Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

Postagens populares

Visualizações de páginas da semana passada

Google+ Badge

Translate

29 de fev de 2012

Capulanas em Moçambique! Diálogo Sul-Sul! Ngunzo!

Piedad Córdoba e a libertação dos sequestrados pelas FARC, na Colômbia

A imprensa tem noticiado fartamente os avanços do processo de paz na Colômbia e, principalmente, a decisão das FARC de liberar os civis e militares que ainda estão presos nas matas, objeto de sequestro político com fins econômicos. Uma personagem central dessa vitória é a ex-senadora Piedad Córdoba, lutadora destemida e incansável pela dignidade humana, perseguida pelo governo Uribe. Sua inelegibilidade por 18 anos é um duro golpe nas aspirações de parcela da população que poderia apoiá-la rumo à presidência da Colômbia. Abaixo, texto da Wikipédia, a enciclopédia livre, sobre Piedad. "Piedad Esneda Córdoba Ruiz, codinome Teodora de Bolívar ou Gaitán (Medellín, 25 de Janeiro de 1955), é uma advogada e política da Colômbia. É ex-senadora da Colômbia. Ela teve seu mandato cassado pela Procuradoria Geral da Colômbia em setembro de 2010*, que a tornou inelegível por 18 anos sob a acusação de colaboração com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após ter sido Senadora desde 1994, em cuja última eleição ganha por ela foi no início de 2010. Foi membro do Partido Liberal durante toda a sua vida política e é a líder do movimento Poder Ciudadano Siglo XXI, situado na ala esquerda do seu partido. Como congressista trabalhou principalmente pelos direitos da mulher, pelas minorias étnicas e sexuais e pelos direitos humanos.[1][2] Em agosto de 2007 Córdoba envolveu-se no tema do acordo humanitário entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o governo do presidente Álvaro Uribe, autorizada pelo governo do qual é opositora. Durante a mediação conseguiu, juntamente com o presidente venezuelano Hugo Chávez, a libertação unilateral de 6 reféns políticos que permaneceram em poder das FARC durante vários anos. Devido às suas posições políticas recebeu múltiplas críticas e uma percepção negativa em vários sectores da opinião pública,[3] enquanto outros sectores apoiaram a sua gestão pela qual em 2008 foi nomeada para o Prémio Príncipe das Astúrias da Concórdia.[4] Segundo o governo colombiano, a investigação contra a senadora teve início após a captura de computadores que supostamente pertenciam a guerrilheiros da Farc assassinados em território equatoriano, em março de 2008, em uma incursão ilegal no território do país vizinho que resultou na morte de Raul Reyes, um dos líderes das Farc. A investigação foi feita pelas autoridades colombianas com base em mensagens de correio electrónico encontradas nos computadores de Raúl Reyes divulgados nos primeiros meses de 2008, por alegadas relações com as FARC.[5] Córdoba negou as acusações e falou de perseguição política contra si. Em 19 de junho de 2009 foi aberta formalmente a investigação pela Procuradoria, com base em provas encontradas nos computadores de Raúl Reyes. Mesmo sob investigação e tendo seu mandato ameaçado, Piedad Córdoba continuou a procurar a libertação dos sequestrados e conseguiu convocar um grupo de intelectuais de vários países para iniciar um diálogo epistolar com a cúpula das FARC.[6] Graças ao intercâmbio epistolar, as FARC responderam aos apelos de Córdoba e do seu grupo Colombianos y Colombianas por la Paz e decidiram libertar unilateralmente três agentes da polícia e um soldado, e os últimos dois reféns políticos que permaneciam em seu poder. Para a operação de libertação, levada a cabo em fevereiro de 2009, a senadora contou com o apoio do CICR e do governo do Brasil, bem como com a autorização do governo colombiano.[7] A ex-parlamentar colombiana segue na luta em busca de entendimentos com os grupos guerrilheiros para libertar alguns dos que ainda permanecem sequestrados. Ela indicou também que entende as manifestações das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) para avançar em busca da paz, pois acredita que a América Latina não pode ter paz e tranqüilidade com um país tão convulsionado como a Colômbia."

28 de fev de 2012

‎2012: 80 ANOS DO VOTO FEMININO

(Por: Schuma Schumaher*). "A conquista do voto feminino resultou de um processo iniciado antes mesmo da proclamação da República. Embora a Constituição de 1891 vetasse o direito de voto aos analfabetos, mendigos, soldados e religiosos, sem mencionar as mulheres, elas ainda tiveram que lutar por mais de 40 anos para conquistar esse direito. Dois episódios são ilustrativos das resistências usadas pelas mulheres. O primeiro deles aconteceu em 1885 quando a gaúcha Isabel de Sousa Matos, uma cirurgiã dentista requereu o alistamento eleitoral. Seu pedido estava amparado pela Lei Saraiva que garantia o direito de voto aos portadores de títulos científicos. Isabel conseguiu ganhar a demanda judicial em segunda instância. Com o advento da República e a convocação de eleições para a Assembléia Constituinte, Isabel, que na época estava morando no Rio de Janeiro, procurou a Comissão de Alistamento Eleitoral para fazer valer a sua conquista. Diante do fato inusitado de uma mulher pleitear o direito de se alistar, a comissão solicitou um parecer ao Ministro do Interior que fez uma negativa contundente: julgou absolutamente improcedente a reivindicação. A luta prosseguiu. E foi também de outra Isabel a segunda tentativa. No caso, da baiana Isabel Dillon, primeira a apresentar-se como candidata a deputada na Constituinte de 1891. Ela argumentou que a Lei Eleitoral de 1890 não excluía as mulheres, uma vez que a mesma assegurava o direito de voto aos maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever, sem referência explícita ao sexo do eleitor. Ela tonou publica sua candidatura e teve como plataforma eleitoral defender a opção religiosa, a ampla liberdade de pensamento e a aprovação de leis que protegessem a criança, a mulher e o operariado nascente. Não conseguiu sequer se alistar para votar. Após muitas tentativas isoladas, surgem os primeiros grupos organizados de mulheres como o Partido Republicano Feminino, fundado em 1910 por Leolinda Daltro e outras feministas cariocas. Essa estratégia provocou debates, através de manifestações públicas que criticavam a “cidadania incompleta” das mulheres, gerando polêmicas e reações negativas por parte da imprensa. Contudo, foi a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922, e espalhada por diversos Estados brasileiros, a grande responsável pela campanha nacional em favor do voto feminino. Bertha Lutz, Almerinda Gama, Carmen Portinho, Maria Luisa Bittencourt, Josefina Álvares de Azevedo, Jerônima Mesquita, Chiquinha Gonzaga, Natércia da Silveira e tantas outras feministas sufragistas constataram na prática, com indignação, que o engajamento nas lutas políticas e suas conquistas no campo da educação eram insuficientes para que os poderes constituídos reconhecessem seus direitos enquanto cidadãs. Lideradas por Bertha Lutz iniciaram um campanha aguerrida em várias frentes e cidades, usando a imprensa, as galerias da Câmara Federal, seminários, debates, manifestações artísticas e até panfletagem aérea, para sensibilizar os congressistas e ganhar a simpatia da população para a causa que defendiam. E conseguiram! Demonstrando grande habilidade política e capacidade de articular alianças, foram aos poucos, conseguindo adesões em vários estados e espaços. É assim que, em 1927, a Lei Eleitoral do Rio Grande do Norte concede o direito de voto às mulheres norte-rio-grandenses, possibilitando que Celina Guimarães Viana e Julia Alves Barbosa se tornassem as primeiras eleitoras do Brasil e Alzira Soriano a primeira prefeita da América Latina, nas eleições de 1928. Um enorme passo! Alguns anos depois, em 1931, a FBPF promoveu no Rio de Janeiro o II Congresso Internacional Feminista para discutir os rumos do movimento. O discurso de abertura coube a prestigiada escritora Júlia Lopes de Almeida. As conclusões do Congresso foram encaminhadas ao Presidente Vargas que se comprometeu a empenhar-se pela concessão do voto feminino. Apesar de Bertha Lutz fazer parte da Comissão encarregada de elaborar o novo Código Eleitoral Brasileiro (1932) teve que enfrentar muitas polêmicas entre os integrantes do grupo, pois os mesmos tinham posições divididas sobre o direito de voto às mulheres. Finalmente, depois de muita pressão, em fevereiro de 1932, o presidente Getúlio Vargas, assina o Decreto nº 21.076, concedendo as mulheres o direito de votar e serem votadas. Finalmente Vitória! Com a criação do Código Eleitoral de 1932 a atenção das filiadas da FEBP voltou-se para enfrentar outro desafio: promover a candidatura das feministas para a Assembléia Nacional Constituinte de 1933. Entre os 254 votantes, contabilizando os eleitos e os representantes classistas, duas vozes eram femininas: Carlota Pereira de Queiroz, médica eleita por São Paulo e a primeira deputada federal do Brasil; e a advogada alagoana Almerinda Farias Gama, uma das primeiras mulheres negras na política brasileira, na época representando o Sindicato das Datilógrafas e Taquigrafas do Distrito Federal, por intermédio de uma estratégia bem sucedida da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF). Nas eleições gerais de 1934, a FBPF retornou ao cenário político patrocinando uma acirrada campanha nacional para a eleição de mulheres. As propostas das feministas foram resumidas num documento composto por treze princípios, com questões referentes à maternidade, melhores salários e licença-remunerada, até a discussão do acesso aos cargos públicos. Pelo Brasil nove mulheres foram eleitas deputadas estaduais: Quintina Ribeiro (Sergipe); Lili Lages (Alagoas); Maria do Céu Fernandes (Rio Grande do Norte); Maria Luisa Bittencourt (Bahia); Maria Teresa Nogueira e Maria Teresa Camargo (São Paulo); Rosa Castro e Zuleide Bogéa (Maranhão) e Antonieta de Barros por Santa Catarina, destacando-se, ainda, como a primeira deputada negra do Brasil. Infelizmente este período de exercício da democracia representativa durou pouco. Com o Golpe de Estado, em 1937, Getúlio passou a comandar o país usando a batuta de um regime autoritário. Os parlamentos foram fechados e as ações dos movimentos sociais, inclusive os das mulheres, foram suprimidas. Nos anos de redemocratização pós 1945, um novo cenário político brasileiro vai se configurando e, diante da conquista do voto para as mulheres, a FBPF vai perdendo seu potencial mobilizador. Nesse período novas organizações de mulheres vão surgir, e na maioria dos casos ligadas aos partidos políticos. Com o golpe de 1964, mais uma vez os movimentos sociais são alvos de perseguição e repressão. Com a decretação, pela ONU, em 1975, do Ano Internacional da Mulher e a retomada do regime democrático o feminismo ressurge forte e organizado. Contudo, apesar da diversidade e do aumento da participação política das mulheres na sociedade civil, inseridas nos mais diversos campos dos movimentos sociais – direitos das mulheres, combate ao racismo, etnocentrismo, defesa dos direitos reprodutivos, direitos sexuais e dos direitos humanos, ecológico, popular, comunitário e sindical – a sub-representação feminina nas estruturas formais da política permanece, ainda, um dos principais desafios a ser enfrentados pelos países democráticos. Em âmbito mundial as mulheres representam somente 12% dos assentos parlamentares e ocupam 11% dos cargos de presidência dos partidos políticos. De acordo com cálculos das Nações Unidas, mantido o ritmo atual de crescimento da participação feminina em cargos de representação, o mundo levará 400 anos para chegar a um patamar de equilíbrio de gênero. O Brasil integra o grupo de 60 países com o pior desempenho no que se relaciona à presença de mulheres no parlamento – pouco mais de 10% nos espaços Legislativos. Pois é! A partir de 1995 com a aprovação da política de cotas que instituiu as normas para a realização das eleições municipais do ano seguinte, determinou-se uma cota mínima de 20% para as candidaturas de mulheres. Dois anos depois a Lei nº. 9504/97 estende a medida para os demais cargos eleitos por voto proporcional - Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas Estaduais e Câmara Distrital - e altera o texto do artigo, assegurando não mais uma cota mínima para as mulheres, mas uma cota mínima de 30% e uma cota máxima de 70%, para qualquer um dos sexos. Embora a adoção da política de cotas tenha estimulado o movimento de mulheres a organizar atividades destinadas a melhor preparação das candidatas - motivando lideranças feministas a se candidatarem e discutindo plataformas que priorizem as particularidades das mulheres - infelizmente, ainda são insuficientes as mudanças substantivas no cenário político brasileiro. Por tudo isso, não podemos esquecer das brasileiras do passado, consideradas transgressoras dos costumes sociais e canônicos, que com suas atitudes ousadas e de vanguarda, deram início a uma série ininterrupta de conquistas femininas, resultando há 166 anos atrás no acesso à educação formal, há 80 anos no direito ao voto, há 26 anos na igualdade plena na Constituição Brasileira e há um ano, nas eleições de 2010, concretizaram a presença de uma mulher na Presidência da República. Nos últimos 80 anos o mundo assistiu a grande mudança na condição das mulheres. De coadjuvantes da história, passaram a protagonizar seus destinos e desejos. Mesmo assim, ainda vivemos numa sociedade dividida em classes sociais, estruturada nas desigualdades de gênero e raça, e assentada em uma cultura política carregada de discriminações e preconceitos. Neste contexto, compreendemos que a justa representação das mulheres na política ainda depende de muita luta e de um sistema político que assegure a participação democrática de todas e todos." *Schuma Schumaher é feminista, educadora social, co-autora do Dicionário Mulheres do Brasil e Mulheres Negras do Brasil e Coordenadora executiva da Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh).

27 de fev de 2012

Alice Walker no Brasil!

(Por Renato Acha). "A 1ª Bienal do Livro e da Leitura acontece de 14 a 23 de abril na Esplanada dos Ministérios e apresenta uma ampla programação que tem como destaque a vinda de grandes nomes da literatura mundial, como Alice Walker, escritora e ativista afro-americana, ganhadora do Prêmio Pulitzer de ficção por “A Cor Púrpura” (1982). Na obra, Walker retrata a realidade de uma mulher negra do sul dos Estados Unidos, que mesmo quase analfabeta, escreve cartas a Deus e à irmã desaparecida. A dura realidade em um misto de tristeza, opressão, posteriormente imortalizada nas telas pela atriz Whoopi Goldberg, em adaptação para o cinema sob direção de Steven Spielberg (1985). A autora já havia escrito “De amor de desespero” (1967), uma coletânea de contos de várias mulheres negras do sul dos Estados Unidos, o que reafirma seu engajamento pelos direitos dos negros e mulheres na luta contra o apartheid e a mutilação genital feminina em países africanos. No dia 20 de abril, Alice Walker ministrará palestra na Bienal, onde vai abordar a estreita relação entre sua obra e a ideologia em prol da defesa de minorias."

26 de fev de 2012

Não calarão nossos atabaques!

Terreiros de candomblé fechados em Brasília pela ordem estabelecida, pela polícia, pela "justiça", como se fez sempre pelo Brasil afora, desde o início do século XX. A novidade, qual é? A resistência barulhenta e disseminada, sabedora de que o ataque a um de nós, é uma agressão a todos nós!

25 de fev de 2012

Mulher é gente, não é presente

(Por Cynthia Semíramis). "Quando eu saio de casa usando a camiseta das blogueiras feministas [Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente ], as pessoas me encaram com frequência e ficam olhando para o que está escrito na camiseta, assustadas. Fica óbvio que nunca pensaram que mulheres são gente. E realmente, faz bem pouco tempo que mulheres se tornaram gente. Já fomos coisas, objetos em propriedade do marido, do pai, ou do senhor de escravos. A vida – inclusive sexual – das mulheres estava vinculada à vontade desses homens. A lei mudou, mulheres hoje são gente e têm direitos, mas ainda brigamos pra não sermos mais tratadas como coisas. Por incrível que pareça, ainda há quem defenda que mulheres são coisas, objetos à disposição de seus proprietários. Nem sempre defendem isso abertamente, mas acabam por endossar atos e situações que negam a autonomia e vontade das mulheres. É por isso que: *Há quem mate a mulher que não quer prosseguir com o relacionamento (Eloá e mais outros milhares de mulheres, todos os dias, em todos os noticiários, caracterizando feminicídio ) e há quem diga que a mulher mereceu o espancamento ou morte por ter sido desobediente (pois não deveria ter vontade própria). *Há quem ache que mulher que goste de festas, bebe, fuma ou anda sozinha (ou sem um acompanhante do sexo masculino) na rua é mulher “pública” e, portanto, pode ser tratada como coisa e obrigada a fazer sexo contra a própria vontade. Nesse sentido, há quem considere que, se a pessoa quer participar de sexo grupal, ela perde o direito à própria vontade (em 2004 critiquei decisão judicial que defende esse absurdo). *Há quem ache normal um programa de televisão ao vivo acompanhar ato sexual não consentido (pois a mulher estava desacordada), não fazer nada pra impedir e ainda procurar disfarçar o que aconteceu. *Há quem ache ok as mulheres convidadas para uma festa serem tratadas como presente e estupradas pelo aniversariante (que era amigo delas!), como aconteceu em Queimadas (PB) , pois se as mulheres saíram de casa estavam “procurando” por isso. A vida não deveria se resumir aos tempos do padre Antônio Vieira, quando ele afirmava que mulher só deveria sair de casa pra ser batizada, se casar e ser enterrada (gente tem o direito de ir e vir; para o padre, mulher não era gente). E deve-se tomar cuidado ao falar da própria casa como um ambiente sagrado e seguro, sendo que é palco de violência doméstica (que é tão comum e grave a ponto de precisarmos da Lei Maria da Penha pra tentar reverter esse quadro). É bom não esquecer que o caso de Queimadas chamou a atenção da mídia porque duas das mulheres estupradas foram mortas ao reconhecerem os estupradores. A vontade das mulheres foi desrespeitada, mas o que chocou e deu o ponto de partida para as investigações foram as mortes, e não os estupros. Em todos esses casos as mulheres perderam o status de gente, se tornaram coisas até o ponto de serem reduzidas a “presente de aniversário”. Sua vontade e autonomia foram negadas, elas foram tratadas como objetos que deveriam se submeter a atos de violência, inclusive sexual. Mesmo as mulheres que escaparam do estupro em Queimadas foram tratadas como coisas: elas não eram “estupráveis” por serem propriedade dos seus maridos (um deles era o aniversariante). Esses casos são uma pequena amostra do festival de desgraças que a gente acompanha ao lidar com o tema de violência contra mulheres. Fica nítido que muitas pessoas ainda acham que mulher não tem direito de escolha, pois não entendem que mulher é gente. Tantos séculos tratando mulheres como coisas gerou uma cultura que ainda ignora a vontade das mulheres, continua tratando-as como coisas e faz o possível e o impossível para proteger os agressores, como se só eles fossem gente. Aí coloca-se a culpa na vítima (vide o comentário do policial que resultou nas Marchas das Vadias ), que perdeu o status de gente pra se tornar uma coisa à mercê do agressor. Ainda temos um longo caminho pra reconhecer efetivamente mulheres como gente. O que me deixa mais esperançosa no caso de Queimadas é que as mulheres da Paraíba já demonstraram um bom grau de mobilização para não deixar casos de violência contra mulheres caírem no esquecimento. Sandra Azevêdo, no Simpósio Temático sobre feminicídio no Fazendo Gênero 9, apresentou um trabalho [PDF ] mostrando como foi possível pautar a mídia para acompanhar os casos de violência contra mulheres e tratá-los como violência de gênero. Espero que esse trabalho das feministas paraibanas continue, e que nós de outras regiões possamos aprender com elas, pois é extremamente necessário esse processo de mostrar que mulheres são gente e têm o direito de ter sua vontade respeitada." Este post faz parte da blogagem coletiva Blogueiras Feministas e LuluzinhaCamp em repúdio aos estupros de Queimadas e à violência contra mulheres.

19 de fev de 2012

Os poetas e o mercado editorial

(Por Leo Gonçalves). "Pode-se dizer que, no Brasil, o mercado editorial está passando por um momento inteiramente novo e otimista. Nos meus mais de 15 anos em que fui de leitor a livreiro, editor, tradutor, prestador de serviços editoriais, atravessando booms e depressões do mercado, é a primeira vez que vejo tamanho interesse no público brasileiro por parte de grandes investidores. Eventos literários em cidades dos quatro cantos do país (a Flip é apenas o mais prestigioso), investimentos de grandes empresas (como a Portugal Telecom), inúmeras editoras de todos os tamanhos aparecendo aqui ali. A via é de mão dupla: em termos de expansionismo, a coisa também parece promissora. O Brasil tem sido o homenageado em diversas feiras de livro pelo mundo afora, o que prenuncia a chegada a outros mercados. Isso, sem falar no novo desafio: o e-book, que ganha cada vez mais espaço no país. Eu, que sou leigo em assuntos financeiros, lanço o palpite de que talvez seja um dos setores em maior expansão, hoje, no Brasil, a despeito de todas as crises e racionamentos de verba de que se possa reclamar. Alguns fatos de 2011 ilustram bem o que estou dizendo. A venda de 45% das ações da Companhia das Letras para a Penguin (uma das maiores empresas editoriais do mundo) foi um dos fatos mais comentados do ano. Mas não foi a única, nem a primeira aparição de investidores estrangeiros no país. Aliás, isso está se tornando cada vez mais comum. Oxford, SM, Santillana, Pearson, Alfaguara são algumas das que já demonstram crescimento no setor. No mercado de livros eletrônicos, há também um grande crescimento. Segundo o Publishnews, em 2011 a Companhia das Letras vendeu 1.200% mais e-books que em 2010, ano em que começou as atividades nesta área. Há pelo menos três empresas multinacionais em busca de suas brechas para inserir seus e-books no Brasil: a Amazon (dona dos Kindle), a Apple (com o controle sobre os iPads e seus aplicativos) e a Google, que parece estar apostando alto nesse nicho e tem mandado representantes para se unir com editores e livreiros em busca de parcerias. O comentário mais recorrente é o de que somos 200 milhões de potenciais leitores em todo o país. É claro que ainda não é o público comprador, quem mais “consome” livros. Mas o Ministério da Educação é um dos maiores compradores de livros do planeta. Pelo Brasil afora, pululam as licitações públicas de compra de livros. Todos estão de olho nesses compradores. Com tudo isso, quero dizer que, ao contrário do que se diz, há muito dinheiro circulando ao redor dos livros, mas a maior parte da literatura autoral publicada no Brasil hoje se vale dos seguintes dispositivos: 1) pequenos editores que os publicam muitas vezes dividindo com o autor o custo da edição, 2) conseguem verba do governo através das leis de incentivo à cultura, situação em que o autor acaba optando entre publicar por conta própria, administrando o dinheiro recebido, ou fazer uma parceria com algum pequeno editor e 3) o autor se anima a tirar do próprio bolso para a publicação, sem auxílio de nenhum editor. Isso gera uma confusão: embora o mercado esteja em expansão, o seu conteúdo deixa a desejar. O que os grandes editores querem é autores que vendam 20 mil exemplares no dia do lançamento. Isso faz com que eles empurrem um mar de porcarias na cabeça do público. Parece que um dos pré-requisitos para ser um best-seller é ser literatura descartável. Somado ao fato de que, salvo poucas excessões, já não se faz editores como antigamente, essa situação faz com que ao longo do ano se imprimam rios e rios de livros cujo destino final será ir parar nalgum aterro sanitário. O fino da literatura, aquilo que é produzido pelos autores mais criativos, muitas vezes passa desapercebido pelos editores, atentos apenas aos cifrões imediatos e à sobrevivência a curto prazo. Esse dito “mercado”, ainda não conseguiu desenvolver um sistema que mantenha os seus escritores em atividade. Conheço inclusive alguns editores que estão francamente dispostos a não manter relações com escritores. O discurso hoje ultrapassado de que “poesia não vende” é o primeiro assombro do editor. O segundo é a perseguição dos autores que ficam ali cobrando a venda de seus livros. É como disse o poeta Chacal: “não é que poesia não venda, é que os editores não sabem vendê-la”. Eu diria ainda mais: muitos editores não sabem sequer como lê-la. Daí a dificuldade em se decidir quanto à publicação de bons livros. O mercado editorial brasileiro precisa, cada vez mais, de pessoas capacitadas para fazer com que o conteúdo ultrapasse os limites da chamada “literatura comercial”, que eu chamo de literatura de curto prazo. Assim como estamos num momento otimista do mercado editorial, a literatura brasileira goza de boa saúde, embora seja escrita (e muitas vezes financiada) por autores que estão constantemente de bolso vazio e precisam dar duro para descobrir como farão para pagar a próxima conta de luz. Editores e investidores são espertos quanto a isso. E os poetas? Continuarão com o discurso de que mercado é inimigo da poesia e esperando que algum milagre aconteça? Se a coisa vai por aí, tenho mesmo certeza de que o mercado crescerá sem poesia."

15 de fev de 2012

Mobilização da sociedade civil pede que o cantor Alexandre Pires, tire do ar o vídeo "Kong", que promove estereótipos racistas

"Está circulando nas redes sociais uma mobilização para retirada imediata do videoclipe "Kong" do cantor de pagode Alexandre Pires. Ativistas do movimento negro acusam o vídeo de associar a imagem do homem negro ao macaco. Nas imagens, uma casa de praia é invadida por uma série de macacos, tendo como líder o cantor carioca Mr. Catra. O vídeo conta também com a participação do jogador Neymar. Em e-mail enviado ao músico Alexandre Pires, o militante do movimento negro baiano, Guellwaar Adún, pede a retirada do vídeo do YouTube, que tem 2.956 referências negativas. "Meu caro, extremamente reprovável esse vídeo Kong que vocês chamam de música. Não sei se tem noção do que essa associação do homem Negro ao macaco tem acarretado em nossas comunidades. Tampouco me iludo que seja ingênuo em relação a essa questão, mas sua contribuição para legitimar a animalização de nossa gente, dando eco e alimento às ridicularizações racistas que cotidianamente vivenciamos, sem dúvida alguma é tão daninha quanto qualquer ato racista. Se o objetivo era promover polêmica, sem dúvida alguma conseguirá. Não temos as redes de televisão nas mãos, porém somos muitos, e podemos multiplicar ao máximo uma reflexão honesta sobre isso que vocês estão fazendo. Espero que, ao menos, reconsidere a possibilidade de retirar esse clip do ar para pensar, se de fato, foi uma boa idéia gravá-lo. Admiramos seu trabalho pela pessoa que é e esperamos que seja humilde o bastante para escutar-nos e avaliar não somente com seus assessores e amigos/as próximos. Busque pessoas que compreendam as consequências nefastas do racismo em nossa sociedade, tenho certeza que te orientarão melhor sobre esse tema. Contamos, verdadeiramente, com sua compreensão e retirada desse clip do ar. Gratos…"

14 de fev de 2012

De um psicanalista, sobre homens que espancam mulheres e gays

"Homem que bate em mulher ou em gay tem problema sexual grave. Ou é impotente, ou tem pau pequeno, ou vive assolado por desejos passivos persistentes, que tenta exorcizar pela violência 'de macho'."

9 de fev de 2012

Estatuto do Amor Maior

(Por Marcos Fabrício Lopes Silva). Artigo I Fica decretado que amar é verbo de ligação, e amor, substantivo concreto. Artigo II Fica decretado que a melhor ocupação das mãos é fazer cafuné. Artigo III Fica decretado que antes fazer amor do que comprar amor feito. Artigo IV Fica decretado que matar de amor é o mesmo que amor no mato. Artigo V Fica decretado que a fantasia faz os amantes viverem a melhor realidade. Artigo VI Fica decretado que o amor, o respeito e a confiança formam o triângulo amoroso desejado. Parágrafo único: Amor próprio para não tornar o amor impróprio. Artigo VII Fica decretado que "o corpo não é pecado", nem a alma, assombração. Artigo VIII Fica decretado que a falta de sexo traz inferno astral. Sexo nos faz celestiais. Artigo IX Fica decretado que antes sol do que mal iluminado. Artigo X Fica decretado que não se deve confundir camisinha com camisa-de-força. Artigo XI Fica decretado que quem casa quer asa. Parágrafo único: Não deixe o namoro morrer. Não deixe o namoro acabar. Artigo XII Fica decretado que a cama tem sempre a preferência em relação à mesa e ao banho. Artigo XIII Fica decretado que o hino de gemidos de amor passa a ser o nosso hino nacional. Artigo final Fica decretado que coração fechado é a oficina da solidão. A partir deste instante, o amor maior vai ser a matéria-prima das alianças, algo intensamente vivo e presente como o fruto maduro que se oferece para florear de encantos o nosso gosto pela vida.

6 de fev de 2012

A ministra negra da nova República [ou Quem tem medo de Luiza Bairros?]

(Por Marcos Romão). "Acho o maior barato, estar no Brasil, no momento em que a imprensa investigativa ressuscita. A Folha SP, especialista em servir aos porões do SNI, "descobriu" [por que meios?], que a Drª Luiza Bairros é uma ministra apagada! Lembrei-me do Rogério Duarte, um delegado do Rio de Janeiro, comparsa do Flávio Cavalcante, que, em 1975, falava na televisão: "toda pessoa que não cheira, não fuma, nem bebe, é um suspeito em potencial, observe seu filho." Esse delegado, como um torturador contumaz, informava a todas as famílias brasileiras, no horário nobre: "Caso seu filho esteja calado, ele é um suspeito." A ministra mais negra do governo, tem experiência em ser negra desde o tempo em que era impossível se falar do assunto: tanto para a esquerda, quanto para direita. Preto que não fosse carregador de mala de aparelhos partidários, era coisa rara nos ministérios do Lula e Sarney. Com a Presidenta Dilma, não existem carregadores de mala para acenderem o fogo dos churrascos na Granja do Torto Figueiredo. Até agora, pelo que observo, isto é um fato! Como uma Simone de Beauvoir, a ministra negra é intelectual e, com um passado de ativista, desde o tempo em que a antiga direita temia [a negros e negras, por sua consciência racial e competência teórica]. Este é um [fato] que a esquerda pelega não conhecia no Brasil! Agora, [a Ministra, como representante de negros e negras e respeitada em todo o país, por todas as organizações e militantes do Movimento Negro] encontra a mesma dificuldade em ser aceita que [outras] antecessoras (femininas/feministas) tiveram. Com um agravante! Além de Ministra preta, a Drª Luiza Bairros é intelectual. [Ou seja: uma mulher que os partidos dos "homens" brasileiros não sabe como tratar, como encarar!]. Cada preto "meirinho" carregador de mala de qualquer partido sonha em [estar no lugar] desta mulher preta! [A questão é: com que "bagagem"? Com que competência?] Com as mudanças ministeriais [anunciadas nas FSP e outros], a Presidenta Dilma Rousseff deve perguntar-se: “encontrarei um pessoa com esse perfil?” Eu respondo: MANTENHA Luiza Bairros no cargo, Presidenta! AJUDE o Brasil a construir pilares de igualdade COM CONSCIÊNCIA”! [E, para isso], é necessário que o governo federal demonstre suas [intenções] em ações! Caso contrário, o governo federal vai continuar desprotegendo a negros/as e índios/as e [continuando a promover] salvarguandando as cotas [históricas e racistas que ainda persistem no país]" .

4 de fev de 2012

Um leitor de Kuami e Manu

Ontem, conversando com um educador, leitor do Kuami e do Manu, perguntei, "e então, como foram as leituras?" Ele respondeu de maneira sincera que gostou do Kuami, porque o tinha levado para dentro da história. Sobre o Manu, disse que "ele não foi feito pra entrar." Eu, presa à minha lógica elementar de terra, não entendi. Às vezes a poesia me abandona (ou eu a deixo de lado) e acho que pau é pau e pedra é pedra (alguém já disse isso). Como não o conheço bem e reparei que a lógica dele é de fogo (ou vento que atiça o fogo), ponderei com cuidado:"não estou certa de ter entendido o que você falou sobre o Manu"... ele então pontificou, descansando a mão na bigorna fria: "o elefantinho foi foda, com ele eu viajei, mas o Manu, sei não! Foi muito rápido, não me levou pra lugar nenhum." Compreendi e adorei saber. É delicioso acompanhar a reação das pessoas ao que a gente escreve.

3 de fev de 2012

Obra de Cidinha da Silva é apreciada em presídios de Salvador

Depois da alegria pela aprovação de Laíssa Sobral Martins, ex-catadora de materiais recicláveis, no curso de Gestão Ambiental, da Universidade de São Paulo, sou informada de que meu livro "Cada tridente em seu lugar", é sucesso absoluto entre o pessoal encarcerado na Penitenciária Lemos de Brito, módulos 1,2,3 e 5; nas duas alas do Conjunto Penal Feminino da Mata Escura e nas alas A e B da Colônia Penal Lafaiete Coutinho, instituições prisionais localizadas em Salvador. Segundo Hamilton Borges, responsável por oficinas autônomas de arte, cultura e cidadania, realizadas nesses locais, "o povo das cadeias se reconhece na minha literatura." Fico feliz, mas não me surpreendo, é nossa gente que está lá.

2 de fev de 2012

Fiz minhas velas ao mar

(Crônica de Cidinha da Silva, no livro: Oh, margem! Reinventa os rios! - editora Literatura Marginal). Engarrafei meu xaveco-mor, lancei-o ao mar, dizia assim: “Ah... se Iemanjá me concedesse a graça, meu encanto, de me tirar do meu rio fundo, de pranto”... Evoquei o doce da Oxum e o inusitado do mar a meu favor. As forças da natureza até que tentaram ajudar, mas você desdenhou das minhas pretensões. Intitulou-se muita luz para pouco túnel, muita areia para meu caminhãozinho. Desavergonhada, insisti. Abandonei o assovio em fá, quis o sol. Você chamou de brega a minha canção. Era brega, admito. Mas quanto de emoção esconde uma música brega, bem aplicada na femoral do vivente? Hein, hein? Coração de pedra, esquife gelada! Eu sonhei com o amor da minha vida, trazido do encontro das águas. Compus um samba de duas notas, as sílabas do seu nome, repetidas na pulsação do meu peito combalido. Você nem piscou os olhos antes de pisar no meu sambinha triste e jogá-lo na lama. Persisti. Desferi o xaveco do botão (eu) que se abre depois do orvalho e se descobre flor, porque o Sol (você) raiou. Bonito, fale a verdade, e original, se a senhora quer saber. Mas nem isso tocou esse músculo desalmado, encolhido entre costelas, inebriado pelas luzes da ribalta. Tudo conspira a meu desfavor. Você não me enxerga, não percebe meu amor, todos os poemas e gentilezas que faço, todas as flores virtuais que envio. Oh, raios e trovões, nem os santos, nem o Sol, nem o mar, nem as estrelas, nada me vale. E o ceguinho trovador, será que me ajudaria? O que faria para encantá-la? Ele me disse que descreveria o azul. Desentendi. Como seria isso, se ele nunca viu o azul? Ali morava o segredo. O desconhecido você imagina e molda, a seu gosto. Aceitei o conselho e perguntei a ela o que era o azul. Antes de a incauta desmanchar a interrogação do rosto, dei uma chave de pescoço naquele coração relutante. Expliquei que o azul é a cor da voz de Milton Nascimento cantando Dolores Duran no ouvido, sob a lua cheia, perfumada por uma dama da noite. Não deu outra. Ela quis conhecer o azul.

1 de fev de 2012

Sobre o resultado do concurso Literatura Para Todos, edição 2010

(Por Ricardo Aleixo). "É sabido que a presidente Dilma Roussef gosta de literatura, de livros, de escritores – e, claro, do bem que isso faz à sua imagem pública. Dilma gosta tanto do assim chamado mundo das letras que até um vestido com detalhe em forma de livro aberto ela tem, como se vê na foto abaixo. O problema, visto aqui do andar de baixo, são os burocratas do Ministério da Educação, que pensam que podem mudar as regras do edital de um concurso – a 5ª edição do Literatura Para Todos, da qual fui um dos vencedores – como quem muda de roupa. Sem dinheiro para honrar o compromisso de pagar os prêmios, o MEC firmou convênio com a Unesco que viola os termos do Edital, uma vez que condiciona o pagamento dos R$ 10.000,00 devidos ao vencedor de cada categoria à cessão “por tempo indeterminado” dos direitos de publicação. De acordo com o Edital, esses direitos seriam transferidos ao MEC por um prazo de 5 anos, sem exclusividade. Em outras palavras, os vencedores do Concurso, que, além do prêmio em dinheiro, oferecia como atrativo a publicação dos livros, poderiam dispor de suas obras como bem entendessem, durante a vigência do contrato. Com a entrada da Unesco na história, a situação mudou drasticamente: condicionar o pagamento do prêmio à cessão dos direitos por tempo indeterminado equivale à compra da obra, por valores irrisórios, numa transação decidida unilateralmente. Como escritor, cidadão e eleitor – crítico – do governo Dilma Roussef, tenho o direito de esperar da presidente da República e de seus colaboradores gestos de real valorização da literatura, do livro e da leitura (e da cultura como um todo) que transcendam o mero marketing político e o palavrório inconsequente. Quando menos porque é conhecido meu posicionamento no ainda incipiente debate público sobre os direitos dos escritores no Brasil, não posso aceitar que o Estado imponha a forma pela qual o fruto do trabalho criativo deve ser posto em circulação."