Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

Postagens populares

Visualizações de páginas da semana passada

Google+ Badge

Translate

30 de nov de 2009

Bicentenário do editor Paula Brito

(Do Jornal do Brasil, por Rodrigo Ferrari). "Dezembro marca o bicentenário de uma figura esquecida na história de nossa cidade, personagem marcante na cena carioca de meados do século 19. Poeta, tipógrafo, livreiro, editor, jornalista e dono de jornal, comerciante, impressor, tradutor, compositor, dramaturgo, Paula Brito marcou seu tempo não só por tudo isso, mas principalmente por criar em seu estabelecimento um espaço de sociabilidade que o transformou num dos mais importantes agentes de mediação cultural da sociedade de então. Nascido no dia 2, em 1809, na então Rua do Piolho (atual Carioca), Francisco de Paula Brito passou a infância no interior da província na cidade de Suruí, região de Magé. Apesar do golpe, adquiriu de um primo uma pequena loja de miudezas conhecida como “loja de chá do melhor que há” e, nos fundos dela, instalou sua tipografia, onde iria botar em prática os ensinamentos adquiridos em seu primeiro emprego como aprendiz na Tipografia Nacional. Surgia ali a famosa Loja do Canto, como era conhecida sua livraria no Largo do Rossio, atual Praça Tiradentes".

27 de nov de 2009

Aconteceu em São Paulo!

Cheguei à cidade que escolhi para viver, deixei a mochila no maleiro do aeroporto e fui do Sul (Guarulhos) ao Norte (Pirituba) para o sarau do Coletivo Elo da Corrente. Êta lugar benfazejo! Aqueles tambores, aquelas folhas e pétalas de rosa no chão, Clara Nunes no toca-cds, aquilo tudo me transporta para a minha adolescência, para os templos de umbanda, susto e fascínio. É o sarau mais negro do mapa literário de São Paulo. Era a festa do poeta Carlos de Assumpção, 82 anos de poesia negra, e lançamento de uma coletânea de poemas, “Tambores da noite”, publicado pelo Coletivo Cultural Poesia na Brasa. O poeta lá, firme. Eu adquiri o livro, pedi autógrafo e logo me chamaram para ler. Fui lá e fiz a primeira leitura pública do Pentes em Sampa. Meu coração bambeou quando vi Carlos de Assumpção atento à leitura. Um pouco depois o Marciano, do Ciclo Contínuo, muito emocionado, nos convidou à leitura conjunta do Poema "Protesto". Longo poema. Fui bem até a metade e aí o velho coração desbordou, eu balbuciava, mas a voz não saía. E não sei bem o que me fez chorar, talvez a alegria do poeta, a emoção do Marciano Ventura, aqueles tambores, que calam tão fundo em mim. Talvez o fato de estar frente a frente com um desbravador e a responsabilidade de carregar a pena que ele nos entrega, a nós, as gerações mais novas. Ainda tive a chance de trocar idéias com os amigos queridos Allan da Rosa, o sorridente Marciano, Akins Kintê e o Michel Yakini. Mais tarde foi a vez de conversar mais detidamente com a Raquel Almeida, nosso primeiro papo de verdade, na casa dela, onde dormi. Foi ótimo. É tão alentador ver uma mulher jovem enfrentando o machismo dos amigos (recalcitrante e venenoso) com a coragem de uma leoa a proteger sua própria dignidade e a de todas as mulheres. Fiquei muito feliz e orgulhosa por conhecer esta Raquel. Na sexta-feira pela manhã fui comprar flores para o lançamento do Pentes e à noite, assisti o "Ensaio sobre Carolina", espetáculo dos Crespos. Gostei muitíssimo da performance dos atores Sidney Santiago e Lucélia Sérgio, gostei também do cenário. O texto de Carolina (Maria de Jesus) sempre me nocauteia, é visceral demais. Justamente por isto, qualquer acréscimo pode se tornar excessivo e foi esta a minha sensação. Achei inadequada a inclusão de situações contemporâneas de discriminação racial no texto da peça, visando, talvez, uma interação maior com o público. No sábado rolou o lançamento do Pentes na Odun Formação e Produção, uma festa belíssima organizada por Viviane Ferreira e sua equipe. Houve performance de Evani Tavares, Sidney Santiago, Maria Gal e a música maravilhosa do Kadhira Neiva. A apresentação do Pentes, peça fina e preciosa, foi escrita e lida pelo amigo Emerson Inácio, professor de literatura na USP. Em breve vou postá-la aqui. Eu também li uns trechos do livro, acho importante que as pessoas ouçam a dicção da autora. Finda a saga paulistana, preparo-me para a segunda parte da odisséia, Salvador. Aguardem notícias (Na foto Carlos de Assumpção e Marciano Ventura).

26 de nov de 2009

Vozes marginais na literatura

Terminei na semana passada a leitura de "Vozes Marginais na Literatura", de Érica Peçanha do Nascimento, publicação bonita e bem cuidada da editora Aeroplano, Coleção Tramas Urbanas. O livro me arrebatou. Saí do lançamento com meu exemplar autografado e comecei a lê-lo no metrô, enquanto me dirigia ao hotel. Nos seis dias seguintes, queria chegar em casa rapidamente para prosseguir a leitura. Não me lembro quando foi a última vez que uma obra não-literária me tomou, assim. O estilo de escrita de Érica flui, seduz pela leveza, objetividade e fidelidade às construções discursivas dos informantes. Entretanto, merecíamos ler mais das reflexões sagazes da autora. Em certos momentos quis ver mais análise do discurso e menos reprodução das idéias dos informantes, por exemplo, no capítulo 3, "Por uma interpretação antropológica do movimento de literatura marginal dos escritores da periferia". Neste aspecto, parece-me que o livro deixou de ganhar em ousadia, atributo correlato ao conhecimento e perspicácia analítica da autora. Ainda sobre o estilo, um contraponto interessante à elegância da escrita de Érica é o posfácio do livro, um texto acadêmico burocrático, não-criativo, como lemos freqüentemente por aí. É embasada no quão longe Érica pode ir, ainda que limitada pelo alcance da minha mirada, que faço os comentários críticos a seguir, motivados pela leitura de um livro inspirador: 1 - Parece-me haver uma certa santificação das ONGs que têm apoiado o Movimento de Literatura Marginal em São Paulo. É honesto dizer que os saraus e outros aspectos da mobilização literária periférica pegam muita gente pelo coração porque o tema bombou e isso dá visibilidade política e pedagógica, aumentando assim, o poder de fogo junto a agências financiadoras. "Ninguém é inocente em São Paulo", já disse o Ferréz, num título muito feliz. Obviamente, sei que estou numa posição muito mais confortável do que a da autora para fazer esta observação, mas, de alguma forma, esperava encontrá-la no livro. No último capítulo, "A atuação político-cultural dos escritores da periferia", há elementos pouco explorados que, caso merecessem maior atenção, poderiam contribuir para posicionar a literatura periférica como voz autônoma e pró-ativa no mercado editorial brasileiro; 2 - Poderiam ser abordados os trabalhos de geração de renda e mesmo os empregos promovidos pela movimentação da literatura periférica; 3 - As estratégias de promoção e comercialização do objeto-livro no Movimento de Literatura Periférica merecem atenção, pois têm muito a ensinar ao mercado livreiro e 4, precisa ser debatida também, a questão da tiragem dos livros feita pelos autores periféricos e o quanto este grupo é precursor das doses homeopáticas de edição, feitas à conta-gotas, à medida que o livro circula. Lemos por aí uma louvação desmedida a editoras de classe média que têm adotado esta estratégia (publicação de um certo número de exemplares de acordo com a demanda e fôlego de circulação da obra) como se tivessem inventado a roda. Do lado de cá, a moçada da literatura periférica já vem fazendo isso há tempos, justamente porque tem feeling de mercado. Ainda que não tenha sido o propósito do livro, senti falta de mais comentários sobre as questões de gênero, sobre a ausência numérica de mulheres no movimento, sobre o machismo que as subalterniza, bem como do debate racial, que acabou se resumindo à auto-declaração de pertencimento racial dos informantes e de seus pais e à declaração reiterada de que um dos sujeitos entrevistados pertence ao Movimento Negro. "Vozes marginais na literatura" se impõe pela qualidade da escrita, pela riqueza de dados e adequação da análise, pelos resultados da pesquisa sensível e humanizada levada a termo pela autora e não, pela legitimidade do tema. Isso é fundamental, tanto para o trabalho de Érica, quanto para a literatura que fazemos nós, periféricos, negros, mulheres, gays e lésbicas escritoras e escritores, dentre outros sujeitos não canônicos. O livro de Érica nos convoca a que nos estabeleçamos no mundo literário por meio da literariedade dos nossos textos, pelo apuro da forma e pela universalidade que emprestamos aos nossos temas legítimos. De minha parte, aceito a convocação.

25 de nov de 2009

Atenção, Paulicéia! Ricardo Aleixo na área, imperdível!

(Do blogue do Rique: www.jaguadarte.blogspot.com). "Peço licença às pessoas que se interessam pelo que faço para divulgar minha agenda “à paulista” neste fim de ano que – para o papai aqui – mais parece um começo: quarta-feira, dia 25/11, no Museu Afro Brasil, às 18h, participo da mesa redonda “Exclusão e inclusão na cultura”, dentro da programação do seminário Eu tenho um sonho – De King a Obama, a saga negra do norte, com a antropóloga Sheila Walker e o cineasta Joel Araújo; sábado, 5/12, ainda sem horário definido, performo na Rave Cultural da Casa das Rosas, durante o lançamento do livro O que é poesia, de Edson Cruz; no dia 19/12, às 20h, no Itaú Cultural, faço o espetáculo de lançamento da série radiofônica ARQUIVOX: a paisagem sonora da poesia brasileira, junto com o sound designer Daniel Reis, os bailarinos Franciane de Paula e Jorge Schutze e a cantora Patrícia Ahmaral. Em tempo (1): pela miríade de novidades que o envolve, o espetáculo (que é só ARQUIVOX) merecerá um post todo dele. Sendo que em breve falarei, também, claro, da série de programas, que está ficando o fino, para dizer pouco. Aguardem, se acharem que é o caso. Em tempo (2): a foto acima é de Foca Lisboa".

24 de nov de 2009

Aconteceu em BH!

Os lançamentos em BH mobilizam muito das minhas emoções, como sempre acontece na volta à minha cidade. O mais importante é reencontrar minha família nuclear, com quem convivo menos do que com a familía estendida. Vinícius, o menino da sacola gorda de livros lidos, pegou um exemplar do Pentes e começou a ler, caminhando pelo saguão da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. Estranhei e ofereci uma cadeira. Ele não aceitou, estava bom daquele jeito. Lembrei-me de Luciana, minha personagem que na hora de parir come amoras e não pára de caminhar. Seriam manifestações de Teempo, Kitembo, para quem tudo é movimento? Descobri que o diretor da Biblioteca é de Ponte Nova, terra de quem? Rei-nal-do, centro-avante do Clube Atlético Mineiro, uma das referências poéticas da minha infância, ao lado de Drummond. No Maleta encontrei aquela Belo Horizonte que pouco muda, Velhorizonte, talvez,como a alcunhou o poeta-amigo Rique Aleixo. À noite uma festa da palavra, organizada pelos amigos da foto, Anderson e Elaine - aqueles que me acolhem com um carinho grande que chega a lugares fundos de mim, onde nem o perfume das rosas amarelas do vô Francisco alcança. Frutas, flores, sucos para alimentar a palavra e um debate delicioso na sede da companhia A Farsa de Teatro, que já está se transformando em casa minha. Agradeço e agradeço a todo mundo que compareceu, promoveu e torceu pelo sucesso dos lançamentos belorizontinos. Foi massa, véi!

23 de nov de 2009

Resultado do sorteio em BH

O tempo!

Na semana passada Pelé completou o quadragésimo aniversário do milésimo gol. Há dois dias o lançamento do Pentes em São Paulo comemorou o primeiro ano de vida da Odun Formação e Produção. Há quatro dias assinei os documentos de liberação para a produção de audio-visual do Dublê de Ogum. No mesmo dia ele, o Dublê, participou da festa de lançamento do Questão de Pele, coletânea organizada por Luiz Ruffato, da qual o texto participa. Na semana que passou ficaram prontos os cartões de divulgação do Pentes. Ontem li trechos da monografia mais recente sobre o Tridente: memória, ancestralidade e religiosidade na minha obra. Como cantou o poeta, "a vida da gente é mistério, a estrada do tempo é segredo, o fio do enredo é mentira e tudo o que eu disse é ilusão", mas ôh tempo bom!

22 de nov de 2009

Solano Trindade, poeta do povo!

Angélica Basthi fala sobre "Pelé: Estrela Negra em Campos Verdes"

(Por: JULIANA FARANO - colaboração para a Livraria da Folha). "O futebol é visto como uma das manifestações populares mais democráticas do mundo. O elenco de protagonistas, que faz a alegria da torcida com a bola nos pés, é formado por gente de todo o tipo. Para gostar do esporte, também não é necessário pertencer a qualquer etnia ou condição social específica. Hoje em dia, o único fator que exclui certas camadas da população é o preço dos ingressos para ver o espetáculo ao vivo, efeito colateral maléfico da chamada modernização, que busca elitizar o esporte. No entanto, nem sempre a situação foi assim. Quando retornou ao Brasil da Inglaterra em 1894, Charles Miller, paulistano descendente de ingleses e escoceses, trouxe consigo uma bola e um conjunto de regras. O futebol, então, passou a ser praticado pela elite tupiniquim sendo, inclusive, proibida a participação dos negros. Quem diria que anos depois, o rei do futebol seria justamente um negro vindo de uma família humilde do sul de Minas? Prova de que o tempo e a evolução do ser humano não agregaram somente coisas ruins ao mundo. Curiosamente, o milésimo gol do rei do futebol foi marcado no dia 19 de novembro de 1969 e ontem, véspera do dia da Consciência Negra, a ocasião completou 40 anos. Pelé é um dos negros mais bem-sucedidos do mundo e sua trajetória profissional brilhante, inevitavelmente, serve de inspiração para milhares de jovens aspirantes a carreiras dentro do futebol e ao sucesso profissional, de uma maneira mais ampla. Ainda assim, o atleta nunca levantou objetivamente a bandeira do orgulho negro e nem assumiu a causa como uma de suas prioridades. "Pelé nunca se envolveu diretamente com o problema racial deste país, mas isso não significa que ele não tenha enfrentado problemas de racismo ao longo da sua trajetória", afirma Angélica Basthi, autora do livro "Pelé: Estrela Negra em Campos Verdes". Na publicação, que aborda tanto a trajetória brilhante do atleta nos gramados como também os episódios polêmicos de sua vida pessoal, a escritora fala de momentos em que o racismo era total e descarado. "Na Copa de 1958, por exemplo, uma reportagem afirmava sobre a passagem do jogador, então com 17 anos, pela Suécia: 'Ao ver Pelé, a criança loura solta a mão da babá e corre chorando: mamãe, mamãe, ele fala'", conta. Em entrevista para a Livraria da Folha, Angélica fala sobre a carreira profissional de Pelé, o processo de pesquisa para o livro e o envolvimento do rei com as questões da raça negra. Confira abaixo. * Livraria da Folha - Como surgiu a oportunidade para escrever este livro? Angélica Basthi - Fui surpreendida pelo convite do meu amigo e também jornalista Carlos Nobre, criador da coleção "Personalidades Negras", editada pela Garamond. Ele me convidou inicialmente para escrever sobre o Aleijadinho, outro grande nome da participação negra ao longo da história do Brasil. Na conversa com o diretor da editora, surgiu o nome do Pelé. Fiquei especialmente feliz, pois alimentava o sonho secreto de escrever sobre o rei do futebol desde quando, há uns cinco anos, vi uma exposição sobre a vida dele na Casa França-Brasil. Claro que já conhecia sua história, mas vê-la em detalhes me tocou. Fiquei realmente impressionada com a trajetória de Pelé e cheguei a dizer para amigos que gostaria de escrever sobre ele um dia. Livraria - Você sempre gostou de futebol ou passou a se interessar mais pelo assunto depois do convite para escrever o livro? Angélica - Sempre gostei de futebol. Sou flamenguista e mangueirense desde pequena, ou seja, gosto mesmo é das torcidas polêmicas e passionais. Sou do tipo de torcedora que xinga o juiz, sai da sala e já vai se inscrevendo para a vaga de técnica. E já realizei o sonho de todo torcedor de pisar no gramado do Maracanã. Foi uma sensação estonteante estar num dos gramados mais famosos do mundo e também palco do milésimo gol de Pelé. Além disso, estou curtindo muito ser a primeira mulher a escrever uma biografia sobre o rei. Livraria - Você viu o Pelé jogar? Angélica - Tenho 38 anos e não vi o Pelé fazer suas jogadas magistrais. Recentemente estive no Museu do Futebol em São Paulo e, claro, revi algumas de suas jogadas históricas nos vídeos disponíveis por lá. Aliás, fiquei morrendo de inveja dos paulistas e pensei por que o Rio de Janeiro, que tem o Estádio Mario Filho em casa, não teve uma idéia tão genial. Bom, a escrita do livro do Pelé foi feita com muita pesquisa documental. Exigiu tempo e paciência para visitar bibliotecas e mergulhar em livros, revistas e jornais da época. Tive um amigo em especial que eu recorri uma ou duas vezes para tirar algumas pequenas dúvidas técnicas. Fora isso, foi um trabalho solitário. Livraria - Como se deu o processo de pesquisa para a concepção da obra? Você chegou a entrevistar o próprio Pelé? Ele sabia do livro? Angélica - Conversei com meu editor na época sobre isso. Concluímos que o Pelé é uma pessoa pública e o acesso ao material sobre sua vida e sua trajetória não seria difícil. De fato não foi. Exigiu paciência, mas tem muito material que foi publicado sobre o rei na época. Livraria - O livro trata não só da brilhante carreira no futebol, como também de fatos não tão agradáveis da vida pessoal do atleta. Você recebeu algum tipo de crítica por conta dessa abordagem de fãs mais exaltados do Pelé? Angélica - As pessoas lêem o livro e ficam surpresas com a minha abordagem. Sou bastante ética ao retratar a vida do Pelé tanto do ponto de vista pessoal quanto do jogador profissional. Acho que a surpresa do público tem acontecido por duas razões: por conta da linguagem fácil e objetiva que imprimi no livro e pela proposta de mostrar um Pelé que ninguém viu até agora. O público está acostumado com o rei Pelé distante da problemática racial no Brasil. Até porque a verdade é que ele nunca se envolveu diretamente com o problema racial deste país. Mas isso não significa que ele não tenha enfrentado problemas de racismo ao longo da sua trajetória. Abordo também sobre o momento que o Pel é percebeu como sua figura negra era carregada de um simbolismo que ia para além da riqueza e da fama acumuladas pelo talento no futebol. Na Copa de 1958, por exemplo, era um homem negro e um herói nacional, mas era retratado com uma matéria de cunho racista. Uma reportagem afirmava sobre a passagem do jogador, então com 17 anos, pela Suécia: "Ao ver Pelé, a criança loura solta a mão da babá e corre chorando: mamãe, mamãe, ele fala". Ou seja, uma indução grotesca ao estereótipo do homem negro primitivo, selvagem e animal. Livraria - O que o milésimo gol do Pelé representou para o Brasil na época? Angélica - O milésimo gol de Pelé gerou muita expectativa no país inteiro. Ao longo daquele ano de 1969, o público acompanhou em contagem regressiva cada passo do jogador. Houve suspeitas na época de que tudo estava sendo preparado para que o milésimo gol acontecesse no Maracanã. O fato é que ele aconteceu sim no Maraca. E o aniversário da ocasião tem um aspecto curioso pois acontece na semana da Consciência Negra. É a comemoração pela memória de outro grande nome negro, Zumbi dos Palmares. Pelé desconfiou de acordo para que milésimo gol acontecesse no Maracanã; leia trecho Livraria - Na ocasião do milésimo gol, em seu agradecimento, Pelé fez um alerta para as crianças carentes do país. Você acha que isso foi positivo para sua imagem? Angélica - Na época o Pelé foi muito criticado. Ninguém entendeu o porquê de naquele momento tão importante ele se lembrar das crianças de rua. Mas hoje o problema da criança e do adolescente é um dos maiores desafios políticos nos grandes centros urbanos deste país. Livraria - A temática do projeto que deu origem ao livro foi contar a história de personalidades negras. Qual é o papel do Pelé nesta questão? De que forma ele representou os negros em sua trajetória? Angélica - Pelé foi emblemático para o resgate da autoestima do negro no Brasil. Era a primeira vez que um negro era fonte de orgulho nacional e referência no mundo. Quem afirma isso é o José Jairo Vieira, que tem uma tese de doutorado sobre a participação dos jogadores negros no futebol brasileiro. Pelé representava a possibilidade do homem negro simples e um trabalhador honesto e sem vícios vencer na vida. Isso num ambiente absolutamente contraditório e controverso gerado pelo racismo à moda brasileira. Na época, a ideologia do branqueamento já começava a ser confrontada pelas ideias de Gilberto Freyre e pelos resultados do trabalho de pesquisadores, como Florestan Fernandes, contratados pelo Projeto Unesco. Mais tarde, Carlos Hasenbalg realizaria um novo marco na interpretação desta questão ao afirmar que o preconceito e a discriminação raciais vinham adquirindo novas funções e significados na estrutura social desde a escravidão. Na prática, os jogadores negros continuavam enfrentando barreiras visíveis e invisíveis geradas pelo preconceito racial. Mas a imagem de Pelé também contribuiu para a ideia de um Brasil que deu certo ao personificar o jogador negro que ascendeu socialmente. De certa forma, ele também representa nossas contradições. Livraria - Como você vê o Pelé hoje em dia? Angélica - Acho a figura de Pelé continua sujeita a polêmicas. Aos 69 anos, tem ainda uma vida agitada e intensa. É um dos nomes mais conhecidos em todo o mundo e ainda é referência no futebol internacional. Quando morei nos Estados Unidos via que ao mencionar que era brasileira diziam quase que automaticamente "Pelé". É um jogador que soube se renovar ao longo do tempo, mas como qualquer ser humano contabiliza erros e acertos.

20 de nov de 2009

Livro Os nove pentes d'África celebra o primeiro ano da Odun, em São Paulo

19h - Exibição do documentário " Twelve Disciples of Mandela" de Thomas Allen Harris. 20h - Lançamento do livro " Os nove pentes d´Àfrica " de Cidinha da Silva. A autora, em "Os nove pentes d'África", cativa pela descrição minuciosa do universo das relações familiares, pela reverência à sabedoria dos mais velhos e à ancestralidade africana. Após o lançamento haverá leitura de trechos do livro por Maria Gal , Sidney Santiago e Evani Tavares acompanhados de Kadhira Neiva que apresentará, por meio de instrumentos tradicionais africanos, uma leitura rítmica de "Os nove pentes d´Àfrica". 21h - Coquetel regado à musica na voz e violão de Paulinho Jr. 22h - O Esquadrão do Grouve animam a festa até às 3h. Endereço:Rua Jardim Francisco Matos, 180, Bela Vista, São Paulo. Informações: (11)31057247

Quartinhas de Aruá - Jônatas Conceição - Literatura e Consciência Negra, em Salvador

Dia da Consciência Negra – ainda precisamos disso?

(Por: Ana Paula Maravalho, do Observatório Negro). "O ano é 2009. Segundo alguns calendários esotéricos, neste ano entramos na Era de Aquário, período de modificação da humanidade para melhor: “harmonia e entendimento, simpatia e confiança reinarão; não mais falsos e ridículos”, na letra do The Mamas and the Papas (para quem tem mais de 30...). Neste contexto, é fácil concordar com aqueles que insistem na inutilidade da comemoração de uma data como o 20 de novembro – afinal, já somos mais do que conscientes que o Brasil é o segundo país mais negro do mundo, que o tempo da escravidão já acabou, que o negro contribuiu historicamente para a construção do país, e todo esse blá-blá-blá. Ninguém aguenta mais as eternas celebrações com rodas de capoeira e batuques, as reivindicações pelo fim do racismo...ufa! Ainda precisamos mesmo disso? Não terão sido suficientes os libelos dos negros que se revoltaram e reagiram à escravidão? Os testemunhos de vida das mulheres libertas que, desprovidas mesmo da condição de humanidade, ousavam ir aos tribunais reivindicar a liberdade dos seus filhos nascidos durante o período em que permaneciam obrigadas a prestar trabalho, em servidão condicional à liberdade por elas conquistada? A herança de cidadania e direitos humanos deixada por personagens históricos como Luiz Gama, João Cândido, a família Rebouças? A trajetória do movimento negro, do movimento de mulheres negras, em sua luta incansável por políticas públicas reparatórias da desigualdade racial? Será que não temos ações suficientes para que a Consciência Negra seja, efetivamente, algo que não necessite de uma data para ser lembrada, reivindicada, para se tornar algo tão naturalizado na prática do brasileiro quanto outrora o racismo o foi (para os que acreditam que “não somos racistas”)? A julgar pelos acontecimentos que recepcionaram o 20 de novembro deste ano, no entanto, ainda estamos muito, mas muito longe mesmo, de prescindir da necessidade de reafirmar a luta de Zumbi e dos quilombos pela liberdade e igualdade. A televisão aposta na reedição das novelas retratando o tempo da escravidão (devidamente atualizadas, óbvio, o ibope assim exige), para levar aos lares a cena aviltante de uma mulher negra, de joelhos, olhos baixos, diante da senhora branca, espumando de raiva ao aplicar o golpe de misericórdia às pretensões de igualdade dos que ousaram um dia imaginar possível à tal negritude ocupar o lugar de direito da branquitude no reino onde o ideal de brancura é realizado plenamente. No Rio de Janeiro, o Sesc Madureira envia convite para evento celebrando a temática da Consciência Negra, com “café servido por mucama, lembrando os áureos tempos coloniais”. Em busca de informações sobre a agenda do movimento negro em Recife, uma jornalista bem intencionada se refere às raízes culturais “deles”, os afrodescendentes. Tudo isso aconteceu na mesma semana, com o mesmo objetivo de comemorar o Dia da Consciência Negra. Ao falar da Consciência Negra, não estamos buscando impor os “nossos” significados, a “nossa” história ou os “nossos” heróis em contraposição aos significados, história e heróis oficiais. Estamos insistindo apenas em que o Brasil finalmente resolva tirar o pó-de-arroz, olhe-se no espelho e perceba que afrodescentes não são somente os mais de cinquenta por cento da população brasileira que se declara preta ou parda: afrodescendente é o Brasil, por mais que esta constatação faça espernear ou espumar em delírios esquizofrênicos aqueles que se consideram os últimos representantes da pura linhagem ariana. Para estes, ainda precisamos repetir, não sem alguma dose de compaixão pelo sofrimento e atraso evolutivo que impõem a suas almas divididas pela ilusão de uma branquitude à qual não pertencem: a verdade dói, mas liberta. Penso que ninguém mais que os ativistas do movimento negro gostariam de ver virada esta página. Que não precisássemos mais nos preocupar em discutir soluções para o racismo genocida brasileiro e pudéssemos, enfim, falar de outras coisas. Quem sabe, daquela “harmonia e entendimento, simpatia e confiança” prometidos para este Terceiro Milênio. Mas o tempo ainda é de quebrar pedreiras. A nossos postos, então. Viva Zumbi! Viva Dandara! Viva Palmares! Axé para os que constroem o ideal da igualdade!"

19 de nov de 2009

Ministro Joaquim Barbosa é obrigado a renunciar à cadeira no TSE, por problemas de saúde

(Por: Mário Coelho - Congresso em Foco). "O ministro Joaquim Barbosa renunciou na noite desta terça-feira (17) ao cargo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele, que preenchia uma das vagas destinadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), estava na corte desde 8 de abril do ano passado e era o vice-presidente do tribunal. O ministro justificou sua saída por problemas de saúde. Barbosa seria o responsável por conduzir o processo eleitoral de 2010. A saída do ministro foi divulgada na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo. Segundo a reportagem, Barbosa renunciaria após voltar de uma licença médica de 90 dias que tirou para fazer um tratamento de saúde. Ele tem problemas de coluna que fazem com que sinta dores insuportáveis depois de ficar muito tempo sentado. As sessões do TSE ocorrem sempre depois das do STF e se estendem às vezes pela madrugada, causando maior sofrimento a Barbosa. Durante a tarde, Barbosa ainda não havia comunicado oficialmente o TSE da sua saída. Ele esperou o início da sessão plenária da noite de hoje. Aos ministros colegas, agradeceu pela "compreensão e pela camaradagem". Emocionado, o ministro afirmou que "aprendeu muito" nos 19 meses que esteve no tribunal. "Eu sinto ter que tomar essa decisão", disse no plenário. Com a vaga aberta pela renúncia de Barbosa, a ministra Carmen Lúcia, antes substituta, agora passa para a composição efetiva do tribunal. Durante seu discurso de despedida, Barbosa também agradeceu aos funcionários do seu gabinete, "um time de colaboradores de primeiríssima qualidade". "Eles prestaram uma ajuda inestimável nesse período", afirmou. O ministro ainda pediu desculpas aos advogados pelo "jeito ranzinza" durante os julgamentos. "Não se preocupem, é minha preocução pela igualdade", afirmou. Para o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, o colega é dono de uma "cultura geral e jurídica admiráveis". "Fará grande falta ao TSE. E nos deixa imersos num sentimento vazio de perda", disse. Ayres Britto afirmou que Barbosa compartilha os mesmos valores que ele, de que não basta ganhar uma eleição, é preciso fazê-lo de maneira limpa e honesta. "Felizmente temos o ministro Lewandowski que é outro arauto desses valores. Ambos são acadêmicos, são professores, são escritores, são doutores, fazem o casamento entre a teorização refinada e a prática cotidiana que a prática nos exige", comparou Ayres Britto, referindo-se ao ministro Ricardo Lewandowski, que assume a vice-presidência da corte. O procurador-geral eleitoral, Roberto Gurgel, lembrou que o ministro integrou, "por vários anos", os quadros do Ministério Público. "Sempre com essa dedicação, com essa coragem pessoal, coragem intelectual. São aspectos, são virtudes, são traços da personalidade do ministro que levam nós do Ministério Público a admira-lo cada vez mais. São traços essenciais a um juiz", opinou. Gurgel ressaltou também que o ministro é um "amante das artes", e que espera pela volta de Barbosa em breve. O TSE não possui um quadro fixo de ministros. Ele é composto por três membros vindos do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois indicados pelo júri. A presidência, porém, só pode ser exercida por um dos três ministros vindos do Supremo. Como o mandato de Ayres Britto termina em 12 de maio de 2010, Barbosa, por ter mais tempo de TSE, seria o próximo comandante da corte. À ele caberia conduzir as eleições presidenciais do próximo ano. Mas, com sua saída, Lewandowski deve ser confirmado na presidência a partir de 2010 por ter mais tempo de tribunal".

Balada Literária 2009

16 de nov de 2009

Ferréz lança primeiro livro do Selo Povo, em São Paulo

(Texto de divulgação). "Sempre com uma escrita forte e contundente, muitas vezes até mal-interpretada, como o recente processo por apologia ao crime, acatado pelo Ministério Público, por conta de um dos seus textos. Se fosse em suas palavras, ele certamente diria nesta introdução: “Apologia ao crime é a panela vazia”. Enquanto a esmagadora maioria está escrevendo para ter um lugar ao sol, Ferréz parece estar escrevendo para simplesmente chegar ao sul, ao leste, a oeste ou ao norte de lugar algum, afinal o autor trabalha vendendo roupas com frases de seus livros e fazendo palestras em escolas públicas, municipais, além de jovens em liberdade assistida, cadeias, ONGs e dezenas de movimentos populares. Neste livro, podemos ler a crônica “SPPCC”, que o escritor escreveu meses antes dos atentados cometidos pela facção criminosa, e que somente quem tem uma visão muito pontual da cidade poderia fazer. Assim como também a crônica “Meu dia na guerra”, que, além de narrar os fatos após os atentados, ainda foi um texto muito importante por denunciar as dezenas de chacinas que vieram em seguida, esse texto inclusive foi fator determinante para que elas fossem reprimidas.Outro que merece destaque é o texto “Cotidiano 100%”, que foi proibido de sair no livro da companhia de metrô de São Paulo. O que esperamos dele agora? O que ele faz com muita competência, um bom texto que nos cause indignação e que continue andando onde ele é mais urgente: nas ruas deste imenso país periferia. Este livro contém textos publicados na revista Caros Amigos, Folha de São Paulo, Le Monde Diplomatique Brasil, revista Trip, e Relatório da ONU".

12 de nov de 2009

Jovens artivistas da literatura periférica paulistana revitalizam a obra do poeta Carlos de Assumpção

(Texto de divulgação). "O poeta Carlos de Assumpção, 82 anos, referência na literatura negra brasileira, participará de encontros em sua homenagem no mês da consciência negra e também realizará o lançamento do livro "Tambores da Noite", obra que reúne sua antologia poética, organizado pelo Coletivo Cultural Poesia na Brasa, Elo da Corrente, Ciclo Continuo e Projeto Espremedor. Autor dos livros "Protesto" e "Quilombo", co-autor do cd "Quilombo de Palavras", em parceria com Cuti, participou de diversas antologias como "Cadernos Negros" – Quilombhoje- e "Negro Escrito" – Org. Oswaldo de Camargo. Ele foi frequentador assíduo da Associação Cultural do Negro, no centro de São Paulo nos anos 50, onde se encontrava com ativistas da extinta Frente Negra Brasileira e com escritores e intelectuais de grande importância como Solano Trindade, Aristides Barbosa e Oswaldo de Camargo. Membro da Academia Francana de Letras, formado em Letras e Direito, escolheu a cidade de Franca/SP para estudar e lecionar nos anos 80 e nos últimos anos não participou ativamente da cena literária, pois está com a saúde sensível. Em 1982 Carlos de Assumpção ficou em 1° lugar no II Concurso de Poesia Falada de Araraquara/ SP com o poema Protesto. Em 1958, por ocasião do 70° aniversário da Abolição, recebeu o título de Personalidade Negra, conferido pela Associação Cultural do Negro, em São Paulo/SP". Confira a programação dos lançamentos do livro "Tambores da Noite" Dia 19 (quinta-feira) 20 horas Bar do Cláudio Santista Rua Jurubim, 788-A. Pirituba. Zona Oeste. Entrada franca. (11) 3906-6081 c/ Raquel e Michel. elodacorrente@hotmail.com Dia 20 (sexta-feira) 16 horas Centro Cultural da Juventude Av. Dep. Emílio Carlos, 3.641 – Vila Nova Cachoeirinha. Zona Norte. (11) 3984-2466. http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br Dia 21 (sábado) 19 horas Bar do Carlita Rua Professor Viveiros Raposo, 234 (em frente da escola E.E. João Solimeo). Brasilândia. Zona Norte. (11) 3922-8593. brasasarau@yahoo.com.br ou http://brasasarau.blogspot.com

"A fidelidade a um compromisso político exige coragem e ousadia"

O correu no dia 09 de novembro de 2009, um jantar em solidariedade à ex-Prefeita de São Paulo, Luiza Erundina. Só agora soube, mas vale a pena registrar. Vivi em São Paulo durante a administração dela e testemunhei a mudança cultural impressa na cidade, como exemplos, Erundina não se preocupava em construir novas escolas para simplesmente inaugurá-las em grandes eventos, tinha, sim, um projeto sério de recuperação das escolas existentes, de aquisição de computadores para elas e, pasmem, de conserto de cadeiras e carteiras escolares com martelo e pregos. Na região onde eu morava à época, intersecção entre os bairros da Liberdade e Glicério, não conheci os problemas crônicos de alagamento, temidos pelos moradores mais antigos, durante toda a sua administração. As medidas de contenção das chuvas eram simples, as ruas eram varridas duas ou três vezes por dia e o caminhão coletor de lixo fazia o serviço duas vezes por dia, no mínimo. Isso, enquanto ela adotava medidas educativas para que as pessoas deixassem de espalhar lixo pelas ruas, principalmente pelos bueiros. "A companheira Luiza Erundina está sendo executada judicialmente pela única condenação que obteve durante toda a sua vida política. Trata-se de uma Ação Popular ajuizada pelo cidadão Ângelo Gamez Nunes (processo nº 053.89.707367-9 / Controle 159/89 – 1ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo) quando Luíza era Prefeita de São Paulo, e visava obter a reposição aos cofres públicos de dinheiro utilizado pela Prefeitura com publicações jornalísticas nas quais a então Prefeita manifestou apoio à greve geral de 1989. A sentença entendeu que a matéria publicada não atendia ao interesse público e condenou pessoalmente Luiza Erundina a pagar o elevado valor de R$ 350 MIL REAIS. Trata-se de decisão definitiva em razão da qual já foram penhorados o apartamento onde mora (seu único imóvel), seu carro e ainda 10% da remuneração mensal como Deputada. Mesmo assim, seu patrimônio é inferior ao total da dívida. Como a ex-Prefeita Luiza Erundina foi alvo de enorme injustiça, com decisões que tangenciam o preconceito social, ideológico e político, é hora de nos unirmos para demonstrar nossa solidariedade".

11 de nov de 2009

Lançamento do Questão de Pele, no Rio de Janeiro

Ancestralidade e tradições africanas: o Pentes no jornal O Tempo, em Belo Horizonte

(Por: Fabiano Chaves). "A ancestralidade africana, suas tradições e as relações familiares são aspectos que a autora Cidinha da Silva aborda na obra "Os Nove Pentes D’África", seu primeiro trabalho infanto-juvenil, que ela lança neste fim de semana, na capital. Motivada pelo anseio de uma sobrinha em ler um livro seu dedicado às crianças, Cidinha conta que nunca havia pensado em escrever uma obra para crianças e adolescentes. "Foi uma demanda familiar", diz a autora. Na obra, ela conta a história de uma família negra brasileira, que vive na periferia, onde o patriarca, já a beira da morte, presenteia os netos com pentes de madeira africanos. "Ele conhece muito bem os netos, e cede a cada um deles um pente que traduz as características dos netos. Todos os pentes são carregados com virtudes, como o amor, dedicação, entre outros", afirma. Historiadora, ensaísta e militante do movimento de mulheres negras, Cidinha da Silva diz que sua produção literária sempre busca referências nas tradições e na ancestralidade africana. "Isso é algo que me formatou, me define como pessoa e está presente na minha produção literária", destaca a autora, que já publicou obras como "Ações Afirmativas em Educação: Experiências Brasileiras" (2003), série de ensaios organizados por ela, "Cada Tridente em seu Lugar" (2007), seu primeiro trabalho na ficção, e "Você me Deixe, Viu? Eu Vou Bater meu Tambor" (2008), coletânea de crônicas e contos. Agenda O que: Lançamento do livro "Os Nove Pentes D’África" (editora Mazza, 56 págs, R$ 18), da autora Cidinha da Silva. Quando: Sábado, às 20h. Onde: Espaço da do grupo de teatro Cia. da Farsa (rua dos Caetés, 616, centro). Quanto: Entrada franca. Trecho da orelha do livro: "Cidinha da Silva é uma amiga minha que escreve como quem trança ou destrança cabelos e nos presenteia com pentes presentes cheios de passado, que nos ajudam a destrinçar o futuro. Seus pentes são pontes de compreensão entre o que somos nós negros brasileiros agora, nossos avós recentes e os tais ancestrais africanos. E pontes entre nós e nossos filhos e sobrinhos, os que vêm depois de nós. Compreensão aqui que eu digo é aquele entendimento afetuoso, apaixonado até cheio de compaixão no sentido de gratidão pelo que se é". (Chico César, compositor que assina a orelha do livro). Comum em boa parte das obras infanto-juvenis, as ilustrações são destaques em "Os Nove Pentes D’África". Criadas pela ilustradora Iléa Ferraz, as imagens trazem os pentes do amor e da alegria, da perseverança, passagem, despedida, do giro da roda, da liberdade, da admiração, da sabedoria e da renovação da vida

As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio

(Por: Contardo Calligaris na Folha de São Paulo, de 05/11/09). "NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada. O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa. A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta". Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça. Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta". Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir. Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher". Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo. Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio. O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer. A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada. Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim? Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado".

9 de nov de 2009

O Pentes para adolescentes e educadoras/es, em Belo Horizonte

Um pente-presente para você

(Por: Camila de Moraes). "Era sábado, uma tarde chuvosa na capital gaúcha e mais um dia de trabalho. Pintos gelados entravam pela janela do coletivo, mas a única coisa que podia sentir naquele momento era o cheiro de rosas, da rosa amarela procurando a cor do Sol. “Os Nove Pentes D’África”, de Cidinha da Silva, é uma história emocionante. É o convite para aquela viagem dos sonhos tão esperada. Viagem esta, que se faz por mundos desconhecidos e ao mesmo tempo nem tão desconhecidos assim. Vô Francisco e Vó Berna são aqueles “velhinhos avós” de nove netos e de mais um milhão de brasileiros que existem neste mundo afora. A possibilidade de identificação é algo surpreendente. Com um enredo envolvente e rico de detalhes, o conhecimento pede licença para se aconchegar naquele espaço que ainda não foi ocupado. A cada folhear de página se conhece mais sobre a família dos Quintiliano, sobre o homem quieto, o artista incrível, o verdadeiro griot. A leitura é guiada pela paixão e o momento da despedida - pelo qual todos nós teremos que passar, uma situação difícil de lidar - e que forma bela que é colocada e explicada. O cobrador olha assustado sem compreender o motivo da chuva de águas que escorre rosto afora. O expediente acaba, o ônibus está vazio, isso significa que poderemos continuar viajando e fazer um belo trajeto de retorno para casa; mas muito mais que isso, um retorno para nossas raízes negras. Uma reflexão sobre a cultura, sobre aprender com os mais velhos e saber que cada um tem o seu tempo. Sem perder o ponto da parada de descer e sem perder a oportunidade de deixar um recado, as palavras saem como um impulso: “A leitura realmente pode emocionar o cidadão. Como é bom ler um livro”. A resposta surge no meio daquela chuva toda com um sinal de positivo da cabeça do cobrador, um sinal de compreensão. Então fica feito o convite às crianças de todas as idades. Queres viajar? Se emocionar? Aprender mais sobre a história de uma população que ajudou a construir o Brasil e tantos outros lugares? Compreender o valor de uma família? Leia “Os Nove Pentes D’África”, de Cidinha da Silva e ganhe você também um pente-presente".

8 de nov de 2009

Terceiro encontro de Cinema Negro Brasil, África e Américas, promoção do Centro Afro-carioca de Cinema, Rio de Janeiro

(Deu no JB Online). "Consolidando cada vez mais o diálogo entre Brasil e África entra em cena, no Rio de Janeiro, o III Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Américas, que acontece entre os dias 9 e 18 de novembro, reunindo representantes do cinema negro de diversas partes do mundo. Idealizado pelo cineasta Zózimo Bulbul, o evento funciona como um fórum de reflexões e ideias, difundidas através de diferentes ações ao redor da cidade. Este ano, o Encontro aposta na nova geração da cinematografia afro-descendente e conta, não só com a participação de diretores renomados, como principalmente, de novos realizadores do Brasil, Estados Unidos, Cuba e de diferentes países do continente africano. Pela terceira vez consecutiva na cidade, em 2009, o Encontro ampliou a participação de filmes internacionais, incluindo não só obras africanas como de todas as Américas. A curadoria, assinada por Zózimo Bulbul, este ano contou com o apoio de dois cineastas: o conceituado diretor africano Mansour Sora Wade (parte da seleção africana) e o cubano Rigoberto Lopez (parte da seleção caribenha). Ambos estiveram presentes no Encontro de 2008 e, este ano, vêm para intensificar a parceria Internacional. Le feux de Mansaré (Mansour), foi premiado no Fespaco 2009 (Festival Pan-Africano de Cinema de Ouagadogou), o mais importante festival da África, no qual Bulbul já esteve presente por duas vezes, em 1997 e 2009. Nesta última, Bulbul foi convidado pela direção daquele festival para ser curador de uma mostra brasileira representada por oito cineastas. Para esta edição do III Encontro de Cinema Negro Brasil África e Américas foram selecionados cerca de 50 títulos, entre documentários, longas de ficção, médias e curtas-metragens, na maioria, realizados por jovens diretores, na faixa de 20 e 40 anos. Em geral, são obras contemporâneas que trazem um retrato amplo sobre as tradições e as raízes africanas presentes nas diferentes culturas. "São filmes que falam do mundo, das relações entre as pessoas e que valorizam a terra, a tradição e o território. Na minha opinião, nada mais contemporâneo do que isso", explica Bulbul. Ao todo, serão 23 filmes brasileiros, 14 africanos, 5 caribenhos e 5 americanos, além de um canadense e um colombiano. Mais uma vez, o evento acontece em diversos pontos da cidade, com ingressos a preços populares (R$ 3) ou com entrada franca. De 9 a 15 de novembro, as atividades se concentram no Centro, tendo como palco o Cinema Odeon BR, o Centro Cultural Justiça Federal, a Lapa (onde uma tenda será montada em praça aberta), além do Centro Afro Carioca de Cinema, onde acontecem encontros diários pela manhã. Na Zona Sul, o Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, abriga o Encontro entre os dias 16 e 18. Como sempre, o objetivo é valorizar a presença do negro e suas temáticas no cinema nacional e internacional. "Nosso objetivo é mostrar a força e a importância da cultura negra que tentaram esconder por tantos anos e que lutamos até hoje para tirar da invisibilidade", afirma Bulbul. Por isso, além de apresentar uma gama diversificada de filmes, o Encontro busca promover a troca de experiências entre profissionais e público, através de oficinas de capacitação gratuitas e debates com produtores, críticos, estudantes e todos os entusiastas da sétima arte. "Nossa meta é promover o diálogo entre Brasil e África e mostrar que há muitas semelhanças entre as duas culturas mesmo após tanto tempo de ruptura. O Encontro é o nosso quilombo cinematográfico, o nosso ponto de resistência", revela Bulbull Na lista dos brasileiros presentes estão, ao lado de Zózimo Bulbul, Jefferson Dê, Viviane Ferreira (Marcha Noturna), Luiz Antonio Pillar (Em quadro - A história de 4 negros na tela), Lincoln Santos (Santa Erva), além de Dudu Fagundes (Maestro das Ruas), e Waldir Xavier (Barracão). O Encontro também vai contar com a participação de 12 convidados internacionais. Da África estão confirmados os diretores Cheik Fantamady Camara (Guiné Conacry), Daniel Kamwa (Camarões), Mama Keita (Guiné), Missa Hebie (Burkina Faso), Idriss Diabate (Costa do Marfim), além da atriz Khady Nidaye e do cineasta Mansour Sora Wade (Senegal), do filme Le feux de Mansare. Do Caribe, teremos Anne Lescot e Laurence Magloire (ambas do Haiti), e Rigoberto Lopez (Cuba), que terá seu filme Hacer arte, hacer justicia represenado em persona pelo ator Dany Glober. E, finalmente, representando os Estados Unidos, estarão presentes os diretores Yoruba Rinchen e Allen Harris, tidos como discípulos do famoso documentarista Saint Claire Bourne (1943-2008), o homenageado desta edição. A largada para o III Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Américas será dada, dia 9, com uma recepção para convidados no Centro Cultural Justiça Federal, a partir das 17h30. Em seguida, às 18h, a Orquestra de Cordas da Grota faz as honras da casa no Cine Odeon. Lá, os mestres de cerimônia Hilton Cobra e Daniela Ornelas entram em cena para iniciar a mesa de abertura, com as falas do Ministro Edson Santos, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), e do Sr. Zulu Araujo, da Fundação Cultural Palmares. Por fim, ao som de tambores africanos, a voz será do convidado especial da noite: o africano Mansour Sora Wade, que apresenta seu filme Le feux de Mansaré, exibido em seguida para o público. EXIBIÇÕES: Com cerca de 50 obras na programação, este ano o III Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Américas ampliou a participação de países, trazendo obras não só africanas e brasileiras como também das Américas do Norte e Central. A grande novidade fica por conta do caráter jovem do Encontro e da presença dos americanos Yoruba Rinchen e Thomas Allen Harris, representando o homenageado desta edição, o documentarista Saint Claire Bourne. Cada um deles apresenta dois filmes. São eles: Promised Land e Sister of Good Death, de Rinchen; e Twelve Disciples of Mandela e That's my Face, de Harris. A mostra americana também inclui uma das obras-primas de Bourne, o longa Paul Roberson- Here I Stand. Dos filmes caribenhos, fazem parte da programação: Mensajero de Los Dioses, Roble de Olor, e Hacer arte, hacer justicia (com o ator Dany Glober), todos da autoria do cubano Rigoberto Lopez, que também esteve presente no Encontro passado. Além desses, completando a lista, temos o De Hombres y de Dioses, de Anne Lescot e Laurence Magloire; e Rue des Cases Negres, de Euzhan Palcy (Haiti). Dividida em 3 categorias - Longas, Documentários e Ficção -, a mostra brasileira vem com 23 títulos, sobre bairros, tradições e ficção sobre o cotidiano. Dentre esses, destaque para os longas Em Quadro - A História de 4 Negros na Tela, de Luiz Antonio Pillar, e Barracão, de Waldir Xavier. Na categoria Tradições e Bairros, vale destacar o curta Santas Ervas, de Lincoln Santos e Alexandre, e Estação Realengo, de Carlos Maia, respectivamente. Na lista dos documentários, atenção para Mães do Hip Hop, de Janaina de Oliveira, finalizando com os filmes de Ficção, Não Ganhei Este Edital, de Julio Pecly, Caixa Preta, de Ana Claudia Okuti, e Além do Olhar, da Equipe Cinema Nosso. A mostra africana apresenta 14 obras feitas por diretores de Guiné, Senegal, Camarões, Mali, Nigéria, Mali, Egito, Congo, Costa do Marfim e Burkina Faso. Dentre esses, seis cineastas estarão presentes no III Encontro: Cheik Fantamady Camara (Guine Conacry), Daniel Kamwa (Camarões), Mama Keita (Guine), Mansour Sora Wade (Senegal), Missa Hebie (Burkina Faso), Idriss Diabate (Costa do Marfim), além da atriz do filme Le feux de Mansare, de Mansour. Além disso, dos 14 títulos africanos selecionados, seis fizeram parte do Fespaco 2009. São eles: Le feux de Mansaré, de Mansour Sora Wade (premiado em 2009); La Fauteuil, de Missa Hebie (premiado em 2009); La Femme Qui Porte I'Afrique; de Idriss Diabate; e En attendant les hommes; de Katy Lena Ndiaye. SEMINÁRIOS E OFICINAS: Os seminários e oficinas do III Encontro de Cinema Negro Brasil África e Américas visam promover o debate sobre o cinema negro de forma abrangente através do encontro e a troca de experiências entre diretores renomados e inciantes de diversas partes do país e do mundo. Além disso, busca discutir as novas produções e formas de intercâmbio entre produtores, críticos, estudantes e público interessado em cinema em geral. A programação conta com a presença de convidados especiais do Brasil, África, América Latina e da América do Norte com o intuito de gerar o conhecimento mútuo e a discussão acerca da produção e da distribuição de filmes realizados por cineastas afro-descendentes. O principal objetivo é resgatar a memória da presença do negro e suas temáticas no cinema nacional e internacional, onde a tradição e a contemporaneidade se encontram e têm como marcas centrais a ancestralidade, a oralidade e a resistência. Com exceção do encontro de abertura, realizado no dia 10, no Centro Afro Carioca de Cinema, os seminários serão realizados de 11 a 14 de novembro, no Cine Odeon. Já as oficinas serão realizadas no Centro Cultural Justiça Federal, entre os dias 10 e 15, com direito a certificado de participação para quem tiver o mínimo de 70% de presença".

O Pentes em Belo Horizonte, dia 14 de novembro

O caminho do Pentes...

Os lançamentos em Porto Alegre foram muito agradáveis, o Pentes deu os primeiros passos. No dia 30/10, na Palavraria, o amigo e poeta Ronald Augusto mediou uma conversa produtiva e divertida com o pequeno grupo de pessoas presente. Além dos amigos e pessoas que acompanham meu trabalho, houve gente que apareceu porque leu a divulgação no jornal e se interessou pela apresentação do livro. Este tipo de presença desconhecida, embora esperada, pois é este o espírito da divulgação, também anima muito. Sem qualquer proselitismo ou hipocrisia, como diria o Carlos Alberto, herói do Vasco, aprendo muito nessas conversas. Aparecem uns especialistas em literatura com aquelas perguntas cabeludas sobre a obra da gente... o próprio mediador, não deixou por menos. Eu dou as respostas simples que me cabem e sigo por dias, às vezes meses, pensando na complexidade das perguntas. E elas voltam, isso é certo como a chuva diária em Belém. Às vezes, depois de muito pensar, arquiteto umas respostas mais elaboradas para oferecer e chego mais perto da complexidade de meus interlocutores. Ainda ganhei presentes do anfitrião, as duas recentes publicações da Éblis: “Dente de leão”, de Cecília Borges e “Congo negro”, de Vachel Lindsay. Ganhei também um CD dos poETs, banda do Ronald. Motivados pelo bom andamento da noite literária, presenciei o Heron, um dos donos da Palavraria e o poeta, papeando sobre a possibilidade/necessidade de reeditar o “Mafuá de Malungo”, evento literário mensal em que o Ronald convidava escritores para comentar as próprias obras. No dia 31/10, a conversa na Feira do Livro também foi animada. Um público maior, majoritariamente feminino e participativo, convidado por Maria Mulher e também alguns rapazes bem interessados. Foi um papo regado à muita leitura do Pentes. Teve gente comentando ao pé do ouvido da vizinha que o papo estava bom, mas deveria acabar logo, pois a comentadora queria ir para casa, ler o livro. A próxima parada do Pentes será Belo Horizonte, programação intensa no dia 14/11: crianças, adolescentes e educadores/as pela manhã; artistas, estudantes e gente diversa à tarde; mais artistas e gente diversa à noite. Ontem o Pentes já esteve pelas alterosas num lançamento coletivo da Mazza Edições durante o FAN – Festival de Arte Negra, assim que souber algo sobre a repercussão do momento, comento aqui. Aproveito para agradecer aos amigos Elaine, Anderson e Rogério que estão trabalhando dura e afetuosamente na produção e divulgação dos encontros literários no dia 14/11. Nos vemos em BH.

7 de nov de 2009

Os 50 anos do Edifício Maletta, em Belo Horizonte

Estarei lá, na festa de aniversário, durante o sarau dos amigos da Coletivoz, às 15:00.

Lançamento do livro “Poemas”, de Oliveira Silveira, dia 20 de novembro, em Porto Alegre

"Palmares é Angola Janga. Nem é só Zumbi ou Ganga Zumba, senhores, Palmares Não é só um, são milhares" (Oliveira Silveira). "Formado em Letras (Português e Francês) pela UFRGS, Oliveira Silveira nasceu em Rosário do Sul, município situado na fronteira oeste do estado do Rio Grande do Sul, em 1941, tendo sido criado na zona rural, na Serra do Caverá. Foi poeta, ensaísta, músico e ativista do Movimento Negro, além de ter o mérito de ter sugerido a evocação do 20 de Novembro lançado e implantado no Brasil pelo Grupo Palmares, a contar de 1971, e que posteriomente, em 1978, o Movimento Negro Unificado identificou como Dia Nacional da Consciência Negra. Entre 2004-2006, foi conselheiro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República". Obras Publicadas Publicou, entre outros, “Germinou”, Porto Alegre, 1968; “Banzo, Saudade Negra”, Porto Alegre, 1970; “Pêlo Escuro”, Porto Alegre, 1977; “Roteiro dos Tantãs”, Porto Alegre, 1981; “Anotações à Margem”, Porto Alegre, 1994. Todos livros de poesia. Seus poemas também foram traduzidos, entre outras línguas: para o inglês e o alemão, e essas traduções apareceram respectivamente na revista Callaloo,The Johns Hopkins University Press, 1995, e na antologia Schwarze Poesie, Edition Diá, 1988. Serviço: Dia 20 de novembro, na Casa de Cultura Mário Quintana, às 19 horas. Rua dos Andradas, 736 Centro - Porto Alegre – RS Tel: 51-3221-7147 Outras informações podem ser obtidas com Naiara Rodrigues Silveira, Secretária Geral da ANdC telefone: (51) 9935-8476 e-mail: naiaraoliveira20@yahoo.com.br

4 de nov de 2009

15 mil exemplares em circulação!

Recebo comunicado da editora de que o Tridente (2a edição) terá a primeira reimpressão, adequada às novas regras da língua. Super notícia! Fiz umas contas rápidas e concluí o seguinte: as três edições do Ações, meu primeiro livro (2003), somam 8 mil exemplares em 6 anos. Quanto aos livros de literatura, da primeira edição do Tridente (2006) foram mil exemplares. Da segunda edição (2007), mais mil exemplares, e agora a primeira reimpressão, outros mil. Da primeira edição do Tambor (2008) foram mil exemplares. Da primeira edição do Pentes (2009) SÃO 3 mil exemplares, portanto, 7 mil exemplares em minha carreira literária de 3 anos. Somando tudo, livro de ensaios e 3 livros de literatura, tenho cerca de 15 mil exemplares dos meus 4 livros em circulação. É uma cifra para comemorar e é o que faço agora,ao noticiar o feito aqui no blogue.

3 de nov de 2009

Atualização da agenda do Pentes pelo Brasil

Belo Horizonte: dia 06/11 no FAN - Festival de Arte Negra, espaço Ojá, Lagoa da Pampulha, às 19:00; dia 15/11, às 10:00 na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, 21, Praça da Liberdade, informações Mazza Edições 31 34810591; às 15:00, no aniversário do edifício Maleta, tradicional ponto de encontro da resistência à ditadura militar, informações Coletivoz 31 87055890; às 20:00 na sede da Companhia de Teatro A Farsa, rua Caetés, 616, Centro, informações Espaço Griô 31 87047572. São Paulo:dia 21/11 durante o primeiro aniversário da Odun Formação e Produção, informações pelo fone 11 31057247 ou pelo e-mail aquatuny@odun.com.br; dia 23/11 na Casa das Áfricas, informações fone: 11 38011718. São José dos Pinhais e Fazenda Rio Grande, durante a primeira Feira do Livro da cidade, ambas na região metropolitana de Curitiba, dia 26/11; Pinhais e Curitiba, dia 27/11. Santo Antônio de Jesus, BA, de 08/12, na Faculdade de Educação da UNEB. À medida que as informações forem completadas e os convites específicos produzidos, vou postando por aqui. Mas, por favor, tanto convite é para vocês aparecerem!

1 de nov de 2009

Vozes Marginais na Literatura, primeiro livro de Érica Peçanha

"Vozes marginais na literatura é resultado de uma pesquisa de mestrado em Antropologia Social, desenvolvida entre 2004 e 2006 na Universidade de São Paulo. O livro toma como mote a atribuição do adjetivo marginal, por parte de alguns escritores da periferia, para caracterizar a si ou aos seus produtos literários no limiar do século XXI. Partindo da análise das três edições especiais Caros Amigos/Literatura Marginal e da relevante cena literária que se constituiu nas periferias paulistanas após o lançamento dessas revistas, a obra investe na articulação da produção literária e da atuação político-cultural dos escritores, dando ênfase às carreiras e intervenções de três deles: Ferréz, Sérgio Vaz e Sacolinha (Ademiro Alves)". Lançamentos: 05/11, às 19h30 – Ação Educativa Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque 07/11, às 16h – Loja Suburbano Convicto Rua Nogueira Viotti, 56 – Itaim Paulista 12/11, às 20h – Sarau Elo da Corrente Bar do Cláudio Santista – Rua Jurubim, 788 – Pirituba 14/11, às 20h – Pavio da Cultura Centro de Educação e Cultura Francisco Moriconi Rua Benjamin Constant, 682 – Centro de Suzano 18/11, às 20h – Sarau da CooperifaBar do Zé Batidão – Rua Bartolomeu dos Santos, 797 – Chácara Santana