Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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29 de abr de 2010

EnsaiAço, novo espaço do Rap no Capão Redondo

Poesia de Cruz e Sousa, por Rubem Fonseca

(Por Rubem Fonseca, no Portal Literal). "Sou ficcionista, porém para a Seção Relançamentos escolhi um poeta; gosto mais de ler poesia do que ficção. Meus poetas favoritos são todos modernos, mas, por várias razões, optei por um poeta simbolista. O Simbolismo é um movimento poético hoje completamente ignorado. E o poeta Cruz e Sousa é um ilustre desconhecido para a maioria das pessoas alfabetizadas que conheço. O Simbolismo surgiu no início do século 20 como oposição ao Parnasianismo. O Parnasianismo, por sua vez, foi um movimento originado na França, no século 19, que se opunha ao Romantismo, e que teve como seus mais ilustres expoentes Théophile Gautier, Leconte de Lisle, Théodore de Banville e Sully Prudhomme. No Brasil, nessa época, a poesia romântica também já não possuía tantos seguidores. Castro Alves saíra de moda, e então surgiram os primeiros parnasianos, com destaque para Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira. Mas não demorou muito para que poetas parnasianos como Alberto de Oliveira , Raimundo Correia e Olavo Bilac dominassem o cenário poético. A partir de 1890, o Simbolismo, também originário da França, começou a superar o Parnasianismo. (Porém demorou para que o termo “parnasiano” fosse usado de maneira ofensivamente derrogatória.) Note-se que o Simbolismo, além da literatura, abrangeu outras artes, como o teatro, a pintura, a música. Na área da literatura, os nomes mais importantes foram Baudelaire, Claudel, Mallarmé, Verlaine e Rimbaud. Os simbolistas encenavam a realidade com signos que representavam um conceito ou sugestão, com metáforas e figuras de linguagem que consistiam em misturar duas imagens ou sensações de natureza distinta. E sua influência foi universal. No Brasil surgiram vários poetas simbolistas, como Alphonsus de Guimaraens, Emiliano Perneta, Virgílio Várzea, Nestor Vítor, Francisca Júlia, Pedro Kilkerry, mas o mais importante de todos foi Cruz e Sousa. João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, hoje Florianópolis. Filho de escravos, sofreu uma série de perseguições raciais. Em 1890 veio para o Rio de Janeiro, onde descobriu a poesia simbolista francesa. Ele escreveu também livros de prosa como Tropos e Fanfarras (em conjunto com Virgílio Várzea) e Missal, mas a sua obra mais importante é a poética, destacando-se Broquéis, publicado em 1893, Faróis em 1900 e Últimos sonetos em 1905. Seus dois últimos livros foram publicados depois da sua morte, em 19 de março de 1898. O poeta conseguiu um emprego humilde na Estrada de Ferro Central. Em 1893 casou-se com Gravita Rosa Gonçalves, que também era negra. O casal teve quatro filhos e todos faleceram prematuramente; o que teve vida mais longa morreu quando tinha apenas 17 anos. Gravita sofria das faculdades mentais e passava longos períodos internada em hospitais psiquiátricos. Cruz e Sousa contraiu tuberculose, doença infecciosa que ocorria freqüentemente entre as pessoas pobres, enfermidade que o matou, aos 36 anos, miserável, discriminado, desconhecido. Seria interessante se pudéssemos reduzir o silêncio que cerca o seu nome e a sua obra". (Texto garimpado e divulgado por Paula Fanon).

28 de abr de 2010

“Viva, Carolina Viva!” comemora os cinco anos da biblioteca Carolina Maria de Jesus

(Texto de divulgação). "No mês em que a Biblioteca “Carolina Maria de Jesus” comemora os cinco anos de sua criação e instalação no Museu Afro Brasil, nada mais justo que a comemoração gire em torno do nome de Carolina Maria de Jesus, a catadora de papel que viveu na favela do Canindé, na cidade de São Paulo, e que se transformou em escritora, a partir da publicação, em 1960, do livro “Quarto de despejo: diário de uma favelada”. Para marcar a data, no dia 15 de maio, das 11 às 14 horas, acontece o “Viva, Carolina Viva!”, um debate que discutirá a participação da mulher negra no mercado literário brasileiro. Participam o escritor Oswaldo de Camargo, que falará sobre a produção literária de escritoras afrodescendentes e a pesquisadora Jaqueline Romio, apresentando seu trabalho sobre a produção de Carolina Maria de Jeus. Haverá depoimentos da filha da escritora, Vera Eunice e do jornalista Audálio Dantas, responsável por encaminhar para publicação os primeiros manuscritos da Carolina Maria. A biblioteca nasceu no dia 13 de maio de 2005, da coleção pessoal de Emanoel Araujo, artista plástico e Diretor Curador do Museu, que se orgulha de manter um acervo exclusivamente dedicado a temática da vida e da cultura afrodescendentes contemplando assuntos como: Arte, Cinema, Costumes, Culinária, Economia, Educação, Imprensa, Literatura, Música, Política, Religião, Teatro etc. Segundo a bibliotecária Romilda Silva, este é um momento importante para lembrar a vida desta escritora brasileira. “A primeira edição do “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria, alcançou a casa dos dez mil exemplares, logo esgotados em uma semana. Sem dizer que foi traduzido para cerca de trinta idiomas, com sucessivas reedições. Foi ainda adaptado para o teatro, para o rádio e para a televisão com grande sucesso de audiência. Por isso, propomos o evento Viva, Carolina Viva! Para rememorar e discutir a produção desta escritora tão cara à instituição e à população brasileira”, disse Romilda". Data: dia 15 de maio, das 11:00 às 14:00. Inscrições prévias via email biblioteca@museuafrobrasil.com.br, de 15 de abril a 13 de maio de 2010. Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n Parque Ibirapuera - Portão 10. São Paulo / SP - Brasil - 04094 050. Fone: 55 11 5579 0593. www.museuafrobrasil.com.br

27 de abr de 2010

"Escritores são membros de uma ordem de mendigos"

(Deu no Portal G1). "O poeta mexicano José Emilio Pacheco, que recebeu nesta quinta (22) o Prêmio Cervantes das mãos do Rei Juan Carlos, fez uma emocionada defesa da associação dos escritores, "membros de uma ordem de mendigos" que não recebem o reconhecimento merecido por sua obra. "Não há na literatura espanhola uma vida tão mais cheia de humilhações e fracassos" como a do autor do Quixote, ressaltou Pacheco, que gostaria de ter dado este prêmio ao escritor que dá nome a distinção. "Eu gostaria que o prêmio Cervantes tivesse sido entregue a Cervantes. Como teria aliviado seus últimos anos se o tivesse recebido. Sabe-se que o imenso êxito de seu livro em pouco ou nada remediou sua penúria", afirmou o autor de Tarde o temprano (Fondo de Cultura Econômica de España, 32 euros), no ato realizado na universidade da localidade madrilena de Alcalá de Henares".

Após críticas, editora cancela política de destruição de livros

Controversa, porém disseminada em toda a Europa, chega ao Brasil prática nefasta das editoras promoverem a destruição de títulos encalhados nas livrarias. (Deu em O Globo por Miguel Conde). "Mais de 400 livrarias em diferentes estados brasileiros receberam na semana passada um e-mail da distribuidora Superpedido e da Ediouro, maior grupo editorial do país, anunciando uma nova política para devolução de livros que não fossem vendidos: “Não será necessário enviar os livros fisicamente”, dizia o e-mail, mas apenas “a capa, quarta capa e ficha catalográfica (...). O miolo deverá ser descartado”, orientava a mensagem. Enviada no dia 13 de abril, a ordem para arrancar a capa e jogar fora as páginas dos livros foi cancelada por outro e-mail, enviado na última terça-feira, em que a Ediouro dizia ter revisto sua posição. Entre uma mensagem e outra, a Ediouro foi intensamente criticada por integrantes do mercado livreiro. Carlo Carrenho, da Ediouro, afirma que a editora está estudando a possibilidade de doar alguns dos livros devolvidos (ela aumentou para 80% o desconto oferecido aos livreiros, se eles comprarem todos os exemplares em consignação). Rui Campos, diretor da Livraria da Travessa, acredita, porém, que apesar das carências do Brasil na área de leitura, as doações não podem ser tomadas como uma panaceia: “Seria ótimo que muitas coisas fossem de graça: o feijão, a moradia... Mas, se tudo fosse assim, não haveria mercado. A produção só pode existir se houver a venda.”

26 de abr de 2010

"Resistência e Anunciação: Arte e Política Preta”

(Texto de divulgação). "Pra desfrutar, questionar e escambear percepções da estética e da mocambagem de matriz afro, com suas intenções e eletricidades, carinhos e contextos. Pra compreender alguns porquês das rodas de fortaleza e beber algumas surpresas. Pra desenvolver pedagogias com quem pesquisa, sua e pratica. Com quem vive a questão e traz fundamentos, reflexão e vontade de esparramar. Pra, mesmo com novas dúvidas e suas coceiras, ganhar sustança. Não arriar nas humilhações e nos farelos de cada dia. Pra não reproduzir facinho uns quebra-cabeças cheios de quebranto, tão brilhantes na vitrine, tão sorridentes no out-door e tão fuleiros na cartilha. São quebrantos perpétuos estes nas entrelinhas da educação? Gratuito e na quebrada, sem dever pra qualidade de outros cursos nesse mesmo naipe, que cobram diamantes pra quem quiser chegar nas turmas que quando giram, geram quase sempre pelos bairros nobres (?) de São Paulo. (E pedregoso é ouvir que nós que inventamos as barreiras, quando o que queremos é esfarelá-las). Com tanto maio no cangote, nosso maio então, 2010, seja mês de ebulição".

Poesia no ar

(Por: Sérgio Vaz). "Povo lindo, povo inteligente, não há palavras que possam descrever o que foi o "poesia no ar" realizado ontem pela Cooperifa. Foi simplesmente uma noite maravilhosa na periferia de São Paulo, como há muito a gente sonha. Com há muito a gente luta. Vieram gente de todas as cores, dores e lugares: crianças, adultos, jovens e idosos, a comunidade, vários coletivos de outras quebradas fortalecendo o movimento, e cada um com a sua mensagem, protesto e poesia, para que pudesse ser enviados via balão de gás (bixigas) para outros quintais. Gente sorrindo, se abraçando, estava rolando uma puta energia nuclear, e nós estávamos tipo Urânio enriquecido com fins pacíficos, mas com o conhecimento pra fazer a bomba. Entendeu? Dizem que tinha mais de 500 pessoas, eu duvido, não sei se é possível contar uma labareda. Sei que só de poetas tinha oitenta. Isso mesmo, oitenta poetas. Catarse! Será que é mesmo possível um sarau de poesia reunir 500 pessoas em torno da poesia na periferia de São Paulo? Muita gente torcendo por bala perdida e a gente soltando poesia no ar, por isso não saiu na Tv, não deu nos jornais, não foi capa de revista, por isso muita gente não viu, por isso muita gente não vai acreditar. A única má notícia é que a gente está gostando de ser feliz. Pensado bem, se não estivesse lá, eu também não acreditaria, é alegria demais para essa gente que mora no subterrâneo da cidade. Né não? Queria ter dois coraçoes. Um para amar, o outro também".

25 de abr de 2010

Pô, faltou a Marta!

"Os 11 maiores camisas 10 do futebol brasileiro", de Marcelo Barreto, apresenta os seguintes craques, em ordem cronológica: Zizinho (aquele a quem Pelé admirava), Pelé, Ademir da Guia, Rivellino, Dirceu Lopes, Zico, Raí, Neto, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká. Tenho algumas dúvidas, por exemplo, Didi, O Príncipe, foi um camisa 10? Se tiver sido, eu o poria na lista. Também ao Roberto Dinamite, mas parece que foi imortalizado como centro-avante, sua atuação de fato, independente do número da camisa. Entretanto, tenho uma certeza: faltou a Marta, não é Barreto? Pura escorregadela do gênero masculino que pressupõe que os maiores camisas 10 do futebol brasileiro são homens. E não adianta na segunda edição do livro publicar um adendo sobre a Marta. Ela é 10 bamabaô e pronto. É uma das 11 selecionáveis e, qualquer coisa menor é injusto com a realeza dela. Outra sugestão é mudar o título do livro: "Os 12 maiores camisas 10 do futebol brasileiro", neste caso, também, a inclusão da rainha Marta estaria à altura dela.

Um apaixonado pela bola

(texto de divulgação). "Ex-jogador e sempre lembrado como craque, Junior entra em campo na próxima segunda-feira (26), a partir das 19h, para autografar seu primeiro livro, Minha paixão pelo futebol (Rocco, 120 pp., R$ 28). O evento acontece na Saraiva Mega Store do Shopping Rio Sul (Rua Lauro Müller, 116 - Lj. 301 – Botafogo. Rio de Janeiro/RJ. Tel.: 21 2543-7002). No livro, ele relembra desde seus primeiros passos (e passes) em campo até a consagração no Brasil e no exterior e revela como construiu uma carreira vitoriosa no campo e fora dele. O título faz parte da coleção Gol de Letras, uma seleção de livros com histórias sobre futebol voltadas para a garotada. O lançamento será realizado com distribuição de senhas, a partir das 18h30, na própria Saraiva".

24 de abr de 2010

Jornal Extra, do Rio de Janeiro, divulga clássicos da literatura brasileira em quadrinhos

(Por Sidney Gusman). "Desde março 2010, o jornal Extra, do Rio de Janeiro, oferece aos seus leitores a oportunidade de adquirir, por R$ 5,90, um livro da Coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos, da Escala Educacional Serão dez livros, a começar por O triste fim de Policarpo Quaresma (que recentemente ganhou outra versão em quadrinhos pela Desiderata), de Lima Barreto, cuja adaptação tem roteiro de Ronaldo Antonelli e arte de Francisco Vilachã. Os demais livros da coleção são os seguintes: Memórias Póstumas de Bras Cubas, de Machado de Assis, adaptado por Sebastião Seabra; Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, adaptado por Indigo (roteiro) e Bira Dantas (arte); O Cortiço, de Aluísio Azevedo, adaptado por Ronaldo Antonelli (roteiro) e Francisco Vilachã (arte); A nova Califórnia, de Lima Barreto, adaptado por Francisco Vilachã; A Cartomante, de Machado de Assis, adaptado por Jô Fevereiro; O enfermeiro, de Machado de Assis, adaptado por Francisco Vilachã; O Alienista, de Machado de Assis, adaptado por Francisco Vilachã; O homem que sabia javanês, de Lima Barreto, adaptado por Jô Fevereiro; A causa secreta, de Machado de Assis, adaptado por Francisco Vilachã. Muito comuns em jornais europeus, essas promoções de jornais com histórias em quadrinhos são sucesso mundo afora. No Brasil, infelizmente, os periódicos não costumam abrir espaço para iniciativas semelhantes. Que o Extra faça escola. E ponto para a Escala Educacional por ter emplacado livros de sua coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos nessa empreitada".

23 de abr de 2010

Sobre o Pentes, em Salvador, BA

O lançamento do Pentes, em Salvador, dia 11 de abril passado foi estrondoso, queria deixar este registro. O evento ocorreu às 17:00 de um sábado, no encerramento de um seminário que durou o dia inteiro e já estava um pouco esvaziado. Tive uns 15 minutos para falar com as pessoas e ler alguma coisa. Fiz minha apresentação trivial e corriqueira, falei sobre os livros anteriores e um parágrafo sobre a minha trajetória em construção, a saber, de ATIVISTA / ARTIVISTA / ARTISTA. Depois escolhi dois trechos do Pentes para leitura. Senti a movimentação de algumas pessoas que se levantavam e logo estavam com o livro nas mãos. Na audiência, duas mulheres me emocionaram muito, Sueli Carneiro e Ana Célia da Silva. Ao final da leitura, as organizadoras convidaram Ana Célia para falar e ela mencionou a importância da literatura negra, das escritoras negras e, generosamente, disse umas frases sobre meu trabalho literário. Depois formou-se aquela fila imensa para os autógrafos. Para minha surpresa, apareceram duas ou três pessoas com as quais converso pelo blogue, nunca havia estado com elas pessoalmente. Surgiram educadoras que não estavam no seminário, foram para o lançamento. Afora alguns/as participantes da atividade, velhos/as conhecidos/as, era todo mundo novo, leitores e leitoras novos/as e, me surpreendi novamente, gente que já conhecia meus livros anteriores. Ah... pelo menos metade da fila tinha dois exemplares do Pentes nas mãos, um para si e outro para presentear a alguém. Resultado final: vendi todos os livros, todos os exemplares do Pentes e do Tambor levados na mochila, somavam quase 40. E mais, cinco pessoas - dentre elas o Landê, um dos raros amigos a comparecer -, ficaram sem livros. Há dias penso no significado disso, temo expressar conclusões ufanistas (talvez), mas posso dizer que me senti feliz e recompensada e que foi uma injeção de ânimo cavalar.

22 de abr de 2010

Novos quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi

(Por: Paulo Ramos, no UOL). "Bordado é o nome dado no Irã para a maneira como as mulheres se "recosturam" para contornar a perda da virgindade. Em geral, para esconder do futuro marido. A expressão, usada no plural, intitula o novo trabalho de Marjane Satrapi (Quadrinhos na Cia., 136 págs., R$ 35) e dá o tom da obra, a mais picante da quadrinista iraniana. A autora relembra um encontro entre ela, a mãe, a avó, uma tia e outras mulheres durante o samovar, conhecida reunião regada a chá. Os assuntos abordados por elas são a relação de cada uma com os relacionamentos e, principalmente, com o sexo. *** O tema das conversas ganha outra cor quando se lembra o histórico de como as mulheres são tratadas no país, numa posição social mais sujeita aos homens. Falar de sexo, abertamente, é ao mesmo tempo um registro importante para quem não é versado na cultura do país e um grito de emancipação delas, mesmo que a quatro paredes. Os relatos vão de histórias de pura liberação sexual a outras, de literal submissão, como o fato de algumas delas se casarem sem mesmo conhecer o marido. O caso mais gritante dos reflexos da cultura do país é o de uma das mulheres, que teve quatro filhos sem nunca ter visto um pênis. Explicação: o marido fazia sexo no escuro. Em "Bordados", Satrapi retorna a seu país de origem e retoma o tom autobiográfico usado em "Persépolis", álbum que a tornou (re)conhecida e ainda sua melhor obra. O novo trabalho é bem mais pontual. Fica apenas nas conversas picantes entre as mulheres. As fugas para outros cenários ocorrem por meio dos relatos delas. O livro em si é revelador, embora repita o molde narrativo usado pela autora em seus trabalhos anteriores. Além de "Persépolis", ela usou o recurso em "Frango com Ameixas". Exatamente por usar a mesma fórmula, fica a inevitável impressão de que a autora procura prolongar o sucesso de "Persépolis", repetindo à exaustão fragmentos de sua vida".

20 de abr de 2010

19 de abr de 2010

A COOPERIFA vai encher de poesia o céu de São Paulo

(Texto de divulgação). "A Cooperifa vai realizar pelo quarto ano consecutivo, o "POESIA NO AR" um dos eventos mais bonitos da periferia paulistana, e que promete encher de poesia o céu de São Paulo. Nesta noite especial o Sarau acontece normalmente até ás 22hs30, no final todos os poetas e frequentadores são convidados a colocarem seus poemas, ou mensagens em balões (bixigas) enchidos com gás Hélio, este ano serão 500 balões, para serem soltos exatamente às 23hs, para ganharem o céu da cidade. O objetivo da chuva de poemas é fazer com que um pedaço do sarau que já rola há 9 anos na periferia, chegue via aérea na casa das pessoas, e que a poesia, instrumento de cidadania através da literatura, lema do projeto, alcance, literalmente, novos quintais. Agende-se"! POESIA NO AR. Dia 21 de abril quarta-feira 21 hs. Bar do Zé Batidão. Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana, São Paulo. 011.83585965

17 de abr de 2010

Sobre o Ministério da Cultura e o apoio a revistas comerciais

(Por: Ademir Assunção). "No segundo semestre do ano passado o Ministério da Cultura lançou o edital para Periódicos de Conteúdo Cultural. Não sei se revistas literárias como Babel (Santos), Ontem choveu no futuro (Campo Grande), Entretanto (Recife), Polichinelo (Belém), revistas pequenas e de grande qualidade, foram inscritas. A Coyote foi. Esta semana saiu o resultado. Os vencedores: Rolling Stone (que tem na capa da edição de março o apresentador do Big Brother Brasil, Pedro Bial), levou Cr$ 524 mil. A Cult, R$ 504 mil, a Brasileiros, R$ 441 mil e a Piauí, R$ 399 mil. Coyote: R$ zero vírgula zero zero De um lado, revistas comerciais, de mercado, que se sustentam com vendas e anúncios. De outro, revistas de pequena estrutura, sem a menor chance de sobrevivência na rapina do mercado e que realmente veiculam conteúdos altamente culturais. Como a distinta platéia sabe, revistas literárias no Brasil, desde o tempo da Klaxon (dos modernistas),da Revista de Antropofagia (de Oswald de Andrade), e da Joaquim (de Dalton Trevisan), têm vida breve. Apesar da qualidade (internacional!) morrem a míngua pela falta de recursos. E o Ministério da Cultura, contrariando todo o seu discurso, preferiu injetar recursos nas revistas de mercado e virar as costas para as revistas literárias, de pequena ou nenhuma estrutura, feitas invariavelmente por poetas e escritores, que publicam o que há de melhor e mais radical na literatura brasileira, e que lutam heroicamente para se manterem vivas. Nos discursos, a equipe ministerial até já não se esquece de incluir a literatura quando fala de políticas públicas para a cultura. Na prática, continua cagando e andando para os escritores". (Publicado no blogue espelunca: http://zonabranca.blog.uol.com.br).

16 de abr de 2010

Oswaldo de Camargo - 50 anos de vida literária

Homenagem ao poeta e prosador Oswaldo de Camargo, na Câmara Municipal de São Paulo. Dia 23 de abril de 2010, às 18:30. Viaduto Jacareí, 100.

13 de abr de 2010

Cidinha da Silva em Belo Horizonte, dia 17 de abril

Dia 17 de abril de 2010, estarei em Belo Horizonte na Nhoqueria Artesanal, participando de um sarau, cujo tema sera "homoafetividade na literatura". Haverá degustação de nhoque e outras atrações. Data: 17 de Abril. Horário: a partir das 20hs. Local: Nhoqueria Artesanal. Endereço: Terminal Turístico JK - Rua dos Guajajaras 1353 lj 07 - Centro. Valor: R$ 12,00 antecipado (segunda a quinta da 9 às 20hs) R$ 15,00 no dia. Produção: Anderson Feliciano, Anderson Vieira e Nhoqueria Artesanal. Aguardamos vocês!

12 de abr de 2010

As enchentes

(Por: Lima Barreto). "As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam, no nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas. Além da suspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupção das comunicações entre os vários pontos da cidade, essas inundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitas perdas de haveres e destruição de imóveis. De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter compenetrado do dever de evitar tais acidentes urbanos. Uma arte tão ousada e quase tão perfeita, como é a engenharia, não deve julgar irresolvível tão simples problema. O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares, dos freios elétricos, não pode estar à mercê de chuvaradas, mais ou menos violentas, para viver a sua vida integral. Como está acontecendo atualmente, ele é função da chuva. Uma vergonha! Não sei nada de engenharia, mas, pelo que me dizem os entendidos, o problema não é tão difícil de resolver como parece fazerem constar os engenheiros municipais, procrastinando a solução da questão. O Prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio. Cidade cercada de montanhas e entre montanhas, que recebe violentamente grandes precipitações atmosféricas, o seu principal defeito a vencer era esse acidente das inundações. Infelizmente, porém, nos preocupamos muito com os aspectos externos, com as fachadas, e não com o que há de essencial nos problemas da nossa vida urbana, econômica, financeira e social". “Vida urbana”, 19 de janeiro de 1915.

8 de abr de 2010

Ateliê de poesia do Rique Aleixo, em Belo Horizonte

Presidenta da Libéria em visita oficial a Salvador

"Única mulher a ocupar o posto de chefe de Estado na África, a presidenta da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, fará amanhã (08), às 16h, uma palestra sobre Brasil, Libéria e a Diáspora Africana. Aberto ao público, o evento acontece no auditório do Museu de Ciência e Tecnologia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), no Imbuí. Organizada pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi) em parceria com a Uneb, a atividade faz parte de uma ampla agenda da autoridade liberiana no Brasil, com a perspectiva de reforçar operações que visam a aproximação do país com o continente africano. Na Bahia, a presidenta busca o estabelecimento de cooperações em áreas como a cultural e agrícola, além do estreitamento das relações diplomáticas com o Estado, que concentra o maior contingente de pessoas negras no Brasil. Eleita em janeiro de 2006, Johson-Sirleaf é a líder maior do país africano que inspirou o documentário “Manda o Diabo de Volta para o Inferno” (Pray the Devil Back to Hell, 2008), que credita às mulheres da Libéria todo o fim da sangrenta guerra civil daquele país". Informações: Assessoria de Comunicação Secretaria de Promoção da Igualdade ascom@sepromi.ba.gov.br (71) 3115-5142 / 3115-5132 / 9983-9721

7 de abr de 2010

Deu no Correio Nagô: lançamento do Pentes em Salvador, dia 10 de abril de 2010

"A escritora mineira, Cidinha da Silva, lança no próximo dia 10/04, em Salvador, o livro "Os nove pentes d’África". Desta vez, a autora direciona sua criação ao público infanto-juvenil. A publicação foi apresentada, pela primeira vez em noite de autógrafos na tradicional Feira do Livro de Porto Alegre, em sua 55ª edição. O lançamento na capital baiana será realizado durante o encontro “Discutindo a sustentabilidade da causa da equidade racial no Nordeste” que acontece no próximo sábado na Faculdade de Economia da UFBA (Praça da Piedade). Com um texto pautado pela emoção, em que a prosa a cada linha é pura poesia, a mais recente obra literária de Cidinha da Silva promete ser disputada também por adultos. A história construída em 56 páginas, com ilustração da atriz e artista plástica Iléa Ferraz, é lançamento da Mazza Edições, editora de Belo Horizonte, Minas Gerais. Na micro apresentação de seu novo livro, Cidinha da Silva expressa que “Os nove pentes d'África" tecem um bordado de poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira. Os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá, personagem condutor, são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e rituais cotidianosda narrativa. O livro de Cidinha da Silva aborda o universo das relações familiares, e faz reverência à sabedoria dos mais velhos e à ancestralidade africana. A motivação criadora, segundo Cidinha da Silva, veio de casa, dos pequenos da família “e em especial, de uma sobrinha que, aos seis anos, em processo de alfabetização, soletrava as letras do Tridente - referência ao seu segundo livro Cada Tridente em seu lugar” -. Aquilo me comovia e angustiava. Expliquei que se tratava de um livro para adultos, por isso as letras eram pequenas e daí sua dificuldade para ler. Ela então me perguntou: “- Tia quando você vai escrever livros para crianças?”. Era a senha que faltava para a escritora mergulhar nesse novo processo criativo. Ela está fascinada pela experiência. “Creio que farei este caminho por algum tempo. Estou determinada a ser lida pelos pequenos da minha casa, enquanto são pequenos, e fico felicíssima quando minhas sobrinhas e irmãos levam meus livros para a biblioteca da escola em que estudam, ou quando encontram meus livros por lá e vêm me contar. É delicioso sentir que eles têm orgulho de mim e agora poderão ler minha literatura sem esforço, apenas por prazer”. Outras publicações da autora – “Ações afirmativas em educação: experiências brasileiras”, de 2003, um livro de ensaios organizado por Cidinha da Silva com a parceria de sete outros autores e autoras (3aedição). “Cada tridente em seu lugar”, já em segunda edição (2006/2007), é o primeiro livro de ficção. Em 2008, Cidinha da Silva publicou “Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor”, um conjunto de 26 textos, entre crônicas e mini-contos, que gira em torno das afetividades, da sexualidade, do amor e do corpo". Serviço: O que é: Lançamento do livro de Cidinha da Silva: Os nove pentes d´África. Quando: 10 de abril de 2010. Horário:17h Onde: Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia, Praça da Piedade, Centro – Salvador, Bahia. Contatos: Trícia Calmon: 8752-4582 e Roseni Sena 31 9951-8838 (Consultores da Fundação Kellogg)/ Iranildes Aquino 8883-1843 e Paulo Rogério 9637-5920 (CEAFRO)

Sete casas para nidificar a sua vida

6 de abr de 2010

Mais comentários críticos sobre o livro inédito

(Por: *Nena de Souza). "Para dentro de mim esse é um livro de cuidados. Cuida dos caminhos, dos encontros. Transcende. E devolve para quem o lê e/ou o lê para acalentar alguém, para ouvir e refletir, sentidos. É re-significar a vida e a História nas brechas entre o passado e o presente. Revela o necessário cuidado com o mundo. Cuidados ao lembrar. Cuidados na busca intuitiva e profunda, digo, primorosa, atenta e encantada - nem por isso infantilizada – por ser aquilo que pode ser que não conheçamos. Ainda assim, cuidado com o belo exposto, pois quem o descreve, a escritora, oferece palavras, sons, imagens e a decisão de falar para quem? Para ascender os mais novos, para ascender a todos nós. Os sons que ouço são os sons das belezas da terra ao trazer, intencionalmente, as perdas, canções, homenagens, ações e determinações que visam dissipar um retorno do passado ao presente, e ao mesmo tempo retê-lo na memória e nos discursos. Reúne e cuida, Xamã, curumim, erês. Bichos e plantas empoderados. Cuida com movimentos de quem sofre na modernidade relações que a sociedade de classes retoma ao banalizar o mal, dando a algumas pessoas o uso da vida das outras para enriquecimento próprio. Cumpliciza. Porque coloca em foco o que acontece naquele instante e muitas vezes não refletimos esse instante devido às ofertas da sociedade pós-moderna da indústria do entretenimento e do consumo. E ai chega você, a artista, insere, encanta e propicia: essa imaginação, essas imagens, o compromisso das palavras às crianças, adolescentes e adultos. Problematiza. E sem exigir... insere buscas profundas de conhecimento. Quem lê, devora. Desfaz a mínima possibilidade de continuísmos. A brecha está, digamos, em primar na leitura por tons que façam interagir olhares e sentidos que entrelaçam o livro a esses versos de Manoel de Barros: "Ainda não entendi porque herdei esse olhar para baixo. Sempre imagino que venha ancestralidades machucadas. F.ui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão. Antes que das coisas celestiais. Pessoas pertencidas de abandono me comovem: tanto quanto as soberbas coisas ínfimas". E se não fosse este livro inédito, Cidinha, Tridente, Você me deixe, viu?, as pessoas pertenceriam ao abandono... como diz Hannah Arendt “se não fosse isso, nós não teríamos arte, mas apenas Kitsch”. Essas pérolas, vindas de você, são presentes que determinam o enfrentamento quando o novo é o velho, e o velho é o novo. Onde os contra-valores presentes nas entrelinhas da cotidianidade precisam gerar conhecimento. A sua oralidade mostra que a banalização do mal pode ser superada sob diversas manifestações. E que, nesse lugar dado, há olhares cuidadosos mostrando nas entrelinhas formas de amar que sejam cuidadas desde os primeiros dias de vida, para que na continuidade da vida saúdem a vida nas suas diversidades. Senti ao longo do livro, as imagens de um mundo em transmutação, desde os fatos mais duros à vida como o tráfico e o trabalho escravo, às manifestações de afetos, determinação de compromissos que promovem o pensamento à descobertas que modificam a vida. Aí, minha irmã, você se encontra num intrincado labirinto... Sei que isso não reduz sua chama. Essa leitura da vida chegará aos nossos erês? Mesmo na dúvida coloque-a à disposição. É possível que as suas palavras ocupem um lugar que transborde suas leitoras e seus leitores e esses passem a ver que há um desafio entre o passado e o presente para ser buscado. E re-signifiquei o livro no afã das minhas emoções, pelo que lia e via. Vi o livro num filme infanto-juvenil. Vi o Davi produzindo telas enormes naquele galpão onde trabalho. Vi Áurea e Zulmira bordando cada capítulo e Antônio, transformando tudo em histórias em quadrinhos, como uma forma de superação de seu próprio abandono. Vi que agir implica uma práxis cúmplice na profundidade das palavras. Por fim, Sylvie Courtine-Denamy encontrou outra pérola “para manifestar o cuidado com o mundo, ocupando-se dele e assim salvando-o da ruína, as mulheres e os homens disporiam, então, de duas faculdades bem distintas: a ação política e o trabalho com as palavras, tanto pela forma do testemunho quanto pela forma do poema”. Estou em êxtase! Eu vou pra Palmares! Desde a infância, a amiga, Nena". *Nena é educadora e ativista política.

5 de abr de 2010

Marias Brasilianas

"Marias Brasilianas: a arte do fio revela de maneira poética, através da dança, teatro e música, o processo de criação de artistas populares brasileiras - uma homenagem às fiandeiras, tecelãs, rendeiras e bordadeiras de várias regiões do Brasil. Durante 60 minutos, através de 16 cenas, o espetáculo apresenta a arte de transformar o algodão em fio, o fio em tecido, renda e bordado - ofícios-milenares femininos, entremeados às histórias de vida das mulheres artistas. Temperado pela intertextualidade das palavras, imagens, gestos, coreografias e composições musicais originais, executadas pelos jovens artistas da Cia Cirandeira, Marias Brasilianas: a arte do fio trança narrativas que desvelam nossos vários Brasis pelas mãos de arteiras (parteiras) do fio de muitas meadas". De 19 de março a 11 de abril de 2010 (sex, sáb, dom). Local: Centro de Referência Cultura Infância - Teatro Municipal do Jockey. Endereço: Pedestres - Rua Bartolomeu Mitre, 1110 - Gávea - Rio de Janeiro. Automóveis - Rua Mário Ribeiro, 410 - Gávea - Rio de Janeiro. Horário: 21 horas. Entrada: R$ 20,00 (Inteira) | R$ 10,00 (Meia.

4 de abr de 2010

Os corpos das mulheres como campo de batalha

(Por: Tere Molla; Fonte: El Libertário Nº58 - Venezuela - agência de notícias anarquistas-ana). "Depois de uma recente viagem à Palestina, fiquei fortemente impressionada com o altíssimo índice de natalidade existente entre as mulheres palestinas. Elas, nas reuniões que mantivemos com as suas associações, explicavam-no como uma nova forma de luta pelos seus direitos, como um novo feminismo, além de ser considerado como um dever patriótico. Mas, apesar disso, custava-me muito a entender até que passados uns dias li, num documento que caiu em minhas mãos, que a verdadeira questão é outra. Trata-se de uma estratégia política para poder manter a separação demográfica com Israel. Desta maneira também integram a luta contra o Estado ocupante, no seu próprio corpo de mulheres. Tendo em conta que Israel também realiza políticas ativas para o crescimento demográfico, deparamo-nos com o fato de que tanto os dirigentes palestinos como os judeus estão a utilizar os corpos das mulheres como campos de batalha, sem ter em conta as suas próprias decisões pessoais, nem o direito de poder decidir sobre o seu próprio corpo. Deste modo posso entender o grande número de meninas e de meninos palestinos mortos na ofensiva de Gaza. Não se trata só de destruir, trata-se de matar gente, para assim evitar que no futuro continuem a reproduzir-se. Parece-me tudo tão complicado, tão agressivo, tão doloroso, que embora entendendo-o, continuo a achá-lo uma barbárie. Nós, mulheres, temos direito a decidir livremente sobre o nosso corpo e nenhum Estado nem nenhuma estratégia deverá impedir-nos de sermos senhoras absolutas dele. Mas vejo que não é assim e que continuam usurpando a nossa intimidade, a nossa capacidade reprodutora em nome dos interesses de outros. E, o que é pior, tudo isso negando-nos a capacidade de ter prazer. E de novo surgem da escuridão, como fantasmas, os dogmas das religiões, de qualquer delas. São eles, os dogmas, os ritos e as crenças religiosas que impedem as pessoas de terem uma certa objetividade no olhar à sua volta, tornando-as sectárias e dogmáticas, dispostas a tudo para defender esse deus que representa a sua essência vital. Devido a esse sectarismo religioso, de qualquer cor, têm surgido guerras e ao longo da história sempre se repetiu o mesmo padrão: a defesa intransigente dos éditos religiosos contra outras crenças ou contra o questionamento desses mesmos éditos. E tanto derramamento de sangue sempre tem levado, em paralelo, à utilização dos corpos das mulheres, quer como armas de guerra, com violações e humilhações de todos os tipos, ou fazendo-as parir para dar mais filhos à causa em jogo. Ou acaso não recordamos a limpeza étnica da última guerra dos Bálcãs? As mulheres eram violadas, raptadas e forçadas a parir em condições tão terríveis para as “desonradas” perante as suas famílias… e aceitar um filho, neto ou sobrinho, engendrado pelo agressor? É terrivelmente doloroso para mim ter que aceitar que estes acontecimentos ocorrem, que estão ocorrendo agora mesmo em qualquer conflito armado ativo no planeta. Pensar nos corpos das mulheres como campos de batalha onde se redimem conceitos como Estados, comunidades, ou congregações, parece-me uma barbaridade difícil de aceitar, mas é o que está a acontecer. A dor da aceitação desta realidade implica um compromisso contra tais situações. E uma maneira de combater essa realidade inaceitável é dando-a a conhecer na sua plenitude. Assim, as mulheres da Palestina, e tantas outras mulheres do mundo, continuarão a ver arrebatarem-lhes a decisão sobre algo tão íntimo como o seu corpo, e sobre a sua relação com ele, assim como a decisão de serem mães ou não, continuarão a serem usadas como campo de batalha onde construirão a ansiada nação palestina livre, mas a que preço?"

3 de abr de 2010

Sobre meu romance infanto-juvenil inédito

(Por: *Eduardo Oliveira). "Adorei o seu texto. De uma leveza infantil e cheio de insigths geniais. Seja na terra, seja no mar, seu texto encanta. Para meus olhos, percebi alguns fundamentos dos quais seu testo emerge. Você inicia com a Ancestralidade dos personagens principais. Ancestralidade que, aliás, nunca desaparece do texto. Nem os vivos. Nem os mortos. Perfeito! Par-a-par com a Ancestralidade, está a natureza, como meio e como mensagem. Ou seja, é o lugar onde tudo acontece e isso tem uma importância enorme na sua narrativa estética; mas é também uma mensagem constante, chamando atenção para diversidades, estados psicológicos, paisagens imaginárias de mundos existentes, pré-existentes e possíveis. Tudo com o tom certo. além do que, você recorre aos saberes dos antepassados, como a cura com folhas, e o ritual para utilizá-las, de maneira que toca o seu leitor. Cumplicidade entre as mulheres é outro elemento que salta aos olhos. Está aí sua marca! A Referência do texto vem sempre do universo feminino, e isso não menospreza o universo masculino. Mas a narrativa, sem dúvida, ressalta as mulheres e seus valores. Amplia, na verdade, valores e ações do universo feminino; a ancestralidade de seu texto é matriarcal. Corporalidade e Musicalidade são outros dois elementos muito presentes e bem construídos ao longo do romance. Gosto particularmente das partes onde aparecem os quadris, a ginga, a dança e a meninice. Ludicidade e Humor também não faltaram. Há trechos verdadeiramente refinados, tanto na linguagem como no conteúdo da narrativa, como o diálogo entre o personagem central e o maestro. A amizade também aparece como um valor "estruturante". Sabedoria, é mais um dos elementos. Aparece na figura do índio, do filho de quilombolas, dos mais velhos da comunidade, das mulheres protagonistas... Amor, como explicação das fantasias e liberdades poéticas da narrativa. Enfim, querida, são apenas alguns apontamentos e contribuições, na esperança que cheguem a tempo. Quem sabe possam ser aproveitados na segunda edição, quando você já terá vendido 50 mil exemplares". *Eduardo é professor na Faculdade de Educação da UFBA e fez generosa leitura crítica do meu romance infanto-juvenil inédito).

1 de abr de 2010

Johnny Alf, o "pai da bossa nova"

O querido Johnny Alf se foi e não consegui escrever sobre ele no blogue, a velha querela da falta de tempo. E ele é um músico tão importante nos meus encontros com a boa música. Gosto, especialmente, de um CD lançado há vinte anos ou mais, no qual ele canta com convidados: Gal Costa, Gil, Sandra de Sá, Leny Andrade e outros. Além da qualidade musical, creio que sempre me encantou o forte registro estético-político representado pelo disco. Johnny, até onde acompanhei, reclamava pouco da expropriação de seu trabalho, precurssor da Bossa Nova. Parecia-me que era sua opção responder ao não-reconhecimento artístico com uma qualidade cada vez maior da música. Dizia-se também sobre ele, vindo da boca de outros músicos, que Johnny era o profissional mais respeitador do público que já havia passado por um palco. São lendárias as histórias de músicos e maestros que fugiam dos seus trabalhos à noite e se dirigiam ao Beco das Garrafas, para ouvir, pelo menos uma palhinha de Johnny nas boates do Rio de Janeiro dos anos 50 e 60. Deve estar agora regendo orquestras de colibris, o Johnny. (Por:Larry Rohter). "Embora não fosse muito conhecido fora do Brasil e tenha desfrutado de uma popularidade intermitente em sua terra natal, Alf é muito admirado por músicos e musicólogos brasileiros O influente compositor, pianista e cantor brasileiro Johnny Alf, cuja música delicada foi precursora da bossa nova, morreu em 4 de março em Santo André, no ABC paulista. Ele tinha 80 anos e morava em São Paulo. A causa da morte foi um câncer na próstata, disse seu agente, Nelson Valência. Embora não fosse muito conhecido fora do Brasil e tenha desfrutado de uma popularidade intermitente em sua terra natal, Alf, nascido Alfredo José da Silva, é bastante admirado por músicos e musicólogos brasileiros. O escritor Ruy Castro, autor de vários livros de referência sobre a música popular brasileira, chamou-o de “o verdadeiro pai da bossa nova” Alf foi contemporâneo de Antonio Carlos Jobim, João Gilberto e outros que transformaram a bossa nova num fenômeno mundial, mas ele começou sua carreira mais cedo e passou meados da década de 50 tocando no chamado Beco das Garrafas, uma rua em Copacabana cheia de bares e clubes noturnos. Seus fãs mais jovens entravam nesses bares para ouvi-lo tocar e estudar sua técnica e estilo cheio de improvisação. “Foi com ele que aprendi todas as harmonias modernas que a música brasileira começou a usar na bossa nova, no samba-jazz e nas músicas instrumentais”, disse o pianista e arranjador João Donato na sexta-feira (12). O violonista e compositor Carlos Lyra acrescenta: “Ele abriu as portas para nós com seu jeito de tocar piano, com sua influência do jazz. Quando minha geração chegou, ele já havia plantado as sementes.” Alfredo José da Silva nasceu no bairro de Vila Isabel no Rio de Janeiro, um reduto do samba, em 19 de maio de 1929. Seu pai era soldado do Exército, sua mãe dona-de-casa. Ele começou a estudar piano aos 9 anos, concentrando-se num repertório clássico. Mas sua paixão por filmes americanos o levou para longe dos clássicos e aproximou-o do jazz, uma mudança que ele descreveu mais tarde em uma divertida composição chamada “Seu Chopin, desculpe”. Alf começou a tocar profissionalmente aos 14 anos, quando assumiu seu nome de palco americanizado. Ele ajudou a fundar um fã-clube de Frank Sinatra no Rio e também admirava George Gerswhin e Cole Porter. Mas sua maior influência, como pianista e cantor, foi provavelmente Nat King Cole, cujo vocal suave, o toque sensível e os acordes sofisticados combinavam bem com o jeito quieto, e até mesmo tímido, de Alf. “Sempre toquei no meu estilo próprio”, disse Alf numa entrevista no ano passado para o jornal Folha de S. Paulo. “Tive a ideia de misturar a música brasileira com o jazz. Tento misturar tudo para atingir um resultado agradável.” Em seu melhor, a música de Alf tinha um jeito leve e aéreo que expressava o otimismo e a alegria de viver que os brasileiros consideram uma das características nacionais. Isso se reflete não só no título de sua música mais conhecida, “Eu e a Brisa”, mas também em sucessos como “Ilusão à Toa” e “Céu e Mar”, assim como em “O Tempo e o Vento” e “Rapaz de Bem”, um single de 78 rpm lançado em 1955 e agora visto por muitos como os primeiros registros gravados da bossa nova. Mas, cansado da vida agitada do Rio, mudou-se para São Paulo em meados dos anos 60 e aceitou um emprego de professor num conservatório. Depois disso, embora continuasse a se apresentar regularmente, ele passou a gravar apenas esporadicamente. Em 1990, ele gravou “Olhos Negros”, um CD amplamente elogiado, em que predominam duetos com uma segunda geração de admiradores, incluindo Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Gal Costa. De acordo com reportagens da imprensa brasileira, Alf não deixou herdeiros imediatos. “Pelo menos não serei completamente esquecido”, disse ele no ano passado. “Minha música sempre foi considerada difícil. As gravadoras percebiam o valor da minha música, mas ela nunca teve o apelo comercial que elas gostariam.” Tradução: Eloise De Vylder.

CANEGRADA! Homenagem a estudantes e trabalhadores negros, na USP - São Paulo