Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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31 de mar de 2010

À Cidinha, o pente do Griô

*Por Emerson Inácio

"O grande desafio de todo autor que escreve literatura para crianças e jovens é não tornar esse texto nem infantil demais, no sentido negativo assumido por esta palavra, e nem didático em excesso. No caso de “Os nove pentes d´África”, felizmente, não vemos nem um nem outro caso. Aliás, os vemos, sim, mas revestidos de uma outra dinâmica capaz de torná-los, pela mão de Cidinha da Silva, definitivamente valiosos, uma vez que esvaziados como andam, podem muitas vezes indicar “mais um texto chato dedicado a ensinar alguma coisa relevante a um público pouco interessado” ou com o objetivo de ocupar o lugar dos pais na construção da cidadania e da identidade de seus filhos.

Ao contrário, o livro mostra que é na roda do mundo, na roda do mundo grande de Oxalá é que se aprende, se apreende e se faz do exemplo afetos guardados para sempre. Só nesse círculo-mundo é que sentimos a vida e nos deixamos invadir e dominar pela eterna palavra. De infantil e didático – lugares hoje tão comuns – a história que Barbinha narra, nada tem. Pelo contrário, como um texto que se constrói pela experiência, ele me parece ter nascido de uma clara vida vivida que por si só já se constitui como exemplo e reclama, como é a tarefa de todo mais velho contador de história, de toda mãe e pai de santo, não necessariamente ensinar, mas ajudar a vida e o mundo a fazerem sentido, para que este não perca a sua ordem natural dos homens e mulheres e para que se constitua a circularidade da existência e a permanência da memória. E nesse sentido, “Os nove pentes” cumpre bem a sua tarefa, que é a de demonstrar que as histórias contadas, quando vividas, continuam na vida do outro também, a quem cabe dar continuidade ao barco inacabado do Francisco Xangô Ayrá, seja pela outra arte do Zazinho, seja pela leitura gostosa e afetiva que fazemos desse livro. Talvez, seja tudo mesmo uma questão de saber tanger as palavras, resgatando o seu poder encantatório, sua força perdida, seu poder emancipatório. E isso, me parece, Cidinha da Silva traz na memória da pele, o que já foi muito bem demonstrado em Cada Tridente em seu lugar e Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor!. Aí, nesse caso, ser infantil e didática passa ser um valor inerente à obra e não um quase-prejuízo ao leitor. Pelo contrário, o que se enfatiza nesses pentes que penteiam os cabelos da vida, é essa força que nos mitos africanos faz com que sejamos todos uma pequena parte do grande todo. E, no caso, a história infantil – o missosso revisitado de Cidinha – não vira fábula com moral no final, mas resgata em nós uma memória perdida, distanciada, que precisa viver novamente e ganhar no hoje um novo significado.

 A dedicação de Cidinha da Silva a este livro, que eu, como leitor apenas, comento aqui, acaba por produzir uma obra de arte efetivamente engajada, no sentido adorniano do termo. Ou seja, “Os noves pentes” é tão acercado pela experiência política da autora que este dado se demonstra não como algo que nos salta aos olhos, mas como parte inerentemente íntima dessa história. E no caso de ser uma obra dedicada ao publico infanto-juvenil, esse dado se demonstra como uma associação valiosa entre a enunciação de um discurso étnico-racial e a necessidade premente de tornar o homem e a mulher negros sujeito e objeto da sua própria narrativa.

Assim, o livro cumpre a tarefa, cidadã, de dar a conhecer a este público em específico às questões mais candentes da atualidade, em tempos de presidentes, desembargadores e protagonistas de novela negros. Principalmente por que demonstra que a questão étnico-racial no Brasil precisa ser assumida como um dado inerente à identidade da maioria dos cidadãos desse país, em maior ou menor grau descendentes dos que vieram de África e, não necessariamente, pela via romântica e pelo esvaziamento com que certas questões vem sendo tratadas. Em outras palavras: a constituição da identidade do negro no Brasil atual precisa necessariamente passar pelo reconhecimento de sua memória, de sua arte, de suas tradições específicas, de sua forma de viver e pela história de seu corpo.

 Para o público a que se dedica e não só, este texto fundado na experiência de mulher negra que Cidinha da Silva representa, é um efetivo exemplo do que hoje podemos chamar de uma literatura afrodescendente, cuja história, começada há 150 anos por Luis Gama e Maria Firmina dos Reis, Solano, Oliveira Silveira, Cuti, Miriam Alves, passa pelos Cadernos Negros e hoje desemboca nesses pentes. Daí que esta maka, novela, missosso, romance, conto, ou numa palavra, história da vida seja toda ela tecida não só pela mão da autora, mas por todas as mãos negras que escreveram antes dela e que nela continuam a escrever. “Daí, será necessário começar tudo outra vez.” “Tudo, tudinho, mestra?” “tudo, tudinho, minha menina.” E essa literatura negronascida é isso mesmo: um jeito de começar a escrever esse cânone literário pelo lado de fora, no esforço de tecer fios, encaixar as missangas, trançar os cabelos, descobrir a cor, os tons e entretons do arco-íris, atar no Brasil o fio perdido da história africana, esticado até aqui. E mais: é a palavra literária que extravasa do corpo negro dessa mulher, pela mão que escreve a experiência, que vivifica a história, marcada pela nossa História de povo negro, marginal e silenciado, que pela letra de Cidinha e dos mais velhos que nela escrevem, pelos noves pentes, se desubalterniza. Nossa abolição se celebra também agora, quando plenamente nos vemos representados na sua fala, sujeitos não só da nossa história, como de nossa representação na arte e na literatura.

 A propósito: meu primeiro contato com Cidinha, há um pouco mais de um ano atrás, na FLAP, foi entrecortado por mim, por uma frase bombástica: “Não é o fato de ser negra, lésbica, pobre e morar na rua de trás que faz de uma autora uma grande autora”. Frase esta seguida pelo seu olhar, prescrutador e indagativo. Hoje me auto-ironizo e declaro: Enganei-me, felizmente!"

* Emerson é professor de Literatura na Universidade de São Paulo - USP).
Texto publicado originalmente em março de 2010.

29 de mar de 2010

Mil postagens no blogue!

O texto "Um comentário a caminho para Os nove pentes d'África", do amigo-poeta Ronald Augusto, sobre o Pentes, foi a milésima postagem do blogue. Comemoro o número e seu significado, mas confesso que a possibilidade de desistir do blogue tem rondado minha cabeça. O motivo é simples, às vezes me sinto muito frustrada por não ter tempo para escrever as matérias que gostaria. Queria ler no meu quintal virtual mais textos autorais, mas está cada dia mais difícil produzi-los. Entretanto, mudo o rumo dos pensamentos quando recebo e-mails como o da garota que mora ao lado do local de realização do sarau Elo da Corrente e não sabia da existência dele. Soube aqui no blogue e declarou que passará a freqüentá-lo. Há também os e-mails das pessoas que se beneficiam das indicações de livros feitas aqui. E tantos outros de anuência, de agradecimento, muitas vezes escritos diretamente para o meu endereço eletrônico. Por enquanto vou tocando o barco, pelo menos até chegar às cem mil visitas, não falta muito.

Mãe Beata de Iemonjá vai ganhar biografia

(Deu em O Globo). "Haroldo Costa, o produtor, diretor, ator, escritor e batalhador da cultura brasileira, prepara uma biografia de Mãe Beata de Iemanjá, a badalada ialorixá do Rio, para a Editora Garamond. Sai ainda este ano pela coleção Personalidades Negras, avisa Ancelmo Gois".

28 de mar de 2010

O belo Besouro Cordão-de-Ouro em cartaz no Rio de Janeiro

I M P E R D Í V E L! R E E S T R É I A - 05 / 03 / 2010 - 6ª feira D E V O L T A A O R I O D E J A N E I R O BESOURO CORDÃO-DE-OURO P R E M I O S H E L L 2006 - M Ú S I C A E D I R E Ç Â O M U S I C A L TEXTO E MÚSICA - Paulo César Pinheiro. DIREÇÃO - João das Neves. DIREÇÃO MUSICAL - Luciana Rabello. COM: Ana Paula Black / Alan Rocha / Cridemar Aquino Iléa Ferraz / Letícia Soares / Marcelo Capobiango Maurício Tizumba / Raphael Sil / Sérgio Pererê Valéria Monã / Victor Alvim "Lobisomem" William de Paula / Wilson Rabelo. TEMPORADA 2010: 05 de março a 25 de abril / 6ª a domingo - às 20h. SESC TIJUCA Rua Barão de Mesquita, 539 - Tijuca Tel.: 21-3238-2100

26 de mar de 2010

Quem é de Axé diz que é, no Censo 2010

(Texto de divulgação). "No dia 22 de março foi lançada a Campanha Nacional “Quem é de Axé diz que é”. O evento foi realizado no Teatro Gláucio Gil, localizado na Praça Cardeal Arco Verde, s/n, em Copacabana, Rio de Janeiro. A Campanha “Quem é de Axé diz que é” tem como objetivo a auto-identificação dos adeptos das religiões de matriz africana para o Censo de 2010, corrigindo os números divulgados no último censo 2000, no qual os indicadores apontam uma queda abrupta com relação à população de Umbanda e Candomblé. Os dados do último censo mostram que apenas 0,3% da população brasileira se identificam como sendo de religião Afro-brasileira, como mostram os números abaixo: INDICADORES DO CENSO 2000: Católicos: 73,7%; Evangélicos: 15,4%; Espíritas: 1,4%; Afro-brasileiros: 0,3%; Outras religiões: 1,8%; Sem religião: 7,3%. A campanha tem a promoção do Coletivo de Entidades Negras e conta com o apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - Seppir e da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, através da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos. Houve também a cerimônia de assinatura de Convênio para a criação do Centro de Referência de Enfrentamento à Intolerância Religiosa e a Promoção dos Direitos Humanos e de termo de compromisso para apoio a projeto de catalogação de peças religiosas afro-brasileiras, seqüestradas nas décadas de 30 e 40 e durante a ditadura militar". Informações sobre a Campanha: http://religiaoafro.ning.com/ Veja o vídeo de divulgação da Campanha “Quem é de Axé diz que é” feito pelo Centro de Integração da Cultura Afro-Brasileira - Ciafro: http://www.youtube.com/watch?v=cIfrTb7Z6io&feature=player_embedded

25 de mar de 2010

Os Crespos trazem Carolina Maria de Jesus para os palcos do Rio

(Texto de divulgação). "Chega ao Rio de Janeiro a peça “Ensaio sobre Carolina”, da Cia. Teatral Os Crespos. O texto aborda questões como fome, miséria, preconceito e relações raciais, criado a partir do “Quarto de Despejo”, da escritora negra Carolina Maria de Jesus. A Cia. Teatral Os Crespos surgiu, em 2.005, nas dependências da mais tradicional escola de interpretação, a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), em atividade desde 1948. Era um grupo de alunos-atores negros dentro de uma instituição com modelo elitista e desconectada da realidade étnico-racial do país. A montagem, sob a direção de José Fernando de Azevedo – especialmente convidado pelo grupo -, utiliza a dança, o canto e o corpo como linguagem. A Cia surgiu na EAD (Escola de Arte Dramática da USP), numa turma de alunos onde cinco integrantes eram negros. Houve uma organização desses alunos, que tinham em comum a vontade de discutir a sua formação e como foco estudar a história do negro nas artes cênicas no Brasil, numa instituição em que essa discussão não existia.O elenco é todo formando por negr@s desde o diretor até o iluminador O Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, pareceu um bom ponto de partida para trazer à cena questões que, na história, são apresentadas através da fala de uma negra favelada: o olhar e o discurso da catadora de papel sobre sua realidade e o convívio na sociedade brasileira. Para o grupo, Ensaio Sobre Carolina “é o discurso de atores negros sobre os vestígios dos dias na vida das Carolinas na cidade”. Temporada: 6 de março à 25 de abril. Local: Espaço 1 Teatro do Anônimo- Fundição Progresso Rua dos Arcos, 24 -Lapa. Informações: 2524-0930 /2240-2478. Sábados às 20h Domingos às 19h Valor : R$ 10,00 Elenco – Cia. Teatral Os Crespos (Gal Quaresma, Lucélia Sérgio, Mawusi Tulani, Sidney Santiago e Tairone Porto)

24 de mar de 2010

"QG da periferia no centro da cidade"

(Por: Ana Carolina Rodrigues, no Jornal da Tarde). "Na Galeria do Rock, no centro, uma loja destoa da paisagem. Ela é a primeira a tratar de literatura no prédio e tem uma proposta ímpar. É lá, na 1DASUL, que o escritor Ferréz recebe gente interessada em conhecer um pouco mais sobre literatura marginal - vertente presente nos mais de 50 títulos à venda e que é representada também pelo Selo Povo, coleção cujos lançamentos são vendidos a R$ 5. Ferréz prepara a primeira safra do selo - criado por ele em agosto de 2009 -, com oito títulos. Já conta com Cronista de Um Tempo Ruim, do próprio Ferréz. Mas virão por aí a escritora Cátia Cernov, de Rondônia, com Amazônia em Chamas, além de uma seleção de crônicas de Lima Barreto e um volume escrito por Cidinha da Silva, ainda sem nome definido. “A ideia é mesclar autores novos e clássicos”. Aos 34 anos e com muitas ideias na cabeça, Ferréz afirma que dá preferência a obras ligadas à periferia. “É muito mais difícil para os escritores dessas áreas encontrarem alguém para publicar suas histórias.” No entanto, outros quesitos têm peso. “Em primeiro lugar, a qualidade do texto. Não importa o assunto”, declara. Para avaliar o grande número de trabalhos, Ferréz conta com a ajuda de amigos. E é também com o apoio de fornecedores que tem conseguido vender livros a R$ 5. “Sabíamos que ganharíamos pouco, mas nosso trabalho é para ver as pessoas lendo um livro. No final, ganhamos muito, formando um público leitor”,conta. Com uma tiragem média de 2 mil exemplares por título, o Selo Povo também tem em seu catálogo DVDs a R$ 9,90. O primeiro, Literatura e Resistência, já está na 1DASUL. Trata-se de um documentário sobre a literatura marginal. Em dois meses, também deve sair 100% Favela - Parte 2. Paralelamente ao selo, Ferréz prepara seu sexto livro, Deus Foi Almoçar, e trabalha em sua segunda obra infantil. “Vou falar de violência, drogas e álcool, estimulando as crianças a não usar nada disso.” Ele também planeja lançar um CD de hip hop. Mas seu objetivo maior é mesmo promover a leitura. “Se de 40 pessoas que me escutarem, uma começar a ler, já salva o mundo”, diz. “Já fiz muita coisa por meio do livro. Estava na favela, com música alta ao meu redor, e ao mesmo tempo estava viajando por Paris.”

22 de mar de 2010

Mazza Edições no Catálogo de Bolonha 2010

Entrevista de Cidinha da Silva para o Literatura Subversiva

1 - Quando você percebeu que tinha uma relação muito intensa com a escrita ? Quando criança, por meio da leitura. Desde que aprendi a ler, li muito, era a coisa que mais gostava de fazer. Daí para direcionar a energia criativa para a escrita foi um passo. 2 - E a literatura na sua vida, o que ela representa para você ? É meu porto-seguro e meu ponto de contato com o mundo (o mais seguro também). 3 - Conte nos um pouco sobre a sua obra Os nove pentes D’África. O Pentes é uma novela juvenil, pela qual tenho muito carinho. É meu primeiro texto de fôlego maior e o primeiro passo na minha preparação para escrever romances, no futuro próximo. Ele narra a história de Francisco Ayrá e sua família. Ele é um artista da madeira que tem cinco filhos e nove netos. Está morrendo e deixa para cada neto um pente africano que simboliza um valor ou uma virtude, ligados à lenda pessoal de cada recebedor do presente. Há o pente do amor, o pente da alegria, da perseverança, da abundância, da liberdade, dentre outros. Cada pente conta uma história e em toda a trama vivencia-se o amor familiar, a vida e a morte. Tudo costurado pelo tempo. Foi um livro delicioso de escever, me diverti muito. 4 - Você já esta no segundo livro a cada lançamento de uma obra qual é a sensação da escritora ? Para ser precisa, tenho quatro livros publicados. O primeiro é de 2003, um livro de ensaios chamado “ações afirmativas em educação: experiências brasileiras”, está na 3ª edição. O segundo é o “Cada tridente em seu lugar”, de 2006, está na segunda edição. O terceiro, “Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor!”, de 2008 e, “Os nove pentes d’África”, de 2009. A cada livro sinto emoções diferentes, ligadas à história da manufatura de cada um: o Tridente foi um livro catártico, uma experimentação de caminhos. O Tambor foi um livro mais pensado, a experimentação está na linguagem, mais do que na escolha temática. Ele é também um livro bem circunstancial, ou seja, eu tinha consciência de que precisava publicá-lo no momento em que o fiz, do contrário, desistiria de publicá-lo. O Pentes abriu o caminho do entendimento da construção de textos de mais fôlego e me deu também a certeza de que sou capaz de fazê-lo. É, além disso, um livro que dialogou muito com a minha espiritualidade. Pelas respostas de público e de vendas aferidas até o momento, o Pentes será meu campeão no que tange ao alcance de leitores. 5 - O que você pensa sobre mulher negra, escrita e literatura ? Poxa, que questão ampla. A expectativa da pergunta é que eu articule os três temas? Procurarei fazê-lo para escolher um enfoque e não me perder em divagações. A literatura canônica é pensada como um bem cultural das elites, elite que lê e elite que escreve. As mulheres, no mundo, publicam infinitamente menos do que os homens – não sei se escrevem tão menos assim. Portanto, a literatura não foi pensada para nós, mulheres negras da Diáspora e de África. Em Moçambique, por exemplo, há apenas uma mulher com romances publicados, a divina Paulina Chiziane, uma escritora negra. No Brasil também temos poucas romancistas e, esperadamente, menos romancistas negras, citaria Ana Maria Gonçalves, autora do monumental e premiado “Um defeito de cor”, Conceição Evaristo e Geni Guimarães. Há também uma autora fantástica e muito desconhecida, Ruth Guimarães, que tem mais de 40 livros publicados em seus 84 anos de vida. Alguém disse que escrever é um ato de coragem, somos corajosas, escrevemos, mas publicamos muito pouco e escreveríamos um tratado para abordar os motivos disso. Entretanto, o principal deles, talvez seja o fato de não nos constituirmos, aos olhos das elites brancas, donas do mercado editorial, como seres pensantes e criativos. Aquilo que temos a dizer não encontra ouvidos (olhos) interessados. Nossas particularidades humanas negras não geram interesse editorial, não são tratadas como o particular que fala do humano e é, portanto, universal. 6 - Você acredita que hoje nós mulheres negras estamos conseguindo romper com as idéias sexistas e racistas sobre o papel da mulher na sociedade de modo que a tendência seja surgir inúmeras escritoras, contistas e poetisas afro-brasileiras ? Não sei. Ser escritora é algo complexo, é mais do que escrever, apenas. Falo da literatura como ofício, não como desabafo, denúncia, declaração de amor. Creio que a dimensão mais profissional da literatura, mais comprometida com o apuro da forma, com a experimentação da linguagem, ainda é um campo por conquistar. E essa conquista precisa ser maior do que apenas romper com estereótipos e estigmas racistas e sexistas. Talvez este seja o primeiro passo, mas o tema é complexo, exige mais. 7 - O público quer saber se existem projetos afro-literarios para este ano como publicação de livros, poesias e contos ? Eu não escrevo poemas para publicação, pois sinto que minha prosa tem mais vigor artístico do que os poemas. Embora tenha falado muito da escrita do romance na resposta a uma questão anterior, não o considero mais difícil de fazer do que um poema, um bom poema. A poesia está na vida e todos nós podemos percebê-la, comentá-la, louvá-la, criar a partir dela. Escrever poemas é dar forma à poesia e isso, acho dificílimo de alcançar. Tenho um romance infanto-juvenil pronto, em busca de editora. Na melhor das hipóteses ele sairá no final de 2010, na hipótese menos otimista, no primeiro semestre de 2011. Estou trabalhando num pequeno livro de crônicas para a coleção Selo Povo, da editora Literatura Marginal. Segundo meu editor, o escritor Ferréz, o livro sairá até o final de 2010.

21 de mar de 2010

O Pentes no Poesiacoisanenhuma

(Um comentário a caminho para Os nove pentes d’África, por: Ronald Augusto). "Gostei da narrativa de Os nove pentes d’África, de Cidinha da Silva, da história, do modo como é contada. Mas sei que gostaria mais ainda se fosse mais curta; se ganhasse a forma de um conto. O conto se abre, ou se cerra, a uma tensão que em muitos casos nem se resolve. Naturalmente, não foi essa a intenção da prosadora. Respeito. Não sou um adepto fundamentalista da síntese e nem da escassez que, em poesia, entram na conta das suas virtudes; mas o conto tem algo que falta ao romance ou à novela, ou aos textos que ficam no meio do caminho. Isto é, o conto põe a descoberto parte apenas do que de fato interessa (o resto é o seu avesso, que é o subentendido, que é a alusão), ou como talvez dissesse Pound caso estivera se pronunciando não a respeito da poesia, mas da prosa, que o conto não perderia tempo com itens obsoletos: ele seria e é essências e medulas. Pelo fato de Os nove pentes d’África, não obstante o que escrevi mais acima, ser econômico, esteticamente comedido no uso da cor (é mais desenho que pintura), não há sobras em sua estrutura, ele se faz de alusões e de elisões, inclusive aquelas tributárias da fala natural, do coloquial; nestes pontos, ponto para a obra de Cidinha da Silva. Se a novela fosse um pouco mais longa poderia enveredar na direção desses problemas típicos da prosa: a eloqüência, a retórica, a piscadela de olhos para o leitor visando a sua hipnose, o seu mero entretenimento, etc. Mas, se Os nove pentes d’África se resolvesse em conto (me desculpe insistir nisso!), do meu ponto de vista, renderia mais. Mesmo assim, gostei. Tenho que lidar com o que texto de fato contém e é, não com o que ele não pode ser. Além disso, acho importante anotar, mesmo que de passagem, a mistura de registros que Cidinha opera, e sem cair em exageros estilísticos. Por exemplo, quando em determinados momentos sua narrativa faz referência à Woodstok, Máskara, “super-mega-blaster-liso-demais”, elementos da cultura Black-pop, administrados na perspectiva de um apetite pan-semiótico, ou sincrético. Ou quando o bordão do “cada um no seu quadrado” surge de modo bastante natural e verossímil na fala de um dos personagens. Verossímil, porém jamais servil ao realismo enquanto comportamento literário (situação que alude a uma contradição entre termos). Os nove pentes d’África, nos situa em um intervalo de pensamento entre o tempo e a cultura presentes e um clima entre onírico e lírico, em sentido forte. Lírico no sentido em que, por exemploo, Manuel Bandeira é lírico. Cidinha da Silva faz o leitor negociar uma memória de mitos e de nostalgias orgânicas afro-brasileiras que remetem ao mundo do artesanato e seus filosofemas com os simulacros satíricos da nossa realidade mediada cada vez mais pela internet, pelo mundo virtual, etc, sem que isso nos leve a crer que estamos diante de um texto que faz um elogio acrítico dos modos político-culturais de agora-agora".

20 de mar de 2010

O POVO CONTRA O GLOBO: Representação no Ministério Público diante da censura do jornal ao Manifesto AFIRME-SE!

"Numa articulação com ativistas sociais e intelectuais do Rio de Janeiro, a campanha Afirme-se! decidiu entrar com uma representação contra o jornal O Globo, do Rio de Janeiro. A ação, protocolada na tarde de segunda-feira, 8/3, no Ministério Público daquele Estado, foi preparada a partir de minuta do advogado João Fontoura Filho, que assiste, na Bahia, a coordenação nacional da campanha, que resolveu acionar a Justiça alegando que O Globo privou os seus leitores de ter acesso ao Manifesto publicado em outros jornais nacionais no dia 3 de março, no qual se afirma a constitucionalidade das políticas de ação afirmativa e das cotas. Ressalta a ação a contradição de um jornal que diz defender a liberdade de expressão e que critica qualquer iniciativa de a sociedade criticá-lo vir agora censurar a sociedade civil, ao impor um valor absurdo para que esta emitisse o seu ponto de vista sobre um debate que está na pauta jornalística este ano. A direção de O Globo, após apresentar uma tabela negociada de publicação ao valor de R$ 54.163,20 (dentro dos padrões de mercado obtidos pela agência Propeg), depois de ter acesso ao conteúdo do Manifesto decidiu que somente publicaria pelo valor irracional de R$ 712.608,00! A coordenação da campanha buscou solucionar o impasse nas 48 horas que antecederam a abertura das audiências no STF, enviando ao setor comercial de O Globo no Rio e a um dos seus diretores uma série de mensagens, não respondidas. A representação é assinada pelos professores Alexandre do Nascimento, Rodrigo Guerón e pelo advogado André Magalhães Barros e quer o pronunciamento da Justiça. Já está sendo articulado um abaixo-assinado para ser anexado à ação nos próximos dias".

14 de mar de 2010

Idosos do Haiti sofrem mais com os fardos do terremoto

(Por:Ian Urbina, em Leogane, Haiti). "Junie Sufrad, 110 anos, sobreviveu ao terremoto no Haiti Junie Sufrad, 110 anos, parou de repente enquanto descrevia como era a vida no interior do Haiti antes da eletricidade, estradas pavimentadas e carros. “Eu não sei se é sorte ou azar ainda estar aqui”, ela disse após uma longa pausa, acrescentando que apesar de não ter perdido nenhum membro, o terremoto de janeiro a deixou como uma amputada. “É como se tivesse perdido parte de mim.” Sufrad é um monumento ao passado em uma nação que foi separada dele. Como outros sobreviventes idosos do terremoto, ela é um repositório raro da história e cultura deste país, mas ela disse que considera suas lembranças mais um fardo doloroso do que um legado orgulhoso. Não estranhos às dificuldades, os idosos haitianos se veem distintamente vulneráveis e emocionalmente abalados atualmente. Eles envelheceram em um lugar onde muitas pessoas morrem jovens. Com a longevidade, vem a culpa do sobrevivente. “Você supostamente não deveria viver mais que seus filhos e netos”, ela disse. Um censo preliminar, divulgado no mês passado por uma organização de ajuda humanitária, apontou que aproximadamente 7%, ou cerca de 84 mil, dos estimados 1,2 milhão de haitianos que foram deslocados pelo terremoto, têm mais 60 anos. A ONU também divulgou um relatório no mês passado, declarando que apesar da privação que mulheres jovens e crianças sofrem no Haiti desde o terremoto, são os idosos que correm maior risco. Os idosos têm sido ignorados pelos esforços de ajuda humanitária porque são mais frágeis, têm menos mobilidade e são menos veementes em suas exigências por água e comida, explicaram os representantes da ONU. Mas as necessidades dos idosos que estão provando ser as mais difíceis, dizem seus defensores, são coisas intangíveis como segurança, continuidade e esperança. Ao lado das ruínas do Asilo Municipal no bairro Delmas 2 de Porto Príncipe, quase 3 mil desabrigados passaram a habitar o que costumava ser o pátio tranquilo do asilo. “Eu apenas quero ir para casa”, disse Jacqueline Thermitis, 71 anos, uma moradora do asilo, enquanto olhava para o mar de placas de metal corrugado, lonas e redes de plástico. Já desorientado pela idade, um homem em uma cadeira de rodas parecia ainda mais confuso ao perguntar a ela quando voltariam para Porto Príncipe. “Este lugar é horrível”, ele disse. A rotina, que por tanto tempo serviu como guia para os 75 ex-moradores do asilo, se foi. Assim como a privacidade e dignidade, já que tomar banho e defecar agora são feitos em público em baldes. Aproximadamente metade deles diz estar assustado demais para voltar para dentro do asilo após ter sido reparado. Isso significa que muitos deles, que já estão doentes, enfrentarão a futura estação das chuvas em tendas surradas. Para evitar disputas violentas, os funcionários de ajuda humanitária pararam de despejar dos caminhões as refeições prontas e água engarrafada como método de distribuição. Em vez disso, eles passaram a entregar os suprimentos a granel para mulheres que aguardam em longas filas que dobram o quarteirão. Mas o sistema ainda é inadequado para os idosos, dizem os defensores. “Faz sentido pedir para que uma pessoa de 70 anos carregue um saco de arroz de 50 quilos ou espere por duas horas em uma fila?” perguntou Jonathan Barden, um gerente do programa de emergência da HelpAge International, um grupo de defesa dos idosos. Um número desproporcional de mais de 200 mil mortos no terremoto foi de pessoas com mais de 60 anos, segundo a ONU. Isso ocorreu principalmente porque a probabilidade era maior dos idosos estarem em lugares fechados, em vez de voltando do trabalho ou da escola, quando o ocorreu o desastre, no início da noite de 12 de janeiro, disseram as autoridades. Os moradores mais velhos que sobreviveram –ou pelo menos aqueles que sobreviveram com suas faculdades intactas– parecem bastante cientes da escala histórica dos danos. No parque Champ de Mars, Michel Fretond, 82 anos, apontou que o Haiti foi a primeira república negra independente do mundo. “Agora o relógio voltou ao zero”, ele disse, com um riso zombeteiro. Não longe dali, o Palácio Nacional e os ministérios da Justiça e Finanças permanecem em vários estados de ruínas. Na Direction Générale des Impôts, o prédio da receita, homens trajando macacões azuis usavam perfuratrizes para atravessar pilhas de lajes de concreto e ferros retorcidos. Enterrados ali –eles esperam– estão o que restou de arquivos e livros contábeis com informações vitais utilizadas para carteiras de motorista, passaportes, placas de automóveis e documentos de identidade. “Não faz sentido eu ainda estar aqui”, acrescentou Fretond, descrevendo como seus dois filhos e três netos morreram no terremoto. Mas Fretond, e outros de sua idade, são uma raridade aqui. Aproximadamente metade da população do Haiti tem menos de 18 anos e a expectativa de vida é de 61 anos, em comparação a 78 anos nos Estados Unidos. Mas devido ao impacto do HIV e Aids nas gerações intermediárias, e por causa dos pais frequentemente deixarem o país em busca de trabalho, os idosos exerceram historicamente um papel importante no Haiti, o de cuidar dos membros mais jovens da família. Mais recentemente, eles têm servido a outros propósitos. Nas aldeias, os idosos são aqueles que sabem quem morou em uma casa em particular, quem era parente de uma certa criança e quem era o dono de que terras”, disse Michel Bonnardeaux, um porta-voz da ONU, acrescentando que a ONU pediu aos aldeões idosos que ajudem no início de um registro nacional de certidões de nascimento e documentação de imóveis. “A memória deles é um recurso nacional”, ele disse. “Pelo menos para nós.” Cindy Powell, uma funcionária de ajuda humanitária da HelpAge que está reunindo as histórias orais dos haitianos mais velhos, disse que em certas ocasiões ela ouviu os idosos escaparem do presente compartilhando uma risada sobre dias melhores. Mas aqueles momentos eram fugazes, ela disse, e as conversas acabavam terminando em um silêncio melancólico. De volta a Leogane, o epicentro do terremoto, Sufrad estava novamente respondendo perguntas no mês passado sobre sua infância. Ela não se lembrava das datas. Mas ela se lembrava dos traumas das últimas cinco décadas: terremotos, furacões e “os homens com facões” dos tempos de Duvalier. Um sorriso largo apareceu em seu rosto ao contar sobre quando provou sorvete pela primeira vez e sobre a encrenca em que se meteu quando fugiu de casa na adolescência para pular o Carnaval. Sua lembrança mais querida foi de seu casamento, “por volta de quando Borno foi o presidente”, ela disse, se referindo a Louis Borno, que governou de 1922 a 1930. Sua lembrança mais triste foi de ver um de seus filhos ir para a prisão. Ao ser perguntada por que imaginava ter sobrevivido por tanto tempo e o que futuro poderia reservar, Sufrad deu de ombros. Em vez de olhar para frente ou para trás, ela disse, ele prefere olhar para o alto. “Para Deus”, ela disse, apontando para o céu. “Ele me mantém aqui, por ora.” (Tradução: George El Khouri Andolfato).

13 de mar de 2010

Pacto entre proprietários de escravos constitui o pecado original da sociedade e da ordem jurídica do Brasil

(Deu na Folha de São Paulo, por: *Luiz Felipe de Alencastro). "Em 2010, os negros brasileiros passam a formar a maioria da população do país. A mudança vai muito além da demografia. Ela traz ensinamentos sobre o nosso passado e desafios para o nosso futuro. No século 19, o Império do Brasil aparece como a única nação que praticava o tráfico negreiro em larga escala. Alvo da pressão britânica, o comércio de africanos passou a ser proscrito por uma rede de tratados que a Inglaterra teceu no Atlântico. Na sequência do tratado de 1826, a lei de 7 de novembro de 1831 proibiu o comércio de africanos no Brasil. Entretanto, 760 mil indivíduos vindos da África foram trazidos entre 1831 e 1856, num circuito de tráfico clandestino. Ora, a lei de 1831 assegurava a liberdade imediata aos africanos introduzidos no país após a proibição. A partir daí, os alegados proprietários desses indivíduos livres eram considerados sequestradores, incorrendo nas sanções do artigo 179 do Código Criminal de 1830. Porém, o governo imperial anistiou, na prática, os senhores culpados do crime de sequestro, deixando livre curso ao crime correlato, a escravização de pessoas livres. Imoral e ilegal. Os 760 mil africanos desembarcados até 1856 -e a totalidade de seus descendentes- continuaram sendo mantidos ilegalmente na escravidão até 1888. Ou seja, boa parte das duas últimas gerações de indivíduos escravizados no Brasil não era escrava. Moralmente ilegítima, a escravidão do Império era ainda -primeiro e sobretudo- ilegal. Tenho para mim que esse pacto dos sequestradores constitui o pecado original da sociedade e da ordem jurídica brasileira. Firmava-se o princípio da impunidade e do casuísmo da lei. Consequentemente, não são só os negros brasileiros que pagam o preço da herança escravista. Outra deformidade gerada pelo sistema refere-se à violência policial. Depois da Independência, no Brasil, como no sul dos EUA, o escravismo passou a ser consubstancial à organização das instituições nacionais. Entre as múltiplas contradições engendradas por essa situação, uma relevava do Código Penal: como punir o escravo delinquente sem encarcerá-lo, sem privar o senhor do usufruto do trabalho do cativo que cumpria pena de prisão? O quadro legal definiu-se em dois tempos. Primeiro, a Constituição de 1824 garantiu, no artigo 179, a extinção das punições físicas. "Desde já ficam abolidos os açoites, a tortura, a marca de ferro quente e todas as mais penas cruéis." Conforme os princípios do iluminismo, ficavam preservadas as liberdades e a dignidade dos homens livres. Num segundo momento, o artigo 60 do Código Criminal reatualiza a pena de tortura: "Se o réu for escravo e incorrer em pena que não seja a capital ou de galés, será condenado na de açoites...". Com o açoite, com a tortura, podia-se punir sem encarcerar: estava resolvido o dilema. Oficializada até o final do Império, essa prática punitiva atingiu as camadas desfavorecidas, travando o advento de uma política fundada na liberdade individual e nos direitos humanos. Uma terceira deformidade gerada pelo escravismo afeta o estatuto da cidadania. É sabido que até a Lei Saraiva, de 1881, os analfabetos, incluindo negros alforriados, podiam ser eleitores de primeiro grau, que elegiam eleitores de segundo grau, os quais podiam eleger e ser eleitos parlamentares. Depois de 1881, foram suprimidos os dois graus de eleitores. Em 1882, o voto dos analfabetos foi vetado. Decidida no contexto pré-abolicionista, a proibição buscava barrar o acesso do corpo eleitoral aos libertos. Gerou-se uma infracidadania que perdurou até 1985, quando foi autorizado o voto do analfabeto. Mas a exclusão foi mais impactante na população negra, em que o analfabetismo registrava, e continua registrando, taxas proporcionalmente mais altas do que entre os brancos. Nascidas no século 19, as arbitrariedades engendradas pelo escravismo submergiram o país inteiro. Por essa razão, ao agir em sentido contrário, a redução das discriminações que ainda pesam sobre os negros consolidará nossa democracia. Democracia. Não se trata aqui de uma lógica indenizatória, destinada a garantir direitos usurpados de uma comunidade específica -como foi o caso, em boa medida, nos julgamentos sobre as terras indígenas. Trata-se, sobretudo, de inscrever a discussão sobre as cotas no aperfeiçoamento da democracia. Nesse sentido, a arguição de inconstitucionalidade impetrada no Supremo Tribunal Federal [que analisa a constitucionalidade do sistema de cotas da Universidade de Brasília] revela-se obsoleta. Na verdade, as cotas raciais beneficiaram e beneficiam dezenas de milhares de estudantes nas universidades privadas no quadro do ProUni e 52 mil estudantes nas universidades públicas, funcionando há vários anos, com grande proveito para a comunidade acadêmica e para o país. Os incidentes suscitados pelas cotas raciais são mínimos e muitíssimo menos graves do que as truculências perpetradas nos trotes universitários. Como no caso do plebiscito sobre o presidencialismo e o parlamentarismo, o debate sobre as cotas raciais atravessa as linhas partidárias. Aliás, as primeiras medidas de política afirmativa relativas à população negra foram tomadas, como é conhecido, pelo governo FHC. A existência de alianças transversais deve nos conduzir, mesmo em ano de eleição, a um debate onde os argumentos possam ser analisados a fim de contribuir para a superação da desigualdade racial que pesa sobre a democracia brasileira". *Cientista Político e Historiador. Professor titular da cátedra de História do Brasil da Universidade de Paris IV, Sorbonne.

Dramaturgia de jovens autoras negras, em Sampa

12 de mar de 2010

CARTA ABERTA A CLAUDIO DANIEL

(Por: Ricardo Aleixo). "Caro Claudio Daniel, deixei de responder seu último email, de 24/02/10, por ter surpreendido nele – e nos anteriores, datados de 23 e 24/02 – uma atitude incompatível com o respeito que, a meu ver, deve pontuar a relação entre pessoas que atuam numa mesma área. No afã de cobrar de mim uma posição pessoal sobre a obra de Angélica Freitas (baseado no fato de que fui integrante da Comissão Julgadora da Bolsa Petrobras Cultural, concedida, na edição 2008/2009 do certame, à referida autora e a outros 16 poetas e prosadores), você concluiu, em face da minha indisposição para a polêmica inóqua, que "divergimos profundamente quanto à Inimigo Rumor e seus associados". Lembre-se que começou mal a história: mesmo já sabendo – posto que se trata de informação disponibilizada no site da Petrobras – que eu fiz parte da mencionada Comissão, você, matreiramente, me enviou email no qual solicitava minha “opinião” acerca da escolha do projeto de Angélica Freitas. Não caí em sua armadilha, e aí você fez pior: deu a entender, de forma paternalista, que acreditava ter sido eu “voto vencido” na Comissão. Como se esta fosse constituída por um bando de gente inescrupulosa – diferente da impressão que você parecia cultivar de mim, portanto. Em meus emails a você, defendi as escolhas da Comissão, a qual, volto a afirmar, desenvolveu seu trabalho do modo mais claro e honesto possível, ao longo de três reuniões/debates tão acalorados quanto cansativos, com pontos de vista sendo defendidos de forma até dura, por vezes, mas nunca sob a ameaça da imposição de algum consenso que não se estribasse na pertinência e na exequibilidade dos projetos apresentados para análise. O problema é que você, depois de dias sem tocar no assunto, resolveu partir para as insinuações, por meio de seu blog. Se já não era difícil identificar em sua estratégia de me forçar a emitir um parecer sobre Angélica Freitas o intuito de obter minha, digamos assim, "declaração de voto" na hipotética contenda entre você e os tais "associados" da Inimigo Rumor (contenda essa que, saiba, jamais conseguiu me interessar por mais tempo que o de um riso constrangido), sua resposta a um comentário deixado em seu blog ontem, dia 9/3, por uma pessoa que supostamente se chama "Claudia", mostra, positivamente, sua opção pela acusação leviana, em detrimento do debate aberto de ideias. Reproduzo um fragmento de sua resposta à pergunta “Por que toda essa inveja da Inimigo Rumor?”: “Claudia, não sinto inveja nenhuma dos poetas medíocres da Inimigo Rumor; tenho inveja de Ezra Pound, Cummings e Maiakovski. Minha crítica está no fato de eles imporem um monopólio na crítica literária, favorecendo os autores do grupo e silenciando sobre os autores que não pertencem a essa panela, além de distribuírem entre si prêmios como o da Petrobras, em que jurados ligados à Inimigo Rumor premiam poetas da Inimigo Rumor, entre outros exemplos. Esse monopólio é extremamente autoritário e não contribui em nada para a divulgação da diversidade de nossa poesia, que vai muito além dos patinhos de banheira de Angélica Freitas e similares.” Que você sustente sua oposição a qualquer projeto literário que destoe de suas convicções, eis aí um assunto que não me cabe discutir. O que não aceito, Claudio Daniel, é que você me inclua, por força de sua visão algo maniqueísta e autocomplacente, num “lugar” que jamais frequentei. Me orgulho, sim, de ter colaborado por duas vezes com a publicação editada por Carlito Azevedo (que considero um grande poeta e, no plano pessoal, um interlocutor dos mais sensíveis), como de resto colaborei com a Zunái, editada por você, e com muitas outras revistas, de recortes os mais variados, sem jamais declarar adesão integral a qualquer um desses projetos literários (e políticos), já que, por temperamento, como diria Murilo Mendes, não sou "homem de rebanho". Me incluir entre os integrantes de uma suposta “panela” que distribuiria “entre si prêmios como o da Petrobras” é, por essa razão, um golpe baixo, baixíssimo, indigno de um poeta como você, a quem tratei sempre com amizade, respeito e cordialidade, chegando mesmo a escrever sobre seu trabalho, de que sou leitor atento e interessado. Quando sugeri que trouxesse a público sua discordância quanto ao resultado da Bolsa Petrobras Cultural, você entendeu só o que lhe foi conveniente: que deveria continuar a atacar “a Inimigo Rumor e seus associados”, a pretexto de expor a fragilidade do projeto estético do grupo de poetas que você elegeu como "o eixo do mal" da poesia brasileira. E o que eu lhe sugeria – e vou repetir agora com todas as letras – era e é bem mais sério: como há dinheiro público em jogo, a discussão transcende o nível das preferências literárias e alcança o âmbito da ética. Logo, Claudio, só lhe resta, como cidadão consciente que provavelmente é, encaminhar denúncia formal ao Ministério Público, para que sejam investigadas as circunstâncias que envolvem o “GRAVÍSSIMO” caso em tela. A um homem como eu, que nada mais possui além de um nome honrado e uma trajetória artística e intelectual construída por esforço próprio - longe da zona de sombras da Casa Grande -, gestos levianos como o seu provocam mais do que um grande pesar: confirmo, aqui do meu quase-exílio voluntário na periferia de Belo Horizonte, a impressão de que eu talvez não tenha, mesmo, mais nada a fazer no tosco Big Brother Brasil em que se transformou a maior parte da blogosfera literária. Respeitosamente, Ricardo Aleixo. PS: Prova de que você perdeu completamente a noção de limites é que um novo post seu, também do dia 9/3, bate na mesma tecla, com a legenda: “Daniel Boone e seu amigo índio lutam contra a panelinha da Inimigo Rumor nos concursos da Petrobrás e nas resenhas da Folha de S. Paulo”. Provando, ainda, que é craque em “bater o córner e correr para cabecear”, como se diz no ludopédio, você inaugura os comentários de seu próprio post (e para que interlocutores, se você já concorda tanto com suas próprias ideias, não é?) para afirmar que não se trata “de implicância, nem de mera divergência estética ou conceitual”, mas que acha “GRAVÍSSIMO que apenas um grupinho detenha o monopólio na crítica literária dos jornais e nos concursos que envolvem dinheiro público, como o da Petrobrás [grifo meu], além da forte influência na universidade e nos meios editoriais”. Sobre a crítica literária, a universidade e os meios editoriais, nada tenho a dizer, mas reafirmo que é seu dever ético solicitar ao Ministério Público a investigação do possível emprego de recursos públicos para fins de favorecimento de grupos literários, com foco no Edital da Bolsa Petrobras Cultural, edição 2008/2009, de que eu, Ricardo Aleixo, apontado por você como um dos “jurados ligados à Inimigo Rumor”, participei da seleção dos projetos aprovados. Qualquer outra medida que você tomar demonstrará que sua indignação não passa de uma performance mesquinha e ressentida, motivada tão-só por uma mal contida tendência para a calúnia e a difamação".

11 de mar de 2010

Obra de Cidinha da Silva na Nhoqueria Artesal, em Belo Horizonte

Minha obra será abordada no primeiro sarau da Nhoqueria Artesanal, casa recém aberta em Belo Horizonte. Na divulgação eletrônica fui apresentada como "poeta" e isso me constrange, ainda mais por estar ao lado de poetas "de verdade", a saber, Conceição Evaristo e Elisa Lucinda. Não sou poeta, sou prosadora! A técnica de escrever poemas ainda caminha distante de mim e é desmerecer e vulgarizar a poesia, chamar de poeta quem não o é. Mas, as donas da casa, as gentis Kelma e Rosi não são as únicas, muita gente faz essa confusão por aí. É comum que me digam (gente que me lê, que conhece meu trabalho): "estou organizando tal e tal coisa e você poderia aparecer por lá para ler a sua poesia". Quando posso, vou e leio minha prosa poética, coisa muito diferente de um poema, de ser poeta. Em alguma medida isto acontece,porque todo mundo que escreve um desabafo, uma denúncia, que descreve uma emoção em forma de verso, se acha poeta, e/ou é visto (por quem não entende de poesia) como poeta. Meus amigos e minhas amigas poetas são gente tão laboriosa com a linguagem, é tão difícil escrever poesia, tão trabalhoso compor um poema bom. Por tudo isso, sigo insistindo, não sou poeta, sou prosadora. Espero conhecer a casa e talvez conversar sobre o tema no próximo mês, quando irei a Belo Horizonte. Neste evento de março, além de performances e sorteio de livros, haverá degustação de nhoque e prato típico africano. Quando: 12 de março Horário: a partir das 21hs. Local: Nhoqueria Artesanal Endereço: Terminal Turístico JK - Rua dos Guajajaras 1353 lj 07 - Centro Valor: R$ 12,00 antecipado (segunda a quinta da 9 às 20hs) e R$ 15,00 no dia.

Cinema africano no Centro Afro-Carioca de Cinema, Rio de Janeiro

10 de mar de 2010

Literatura e samba agitados pelos ventos de Iansã

Na próxima segunda feira, dia 15/04, a querida Helena Theodoro lançará este livro na Travessa da Rua do Ouvidor. Fazendo a trilha sonora, o grupo DNA do Samba, formado por herdeiros de grandes compositores: Nei T. Lopes (filho de Helena e Nei Lopes), André Lara (neto de D. Ivone Lara), Raoni Ventapane (neto de Matinho da Vila), Ronaldo Mattos (filho de Nelson Sargento), Diogo Pereira (neto de Noca da Portela) e Junior Parentte (neto de Nilo Chagas). A festa começa às 18:00h.

9 de mar de 2010

Semana da Mulher com Literatura, em Belo Horizonte

REALIZAÇÃO: Organização da Mulher Moçambicana (OMM) e Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) Segunda - 08 de Março | Dia Internacional da Mulher 09H | CCFM | Praça da OMM | Abertura Oficial do mês da Mulher. 10H | Pavilhão do Estrela Vermelha | Intervenções diversas. 18H | CCFM | Mesa Redonda | Tema: MULHERES & FRONTEIRAS. Paulina Chiziane (escritora- Moçambique). Rachel Uziel (escritora – França). Conceição Evaristo (escritora – Brasil). Moderador: Mia Couto (escritor – Moçambique). 20H | CCFM | Inauguração da Exposição Fotográfica “Mulheres & Fronteiras” Selecção final entre os 50 fotógrafos que participaram no concurso. Entrega dos Prémios. Terça 09 de Março | 14H | CCFM Encontro com Paulina Chiziane. A Mulher e as suas fronteiras na obra da autora. Quarta 10 de Março | 14H | CCFM Encontro com Conveição Evaristo. A mulher negra brasileira e suas fronteiras. Quinta 11 de Março | 14H | CCFM Cinema: TAAFE FANGA (Poder da capulana). Filme de Adama Drabo (Mali) legendado em português seguido de um debate com representantes da OMM.

8 de mar de 2010

A alma encantadora das ruas, de João do Rio

Sinopse:Edição reproduz conteúdo da primeira (de 1908). Série de 27 crônicas e reportagens sobre o símbolo da cidade: as ruas e seus personagens. João do Rio fala das figuras que povoam a cidade, mas que nunca percebemos - os sub- produtos do progresso: mendigos, trabalhadores braçais, pobres que olham cobiçosos as vitrines cintilantes, meninos de rua, presidiários. Ao mesmo tempo hino à modernidade e libelo contra a indiferença urbana. Editora Crisálida.

Nova biografia sobre Carolina Maria de Jesus

Sinopse:o livro traz uma biografia de Carolina Maria de Jesus, que em 1960, da noite para o dia, de total desconhecida, passou a escritora famosa. Editora Com Arte.

4 de mar de 2010

Obra lírica sobre a Cidade Tiradentes

(Texto de divulgação). "O coletivo Encontro de Utopias convida a todos para o sarau Femina Arte em edição especial na Galeria Olido no dia 8 de março,dia internacional da mulher, segunda-feira, na Av São João, 473, Centro, São Paulo. Durante o evento haverá o lançamento do quarto título de Claudia Canto, "Cidade Tiradentes, de Menina a Mulher", uma abordagemm lírica sobre a Cidade Tiradentes, o maior complexo habitacional da America Latina. Venha fazer soar a sua voz, esparramar seu gesto, traga seus adereços suas músicas e seus poemas. O Femina Arte é um sarau que exalta o feminino, sua luta por igualdade social, bem como o seu olhar generoso e apurado sobre a arte e sobre o mundo!"

Jorge dos Anjos - depoimento

Sinopse:Jorge dos Anjos convive com as tradições culturais e artísticas do barroco mineiro desde a infância vivenciada em Ouro Preto. Aprende a usar a cor com Nello Nuno e a construir estruturas tridimensionais com Amilcar de Castro. Retoma sua matriz cultural trabalhando com imagens arquetípicas que remetem às fontes africanas e aproximam-se da pesquisa iconográfica de Rubem Valentim. No entanto, recria com sabedoria uma poética singular que discute questões pertinentes à arte contemporânea, pesquisando as possibilidades das linguagens visuais em constante diálogo com o espaço arquitetônico. Ao percorrer o texto que registra a sua fala e as imagens de suas obras, apresentados neste livro, somos convidados a visitar o ateliê singular de Jorge dos Anjos (Editora ComArte, 32,00).

Oficina de literatura: nos becos da criatividade

3 de mar de 2010

Biografia de Obama será lançada em abril

(Do Portal G1). "Uma biografia do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elaborada pelo diretor da revista New Yorker, David Remnick, chega ao mercado no dia 6 de abril, anunciou a editora Knopf Doubleday. O livro, intitulado The Bridge: The Life and Rise of Barack Obama é, segundo a editora, um amplo e profundo levantamento histórico tanto da vida do líder como do processo que levou a sua histórica eleição como o primeiro presidente negro dos EUA. A editora conta que, para elaborar este novo livro, Remnick realizou centenas de entrevistas com a família de Obama, amigos, professores, mentores, financiadores de campanhas e rivais, assim como com o próprio presidente".

2 de mar de 2010

O Pentes na quebrada

Sábado, dia 27 de fevereiro, estive em Madureira realizando uma oficina com professores do CCDS – Centro de Capacitação e Desenvolvimento Social. A ONG oferecerá cursos de iniciação profissional em dois períodos de três meses, para 400 jovens entre 16 e 24 anos, em quatro “comunidades de risco” (assim as chamam) da região Oeste do Rio de Janeiro: Vila Kenedy, Bangu, Padre Miguel e Penha. O fato novo é que o Pentes foi escolhido como ferramenta para realizar o diálogo interdisciplinar entre os temas da cidadania, cultura afro-brasileira, inclusão digital e Português e será a base do material didático a ser construído pelos docentes. E mais nova ainda é a aquisição de um exemplar do Pentes para cada integrante do projeto, motivo de muita alegria e responsabilidade para esta escriba, haja vista que, para muitos desses estudantes, este será o primeiro livro-presente da vida. Há um tanto de tristeza por este livro chegar tão tarde - mas que haja o primeiro. A mim, sobrevém outro tanto de alegria, por se tratar do Pentes. Como autora, quero ser lida por todos, indistintamente, mas quando a minha gente me lê, se vê e sorri, eu viro festa, abro champanhe e chamo Arlindo Cruz do Firmamento Real para comemorar. Agradeço à equipe técnica do CCDS e às educadoras que recomendaram o livro, pela confiança e pelo investimento literário. Foi ótimo conhecer e conversar com os professores, por iniciativa desta autora. Aguardo agora o convite para conversar com os 400 estudantes. Voa, Pentes, voa!

1 de mar de 2010

Universidade das Quebradas abre inscrições para curso de extensão

"Estão abertas as inscrições para a Universidade das Quebradas, um curso de extensão gratuito promovido pelo PACC - Programa Avançado de Cultura Contemporânea, da UFRJ, voltado para produtores, ativistas e/ou artistas de todas as quebradas. A idéia é empatar o jogo político cultural que põe as favelas e as áreas periféricas de um lado e os centros acadêmicos de outro. O lance agora é completar saberes, trocar idéias e juntar todo mundo. Este curso oferece formação aos produtores culturais e artistas das comunidades do Rio de Janeiro, através do encontro produtivo com pesquisadores e professores da UFRJ e de outras instituições. As aulas são presenciais e quinzenais e se baseiam nas cinco áreas de produção cultural: Literatura, Artes Visuais, Teatro, Dança e Música. Um panorama da cultura e das artes com foco especial nos séculos 20 e 21. Oficinas de leitura e criação, blogs com produções dos participantes, aulas filmadas e transmitidas via Internet... Esse é o contexto da Universidade das Quebradas". Saiba mais http://www.pacc.ufrj.br/arquivos%20pdf/proj_queb_02_2010.pdf Quem quiser formar no bonde, é só clicar aqui http://www.pacc.ufrj.br/arquivos%20pdf/edital_01_uniqueb-ult.pdf

V Encontro Mestres do Mundo

(Texto de divulgação). "O Evento V Encontro Mestres do Mundo reúne expoentes das culturas populares em Limoeiro do Norte/CE V O Vale do Jaguaribe cearense será, novamente, palco de um dos eventos mais importantes para as expressões culturais populares brasileiras e internacionais. De 17 a 20 de março de 2010, o município de Limoeiro do Norte, localizado a 198 quilômetros de Fortaleza, torna-se o centro das atenções dos amantes das culturas populares ao reunir cerca de 150 Mestres brasileiros e latino-americanos durante o V Encontro Mestres do Mundo. Com o tema “Folias e Brincadeiras”, o evento irá promover diversas apresentações artísticas na Praça da Igreja Matriz, nos seus quatro dias de duração. Estão programadas ainda oficinas e seminários em outros equipamentos culturais da cidade. Os Mestres das culturas populares se reunirão para trocas de experiências sobre seus saberes e fazeres, divididos em cinco categorias: Mestres das Mãos (artesãos, bordadeiras, gravadores, etc.); Mestres do Corpo (dança, teatro e performances tradicionais); Mestres do Sagrado (penitentes, rezadeiras, profetas da chuva, entre outros); Mestres do Som (músicos, instrumentistas, luthiers); e Mestres da Oralidade (contadores de história, poetas, cordelistas e repentistas). A programação do evento acontece, diariamente, em três momentos distintos. As manhãs são dedicadas às Rodas de Mestres. No período da tarde, acontecem os Relatos de Experiência, onde são apresentadas as vivências dos Mestres, e as noites serão dedicadas às apresentações artísticas voltadas ao público. O Encontro terá ainda outras atividades, como o Encontro Pedagógico de Educação Patrimonial, a Universidade dos Mestres, debates sobre a Ação Griô e outras apresentações artísticas".