sociedade brasileira. Dia 30/04 Dê sua idéia debata - 30.’ Direção: Viviane Ferreira - São Paulo/2008 O documentário apresenta opiniões diversas acerca de temas como Afrocêntrismo, Diáspora Africana e Classificação Racial. As entrevistas foram feitas na semana do 20 de novembro de 2007 nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, em contextos que de alguma maneira estavam interagindo com o debate racial, assim a Marcha da Consciência Negra na Avenida Paulista , a Missa Conga e a Homenagem a Zumbi na Praça da Sé, e o Palácio dos Bandeirantes em São Paulo, bem como o I Encontro de Cinema Negro Brasil/África com lançamento do Centro Afro Carioca de Cinema no Rio de Janeiro, foram palcos onde as (os) entrevistadas (os) interagiram com uma Bata Africana e deram suas idéias de bata contribuindo com o fortalecimento do debate racial no Brasil. A Condição Humana - 14.` Direção: Flavio Leandro, Rio de Janeiro/ 2006. Um artista de rua entretém transeuntes nas praças públicas da cidade, na luta de levar o pão para a mulher e os filhos. Sua Mulher luta desesperadamente para que a família possa ter uma vida melhor. No dia em que o casal completa dez anos de casado, um prepara uma surpresa para o outro. Mas, o destino tem a sua própria surpresa. Referências - 38.' Direção: Zózimo Bulbul -Brasil, 2006 Referências é um olhar negro sobre a influência da cultura africana no Brasil, onde artistas afro descendentes entrevistam os principais cineastas que iniciaram o posicionamento do ator negro como protagonista no cinema brasileiro. Caso de Nelson Pereira dos Santos, Roberto Farias, Cacá Diegues, entre outros.

Obama é campeão de iniciativas de mudanças nos 100 primeiros dias de governo, afirma historiador

(Entrevista a Allan Lichtman, na Folha de São Paulo). "Escore" de iniciativas e mudanças é recorde, diz historiador Para Allan Lichtman, democrata fez mais em período inicial na Casa Branca do que todos os antecessores recentes; agenda para os próximos 100 dias continua ambiciosa, ele diz. Nem Jimmy Carter, nem Bill Clinton. A melhor comparação a ser feita para os primeiros 100 dias de Barack Obama à frente da Casa Branca é com o popularizador da marca, Franklin Delano Roosevelt. Ambos são excelentes comunicadores e tomaram iniciativas grandiosas movidos pela gravidade da crise econômica do país. A opinião é do historiador Allan Lichtman, da American University, de Washington, autor de seis livros, entre eles aqueles em que adapta os métodos do geofísico russo Vladimir Keilis-Borok sobre terremotos para definir quais fatores influenciarão nas eleições presidenciais e prever quem sairá vencedor -o que fez com exatidão de 1980 até a mais recente. Leia, a seguir, sua entrevista à Folha. (SD) FOLHA - Qual a comparação entre os primeiros 100 dias de Obama e os de seus antecessores? ALLAN LICHTMAN - Ele conseguiu mais em 100 dias do que qualquer um dos antecessores recentes. Conseguiu aprovação no Congresso para seu Orçamento e para o pacote de estímulo de US$ 787 bilhões e mudou as políticas sobre pesquisa em células-tronco, aborto, meio ambiente, direitos trabalhistas e segurança nacional com ordens executivas. Iniciou mudanças importantes em política externa ao adotar um enfoque mais diplomático e de cooperação com o mundo do que Bush, se dirigindo ao mundo muçulmano e lançando novas iniciativas no controle de armamentos. Introduziu uma agenda ambiciosa para os próximos 100 dias que inclui aumento de regulação financeira, mudança no sistema de saúde e combate ao aquecimento global. FOLHA - Como fez isso? LICHTMAN - Como Franklin Roosevelt, assumiu o governo no meio de uma crise econômica severa, que exige iniciativas grandiosas. Como FDR, é um comunicador excelente que consegue vender suas políticas para o público. Ainda, também como FDR, assumiu o cargo no fim de uma era conservadora na política americana e no começo de uma era progressista. Essa virada deu oportunidade para uma mudança significativa. Obama também mostrou ser um líder efetivo e alguém que sabe usar os poderes e o prestígio da Presidência. Por fim, manteve altos seus índices de aprovação, o que é um componente importante do poder presidencial. FOLHA - Quão importantes são as iniciativas em política externa na percepção de que mudanças estão ocorrendo? LICHTMAN - A nova política externa tem um papel secundário para o público doméstico em tempos de crise econômica. Ainda assim, a maioria dos americanos desaprovava o enfoque de Bush no assunto e aprova o de Obama. FOLHA - Alguns analistas mais empolgados chamam os primeiros 100 dias de "revolucionários", o que o sr. acha um exagero. Poderia elaborar? LICHTMAN - Obama não é um revolucionário. Ele é um progressista inserido no sistema que acredita que o governo tem um papel positivo na solução dos problemas. Tem buscado a expansão do Estado progressista ao investir em infraestrutura, aumentar a verba para educação, estimular a economia via gastos públicos e reformar políticas de saúde pública, aquecimento global e regulação financeira. No entanto, não propôs iniciativas que poderiam ser consideradas "revolucionárias" nos EUA, como nacionalizar os bancos ou adotar o chamado sistema de saúde universal, em que todos pagam o mesmo por um serviço padronizado. FOLHA - O que aconteceria se ele tivesse sido eleito em tempos de paz e prosperidade econômica? Seria um democrata mais ao estilo de Bill Clinton (1993-2001) ou mais de Jimmy Carter (1977-1981)? LICHTMAN - Ainda que os tempos fossem outros, ele seria diferente dos dois. Diferentemente de Clinton, ele faz parte do "establishment" progressista, não é um "novo democrata" que busca um meio termo entre ideias conservadoras e progressistas. Diferentemente de Carter, ele tem uma agenda clara e estratégias conhecidas para o uso do poder e para lidar com o Congresso. FOLHA - Em sua opinião, quais foram a pior e a melhor ação dos primeiros 100 dias? LICHTMAN - A melhor foi a passagem do programa econômico embutido no Orçamento e a aprovação do pacote de estímulo. A pior, a retirada das indicações do governador do Novo México, Bill Richardson, para o cargo de secretário do Comércio e do ex-senador Tom Daschle para a Saúde, ambos envolvidos em denúncias. A mais arriscada, a expansão da duvidosa Guerra do Afeganistão, que tem o potencial de se tornar o Vietnã de Obama.

27 de abr de 2009

Quem foi que disse que os quadrinhos do Maurício embalam os sonhos das crianças (negras)?

Era uma vez uma revista em quadrinhos chamada "Ronaldinho Gaúcho e a Turma da Mônica". Eu comprava dois exemplares, a cada mês: um para mim e outro para um menino, que cedo, muito cedo, foi brincar de menino-aranha nas estrelas. Depois da partida do garoto fiquei mais de ano sem comprar a revistinha, perdera a graça, até que o fiz, com os números 25 e 26. Alguém avisa na Internet que o número 24 veicula uma história racista: Deise, a irmã do personagem Ronaldinho G., num dado momento olha-se no espelho e se assusta com a imagem refletida. Conclui: "com uma juba destas, posso ser confundida com mico-leão". E noutros balõezinhos ao lado: "escova, escova", enquanto ela penteia os cabelos. Só no Brasil é preciso argumentar e provar que isto é racismo, também, de acordo com a Lei 7.716/89, que define o crime de discriminação racial, o ônus da prova é do discriminado. No número 25, uma macaquinha esperta foge de um circo, Cleuza, é o nome dela, saberemos ao final. Ela entra no primeiro local de portas abertas encontrado, é uma barbearia. Por não falar direito, o barbeiro subentende que ela é um menino cuja mãe obriga a cortar os cabelos e que está ali a contragosto. Acostumado àquele tipo de situação,o profissional o consola, ao suposto menino, declarando que fará um corte moderninho. A macaca foge pela segunda vez, desta feita, da barbearia, vestindo o avental de cliente e com o cabelo cortado. Vai parar no campinho de futebol da turma do Ronaldinho G. Por falta de goleiro termina no gol e agarra, ora só com uma mão, ora só com um pé, todos os chutes indefensáveis do artilheiro. Quando o goleiro titular reaparece, surge também a verdade, aquele garoto é a perigosa macaca, fugitiva do circo. Acontecem mais peripécias entre a macaca, a bola e o habilidoso Ronaldinho G., até que ela volta ao circo, onde todos os bichos têm cara de bicho: o leão, o elefante, o urso. Só ela tem "carinha de gente", ao ponto de, com o cabelo cortado e um avental de cliente de barbearia, ser confundida com um menino. Desnecessário dizer que a cor dela é um marrom e-xa-ta-men-te igual à cor do Ronaldinho G., do Diego e do Assis, personagens negros da história. Para fechar com chave de ouro, o adestrador cria um novo quadro na exibição dos animais, no qual Cleuza é a goleira e Tromba, o elefante, como se pode inferir pelo nome, é o batedor de penaltis. Quem vencerá o duelo? É um pesadelo ou não é?

Dissimulação e hipocrisia

(Por: Edson Lopes Cardoso, do Irohin). “'Aqueles que, em pleno século 21, insistem em ressuscitar o conceito de raça e em criar legislações baseadas na premissa de que eles merecem tratamento diferenciado pelo Estado devem ser contidos em suas ações e pretensões, sob pena de incitarem, em algum momento do futuro, processos odiosos que não podem ser aceitos pela humanidade.' O parágrafo transcrito acima foi escrito por José Serra (PSDB), governador de São Paulo, e faz parte de artigo publicado ontem no jornal “Folha de S. Paulo” ( “Nenhum genocídio deve ser esquecido”, 24.03.2009, p.A3). Depois de evocar o extermínio dos armênios promovido pelos turcos, em 1915, José Serra, preocupado e atento às possibilidades de ocorrência de novas práticas genocidas, alerta no final de seu artigo os leitores da Folha para o perigo que representa no Brasil a “incitação de processos odiosos” realizada por “Aqueles” que defendem o projeto de cotas em tramitação no Senado Federal. Não me pergunte onde a imaginação do governador de São Paulo foi achar conexão entre o massacre dos armênios e a reivindicação dos negros por políticas públicas. Semelhante disparate já tinha ocorrido a Maggie e seus companheiros mágicos do Rio de Janeiro. Mas essa turma do Rio sempre buscou correlacionar movimento negro e nazismo, tendo como pano de fundo o genocídio judaico. A questão é saber se colocadas as coisas nesses termos teremos em algum momento a oportunidade de debater. Ou essas correlações e correspondências contrárias à razão e ao bom senso não passam de dissimulação hipócrita da norma há muito estabelecida de que a questão racial brasileira não pode ser posta em discussão? O fato é que não existem limites para a imaginação e a hipocrisia, quando o assunto é população negra e responsabilidade coletiva – dos governos e da sociedade. Reivindicações e demandas voltadas para a superação das desigualdades raciais parecem provocar entre nós um processo muito louco de manipulação intelectual, cujas dimensões irracionais são amplificadas a um ponto máximo, que impede qualquer aferição minimamente razoável. A acusação de incitação ao ódio é uma das fórmulas repetidas com despudor pelo governador de São Paulo, sugerindo visão do futuro, preocupação com a “humanidade”, mas grudando o olho do leitor no passado, no genocídio dos armênios, que lhe deve servir de parâmetro para julgar a ação política atual dos negros brasileiros. É pura má-fé , portanto, utilizar o argumento de que os negros ressuscitam o conceito de raça, quando pressionam por políticas que levem à superação do abismo que os separa dos não-negros. É preciso advertir também a esse tipo de político que os negros não vivem de horizontes humanitários. Aliás, os negros sabem muito bem como os impulsos “humanitários” acionados pelo Estado para conter suas ações e pretensões desencadeiam práticas genocidas, que permanecem impunes entre nós – e não serão consideradas jamais pelo estreito horizonte intelectual e humanitário do governador de São Paulo. Nenhum genocídio deve ser esquecido, exceto o dos negros" (Foto escolhida pela editora do blogue: José Serra, brincando com uma arma potente, em visita à Academia de Polícia do Estado de São Paulo).

25 de abr de 2009

O impostor (texto inédito)

Pela milionésima vez, não é clone, minha senhora, é dublê. O texto se chama “Dublê de Ogum”. Não é “Clone de Ogum”, como a senhora insiste em dizer. O quê? É tudo a mesma coisa? Oh Deus, dai-me forças e paciência! Dublê é uma coisa, clone é outra. O dublê é um imitador, um substituto que voluntariamente se passa por outro. Não vê esses filmes de ação? Sempre há substituto do ator principal nas cenas mais perigosas. É um similar, um genérico, mas não é O cara e todo mundo tem consciência disso. Já um clone é matéria de mais ciência e complexidade. Implica mexer no material genético do sujeito clonado. A senhora acha possível clonar uma força da natureza? O vento, um raio, a luz do Sol, a força das águas, do fogo, a lava de um vulcão? Não clona. A sabedoria humana não alcança a centelha divina que mora no âmago genético das forças da natureza. Compreende? Parece que não. Como a senhora é insistente. Vamos ver se explicando de outro modo a senhora entende. A senhora tem alguma coisa contra a autora? Não, não tem. Muito bem. Tem-lhe grande apreço, por sinal. Ótimo. A senhora quer o bem dela, presumo? Sim, sim! Quer vê-la feliz, saltitante e sorridente. Maravilha. Sendo assim, a senhora não iria indispô-la contra uma força da natureza, certo? Não precisa fazer essa carinha, eu explico. Seria mais ou menos assim: sabedora de que o fogo é inclonável, a senhora não vai dizer a ele que tem uma autora por aí metida a fazer fogo com a fricção das palavras, não é mesmo, dona encrenca, digo, senhora? Nem dirá a um rio que uma cientista qualquer descobriu o segredo da nascente das águas e passará a produzir rios e mares, de todos os tipos e tamanhos, inclusive com espuma cheirosa e afrodisíaca para o banho? A senhora não faria isso. Faria? Não, não faria. Entendeu porque a história é de um dublê (um imitador, substituto eventual) e não de um clone? Como, não importa? A senhora está brincando comigo, gastei todo meu latim para lhe explicar... O importante é que a história é boa? Como assim? A senhora quer fazer intriga da autora com as forças da natureza? Instaurar a fofoca, o ciúme, a inveja, a maledicência no seio de uma família feliz? O quê? Seu clone é uma liberdade poética com o dublê dela? A senhora é livre e clona quem quiser? A senhora é uma irresponsável, isso é o que é. Clonar Ogum é uma temeridade. Segure sua cabeça bem firme em cima do pescoço. Olha que ele vem aí para lhe cobrar satisfações. Ah... a senhora não acha temerário? Acha que é uma subversão literária? Espere minha senhora, explique isso direito, agora deu um nó na minha cabeça. O ser humano também é uma força da natureza, mesmo desconectada da ãnima da criação. Sei, interessante, continue, por favor. Tem dentro de si a força, a beleza e o encanto, mas também o poder de destruição de um vento forte, de uma água destemperada, do fogo descontrolado, de um vulcão em atividade, a precisão avassaladora de um raio. Pode ser dublê e pode ser clone, a depender do estado de espírito e dos olhos de quem lê. O importante é que a história seja boa.

23 de abr de 2009

Sobre o preço de um peixe sem cabeça e as espinhas do ofício

Saudade de escrever uma coisinha mais autoral para o blogue, mas andei atrás (ainda ando) do preço do meu salmão sem cabeça. Explico: o amigo Marcelino Freire, dia desses, em seu movimentado blogue, ironizou a própria condição diária de revisor em agência de publicidade, que exige dele, por exemplo, pesquisar o preço do quilo do salmão sem cabeça. E isto, ele continua, o humaniza, faz baixar a bola de escritor jabutado (ganhador de um Jabuti, para quem não sabe, um dos prêmios mais prestigiados da literatura brasileira) que precisa conferir o preço do quilo daquele peixe saboroso, embora não seja para consumo pessoal. Por meu turno, andei lecionando, o que não configura qualquer desprazer, longe disso, mas é trabalhoso, exige muita preparação e dedicação para executar. Enquanto carrego pedras, carrego mais pedras e vendo livros, foram 100 de uma só vez, no Paraná: 40 exemplares do Tambor e 60 do Tridente, 15% dos professores presentes compraram meus livros. Um sonho. Uma maravilha. E muitos comentários vieram, perguntas, gente avançando a madrugada ao ler sozinha, outras gentes fazendo sessões de leitura para amigos nos quartos. Agradecimentos, sorrisos, choro,descobertas, cumplicidade, admiração, sugestões. Além disso tudo, as pessoas sempre me contam histórias que esperam ver, literais ou recriadas, nos próximos livros. Eu me divirto, às vezes anoto, mas procuro não fazê-lo na frente do depoente, às vezes para não criar expectativa de publicação, embora o mais das vezes, seja mesmo como golpe publicitário da minha memória, falsamente prodigiosa. Mas como o salmão sem cabeça nos persegue, mesmo quando a venda de livros é um sucesso, houve uma moça com sorriso de louça, frio e “simpático”, que me disse assim: “está vendendo bastante, né”? “Sim”, respondi com meu sorriso de refrigerador de salmão. E a conversa deveria ter parado por ali, entendesse ela alguma coisa de técnica de refrigeração. “É bom que você ganha uma graninha, não é?” Ela continuou. “Sim, é”. Redargui. “São os salmões do ofício”! Completei para atordoamento dela e vingança minha. Passo pelo blogue de outro amigo querido, o Rique Aleixo, e vejo por lá um papo sobre política editorial, desenho e confecção do objeto-livro, temas de minha predileção. Observo silenciosa a acuidade do meu poeta. Penso sobre as reflexões dele e me intimido ao reproduzi-las, sob pena de macular a complexidade da produção Ricardiana. O Rique é a própria frase do Wole Soyinka: “um tigre não anuncia sua tigritude, ele ataca”. Voltando às minhas próprias reflexões sobre a produção editorial, tudo conspira, sempre, para comprovar que nós, escritoras e escritores somos os elos mais frágeis e menos privilegiados da cadeia. É um número sem fim de histórias de destrato, descaso e exploração do trabalho de quem escreve. Só para ilustrar, tenho um livro na 3a edição, mas não soube sequer da segunda, a editora esqueceu de me avisar, sobre ambas, é bom que se diga. Fiquei sabendo porque recebi um sopro no ouvido e telefonei para saber sobre uma possível, provável, futura, hipotética segunda edição, haja vista a excelente saída da primeira. O pior é que há um erro grave em um dos textos, o número de uma lei, citado incorretamente, mas não tive oportunidade de corrigir em qualquer das duas edições. Li outro dia, na Folha de São Paulo, entrevista da renomada prosadora Conceição Evaristo. Ela, também poeta, dizia, para minha surpresa, que seu primeiro livro de poesia, publicado em 2008, o foi com 50% dos custos arcados por ela, a autora. "Nesta altura do campeonato"! Exclamei, perplexa. A chateação é inevitável, pois, sabemos que, para certos autores, a mesma editora nunca se dirigiria com uma proposta de parceria para publicação. Seria ofensivo e o autor se retiraria da mesa de negociação. Aliás, parceria, em certos casos, é eufemismo. Antes de publicar a primeira edição do Tridente, em 2006, às minhas expensas, embora utilizasse o selo do Instituto Kuanza, procurei uma editora nacional, de porte médio crescente e ótimo esquema de distribuição. Pedi um orçamento e recebi uma planilha altíssima. Resolvi pesquisar preços, item por item. Procurei editoras que vendem livros a preços acessíveis, tais como a editora do MST e a Mazza Edições. Fui atrás das gráficas delas, dos serviços que utilizam e consegui preços razoáveis, fiz o livro. Aliás, recebi sugestões e bons conselhos de ambas, muito úteis à minha escolha final. Ao cabo de todos os gastos computados (revisão, projeto gráfico, capa, editoração e impressão), o Tridente primeira edição, inteiro, custou 20% menos do que os 50% que eu daria àquela editora nacional. Veja-se o tamanho do imbróglio. O tal esquema de parceria para publicação é controverso, mas, de todo modo,não é convincente a justificativa dada pelas editoras pequenas de que não podem arcar sozinhas com os valores elevados de uma boa publicação, pelo simples motivo de que esse discurso se aplica apenas a alguns autores, a outros, não. Fiz um livro em parceria com a editora e confesso que não pretendo fazer mais, o Tambor foi feito assim. Neste caso específico, quando apresentei a proposta à editora, eu já tinha tudo fechado, inclusive as ilustrações, com as quais ela não concordou. Deixei pouca ou quase nenhuma margem de atuação para ela, como editora, que se recusou a arcar com a conta sozinha. Estava certa. Por isso disse que o tema é controverso, mas, em regra, o autor é explorado e sai perdendo. Quando o tratamento é diferente, até nos surpreendemos. Foi assim, outro dia, quando uma editora me chamou para conversar. Inicialmente os representantes do projeto editorial mandaram um e-mail. Agradeci o convite e devolvi uma série de perguntas. As respostas vieram e achei que tudo parecia bom demais para ser verdade. Quis logo me certificar de que não estavam dourando a pílula para depois desferir o golpe da parceria. Que nada! Para minha surpresa e alegria o papo era reto e eles até se ofenderam por eu ter pensado numa proposta de parceria por trás das boas condições de trabalho oferecidas. Nem tudo são flores no mercado editorial, mas elas também existem e quero me manter próxima a elas.

22 de abr de 2009

Obra de Cidinha da Silva será debatida no I Colóquio de Escritoras Mineiras, em Belo Horizonte

A Luana Santos acaba de me avisar que acontecerá em Belô, dias 13 e 14 de maio de 2009, o "I Colóquio Escritoras Mineiras – poesia, ficção e memória –." Minha obra será abordada numa apresentação dela: " Cada tridente em seu lugar: personagens afro-descendentes na obra de Cidinha da Silva." Tri-bom, fiquei bem contente. O colóquio acontecerá na Faculdade de Letras da UFMG, numa promoção do Programa de Pós Graduação em Estudos Literários – Pós-Lit e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade – NEIA, no auditório 1007, com atividades nos três turnos. Informações e inscrições (gratuitas): Sala 2015, pelo telefone 31 3409-6007 ou pelo e-mail: publicacoesonline@hotmail.com Ou no dia 13/05, antes das sessões, no auditório 1007, na Faculdade de Letras da UFMG.

Lançamento de "Morada", 2a edição, de Allan da Rosa e Guma, no Sarau Elo da Corrente

Lançamento da 2° edição do livro MORADA. (Edições Toró, 2007). Fotografias de Guma, escritos de Allan de Rosa. "Livro que retrata na lente poética de Guma as moradias de semente ancestral presente nas bordas do Pirajussara (Zona Sul) alinhado ao versado doce e afiado de Allan da Rosa. Esse trampo já foi semeado em diversas universidades, espaços públicos de cá e nas bandas de fora, além de ter sido destaque na Secretaria Estadual de Habitação. Haverá também uma exposição de fotos do trabalho, leitura de trechos do livro e o buquê de livros da Edições Toró há disposição pra ser paquerado". Onde: Bar do Santista - Rua Jurubim, 788 -Pirituba, dia 23/04, às 20:30. Tel: 11 3906-6081 (Michel ou Raquel)

21 de abr de 2009

Veja crítica à cobertura da mídia sobre as favelas cariocas no texto "Feios, sujos e malvados"

(Por: Adriana Facina*). "A recente cobertura da grande mídia sobre as favelas cariocas tem me chamado à atenção. Pauta obrigatória e diária, as favelas aparecem ora como ameaça ecológica, ora como alvo de políticas públicas que são consideradas bem sucedidas e, nesta semana, como focos da violência que se expande pelo asfalto e assusta os moradores de bairros tradicionais da Zona Sul. Em todas as notícias, muitas mentiras são continuamente reiteradas, demonstrando, ao mesmo tempo, uma intenção ideológica clara de criminalizar a população favelada e defender soluções coercitivas para seu controle (vide as ocupações policiais do Dona Marta e da Cidade de Deus), bem como um olhar de classe média que informa a cobertura jornalística. Os repórteres e editores possuem um estranhamento tão profundo em relação ao mundo dessas populações que raramente aguçam ouvidos e olhos para perceber essas realidades sob outros ângulos. Desse modo, vários clichês são repetidos como verdades inquestionáveis. A própria idéia de crime organizado deve ser vista com cuidado. Se existe crime organizado, certamente ele não está nas favelas. As facções são baseadas em alianças frágeis, muito dependentes do perfil dos “donos do morro”, autoridades sempre mais ou menos efêmeras que ditam as regras e definem o ambiente das comunidades. De acordo com isso, uma mesma favela pode ter um clima mais neurótico ou mais tranqüilo. Outros fatores também entram aí, como a ameaça de invasão policial ou miliciana ou mesmo de outra facção. Mesmo dentro de um mesmo comando, há rivalidades e invasões por grupos rivais que em geral são gestados dentro do próprio grupo que está no comando da favela invadida, por aqueles que são considerados “traíras”. Estes são movidos pela ambição de tomar o lugar do chefe. Essa instabilidade demonstra que o crime dentro das favelas está longe de ser organizado, ainda que existam hierarquias, regras, condutas que estruturam esses coletivos. Organizada é a chegada da droga nas favelas. Recentemente, foi veiculado na imprensa que uma mesma organização vende a droga para facções rivais do Rio. Essas drogas chegam em fluxo contínuo e mesmo em períodos de “guerra” continuam a ser vendidas. Ao argumento de que o crime realmente organizado está fora das favelas, já que nelas não se produzem entorpecentes e nem armas, se responde com a denúncia da existência de um suposto laboratório de refino de cocaína na Rocinha, o que os moradores da localidade negam, e que na própria mídia aparece como sendo um local onde se mistura cocaína pura a farinha ou outras substâncias para ampliar os lucros de quem a vende. “Malhar” cocaína é bem diferente de refiná-la, processo complicado que, ao que parece, não é a especialidade brasileira na divisão do trabalho que apóia o comércio internacional da substância. Organizada é a venda das armas que vão parar nas mãos daqueles que são responsáveis pelo varejo da droga. O arsenal que qualquer um que entra nas favelas onde há venda de drogas pode ver chega em parte pelas mãos das próprias forças estatais. Não são poucas as histórias de seqüestro de fuzis, com pedido de resgate para devolvê-los, feitos por aqueles que se dizem ao lado da lei. Organizada também é a produção dessas armas e a sua distribuição pelo mundo. Nenhuma das grandes armas que se vêm nas favelas: AR-15s, AKs, G3, etc são produzidas no Brasil. São empresas multinacionais, totalmente legalizadas, que fabricam essas armas massivamente, independentemente de seus países estarem ou não em guerra. Essas armas são fabricadas sem controle, em uma quantidade que, para tornar sua comercialização lucrativa, precisa de grandes e pequenas guerras sendo fomentadas cotidianamente no mundo. Nossa “guerra particular” é fundamental nisso e o proibicionismo em relação à venda e consumo de drogas é um combustível essencial. Mais armas pros comerciantes, mais armas para o Estado combater os comerciantes. Dinheiro que poderia ser investido na saúde, educação, cultura, emprego para de fato combater as causas da violência. Hoje o que se gasta para combater o comércio e o consumo das substâncias proibidas é mais do que se gastaria em saúde pública para tratar os drogadictos caso seu uso fosse liberado. Organizada também é a entrada do dinheiro ilegal do tráfico internacional de drogas e armas no sistema financeiro. Os bancos, instituições financeiras do mundo “legal”, recebem esse dinheiro e ajudam assim a limpá-lo, permitindo que ele vá alimentar legalidades e ilegalidades que são parte de uma mesma coisa sob o capitalismo financeirizado. Dito de outra maneira, não é possível existir tráfico de drogas, seja o grande tráfico internacional seja o varejo das favelas, sem a conivência das instituições financeiras. Isso demonstra o quanto é falsa e mistificadora a culpabilização dos usuários de drogas pela violência gerada pela presença e uso de armas de grosso calibre por toda a cidade. O consumo de maconha, por exemplo, é histórico entre as camadas populares de nossa cidade, compondo estilos de vida e assumindo sentidos culturais negados pelo proibicionismo. Quanto à classe média, tal consumo se difundiu sobretudo no esteio da contracultura, a princípio como contestação à sociedade de consumo e depois adquirindo novos significados, mas sempre com algum resquício de rebeldia. No caso dos chamados viciados, sobretudo em pó e crack, são pessoas que merecem tratamento, pois são portadores de uma doença que deve ser vista como problema de saúde pública e não como resultado de falhas de caráter. Dizer que esses são os vilões que estão por trás dos muitos tiros que foram trocados na esquina da Toneleiros com Santa Clara é uma maneira confortável de simplificar as coisas, desresponsabilizar o Estado e sua fracassada política de combate ao crime e obscurecer a importância daqueles que verdadeiramente lucram com essas “guerras” que aumentam a venda de armas e jornais. Algumas perguntas ficam sem respostas. Por que por exemplo se elegem as favelas como o palco do combate ao comércio de drogas? Todos sabem que o comércio e consumo de substâncias ilegais correm soltos em boates freqüentadas pela classe média e classe média alta carioca e no entanto não existem registros de “operações” realizadas nessas localidades. Nem em condomínios de luxo onde se consomem drogas e que também invadem áreas de mata atlântica, poluem lagoas e mares numa escala muito mais ameaçadora do que os barracos das favelas. Por que os inimigos da sociedade foram eleitos entre aqueles para quem o comércio varejista de drogas é emprego, é alternativa de uma vida sem muitas alternativas? A grande maioria dos jovens que hoje empunham as armas nas favelas não têm acesso à educação de qualidade, à saúde, ao emprego digno, a equipamentos culturais públicos ou privados ( muitos jamais foram ao cinema, por exemplo). São esses os inimigos da sociedade? Em meio a essas reflexões, lembrei de uma frase de Bertolt Brecht: “Aquele que desconhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e a chama de mentira é um criminoso.” Brechtianamente, cabe perguntar: De quantos crimes cotidianos é feito o combate ao crime no Rio de Janeiro?" (Adriana Facina é antropóloga, professora do Departamento de História da UFF, membro do Observatório da Indústria Cultural).

20 de abr de 2009

Países da Europa e EUA recusam luta contra racismo na Revisão de Durban

(Por: Juliana Cézar Nunes, de Genebra). "As Nações Unidas passaram o domingo (19/04)de portas fechadas. Nenhum discurso ou declaração oficial nas salas de conferências. Já nos hotéis e missões diplomáticas, movimentação intensa das delegações de países como Itália, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, Israel, Holanda e Alemanha. Governos que a cada hora apresentam uma justificativa para não participar esta semana da Conferência de Revisão de Durban. A fragilidade dos argumentos mostra que boa parte do mundo ainda se recusa a enfrentar o racismo, a discriminação, a xenofobia e a intolerância. Em repúdio a essa posição, representantes das organizações da sociedade civil da América Latina e do Caribe se uniram para apoiar os países da região a seguir na conferência. Uma nota neste sentido foi enviada aos governos latino-americanos e caribenhos (leia aqui). As organizações também assinaram um manifesto internacional em defesa da Conferência de Revisão. “Condenamos estas atitudes, que para nós também são expressões modernas de racismo, uma vez que excluem do debate temas como reparação para a população afrodescendente, combate à discriminação contra as mulheres e respeito à orientação sexual”, afirma a coordenadora da Rede de Mulheres Afro Latino-Americanas, Caribenha e da Diáspora, Dorothea Wilson. Antes mesmo da chegada do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, os países que se negam a participar da conferência anunciavam o caráter anti-semita do encontro. Até o documento base foi acusado de conter essa conotação. Negociado e aprovado por unanimidade na semana passada, inclusive pela União Européia, o texto não contém os elementos apontados. “O documento não é contrário a Israel ou ao sionismo, até condena o anti-semitismo. Não fala de Palestina ou Gaza. Chegamos a um bom texto. Não há desculpa para não participar da conferência”, afirma a chefe da missão política brasileira em Genebra, Maria Nazareth Farani Azevedo. Os Estados Unidos usam como argumento para a ausência nos debates o primeiro parágrafo do texto base, que reafirma a Conferência de Durban, realizada em 2001 e também acusada de anti-semitismo. Diplomatas chegaram a sugerir que uma nota de rodapé fosse incluída no novo texto, explicitando a posição norte-americana, mas ainda assim não conseguiram garantir a presença da delegação oficial. O governo brasileiro tentou sensibilizar a administração dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, conversou sobre a conferência com a secretária de Estado, Hillary Clinton, durante a Cúpula as Américas. O presidente Lula teria feito o mesmo no encontro com Barack Obama. “A Conferência de Revisão de Durban é muito importante para o Brasil. Não participar é um problema para os Estados Unidos. Principalmente agora, que eles têm um presidente negro, uma liderança que busca restabelecer ao país a condição de diálogo no restante do mundo”, avalia o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos. Em Genebra, ele já se reuniu com representantes da sociedade civil brasileira. As organizações apresentaram propostas de melhorias no documento durante a conferência. Entre elas, o destaque ao combate à discriminação contra religiões de matriz africana, as formas de enfrentamentos do ódio racial, mecanismos de monitoramento das políticas públicas, promoção do acesso a educação, maior atenção e proteção para a juventude negra, trabalhadoras domésticas e as comunidades quilombolas". Visite o blogue: http://avaliacaodurban2009.wordpress.com

19 de abr de 2009

Cronista de um tempo ruim, primeiro livro do Selo Povo, já está no forno

(Por Ferréz). "Primeiro lançamento do Selo Povo, no primeiro semestre de 2009. A coleção de 8 livros segue com a escritora Cernov (Manaus). E muito mais marginália vem ai. Distribuição periférica(leia-se Saraus, Escolas, Ongs, Bares, Igrejas, estúdios, lojas e qualquer lugar que quiser traficar informação). o que é Selo Povo? É o nome da coleção da Editora L.M. (Literatura Marginal) que publicará 8 autores, todos a um preço bem acessível e com distribuição que privilegiará a periferia, os locais já foram mapeados e os livros chegarão lá primeiro e com melhor preço.O Selo Povo foi criado para fazer o livro chegar a quem realmente precisa ler, é também uma forma de mostrar ao mercado a falta de senso referente ao preço das obras, pois um livro de bolso chega a custar até R$ 20,00 em livrarias.Privilegiando a distribuição nos bairros, nós da L.M. colocamos a periferia no centro do trabalho, já que somos nós que produzimos todo o conteúdo e depois temos de "viajar" para encontrar um local que venda nossos produtos.Cultura da periferia em alta voltagem.Quem for morador de bairro, e quiser ser um distribuidor, favor mandar e-mail para literaturamarginal@ibest.com.br para fazermos o cadastro. Selo feito para livros de bolso, livros esses escritos por e para mãos operárias, rebeldes, marginais, periféricas. Que possa alcançar o público despossuído de recurso que geralmente vê o livro como um item raro e elitista. Um vinho guardado e nunca degustado, enquanto queremos que todos bebam pelo menos sua tubaína diária. Um selo em um livro de bolso, para ser posto na sexta básica, para ser lido na rua, no horário de almoço, nas prisões, nos acampamentos, nas zonas, nos bares, barracos e barrancos desse imenso país periferia. Esse selo garante um livro de fácil leitura e que será lido, relido, emprestado, e gasto, andando de mão em mão até que volte para onde veio, a vida. Ao preço de 1 cerveja e meia, e mais barato que um prato feito, a desculpa para não ler acabou. Bem vindo ao Selo Povo, feito pra você e pra todo mundo". (Sobre Ferréz e sua obra, por M. Jolnir, jornalista e escritor). "Escritor e ativista social, Ferréz começou a fazer crônicas na Revista Caros Amigos em novembro de 2000, logo após ter lançado seu primeiro livro: Capão Pecado. De lá até pra cá, passou por dezenas de jornais, revistas, sites. Sempre com uma escrita forte e contundente, muitas vezes até mal interpretada, como o recente processo por apologia ao crime, acatado pelo Ministério Público por conta de um dos seus textos. Se fosse em suas palavras, ele certamente diria nessa introdução: - apologia ao crime é a panela vazia. Na verdade Ferréz teria uma vida bem mais tranqüila, se em seus textos não focasse a luta de classes e nem a realidade caótica brasileira, se não fosse coligado ao movimento Hip-Hop, se nunca tivesse assumido sua escrita como literatura marginal e se não insistisse em permanecer morando no Capão Redondo. Com certeza, o escritor transitaria com mais desenvoltura em outros meios, mas não parece ser essa sua intenção. Enquanto a esmagadora maioria está escrevendo para ter um lugar ao sol, Ferréz parece estar escrevendo para simplesmente chegar ao sul, ao leste, a oeste ou ao norte de lugar algum, afinal o autor trabalha vendendo roupas com frases de seus livros e fazendo palestras em escolas públicas, municipais, além de jovens em liberdade assistida, cadeias, ong´s e dezenas de movimentos populares. Um escritor que trabalha com essa gente só pode estar querendo chegar ao anonimato midiático. Mas estranhamente isso não é que acontece com Ferréz, que é reconhecido por seus textos e livros tanto na elite como nas periferias brasileiras. Ferréz parece ser banhado por uma legitimidade reconhecida das duas partes, como se para ele fosse dado algum tipo de aval, talvez ele seja sem querer um certo tipo de ponte entre esses dois mundos, tão distantes e tão próximos. Nesse livro, podemos ler a crônica SPPCC, que o escritor escreveu meses antes dos atentados cometidos pela facção criminosa, e que somente quem tem uma visão muito pontual da cidade poderia fazer, assim como também a crônica, Meu dia na guerra, que além de narrar os fatos após os atentados, ainda foi um texto muito importante por denunciar as dezenas de chacinas que vieram em seguida, esse texto inclusive foi fator determinante para que elas fossem reprimidas. Outro que merece destaque é o texto, Cotidiano 100%, que foi proibido de sair no livro da companhia de metrô de São Paulo. O que esperamos dele agora? O que ele faz com muita competência, um bom texto que nos cause indignação e que continue andando onde ele é mais urgente, nas ruas desse imenso país periferia. Esse livro contém textos que foram publicados na Revista Caros Amigos, Jornal Folha de São Paulo, Le Mond Diplomatic Brasil, Revista Trip, e Relatório da O.N.U". A distribuição está sendo organizada de forma a atingir vários estados do Brasil. Uma iniciativa da Editora L.M com parceria da Ação Educativa, que promoverá uma revolução no mercado editorial, pondo a periferia na rota de distribuição de livros, revistas, hqs e documentários.

15 de abr de 2009

Editora Éblis lança livro novo

Congo negro ( The Congo – A Study of the Negro Race ) é o poema mais significativo do poeta norte-americano Vachel Lindsay (1879-1931) e o primeiro título da coleção tradução da Editora Éblis. A intensidade rítmica do poema, que a tradução procurou, na medida do possível, recriar, faz dele uma peça poética para ser lida em voz alta, e quase cantada, ou até mesmo gritada, como queria Lindsay. Assim, sua inventividade está justamente em dar o corpo ao literário, fazendo as palavras do poema-partitura soarem pela boca do leitor, do mesmo modo que no revival pentecostal ou no encantamento vodu. Congo negro é, em certa medida, um poema fora do compasso do paladar contemporâneo. Congo negro trata-se de um poema “negrista”, isto é, um experimento eventual de linguagem no percurso textual do seu autor, como também o foram os “poemas negros”, de Raul Bopp, e “Essa Negra Fulô”, de Jorge de Lima, entre outros tantos. Como poema bom que é, Congo leva em seu bojo essas e outras contradições. Mas, as grandes obras de arte são o que são porque envelhecem naquilo em que podem envelhecer, deixando sempre a possibilidade de recriação, como se concretizou nesta primeira tradução para o português do poema de Lindsay, levada a efeito graças a inteligência e a sensibilidade de Luci Collin, professora de tradução e de literaturas de língua inglesa da UFPR, e também poeta e ficcionista. Nicholas Vachel Lindsay nasceu em Springfield, Illinois (EUA), a 10 de novembro 1879 e suicidou-se em 5 de dezembro de 1931 na mesma cidade. Formou junto com Carl Sandburg e Edgar Lee Master, entre outros, a chamada "Renascença de Chicago", geração de poetas ligados a Poetry: a magazine of verse. De 1906 a 1912 fez várias viagens a pé pelos Estados Unidos recitando seus poemas em troca de hospedagem e alimentação, do que são exemplares suas Rhymes to be Traded for Bread (1912). É autor de, entre outros, General William Booth Enters into Heaven and Other Poems (1913), The Chinese Nightingale and Other Poems (1917), Daniel Jazz and Other Poems (1920), The Litany of Washington Street (1929). Escreveu ainda um importante ensaio sobre cinema, The Art of the Moving Picture (1915). Luci Collin nasceu em Curitiba (PR) em 1964. Poeta, ficcionista e tradutora. Doutora em Letras pela USP, é professora de Literaturas de Língua Inglesa e Tradução Literária na UFPR. É autora de, entre outros,Todo Implícito (poesia, 1998) e Acasos Pensados (contos, 2008). Traduziu Re-habitar: ensaios e poemas, de Gary Snyder (Azougue, 2005), Etnopoesia no Milênio, de Jerome Rothenberg (Azougue, 2006),Contos Irlandeses do Início do Século XX (Travessa dos Editores, 2007).

13 de abr de 2009

3o Poesia no ar

( Texto de divulgação). "A Cooperifa realiza nesta quarta-feira um dos eventos mais bonitos da periferia de São paulo, o "POESIA NO AR" pelo terceiro ano consecutivo, que promete encher o céu de São Paulo de poesia. Nesta noite, o tradicional sarau acontece normalmente até às 22hs30, ao final todos os poetas mais a comunidade são convidados a colocar os poemas e mensagens em balões enchidos com gás Hélio (500 balões) para serem soltos exatamente às 23hs pelo céu da cidade. E como dizem os organizadores do evento: "se depender da Cooperifa ninguém vai ficar sem poesia na cidade, o sarau vai chegar via aérea na casa das pessoas." Foto: João Wainer. 3º POESIA NO AR Dia 15 de abril 23hs. Bar do Zé batidão. Rua bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santa. Inf (11) 72074748

10 de abr de 2009

Mais Obama em quadrinhos

(Deu no UOL de 08/04/09). " O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se tornará uma espécie de Conan, o Bárbaro, na nova série de histórias em quadrinhos na qual enfrentará vilões como Boosh the Dim, em alusão a George W. Bush, ou Red Sarah, que se assemelha à ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin. A imprensa americana informou que a série será lançada em junho pela editora Devil's Due, com sede em Chicago, e o primeiro número se chamará "Barack the Barbarian: Quest for the Treasure of Stimuli" e a missão do herói será buscar a reativação econômica dos Estados Unidos. A editora introduz a história desta forma: "De uma terra distante surge um herói poderoso. O filho de camponeses de dois reinos distintos, aquele conhecido apenas como Barack protege o povo da Terra da Esperança a todo custo". Além disso, a empresa explica que seu destino é "salvar a grande República da América e destronar os déspotas com salários exagerados". Obama aparece nas tirinhas musculoso e com pouca roupa: usa apenas botas de pele, uma tanga, um colar tribal e um enorme machado. Red Sarah aparece com menos roupa ainda, de biquíni, luvas, botas e uma capa de pele, além dos característicos coque e óculos de Palin. Outros personagens que aparecerão nas tirinhas serão Cha-nee the Grim (em alusão a Dick Cheney, ex-vice dos Estados Unidos), Sorceress Hilaria (a secretária de Estado, Hillary Clinton) e o semi-deus Biil (Bill Clinton, ex-presidente americano e marido de Hillary). O autor da história em quadrinhos é Larry Hama, encarregado de outras tirinhas famosas, como as de G.I. Joe ou Wolverine, e, de acordo com a editora, pretende levar "a sátira política a um novo patamar". Os leitores poderão escolher entre duas capas, com a imagem de Barack ou a de Red Sarah, para o primeiro número. O segundo capítulo ocorrerá em uma realidade alternativa e, nela, Obama será mudo. O mundo que o cerca estará em ruínas após uma invasão alienígena, e a população sofre o inverno mais rigoroso em um século. Esse episódio ficará a cargo de Mark Powers e terá como título "Drafted: 100 Days".

9 de abr de 2009

O cara

(Por: Ronald Augusto no Poesia-pau) "Este fragmento deve começar transcrevendo parte de uma crônica de Machado de Assis publicada no primeiro número da revista O futuro (1862-1863). A crônica foi descoberta por Mario Alencar, também organizador de A Semana, compilação póstuma enfeixando em três volumes as crônicas que Machado escreveu semanalmente para a “Gazeta de Notícias” (RJ). No texto em causa, Machado de Assis defende um “programa de trabalho”. O escrito, efêmero como o suporte onde fora estampado, representa a contrapelo algo como a “pedra fundamental” da sua trajetória de escritor - Machado de Assis contava 23 anos. O cronista que inaugura a sua coluna tira a pena do fundo da gaveta e passa a ministrar-lhe alguns conselhos que, caso aceite, lhe facultarão uma vida “honrada e feliz”. Vejamos alguns trechos: Não te envolvas em polêmicas de nenhum gênero, nem políticas, nem literárias, nem quaisquer outras; de outro modo verás que passas de honrada a desonesta, de modesta a pretenciosa (...) O pugilato das idéias é muito pior que o das ruas; tu és franzina, retrai-te na luta e fecha-te no círculo dos teus deveres, quando couber a tua vez de escrever crônicas. Sê entusiasta para o gênio, cordial para o talento, desdenhosa para a nulidade, justiceira sempre, tudo isso com aquelas meias tintas, tão necessárias aos melhores efeitos da pintura. Comenta os fatos com reserva, louva ou censura, como te ditar a consciência, sem cair na exageração dos extremos. E assim viverás honrada e feliz. Na observância deste verdadeiro projeto estético, a pena machadiana desborda dos limites da crônica semanal a que se destinava, e vai desembocar nessa prosa sibilina e irônica que marca parte significativa de sua obra. Machado de Assis, na assim chamada trilogia metalingüística, composta dos romances Dom Camurro, Memória Póstumas e Quincas Borba, leva a cabo este ideário estético em perspectiva, com que àquela altura inaugurava sua tarefa de cronista". (Imagem de Machado de Assis)

8 de abr de 2009

Sarau das poéticas indígenas, em São Paulo

(Texto de divulgação) "A idéia do I Sarau das Poéticas Indígenas é reunir índios, escritores indígenas e de outras origens, clássicos e contemporâneos, cuja obra tenha inspiração indígena de alguma região do Brasil. Poéticas, pois aqui não cabe apenas uma única poética, a ocidental ou aristóteleana, mas sua diversidade que vive nos cânticos, na história oral, no ritual indígena, tendo em comum a inventividade e o encantamento com a palavra e suas possibilidades. Essa reunião de poetas e poéticas pretende dar projeção e ânimo a este ainda singelo movimento intercultural e literário que é o da literatura indígena".

7 de abr de 2009

Adeus ao poeta Jônatas

(Por: Cleidiana Ramos, do jornal A Tarde). "O poeta, escritor e um dos mais importantes intelectuais do movimento negro brasileiro, Jônatas Conceição, 56 anos, faleceu na manhã de sexta-feira no Hospital da Cidade por conta de um câncer digestivo.O sepultamento serà às 16h30 no Jardim da Saudade. Jônatas atuou em várias frentes na luta contra o racismo e valorização da identidade e culturas negras: movimento social, literatura, Carnaval e academia. "Jônatas era um poeta profundamente ligado às suas raízes em Saubara. Eu sempre disse que ele vivia 'saubariando' a vida", disse, emocionado, o poeta José Carlos Limeira, um dos grandes amigos de Jônatas e companheiro nas letras. Jônatas foi um dos militantes pioneiros do Movimento Negro Unificado (MNU) e era diretor do bloco afro Ilê Aiyê onde elaborava os cadernos educativos da instituição. Foi professor da Uneb e desenvolveu sua pesquisa de mestrado sobre a poesia dos quilombos intitulada Vozes Quilombolas – Uma Poética Brasileira, publicada em 2005. Em 2000 publicou em companhia de Lindinalva Barbosa a antologia Quilombo de Palavras- a literatura dos afro-descendentes, dentre outras várias obras. "Era um guereiro incansável na sua aparente quietude. Acho que era como a própria água, um elemento ao qual ele era muito ligado. Ele ia operando transformações profundas de uma maneira na maioria das vezes silenciosa", destaca o também poeta e grande amigo de Jônatas, Landê Onawale. A literatura foi o principal veículo do vigor político e guereiro de Jônatas, dono de uma personalidade introspectiva. "Jônatas tinha aquele jeito tímido, calado introspectivo, mas transpirava o amor por suas raízes, pelos orixás e pelo Ilê Aiyê", completa Limeira. Era nos textos que Jônatas deixava transparecer seu pensamento sobre questões como o racismo e desigualdade."No seu jeito calado ele era radical, no sentido, de como diz sua irmã Ana Célia, de quem segue as coisas com horizontalidade e profundidade, como uma raiz. Neste sentido Jônatas realmente deixou marcas profundas em todos os ambientes nos quais atuou", completa Landê. Pioneirismo é também uma outra palavra bastante usada pelos amigos para defini-lo. Jônatas era um dos mais freqüentes colaboradores do Cadernos Negros, a mais importante publicação brasileira para divulgação da literatura negra. Em 2007, numa entrevista a A TARDE sobre o lançamento de uma edição do Cadernos em Salvador, ele disse:"Infelizmente, os escritores negros são ainda vozes marginais, no sentido de não conseguirmos furar o bloqueio editorial brasileiro, que é baseado numa ideologia elitista e branca, também em relação à temática, como se nós, negros, não produzíssemos cultura“. Guardião do compromisso de contar a história de luta do povo negro ele foi o responsável por compilar textos que contam a história de formação do MNU, na coletânea Movimento Negro Unificado- 1978-1988-10 anos de luta contra o racismo. Jônatas deixa um filho de 12 anos, Kayodê".

6 de abr de 2009

Iêee, viva mestre Pastinha!

(Texto disponível na web, sem autoria, composto a partir do depoimento de mestre Pastinha ao MIS - Museu da Imagem e do Som, em 1967). "Vicente Ferreira Pastinha. Nascido em 1889, dizia não ter aprendido a Capoeira em escola, mas "com a sorte". Afinal, foi o destino o responsável pela iniciação do pequeno Pastinha no jogo, ainda garoto. Em depoimento prestado no ano de 1967, no Museu da Imagem e do Som, mestre Pastinha relatou a história da sua vida: "Quando eu tinha uns dez anos - eu era franzininho - um outro menino mais taludo do que eu tornou -se meu rival. Era só eu sair para a rua - ir na venda fazer compra, por exemplo - e a gente se pegava em briga. Só sei que acabava apanhando dele, sempre. Então eu ia chorar escondido de vergonha e de tristeza (...)". A vida iria dar ao moleque Pastinha a oportunidade de um aprendizado que marcaria todos os anos da sua longa existência. "Um dia, da janela de sua casa, um velho africano assistiu a uma briga da gente. 'Vem cá, meu filho', ele me disse, vendo que eu chorava de raiva depois de apanhar. Você não pode com ele, sabe, porque ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando raia vem aqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia. Foi isso que o velho me disse e eu fui (...)". Começou então a formação do mestre que dedicaria sua vida à transferência do legado da cultura africana a muitas gerações. Segundo ele, a partir deste momento, o aprendizado se dava a cada dia, até que aprendeu tudo. Além das técnicas, muito mais lhe foi ensinado por Benedito, o africano seu professor. "Ele costumava dizer: não provoque, menino, vai botando devagarinho ele sabedor do que você sabe (...). Na última vez que o menino me atacou fiz ele sabedor com um só golpe do que eu era capaz. E acabou-se meu rival, o menino ficou até meu amigo de admiração e respeito (...). 'Aos doze anos, em 1902, eu fui para a Escola de Aprendiz de Marinheiro. Lá ensinei Capoeira para os colegas. Todos me chamavam de 110. Saí da Marinha com 20 anos (...). Vida dura, difícil. Por causa de coisas de gente moça e pobre, tive algumas vezes a Polícia em cima de mim. Barulho de rua, presepada. Quando tentavam me pegar eu lembrava de mestre Benedito e me defendia. Eles sabiam que eu jogava Capoeira, então queriam me desmoralizar na frente do povo. Por isso, bati alguma vez em polícia desabusado, mas por defesa de minha moral e de meu corpo (... ). Naquele tempo, de 1910 a 1920, o jogo era livre. 'Passei a tomar conta de uma casa de jogo. Para manter a ordem. Mas, mesmo sendo capoeirista, eu não me descuidava de um facãozinho de doze polegadas e de dois cortes que sempre trazia comigo. Jogador profissional daquele tempo andava sempre armado. Assim, quem estava no meio deles sem nenhuma arma bancava o besta. Vi muita arruaça, algum sangue, mas não gosto de contar casos de briga minha. Bem, mas só trabalhava quando minha arte negava sustento. Além do jogo trabalhei de engraxate, vendia gazeta, fiz garimpo, ajudei a construir o porto de Salvador. Tudo passageiro, sempre quis viver de minha arte. Minha arte é ser pintor, artista (...). ". O ritmo da sua vida foi alterado quando um ex-aluno o levou para apresentar aos mestres que faziam uma roda de Capoeira tradicional, na Ladeira da Pedra, no bairro da Gingibirra, em Salvador, no ano de 1941. "Na roda só tinha mestre. O mais mestre dos mestres era Amorzinho, um guarda civil. No apertar da mão me ofereceu tomar conta de uma academia. Eu dei uma negativa, mas os mestres todos insistiram. Confirmavam que eu era o melhor para dirigir a Academia e conservar pelo tempo a Capoeira de Angola." Foi na atividade do ensino da Capoeira que Pastinha se distinguiu. Ao longo dos anos, a competência maior foi demonstrada no seu talento como pensador sobre o jogo da Capoeira e na capacidade de comunicar-se. "Mas tem muita história sobre o começo da Capoeira que ninguém sabe se é verdadeira ou não. A do jogo da zebra é uma. Diz que em Angola, há muito tempo, séculos mesmo, fazia-se uma festa todo ano em homenagem às meninas que ficavam moças. Primeiros elas eram operadas pelos sacerdotes, ficando igual, assim, com as mulheres casadas. Depois, enquanto o povo cantava, os homens lutavam do jeito que fazem as zebras, dando marradas e coices. Os vencedores tinham como prêmio escolher as moças mais bonitas (...). Bem, mas de uma coisa ninguém duvida: foram os negros trazidos de Angola que ensinaram Capoeira pra nós. Pode ser até que fosse bem diferente dessa luta que esses dois homens estão mostrando agora. Me contaram que tem coisa escrita provando isso. Acredito. Tudo muda. Mas a que a gente chama da Capoeira de Angola, a que aprendi, não deixei mudar aqui na Academia. Essa tem pelo menos 78 anos. E vai passar dos 100, porque meus discípulos zelam por mim. Os olhos deles agora são os meus. Eles sabem que devem continuar. Sabem que a luta serve para defender o homem (...). Saem daqui sabendo tudo, sabendo que a luta é muito maliciosa e cheia de manhas. Que a gente tem de ser calmo. Que não é uma luta atacante, ela espera. Capoeirista bom tem obrigação de chorar no pé do seu agressor. Está chorando, mas os olhos e o espírito estão ativos. Capoeirista não gosta de abraço e aperto de mão. Melhor desconfiar sempre das delicadezas. Capoeirista não dobra uma esquina de peito aberto. Tem de tomar dois ou três passos à esquerda ou à direita para observar o inimigo. Não entra pela porta de uma casa onde tem corredor escuro. Ou tem com o que alumiar os esconderijos da sombra ou não entra. Se está na rua e vê que está sendo olhado, disfarça, se volta rasteiro e repara de novo no camarada. Bem, se está olhando ainda, é inimigo e o capoeirista se prepara para o que der e vier (...)." Os conceitos do mestre Pastinha formaram seguidores em todo o país. A originalidade do método de ensino, a prática do jogo enquanto expressão artística formaram uma escola que privilegia o trabalho físico e mental para que o talento se expanda em criatividade. "Capoeira de Angola só pode ser ensinada sem forçar a naturalidade da pessoa, o negócio é aproveitar os gestos livres e próprios de cada qual. Ninguém luta do meu jeito mas no jeito deles há toda a sabedoria que aprendi. Cada um é cada um (...). Não se pode esquecer do berimbau. Berimbau é o primitivo mestre. Ensina pelo som. Dá vibração e ginga ao corpo da gente. O conjunto da percussão com o berimbau não é arranjo moderno não, é coisa dos princípios. Bom capoeirista, além de jogar, deve saber tocar berimbau e cantar. E jogar precisa ser jogado sem sujar a roupa, sem tocar no chão com o corpo. Quando eu jogo, até pensam que o velho está bêbado, porque fico todo mole e desengonçado, parecendo que vou cair. Mas ninguém ainda me botou no chão, nem vai botar (...)". Vicente Ferreira Pastinha se calou no ano de 1981. Durante décadas dedicou-se ao ensino da Capoeira. Mesmo completamente cego, não deixava seus discípulos. E continua vivo nos capoeiras, nas rodas, nas cantigas, no jogo. "Tudo o que eu penso da Capoeira, um dia escrevi naquele quadro que está na porta da Academia. Em cima, só estas três palavras: Angola, capoeira, mãe. E embaixo, o pensamento: 'Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista'".

4 de abr de 2009

Mestre Allan da Rosa, por Michel da Silva, o coração valente!

Querido Allan, o que foi Santos da Rosa e é hoje da Rosa - um homem da Rosa - de uma mulher? De uma flor? Leia mais um capítulo de nossa comunicação errática, sempre pontilhada pela alegria das conquistas, das vitórias, como disse o Michel, que dirá tudo aí abaixo. Vô Francisco, personagem do meu livro que vôa na vastidão da falta de editora, aquele que deixa pentes africanos como herança para os netos,te destinaria o pente da perseverança, se neto dele fosses (e quem disse que não és?). Rivalizarias com Ayana, a neta herdeira do pente, ou com João Cândido, outro neto que também poderia tê-lo recebido. "Ontem, 02/04/09, foi um dia de magia, com cheiro de arruda, hortelã, capim, erva cidreira e pipoca ao som do tambor e berimbau, aquecido pelos tecidos africanos e como não podia faltar essa oferenda veio com o tacho cheio de poesia e ciência. Pois quinta feira além de ser dia do guerreiro Oxóssi, ser dia de sarau, também foi dia de ritual afroperiférico dentro da ilha quase-instransponivel da USP. Isso mesmo, a universidade mais requintada da América Latina recebeu um bonde nervoso pra acompanhar a defesa da dissertação de mestrado do malungo-guerreiro-militante-produtor-conselheiro-amigo-escritor e agora Mestre Allan da Rosa, que apresentou sua pesquisa trampada na ciência, na crença e na atividade em práticas de oficinas com estudantes do EJA (Educação de Jovens e Adultos) navegando no mares e jogando nas rodas das matrizes africanas (símbolos, oralidade, escrita, corpo, música, ritos, imagens). Me senti numa aula daquelas que trazem um poço de sabedoria e ensinamento, com as apresentação do Allan e da professora Iris Amâncio da PUC-MG. Pena que não conseguimos ficar até o final por conta do nosso sarau, mas nos sentimos parte, nos sentimos pessoas das remadas percorridas e vencida ontem pelo mestre Allan. Vitória. Contrariando tudo que joga contra nossa mandinga e crescência. Parabéns Allan, parabéns pra nóis!Êa! A sedução prossegui na tradução de enigma e no sentido desse alimento, pois se tu quiser conferir na integra a leitura da dissertação escrita pelo Allan da Rosa intitulada “Imaginário, Corpo e Caneta: Matriz afro-brasileira em Educação de Jovens e Adultos” é só clicar no sitio quilombola da Edições Toró (www.ediçõestoro.net) e bater asas nesse infinito".

3 de abr de 2009

Hábitos estrangeiros e cicatrizes de guerra põem à prova clínica de saúde dos EUA

(Por: Denise Grady, do NewYork Times, traduzido pelo UOL). Em Mineápolis / EUA O homem da Somália senta-se nervosamente em uma sala de exames no Centro Médico do Condado de Hennepin, esfregando cuidadosamente as pontas dos dedos no lado esquerdo da cabeça. "Você será submetido a uma cirurgia para remover estilhaços do seu crânio", diz a ele o médico Steven Hillson, fazendo uma pausa para que a intérprete somali, que usa um lenço negro e uma saia que vai até o chão, possa traduzir. O paciente, Abdulqadir Jiirow, 31, balança a cabeça em sinal de assentimento e explica que o estilhaço está lá desde 1991, quando ele tinha 14 anos de idade e a guerra civil eclodiu na Somália. Ele recebeu o ferimento quando um projétil de artilharia atingiu a sua casa. O problema só passou a atrapalhá-lo realmente recentemente, quando ele começou a trabalhar em uma unidade de empacotamento de carne e o capacete e os óculos de proteção necessários para o trabalho pressionaram dolorosamente a sua cabeça. Jiirow conta que trabalha em uma pequena cidade que fica a várias horas de viagem, e que divide um apartamento com outros somalis, enquanto a mulher e o filho vivem em Mineápolis. Ele vê os dois aos finais de semana. Enfermeira Deborah Boehm (dir.) atende a paciente somali(esq.) ajudada por intérprete "É impressionante", diz o médico, sacudindo a cabeça, depois que Jiirow vai embora. "'Alguém alvejou a minha casa com peças de artilharia'. Mas isso é comum aqui". O Centro Médico do Condado de Hennepin, um vasto complexo no centro de Mineápolis, próximo ao Metrodome, proporciona um quadro extraordinário da forma como os imigrantes estão colocando à prova a estrutura médica norte-americana. Os recém-chegados - muitos fugindo da repressão, da guerra, do genocídio e da pobreza extrema - trazem consigo padrões distintos de doenças e ferimentos, bem como crenças culturais sobre vida, morte, doença e saúde. Em uma cidade na qual antigamente suecos e noruegueses tinham hospitais separados, o Centro Médico de Hennepin investe US$ 3 milhões anualmente em intérpretes fluentes em 50 línguas para possibilitar a comunicação efetiva com os seus pacientes nascidos no estrangeiro. Muitos chegam com problemas de saúde raramente vistos neste país - deficiências vitamínicas, parasitas intestinais e doenças infecciosas como tuberculose, por exemplo - bem como com níveis elevados e anormais de trauma emocional e estresse. Com o passar do tempo, à medida que adquirem hábitos ocidentais, alguns desenvolvem também problemas de saúde ocidentais, como obesidade, diabetes e cardiopatias, mas mesmo assim eles frequentemente questionam os tratamentos com os quais não estão familiarizados, e que duram a vida toda, e que são necessários no caso dessas doenças crônicas. Alguns também resistem às práticas e ao conhecimento médico tradicionais, obrigando o hospital a implementar mudanças. A objeção das mulheres somalis a terem o parto com médicos do sexo masculino levou o Hennepin, gradualmente, a criar uma equipe obstétrica quase que inteiramente composta de mulheres. Os médicos daqui dizem que para muitos desses recém-chegados, os problemas de saúde mais comuns, e os mais difíceis de tratar, ficam naquela linha difusa entre o corpo e a mente, onde as cicatrizes emocionais de passados complicados podem emergir como doenças físicas, dores e depressão. "Quem é imigrante terá uma doença crônica para o resto da vida", diz a médica Verônica Svetaz, nascida na Argentina, e que trabalha em uma das clínicas de bairro do condado de Hennepin. "O indivíduo não pertence mais a lugar algum". Vindos de países distantes Assim como diversas outras cidades norte-americanas, Mineápolis recebeu uma quantidade tremenda de hispânicos. Muitos deles vieram do Equador e do México e estão aqui ilegalmente. Os hispânicos, tanto legais quanto ilegais, representam o maior grupo de imigrantes no Estado, bem como no país. Mas, desde o final da década de 1970, esta que outrora era uma cidade branca na pradaria, congelada durante a metade do ano, passou também a receber levas de refugiados legais vindos de regiões bem mais distantes do planeta: Vietnã, Camboja, Laos, Rússia, Bósnia Herzegóvina, Libéria, Etiópia, Somália, Mianmar e outros países. Um número tão grande de indivíduos oriundos de zonas de guerra veio para cá que um grupo não governamental criou o primeiro Centro de Vítimas da Tortura do país em Mineápolis, em 1987. Em todo o Estado, o número de pessoas nascidas no exterior mais do que dobrou na década de 1990, e atualmente esse grupo é formado por quase 250 mil indivíduos. Eles representam 5% da população. O número de imigrantes da Somália tem sido particularmente grande. Um milhão de pessoas fugiram daquele país quando a guerra civil eclodiu. Muitos passaram anos em campos de refugiados pobres carentes de estrutura e repletos de doenças ou em favelas na Etiópia e no Quênia. Os que tiveram mais sorte, aqueles que receberam status de refugiados políticos, começaram a chegar aos Estados Unidos em meados da década de 1990. Muitos foram transferidos para Mineápolis pelo Departamento de Estado devido ao robusto sistema de serviços sociais da cidade e aos vários grupos de ajuda aos recém-chegados. Calcula-se que haja de 35 mil a 40 mil somalis no Estado de Minnesota, a maioria deles em Mineápolis, o que é mais do que em qualquer outra cidade norte-americana. Mas o número exato é desconhecido, já que os refugiados não são rastreados quando se mudam de um Estado para outro. Algumas autoridades e os próprios somalis acham que o número é bem maior do que o Estado calcula, chegando talvez ao dobro do estimado. "Ninguém é capaz de contá-los", diz Osman Harare, que na Somália era médico e autoridade de saúde pública, e que no Hennepin tornou-se defensor e intérprete dos pacientes. "Nós somos nômades". A comunidade está prosperando, embora enfrente problemas. O Birô Federal de Investigação (FBI) investiga se jovens somalis que moram em Mineápolis foram recrutados para cometer atos de terrorismos na Somália, e as autoridades da área de saúde têm examinado relatórios que indicam a existência de índices incomumente elevados de autismo entre os filhos de imigrantes somalis. O hospital do condado de Hennepin, que possui 446 leitos, tem a tradição de não rejeitar ninguém, e tornou-se a primeira parada para muitos imigrantes que necessitam de um médico. Não são feitas perguntas sobre a situação dos pacientes perante a lei de imigração. Cerca de 20% dos pacientes do centro nasceram em outros países, e cerca de US$ 100 milhões das despesas anuais de US$ 500 milhões com tratamentos de pacientes são destinados a eles. Os intérpretes do Hennepin são chamados para ajudar pacientes mais de 130 mil vezes por ano. A maior demanda é por intérpretes de língua espanhola, e a seguir por indivíduos que traduzem o idioma somali. Um dos desafios para o tratamento dos imigrantes é o dinheiro. O Hennepin tem um custo anual de US$ 45 milhões que não é reembolsado, e embora os imigrantes não sejam responsáveis por toda essa cifra, eles representam "um fator que muito contribui para ela", segundo Mike Harristhal, o vice-presidente de políticas públicas e estratégia do hospital. A maioria dos somalis está neste país legalmente e qualifica-se para vários programas governamentais de seguro saúde. Mas para quem está aqui ilegalmente, a história é bem diferente. Antigamente eles tinham acesso ao Medicaid, mas não têm mais, exceto em casos de emergência, em se tratando de mulheres grávidas ou de pessoas com menos de 18 anos. O Hennepin tem uma tabela variável de preços para os indigentes, mas alguns não conseguem arcar nem com valores tão baixos. Uma parcela da população de Minnesota se opõe à imigração e ressente-se com o fato de pagar as contas dos estrangeiros, e os funcionários do Hennepin reconhecem que o clima cosmopolita da instituição afasta alguns potenciais clientes. Mas o hospital é um centro de traumatologia renomado. Até mesmo aqueles que torcem o nariz para a clientela admitem que, para pacientes que se envolveram em um acidente automobilístico, não há nenhum hospital melhor. Necessidades complexas da clínica Grande parte do trabalho do Hennepin com os imigrantes ocorre em um conjunto de salas de exames e consultórios no sétimo andar, que se tornou uma clínica de saúde internacional que possui determinados dias reservados para vários grupos étnicos. Em uma tarde de terça-feira no outono passado, uma mulher da Somália de 62 anos de idade fez a sua primeira vista à clínica. Inicialmente, ela estava exuberante, falando tão rapidamente que o intérprete mal conseguia acompanhá-la. "Eu adoro este grande hospital público, que pertence ao mesmo governo que me recebeu aqui de braços abertos após a guerra e a tristeza da Somália", disse ela, sorrindo para a enfermeira Deborah Boehm. "A sua face me dá boas-vindas". O sorriso largo da paciente revelava falhas na dentição. Ela usava um tradicional lenço muçulmano, uma saia azul e roxa que ia até os pés, sandálias de dedos e um xale transparente sobre um casaco de moletom. As suas unhas estavam pintadas de esmalte laranja. Ela trazia uma dúzia de frascos de pílulas obtidos em outras clínicas de Mineápolis, e uma longa lista de enfermidades: artrite, problemas digestivos, alergias, insônia e, o pior de tudo, dores. Nos últimos meses ela deu entrada duas vezes na sala de emergência devido a dores terríveis nas pernas e uma ardência dolorida do lado do corpo. Boehm diz que pedirá um exame de sangue para medir o nível de vitamina D, porque deficiências vitamínicas comuns nos somalis são uma causa frequente de dores (dores por todo o corpo não são incomuns entre os somalis, e as pessoas mais velhas às vezes dizem aos médicos que se sentem como se tivessem sido pisoteados por camelos e cavalos durante toda a noite). O corpo usa a luz do sol para sintetizar vitamina D, e pessoas de pele escura produzem uma quantidade dessa substância bem menor do que as de pele clara. As mulheres somalis são especialmente propensas a sofrer de deficiências porque as suas roupas tradicionais cobrem grande parte da pele. A paciente disse que à vezes não é capaz de recordar-se de quantos dos seus filhos ainda estão vivos. O esquecimento teve início quando ela deixou a África e os problemas de lá. Boehm, 56, que tem cabelos curtos e encaracolados e que usa óculos, olhou intensamente para a paciente enquanto tomava notas e disse, "Haa", que quer dizer "sim" em somali. "Me fale sobre os problemas". A face da mulher se contraiu. Ela balançou-se na cadeira, emitiu umas poucas palavras, e a seguir mordeu a mão e enxugou as lágrimas dos olhos com o xale. A tradução, "Não me faça recordar", foi desnecessária. Boehm mudou calmamente de assunto, passando a falar de questões relativas à digestão e sobre um supermercado local que vende leite de camelo. Mais tarde, Boehm previu que descobriria que grande parte dos problemas físicos da sua nova paciente tem raízes emocionais na Somália. A angústia que se traduz em dor e depressão é algo que Boehm presencia com frequência ao tratar de refugiados somalis. Boehm começou a trabalhar com mulheres somalis na clínica em 1997, e o seu trabalho complicou-se rapidamente. "Passei a ouvir queixas de dores", conta Boehm. "Eu não conseguia encontrar nenhum motivo para isso. Elas diziam que a sensação era de queimadura com fogo ou de um choque elétrico, descrições com as quais eu não estava familiarizada. Eu pedia raios-x, exames laboratoriais e prescrevia fisioterapia. Por algum motivo, eu não conseguia acabar com as dores das pacientes. Após passar de seis a 12 meses nesta situação, decidi examinar o estado de saúde mental dessas pessoas". A pedido dela, a clínica contratou uma psicóloga. "Eu trabalhei intensamente para colocar essas mulheres na terapia", diz Boehm. Mary Bradmiller, a psicóloga, diz que os índices de depressão e desordem do estresse pós-traumático são elevados. "A maioria das pacientes somalis é constituída de mães com problemas tremendos de estresse psicossocial, violência doméstica, questões relativas à proteção dos filhos, traumas de guerra, pesadelos, memórias traumatizantes e separação dos familiares", afirma Bradmiller. Um estudo realizado em 2004 nos Estados Unidos com 1.134 refugiados da Somália e da Eritreia revelou que 25% dos homens e 47% das mulheres foram torturados, índices que os pesquisadores consideraram chocantemente elevados. A tortura das mulheres frequentemente envolve o estupro. Os sobreviventes muitas vezes resistem à ajuda psicológica e negam os seus problemas. A cultura somali, como várias outras, estigmatiza a doença mental. Na Somália, os problemas mentais são frequentemente atribuídos à possessão por espírito, e a psicoterapia é praticamente inexistente. "Em casos como esses eles talvez conversassem com um xeque, um imame ou uma curandeira", diz Bradmiller. Ela mantém propositalmente um consultório na clínica médica, um local familiar para os pacientes, de forma que estes não tenham a sensação de estarem frequentando um hospital psiquiátrico. O diretor de tratamento dos somalis, o médico Douglas Pryce, e Boehm pedem a certos pacientes que vejam Bradmiller e às vezes até os acompanham pelo corredor para certificarem-se de que eles foram de fato até a psicóloga. "Eles jamais vêm fazer terapia, a menos que haja uma recomendação enérgica por parte de um médico no qual confiem", explica Bradmiller. Mesmo assim, não tem sido fácil. No início, ela percebeu uma expressão indignada nas faces dos pacientes quando o papel dela era explicado. Bradmiller descobriu que alguns intérpretes a estavam chamando de "médica de loucos". Outros intérpretes riam do que os pacientes falavam. De fato, segundo Bradmiller, alguns terapeutas deixaram a clínica devido aos problemas com os intérpretes. Agora ela se apresenta como "terapeuta de conversa" e escolhe cuidadosamente os intérpretes. "Algumas pacientes desistiram completamente" diz Bradmiller. "Os filhos mais velhos estão trazendo os mais novos, e a mãe não sai mais de casa". Bradmiller diz que se os pacientes chegam a ponto de falar sobre o que aconteceu com eles na Somália ou nos campos de refugiados, é preciso lidar cuidadosamente com a situação para evitar que eles fiquem novamente traumatizados. As histórias contadas pelos pacientes podem também trazer de volta as terríveis histórias dos intérpretes, de forma que Bradmiller procura encontrar os intérpretes menos vulneráveis. "Procuro não digerir o que está sendo dito de forma que a história não me afete", diz Abdi Rahmansali, um dos intérpretes. "Me esforço ao máximo, mas sou um ser humano. Fico afetado. Às vezes, por mais que a gente tente, dá para sentir o cabelo arrepiar-se". Bradmiller calcula que cerca de apenas 10% das suas pacientes enxerguem um vínculo entre a dor física e a emocional. Mas, segundo ela, para aquelas que enxergam essa conexão, as mudanças podem ser surpreendentes. "As pacientes passam a ir à escola, cozinhar, usar maquiagem e roupas coloridas. Elas começam a falar com a gente em inglês", diz a psicóloga. "Quando a vida torna-se mais interessante do que a terapia, é hora de a terapia acabar". Tratamento doméstico em questão Em uma tarde no final de setembro, Pryce e Harare, o intérprete e defensor dos direitos dos pacientes, emergiram de uma sala de exames com uma expressão cansada, mas triunfante. Eles tinham acabado de negociar, educada, mas persistentemente, com um paciente que - de forma também educada e persistente - recusava-se a fazer um exame de sangue porque aquele era o mês sagrado do Ramadã, e ele temia que a retirada de sangue pudesse constituir-se em um pecado. Finalmente, os dois telefonaram para um imame, que declarou que não havia pecado algum nisso. A amostra de sangue foi retirada. Pryce diz que uma das grandes alegrias de se trabalhar em um hospital como o Hennepin é a descoberta de formas de superar as barreiras culturais - e saber que os seus pacientes estão melhores por causa disso. Mas ele afirma que os desafios culturais ocorrem também no sentido inverso. E ultimamente um problema começou a perturbar ele e Boehm. Os pacientes somalis têm pedido a eles que preencham atestados dizendo que necessitam de assistentes para tratamento pessoal doméstico. Pryce afirma que alguns não necessitam dessa ajuda, mas estão sendo recrutados por agências de tratamento de saúde administradas por somalis que desejam embolsar os pagamentos do seguro pelos serviços. Os somalis em Mineápolis, muitas vezes empreendedores e voltados para os negócios, abriram agências para tirar vantagem de certas regras relativamente generosas de Minnesota que tinham o propósito original de ajudar a manter os idosos e os pacientes com enfermidades crônicas fora de asilos. Tricia Alvarado, diretora de tratamentos domésticos da Agência de Enfermeiras Visitantes de Minnesota, que avalia os pedidos de auxílio doméstico, concorda que houve um aumento explosivo do número de agências somalis, sendo que cerca de cem foram inauguradas somente nos últimos três anos. Muitas delas são administradas por pessoas que não tiveram qualquer treinamento médico. E Alvarado confirma que as agências estão tentando obter clientes potenciais. "Diabetes?", pergunta Pryce, reproduzindo aquilo que segundo ele foi uma conversa típica entre um paciente somali e uma agência dirigida por somalis. "Você precisa de um assistente de tratamento pessoal. Eis aqui o formulário. Entregue-o ao seu médico". Pryce rejeita os pedidos que considera injustificados, mas os pacientes reclamam e, às vezes, até simulam estar mais doentes do que de fato estão. "Tudo isso me deixa furioso", diz Pryce. "Quero ser um bom administrador dos nossos recursos, do dinheiro do contribuinte que estamos usando'. De acordo com ele o mesmo ocorreu com imigrantes russos na década de 1990, ainda que à época as regulamentações estaduais fossem mais rígidas. A atual situação relativa aos somalis faz parte de um problema maior no Estado de Minnesota: o número de clientes e os custos do tratamento pessoal mais do que dobraram entre 2002 e 2008, e a quantidade de agências mais do que triplicou. Um relatório divulgado em janeiro pelo auditor legislativo do Estado afirmava: "Os serviços de tratamento pessoal continuam inaceitavelmente vulneráveis a fraudes e abusos". O Estado está elaborando planos para aumentar o controle sobre esses serviços. "Eu adoro o povo e a cultura somalis", diz Pryce. "Gosto de cuidar deles. É recompensador e interessante. Eles não bebem, não fumam muito, estão vivendo o sonho americano, e precisam da nossa ajuda. Mas há esse outro lado que é realmente doloroso, a questão polêmica de determinar quem receberá o que".