Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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26 de jan de 2010

Preciosa, primeiro romance de escritora africano-americana editado no Brasil

(Deu em O Globo, por André Miranda). "A narrativa da americana Sapphire, em seu único romance, não é uma leitura que se possa considerar agradável. “Eu levei bomba quando tava com 12 anos por causa que tive um neném do meu pai”, escreve ela, sob o ponto de vista da protagonista, na primeira linha de Preciosa (Record, 192 pp., R$ 29,90 – Trad.: Alves Calado). “Foi em 1983. Fiquei um ano fora da escola. Esse vai ser meu segundo neném”, continua, revelando alguns elementos que serão explorados ao longo da trama. O livro foi lançado nos EUA em 1996 e logo se tornou uma sensação. O que primeiro chamou atenção foi a maneira realista com que a personagem Claireece Precious Jones narra sua própria história. Em seguida, os leitores voltaram seus olhos para a professora negra, lésbica e até então autora de poesias de pouca repercussão, responsável por criar Precious. “Eu me defino como uma mulher afroamericana, escritora, e que está determinada a usar sua energia para escrever, escrever, escrever e escrever mais”, contou Sapphire ao Globo, em entrevista por telefone. O romance chega ao Brasil este mês".

24 de jan de 2010

Ferréz: cronista da periferia

(Por Alejandro Reyes, Jornal A Tarde, 9 de janeiro de 2010). "Há poucos dias houve um evento inusitado: o lançamento de um livro de escritor periférico, primeira publicação de uma nova editora independente periférica, para um público majoritariamente periférico. Trata-se do livro Cronista de um tempo ruim, do escritor, rapper e ativista Ferréz, do Capão Redondo, periferia da Zona Sul de São Paulo. A editora é o Selo Povo, o mais recente projeto do movimento de “literatura marginal” paulista, cujo objetivo é tornar acessível o que sempre foi inacessível para os excluídos: a palavra escrita. O livro vende por R$5,00 e tem distribuição nas favelas e periferias do país. Cronista de um tempo ruim contém textos publicados na revista Caros Amigos, Folha de S. Paulo, Le Monde Diplomatique Brasil, revista Trip e Relatório da ONU. São crônicas que não apenas descrevem, comentam e tornam visível a vivência cotidiana nas periferias do Brasil, mas estendem-se em reflexões sobre o país e o mundo, a partir do olhar de quem está por fora dos discursos hegemônicos. “No início foi o grito”, escreve John Holloway em Como mudar o mundo sem tomar o poder. “Defrontados com a mutilação das vidas humanas pelo capitalismo, um grito de tristeza, um grito de horror, um grito de raiva, um grito de recusa: Não.” Na escrita periférica (marginal, popular ou como se lhe queira chamar) o grito está sempre na origem: a necessidade de narrar, de tornar visível a dor e a indignação. Na crônica “Realidade que Machuca”, Ferréz começa com um diálogo fictício, muito duro, sobre o aborto. Depois o autor explica: “Eu estava bolando o texto há várias semanas, ia ter várias frases que machucam, mas a realidade foi pior outra vez”. Então ele passa a narrar o caso real do assassínio de vários moradores de rua a pauladas. Se por um lado o autor se esforça por construir o texto com elementos capazes de tirar o leitor da sua confortável distância, permanece a angústia de não conseguir exprimir os horrores, muito mais cruentos, do cotidiano. O grito pode tomar muitas formas. Uma delas é a violência aparentemente gratuita que provém não apenas da pobreza, mas, sobretudo, da humilhação cotidiana; a do crime; a dos jovens que preferem morrer cedo com arma na mão e ter os produtos de consumo que supostamente conferem dignidade e respeito. O grito pode até significar a revolta armada, quando todas as alternativas parecem fechadas. “Nada explica a falta de um grupo guerrilheiro que vá para o Senado e exploda tudo, nada explica a cabeça baixa, a humilhação diária aceita por todos”, escreve Ferréz em “Voltei e Estou Armado”. Mas, para os escritores periféricos, a literatura é uma tentativa de transformar o grito em algo inteligível, por um lado, e em opção pacífica para o que, visto da perspectiva das populações periféricas, é uma guerra sem trégua. Trocar os fuzis pela palavra, fazer arma da palavra, “ser condenado por porte ilegal de inteligência”: é esse o desafio explícito na escrita de Ferréz. Nas crônicas em Cronista de um tempo ruim, o autor fala de uma ampla variedade de temas que, lidos em conjunto, dão um panorama global da vida nas periferias e favelas. O desemprego, os valores de consumo, o papel da mídia, o fundamentalismo religioso, as políticas paternalistas governamentais, o tráfico, a violência, a corrupção e o abuso policial. A corrupção, a repressão e a impunidade policial é um dos temas centrais do livro. Em uma conversa informal com Ferréz e outros parceiros na loja 1dasul (marca de modas da favela, projeto de autonomia vinculada ao movimento de literatura marginal), no Capão Redondo, todos eles contaram histórias escabrosas de abuso policial. Ser pobre (e negro) é um crime, que se castiga fora dos parâmetros do sistema jurídico, com a extorsão, a violência ou o assassínio impune. “A única coisa que representa o governo por aqui é a polícia”... o Estado, como provedor de direitos numa democracia liberal, está ausente nas favelas e periferias, fazendo-se apenas presente na forma da repressão. É no contexto desta violência, além da violência econômica e social, que Ferréz interpreta a temática, por exemplo, do crime organizado. A política de mão dura, diz ele, não soluciona nada: “A facção [SPCC] é forte, tem muitos homens, tem muitas armas, tem gente de todas as classes e uma coisa que o estado não tem. Eles não têm medo de perder, porque não têm o que perder.” Para além do conteúdo, a escrita de Ferréz é singular pela própria linguagem. É a periferia se apropriando da língua erudita, transformando-a, virando-a pelo avesso, inserindo nela a oralidade popular e a poesia do rap, como no caso de “Certezas pelo ralo”. É a língua como veículo para a compreensão de realidades díspares, mediação numa guerra de desigualdade, convite ao diálogo, mas, também, interpelação ao leitor e exigência de pensarmos, todos, na responsabilidade coletiva em um sistema em que “ninguém é inocente”. Afinal, se tivéssemos que resumir a proposta do livro, talvez seria na forma de uma interrogação: “Caixinhas, todos somos separados em caixinhas, mas a pergunta é: quem embala tudo isso?”

22 de jan de 2010

Haití: Estrategia del caos para una invasión

(Por: José Luis Vivas - ALAI) "El terremoto que arrasó Puerto Príncipe el 12 de enero pasado ofrece una pretexto inmejorable para justificar la enésima invasión y ocupación militar del Haití, ya ocupado desde 2004, pero ahora directamente por los principales promotores de esa ocupación, sin intermediarios. Motivos, políticos y estratégicos, no faltan. De paso, serviría para escarmentar al principal intermediario de la actual ocupación, Brasil, que a pesar de los buenos servicios prestados en Haití no se ha portado de la misma forma en relación al reciente golpe de Estado en Honduras. Lo que hemos observado hasta el momento parece corroborar la tesis de que se está preparando una nueva ocupación militar, no humanitaria. Varios elementos lo indican como: fricciones con los actuales ocupantes, la Misión de Paz (MINUSTAH) de la ONU, especialmente con Brasil, que tiene el mando militar; entorpecimiento de la ayuda humanitaria y fomento de una situación de caos; y una campaña mediática consistente en la creación de una imagen de caos y violencia, que justificaría una ocupación ante la opinión pública. Como veremos abajo, todos esos componentes parecen estar presentes. Hay motivos para sospechar que se está permitiendo deliberadamente el deterioro de la situación humanitaria en Haití. Por ejemplo la reconocida descoordinació n en las tareas de rescate, ampliamente difundida por los medios. En teoría, corresponderí a a la ONU dirigir tales tareas, pero al parecer ésta ha sido desautorizada por los Estados Unidos, que ocupó desde primera hora uno de los puntos claves para la coordinación de las tareas de rescate, el aeropuerto. Sin el liderazgo de la ONU, y con un Estado haitiano “fallido” o, en lenguaje menos Orwelliano, quebrado de forma premeditada, no queda nadie que pueda dirigir las tareas de rescate eficientemente. Ciertamente tampoco las ONGs, que han venido recibiendo fondos internacionales para ejercer muchas de las funciones que deberían corresponder al gobierno haitiano. A las ONGs no se les puede exigir las mismas responsabilidades que a un gobierno, un hecho tal vez muy conveniente en estos momentos. Otro elemento es la escasa prisa en el envío de ayudas por parte de EEUU, en contraste con la rapidez demostrada en a movilización militar. Incluso la distante China parece haberse adelantado a los Estados Unidos en el envío de auxilio. Así, el teniente general retirado del ejército estadounidense, Russell Honoré, que participó en las tareas de rescate tras el huracán Katrina en 2005, declaraba acerca de la situación de Haití tras el terremoto: “pienso que eso ya hemos aprendido durante el Katrina, llevemos agua y alimentos y comencemos a evacuar a la gente… Pienso que deberíamos haber comenzado con más premura” (1). Por ejemplo, mientras las fuerzas armadas de EEUU parecen haber sido movilizadas con bastante rapidez, un buque hospital de la marina se está preparando con más parsimonia: “es un buque lento, algo viejo, tardará una semana en llegar una vez que lo hayamos puesto a punto”, aclara un portavoz del Pentágono (2). Quizá no puedan hacer nada mejor con el viejo buque, pero deberían existir otros medios para acelerar las ayudas. Por ejemplo, se podría seguir la sugerencia algo herética de Lawrence Korb, ex secretario asistente de Defensa de EEUU, de aprovechar los conocimientos de los cubanos en las tareas de rescate: “debemos pararnos y pensar que nuestro vecino Cuba cuenta con algunos de los mejores médicos del mundo… Deberíamos tratar de trasladarlos allí en en nuestros vuelos “(3).. Todo eso nos deja la impresión que, en el mejor de los casos, las tareas de rescate no son una prioridad para el gobierno de EEUU, al contrario de las puramente militares, como el envío de “3500 soldados de la 82 División Aerotransportada de Fort Bragg”, cuya misión “no está clara”, según el Christian Science Monitor (2). Pero quizá quede más clara con esta explicación del portavoz del Departamento de Estado de EEUU Philip Crowley: “Nosotros no estamos adueñándonos de Haití. Estamos ayudando a estabilizar el país. Estamos ayudando en el suministro de material y socorro para salvar vidas, y vamos a permanecer allí a largo plazo para ayudar a reconstruir Haití.” (3) Y también las palabras posteriores de la secretaria de Estado Hillary Clinton, asegurando que las fuerzas norteamericanas se quedarían en Haití “hoy, mañana, y previsiblemente en el futuro”. Las fricciones diplomáticas con otros países, especialmente Brasil, que está al mando de las tropas de la ONU en Haití, no tardaron en manifestarse, lo que parece indicar también que la “misión” norteamericana en Haití va mucho más allá de lo puramente humanitario. Hasta hoy Brasil había cumplido diligentemente con el papel que le fue designado en Haití. Sus tropas se dedicaban a controlar y, en ocasiones, aterrorizar a la población haitiana, especialmente a los más pobres, de una forma que ya habían perfeccionado en las favelas de Brasil. Como informa en una entrevista el periodista Kim Ives, de Haiti Liberté, la presunta misión de la paz de la ONU en Haití, liderada por brasileños, “es extremadamente mal vista [por la población haitiana]. La gente está harta y cansada de que se estén gastando millones en ella, de observar como los muchachos se la pasan dando vueltas por todas partes dentro de tanques gigantescos y apuntándoles con los fusiles. Y es que, como sabes, esta es una fuerza cuya misión es la de someter al país” (4). Cabe esperar que los EEUU entrarían en conflicto con Brasil si la intención del primero es la de asumir un papel militar en Haití. El conflicto no tardó en producirse. En palabras del secretario general de la ONU, Ban Ki-moon, el 14 de enero, “sería absolutamente deseable que todas esas fuerzas estuvieran coordinadas por el comandante de la MINUSTAH allí” (3). Pero los EEUU no aceptaron esta propuesta. Funcionarios del gobierno de EEUU han indicado que sus fuerzas “coordinarán” sus acciones con la dirección de la MINUSTAH, y nada más: “Vamos a actuar bajo comando de los EEUU en apoyo a una misión de la ONU en nombre del gobierno y del pueblo haitiano”, declara Crowley (3). Como esa “coordinación” está funcionando se puede deducir de la reacción del ministro de defensa de Brasil, Nelson Jobim, criticando el control “unilateral” de EEUU sobre el aeropuerto de Puerto Príncipe, que según él se tomó sin que otros países fueran consultados, y que estaría entorpeciendo el aterrizaje de aviones de la FAB (Fuerza Aérea Brasileña) cargados de personal y mantenimientos (5). Como indica el diario brasileño Folha de São Paulo, esa situación “ha causado un pequeño problema diplomático entre Brasil y EEUU. Además de entorpecer el aterrizaje de los aviones de la FAB, los brasileños se quejan de que el control norteamericano habría impedido el acceso de la MINUSTAH (Misión de paz de la ONU en el Haití, liderada por brasileños) al local [el aeropuerto]” (5). A pesar de declaraciones posteriores de Hillary Clinton a Jobim, asegurando que “las fuerzas norteamericanas van a cumplir funciones esencialmente humanitarias, sin interferir en la seguridad pública del país” (6), el hecho es que tales funciones “humanitarias” estarán comandados “no por agencias civiles del gobierno… sino por el Pentágono” , a través de SOUTHCOM (Comando Sur de los Estados Unidos), cuya misión es la de “conducir operaciones militares y promocionar la cooperación en seguridad para lograr los objetivos estratégicos de los Estados Unidos”, como señala Michel Chossudovsky, del Global Research, (7). Otro elemento importante es la aparente instrumentalizació n de un supuesto estado de caos en Haití, al que también podría contribuir la quizás premeditada descoordinació n en la distribución de la ayuda humanitaria. El objetivo aquí sería el de crear una imagen de caos y violencia que justifique la invasión ante la opinión pública, y para eso hay que contar con la colaboración estrecha de los grandes medios de información. Al menos los medios más afines al gobierno norteamericano parecen no haber perdido tiempo en este sentido. Desde el primer momento han tratado de dramatizar la situación, por ejemplo a través de la difusión de rumores de ráfagas de supuestos tiroteos, que nadie más en Puerto Príncipe parece haber oído, o de la formación de nuevas bandas criminales. Así, ya un par de días después del terremoto podíamos leer, en un artículo intitulado “¿Tomarán las bandas criminales el control del caos haitiano?”, las siguientes ominosas palabras: “cuando la oscuridad cubrió la ciudad de Puerto Príncipe, asolada por el terremoto, moradores informaron que habían oído tiros. Eso difícilmente constituía una sorpresa: en Haití, durante las emergencias – naturales o políticas – tiros pueden ser tan omnipresentes por la noche como el ladrido de los perros, con bandas armadas adueñándose de las calles” (8). El hecho de que nadie parece haber oído esos tiros ni visto tales pandillas adueñándose de las calles, puede indicar que la intención aquí es la de crear una falsa imagen de caos que haga más aceptable para la opinión pública una eventual invasión y ocupación del país. La mayor parte de los medios machacan ahora con imágenes de caos y violencia. Pero hay excepciones. Así, como explica el coordinador del Canadian Haiti Action Network, Roger Annis, refiriéndose a un reportaje de la BBC que no muestra nada de esa supuesta violencia, este “contrasta fuertemente con las advertencias de saqueo y violencia que llena las ondas de canales de noticias tales como la CNN”, y que “están siendo reproducidas por el secretario de Defensa de EEUU Robert Gates” (9). Indagado por los medios acerca del motivo por el cual no se estaban lanzando provisiones desde el aire, Gates contesta que “me parece que lanzamientos desde el aire simplemente van a provocar disturbios”, que por lo visto Gates considera peor que la falta de provisiones. Lo más macabro de todo esto es que las ayudas podrían no estar llegando a los damnificados debido a una intención deliberada de provocar ese mismo estado de caos y violencia que parece no existir hasta el momento. Según Roger Annis “está creciendo la evidencia acerca de una negligencia monstruosa hacia el pueblo haitiano tras el catastrófico terremoto de 3 días atrás. A medida que provisiones médicas vitales, alimentos, substancias químicas para purificación del agua y vehículos se están amontonando en el aeropuerto de Puerto Príncipe, y que los medios están informando de un esfuerzo internacional masivo para suministrar ayuda de emergencia, los moradores de la ciudad destrozada se preguntan cuándo podrán ver algún tipo de ayuda” (9). El reportero de la BBC Andy Gallaguer declara también que anduvo por todas las partes de la capital durante el viernes, 15 de enero, y que “no observó nada más que cortesía de parte de los haitianos que encontró. En todas partes fue llevado por los moradores a ver lo que había sucedido en sus vecindarios, sus casas y sus vidas. Y entonces preguntaban: ¿dónde están las ayudas?” (9) A la declaración del secretario de defensa norteamericano que motivos de “seguridad” estarían impidiendo la distribución de ayuda, Gallaguer contesta que “yo no estoy viendo nada de eso” (9). Sobre la situación en el aeropuerto, informa que “hay una gran cantidad de material en el suelo y mucha gente allí. Yo no sé qué problemas hay con la entrega” (9). Igualmente, según palabras de un observador local, “los agentes de los medios están buscando historias de haitianos desesperados que estén actuando de forma histérica. Cuando en realidad lo más común es verlos actuar de forma sosegada, mientras que la comunidad internacional, la élite y los políticos están desquiciados con ese tema, y ninguno parece tener la mínima idea de lo que está pasando” (9) No solamente no hay planes de transportar a médicos cubanos a la isla, sino que la ocupación del aeropuerto se dio inmediatamente después de la llegada de 30 médicos cubanos para reunirse con los cerca de 300 que ya estaban en la isla desde hace más de un año. Y muchos sospechan que algo podría tener que ver con la ocupación del aeropuerto. Trinidad & Tobago Express, por ejemplo, informa que “una misión de ayuda emergencia de la Comunidad Caribeña [Caricom] a Haití, incluyendo a jefes de gobierno y funcionarios técnicos de relieve, no pudo obtener permiso este viernes para aterrizar en el aeropuerto de ese país devastado, ahora bajo control de los Estados Unidos.” Además, “indagado acerca de si las dificultades encontradas por la misión de Caricom podrían estar relacionadas con informes de que las autoridades norteamericanas no estarían ansiosas en facilitar el aterrizaje de naves procedentes de Cuba y Venezuela, el primer ministro Golding [de Jamaica] contestó que ‘solamente espero que no haya ninguna verdad en ese tipo de pensamiento inmaduro, a luz de la espantosa extensión de la tragedia de Haití’…” (10). El siguiente testimonio del director del Ciné Institute de Jacmel, David Belle, también contradice radicalmente la imagen de caos y violencia difundida por los medios. “Me han contado que muchos medios informativos norteamericanos pintan Haití como un polvorín a punto de explotar. Me han dicho que los reportajes principales de los grandes medios solo hablan de violencia y caos. Nada hay más lejos de la realidad… Ni una sola vez he sido testigo de un solo acto de agresión o violencia. Al contrario, hemos visto a vecinos ayudando a vecinos y amigos ayudando a amigos y extraños. Hemos visto a vecinos excavando en los escombros con las manos desnudas para encontrar a supervivientes. Hemos visto a curanderos tradicionales tratando a los heridos; hemos visto ceremonias solemnes ante entierros colectivos, y a moradores esperando pacientemente, bajo un sol abrasador, con nada más que unas pocas pertenencias que les quedaron. Una ciudad mutilada de dos millones de seres esperando ayuda, medicina, alimento y agua. La mayoría no ha recibido nada. Haití puede enorgullecerse de sus sobrevivientes. Su dignidad y decencia frente a esta tragedia son en sí mismas asombrosas”. (11) Todos esos elementos justifican la sospecha de que está en marcha una macabra estrategia del caos para justificar una invasión y ocupación que por lo visto nada tendrá de humanitaria". Notas: 1) “Pentagon defends response time of Haiti aid efforts”, Christian Science Monitor, 15 de enero de 2010. http://www.csmonito r.com/USA/ Military/ 2010/0115/ Pentagon- defends-response -time-of- Haiti-aid- efforts (sitio consultado el 16 de enero de 2010). 2) “Why is it taking so long for Pentagon aid to reach Haiti?”, Christian Science Monitor, 14 de enero de 2010. http://www.csmonito r.com/USA/ Military/ 2010/0114/ Why-is-it- taking-so- long-for- Pentagon- aid-to-reach- Haiti (sitio consultado el 16 de enero de 2010). 3) “Marines to aid Haitian earthquake relief. But who's in command?, Christian Science Monitor, 14 de enero de 2010. http://www.csmonito r.com/USA/ Military/ 2010/0114/ Marines-to- aid-Haitian- earthquake- relief.-But- who-s-in- command (sitio consultado el 16 de enero de 2010). 4) Kim Ives, transcripción de entrevista ofrecida a Democracy Now, 13 de enero de 2010. http://i3.democracy now.org/2010/ 1/13/haiti_ devastated_ by_largest_ earthquake_ in (sitio consultado el 16 de enero de 2010). 5) “EUA enviarão 10 mil soldados para Haiti; Brasil critica controle americano do aeroporto”, Folha de São Paulo, 16 de enero de 2010. http://www1. folha.uol. com.br/folha/ mundo/ult94u6802 43.shtml (sitio consultado el 16 de enero de 2010). 6) “Após tensão com EUA, cinco aviões da FAB com suprimentos e equipes chegam ao Haiti”, Folha de São Paulo, 16 de enero de 2010.. http://www1. folha.uol. com.br/folha/ mundo/ult94u6802 60.shtml (sitio consultado el 16 de enero de 2010). 7) Michail Chossudovsky, “The Militarization of Emergency Aid to Haiti: Is it a Humanitarian Operation or an Invasion?”, Global Research, 15 de enero de 2010. http://www.globalre search.ca/ index.php? context=va&aid=17000 (sitio consultado el 16 de enero de 2010). 8) “Will Criminal Gangs Take Control in Haiti's Chaos?”, Time, 14 de enero de 2010. http://www.time. com/time/ specials/ packages/ article/0, 28804,1953379_ 1953494_1953819, 00.html?cnn= yes&hpt=T2 (sitio consultado el 16 de enero de 2010). 9) Roger Annis, “Where is the aid in Haiti?”, 16 de enero de 2010. http://canadahaitia ction.ca/ ?p=1055 (sitio consultado el 16 de enero de 2010). 10)Robert Singh, “CARICOM BLOCKED... as US takes control of airport”, Trinidad & Tobago Express, 17 de enero de 2010. http://www.trinidad express.com/ index.pl/ article_news? id=161583443( sitio consultado el 17 de enero de 2010). 11) “El director del Ciné Institute de Jacmel, David Belle, informa desde Puerto Príncipe”, 17 de enero de 2010. http://www.cineinst itute.com/ news/2010/ 01/17/cine- institute- director- david-belle- reports-from- port-au-prince/ (sitio consultado el 17 de enero de 2010).

21 de jan de 2010

Madalena, o teatro das oprimidas

(Por Ney Motta). "O Centro de Teatro do Oprimido realiza no Brasil, Guiné-Bissau e Moçambique, países da África lusófona, de janeiro a maio de 2010, o Laboratório Madalena. Trata-se de uma experiência cênica voltada exclusivamente para mulheres empenhadas em investigar as especificidades das opressões enfrentadas pelas mulheres e em atuar para a criação de medidas efetivas que contribuam para a superação dessas opressões e para a igualdade dos gêneros. Sempre buscando inovação nos processos de trabalho e aprofundando as pesquisas sócio-culturais das opressões, o Centro de Teatro do Oprimido realiza no Brasil (Ceará e Rio de Janeiro), além de Guiné-Bissau e Moçambique, países da África lusófona, de janeiro a maio de 2010, o Laboratório Madalena. Trata-se de uma experiência cênica voltada exclusivamente para mulheres empenhadas em investigar as especificidades das opressões enfrentadas pelas mulheres e em atuar para a criação de medidas efetivas que contribuam para a superação dessas opressões e para a igualdade dos gêneros. Segundo a socióloga Bárbara Santos, a experiência busca percursos de expressões estéticas e narrativas a partir do corpo feminino, esse corpo que ao longo dos séculos permaneceu escondido, protegido e oprimido pelo corpo masculino e hoje parece protagonizar, como objeto e sujeito, a ribalta de nossa sociedade midiática. O corpo da mulher despido, exibido, sensual, trivial, reinventado, prostituído, espremido e despedaçado nos outdoors, nas páginas das revistas, nas passarelas da moda e do samba, é o melhor veículo para venda de qualquer produto. É no corpo feminino que se trava hoje, mais do que no masculino, o embate entre os hábitos ancestrais e a defesa dos direitos humanos fundamentais. Essa condição comporta ilusões, feridas, contradições e uma busca urgente de significados. O ponto de partida para o Laboratório Madalena ocorreu em dezembro de 2009 com duas oficinas no Rio de Janeiro, sendo uma delas composta por um grupo de trabalhadoras domésticas nordestinas. A partir de janeiro de 2010, pelo menos quatro laboratórios acontecem no Ceará, Rio de Janeiro, além de Guiné-Bissau e Moçambique, países da África lusófona. As produções artísticas resultantes desses laboratórios (peças, performances, esculturas, pinturas, instalações, poesias, músicas etc) circularão localmente, estimulando a discussão pública a respeito das opressões e violência contra o corpo da mulher, mesmo em tempos de revolução de hábitos e vivências e da emancipação da mulher em diversos contextos sociais. Vencedor do Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura, com patrocínio do Ministério da Cultura/Funarte e realização do Centro de Teatro do Oprimido em parceria com Alessandra Vannucci, diretora teatral italiana, premiada no Brasil com o Prêmio Shell 2006 por ‘A descoberta das Américas’ e na Itália com o Prêmio Arlecchino d’Oro 2007 por ‘Arlecchino all’inferno’, o Laboratório Madalena integra a residência artística da diretora no Projeto Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto. As experiências cênicas do ‘Laboratório Madalena’ estão sendo desenvolvidas por Alessandra Vannucci e Bárbara Santos, socióloga e curinga do Centro de Teatro do Oprimido, que possui larga experiência na formação de grupos populares no Brasil e na África, além de coordenar de programas de formação. A participação das mulheres segue por meio de uma convocatória pública distribuída e replicada, utilizando-se especialmente a internet. Para apresentar os primeiros resultados da pesquisa, no dia 28 de maio, no Largo da Lapa, Rio de Janeiro, acontecerá o evento Madalena ocupa a Lapa, com apresentação de peças, performances, poesias (Madalena Encena), esculturas, pinturas, instalações (Madalena Expõe), show musical comandado por mulheres (Madalena Canta) e lona de discussão sobre a situação da mulher na sociedade atual (Madalena Debate). A experiência está sendo registrada para o documentário Madalena e será publicada na Metaxis, a Revista do Centro de Teatro do Oprimido".

20 de jan de 2010

Espiral Negra: reconstruindo nosso ontem

"Os coletivos Sarau na Brasa, Sarau Elo da Corrente, Comunidade Cultural Quilombaque e Edições Toró apresentam um curso histórico na quebrada para a quebrada. Com estudiosos e pesquisadores da cultura africana, o curso Espiral Negra começa no próximo dia 30 de janeiro. Os encontros vão acontecer sempre aos sábados, das 14h às 17h. As inscrições podem ser feitas pelo site Edições Toró.Das 40 vagas abertas restam poucas disponíveis. Então corra e faça sua inscrição! Confira o cartaz acima com as informações de datas, horários e local. É imprescindível que os participantes assumam o compromisso de comparecer a todos os encontros".

19 de jan de 2010

Michael nas estações de trem paulistanas

"Uma exposição a céu aberto em homenagem a Michael Jackson pode ser vista a partir desta segunda-feira na cidade de São Paulo. Inspirada no documentário "This Is It", que será lançado na próxima quarta-feira (27) nos formatos DVD e Blu-Ray, a ação conta com pinturas feitas pelos artistas Bonga, Dingos, Mauro, Nossa, Graphis e Binho em cinco linhas da CPTM. As artes estão localizadas nas estações Pirituba, Carapicuíba, Osasco, Mooca e Brás e permanecerão por mais de dois meses nos locais".

18 de jan de 2010

"Somos Feias, mas estamos aqui"

(Por: Edwidge Danticatð). "Uma das primeiras pessoas assassinadas em nosso país foi uma rainha. Seu nome era Anacaona e ela era uma índia Arawak. Ela era poeta, dançarina e pintora, também. Ela governava a parte oeste de uma ilha tão exuberante e verde que os Arawaks a chamavam de Ayiti, terra de grandeza. Quando os espanhóis chegaram pelo mar à procura de ouro, Anacaona foi uma de suas primeiras vítimas. Ela foi estuprada e morta e sua aldeia foi saqueada. A terra de Anacaona é agora frequentemente chamada de o país mais pobre do hemisfério ocidental, um lugar de contínua conturbação política. Assim sendo, para alguns, é fácil esquecer que esta nação foi a primeira república negra, terra dos primeiros afrodescendentes a extirparem a escravidão e a criarem uma nação independente, em 1804. Eu nasci no Haiti durante o regime ditatorial de Duvalier. Quando eu tinha quatro anos, meus pais deixaram o Haiti à procura de uma vida melhor nos Estados Unidos. Eu tenho que admitir que a motivação deles era mais econômica que política, mas como sabem todos que conhecem o Haiti, economia e política estão intrinsecamente relacionadas; em geral, quem está no poder é quem determina se as pessoas terão ou não o que comer. Eu hoje tenho trinta e quatro anos e já vou vindo mais de dois terços da minha existência nos Estados Unidos. Minhas memórias mais vivas da infância no Haiti envolvem apagões repentinos, os "blakawouts", como dizíamos. Durante os blecautes, eu não tinha como ler, estudar, ou assistir televisão, então eu me sentava perto de uma vela ou de uma lamparina e ouvia histórias contadas pelos mais velhos da casa. Minha avó era uma senhora da roça que sempre se sentiu deslocada na capital, onde vivíamos. Ela não possuía nada além de suas colchas de retalhos e suas histórias para se consolar. Foi ela quem me contou sobre Anacaona. Eu dividia um quarto com ela, e eu estava no quarto com ela quando ela faleceu. Ela tinha mais de cem anos. Ela morreu com os olhos arregalados; fui eu quem os fechou. Ainda tenho saudades das incontáveis histórias que ela nos contava. Entretanto, não foi difícil aceitar sua morte, porque a morte estava sempre por perto. Quando menina, eu vivia indo a funerais. Meu tio e tutor era pastor da igreja Batista e esperava-se que sua família fosse a todos os funerais que ele presidisse. Eu fui a todos os funerais com o mesmo vestido de laço branco. Acho que é por ter ido a tantos funerais que eu tenho um forte sentimento de que a morte não é o fim, e que as pessoas que colocamos debaixo da terra estão indo embora viver em algum outro lugar. Mas ao mesmo tempo eu acredito que elas estarão sempre por perto nos protegendo e nos guiando em nossa jornada. Quando eu tinha oito anos, o cunhado do meu tio passou uma longa temporada trabalhando nos canaviais da Republica Dominicana. Ele voltou mortalmente adoentado. Lembro-me de sua esposa girando penas por dentro de suas narinas e esfregando pimenta do reino na parte superior de seus lábios para fazê-lo espirrar. Ela acreditava piamente que se ele espirrasse, ele sobreviveria. À noite, eu era eu a encarregada de observar o céu acima da casa em busca de vestígios de estrelas cadentes. Diz a sabedora haitiana rural que quando vemos uma estrela cadente é porque alguém vai morrer. Uma estrela caiu do céu e ele morreu. Lembro-me de na infância ver Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier e sua esposa, Michèle, passarem de Mercedes-Benz atirando dinheiro pela janela para as crianças paupérrimas de nosso bairro. As crianças quase se matavam tentado pegar uma moeda ou ver Baby Doc e Michèle. Em um Natal, deu no rádio que a Primeira Dama distribuiria brinquedos de graça no palácio. Meus primos e eu fomos para o palácio e fomos quase esmagados na multidão de crianças que inundou os jardins do palácio. Essas histórias e memórias reavivam umas questões que não me saem da cabeça. Qual é o meu lugar agora nisso tudo? Qual era o lugar de minha avó? Qual é o legado das filhas de Anacaona, das filhas do Haiti? Ao assistir aos telejornais, é sempre difícil dizer se existem mulheres reais vivas e respirando em lugares detonadas por conflitos como o Haiti. Os telejornais da noite só nos fornecem notícias breves sobre golpes presidenciais, imigrantes rejeitados, e sabotagens em eleições. As histórias das mulheres nunca conseguem chegar às primeiras páginas. Mas elas existem, sim. Ao longo dos anos, eu conheci mulheres que, quando os soldados chegavam em suas casas no Haiti, diziam aos filhos para ficarem deitados paralisados e se fazerem de mortos. Eu conheci uma mulher cuja irmã grávida foi baleada no estômago porque estava vestindo uma camiseta com uma "imagem antimilitar". Eu conheço uma mãe que foi presa e espancada por trabalhar com um grupo pró-democracia. O corpo dela é marcado pelas cicatrizes deixadas pelos cigarros enterrados pelos soldados em sua carne. À noite, essa mulher ainda sente o cheiro das cinzas das guimbas de cigarros que eram enfiadas, acesas, em suas narinas. Na mesma cela, essa mulher viu adidos paramilitares estuprarem sua filha de quatorze anos sob a mira de uma arma. Quando mãe e filha entraram em uma pequena embarcação rumo aos Estados Unidos, a mãe nem desconfiava que a filha estava grávida. Muito menos sabia que sua criança tinha sido infectada pelo vírus HIV contraído de um dos paramilitares que a estupraram. O fruto desse estupro, sua neta, recebeu o nome de Anacaona, como a rainha Arawak, porque essa família de mulheres é de Léogane, a mesma região em que Anacaona foi assassinada, a mesma região em que minha avó nasceu. A pequena Anacaona possui um rosto que não traz mais qualquer traço de sangue indígena, mas sua história ecoa alguns dos primeiros sanguinários incidentes em uma terra que os tem assistido excessivamente. Tem um ditado haitiano que talvez não agrade à sensibilidade estética de algumas mulheres. /Nou lèd, nou la/, que quer dizer /Somos feias, mas estamos aqui/. Assim como a modéstia característica da cultura rural haitiana, esse ditado é mais caro às mulheres pobres haitianas do que a manutenção da beleza, seja ela superficial ou não. Para mulheres como minha avó, o que vale à pena ser celebrado é o fato de que estamos aqui, que apesar de todas as adversidades, nós existimos. Para mulheres como minha avó, que cumprimentavam umas às outras com este ditado quando se cruzavam ao longo de um caminho de terra lá na roça, a essência da vida está na sobrevivência. É sempre bom lembrar às nossas irmãs que sobrevivemos a mais um dia para atender ao chamado de uma vida muitas vezes dolorosa e muito difícil. É neste espírito que até hoje uma mulher lembra-se de dar à sua filha o nome de Anacaona, um nome que ressoa tanto o esplendor quanto a agonia de um passado que assombra a tantas mulheres, e homens, hoje. Quando foram escravizadas, nossas antepassadas acreditavam que quando morressem seus espíritos retornariam à África. Mais especificamente, retornariam para uma terra pacífica, a qual chamamos de Ginen, habitada por deuses e deusas. As mulheres que vieram antes de mim eram mulheres que falavam metade de uma língua e metade de outra. Elas falavam o francês e o espanhol de seus colonizadores misturados às suas próprias línguas africanas. Essas mulheres pareciam estar falando em línguas estranhas quando rezavam para seus velhos deuses, os antigos espíritos africanos. Apesar de temerem não serem mais entendidas por suas antigas divindades, elas inventaram uma nova língua para descrever o local que passaram a habitar, uma língua da qual brotaram frases coloridas para atender a circunstâncias desesperadoras. Quando essas mulheres se cumprimentavam, elas se descobriam falando em códigos. -- Como vai você hoje, irmã? -- Eu sou feia, mas eu estou aqui. Hoje em dia, muitas das minhas irmãs se cumprimentam bem distante das terras onde aprenderam a falar em línguas estranhas. Muitas conseguiram chegar a outras partes, depois de viajarem milhas sem fim em alto mar, em precárias embarcações que quase lhes tiraram a vida. Em 29 de outubro de 2002, uma mulher, debilitada pela longa jornada no oceano, ao avistar terra firme teria se atirado na maré baixa. Outras pessoas a seguiram, inclusive meninas e meninos pequenos que preferiram correr o risco de quebrarem um braço ou uma perna a se separarem de seus pais. Estes são apenas alguns dos milhares que chegam às costas estadunidenses ao longo do ano, apenas para serem cercados, algemados, levados presos, e quase sempre devolvidos para o lugar de onde vieram. Há onze anos atrás uma mulher pulou no mar quando descobriu que sua bebezinha tinha morrido em seus braços em uma jornada que ela tinha esperanças que as levasse de encontro a um futuro melhor. Mãe e filha, foram para o fundo de um oceano que já contém milhões de almas da /middle passage/, o holocausto do comércio de escravos. O sacrifício da mulher levou muitos de nós às lágrimas, mesmo que o acontecido nos fizesse lembrar de um monte de sacrifícios outros, feitos no passado, em nome de todos nós, para que pudéssemos estar aqui. O passado está repleto de exemplos de nossas antepassadas mostrando tão profunda confiança no mar a ponto de saltarem de navios negreiros e se deixarem acolher pelas ondas. Elas acreditavam ser o mar o princípio e o fim de todas as coisas, o caminho para a liberdade e a passagem para o Ginen. Essas mulheres, mulheres como minha avó que me ensinou a história de Anacaona, a rainha, têm sido parte da construção do meu próprio ser desde que eu era uma menininha. Minha avó acreditava que se uma vida é perdida, uma outra vida brota em algum outro lugar, sendo essa nova vida ainda mais forte que a outra. Ela acreditava que uma pessoa não morre, realmente, desde que alguém se lembre dela, alguém que reconheça que esta pessoa, apesar de tudo, estava aqui. Nós somos parte de um círculo sem fim, somo as filhas de Anacaona. Nós envergamos mas não quebramos. Não somos atraentes, mas ainda assim resistimos. De vez em quando devemos gritar isso o mais distante que o vento puder levar nossas vozes. /Nou lèd, nou la!/ Somos feias, mas estamos aqui. E aqui para ficar". (Título original: “We Are Ugly, But We Are Here”, extraído da coletânea Women Writing Resistance: Essays on Latin America and the Caribbean (Cambridge, MA: South End Press, 2003, 23-27). Tradução de Kátia Costa Santos (krsantos@gmail.com ).

17 de jan de 2010

O Pentes no Arco-Íris, dia 21 de janeiro!

"O Núcleo de Mulheres do Grupo Arco-Íris (GAI) convida para o lançamento do mais novo livro de Cidinha da Silva, "Os nove pentes d'África", que marca a estreia de Cidinha na literatura infanto-juvenil. O Núcleo de Mulheres do GAI convida a todas as lésbicas, mulheres trans e a todas as pessoas que estejam no Rio de Janeiro neste verão a trazer suas crianças e adolescentes para conhecer a obra da escritora. Nesta obra, tradição e contemporaneidade tecem poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira. Os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e rituais cotidianos da narrativa. O livro cativa pela descrição minuciosa do universo das relações familiares, pela reverência à sabedoria dos mais velhos e à ancestralidade africana. A motivação criadora, segundo Cidinha da Silva, veio de casa, dos pequenos da família. Com um texto pautado pela emoção, em que a prosa a cada linha é pura poesia, a mais recente obra literária de Cidinha da Silva terá, com certeza, leitura disputada pelas pessoas adultas. A história construída em 56 páginas, com ilustração da atriz e artista plástica Iléa Ferraz, é lançamento da Mazza Edições, editora de Belo Horizonte, Minas Gerais". A publicação será apresentada na próxima quinta-feira, dia 21 de janeiro, na sede do Grupo Arco-Íris, a partir das 19h. Após a apresentação do livro, será servido um coquetel. O Grupo Arco-Íris fica na Rua do Senado, 230 – cobertura. Serviço O que é: Lançamento do livro de Cidinha da Silva: Os nove pentes d´África Quando: quinta-feira, dia 21 de janeiro de 2010 Horário: 19h Onde: Grupo Arco-Íris, Rua do Senado, 230 - cobertura

15 de jan de 2010

Quem é o cara?

(Por Ronald Augusto - poesia-pau.blogspot.com) "A motivação primeira de quem faz um curso ou oficina de criação textual é muito simples: o intuito é o de averiguar a real qualidade dos escritos que talvez há muito tempo o nosso iniciante venha fazendo em segredo e com certa vergonha, como se cagara, para lembrar a metáfora de João Cabral de Melo Neto. Esse ímpeto é mais poderoso do que, por exemplo, ampliar os conhecimentos sobre a arte da poesia. Enfim, a maioria quer saber se têm jeito pra coisa. Se o que escreve presta ou não. Infelizmente, não há resposta cabal para essa angústia. Primeiro porque, como afirma W. H. Auden, o percurso textual do verdadeiro artista denuncia um progressivo senso de dúvida. Isto é, quanto mais experiência ele adquire mais incerto o nosso herói se sente com relação à qualidade e ao alcance do seu trabalho. Mesmo a palavra do “ministrante” (expressão terrível), não será inteiramente de confiança. Muitos autores consagrados falharam na avaliação de sujeitos que iniciavam suas carreiras literárias. O mergulho no acervo da tradição e a rivalidade virtuosa que se estabelece entre os iguais potencializam o sentimento de incerteza em relação a nós mesmos e ao alheio. E, segundo, porque a prerrogativa de tal aferição, fica a cargo da recepção (o sistema literário, no nosso caso) e do tempo. A recepção às vezes é perversa. Há uma dialética um tanto tensa entre os interesses dos grupos envolvidos, as contingências históricas e o transcurso mais demorado do tempo onde as coisas se decantam. Dois exemplos relativos à difícil avaliação da qualidade de um trabalho artístico: Kafka e Arthur Bispo do Rosário. O primeiro pediu para que depois de morto seus papéis fossem queimados. Não foi atendido. O artista brasileiro, um indigente negro acolhido num manicômio, é guindado, contra a sua vontade, à categoria de criador de vanguarda; Bispo do Rosário dizia que seus mantos não eram arte, mas coisas sagradas cuja realização tinha a ver com uma missão divina. Ninguém deu a mínima. E muitos ganharam grana com as obras do sacerdote alienado. Quem estava com a razão"? (Foto: arthur bispo do rosário (1909 ou 1911-1989)

14 de jan de 2010

Recitação de passagem analisa obra poética de Edimilson de Almeida Pereira

“Quem não risca não sabe os rios da palavra, o labirinto de haver escrito sem estremecer.” Edimilson de Almeida Pereira, “Instrução do homem” (Por: Heloisa Toller Gomes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ). "A densidade da escrita de Edimilson pode ser apreendida de um chofre, como uma revelação que acomete e atordoa. Pode, por outro lado, representar uma duradoura iniciação, um cauteloso aprendizado, pois que a sua poética é desdobrável em camadas de significados múltiplos que se entregam discretamente - mineiramente, diríamos - no “canto cifrado”, na “estética de ponderação”, de “parcimônia poética”, bem apontados por Maria José Somerlate Barbosa. Tanto o impacto quanto a lenta iniciação, ludicamente intercalados ou concomitantes, representam uma experiência de leitura que marca indelevelmente quem o lê - a partir de dentro: “o pai me instruiu que é por dentro/ a ebulição da lava”, adverte o poeta (Caderno de retorno). É como testemunho de tal impacto, de tal iniciação, que o trabalho de Maria José se desenvolve, atentando às raízes afro-mineiras e da diáspora africana que alicerçam a obra (e não só a poética) de Edimilson; ao diálogo histórico e linguístico que ali relaciona as Américas, a África e a Europa; ao viés erudito da antropologia cultural e ao sabor do saber popular que a permeiam. Na verdade, pontua Maria José, “tanto o poeta quanto o antropólogo se nutrem do mesmo veio cultural e os dois bebem na fonte da linguagem, da tradição e da sabedoria popular”. (p.26) Ao percorrer meticulosamente a poesia de Edimilson, a autora deixa patente a dramaticidade que nesta se inscreve (“... preparo um livro de cortar”, o poeta previne o leitor, em “Instrução do homem pela poesia em seu rigoroso trabalho” - citado em epígrafe), acoplada a um fino senso de humor que pode evocar Drummond ou Bandeira. A tessitura poética da obra de Edimilson extrai sentidos escondidos nos “vãos das palavras” e “escava veios impregnados de matéria poética”, gerando um “significado sempre adiado no infinito jogo de significações”, observa Maria José, que chama a atenção para os “deslocamentos linguísticos e para a criação de metáforas inusitadas” que constroem essa poesia singular. Ao remeter a sua escrita a pensadores da contemporaneidade e a entrevistas com o próprio poeta, ao estabelecer pontos de contacto entre a obra de Edimilson e a de outros poetas e romancistas, brasileiros ou não, ela baliza e enriquece a teia interpretativa em que desenvolve a sua análise. Um dos achados do presente trabalho diz respeito à “ginga poética” de que se serve a autora para abordar os “textos bailarinos” de Edimilson, onde “as oposições são instáveis e reversíveis e os significados são capazes de subverter e desestabilizar hierarquias dominantes” (p.25). Como exemplo: o já mencionado livro-poema Caderno de retorno esboça um “retrato do Brasil às avessas”, redefinindo o país “das margens para o centro”, ela comenta, “examinando-o por meio de muitos discursos e ao som de várias línguas e vozes” (p. 130). Em suma: rejeitando quaisquer essencialismos, o universo poético de Edimilson de Almeida Pereira é capaz de estabelecer, na consciência da hibridez da (nossa) cultura, um “canto de desafio e um diálogo com as articulações sociais e culturais brasileiras e de outras partes do mundo” (p.118). “O sentido escorrega para as coisas que retemos e nos transformam em textos”, esclarece (e intriga) o poema em prosa “Iteques” de Edimilson -enfocado, entre tantos outros, por Maria José. Ao expandir com igual força e delicadeza o seu discurso crítico, Maria José Somerlate Barbosa entrelaça-o ao do poeta, em feliz e mutuamente esclarecedor diálogo que encoraja o intercâmbio do pensamento crítico com a poesia, da poesia com a crítica, ambos abarcando, em sua dinâmica, o leitor".

13 de jan de 2010

Ouvi Nilze Carvalho a cantar...

(O conde / Jair Amorim e Evaldo Gouveia). "Encontrei, hoje cedo no meu barracão/ Minha roupa de conde no chão/ Fantasias e plumas azuis, a rolar/ E achei, em pedaços bem junto à janela,/ O meu pinho quebrado por ela,/ Tal e qual, sucedeu na canção popular / Bem que eu quis, atrás dela sair e brigar / Mas depois eu pensei , é melhor / Ela ir de uma vez e eu ficar / Além do mais/ Sambista até morrer eu sou,/ E onde a minha escola for eu vou/ Amor a gente perde,/ A gente tem, amor que vem,/ Como é, que eu posso por ela trocar/ A emoção de ver Vilma dançar,/ Com o seu estandarte na mão / E ouvir,/ Todo o povo, meu povo aplaudir/ A minha escola a evoluir/ Minha ala comigo passar,/ Bem melhor do ela / É sair na Portela / E um samba de enredo no asfalto cantar ! La, iá, ... ... ... La, iá", ... ... ...

10 de jan de 2010

Axévier, contralamúria

(Por: Ronald Augusto) "Linguagem de perturbante experimentação, uma poesia de invenção como a de Arnaldo Xavier (1948-2004), pode ser examinada não só no que toca à estranheza da fissura aberta por ela em partes ou no corpus de determinado sistema literário. Vale dizer, dentro de um traçado de rupturas inaugurado pelo alto modernismo e que, desde então, parece ter se constituído no cânone da contemporaneidade, o que Arnaldo Xavier injeta de novo em tal corrente sangüínea? Temos aí, um ponto. Por outro lado, este exame nos permite compreender também um pouco do caráter e das imposturas desse sistema mesmo que, desde sua condição normativa e dogmática, manteve ou mantém, com relação às transnegressões de Arnaldo, uma atitude, no mínimo, defensiva. Portanto, sem receio, sem fazer favor a ninguém e satisfeito por não ser confundido com os medíocres beletristas com lugar garantido em antologias temáticas: “todos [estes que] a tudo o seu logo acham sal” (Sá de Miranda), Arnaldo Xavier desbordou do molde para o qual parecia talhado. Para desgosto do poeta e estudioso da literatura negra, Oswaldo de Camargo, Arnaldo não se inseriu “claro e negro” no continuum daqueles criadores que lograram “falar negro-poeticamente”. Arnaldo não aceitou a idéia de que a contrapartida aos esforços criativos de suas fabricanções, seria assumir  em atenção à expectativa de alguns dos seus leitores e antes que fosse tarde  um posto de honra nesta sorte de linha sucessória. Na economia da visada diacrônica, não há uma próxima chance, nem uma segunda escolha. Xavier teria um lugar assegurado ao lado de, por exemplo, Solano Trindade, Adão Ventura, Oliveira Silveira, Cuti e Éle Semog, seus companheiros naturais no âmbito adequado. Entretanto, o poeta “pede vistas” críticas ao que parecia ser o coerente passo-a-seguir do seu percurso textual. E questiona a falsa dicotomia incrustada nas opções que se lhe apresentam virtualmente, ou seja: 1) entrar na idade do bom senso como mais um poeta negro afirmativo; ou 2) ficar condenado à incomunicação, haja vista a aporia sugerida pelos grafismos e signos que escolhera como forma de linguagem. Não tanto pela companhia, Arnaldo Xavier declina do convite-invectiva feito por Oswaldo. O fato é que sua linguagem, já francamente experimental desde os primeiros anos da década de 1970, pressupõe o poema como uma fatura sígnica cuja existência não pode se justificar apenas para servir às necessidades de certas interpretações, por mais bem intencionadas que elas sejam. A impressão de “pura curiosidade” e de fracasso comunicativo que Rosa da Recvsa (1978), um dos seus primeiros livros, desperta em Oswaldo de Camargo  o crítico e entusiasta, par excellence, de uma literatura negra, competente, mas convencional, inserida no panorama antológico das letras brasileiras , resume algo sobre o tipo de recepção que acabou prevalecendo entre os detratores de Arnaldo Xavier. Mas, não havia apenas os imperitos inimigos se pronunciando a respeito. Muita gente admirava ou admira, propõe leituras novas e divulga a poesia do transnegressor. De outra parte, Arnaldo nunca fez questão de defensores. Aliás, ele não se defendia. Pelo contrário, mais atacava do que qualquer outra coisa. Arnaldo pautou criativamente os seus críticos retranqueiros. Os opositores é que se viam obrigados a tomar uma posição frente às intervenções sincrônico-valorativas do autor de LudLud (1997). Arnaldo Xavier inventou os seus detratores. A bem da verdade, dir-se-ia que jamais existiram, tão grande era a mediocridade com que se espojavam, mas a arena formada sobre o ideário estético e étnico-político de Arnaldo Xavier, engendrou um ambiente e este ambiente – como disse Ezra Pound a propósito dos diluidores da sua época – é que conferiu a eles uma existência. Ainda que volátil. A bossafro da poesia verbal e não-verbal de Arnaldo Xavier questiona, às gargalhadas, a dimensão estrita e estreita da poesia dos seus pares, onde se pode verificar a tolerância pós-moderna a limitar-se com o politicamente correto, fusão que, ao fim e ao cabo, resulta em puritanismo de fast thinkers. Arnaldo, intelectual e militante negro (em sentido forte), isto é, avesso a qualquer tipo de afundamentalismo, não professava a profissão do líder galvanizador (1). Uma figura possível para o paraibano Axévier é a do autor cuja obra e reflexões críticas estão tensamente imbricadas no debate referente aos dilemas de uma vertente negra na literatura brasileira. Mas o odi et amo de Arnaldo Xavier com relação a esta questão, se define mais por uma atitude problematizadora e metalingüística do que por uma afirmação concludente e, de resto, interessada em legitimar tópicos identitários por meio de uma prática literária entendida como testemunho de verdade étnica. Para Arnaldo, literatura negra é um debate que não deve ser lacrado, assim, às pressas. Exceto, talvez, do ponto de vista acadêmico, é algo que não tem de ser resolvido. Um poema de verdade não admite solução. Consciência de linguagem requer um severo sentido de auto-ironia. Arnaldo era radical, um poeta radical. Identificava, a um só tempo, questões de forma e de fundo. Feito Yeats, não separava o dançarino da dança. O gesto radical se projeta sobre a linguagem. Não há linguagem desprovida de pensamento. E o pensamento instala o mundo entre parênteses justamente para melhor pensá-lo. A poesia de Arnaldo Xavier é a transnegressão dos limites representacionais da linguagem, fronteira exusíaca entre mundo e signo. Ao propor novas expressões negras, numa espécie de transe intertextual onde colaboram tanto a logopéia de Muniz Sodré, quanto a fanopéia de Spike Lee, Arnaldo propõe, em fim de contas, novos e vastos pensamentos sem fios. Com efeito, sua poética repercute no seu pensamento conferindo-lhe um viés experimental, inoportuno e negativo. Algo vivo. Axévier era o dissenso via intersemiose, o desarraigamento de si, o solapar das evidências ferreamente construídas sobre retóricas da identidade, não raro erísticas, e, por sua vez, pavimentadas por tensões históricas retidas num pano de fundo utópico. Arnaldo torceu o gasnete à eloqüência pictórica do conteúdo, suas palavras exorbitaram iconicamente o contorno dos sintagmas, viraram desenhos sintéticos do seu pensamento-arte". (1) Arnaldo pensou as questões étnico-raciais na margem oposta da circunspecção acadêmico-soliológica. Publicou a quatro mãos com o cartunista Maurício Pestana, um livro ironicamente intitulado de Manual de sobrevivência do negro no Brasil. Humor (de) negro, sem preâmbulo. Nesta obra, Arnaldo e Pestana podem perder o companheiro negro “identificado com a causa” ou o branco solidário, mas não perdem o trocadilho verbivisual nem a caricatura impiedosa que põem em causa algumas ideias-feitas consagradas pelo debate intramuros. Nenhum outro “militante da literatura negra brasileira” produziu um livro tão interessante e vivo quanto o Manual. -------------------------------------------------------------------------------- Ronald Augusto nasceu em Rio Grande (RS) a 04 de agosto de 1961. Poeta, músico, letrista e crítico de poesia. É autor de, entre outros, Homem ao Rubro (1983), Puya (1987), Kânhamo (1987), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004) e No Assoalho Duro (2007). Despacha no blog poesia-pau. TUDA - pap.el el.etrônico Em associação com Casa Pyndahýba Editora -------------------------------------------------------------------------------- Ano II Número 13 - Janeiro 2010 --------------------------------------------------------------------------------

8 de jan de 2010

Os Ibejis e o carnaval

Em "Os Ibejis e o carnaval", uma avó conta para os netos histórias de personagens tradicionais do carnaval brasileiro, como o mestre-sala e a porta-bandeira. A autora, Helena Theodoro, reconhecida pesquisadora e ativista da luta contra o racismo, esbarra no delicado equilíbrio entre preocupações educacionais e construção de um texto literário, querela enfrentada pela maioria dos autores e autoras da chamada literatura infanto-juvenil. Por muito pouco, a perda da ludicidade, poesia e beleza transforma intenções de educar em textos didáticos e escapa das mãos a pegada literária de um texto. O Ibejis não está alheio a essas contradições, ou talvez seja a minha mirada insistente em procurar literatura nos livros dirigidos a crianças e adolescentes que o coloque neste lugar. As ilustrações são muito bonitas, o traço é leve e criativo e o jogo de cores é realmente encantador. Há também um " rico glossário" definido na quarta capa, "pelo qual o leitor mirim poderá saber mais sobre uma das mais bonitas e famosas festas brasileiras".

Walter Firmo em Salvador

7 de jan de 2010

Contos marroquinos modernos

"Trata-se de uma antologia de contos marroquinos, selecionados pela União dos Escritores Marroquinos e traduzidos, diretamente do árabe, por professores do Setor de Estudos Árabes da Faculdade de Letras da UFRJ. A maioria dos textos aborda questões bem particulares do cotidiano marroquino e denuncia, de forma alegórica e surrealista, problemas crônicos da sociedade local". Comprei o livro, folheei, mas não fiquei seduzida. Espero modificar minha opinião ao lê-lo.

Desafio internacional de basquete de rua, em Madureira

6 de jan de 2010

Sarau da Cooperifa no Sesc Pompéia, em São Paulo

(Texto de divulgação). "Obras literárias escritas e publicadas à margem do corredor editorial, fora dos cânones acadêmicos, produzidas por autores provenientes de grupos sociais marginalizados ou que tematizam peculiaridades do cotidiano de bairros periféricos marcam o emblema de “marginal” estampado junto às produções literárias da periferia. A ideia é subverter padrões de qualidade, ordem e bom gosto vigentes, desligando-se das produções intelectualizadas e acadêmicas. Nesse Trovas e Canções de janeiro convidamos figuras de destaque desse tipo de produção literária, pessoas que desde muito cedo perceberam a literatura como uma forma de objeção a uma realidade que se apresenta como imposta. Com Sérgio Vaz, poetas da Cooperifa, grupo Versão Popular, Wesley Noog, Brown Mendonça e Fino".

5 de jan de 2010

Leituras recentes

Leio três livros concomitantemente, coisa rara. Gosto de ler um livro por vez. Ocorre que as obras em tela não são ficcionais, então a mistura é possível: o primeiro é “Editores independentes: da idade da razão à ofensiva”, texto do francês Gilles Colleu, publicação da LIBRE – Liga Brasileira de Editores. Trata-se de uma publicação analítica do mercado editorial francês, notadamente do que eles chamam por lá de pequenas e médias editoras. Categorizadas em cinco tipos. Mesmo com muito empenho,não consegui enquadrar a pequena editora pela qual publico, a Mazza Edições, em nenhum dos modelos. As nossas médias (e robustas) são as pequenas deles. Mas é um trabalho interessante, me faz pensar sobre as alianças possíveis entre escritoras(es) e editoras, bem como fortalece a percepção do(a) escritor(a) como o elo mais desprotegido da corrente editorial. A segunda leitura é “O pai dos burros – dicionário de lugares comuns e frases feitas”, do Humberto Werneck, editora Arquipélago. Deveria ser um livro para consulta, mas é dinâmico e divertido, então resolvi lê-lo por inteiro e ligar o pisca-alerta para incorrer o mínimo possível nas frases feitas e lugares comuns. A terceira é uma edição da Paris Review sobre o tema “Escritoras e a arte da escrita”. Dezesseis escritoras, algumas mundialmente reconhecidas, outras reconhecidas no mundo anglo-saxão falam sobre os respectivos processos criativos e obras, dentre elas, Toni Morrison, Maya Angelou e Elizabeth Bishop. As conversas foram realizadas nos anos 60 e 70, têm portanto, uma marca temporal digna de nota. Li diversos livros sobre os quais pretendo tecer comentários mais detidos, entretanto, esperarão mais um pouco, a saber: “Diga que você é um deles”, do nigeriano Uwem Akpan”; “Jaime Bunda, agente secreto” e “As aventuras de Ngunga”, de Pepetela; “Muito longe de casa – memórias de um menino-soldado”, de Ismael Beah, jovem escritor de Serra Leoa; “Cidade de Deus”, de Paulo Lins e “Amkoullel, o menino fula”, do malinense Amadou Hampâté Bâ. Li outros, sobre os quais falo rapidamente: “Terra sonâmbula”, primeiro romance de Mia Couto. Gosto muito das imagens, das construções semânticas, do jeito de brincar com a língua, plenamente dominado pelos bons autores africanos. Li “Minha vida querida”, contos do tradicionalista Malba Tahan. O universo ficcional árabe me fascina, aquelas imagens tão distantes do meu repertório imagético, os sabores trazidos pela palavra e também as contradições, às quais não estou alheia. Li “Tempo de migrar para o norte”, de um escritor sudanês contemporâneo, falecido recentemente, Tayeb Salih. Milton Hatoun na apresentação da obra afirma que “o romance é denso e evocativo”, por meio de “lances da lírica árabe, narra as viagens e visões de Mustafá Said , dilacerado entre dois continentes. Trata-se de uma complexa sondagem da alma humana, que é também uma reflexão sobre o colonialismo britânico na África e uma crítica implacável aos governantes do Sudão pós-colonial”. Eu adicionaria que é também um terrível retrato da opressão da mulher do ponto de vista (não menos terrível) do homem. Li também “Por acaso”, da escritora irlandesa Ali Smith. A autora havia me seduzido quando a ouvi falar sobre coisas diversas e realizar leitura de trechos do livro, diálogos, creio. É este, justamente, seu loccus maior de força. Ali é magistral e pujante na construção dos diálogos, mas no restante do livro fiquei entediada. Para terminar a leitura transformei-a numa abordagem de estudo e como tal, voltarei a ela, pois há muito a aprender. Li, por fim, uma seqüência de três best sellers (sim, eu os leio quando me interessam): “A menina que roubava livros”, presente de um casal de amigos; “A cidade do sol”, romance fascinante de Khaled Hosseini, autor de “O caçador de pipas” que também li. Este último, é mesmo o primeiro romance, com os acidentes de percurso da primeira obra: uns poucos trechos sem consistência, buracos na trama, presença de personagens desarticulados e sem densidade, mesmo considerando seu papel de apoio. O maior exemplo é o misterioso barbudo que surge no hospital, um provável informante do Talibã, a observar, insistentemente, o protagonista Amir, totalmente imobilizado numa cama por um rompimento de baço, dentre outras seqüelas de um espancamento. Talvez a intenção da personagem naquela cena fosse ratificar o clima de terror e perseguição que se instala na mente das vítimas de qualquer regime ditatorial. Por outro lado, ele poderia não ser um informante do Talibã, talvez fosse mais uma pessoa enlouquecida pelo próprio Talibã. Poderia ser uma projeção mental dos delírios de dor de Amir... entretanto, a forma textual pela qual o barbudo aparece e desaparece não dá liga, não tem costura. Cidade do Sol, por sua vez, é muitíssimo bem construído, só desliza no final quando Hosseini, um médico-escritor, traveste-se de jornalista, talvez imaginando assim, dar mais veracidade à situação de opressão da mulher no Oriente Médio. O texto literário transforma-se então em texto jornalístico nas páginas finais e empobrece o livro, a despeito da justeza da causa. Para os primeiros três ou quatro meses de 2010, uma lista imensa de leituras me aguarda, a ordem será dada pelo desejo ou pela necessidade de um texto: três escritoras negras me espreitam há tempos – Simone Schawarz-Bart e Marize Condé, ambas de Guadalupe, além de Alice Walker e uma escritora de Camarões, recentemente publicada no Brasil, Léonora Miano, com o seu “Contornos do dia que vem vindo”. Um livro de Wole Soyinca me aguarda há anos, “Os intérpretes”, e “Rio, Rio”, de Muniz Sodré, também. “A louca da casa”, da espanhola Rosa Montero pede outra leitura e a “Poesia reunida de Orides Fontela”, uma leitura nova. Assim também, “A poesia completa de João Cabral”, a “Prosa seleta de Drummond” e “O Eu profundo e os outros eus” de Pessoa. Há também a “Morfologia do conto maravilhoso”, sobre a estrutura do conto tradicional russo e “As melhores histórias da mitologia africana”, publicação da Artes e Ofícios.

2 de jan de 2010

DC relançará Super-Homem Versus Muhammad Ali

(Por Edu Almeida, do UOL). "O quê? Super-Homem lutando contra Muhammad Ali? Ah, não força, vai. Sim, amigos, vocês podem achar que é brincadeira, mas não é. O Homem de Aço irá enfrentar Ali, um dos maiores boxeadores de todos os tempos. Bem, isso, na verdade, já aconteceu há muito tempo. Em 1978 para ser mais preciso (e 1979 no Brasil). Os dois se encontraram numa HQ especial com roteiro de Dennis O’Neill e com desenhos de Neal Adams. Ou seja, um clássico total que leitores mais antigos já conhecem. A novidade aqui é que a DC Comics vai relançar esta edição em dois formatos. Um deles será uma versão em tamanho tabloide (como no original) luxuosa com capa dura, uma seção de rascunhos ampliada, mais conteúdo e uma nova capa feita por Adams. O segundo formato também tem capa dura e é exatamente igual ao gibi que saiu lá nos anos 70. A história mostra uma invasão alienígena que, para mostrar todo o seu potencial destruidor, decide enfrentar o maior guerreiro da Terra. Assim, para decidir que é o maioral, Super-Homem e Ali sobem ao ringue para fazer o tira-teima. Sim, coisas dos anos 70. As novas versões da HQ chegam às lojas dos EUA no segundo trimestre de 2010. Com alguma sorte deve também ser lançada por aqui via Panini Comics".

1 de jan de 2010

Saúde e Amor!

Deram um som ruim para o meu poeta, Arlindo Cruz do Firmamento Real. Sem conseguir ouvir bem (não entendi porque os jornais do dia seguinte disseram que o espetáculo fora impecável), fui embora de Copa na quarta música, tendo ouvido apenas o refrão da princesa do meu panteão Arlindiano: "O que é o amor". A rainha ficou para a próxima, "Meu Lugar". "Se perguntar o que é o amor pra mim/ Não sei responder/ Não sei explicar/ Mas sei que o amor nasceu dentro de mim/ Me fez renascer, me fez despertar/ Me disseram uma vez que o danado do amor pode ser fatal/ Dor sem ter remédio pra curar/ Me disseram também/ Que o amor faz o bem/ E que vence o mal/ Até hoje ninguém conseguiu definir o que é o amor/ Quando a gente ama, brilha mais que o sol/ É muita luz, é emoção/ O amor/ Quando a gente ama, é o clarão do luar/ Que vem abençoar/ O nosso amor"