Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Postagens populares

Visualizações de páginas da semana passada

Google+ Badge

Translate

27 de jan de 2012

17 anos sem Beatriz Nascimento

(Por Alex Ratts). "Neste sábado, 28 de janeiro, completam-se 17 anos da morte de Beatriz Nascimento, historiadora, ativista e poeta negra, nascida em 1942, na cidade de Aracaju, Sergipe, e que migra com a família para o Rio de Janeiro onde faz sua trajetória escolar, acadêmica, militante e artística. É co-fundadora do IPCN e do Grupo de Trabalho André Rebouças (GTAR), coletivo de estudantes negros que contava com colaboradores/as de vários pertencimentos étnico-raciais e que atuou na Universidade Federal Fluminense por mais de 15 anos. Pesquisadora da temática dos quilombos por cerca de duas décadas, também escreveu artigos acerca de outros temas como racismo, cultura e mulher negra. Em vida, tornou públicos alguns poemas e prosas poéticas a exemplo de Urgência (A Potência Z) e dos textos e narração para o filme Ori (Raquel Gerber, 1989). Tornou-se ela mesma uma “vontade de potência”: a potência Beatriz."

25 de jan de 2012

"Não me falem em leis, nós estamos armados"

‎"Não me falem em leis, nós estamos armados!" Pompeu, o Grande, em campanha na Sicília. O general romano e o PSDB em São Paulo têm tudo em comum. Que consigamos varrê-los da cidade (pelo menos) nas eleições de 2012!

24 de jan de 2012

Pelo menos 24 horas sem Globo!

É amanhã! Nada de Globo (nem os programas de esporte nos canais a cabo) aqui em casa!

23 de jan de 2012

Milhares denunciam racismo contra imigrantes etíopes em Israel

(Deu no Mídia Étnica). "Cerca de cinco mil pessoas protestaram na quarta-feira (18/01/2012) em Jerusalém pelo racismo que, segundo denunciaram, a sociedade israelense exerce contra a comunidade de imigrantes de origem etíope, informou a imprensa local. Os manifestantes, entre eles centenas de etíopes de nacionalidade israelense, se concentraram diante do Parlamento (Knesset) entre cartazes que diziam "Negros e Brancos - Todos somos iguais", "Justiça social" e "Nosso sangue só é bom para a guerra". A manifestação, que em seguida se dirigiu até a frente da residência do primeiro-ministro, Benjamin Netayanhu, também contou com a participação de deputados da oposição e líderes do movimento de indignados, que em meados do ano passado desencadearam a maior onda de protestos da história de Israel. O líder da oposição israelense, Tzipi Livni, também compareceu ao protesto, segundo a edição digital do jornal "Yedioth Ahronoth". Entre os manifestantes estava Mulet Araro, um estudante de 26 anos de origem etíope, que na última segunda-feira (16) empreendeu uma marcha de 63 quilômetros de sua casa em Kiryat Malachi até Jerusalém para denunciar a discriminação que sua comunidade sofre. 'Acho que um pequeno grupo pode gerar uma mudança', disse Araro, que caminhou até Jerusalém acompanhado por outros imigrantes de origem etíope de sua localidade. Na semana passada, centenas de manifestantes protestaram em Kiryat Malachi por conta do racismo que existe contra os imigrantes etíopes. Segundo os participantes do protesto, os proprietários de imóveis se negam a vender ou alugar apartamentos aos imigrantes etíopes e aparecem frases contra eles em vários muros e automóveis da localidade. "Empreendo esta marcha de protesto contra o racismo que reina na sociedade israelense a fim de despertar os cidadãos de seu estado de sonolência atual", anunciou Araro em sua página no Facebook. Os ânimos entre os israelenses de origem etíope se aqueceram na semana passada depois que a ministra de Absorção de Imigrantes israelense, Sofa Landver, disse em uma comissão parlamentar que os imigrantes etíopes deviam "dar graças a Israel por terem sido recebidos". O ativista social Daniel Bahart, que participou da manifestação desta quarta, acusou o governo de até agora ter oferecido apenas uma "resposta cosmética" ao racismo e denunciou inúmeros casos de segregação e discriminação nas escolas e outros âmbitos da sociedade israelense."

22 de jan de 2012

Rita Lee anuncia aposentadoria dos palcos durante show no Rio de Janeiro

Ontem passei pelo Circo Voador e vi anúncio desse show da Rita. Hoje li a notícia de sua aposentadoria dos palcos. A novidade reforçou algo sobre o qual tenho refletido, sim, o corpo pede aposentaria. Cesária fez isso um pouco antes de morrer, não aguentava mais as viagens, as turbulências, o palco. Vários jogadores de futebol têm se aposentado. E, por trás glamour da aposentadoria dos famosos, há a sabedoria de saber a hora certa de parar. Outro dia comentava com amigos sobre uma cantora que deveria se aposentar, caminha com dificuldades, treme muito ao segurar o microfone, não consegue mais cantar, apenas fala, de maneira afinada, mas a gente precisa se esforçar para entender o que ela diz. Aos navegantes: ela pode se aposentar, se quiser, não vai morrer de fome sem o dinheiro dos shows. Mas meus amigos disseram que morrerá de tristeza e frustração sem o palco. Não sei! A aposentadoria de Rita Lee me diz que é possível não morrer diante da necessidade física de abdicar do palco. Fica a minha torcida para que a outra cantora siga o exemplo da Rita, respeite os próprios limites e seja feliz com a música, mas sem o palco. "Aos 64 anos, a cantora e compositora Rita Lee anunciou, durante show que fez neste sábado (21), no Circo Voador (Rio), que vai se aposentar dos palcos. Esta foi a primeira apresentação da cantora no tradicional palco de shows na Lapa, centro do Rio. Pela manhã deste domingo, a cantora explicou no Twitter: "Aposento-me de shows, da música nunca. Quem me viu ontem pode bem atestar minha fragilidade física. Saio de cena absolutamente paixonadacocês". Segundo o relato do crítico musical Jamari França, do jornal "O Globo", a roqueira anunciou que pretende se aposentar dos palcos durante a execução da música "Ovelha Negra" e baixou a cabeça diante do microfone. Muito emocionada, Rita chorou e foi aplaudida pelo público, que gritou "Rita, Rita". Para o público do Rio, Rita disse que aquele era o penúltimo show da turnê ETC, mas para ela era o último: "Vocês bateram direto no meu coração. Não podia ser lugar melhor nem público melhor. Parabéns Circo Voador."

21 de jan de 2012

Homem-aranha negro!

(Deu na olha de São Paulo, há algum tempo, por Marco Aurélio Canônico). "A conhecida figura de um rapaz com uniforme de aranha balançando com sua teia pelos prédios de Nova York estará novamente nas bancas e livrarias dos EUA hoje, nas páginas de um gibi inédito. Mas, quando o Homem-Aranha tirar sua máscara no primeiro exemplar de "Ultimate Comics Spider-Man", os leitores não verão o rosto familiar de Peter Parker, e sim o do desconhecido Miles Morales, um garoto negro e de ascendência hispânica. Parker morreu em uma HQ de junho --que, assim como a que traz seu sucessor, só chega ao Brasil em meados de 2012--, mas mais comentada do que a sua morte foi a notícia de que seu substituto seria negro. Não é a primeira vez que um super-herói troca de cor, mas isso nunca havia acontecido, da forma permanente que se anuncia agora, com um protagonista tão destacado. "Quando decidimos que o Homem-Aranha morreria, discutimos muitas opções para substituí-lo e sentimos que era importante que o novo personagem refletisse a nova cara dos EUA", disse à Folha Mark Paniccia, editor da HQ. Paniccia se refere não apenas à vasta população de imigrantes e seus filhos (leitores que nunca se viram representados entre os maiores super-heróis, todos brancos) mas à eleição de Barack Obama, prestes a se confirmar quando o novo Aranha estava sendo pensado. Axel Alonso, editor-chefe da Marvel --a maior editora da quadrinhos do mundo, que publica o Aranha e foi comprada pela Disney em 2009--, foi mais explícito em entrevista a um site de HQs. "O presidente tem origem mista, eu próprio tenho origem mista. Minha mãe é inglesa, meu pai, mexicano. É o mundo em que vivemos." Saudada por boa parte da imprensa e pela porção multiétnica dos EUA, a mudança de pele do Homem-Aranha, 49 anos após sua origem, trouxe também três tipos de reação contrária logo após seu anúncio pela Marvel, no mês passado. Os fãs, geralmente refratários a qualquer alteração em personagens queridos, chiaram logo na internet. A eles seguiram-se os racistas, com comentários preconceituosos em blogs e redes sociais. Por fim, o tema acabou sendo visto sob a lente do polarizado e turbulento debate político dos EUA. Opositores de Barack Obama (que já havia aparecido em uma HQ do Aranha em 2009) e porta-vozes da direita, como o radialista Glenn Beck, reclamaram. "Ele parece com o presidente Obama", disse Beck em seu programa, no qual também associou a criação do novo herói a uma frase da primeira-dama, Michelle, em outro contexto ("Nós teremos de mudar nossas tradições"). "Isso é escapismo. Queremos entreter nossos leitores tanto quanto qualquer outra mídia", disse o editor da nova HQ, Mark Paniccia, à Folha. "Não podemos estar sempre preocupados com a política. O que importa é contar uma boa história." A partir de hoje, a saga de origem do novo Aranha começa a ser narrada --Miles Morales exibiu o rosto brevemente numa HQ no mês passado, mas pouco se sabe sobre sua vida e seus poderes. É claro que na bilionária indústria dos quadrinhos (cujos personagens se desdobram em cinema, TV, videogames e produtos licenciados) ninguém rasga dinheiro, ou seja: mudanças radicais vão até um certo ponto. Peter Parker continuará vivo e usando o uniforme do Aranha numa linha de HQs que seguirá sendo publicada paralelamente à "Ultimate", nos EUA e no Brasil. "O que normalmente ocorre nesses casos é um enorme burburinho provocado pela mudança para, depois, voltar tudo ao que era antes", diz Paulo Ramos, professor da Universidade Federal de São Paulo e especialista em HQs. "De todo modo, há casos em que, apesar de toda a estratégia editorial envolvida, conseguem-se histórias interessantes. A 'morte' do Super-Homem, na década de 1990, foi um caso assim."

18 de jan de 2012

Bartolomeu Campos de Queirós, caçador de sentidos

(Deu em O Globo / Por José Castello - crítico literário). "Bartolomeu Campos de Queirós sempre escreveu em busca do sentido. Sabia que o mundo, com o avançar doido dos séculos, se deteriora e se fragmenta. Sabia que as palavras, a cada dia, dão menos conta do que vivemos. Insistiu em buscar sentidos onde a maior parte dos escritores nada mais vê que uma turvação. Viveu para isso. Com sua postura quase invisível de caçador. Em tempos de tantos escritores céticos, ou mesmo cínicos, Bartolomeu acreditou na força — na utilidade — da literatura. Daí uma das características mais marcantes de sua escrita: a delicadeza. Sentido não é coisa que se impõe, mas algo que se colhe, como um fruto. Se você apertá-lo muito, ele pode se desfazer em suas mãos. Bartolomeu sabia disso e escrevia, antes de tudo, com prudência. E também com elegância. Seu último romance, o esplêndido “Vermelho amargo”, é uma súmula de suas aventuras na linguagem. Sabia Bartolomeu, como está em sua ficção, que “o peso da terra é definitivo véu”. Ainda assim, humanos, temos como destino forçar essa máscara, nela fazer furos sutis de respiração. Eis a literatura, como Bartolomeu a concebia. Uma escrita discreta, feita de palavras sutis, de teimosia afetuosa e de sentimentos tímidos. Escritores como Bartolomeu andam desarmados, com o peito exposto. Mais que o peito, o próprio coração. A escrita, em seu caso, emerge dos sentidos. Repetindo a fala de um de seus personagens, Bartolomeu “escrevia, e por isso pensava”. Ou pensava, e por isso escrevia? Seja como for, para ele a palavra jamais se separou do pensamento. O que, em nossos tempos vazios, é puro ouro."

17 de jan de 2012

Muhammad Ali - 70 anos! Ele era capaz de flutuar como uma borboleta e de picar como uma abelha...

Em tempos de Big Big Burro-abuso-estupro global...

Decreto que altera regras para concessões de rádio e TV está no Diário Oficial - "O Diário Oficial da União publica hoje (17) decreto sancionado ontem pela presidenta Dilma Rousseff, que altera as regras para a concessão de novas emissoras de rádio e televisão. Pelo decreto, o conteúdo jornalístico, cultural e educativo será decisivo na escolha do vencedor da licitação. De acordo com o Ministério das Comunicações, o novo decreto torna o processo mais rápido e impede que empresas sem qualificação participem e ganhem a outorga e, depois, tenham dificuldade de operar. Até então, o item que mais pesava era o prazo oferecido pelo concessionário para colocar a emissora no ar."

16 de jan de 2012

Falecimento do escritor Bartolomeu Campos de Queirós

Bartolomeu Campos de Queirós tinha 66 anos e publicou 40 livros. Morreu na madrugada desta segunda-feira, em Belo Horizonte. Estava internado no Hospital Felício Rocho (onde nasci), na Região Centro-Sul da capital. Escrevia livros de histórias infantis e juvenis sem acreditar em literatura infantil e juvenil. Só o encontrei pessoalmente uma vez, durante um Salão do Livro Infantil e Juvenil, no Rio de Janeiro, à volta de 2006. Longe de ser um galã, ele balançava o coração das senhoras. Lembro-me da reação física que seu público feminino de mais idade demonstrava ao vê-lo caminhar entre a massa de fans. Reação digna de uma apresentação de Ney Matogrosso! Agora que não posso mais encontrá-lo, lamentei não tê-lo feito em novembro passado, quando participamos de um mesmo evento dedicado à leitura, promovido pelas secretarias de educação e cultura de BH. Sou leitora de Bartolomeu, os livros "Indês", "O olho de vidro do meu avô", "Por parte de pai" e "tempo de voo", um dos mais recentes nas livrarias e nas minhas prateleiras, me arrebataram. Fico triste e com a sensação arrogantemente humana de que ele foi embora cedo demais.

13 de jan de 2012

Curso novo da Toró!

(Por Allan da Rosa). "Quais as tranças e desvios entre ritual e cena, performances e palco na história afro-brasileira? Como as funduras de personagens, montagens e textos teatrais anunciaram, rasgaram ou assimilaram os terrores racistas de cá? Em que pé vão as buscas estéticas e políticas no teatro contemporâneo africano hoje? Há namoros entre a dor e a comédia de pintar a cara de pre to, nas tantas curvas e contextos desse Brasilzão congadeiro e rapeiro? Pro saber e o sabor de aprender juntos, este é o 8º curso, 8º pedagoginga realizada pela Edições Toró, agora na aliança com o glorioso Teatro Clariô. Os cursos miram alimentar a Arte-Educação Popular e Afro-brasileira, pesquisando e praticando didáticas em temas tão necessários às nossas quebradas da cabeça e ladeiras das veias, fortalecendo a reflexão e o revide nas beiradas de SP e também contaminando espaços regulares como as escolas oficiais. Urgência e Dádiva nossa. Inda mais em tempo que “Cultura”, Resistência e Anunciação vão se confundindo facilmente com mais e mais Auto-Marketing, Ações Espetaculares ou com “Enviar-Compartilhar-Curtir” no reino da cadeira e da tendinite. Axé! Saúde e Continuidade." Inscrições entre 09/01 e 19/01, no sítio das Edições Toró: www.edicoestoro.net Gratuito para até 40 participantes, com distribuição de apostilas e certificados ao final Sábados entre 21/01/12 e 25/02/12 (exceto 18/02, sábado de carnaval) das 14hs às 17hs30. No Espaço Clariô- Rua Santa Luzia, 96. Taboão da Serra ((próximo ao Largo do Taboão, ao Hospital Family, ao final da Avenida Francisco Morato e ao começo da Estrada do Campo Limpo) Apoio: Nós por nós. Agradecimentos: Aos educadores que vem na graça e à comunidade que chega ou oferece atenção. Grupo Clariô de Teatro - www.espacoclario.blogspot.com

12 de jan de 2012

Os Crespos em curta temporada paulistana

(Por Zinho Trindade). "A Cia. Os Crespos estréia seu novo espetáculo "Além do Ponto" mostrando em cena o processo de separação de um casal. O jogo dos personagens em cena é, a partir da separação, tentar imaginar um amor sem dor, a separação como transformação e não como fim, como a cura para uma doença. Como recursos em cena, o espetáculo traz Vídeos, DJ e microfone interagem com a peça. Durante a pesquisa para a criação da dramaturgia, os atores registraram em vídeos depoimentos pelas ruas de São Paulo, colhendo histórias de amor pessoais. Os Crespos... " Neste processo "concentrado" para construir nosso novo trabalho, a interrogação que nos sequestra parte da constatação da experiência de muitas mulheres negras que sentem que em suas vidas existe pouco ou nenhum amor. Essa é uma de nossas verdades privadas que raramente é discutida em público. Não tem sido simples para as pessoas negras desse país o entendimento do que é amar. Considerando a experiência do povo negro é possível entender por que historicamente muitos se sentiram frustrados como amantes. Precisamos reconhecer que a opressão e a exploração distorcem e impedem nossa capacidade de amar. "O amor cura". Nossa recuperação está no ato, no gesto. O amor é ao mesmo tempo "uma intenção e uma ação". Este trabalho é um grito e uma oração que pede passagem para uma continuidade. A vontade de amar tem representado um ato de resistência para os afrobrasileiros – daí o sentido de investigar sobre os fins e os encontros."

11 de jan de 2012

Galanga: a coroa banto de Maurício Tizumba

O espetáculo "Galanga - Chico Rei" continua ecoando em mim. Há muito não assistia algo que me emocionasse tanto. É um trabalho montado para uma ator-cantor-dançarino-compositor contar uma história, mostrar todo o seu talento e técnica artística, brilhar: Maurício Tizumba, a saber. Quando Tiziumba fez o primeiro solo de canto e dança com guizos nas canelas, foi meu bisavô quem veio, saído da Marujada do Rio Preto, no Serro. E eu que sempre olhei o congado de viés por conta daquela profusão de salves à Maria, pai nosso e salve-rainha, baixei a guarda e a maré dos olhos vazou. E fiquei assim por muito tempo, observavando a graça do bailarino Tizumba e pensando a quantos a inveja deveria atacar. Tizumba é respeitado por muitos setores de Belo Horizonte, mas uns tantos o julgam caricato, "primitivo", em contraposição aos "pós-modernos". E Tizumba segue tranquilo, com seus tambores, seu canto, seu passo de bailarino leve, seu espaço, seu território - o Tambor Mineiro. Tenho respeito enorme por quem contrói espaços físicos para abrigar a arte. É o que Tizumba fez, oferecendo um território negro a Belo Horizonte-negra de estampa branca. Tizumba se aproxima dos 40 anos de carreira. Eu me encho de orgulho ao vê-lo, ao ouvi-lo, ao testemunhar sua congragração a partir da tradição que o sutenta e à qual ele alimenta, diuturnamente. De dentro da montanha mais quilombola do Curral del Rey, dobro meus joelhos para assistir Galanga entregar a Tizumba, a merecida coroa de rei banto de BH.

10 de jan de 2012

Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica, de Eduardo Assis, consta da lista dos melhores livros de literatura de 2011, de O Globo

"POESIA COMPLETA": Mais lembrado por romances como "Crônica da casa assassinada" (1959) e "Maleita" (1937), o mineiro Lúcio Cardoso (1912-1968) tem sua faceta de poeta revelada nesta antologia, organizada pelo escritor e pesquisador Ésio Macedo Ribeiro e publicada pela Edusp. Com 1.112 páginas, incluindo notas críticas e fac-símiles, o livro oferece uma interpretação nova da obra de Cardoso — cujo centenário de nascimento será comemorado em 2012 —, sugerindo que a poesia foi sua primeira forma de expressão literária. "MUSEU DO ROMANCE DA ETERNA": Mentor literário de Jorge Luis Borges, o argentino Macedonio Fernández (1874-1952) passou a vida anunciando — em prólogos, trechos avulsos, cartas abertas a críticos e leitores — um livro que nunca chegou a concluir. Publicado 15 anos após sua morte e só lançado em 2011 no Brasil (pela Cosac Naify, em tradução de Gênese Andrade), "Museu do romance da eterna" é uma obra-prima feita de fragmentos e digressões, que faz da inconclusão um procedimento estético radical. "O REMORSO DE BALTAZAR SERAPIÃO" e "A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS": O português valter hugo mãe desembarcou no país em julho, para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), como um autor praticamente desconhecido entre nós. Saiu do evento consagrado, depois de uma apresentação divertida e comovente (na qual levou a plateia às lágrimas ao falar de sua relação com o Brasil) e de uma sessão de autógrafos que durou horas. O sucesso de público foi ancorado no lançamento de dois romances: "o remorso de baltazar serapião" (Editora 34), estudo da opressão ambientado na Idade Média, e "a máquina de fazer espanhóis" (Cosac Naify), uma reflexão sobre a velhice. Ambos exibem a prosa inventiva que Saramago definiu como "um novo parto da língua portuguesa". “DIÁRIO DA QUEDA": No quinto romance do gaúcho Michel Laub, publicado pela Companhia das Letras, o narrador tenta compreender e se libertar da influência do avô, um sobrevivente de Auschwitz que cria uma versão idealizada da própria vida, e do pai, um homem obcecado pelo antissemitismo e convencido da "inviabilidade da experiência humana". Ao mesmo tempo tributário e crítico da tradição da "literatura do Holocausto", o livro discute a natureza da memória, a formação de identidades individuais e coletivas e a transmissão de experiências entre gerações. "O SENHOR DO LADO ESQUERDO": "O que define uma cidade é a história de seus crimes", diz o narrador-investigador logo no início do sexto livro do carioca Alberto Mussa, publicado pela Record. A frase é a chave para as muitas leituras possíveis do romance, que parte de uma trama policial (um assassinato num bordel de luxo do Rio de Janeiro do início do século XX) para uma investigação mais ampla sobre a história e as mitologias da cidade, a sexualidade humana, a imaginação e a busca pela verdade. "GEOGRAFIA HISTÓRICA DO RIO DE JANEIRO": Morto em junho, aos 62 anos, o geógrafo carioca Mauricio de Almeida Abreu se dedicou por 15 anos a pesquisar, em arquivos de Brasil, Portugal, França e Vaticano, as feições do Rio de Janeiro entre 1502 e 1700. O resultado está no estudo monumental publicado no início do ano pela editora Andrea Jakobsson com a prefeitura do Rio. Em 912 páginas fartamente ilustradas, o livro oferece um painel inédito em seus detalhes e abrangência da infância da cidade e seu entorno, examinando seu desenvolvimento, divisão de terras, economia e articulação com as rotas comerciais da época. "O MAL RONDA A TERRA": Com o subtítulo "Um tratado sobre as insatisfações do presente", o último livro publicado em vida pelo britânico Tony Judt, morto em 2010, é o testamento intelectual de um historiador que jamais abriu mão de intervir nos grandes debates contemporâneos. No livro, publicado no Brasil pela Objetiva, Judt discute os efeitos da crescente desigualdade nas sociedades desenvolvidas e faz uma defesa candente da social-democracia e do papel dos homens de letras na vida pública. "POEMAS": Vencedora do Prêmio Nobel em 1996, a polonesa Wislawa Szymborska, de 88 anos, teve um livro publicado no Brasil pela primeira vez neste ano, em edição bilíngue, pela Companhia das Letras. A coletânea de 44 poemas, com organização e tradução de Regina Przybycien, traz uma amostra significativa de cinco décadas de obra. Em versos irônicos e filosóficos, Szymborska fala de vidas divididas entre o cotidiano e o devaneio, e do tipo muito particular de utopia (ora sublime, ora risível) oferecida pela poesia. "LITERATURA E AFRODESCENDÊNCIA NO BRASIL": Reunindo dezenas de pesquisadores de universidades brasileiras e estrangeiras, a antologia crítica organizada por Eduardo de Assis Duarte, professor da UFMG, é uma contribuição significativa para a formulação de um conceito de "literatura afrobrasileira". Os quatro volumes, publicados pela editora da UFMG, propõem um percurso histórico pela obra de cem autores, de clássicos a contemporâneos, passando por nomes importantes esquecidos. "MANO, A NOITE ESTÁ VELHA": Publicado postumamente pela editora Planeta, um ano depois do brutal assassinato de seu autor, o romance é um marco na obra do paranaense Wilson Bueno (1949-2010), conhecido pelo experimentalismo de livros como "Mar paraguayo" (1992), que mesclava o português e o guarani. Numa narrativa de fortes tintas autobiográficas, mas também carregada de referências intertextuais a escritores como Hilda Hilst e Roberto Bolaño, o livro é construído como um diálogo imaginário entre o protagonista e seu irmão morto, com reflexões pungentes sobre a solidão, a violência e as relações familiares. * Os melhores livros foram escolhidos por Guilherme Freitas, José Castello e Mànya Millen

8 de jan de 2012

Galanga coroa o rei Maurício Tizumba

Finalizando minhas férias em BH, assisti "Galanga - Chico Rei!" Um espetáculo belo, cuja inovação é a linguagem banto-mineira das congadas, dos reinos de congo, encenada todo o tempo, ainda que com algumas interferências iorubá deslocadas. A maior parte dos atores não é tão robusta quanto a peça merecia, mas a parte musical é impecável. Tem a assinatura virtuosa de Titane estampada em cada nota. A preparação corporal também é excelente e tudo isso compensa parte das atuações menos fortes no campo da dramaturgia. A direção de João das Neves é segura, como sempre. O texto tem os problemas de sempre, também, embora não se deva dizê-lo, haja vista que Paulo César Pinheiro é um boi sagrado. Que gosto muito, aliás, mas não posso deixar de observar o cansativo culto à mestiçagem e à mulatice impregnados em sua obra. Para citar apenas três deslizes, Chico Rei casa-se com Domingas, uma "mulata sestrosa"; os portugueses buscavam minerais preciosos e "escravos" no Congo e, por fim, os escravizados em África, resultantes de um sistema de cativos completamente diferente do escravismo colonial que visava o lucro e a exploração humana à exaustão, são postos no mesmo balaio, como a fazer justiça com os brancos que, assim, não teriam escravizado os africanos sozinhos. Ah... me faça uma garapa! Ainda, para quem acha que "buscar escravos" em África é algo inofensivo, avisamos que caçava-se gente livre que passava a ser escravizada. Mas, aqui estou para falar das coisas boas. Recomendo o espetáculo, gostei muito, fiquei muitíssimo emocionada. O cenário é simples e lindo, econômico, de bom gosto. A música coroa o trabalho de um rei, Maurício Tizumba, que rege soberanamente a cena. Gosto disso, um artista que aos quase 40 anos de carreira monta um espetáculo que coroa sua vida dedicada à arte. Não espero menos de 40 anos de arte cênica e musical, também de ativismo artístico-cultural. Galanga coloca na cabeça de Tizumba, a merecida coroa de rei banto de BH e balança as estruturas dessa cidade com um espetáculo negro, inscrito na melhor tradição dos artistas negros dessa terra. Merecemos Galanga, Maurício Tizumba e Titane. Ngunzo!

A Mentira tem perna curta

( por Arthurius Maximus / fonte: Visão Panorâmica). "O ministro Joaquim Barbosa é bem conhecido dos brasileiros. Elevado ao grau de celebridade ao humilhar publicamente o então presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, em uma das mais polêmicas audiências do tribunal. Sem papas na língua, Joaquim Barbosa disse a Mendes o que muitos brasileiros queriam dizer a respeito da arrogância e da magnânima atuação de Gilmar Mendes (sempre para o lado dos poderosos) envolvendo casos de corrupção. Agora, o ministro volta às manchetes jogando mais uma vez no ventilador ao desmascarar o descarado complô que é ensaiado pelos ministros do STF (a maioria indicada pelo PT) para causar a prescrição dos crimes do Mensalão; transformando em uma enorme pizza mal cheirosa o processo que poderia ser um marco na moralização da política nacional e destruiria boa parte da cúpula petista, ao colocá-la atrás das grades. Tudo começou com uma entrevista "em banho-maria" do Ricardo Lewandowski, revisor do caso. Nessa entrevista, Lewandowski deixou escapar que o processo caminhava para a prescrição porque não haveria tempo hábil para julgá-lo. Afinal de contas, o ministro Joaquim Barbosa havia tido uma série de problemas de saúde e atrasara a entrega do seu relatório sobre o caso. Com a celeuma levantada pela imprensa, o presidente do STF – ministro Cezar Peluso – quis fazer "uma média" com a opinião pública e dar um ar de legitimidade ao complô que se anunciava. Mandou redigir um ofício instando Joaquim Barbosa a acelerar o processo e enviar os autos para análise dos seus colegas o mais rápido possível. Malandro... Cem anos de Lapa... E frequentador do Bar Luiz... O ministro Joaquim Barbosa sentiu que era preparado um cenário para culpá-lo pela prescrição do processo e tornar palatável para a opinião pública o desastre da impunidade dos canalhas mensaleiros. Como homem que honra seu posto e de coragem de sobra, Joaquim Barbosa pegou a "perna de anão" que lhe entregaram – embrulhada para presente – jogou-a para o alto e acertou em cheio o ventilador só STF. Com uma declaração bombástica, desmascarou todo o esquema armado para levar o processo à prescrição e inocentar a corja que se apoderou do país. Disse: "Os autos, há mais de quatro anos, estão integralmente digitalizados e disponíveis eletronicamente na base de dados do Supremo Tribunal Federal, cuja senha de acesso é fornecida diretamente pelo secretário de Tecnologia da Informação, autoridade subordinada ao presidente da Corte, mediante simples requerimento". Ou seja, mostrou com todas as palavras que os ministros ignoraram o processo até agora simplesmente por preguiça ou por pura vontade de deixá-lo prescrever, garantindo a absolvição do pessoal. Joaquim Barbosa ainda critica "na lata" a falácia de que está "atrasado" com o processo: "Com efeito, cuidava-se inicialmente de 40 acusados de alta qualificação sob os prismas social/econômico/político, defendidos pelos mais importantes criminalistas do país, alguns deles ostentando em seus currículos a condição de ex-ocupantes de cargos de altíssimo relevo na estrutura do Estado brasileiro, e com amplo acesso à alta direção dos meios de comunicação". Continua: "Estamos diante de uma ação de natureza penal de dimensões inéditas na História desta Corte". Não satisfeito em desmascarar o claro acerto que há para que o processo prescreva Barbosa ainda mostrou que "atrasados são os outros". O processo do Mensalão tem 40 acusados, defendidos pelos mais caros advogados do país, todos ocupantes de cargos de grande poder no Estado Brasileiro. O processo tem mais de 49 mil páginas; 233 volumes e 495 apensos. Os réus indicaram mais de 650 testemunhas de todo Brasil e até de outros países. Mesmo diante de todo esse trabalho, o ministro Joaquim Barbosa manteve o trâmite normal de trabalho no STF e ainda julgou inúmeras causas nesse período. Enquanto isso, seus colegas, com ações envolvendo dois ou três acusados e que foram iniciadas na mesma época; ainda sequer foram concluídas.(*) Mais uma vez, "matou a cobra e mostrou o pau". Sem pudores e sem medo, Joaquim Barbosa expõe claramente quem está comprometido com os interesses dos corruptos e busca desculpas para justificar o injustificável. Diante de tudo isso, pelo menos para mim, fica a ideia da quase certeza em relação à prescrição do caso. Nem é preciso lembrar que um dos ministros indicados por Lula, o ministro Dias Tófolli, foi colocado ali "sob medida" para esse processo. Pois, para quem não se lembra, ele foi advogado de defesa de José Dirceu. Pelo menos, se tudo der errado, teremos visto a coragem e o desprendimento do ministro Joaquim Barbosa dar um tapa na cara dos que tentavam imputar-lhe a culpa pela prescrição. Se o processo acabar por prescrever e não condenar ninguém; o desfecho terá sido por vontade dos ministros, sendo necessário que eles arrumem outra desculpa esfarrapada para justificar a cara-de-pau. É como minha velha mãe dizia: 'Mentira tem perna curta'."

6 de jan de 2012

Ai

( De Tata Fernandes e Kléber Albuquerque). "Deu meu coração de ficar dolorido/ Arrasado num profundo pranto/ Deu meu coração de falar esperanto/ Na esperança de se compreendido/ Deu meu coração equivocado/ Deu de desbotar o colorido/ Deu de sentir-se apagado/ Desiluminado/ Desacontecido/ Deu meu coração de ficar abatido/ De bater sem sentido/ Meu coração surrado/ Deu de arrancar o curativo/ Deu de cutucar o machucado/ Deu de inventar palavra/ Pra curar de significado/ O escuro aço denso do silêncio/ De um coração trespassado

5 de jan de 2012

Nonno Paolo – um caso emblemático

"Atenção gente negra! Eles mudaram! O mito da democracia racial está revelando, sem pejo, a sua verdadeira face. Então, é hora de se conceber e empreender novas estratégias de luta." (Por Sueli Carneiro, diretora de Geledés - Instituto da Mulher Negra). "Há coisas essenciais sobre o racismo no episódio ocorrido no restaurante Nonno Paolo com um menino negro. Eu não estava lá, mas pela reação de indignação da mãe da criança e seus amigos é lícito supor que a criança em questão, seja amada e bem cuidada, portanto, não estava suja e maltrapilha como costumam estar as crianças de rua que encontramos cotidianamente na cidade de São Paulo. Então, a "confusão" de quem a tomou, em princípio, por mais uma criança pedinte se deveu ao único traço com o qual a define a mentalidade racista: a sua negritude. Presumivelmente, o menino negro era o único "ponto escuro" entre os clientes do restaurante e para esse "ponto escuro" há lugares socialmente predeterminados dos quais restaurantes de áreas consideradas "nobres" da cidade de São Paulo estão excluídos. Para o racista a negritude chega sempre na frente dos signos de prestígio social. Por isso Januário Alves de Santana foi brutalmente espancado por não ser admissível para os seguranças do supermercado Carrefour que ele fosse proprietário de um Ecosport dentro do qual se encontrava no estacionamento a espera de sua mulher que realizava compras. Por isso a cantora Thalma de Freitas foi arbitrariamente revistada e levada em camburão para uma delegacia por ser considerada suspeita enquanto, como ela disse na ocasião, "porque a loura que estava sendo revistada antes de mim não veio para cá?". Por isso Seu Jorge além de múltiplas humilhações, sofridas na Itália foi impedido, em dia de frio europeu, de entrar em uma loja com o carrinho no qual estava a sua filha, "confundido" como um monte de lixo. São apenas alguns exemplos de uma lista interminável de situações em que são endereçadas para pessoas negras mensagens que tem um duplo sentido: reiterar o lugar social subalterno da negritude bem como desencorajar os negros a ousarem sair dos lugares que desde a abolição lhes foi destinado: as sarjetas do país. O episódio indica portanto, que uma criança, em sendo negra e, por consequência "natural" , pobre e pedinte, pode, "legitimamente", ser atirada à rua, sem cerimônia. É, devolvê-la ao seu devido lugar. Indica, ademais, que essa criança não desperta o sentimento de proteção (que devemos a qualquer criança) em relação aos perigos das ruas, pois ela é, para eles, uma das representações do que torna as ruas um perigo! Essa criança, por ser negra, também não é abrigada pela compaixão, pois, há quem vê nelas a "semente do mal", como o fez certa vez, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, defendendo a descriminalização do aborto para mulheres faveladas, pois seus úteros seriam "fábricas de marginais." Há os que defendem a atitude do funcionário que expulsou a criança do restaurante sob o argumento de a que região em que ele está localizado costuma ser assediada por crianças pedintes que aborrecem a clientela dos estabelecimentos comerciais. Na ausência do poder público para dar destino digno a essas crianças, cada um age de acordo com sua consciência, via de regra, expulsando-as. Outros dizem que a culpa pelo ocorrido é dos pais que deixaram a criança sozinha na mesa. O subtexto desse discurso é revelador e "pedagógico": pais de crianças negras deveriam saber que elas podem ser expulsas de restaurantes enquanto eles se servem porque elas são consideradas pedintes, ou menor infrator! O erro não estaria no rótulo ou estigma e sim nos desavisados que não compreendem esse código social perverso! Os que assim pensam pertencem à mesma tribo de indignados que consideram que espaços até então privativos de classes sociais mais abastadas começam a serem tomados de "assalto" por uma gente "diferenciada", fazendo aeroportos parecerem rodoviárias ou praças de alimentação. Aqueles que não se sentem incomodados com a desigualdade e a injustiça social. Aqueles que reclamam que agora "tudo é racismo" porque, para eles, o politicamente correto é dizer que nada é racismo. Esses são, enfim, aqueles que condenam o Estatuto da Criança e do Adolescente, que advogam pela redução da maioridade penal, que revogariam, se pudessem, o inciso constitucional que define o racismo como crime inafiançável e imprescritível ou a lei Caó que tipifica e estabelece as penalidades por atos de discriminação; conquistas da cidadania brasileira engendradas por aqueles que recusam as falácias de igualdade de direitos e oportunidades em nosso país. O aumento da inclusão social ocorrida nos últimos anos está produzindo deslocamentos numa ordem social naturalizada na qual cada um "sabia o seu lugar" , o fundamento de nossa "democracia racial'. O desconforto que esse deslocamento provoca faz com que os atos de racismo estejam se tornando cada vez mais frequentes e virulentos. Atenção gente negra! Eles mudaram! O mito da democracia racial está revelando, sem pejo, a sua verdadeira face. Então, é hora de se conceber e empreender novas estratégias de luta."

2 de jan de 2012

Ministra Luiza Bairros avalia primeiro ano à frente da SEPPIR

(Da Redação do Portal Áfricas - Jonalista Luís Michel Françoso). Áfricas: Como à senhora avalia este primeiro ano de atividades a frente da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial? Luiza Bairros – Avalio positivamente. Nossa principal preocupação, fortalecida inclusive pelo novo modelo de elaboração do Plano Plurianual 2012-2015, tem sido a de intensificar o trabalho articulado com os demais ministérios. Neste processo, foi criado o Programa Enfrentamento ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial e asseguramos metas, objetivos ou iniciativas em 18 programas do PPA 2012-2015. Além disso, este ano lançamos a campanha Igualdade racial é pra valer e, a partir dela, conseguimos envolver outras instituições e órgãos federais que até então tinham uma participação ainda pequena nesta agenda. Internamente, boa parte de nossa energia foi utilizada para estabelecer mecanismos que favoreçam a transparência de procedimentos administrativos e de liberação de recursos, essenciais na relação com parceiros governamentais e no apoio a organizações da sociedade civil. Áfricas: Apesar das muitas ocorrências de racismo ainda vistas no Brasil, várias políticas públicas foram geradas para combatê-lo. Qual o maior obstáculo que a senhora acredita ainda existir que impede a superação das práticas racistas em nossa sociedade? Luiza Bairros – No pronunciamento do dia 20 de Novembro, em cadeia nacional de rádio e TV, fiz referência às desigualdades raciais como sendo o núcleo duro de nossas desigualdades. Elas continuam, mesmo após uma década de políticas públicas bem sucedidas. Portanto, parece evidente que se queremos, de fato, alterar esse quadro, teremos que considerar o papel decisivo do racismo na construção dessa realidade. Daí a importância da campanha lançada este ano e das mudanças no PPA, chamando a atenção dos ministérios e de diferentes atores sociais para o fato de que a promoção da igualdade racial só se torna possível com a eliminação do racismo. Áfricas: As religiões de Matriz Africana, por muito tempo discriminadas, vem cada vez mais recebendo reconhecimento por sua contribuição histórica e religiosa. Sabemos que dentro desta prática religiosa há uma valorização da contribuição das etnias africana e indígena na formação do Brasil. A senhora considera que o crescimento da incorporação das religiões de matriz africana nas práticas brasileiras pode contribuir com a construção de uma sociedade mais igualitária? Luiza Bairros – A resposta a esta questão é complexa, considerando que no Brasil, de um certo modo, sempre foi possível incorporar a contribuição africana à cultura brasileira, sem que isto significasse o reconhecimento efetivo dos direitos da população negra. O mais importante no caso, é não perder de vista que em uma sociedade de grande diversidade como a brasileira, no campo religioso ou em qualquer outro, é preciso assegurar a manifestação cultural plural e equânime. Os valores de cultura, que incluem as religiões com origem nas civilizações africanas, são parte essencial de nossa diversidade há muitos séculos. Trata-se, portanto, de reconhecer o que, profundamente, é; o que sempre esteve aí impulsionando e dando sentido ao nosso esforço de afirmação coletiva. Áfricas: Quais os principais projetos que a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial pretende implementar no próximo ano? Luiza Bairros – São muitas as frentes abertas no decorrer deste ano de 2011, que ganharão maior concretude em 2012, envolvendo órgãos de diferentes níveis e esferas da administração pública, por força mesmo dos acordos de cooperação que celebramos, como resultado da campanha. Essa é uma prioridade: através da implementação das ações, dar continuidade ao diálogo institucional estabelecido. Há ainda os programas temáticos de responsabilidade direta da Seppir, inseridos no PPA, o cumprimento do Estatuto da Igualdade Racial, em especial a regulamentação e implementação do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), que estamos tomando o cuidado de construir com base em uma ampla consulta aos setores envolvidos; e a ampliação do trabalho da Ouvidoria Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Áfricas: A senhora considera que a mulher negra continua ainda a ser o segmento social que mais é prejudicado com a permanência de uma visão racista e machista presente em nossa sociedade? Como alterar esta situação? Luiza Bairros – O sexismo e o racismo são ideologias muito amplas. Elas justificam a exclusão e os indicadores, confirmados pelo último censo, que não deixam margem a dúvidas sobre as desvantagens sociais vividas pelas mulheres negras. No entanto, apesar disto, é bom salientar que a mulher negra se move e ocupa um lugar central também no que os pesquisadores estão chamando de “a nova classe C”, com melhoria de rendimentos, novos padrões de consumo e fortalecimento da participação política, como se pode ver até pela composição de diferentes setores do movimento negro. Se, como no caso das trabalhadoras domésticas, permanece a luta por direitos trabalhistas básicos, por outro lado é crescente a percepção de mudanças significativas envolvendo uma participação mais diversificada da mulher negra, com ganhos significativos de escolaridade e protagonismo político. Áfricas: Como a senhora avalia a parceria de sua pasta no Governo Federal com a Fundação Palmares atualmente? Luiza Bairros – Trabalhar com diferentes setores e níveis de governo faz parte da missão institucional da Seppir e a área de atuação do Ministério da Cultura é uma das que mais expressa os esforços de resistência da população negra no Brasil. Com a FCP, a Seppir tem trabalhado nas questões relativas às comunidades quilombolas. Os papéis de cada uma são estabelecidos no Decreto 4887/03. Esta colaboração se dá especialmente nas situações de conflito de terra, que cresceram bastante este ano, e tem que permanecer para assegurar, no governo como um todo, uma posição firme de defesa dos direitos quilombolas. Há alguns perigos a vista, por iniciativas no Legislativo e pela iminente decisão do STF sobre a constitucionalidade do Decreto 4887/03, que dá sustentação a toda a intervenção governamental neste tema.

1 de jan de 2012

Passinho de afoxé e mel para todos os dias

É bom o sentimento do Ano Novo, principalmente depois de superado o bate-pronto dos desejos de "feliz natal" e "feliz ano novo." Essa sensação de recomeço e de renovação, quando há força e esperança para que as coisas sejam melhores, mais plenas, mais belas. Gosto de ouvir minhas Divas, Bethânia, Nana, Leny Andrade. E ouvir Nana, como bradou Roberto Drummond, é acreditar que todo amor é possível e que a esperança existe. E ouvir as Divas na cidade natal, nessas chuvas que fecham um tempo e abrem outro - e que às vezes nos obrigam a desligar a música, em meio ao espetáculo do granizo ameaçador no vidro das janelas, ao céu vermelho que anuncia chuva de vento, Iansã em movimento, raios e trovões rugindo no peito - é voltar aos sons e sabores primevos, aqueles que definiram o gosto musical da vida. Uma música puxa outra e ouvi também Ângela Maria, Núbia Lafayette, Nora Ney, Dolores Duran, a Divina, Milton, Gil, Djavan, Emílio Santiago e Áurea Martins. Cássia Eller não consigo ouvir em finais de ano, passo ao largo da superexposição de suas músicas. Dói demais, tê-la perdido. E para fechar (ou para abrir) Concha Buika, uma cantora magistral da Guiné Equatorial, interpretando Gardel. E que 2012 venha manso e doce, sem o espírito bélico que uns insistem em evocar. Quero passinho de afoxé nas águas de Lemba e mel de todas as cores e sabores para cada dia do Ano Novo.