Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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29 de mai de 2009

Selo Povo põe o bloco na rua com dois títulos!

(Divulgação). "O escritor do Capão Redondo apresenta no Itaú Cultural "Ferréz – Literatura e Resistência". No dia 4 de junho (quinta-feira) o Itaú Cultural abre as suas portas na avenida Paulista para a estréia da quarta edição do Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito, parceria entre o Itaú Cultural e o Grupo Cultural AfroReggae. A programação, gratuita, inclui múltiplas atividades culturais até o dia 28. Começa com a apresentação de Ferréz – Literatura e Resistência, um documentário sobre a vida e trajetória do escritor que dá nome à obra. Ferréz – Literatura e Resistência foi realizado pela 1DASUL (os mesmos produtores de 100% Favela) e apresenta a vida do escritor, um dos criadores da nova literatura marginal. Em 11 anos de trajetória, ele acumula a autoria de Capão Pecado, Amanhecer Esmeralda, Manual Prático do Ódio e Ninguém é Inocente em São Paulo (todas editadas pela Objetiva) com mais de 100 mil cópias vendidas. O DVD de 54 minutos acompanha as suas palestras, intervenções e passagens por palcos e projetos, em comunidades no Brasil e na Itália, França, Alemanha, Portugal e Espanha, sempre com foco na literatura. Mostra, ainda, o lançamento de Capão Pecado, primeira obra de sucesso do autor, e o trabalho feito na comunidade com a marca de roupa fundada por ele. O documentário também traz depoimentos de amigos e parentes e participações como a de Chico César, Preto Ghóez, Lourenço Mutarelli, Lobão e Eduardo (Facção Central), além de extras com o processo criativo do autor e os videoclips, Periferia Lado Bom e Judas, ambas faixas compostas e cantadas pelo próprio Ferréz. O Antídoto A quarta edição de Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito reúne, de 4 a 28 de junho, líderes sociais e religiosos, intelectuais, jornalistas, escritores, artistas e pensadores de comunidades brasileiras (como a de Heliópolis e Paraisópolis, em São Paulo; Alagados, em Salvador, além do Rio de Janeiro) e convidados internacionais da Nigéria, Afeganistão, Líbano, Palestina, Sudão e Canadá. O seminário traz ainda shows, teatro vindo de Pernambuco e de Maputo, capital de Moçambique, e o lançamento dos documentários de Ferréz e de Preto Zezé, citados acima. Como todos os anos, eles se encontram no Itaú Cultural com a proposta exclusiva de fomentar a reflexão e compartilhar experiências e alternativas para a produção cultural em áreas de conflitos sociais, religiosos, étnicos, e suas consequências na vida das comunidades e grupos sociais que as habitam".

28 de mai de 2009

Steven Spielberg vai produzir filme sobre Martin Luther King

(Divulgação). "O estúdio DreamWorks, de Steven Spielberg, adquiriu os direitos para levar aos cinemas a vida de Martin Luther King, ícone da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, informou a edição digital da revista americana especializada em entretenimento "Variety". O projeto é um sonho antigo de Spielberg e seu sócio Stacey Snider, que tentaram durante anos obter as permissões legais para realizar o filme. "Estamos honrados de ter a oportunidade de contar este momento histórico. Temos esperança de que o poder criativo do cinema e o impacto da vida do doutor King possam ser combinados para apresentar uma história de poder inegável da qual possamos estar orgulhosos", comentou Spielberg. Martin Luther King foi assassinado em 1968, em Memphis, quando tinha 39 anos, e foi a pessoa mais jovem a receber o prêmio Nobel da Paz por seu trabalho para acabar com a segregação racial e a discriminação nos Estados Unidos. Este líder civil registrou durante sua vida os direitos autorais de seus discursos e outras obras, uma propriedade que passou a ser administrada por seus herdeiros. O filme da DreamWorks será o primeiro a contar com a autorização para usar integralmente o trabalho de King, incluindo o famoso discurso "I Have a Dream", que aconteceu em 1963, em Washington, a fim de reproduzir um retrato fiel de sua vida".

27 de mai de 2009

Parabéns, Conceição Evaristo!

A escritora Conceição Evaristo (foto) é finalista do concurso literário promovido pela Portugal Telecom, edição 2009, categoria poesia. Parabéns, Conceição!

João Cândido inédito

(Deu em O Globo de 23/05/2009, por Mànya Millen e Rachel Bertol). "Nas próximas semanas, a Paz e Terra lança nova edição de A revolta da chibata, publicado há meio século pelo jornalista Edmar Morel. A reedição, organizada pelo historiador Marco Morel, neto do jornalista, tem como anexo o diário (inédito em livro) de João Cândido, o líder da revolta que abalou os alicerces da Marinha brasileira há quase cem anos, em 1910. O anexo se baseia em texto publicado em 12 edições do jornal “Gazeta de Notícias”, do Rio, entre 1912 e 1913. Trechos do texto foram publicados este mês pela “Revista de História da Biblioteca Nacional”, que promove, na terça-feira, às 16h, no Auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional (Rua México s/nº. Rio de Janeiro/RJ), um debate sobre o tema. Morel, pesquisador da Uerj, falará do trabalho ao lado de Alvaro Nascimento, historiador da UFRRJ. Em casa, o jornalista tem pronto outro inédito, o livro fotobiográfico João Cândido e a luta pelos direitos humanos, encomendado pela Fundação Banco do Brasil, numa parceria com a Petrobras, como informa a coluna No Prelo. Enquanto não sai em papel, pode ser acessado em www.projetomemoria.art.br."

26 de mai de 2009

A poesia do encontro

Finalizei a leitura de “A poesia do encontro”, um diálogo sobre literatura e vida entre Elisa Lucinda e Rubem Alves. Um livro agradável que engrena a partir da metade, quando os dois parecem já ter tido algum tempo para se (re)conhecer. O livro faz parte de uma série de conversas entre pessoas afins, gravada e transformada em livro dirigido a professores (Papirus/debates). Mais afinado com a idealização da coisa pareceu-me que o Rubem, às vezes apressava a conversa para manter-se fiel a um certo roteiro implícito. Algumas passagens merecem degustação, mas o próximo tópico tem pressa. O Rubem adota um tom professoral durante boa parte do tempo, seja nas lembranças, seja na forma de apresentá-las ou na maneira de intervir e comentar a palavra da Elisa, como quem despeja conhecimento por todos os cantos e falas e deixa os poros de quem ouve ou lê sem ar. A meu juízo foi questão de tensão geracional, de gênero e raça. O ápice foi a incisiva defesa da inutilidade do ensino de gramática nas escolas, feita pelo psicanalista-escritor. Elisa discordou por várias vezes ao longo do livro e no final foi bem enfática, pois julga que o ensino da gramática é uma necessidade para conhecer a estrutura da língua portuguesa, além de contribuir para a formação de leitores. Em alguns momentos, Elisa me pareceu impaciente e acho isso uma virtude, ao contrário do que possa parecer. Pareceu-me ter sido a conversa possível e gostei muito da segunda parte.

22 de mai de 2009

O primeiro beijo (sem censura) entre mulheres na TV brasileira

Finalmente aconteceu o primeiro beijo entre duas mulheres em uma série de TV brasileira. Quanta celeuma para deixar acontecer algo tão simples: numa novela um casal de lésbicas assumidas explodiu, noutra, o casal de jovens amantes precisou se transformar em Romeu e Julieta para dar um “selinho”, outras se beijaram por acidente e assim por diante. O beijo foi indolor, inofensivo, e aconteceu durante o terceiro episódio da série policial Força Tarefa, dia 02/05/09, da rede Globo. Ponto para a dramaturgia televisiva brasileira, ponto para os dois roteiristas, os escritores Marçal Aquino e Fernando Bonassi, entretanto, os elogios à cena não podem encobrir as falhas de roteiro (direção ou edição, não sei) do episódio, vejamos. Findo o bafafá da retomada do morro pela gang do traficante Exu, a gang miliciana que ocupava a área, composta por ex-policiais corruptos é desbaratada e capturada pela turma de policiais honestos do coronel Caetano (Milton Gonçalves, o nosso Morgan Freeman). É a vez do conflito amoroso do dia: Jaquinha, corruptela carinhosa de Jaqueline (Fabíula Nascimento), inventada por seu criativo e delicado namorado, o tenente Wilson (Murilo Benício), cobra satisfações do policial pois acha que ele vive um caso com a sargento Selma, representada pela ótima atriz Hermila Alves (O céu de Sueli e Baixio das bestas). O motivo da dúvida é que, como componentes da equipe de tiras honestos, os dois (Wilson e Selma) foram morar na favela para filmar a movimentação da milícia e traçar estratégia para pegá-la com a boca na botija na prática de extorsão aos moradores. Para segurança da própria Jaqueline, ela não sabia de nada (o roteiro não nos diz isso, nós é que somos inteligentes o suficiente para deduzir) e desconfiada do namorado que transa, mas não dorme com ela, segue-o no táxi de um motorista amigo. Chegando no morro, ela é interceptada pela milícia, de plantão porque o Exu vai invadir o morro e, sem saber, ela entrega o namorado aos bandidos, pois, na tentativa de furar a barreira miliciana, muito ingênua e honesta, ela diz aos milicianos que está indo ao encontro do namorado, um policial, para flagrá-lo com uma “vadia” (eles achavam que o tenente Wilson era taxista). A casa caiu. Os milicianos invadem a casa, armados até os dentes e Jaqueline, serena, como se as armas fossem de brinquedo, desgarra-se dos braços do miliciano sub-chefe e joga-se em cima da sargento Selma, chamando-a de vagabunda e quetais. O tenente Wilson diz que vai contar toda a verdade (para garantir a segurança de Jaquelime) e pede para que os caras a liberem. O sub-chefe aproveita para tirar a sargento Selma da sala, levá-la a um beco e tentar estuprá-la. No início do capítulo o sub-chefe havia demonstrado interesse sexual por Selma e ela, fingindo-se boa moça, disse que o irmão (Wilson) não a deixava sair à noite. Mas, e o beijo entre as moças, Jaqueline e Selma? Conto daqui a pouco. Vamos aos primeiros furos do roteiro. Jaqueline é construída como uma mulher estúpida, incapaz de pensar. Cega de ciúmes, ela não se apavora com as armas, com os tiros dos milicianos, não raciocina um segundo sequer e entrega o namorado. Ao entrar na casa, mesmo sob a mira de uma arma, o ciúme lhe dá super poderes, ela se desvencilha de um homem armado, bem mais forte do que ela e se joga sobre Selma, uma policial de elite, treinada no mínimo para se defender, mas facilmente derrubada pela namorada do colega de trabalho em franco delírio. Jaqueline continua não raciocinando, não percebe que todos correm risco de vida ali, só se preocupa em arrancar os cabelos de Selma e chamá-la de vadia ou vagabunda, não me lembro. Nesse ínterim o sub-chefe leva Selma para um beco com o objetivo de estuprá-la. Sem possibilidade de defesa, ela encara o agressor todo o tempo, grande interpretação de Hermila Guedes. Ele manda que ela tire a roupa, ela não tira e se defende como pode. Aparece um homem, do nada, um comparsa, aparentemente, e o miliciano tarado diz: “segura aí” e entrega a arma ao comparsa, para ficar com as mãos livres e tirar a roupa de Selma. Então, o super tenente Wilson aparece, dá uma coronhada no miliciano que parece desmaiar (não se sabe o que aconteceu com o comparsa, ele simplesmente some da cena). Os policiais pulam o corpo desmaiado, como fosse um saco de batatas e vão reforçar a equipe do coronel Caetano (Milton Gonçalves) que já armou o cerco sobre os milicianos. Até eu que não sou policial, nem expert em filmes policiais, sei que uma regra básica para imobilizar bandidos é algemá-los (com as mãos para trás) depois de desarmados. Isso não aconteceu com o sub-chefe da milícia. E o beijo? Presos os bandidos da milícia, Jaqueline e Wilson vão “discutir a relação” na frente de Selma. Esta, visivelmente irritada, diz saber como solucionar o problema do casal, ou seja, como mostrar a Selma que não tem nada com Wilson. Ela olha Jaqueline nos olhos e a beija (Wilson não vê o beijo, está de costas) e pergunta, “entendeu”? O tenente Wilson vai levar Jaqueline em casa e quer entrar, transar e dormir lá, mas ela o dispensa, foram muitas emoções, quer ficar sozinha. Ponto para o roteiro, quem sabe passado o efeito da surpresa, Jaqueline não gostou do beijo de Selma e reflete sobre isso? Em suma, uma no cravo, outra na ferradura, como contrapeso à ótima cena do beijo entre as duas mulheres, a completa pasmaceira de uma delas. Afinal, não podem deixar de nos idiotizar por completo (imagem: Hermila Guedes).

20 de mai de 2009

Livro novo na área, já-já!

Os nove pentes d’África, meu primeiro livro juvenil está em fase de pré-produção e será lançado pela Mazza Edições, logo, logo. Aos amigos e amigas que acompanharam a angústia desta escriba quando da recusa da primeira versão e estão sabendo do desfecho da novela pelo blogue, peço desculpas. Dêem um desconto, pois o Pentes é mesmo uma novela onde tradição e contemporaneidade tecem um bordado de poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira. No texto, os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e rituais cotidianos da narrativa. Estou contente e povoada de boas expectativas. Em pôstes próximos falarei um pouco sobre a manufatura do livro e quando ele estiver na fase de impressão divulgarei alguns trechos, enquanto aguardo os convites para lançá-lo Brasil afora. Por ora, nomeio e agradeço aos amigos e amigas que, generosamente ofereceram a leitura crítica solicitada por mim e, embora não tenham qualquer responsabilidade pelo texto final - “é tudo no meu nome” -, me ajudaram muito a melhorar os originais. Sou grata, muito grata, a cada um(a) de vocês. Na primeira leva de leitores(as) contei com o apoio de: Édimo de Almeida Pereira, que interrompeu um trabalho maior para atender ao meu pedido, grata; Pablo Guimarães, parceiro de tantas trocas literárias, grata; Weslley Eduardo da Silva, o meu Dudu, irmão e amigo, comigo em todas as horas, grata; Viviane Ferreira, minha cineasta predileta, grata; Alessandro Campos, o zen-amigo mais incandescente do universo, grata; Rogério Coelho, que me ensina coisas básicas de literatura e cobra de mim uma potência literária, que às vezes nem percebo ter, grata, e Glória Azevedo, leitora sempre crítica, ácida, sem condescendências, grata. Na segunda leva, depois da recusa e da reescrita leram e comentaram o texto: Erisvaldo dos Santos, em meio a inúmeros afazeres de sacerdote de religião de matriz africana e professor universitário, grata; Anderson Feliciano, com o olhar tímido do amigo-admirador rumo à crítica segura, grata; Raphael Khede, grande conhecedor de literatura que fez a leitura técnica tranqüilizadora que eu precisava, grata, e Ronald Augusto, meu poeta, que percebeu escorregadelas disfarçadas como coisas inteligentes, atributo perceptivo exclusivo de poetas, grata. Por fim, agradeço novamente ao Dudu, à Vivi e ao Rogério que leram o texto por duas vezes. E também à Iléa Ferraz, dona da idéia do livro, que fez a primeira leitura, embora tenha se recusado a criticar. Mais sobre o Pentes nos próximos capítulos.

19 de mai de 2009

Livro novo de Alex Ratts lançado no Ceará

Foi lançado no Museu do Ceará, durante o seminário Emergência Étnica no Ceará, o livro: Traços étnicos: espacialidades e culturas negras e indígenas, do amigo querido Alex Ratts (Fortaleza: Museu do Ceará, 2009, 124p). Alex é um autor prolífico, mas pouco publicado, torço para que este Traços étnicos comece a reverter essa escrita. Tenho orgulho imenso de pertencer à mesma geração deste intelectual que dedica tanto tempo de sua vida à orientação / formação de jovens, descuidando-se às vezes, dos projetos de escritura e publicação, tão importantes e coletivos quanto os anteriores. Sim, porque a nossa escrita é coletiva, por mais individualizada que pareça ser. Isso vale para tantas ativistas e intelectuais fundamentais, cuja produção precisamos, merecemos ler mais, por exemplo, de Luiza Bairros, Janja Araújo e Vilma Reis, um triângulo baiano com uma gaúcha no primeiro vértice. Saúde, Alex! Vida longa à você e ao seu trabalho. Ashé! "O livro se constitui numa coletânea de artigos escritos para jornais e revistas de organizações que promovem uma aproximação entre a produção acadêmica e as chamadas "questões sociais", a exemplo do Boletim Raízes e Caderno Propostas Alternativas do Instituto da Memória do Povo Cearense (IMOPEC) e da Revista Travessia do Centro de Estudos do Migrante de São Paulo. Os artigos, escritos entre 1992 e 2006, são resultado de pesquisas e observações das marcas impressas por grupos étnicos (indígenas e quilombolas), raciais e populares no espaço e na cultura e das situações por eles experimentadas em contextos de desigualdade e de tentativas de emancipação. Neste sentido, muitos artigos trazem a preocupação social com os rumos dessas coletividades em Fortaleza e no Ceará, ampliando, quando possível, a interpretação para o Nordeste e para todo o Brasil. "Dentre os temas tratados estão: a relação entre cultura e espaço (urbano e rural); as práticas espaciais e identidades territoriais dos grupos étnicos, raciais e populares; a memória coletiva indígena, quilombola ou popular e seus encontros/confrontos com a história escrita. O autor aponta que, de um lado, no Ceará, no Nordeste e em por todo o Brasil, o processo de reconhecimento público e oficial das identidades e dos territórios indígenas e negros é lento e árduo. De outro lado, continua o vasto e denso processo de aparecimento político dos grupos indígenas e quilombolas em todas as "regiões" do país. A coleção "Outras Histórias" do Museu do Ceará compõe um projeto editorial que em 2007 foi agraciado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional)com o Prêmio Rodrigo Melo Franco pela preservação do patrimônio cultural".

Joel Zito Araújo na Nandyala, em Belo Horizonte, dia 20/05

Criador e diretor dos filmes “A Negação do Brasil” (vencedor do É Tudo Verdade 2001) e “Filhas do Vento” (8 kikitos no Festival de Gramado 2005). Realiza documentários desde 1988 (A Negação do Brasil, Vista minha pele, A exceção e a regra, Retrato em preto e branco). Autor dos livros “A Negação do Brasil – o negro na Telenovela Brasileira” e “O Negro na TV Pública” (no prelo), e vários artigos sobre a mídia e a questão racial no Brasil. Doutor em Ciências da Comunicação pela ECA /USP.

18 de mai de 2009

Novidades de maio no sítio da Edições Toró

www.edicoestoro.net RÁDIO / “Negra Movimenta: necessidade e fertilidade” (Prêmio Fundação Palmares de Comunicação/MinC - 2005), documentário que rastreia e cavuca detalhes da presença africana no Brasil, e em especial das suas mulheres negras. Traz as vozes do Contra-mestre angoleiro Pinguim, do rapper Gato Preto, do geógrafo Billy, da escritora Cidinha da Silva e da advogada e ativista Deise Benedito. Tá no tópico RÁDIO, somando com os programas de Plínio Marcos, Gioconda Belli, Carolina de Jesus, Solano Trindade, Contos populares de Angola... RECITAIS / A América Latina sorrateira e dolorida dos versos do Binho, a caipirage preta da Elis Regina e o rap entoado na responsa do Dugueto Shabazz. Com seus sotaques e manhas, rasgos, dúvidas e trovões da garganta, pra gente ouvir a poesia e desfrutar a fronteira entre a orelha e a página. PESQUISAS / Trazemos as NOSSAS pesquisas na quilombagem da universidade pública, de um povo que não se finca na ilha ou no gabinete pra matutar a experiência e atiçar a ciência: -A dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de Educação da USP, em janeiro de 2008, por Vanísio Luís da Silva, morador de Osasco e professor na rede pública de Pirituba: “Cultura negra na escola: uma perspectiva etnomatemática”. -O trabalho de mestrado defendido em 2007 no Departamento de Lingüística da Faculdade de Letras da USP, por Silvia Lorenso, vinda da juventude negra e favelada da praia de Belo Horizonte pra praia da capital de São Paulo: “Corpo e erotismo em Cadernos Negros: a reconstrução semiótica da liberdade”. ENTREVISTAS / Ancestralidade e Teatro são os dois temas deste maio, Cada prosa é o tempo de tomar um café sem pressa e de lavar as xicrinhas. Os entrevistados são Mestre Marrom (Capoeira Angola/ Irmãos Guerreiros), Marcos Ferreira Santos (Professor de mitologia comparada - Faculdade de Educação/ USP), Martinha Soares (Grupo Clariô), Dirce Thomaz (Companhia “Os Invasores”) e Márcio Rodrigues (Brava Companhia)

17 de mai de 2009

Quinze anos sem Quintana

(Por: Rique Aleixo). "Dentre outras qualidades, a poesia de Mário Quintana guarda uma que é rara: a de “ultrapassar” a “urgência das contingências”, para me valer dos termos utilizados pelo crítico Arthur Nestrovski num pequeno escrito sobre a capacidade que têm as canções, no Brasil, de “jamais perder a contingência dessa urgência, ao mesmo tempo coletiva e intransferivelmente pessoal”. Essa qualidade, a meu ver, explica em parte o encantamento que Quintana produz sobre a parcela do público leitor para a qual a arte verbal apresenta-se, antes de tudo, como um tipo de vínculo com a vida cotidiana. Os versos de Mário parecem ter estado sempre aí, ao alcance das urgências e contingências de que é feito o dia a dia. E o poeta se compraz em alimentar essa hipótese, ao dizer, num poema, que “Descobrir Continentes é tão fácil como esbarrar com/ um elefante:// Poeta é o que encontra uma moedinha perdida...”. Em poucos poetas que escreve(ra)m em português-brasileiro se encontrará um manejo sintático e imagético tão rigoroso quanto livre, atributo ao qual se soma uma notável competência para a articulação de densas harmonias fônicas, como se perceberá na maioria dos poemas deste volume. O uso de tais recursos com a naturalidade de quem apenas recolhe do chão uma moedinha faz de Mário Quintana um poeta não menos que imprescindível. Neste nosso tempo em que a norma parece ser a possibilidade de se prescindir de tudo o que, em alguma época perdida do mundo, dava sentido à existência, poetas como ele nos restituem o direito à palavra como forma de conhecimento – entre álacre e acre – do mundo". [Este texto originalmente escrito para figurar na orelha da Nova Antologia Poética de Mário Quintana (Global Editora, 2006), reaparece aqui como uma lembrança da passagem dos 15 anos da morte do poeta, no último dia 5]

15 de mai de 2009

Sobre os recentes movimentos de samba, em São Paulo e no Rio de Janeiro

"Ninguém aprende samba no colégio" (Feitio de Oração, samba de Vadico e Noel Rosa) Por: Fernando Szegeri. "O samba vive um momento privilegiado no que tange a visibilidade para o público em geral, o que implica em incremento do consumo (de discos, shows, rodas etc.) e conseqüente oferta de trabalho para músicos, autores etc. , salutar por todas as formas. Os que vivemos o dia-a-dia desse mundo, sabemos que assim foi em outras épocas, o que não impediu que sobreviessem fases de ostracismo e dificuldades. Com efeito, o samba nunca foi tratado pelos porta vozes da "oficialidade" como o patrimônio cultural fundamental do povo brasileiro que realmente é, muito pelo contrário. Aproveitam dele quando interessa e "dá retorno" depois encostam no canto até precisarem de novo, no melhor estilo "só na hora da sede é que procuras por mim" (salve Monsueto!). Afortunadamente, a fonte é tão caudalosa e arraigada no seio do nosso povo, que mesmo nos tempos de seca os cursos d'água minguam, mas não chegam a secar. Essas fases de expansão do samba no mercado cultural, portanto, coincidem com uma aproximação maior das elites com o mundo do samba. Foi assim na década de 30, quando as classes médias passam a consumir o samba "dos morros" pelo rádio e pelo disco e impulsionam a explosão da popularidade das escolas de samba no carnaval. Foi assim na década de 60, quando o estreitamento do espaço cultural pela repressão e vigilância política impele a juventude da Zona Sul para as casas de samba e terreiros de escola no centro da cidade e nos subúrbios. Está sendo assim na explosão das rodas de samba pelas adjacências da Lapa carioca, pelo grande afluxo de público a casas "temáticas" voltadas para o samba na cidade de São Paulo, pelo enorme aceitação de Zeca Pagodinho até mesmo nas classes altas etc. . Mas, como dito acima, o "sucesso" nunca garantiu ao samba o reconhecimento efetivo e perene que ele merece enquanto expressão maior da especificidade musical brasileira. Ou seja, a expansão do consumo dos produtos musicais ligados ao universo do samba, por si só, nada garante relativamente ao histórico descaso e à marginalização marcadamente ideológica relativa ao gênero - comumente associado às classes baixas e à cultura negra (pejorativamente), quando não à malandragem e à marginalidade -, se não refletir uma efetiva formação de platéias aptas a compreender essa forma da arte musical popular do povo brasileiro como expressão maior de toda uma cultura, que traduz formas específicas de sociabilidade, comportamento, ética, visão de mundo etc. . Como sempre lembra mestre Nei Lopes, o samba é um saber iniciático, no que espelha inequivocamente, aliás, a matriz cultural africana. Não se compreendem seus significados, suas regras e sobretudo seus mistérios, se não se progride na experienciação paulatina desta ampla gama de sutilezas que permeia as relações, os rituais, os ambientes em geral desse universo. . Portanto, para que o samba possa aumentar o número de seus adeptos cativos, insusceptíveis aos ventos efêmeros dos modismos, é preciso que se ofereça a este publico que se aproxima do "produto final" do mundo do samba a procura de mero entretenimento condições para que ele compreenda os diversos outros elementos a envolver esta expressão cultural tão singular. . Talvez seja difícil precisar, no âmbito estreito da discussão que aqui colocamos, quais especificamente sejam estas condições, mesmo porque abrangem sutilezas cujo entendimento também pressuporia um grau de iniciação. Mas é possível identificar com maior facilidade, por exemplo, onde comparativamente estas condições estão mais presentes. Com efeito, nas rodas de samba que em São Paulo formaram-se em torno dos movimentos de valorização do samba tradicional, marcados duplamente pelo culto fiel às tradições e à memória do samba, por um lado, e pela valorização de novos compositores, por outro, observa-se a formação de verdadeiras comunidades, marcadas por laços de identidades sociais e geográficas, sim, mas sobretudo de devoção ao nosso ritmo maior. . Some-se a isso o espírito que tem norteado novas (e outras já não tão novas) iniciativas no circuito do samba paulistano e observaremos um cenário mais promissor, segundo a óptica que aqui buscamos adotar, do que no carioca, o que pode constituir curiosa inversão de uma tendência histórica. Ao circular por um circuito que ainda atrai, relativa ou absolutamente, um público maior do que em São Paulo, não tenho sentido predominar na mesma proporção as condições para formação de platéias que atravessem as meras tendências de momento. É sabido que as umbilicais ligações histórico-geográficas da cidade com o universo do samba, a identificação do ritmo como expressão natural e privilegiada do modo carioca de ser, o contato permanente com as tradições representadas pelos baluartes dessa cultura específica etc. facilita enormemente as coisas. Mas é essa mesma naturalidade que pode, paradoxalmente, vir a tornar mais difícil a percepção a que me refiro, isto é, da ausência de condições para um envolvimento mais substancioso e, por conseqüência, mais perene com o gênero. Como se trata de uma percepção subjetiva difícil de justificar precisamente, só o tempo a confirmará ou desmentirá. Alertando, estou tão somente buscando cumprir mais fielmente meu papel de elo transmissor da tradição que recebi dos antigos e pretendo legar aos que vierem depois. Compreender-me-ão os iniciados" (Do blogue paladar de palavra).

14 de mai de 2009

Diálogos com o acervo do Museu Afro Brasil: curso, em São Paulo

Não ao Projeto Azeredo, o AI 5 digital!

"Hoje, dia 14/05, vozes se levantam contra o vigilantismo na internet e o aprisionamento da cultura e do direito de expressão. O mote é a votação do substitutivo de um projeto de lei que ficou conhecido como “Projeto Azeredo”, em referência ao senador Eduardo Azeredo, autor da primeira versão. Trata-se de um pacote de tipificações criminais que alinha o Brasil com o espírito de vigilantismo, censura e repressão desejado pelos setores mais antiquados da política e da economia mundiais. A exemplo do Digital Millenium Act, a investida do projeto Azeredo pelo “controle” da internet não é apenas a defesa dos interesses dos atravessadores da cultura, dos grandes grupos econômicos, das gravadoras ou dos estúdios de cinema. O projeto em curso visa estabelecer uma série de brechas e amparos legais para formas ainda mais totalitárias de controle, vigilância e punição de populações através dos meios digitais de comunicação. O ato acontece na Assembléia Legislativa de São Paulo, a partir das 19h".

13 de mai de 2009

I Colóquio Escritoras Mineiras – poesia, ficção e memória, dias 13 e 14/05, em Belo Horizonte

Amanhã dia 14/05, das 9:15 às 10:30, Luana Santos comporá a mesa "Tradição e Contemporaneidade", coordenada por Lúcia Castello Branco, apresentando a comunicação : " Cada tridente em seu lugar: personagens afro-descendentes na obra de Cidinha da Silva." O colóquio acontecerá na Faculdade de Letras da UFMG, numa promoção do Programa de Pós Graduação em Estudos Literários – Pós-Lit e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade – NEIA, no auditório 1007, com atividades nos três turnos. Informações e inscrições (gratuitas): Sala 2015, pelo telefone 31 3409-6007 ou pelo e-mail: publicacoesonline@hotmail.com Ou no dia 13/05, antes das sessões, no auditório 1007, na Faculdade de Letras da UFMG.

Nandyala lança livro de Conceição Evaristo, em Belo Horizonte

Cinema negro no contexto da América Latina, de 12 a 17/05, no Rio de Janeiro

Clique na imagem para ampliar e ler.

12 de mai de 2009

Mestre Didi: o Escultor do Sagrado é tema de exposição no Museu Afro Brasil

(Divulgação). "O Museu Afro Brasil inaugura no dia 13 de maio, às 19h, a exposição Mestre Didi: o escultor do sagrado. Com curadoria de Emanoel Araujo, também escultor e diretor do museu, a mostra, que vai até 10 de julho, reúne 50 peças – pertencentes ao acervo do artista e do Museu Afro Brasil. Haverá ainda uma instalação elaborada pelo artista sobre Onilé, a Dona da Terra, orixá que representa o mundo em que vivemos. Completando a mostra, dois vídeos exibirão festas e cerimônias onde os ancestrais Egunguns são cultuados, além de exposição de livros escritos pelo escultor. Mestre Didi é Deoscoredes Maximiliano dos Santos, escultor de obras reconhecidas no Brasil e no mundo. Já foram expostas em várias cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Nova Iorque, Frankfurt, Buenos Aires, Paris, Londres, Acra e Lagos, só para citar algumas. E agora, aos 92 anos, Mestre Didi se apresenta em uma grande mostra no Museu Afro Brasil, que mantém em seu acervo permanente algumas peças do artista. Além de artista, Mestre Didi é uma referência no mundo da religião Afro-Brasileira. Filho de Maria Bibiana do Espírito Santo, a Dona Senhora, e afilhado de Dona Aninha, reinadoras do Templo do Axé Opó Afonjá, na Bahia. Aos oito anos, foi iniciado no culto aos ancestrais Egunguns, no Ilê Olukotun, Tuntun, na Ilha de Itaparica. Em 1975, tornou-se Alapini, o Sacerdote Supremo do culto aos Egunguns – o mais alto grau na hierarquia sacerdotal. “Didi é um sacerdote-artista”, diz a antropóloga Juana Elbein dos Santos, uma das maiores conhecedoras da obra do Mestre. “Ele expressa, através de criações estéticas, arraigada intimidade com seu universo existencial onde ancestralidade e visão-demundo africano se fundem com sua experiência de vida baiana”, complementa. “A magia de suas esculturas está na forma como o Mestre Didi transpõe a energia de interpretação mitológica e inventividade de formas, ritmos e composições, se articulando num espaço negativo e positivo, num desafio de equilíbrio totêmico que se abre no espaço, como árvores plantadas numa base de seção côncava e circular”, explica o curador Emanoel Araujo. Grafismos compostos de múltiplas linhas encastoadas por pequenos anéis de couro, cores vibrantes que amarram as nervuras naturais de palmeiras, são como ritmos alternados que andam no corpo da escultura. O Mestre Didi também se vale de anéis de miçangas ou contas de louça e de búzios para reforçar a trama dessa obra. Alguns desses mastros verticais, denominados os Sasaras, os Ibiris, os Ofas, os Opas, são na iconografia do Mestre Didi exemplos da sua criatividade, como um jogo lúdico a construir uma obra com fortes vínculos com a arte sacra-baiana. O resultado é a criação de uma nova estética que une o presente ao passado, o antigo ao contemporâneo, a abstração à figuração. São formas compostas ora como totens, ora como entrelaçadas curvas – simbolizando a serpente Dan – ora os grandes pássaros da noite, o Grande Pássaro Mãe – Eleye N’La, como o pelicano que tira do seu próprio corpo o alimento para seus filhos. Tem ainda os Ibiris e Xaxarás, os bastões de Omolú e de Iansã, ou os leques de Oxum, o Opaxorô de Oxalá e a grande árvore coroada com a pomba de Ossãim". Exposição: “Mestre Didi: o escultor do sagrado.” Local: Museu Afro Brasil, Parque Ibirapuera. Período: 13/05 a 10/07. De terça a domingo, das 10h às 18h, entrada até as 17h. Entrada: gratuita Estacionamento de veículos pelo portão 03 do Parque Ibirapuera (Estacionamento com Zona Azul). Tel.: (11) 5579 0593. www.museuafrobrasil.com.br

Livro novo da editora Éblis, em Porto Alegre

11 de mai de 2009

Estrela de Madureira

Brilhando/ Num imenso cenário/ Num turbilhão de luz, de luz/ Surge a imagem daquela/ Que o meu samba traduz/ Ah.../ Estrela vai brilhando/ Mil paetês salpicando/ O chão de poesia/ A vedete principal/ Do subúrbio da central foi a pioneira/ E.../ Um trem de luxo parte/ Para exaltar a sua arte/ Que encantou Madureira/ Mesmo com o palco apagado/ Apoteóse é o infinito/ Continuas estrela/ Brilhando no céu. (Falar sobre o Reinaldo me deixou saudosista, saí à rua e encontrei um grupo de samba na esquina, cantando Roberto Ribeiro, "Estrela de Madureira", quase chorei. Mas como nem tudo é perfeito, depois de uma música melodiosa como esta, os rapazes inciaram uma seqüência sofrível de pagodes românticos e o jeito foi procurar o Roberto Ribeiro no youtub).

Disco arranhado

No pôste anterior, “Sinal dos tempos”, faltou dizer porque seria incompatível ser atleticana e em dado momento torcer pelo Flamengo. Escapou aí uma atitude típica de torcedora de futebol, qual seja, a gente acha que todo mundo domina a história do nosso time do coração. E mais, caso o leitor não tenha conhecimento pelo menos dos fatos marcantes da história do clube amado, o problema é dele. Mas, como torcedora light há muito convertida, e agora escritora, explico: a última (e talvez única) vez que o centenário Clube Atlético Mineiro ganhou um campeonato nacional foi em 1971, sob a batuta de Telê Santana. De lá para cá, não ganhamos mais nada. Ou seja, o torcedor ou torcedora de menos de 38 anos não viu o Atlético ganhar qualquer certame significativo, sequer ouviu o foguetório de 1971. No fim da década de 70, o Atlético tinha um timaço, disputava títulos nacionais, ameaça chegar: em 77 perdemos para o São Paulo, naquele jogo detonador da violência em campo, quando o Chicão, um perna- de-pau, quebrou a perna do Ângelo, defensor do Atlético. Em 78 perdemos para o Flamengo, em 79 para alguém que não me lembro quem, deve ter sido para o Flamengo ou para o Inter, o importante é que perdemos. Em 1980, de novo, fomos vencidos pelo Flamengo, naquele que, segundo o youtub, ficou conhecido como “o maior roubo da história do futebol brasileiro”. O Juiz da partida foi imortalizado, desde então, como “José Roberto Rato”. É isso, lembranças tristes. Deve passar por aí minha identificação e solidariedade com o Cuca, sabemos como dói ser vice por vezes seguidas. O Flamengo tripudiou sobre o Atlético e os flamenguistas sobre os atleticanos. Imperdoável! Lembro-me que durante a minha infância toda, o único problema de caráter da minha tia mais querida, era ser atleticana e torcer para o Flamengo, quando se tratava de times cariocas. Até meu pai, o atleticano-mor da minha vida, um dia chegou em casa com uma camisa do Flamengo, ainda que fosse o uniforme B, branco e vermelho, não aquele vermelho e preto acintoso, era Flamengo e quase me matou de desgosto. Quando vi meu pai vestindo aquilo foram noites insones pensando em como abordá-lo, sem desperta-lhe a ira, para cobrar uma satisfação. Tomada de coragem, chamei-o num canto em dia de bom humor e inquiri: “pai, que negócio é esse do senhor usar uma camisa do Flamengo?” Peguei na curva, o traidor. Ele tossiu, disfarçou e saiu com essa: “eu não comprei, ganhei, e cavalo dado a gente não olha os dentes.” Para meu desespero, encerrou a conversa continuou a vestir o presente.

9 de mai de 2009

Sinal dos tempos?

1 – Eu torci para o Flamengo na decisão do Estadual do Rio de 2009. Que meus dois irmãos atleticanos não me ouçam ou leiam, sob pena de, ao fazê-lo, me destituírem do lugar de irmã. É que, seguindo o exemplo do meu pai, torcíamos todos pelo Galo. Eu deixei de torcer em meados dos anos oitenta, isto eles até perdoaram, compreenderam, pois o sofrimento que um time como o Atlético Mineiro provoca, só os fortes e valentes como eles suportam, não as mulheres de convicção frágil como eu. Torcedor do Atlético que se preze precisa torcer contra o vento, se a camisa do Galo estiver no varal. Minha passionalidade não vai tão longe, desculpem-me os manos. Na verdade, eu torcia pelo Reinaldo, em primeiríssimo lugar, depois pelo Cerezo, Paulo Izidoro, Luizinho o quarto zagueiro (naquela época existia esta posição) mais elegante que vi jogar - como sabem, por questões geracionais, não alcancei a atuação de Domingos da Guia. Até pelo João Leite eu torcia, em priscas eras, um atleta de cristo comedido, não esses chatos da atualidade que tudo fazem em nome do senhor Jesus. Era esta a minha passionalidade, novamente manifesta na torcida pelo Cuca, técnico do Fla, uma quase-eterno vice-campeão. Bem baixinho, devo confessar também que a torcida do Mengão arrepia, mesmo que os Perrela, administradores e donos do Cruzeiro digam, também em tom de confessionário, que se tivessem uma torcida apaixonada como a do Atlético, fariam do Galo um dos maiores times do mundo. Paciência! Enquanto uns administram o sucesso, outros administram dívidas. Mas não pensem que fui ao Maraca, não, não, mantenho meu medo salutar de multidões. Só Michael Jackson me fez entrar num estádio de futebol lotado, o Pacaembu, em São Paulo. 2 – Ronaldo Fenômeno - aquele que respondendo à pergunta de um jovem quanto ao sexo antes de uma partida, atrapalharia ou não o desempenho do jogador em campo, respondeu que “dependia do quanto, antes” e completou, “na dúvida, seja passivo” - corajoso, o rapaz, dizer isso num programa de televisão na maior rede do país... fez um gol fora das quatro linhas. Outro foi a crítica dura à organização do evento de premiação do Estadual Paulista de 2009, que poderia ter terminado em tragédia, com queimaduras generalizadas nas pessoas. Mostrou uma criticidade que só costumamos ver em jogadores que assumem o sindicato da categoria e não foram tão brilhantes dentro de campo. É bom presenciar um craque rompendo o estigma de que jogador fantástico dentro de campo é burro e acrítico fora dele. 3 – Nas entrevistas concedidas após vencer o campeonato do Rio, Cuca, o técnico, abriu o coração, ironizou aquele setor óbvio, mal formado e idiota da imprensa, tal como o jornalista que, achando-se muito inteligente e perspicaz perguntou: “Cuca, você teve medo de ser vice outra vez”? E o Cuca: “tive, é claro que tive, mas tive um medo grande, um medão, não este medinho que você tá falando aí”. É tão saudável ver um homem tido como bruto, que lida com outros considerados ainda mais brutos, admitir que sente medo. Pelo menos para isso a pergunta boba serviu, tomara que a resposta inspire outros homens. 4 – Numa das inúmeras mesas redondas de discussão das decisões dos campeonatos estaduais brasileiros - só naquele domingo foram seis -, um comentarista pregava o fim dos estaduais, argumentava que em determinado Estado, por exemplo, quatro times grandes disputam o título, contra dez times pequenos, que assim fica fácil e tal. Foi contraposto por um outro, cheio de autoridade, com uma discussão sobre desemprego e crise econômica mundial. O tal senhor, um ex-juiz de futebol, argumentava que acabar com os estaduais seria relegar um grande número de homens pouco letrados e sem outras habilidades ao desemprego. Eu nunca havia olhado o tema por este ângulo, o cara me fez pensar. Viu? Mesa redonda de futebol também é cultura! 5 – O Presidente do Botafogo, vice do Flamengo, deu uma entrevista pós-derrota tão lúcida e construtiva, tão responsável e cheia de ombridade, quase comovente. Uma lufada de ar fresco em meio à cartolagem estúpida, desonesta e prepotente. 6 – Por fim, a mãe de Felipe, goleiro negro do Corinthians, baiano exilado em São Paulo –baianos consideram exílio, a vida vivida fora da Bahia – desbancou o apresentador Milton Neves e ensinou a ele o que é um torso. Ela portava um na cabeça, charmoso, uma moldura para seu rosto bonito e bonachão. O tal apresentador, julgando-se espirituoso gritou: “olha, mãe do Felipe, se o Felipe ganhar a Copa do Brasil, eu vou até a Bahia pegar esse chapéu da senhora emprestado”. “Olha, isso aqui não é chapéu, não, viu? O nome é torso, isso aqui é um torso”, ela consertou. Depois disse mais baixo, não consegui perceber para quem, mas o microfone captou: “eu vou lá (no programa de TV) colocar o torso nele, não precisa ele ir até a Bahia, não”. Sempre que vejo um goleiro negro, lembro-me emocionada de Dida, aquele que provou que os negros brasileiros podem, sim, ocupar a posição que mais exige a confiança do treinador num time de futebol, podem ser goleiros. Foi Dida quem abriu o caminho para esses meninos todos que hoje brilham debaixo das traves dos principais times do país e estão entre os melhores goleiros em atuação. Santo Dida que quebrou o estigma de Barbosa, ele, que foi o maior no ano da Copa de 50 e antes dela, mas falhou e foi estigmatizado como qualquer goleiro seria ao falhar em momentos cruciais. A diferença é que Barbosa era negro e um negro quando erra, tem seu erro diretamente vinculado aos supostos atavismo e inferioridade, engendrados por seu pertencimento racial, logo, todos os daquele grupo são propensos a cometer o mesmo tipo de erro. Viu? Pensou que ia ser fácil sua vida de negro? Negro e goleiro, então...

8 de mai de 2009

Sai o primeiro livro do Selo Povo, editora Literatura Marginal

Posto que o Ferréz, meu editor, anunciou, estou liberada para espalhar a novidade. Com o coração transbordando de alegria, aviso que sou a mais recente autora contratada pela editora Literatura Marginal. Integrarei a coleção Selo Povo, com um livro de crônicas,que,a exemplo do livro do Ferréz, abre-alas do Selo, custará R$5,00, pelas periferias do Brasil. Isto mesmo, cinco reais, o preço de uma cerveja e meia, menos de dois euros, menos de três dólares. Porque nós queremos ser lidos por quem não tem vinte reais para comprar um livro; por quem anda longas distâncias a pé, por não ter dinheiro para pagar o transporte público; por quem paga um ou dois reais a agências de emprego especializadas em recolher currículos e armazená-los, dando como troco, a falsa esperança de um emprego; por quem consegue cinco reais para se divertir, para descontrair, para relaxar, a despeito de tudo isso e terá, agora, a opção de comprar um livro para fazê-lo. Um livro de bolso bonito, bem diagramado, bem encadernado, amorosamente escrito e cuidado, como nossa gente merece. Vida longa ao Selo Povo e à editora Literatura Marginal! Grata pelo convite honroso, Ferréz! Ashé!

6 de mai de 2009

As patas do Norte não encontrarão pulgas no Sul!

Abro o correio eletrônico logo cedo e leio a mensagem duas vezes para crer no que estou lendo. O editor gringo, afro-gringo, neste caso, comunica-me que, em visita próxima ao Brasil, deseja ler a primeira versão do conto que escreverei (sic!) para a publicação dele. Respondo de pronto: “caro fulano, desculpe, mas não costumo trabalhar desse jeito, não gostaria de apresentar "uma primeira versão à você", considero isto uma interferência no meu trabalho criativo, além de infantilizar a profissional que sou. Como editor, pretendo submeter o texto à você na data definida para entregá-lo e a partir daí, conversaremos, ouvirei suas considerações e, caso as julgue pertinentes, posso incorporá-las. Caso não as julgue relevantes, deixo-as de lado. Caso você não goste do texto, não publica, é simples, mas não o submeterei à sua avaliação enquanto ele estiver em processo. Costumo solicitar a leitores da minha confiança alguma avaliação crítica da minha escritura, mas são pessoas escolhidas/convidadas por mim, em momentos que julgo necessários. Você conhece a qualidade do meu trabalho e imagino que tenha me convidado para participar de sua coletânea, baseado nela, portanto, aguarde e confie no resultado final. Quanto à temática do conto, você pode, sim, sugerir algo, é certo que esteja pensando em alguma linha condutora para o livro, para dar a ele uma certa unidade”. É mole? Quando eu digo a vocês que vida de escritora não é fácil, vocês não acreditam. Eu deveria ter dito mais, faço-o agora, para um público ampliado: 1 – Escritoras e escritores afro-brasileiros não são equivalentes a estudantes de literatura em universidades estadunidenses. Em um curso, com estudantes, faz muito sentido ter draft 1, draft 2, draft 3... e quantos drafts forem necessários para produzir um bom texto, mas com profissionais, o relacionamento é de outra natureza. Infelizmente, professores, às vezes, esquecem-se deste detalhe. 2 – Configura total arbitrariedade, autoritarismo e presunção de quinta categoria dizer-se a um criador que alguém vai monitorar e avaliar sua criação em processo. E, se o criador se submete a isso, em nome de uma publicaçãozinha no exterior, deve mudar de ofício, pois está no caminho errado. 3 – E muitos de nós têm se sujeitado, para nossa tristeza, pois, este tipo de atitude prepotente só se mantém porque reverbera na subserviência, na aquiescência, no rastejar de alguns atrás do farelo jogado aos porcos. 4 – Por fim, eu sou Obama, desde sempre, mas quem me dá lastro é Joaquim Barbosa, é Marina Silva, minha candidata à Presidência em 2010. Portanto, take it ease, man!

5 de mai de 2009

Lançamento da Mazza Edições, em Belo Horizonte

A gripe dos porcos e a mentira dos homens

(Por: Mauro Santayana, no Jornal do Brasil). "O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente. Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata. O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco. Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias. As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada "ação social". Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças. O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS".

4 de mai de 2009

Clássicos de cinema africano restaurado, em São Paulo

(TExto de divulgação). "Está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na região central de São Paulo, a mostra gratuita Clássicos Africanos Restaurados. "Paris É Bonita" (foto) integra programação em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (SP) O evento, que vai até o dia 10 deste mês, é uma parceria com a Embaixada da França e sua cinemateca, e apresenta, em sessões exclusivas, filmes de grandes cineastas africanos, restaurados pela Cinémathèqueafrique, entidade que incentiva a produção e a difusão cinematográfica na África. O cinema africano, à parte de todas as mazelas políticas e sociais que envolvem o continente, consegue superar as dificuldades mais imediatas e fazer, de forma leve e poética, um verdadeiro libelo a liberdade de expressão e a aceitação das diferenças". Veja a programação dos próximos dias: Terça-feira - 5/5 13h - "Tafe Fanga, Poder de Saia" 15h - "Fad, Jal" 17h - "Tabataba" 19h - "África sobre o Sena" + "Paris É Bonita" + "Os Príncipes Negros de Saint-Germain-de-Près" Quarta-feira - 6/5 13h - "Fary L'Anesse" + "O Regresso de um Aventureiro" + "Os Cowboys São Negros" 15h - "Bako, a Outra Margem" 17h - "Os Combatentes Africanos da Grande Guerra" 19h - "Safrana, ou o Direito à Palavra" Quinta-feira - 7/5 13h - "Os Combatentes Africanos da Grande Guerra" 15h - "Tabataba" 17h - "Taafe Fanga, Poder de Saia" 19h - "Fary L'Anesse" + "O Regresso de um Aventureiro" + "Os Cowboys São Negros" Sexta-feira - 8/5 13h - "Safrana, ou o Direito à Palavra" 15h - "E Não Havia Mais Neve..." + "Jom ou a História de um Povo" 17h - "Fary L'Anesse" + "O Regresso de um Aventureiro" + "Os Cowboys São Negros" 19h - "Fad, Jal" Sábado - 9/5 13h - "África sobre o Sena" + "Paris É Bonita" + "Os Príncipes Negros de Saint-Germain-de-Près" 15h - "Fary L'Anesse" + "O Regresso de um Aventureiro" + "Os Cowboys São Negros" 17h - "Os Combatentes Africanos da Grande Guerra" 19h - "Tabataba" A programação completa do evento pode ser consultada no site www44.bb.com.br CCBB - r. Álvares Penteado, 112, região central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3113-3651. Até 10/5. Grátis. Não recomendado para menores de 14 anos.

2 de mai de 2009

E... os 100 dias de Michelle Obama

(Deu no Le Monde de 29/04/09). "Correram rios de tinta sobre seus bíceps atléticos. Deve uma primeira-dama mostrar tanto ombro e tanto braço? É desnecessário dizer que houve respostas para todos os gostos e devemos informar que a primeira-dama continua exibindo braços torneados. Tentou-se fabricar uma crise diplomática quando a esposa do presidente pôs seu braço de forma afetuosa sobre a rainha da Inglaterra. Michelle tenta passar a impressão de uma mulher com os pés no chão, conhecedora dos problemas que vive o cidadão médio dos EUA O mesmo palácio de Buckingham suavizou o assunto e se negou a entrar na questão de quem abraçou quem primeiro. Definida como a "nova Jacqueline Kennedy", Michelle Obama não perdeu tempo em seus 100 primeiros dias na Casa Branca. É quase impossível que seu nome e rosto não apareçam toda semana em alguma revista nas bancas dos Estados Unidos. Foi capa da "The New Yorker". A multimilionária e famosa estrela de televisão quebrou a tradição e dividiu a capa de sua revista com a mulher de seu amigo Obama. Mas o trabalho da primeira-dama não tem contrato, assim como cada esposa de presidente dos EUA que passou pelo posto fez o que quis ou pôde. Se Hillary Clinton buscou em vão instaurar um sistema de saúde com cobertura universal no país e Nancy Reagan dedicou seus anos no poder junto com seu marido à luta contra as drogas, Michelle - como todo mundo gosta de chamá-la, sentindo assim que pode ser sua vizinha ou sua amiga - parece ter uma agenda própria, e não descuida de sua função de progenitora até quando visita as tropas que partem para o Iraque e Afeganistão, ou se ajoelha para plantar uma horta orgânica na mesmíssima Casa Branca e advoga uma dieta mais saudável. Sem se esquecer de passear com o cachorro Bo, conhecido mundialmente. Ela mesma gosta de se apresentar não como uma celebridade que aparece na revista "Vogue"- ainda que tenha aparecido - , mas sim como uma mulher com os pés no chão, conhecedora dos problemas que vive o cidadão médio americano. Que são muitos. Antes de deixar seu lar em Chicago e se mudar para Washington, Michelle Obama ganhava um salário muito superior ao de seu marido. Marido que, aliás, a conheceu sendo seu estagiário. Michelle renunciou agora à mulher profissional e competente que costumava ser. Ou talvez não. Talvez, só ao salário".

Curso: A Teoria e as Questões Políticas da Diáspora Africana nas Américas, no Rio de Janeiro

(Texto de divulgação): "Estão abertas as inscrições para O Curso “A Teoria e as Questões Políticas da Diáspora Africana nas Américas”. O curso oferecido anualmente é o resultado de uma tríplice parceria entre CRIOLA, o Programa de Estudos e Debates dos Povos Africanos e Afro-americanos (PROAFRO) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e o Centro de Estudos Africanos e Afro-americanos (CAAAS), da Universidade do Texas em Austin, onde funciona um dos mais respeitados programas de pós-graduação dos Estados Unidos. O objetivo do curso é oferecer instrumental teórico-conceitual articulado ao intercâmbio de experiências entre o pensamento/ativismo diaspórico brasileiro – sobretudo ao que se vincula ao feminismo negro - e o de outras comunidades negras diasporizadas pelo planeta (com ênfase nos EUA). Poderão se inscrever para a seleção ativistas dos movimentos sociais, negro e de mulheres negras, bem como estudantes universitárias (os) em nível de graduação e pós-graduação que dominem a língua inglesa. O curso será realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), às segundas, quartas e quintas-feiras, de 18h às 21h, no período de 28 de maio a 08 de julho de 2009, com carga horária total de 51 horas. As inscrições estão abertas, para efetuar a sua vá ao site de Criola www.criola.org.br e baixe o formulário, depois envie-o preenchido para diasporaafricana@criola.org.br"