Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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29 de jun de 2012

Secretaria Direitos Humanos anuncia a criação de Comitês Estaduais de Enfrentamento à Homofobia


Fonte: Agência Brasil

Um levantamento realizado pela Secretaria de Direitos Humanos revelou que foram registrados ao menos 278 assassinatos relacionados à homofobia em 2011. Também foi constatada a ocorrência de 6.809 denúncias de violações aos direitos humanos de homossexuais durante o ano passado.


Parte do levantamento, ainda inédito, foi antecipada nesta quinta-feira, Dia Internacional da Cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), pela ministra Maria do Rosário (foto). É a primeira vez que um órgão do governo federal divulga oficialmente números ligados à violação dos direitos dos homossexuais, identificados a partir de denúncias feitas aos serviços Disque Direitos Humanos (Disque 100), Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), de dados do Ministério da Saúde e por meio de notícias publicadas pela imprensa. Até agora, a principal fonte de informações sobre o assunto era o Grupo Gay da Bahia (GGB), cujo último relatório, divulgado em abril deste ano, contabilizava 266 mortes violentas durante o ano passado.

O levantamento aponta que, na maioria dos casos de agressão (61,9%), o autor é alguém próximo à vítima, o que pode indicar um nível de intolerância em relação à homossexualidade. Cerca de 34% das vítimas pertencem ao gênero masculino; 34,5% ao gênero feminino, 10,6% travestis, 2,1% transexuais e 18,9% não informado. Foram identificadas ao menos 1.713 vítimas e 2.275 suspeitos.

O coordenador geral de Promoção dos Direitos LGBT da secretaria, Gustavo Bernades, disse que o fato de 49% das vítimas de homicídios serem travestis indica que este é um dos grupos mais vulneráveis à violência homofóbica, junto com os jovens negros. "Há também uma violência doméstica que nos preocupa muito, porque é difícil para o Estado interceder nestes casos. E a violência contra lésbicas também é pouco denunciada".

O levantamento mostrou ainda a existência de um grande número de casos em que a família rejeita os jovens que revelam sua orientação sexual. "Há, nestes casos, a violência dos pais que abandonam ou negligenciam seus filhos. Tudo isso demonstra que precisamos de políticas públicas de enfrentamento à homofobia, especialmente para os jovens, em particular para os jovens negros".

Pouco após divulgar os dados, a ministra anunciou a proposta de incentivar a criação de Comitês Estaduais de Enfrentamento à Homofobia. De acordo com Maria do Rosário, os comitês serão criados em parceria com governos estaduais, com o Conselho Federal de Psicologia e com outras organizações da sociedade civil.

Os grupos servirão para monitorar a implementação de políticas públicas, acompanhar ocorrências de violências homofóbicas, evitando a impunidade, e sensibilizar agentes públicos responsáveis por garantir os direitos do segmento. Também está em estudo a criação de um comitê nacional que se responsabilize por coordenar a ação dos demais comitês.

"É preciso compreender que um crime contra um homossexual atinge não só a pessoa, mas a família e a sociedade como um todo. É assim que nós sentimos no governo brasileiro", disse a ministra, adiantando que a proposta de criação dos comitês ainda está sendo desenhada e vai depender de parcerias. "Há uma vontade política inabalável do governo federal de constituir mecanismos que mobilizem a sociedade contra a violência homofóbica. Acreditamos que, com as parcerias, os recursos necessários não serão tão grandes. O principal valor investido será a mobilização permanente da sociedade", disse.

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, comemorou o anúncio da ministra em pleno Dia Internacional da Cidadania LGBT, mas lamentou os números do levantamento. "Este posicionamento político de estabelecer o comitê nacional e os estaduais é muito importante. Já vínhamos denunciando a situação, mas hoje temos um dado oficial. É o governo brasileiro quem está reconhecendo que houve 6.809 violações dos direitos humanos de pessoas homossexuais", disse Reis, prometendo que as associações não-governamentais irão apoiar qualquer proposta da Secretaria de Direitos Humanos que vise a combater a homofobia, sobretudo a criação dos comitês estaduais.

Cidinha da Silva em Ermelino Matarazzo, Z.O. Paulistanta

SÁBADO, 30 DE JUNHO
das 17HS ÀS 20HS - na Escola Estadual Jornalista Francisco Mesquita

Lançamento do Livro: "Oh, Margem! Reinventa os rios!", de Cidinha da Silva.

Informações completas, acesse nosso perfil no Face (Sarau dos Mesquiteiros)

Ou clique direto em nosso blog:
www.mesquiteiros.blogspot.com


28 de jun de 2012

Nota de repúdio e lamento ao amor que odeia Ou um diálogo com os heterossexuais não-homofóbicos


Por: Rede Nacional de Negras e Negros Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - Coordenação Nacional

"Há uma singular correspondência entre o presente que os evangéligos fundamentalistas pretendem dar à comunidade LGBT no dia do Orgulho Gay e o assassinato do jovem José Leonardo no município de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, no último domingo 24 de junho. Enquanto os deputados fundamentalistas querem submeter a autonomia do Conselho de Psicologia aos seus dogmas religiosos, para permitir a cura da homossexualidade, eles espalham conscientemente um discurso do ódio, com a conivência tácita de parcela expressiva das bancadas progressistas. E, como todo discurso do ódio, não podem controlar as consequências.
José Leonardo morreu após receber várias pedradas. O irmão José Leandro dele teve a face afundada. Trata-se de um típico crime de ódio, motivado e justificado por um discurso do ódio, nesse caso contra pessoas supostamente gays. Elementar entender quais signos foram associados aos jovens para “definir” que eram, na opinião do grupo agressor, um casal gay. Eles estavam demonstrando afeto, andando abraçados.
É um comportamento comum entre irmãos, pais e filhos e amigos, gays ou heterossexuais. Essa não é a primeira notícia de agressão contra parentes confundidos com casais gays. Em julho do ano passado, um homem teve parte da orelha decepada por uma dentada após ser agredido por um grupo de homens que, aparentemente, confundiram o afeto com seu filho com uma relação homossexual. À época, a vítima pergunta se um paí não podia abraçar seu filho. O novo caso ocrrido na Bahia ajuda a responder.
De lá para cá, outros casos de agressões ocorreram contra pessoas que reivindicavam identidade heterossexual, sempre legitimidas por uma suposta “confusão”. Eles apontam para algumas questões. Primeiro: o discurso do ódio tem aumentado as agressões morais e físicas contra pessoas gays, travestis, transexuais e lésbicas. Segundo: o mesmo discurso também oferece legitimidade social para práticas covardes de agressão que atingem, também, a pessoas heterossexuais. Terceiro: o discurso gera medo e obriga as pessoas a escolherem entre aqueles que agridem ou aqueles que são agredidos. Quarto: as novas práticas geram subjetividades que alteram o comportamento social, em direção à uma sociedade mais hostil, fragmentada e violenta.
É bastante interessante notar que os deputados e senadores evangélicos legimitam o ódio para, suportamente, defender as famílias em seu discurso. Ou seja, o amor deles se demonstra com ódio aos demais. O que o fundamentalismo evangélico tem a dizer à família das vítimas? Que amor cristão é esse, que não pode ser demonstrado publicamente? Quando acreditamos que existem formas de amor legítimas e outras não, é preciso definir a linha de separação entre as duas. Nessa separação, o que é legítimo também perde, tendo de se submeter diante do imperativo de controlar e excluir o ilegítimo. Toda a discriminação gera perdas para a sociedade como um todo, e não apenas para os grupos submetidos a ela.
Não é à toa que os deputados evangélicos querem promover a heterossexualidade condenando a homossexualidade. Também não é à toa que os homofóbicos que agridem lésbicas, travestis e gays precisem reafirmar seu “heterossexualismo”. O problema do qual somos vítimas é, na verdade, um problema do agressor. Os homofóbicos odeiam porque não têm amor alguma para defender.
A Rede Afro LGBT lamenta a morte do jovem José Leonardo e se solidariza com seu irmão gêmeo José Leandro, com sua esposa e filho ainda não-nascido, e sua família em Pernambuco. Esperamos que esse caso ajude os heterossexuais a perceberem a importância de rejeitar a discriminação mesmo quando legitimada por um discurso de “amor”.
O Dia do Orgulho Gay jamais foi uma data para comemorar: 28 de junho é um marco da organização política de LGBT na luta por igualdade na diferença. Não queremos promover uma auto-segregação, mas partimos de uma resistência à exclusão imposta a nós. Na direção oposta, nossa luta é um diálogo com a heterossexualidade, no sentido de demonstrar que não há nada de anormal que necessite ser curado ou exterminado em qualquer expressão sexual. Nós sempre soubemos que a homofobia, na verdade, era um problema de toda a sociedade.
Quando a bancada evangélica usa o Congresso para reafirmar discursos obsoletos de cura das homossexualidadas a favor das heterossexualidades, a realidade demonstra que gays e heterossexuais precisam se unir para curar a homofobia."

TODAS E TODOS PELA CRIMINAÇÃO DA HOMOFOBIA!
APROVAÇÃO DO PLC 122 JÁ!

27 de jun de 2012

Muniz Sodré, o senhor da palavra!


Dia 26/06/12 me senti feliz e orgulhosa ao assistir a entrevista do Muniz Sodré na Cultura. Herdeiro de Milton Santos, nosso maior intelectual vivo, Muniz é, de fato, um dos Doze Obás de Xangô. A discussão proposta por ele, foi demarcada por um ponto de vista filosófico- ético-étnico-político-estético inalcançável a seus entrevistadores. E ele não o fez por soberba, longe disso, mas porque tem o pensamento requintado, fruto de uma formação intelectual sólida, múltipla e sensivelmente temperada pelo dendê. Muniz, ancorado por pedras, flutua quando pensa e fala. Ginga para se esquivar de perguntas medíocres e os interlocutores extasiados, mal disfarçam que estão falando de suas vidas pessoais, de seu mundinho de classe média branca, buscando conselhos para as questiúnculas vividas com os próprios filhos e netos no campo da escolarização. Muniz, por sua vez, altaneiro, soberano, insistia em pensar grande, pensava o Brasil. Ao final da entrevista, o mandingueiro ainda agradece por terem discutido seu livro novo, "Reinventando a educação", haja vista que, segundo ele, o livro não mereceu sequer uma nota na imprensa do Rio de Janeiro. Ossos do ofício de um intelectual negro neste país!
http://www.youtube.com/watch?v=LPxH2Z2Dzi0



Sobre o livro: Reinventando a educação (Vozes) não é um ensaio futurológico. É, antes, um repto reflexivo e político à velha pedagogia para que desperte da narcose colonial e assuma as mutações já em curso tanto no mundo do trabalho quanto do comportamento jovem. A reinvenção se dá, assegura Muniz Sodré, como uma disposição e uma reinterpretação abertas à consciência de hoje, assim como um alerta para a evidência de que a educação é a luz no fundo do túnel social, obscurecido pela crise dos valores, pela violência das drogas, pelas ameaças à saúde do planeta e pela retração progressiva das formas propriamente humanas de existência. Aqui está um livro a ser realmente lido e discutido.

25 de jun de 2012

Cidnha da Silva no Sarau da Ocupação, dia 27/06, às 19:30





"Venha torcer pela poesia e se aquecer no calor humanos do Sarau mais quente do centro nervoso de São Paulo.
O povo tem um encontro marcado na quarta-feira, 27 de junho, a partir das 19h30, na Avenida São João, nº 588
(próximo a Galeria Olido), pra celebrar a sabedoria popular no melhor estilo ritmo e poesia que já se ouviu na praça.


Neste dia, o Sarau vai receber a escritora Cidinha da Silva pro lançamento do seu mais recente livro de crônicas "Oh, margem! Reinventa os rios!", pelo Selo Povo (2011). No dia do lançamento, este e outros títulos da prosadora de mão cheia estarão a venda a preços populares. Mineira de Belo Horizonte, Cidinha é uma grande escritora que tem contribuido muito pra presença africana na literatura brasileira, a começar pelos seus escritos. Seu jeito próprio de escrever, que nos remetem muitas vezes a cenas de um cotidiano arcaico, tem levado a escritora a aventurar suas narrativas noutras linguagens como o cinema e o teatro.

"Quero que a senhora escreva a história da minha vida, dá um livro", Máximo afirma seguro. "Todas as histórias de vida dão um livro", eu retruco. "E escritoras gostam de escrever as próprias histórias", completo para desafiá-lo. "Mas a minha história é boa mesmo", ele insiste. "Acredito que sim, mas por que você mesmo não a escreve?" "Não posso!" "Por quê?" "Eu não teria coragem." " E o que o leva a pensar que eu teria coragem de contar a sua história?" "As coisas da senhora que já li." "Muito bem, é um bom argumento. Posso ouvir a sua história e contá-la do meu jeito. Pode ser assim?" "Pode!" - trecho da crônica O prisioneiro, em Oh margem! Reinventa os rios!, de Cidinha da Silva.

O Sarau também vai arrecadar alimentos para as famílias sem teto mais necessitadas. Então, se puder, traga 1kg de alimento não perecível para doação. Só não fique de fora!

Não esqueça a sua letra, poesia, rima ou ideia. Se preferir escolha ou faça na hora, sem deixar o ritmo e a poesia caírem. Um banquete de livros fica sempre a disposição. Pode somar porque é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente!"

23 de jun de 2012

Presos em unidades federais poderão diminuir pena com horas de leitura

Deu na Agência Brasil

Os presos que se dedicarem à leitura de obra literária, clássica, científica ou filosófica poderão ter as penas, em regime fechado ou semiaberto, reduzidas. A cada publicação lida, a pena será diminuída em quatro dias. No total, a redução poderá chegar a 48 dias em um ano com a leitura de até 12 livros, de acordo com a Portaria 276 do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União.

As normas preveem que o detento terá o prazo de 21 a 30 dias para a leitura de uma obra literária disponibilizada na biblioteca de cada presídio federal. Ao final, terá que elaborar uma resenha que será analisada por uma comissão de especialistas em assistência penitenciária. O participante do projeto contará com oficinas de leitura.

A comissão avaliadora também observará se as resenhas foram copiadas de trabalhos já existentes. Caso sejam consideradas plágio, o preso perderá automaticamente o direito de redução de sua pena.

21 de jun de 2012

Festival A Cena Tá Preta abre inscrição para grupos e artistas



Estão abertas as inscrições para a quarta edição do Festival A Cena Tá Preta, promovido pelo Bando de Teatro Olodum, Teatro Vila Velha e o Coletivo de Produtores do Subúrbio. Artistas e grupos culturais podem concorrer à seleção da programação que movimentará a cena de Salvador, entre os dias 09 e 18 de novembro de 2012. Serão selecionados 12 espetáculos nacionais e internacionais de teatro, dança ou música, além de dois textos teatrais inéditos para realização de leituras dramáticas. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 31 de julho de 2012. Mais informações e a ficha de inscrição encontram-se no site: www.acenatapreta.com.br

Tema - A mostra visa a valorização da arte baseada na temática afro-brasileira, revelando a diversidade da estética negra, nas variadas linguagens artísticas. Além das apresentações e exibições de filmes, o Festival contará com debates e mesas redondas com pesquisadores. “O projeto vem se consolidando como espaço de visibilidade da performance negra e a ideia agora é expandir as fronteiras, trazendo grupos e artistas de outros países da diáspora africana para uma rica troca de experiências artísticas”, afirma Chica Carelli, uma das responsáveis pelo A Cena Tá Preta.

A organização do Festival fornecerá, total ou parcialmente, transporte, hospedagem, alimentação, além de equipamento de som e luz. O projeto será realizado em convênio com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República / SEPPIR. Todas as apresentações serão gratuitas.

SERVIÇO
Inscrições para o Festival A Cena Tá Preta
De 18 de junho a 31 de julho de 2012 pela internet e também pelo correio.
Informações: www.acenatapreta.com.br
Sugestão de fonte: Chica Carelli, atriz e diretora de teatro, co-fundadora do Bando de Teatro Olodum. Contato: 71. 3083-4600.

20 de jun de 2012

Sete motivos para ser fã do Sarau Elo da Corrente!

1 – O elo da Corrente é um sarau comunitário, na melhor acepção da palavra. É um encontro semanal levado a termo por um grupo de pessoas comprometidas com um projeto bem definido e de base coletiva.
2 – O Elo da Corrente não se põe a serviço do ego de um indivíduo que se julga o iluminado condutor das massas, tampouco usa o nome e a boa-vontade de uma comunidade inteira para projetar a carreira de um indivíduo.
3 – O Elo da Corrente é composto por homens e mulheres e, embora estas ainda estejam nos lugares tímidos a que se acostumaram a estar, existe uma líder, plena de força e garra e um compromisso sincero dos homens de lastrear um lugar de maior visibilidade para as mulheres.
4 – No Elo da Corrente diferentes gerações convivem, dialogam e exercitam o respeito cotidiano. Existe também respeito aos valores diversos e às vezes divergentes das pessoas que compõem o coletivo.
5 – O Elo da Corrente é um sarau pequeno, um lugar de aconchego, de um ritmo piritubano (não fordista) de entrega da literatura ao público.
6 – O Elo da Corrente tem tingido de preto o lugar geo-político-afetivo representado pela periferia piritubana.
7 – O Sarau elo da Corrente é minha Angola-Janga em São Paulo.

19 de jun de 2012

Lançamento do Margem na UNICAMP, dia 21/06/12, ás 19:00



Ativista moçambicano desembarca no Rio e diz que foi ameaçado pela Vale



Por Márcio Menasce/Folhapress

"Ativista Jeremias Vunjanhe chega ao Rio
Cerca de cem pessoas do movimento Justiça Ambiental-Amigos da Terra, do qual ele faz parte, recepcionaram o jornalista.

O ativista, que foi impedido de entrar no Brasil pela Polícia Federal de São Paulo no dia 12, vai participar de debates na Cúpula dos Povos, um dos eventos paralelos da Rio + 20.

Na semana passada, ele participaria de um encontro de atingidos pela Vale, que aconteceu no Rio, no dia 16.

Vunjanhe disse que foi deportado sem receber explicações e seu passaporte recebeu o carimbo "impedido". Para voltar ao Brasil nesta segunda-feira, o ativista precisou tirar um novo passaporte e de um novo visto, concedido após encontros com o embaixador brasileiro em Moçambique.

No Galeão, o jornalista afirmou que sofreu ameaças da mineradora e do governo Moçambicano por seu trabalho de denúncia contra os maus tratos em regiões próximas de onde a empresa opera no seu país.

Segundo Vunjanhe, um funcionário da Vale teria tentado intimidá-lo a interromper seu trabalho.

Ele contou que tem fotos e vídeos que provam os maus tratos a que moçambicanos vem sofrendo em seu país pela empresa.

"São cerca de 1365 famílias que foram deslocadas pela Vale e perderam suas terras. Nos últimos 13 anos, elas tem denunciado as precárias condições a que são submetidas, mas a empresa e o governo tem optado por deixá-las abandonadas", afirmou o jornalista.

O ativista afirma que tem fotos de pessoas espancadas pela polícia moçambicana durante um protesto feito contra a Vale. A manifestação ocorreu em janeiro, em Katembe."

17 de jun de 2012

Agenda de lançamentos e divulgação de livros em junho 2012

O livro Oh, margem! Reinventa os rios! (Selo Povo, 2011) marca o reencontro de Cidinha da Silva com a crônica. Neste sexto livro de sua carreira literária, a escrita ágil, irônica e multifacetada da autora promove sensações diversas em que a lê, incluindo a reflexão sobre temas como as práticas racistas arraigadas no dia-a-dia das relações humanas no Brasil, assimetrias de gênero e opressão sócio-política. Das crônicas emergem sujeitos dignos, plenos de humanidade que enfrentam (como podem) os dilemas narrativos propostos em situações amorosas, sensuais, futebolísticas e do cotidiano da pobreza, vivida e apresentada com dignidade. Como dito por Paulo Lins, na breve apresentação do livro: "A margem reinventa o rio. Cidinha reinventa a vida. A vida é feita de palavras".



*21/06 às 19:00, Centro Acadêmico do IFCH - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp / Campinas.
*23/06, ás 19:00, Sarau Perifatividade,Bar do Boné - Rua N.Sra. da Saúde, 1007, Vila das Mercês, Ipiranga. Informações: (11) 64537673 ou 92504344.
*27/06 Sarau Ocupação São João, às 19:30, Av. São João, 588, Centro.
*28/06 Sarau do Fórum, às 18:00, rua Jurubatuba, 1610, Ferrazópolis.
*29/06 Arraiá do Ilê Axé Iansã Quilombo Anastácia, Araras, São Paulo.
*Dia 30/06 às 17:00, Sarau dos Mesquiteiros, na E.E. Jornalista Francisco Mesquita, rua Venceslau Guimarães, 581, Ermelindo Matarazzo.

15 de jun de 2012

Se fosse branco, Ronaldinho poderia se comportar como Aécio Neves

Por Caio Maia




"Alguém sabe que tipo de música rola nas baladas na casa de Thor, o filho com nome de Deus de história em quadrinhos de Eike Batista? Ou qual o som preferido das festas que dava o "piloto" Pedro Paulo Diniz? Alguma manchete do tipo "Techno varava a noite na mansão"? Na casa de Ronaldinho Gaúcho, porém, todos sabem. E não é coincidência que seja pagode, ritmo "de pobre", "de preto".

Ronaldinho Gaúcho está muito longe de ser um modelo de comportamento. Mas não é, que eu saiba, padre, ministro da República ou apresentador de programa infantil. Exige-se dele, entretanto, o que nunca se exige de, digamos, Aécio Neves, ministros evangélicos ou Xuxa. O culto evangélico que impede o sono de um bairro é protegido por lei. O pagode, não. Alguém sabe, aliás, que som rola nas baladas que frequenta o quem-sabe-futuro-presidente Aécio Neves? Ou a que horas o senador chega ao trabalho?

Aécio Neves é pago com dinheiro público. Ronaldinho, não. Nem com dinheiro público, nem com dinheiro privado. Exige-se dele, porém, comportamento modelo. Pelo simples fato de que é negro e milionário, e o Brasil aceita negros milionários, desde que "se comportem". Não consta, por exemplo, que público e mídia se chocassem enquanto o branco Kaká sustentava com sua fama e prestígio uma igreja dirigida por criminosos, certo?

Ronaldinho relaxou, viveu na noite, isso ninguém discute. No Milan, onde ele recebia em dia, já era assim, dizem. O que não corresponde à inteira verdade. No Milan, Ronaldinho não era mais o Ronaldinho comprometido do Barcelona. Mas ainda justificava o que ganhava. O que autoriza a supor que, se recebesse seu salário no Flamengo, poderia ser da mesma maneira.

Quando eu tinha quase 30 anos tive um emprego em que era mal pago e nada reconhecido. Deixei-o depois de dois anos, mas nunca tentei me enganar de que meu comprometimento ali era total. Não chegava atrasado, não faltava, mas só porque seria demitido. Nem acho que estava correto em tratar a coisa com seriedade "moderada". Mas assim é o ser humano. Você ganha mal, ou não ganha, e seu empregador te trata como lixo. Você não se motiva. Alguns se motivam, é fato, principalmente os que não têm escolha. A maioria, porém, faz o suficiente para não perder o emprego. Até que não aguenta mais. Foi o que fez Ronaldinho.

Agora. a simples possibilidade de se querer contar com um dos jogadores de futebol mais habilidosos do mundo é tratada com escárnio. Como se fosse melhor ter Jadson, Alex ou Diego Souza inteiros do que um Ronaldinho disposto a jogar bem uma vez por semana - e nos jogos decisivos. Como jogou no Milan. Não, eu não pagaria R$ 1 mi por mês para o gaúcho. Mas queria no meu time, sem nenhuma sombra de dúvida.

Se fosse branco, Assis, o irmão de Ronaldinho, seria apenas um "otimo negociador". Como os piratas da Fórmula 1, recebidos no Brasil como estrelas - estou falando dos donos do negócio, não dos pilotos. Como Aécio Neves, eles podem, e a única diferença que há entre eles e Ronaldinho é essa: são brancos."

13 de jun de 2012

Texto de retratação da Bombril!



"Recentemente, a Bombril recebeu em suas redes sociais, críticas referentes à associação de um de seus principais produtos, a lã de aço, à cabelos crespos. Devido ao logotipo do programa “Mulheres que Brilham”.

Com o objetivo de ter o melhor posicionamento possível diante dessas manifestações, a empresa realizou uma reunião, ontem, dia 11/06, com lideranças do site Mulher Negra e Cia, a fim de entender e buscar o melhor caminho para solucionar o mal entendido.

Juntos, decidimos alterar o logotipo do programa, demonstrando nosso pedido de desculpas a todas as mulheres que tenham se sentido ofendidas de alguma maneira.

A Bombril faz questão de ressaltar que não teve a intenção de realizar qualquer tipo de associação que não fosse referente à valorização e exaltação da beleza e diversidade da mulher brasileira.

Desta forma, informamos que o logo será substituído por sua segunda versão, conforme a imagem, no quadro do Programa Raul Gil. Isto ocorrerá até o dia 30/06, pois temos mais dois programas gravados, por isso não há como substituí-lo imediatamente.

Para as redes sociais e portal da marca: faremos a alteração até o dia 18/06, já que estas alterações demandam algum tempo devido programação.

Queremos enfatizar que em nenhum momento a Bombril teve a intenção de menosprezar ou ofender qualquer pessoa.

A Bombril deseja cada vez mais estar próxima da mulher brasileira e valorizar o protagonismo feminino, em todas as esferas, pois acredita no jeito feminino de construir o futuro de um Brasil plural e colorido."

12 de jun de 2012

Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha



De 25 a 29 de julho os Festivais da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha e Cena Contemporânea irão sacudir as noites da Praça do Museu Nacional com shows, gratuitos, de artistas de Brasília, Bahia, Pará, República do Congo, Cuba e Colômbia.

A abertura será no Dia 25 de julho, Dia da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha, com show de Zap Mama, grupo do Congo, liderado por Marie Daulne e que estará completando vinte anos de estrada. Também neste dia o coletivo Pretas Candangas fará uma edição do Cabelaço, ato político-cultural de afirmação da estética e cultura negras, que tem como slogan “Meu cabelo é bom, ruim é o racismo”, acompanhado de roda de capoeira e intervenções poéticas com Cris Sobral. Para encerrar a festa, Sistema Criolina. Em breve mais novidades sobre o dia 25!

11 de jun de 2012

Cobertura da EUROCOPA 2012





Por Cidinha da Silva

Uma das coisas irritantes da cobertura desta EUROCOPA 2012 é o tratamento dado pela imprensa brasileira às inúmeras e recalcitrantes manifestações de racismo: de poloneses contra negros; de russos contra negros; de ucranianos contra negros; dos demais europeus do Leste contra negros; do restante dos europeus contra negros.

A imprensa branca brasileira, grosso modo, divide-se em três blocos: aquele que nutre indisfarçável preconceito contra os povos do Leste, que, aos olhos deste grupo seriam atrasados em relação aos europeus dos outros quadrantes e, em decorrência disso, responsáveis por manifestações racistas atávicas. Complementa a justificativa desse enquadramento, a suposta falta de familiaridade dos europeus do Leste com migrantes negros, como a grande Europa teria. Este, além de ser um argumento que justifica o injustificável, denota desconhecimento, pois durante a segunda metade dos anos 70 e durante toda a década de 80, foram inúmeros os africanos oriundos de países albergados no bloco da Ex-União Soviética, durante a guerra fria, que foram estudar nos países do Leste Europeu e muitos deles, por lá deixaram filhos. Ainda outros foram aprender tecnologia de guerra.

O segundo bloco da imprensa tupiniquim recrimina o racismo com enfado, "poxa, essa coisa chata de racismo e esses chatos, impedem a gente de falar do que realmente interessa, o futebol."

O terceiro bloco recrimina o racismo de maneira séria, mas minimiza-o, relega as manifestações a indivíduos ou pequenos grupos de pessoas, esvazia seus aspectos institucionais.

Todos fazem coro contra os parcos jogadores negros que se posicionam e tentam discutir o racismo como algo estrutural nos países em questão. As declarações desses bravos são diminuídas, descontextualizadas, quando não, ridicularizadas. É mais do mesmo, o de sempre. Cheguei a ouvir um repórter brasileiro sugerindo que as pessoas intimidem os racistas dizendo que vão filmá-los, caso sejam ofendidas (ele considera o racismo uma simples ofensa) e vão postar na Internet. É ingenuidade ou cabotinismo. Grupos de racistas intimidam, humilham, espancam, matam. A coisa é séria e esses irresponsáveis ficam brincando de fazer jornalismo.

10 de jun de 2012

Escola Olodumaré de Filosofia e Teologia Afrocentrada (ESTAF)





"Procura-se docentes afrocentrados para compor o quadro de professores/as convidados da ESTAF que serão convidados a ministrar cursos de diversas naturezas em todo o Brasil. Precisamos formar esse quadro para atender as demandas acadêmicas no país que visa alterar a imagem da Tradição de Matriz Africana através da epistemologia negroa-africana na sua abrangêngia axiológica, filoaófica, teológica, etc. Participem externando a vontade de integrar a ESTAF nos enviando o link dos curriculos lattes. Nguzo, Àse, Saravá."


Missão
A Escola Olódùmarè de Educação Teológica e Afro-Umbandista (ESTAF) tem a pretensão de se constituir em um centro de referência teológica de excelência acadêmica afrocentrada, agindo teoricamente nas esferas multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar das áreas do conhecimento, dialogando, portanto, com as várias epistemologias e saberes diversos.
Descrição
A Escola de Filosofia e Teologia Afrocentrada (ESTAF) possui como compromisso a promoção do Estudo, da Pesquisa e Extensão afrocentrada. Nessa perspectiva capacita adeptos/as e interessados/as em geral de forma a reterritorializa-los simbólica e materialmente, tornando-os verdadeiramente comprometidos com a ética cosmológica e a xenofilia, de modo que introjetados, tais valores constituam-se como determinantes da atuação profissional das pessoas e que desta forma trabalhem na promoção da dignidade humana na sua dimensão afrobiomítica.

Diretoria da ESTAF:
Diretor Geral: Prof. Jayro Pereira (Ògiyán Kalafò Olorode)
Diretor Adjunto: Luiz Alberto Ferreira Diaz (Egbon Olumide)
Secretária Acadêmica: Janine Maria Viegas Cunha (Nina Fola)
Secretária Acadêmica Adjunta: Isabel Cristina Domingues da Rosa (Faromi)
Diretor Administrativo: Carlos A. K. Hoffmann
Diretor Financeiro: Carlos Nunes de Souza (Babalorixá Carlos de Sango)
Diretora de Ensino, Pesquisa e Pós-Graduação: Miriam Cristiane Alves (Oloriobà)


Rua Nunes Costa, 1137
Vila São José
Porto Alegre, RS CEP:91520-360
Telefone (51) 3384-9178
E-mail diretoriaestaf@escolaolodumare.com.br
Website http://www.escolaolodumare.com.br

8 de jun de 2012

Fala a filha caçula de Malcom X





Deu na Carta Capital

Ser filha de Malcolm X é fácil. Difícil foi ser filha de Betty Shabazz, com outras seis irmãs, pobres, no Harlem.” Todas as vezes que encontro Malak Shabazz ela sempre prefere falar da mãe quando pergunto sobre seu pai. Nessa família de ativistas afro-americanos, não há um sem o outro. Malak é a caçula, e não chegou a conhecer Malcolm, morto quando Betty estava grávida. E como os pais, ela segue na luta por direitos humanos e justiça social. Nos últimos tempos, seu foco tem sido o feminismo. “Igualdade”, ela diz. “Equal rights.”

Na sede da National Action Network: House of Justice, o clima é triste, mas não como o do velório no dia anterior, de Gil Noble, um famoso âncora negro de tevê. Malak, metida em uma bata africana, toma o microfone: “Brother Gil era um amigo da família. Eu sei quem ia lá em casa. Muita gente diz que é amigo. Depois do filme Malcom X, de repente todo mundo era amigo. Mas no clima de ódio daquele tempo, ele sempre estava lá. E quando teve espaço na tevê, minha mãe cobrou dele para representar e defender o povo negro, o povo da diáspora africana. E ele fez. Gil também nos apoiou na luta para preservar o local onde meu pai foi assassinado, e hoje se chama The Malcolm X and Dra. Betty Shabazz Memorial and Educational Center.”

O centro fica a poucas quadras da House of Justice. No início do ano, uma bela exposição lembrava as “freedom sisters”, mulheres negras que lutaram pelos direitos civis. Agora em maio está em cartaz The Long Walk to Freedom, a longa marcha pela liberdade. Também com fotografias, gráficos e biografia de ícones do movimento pelos direitos civis.

O memorial ocupa o antigo Audubon Ballroom, local onde Malcolm X, aos 39 anos, foi assassinado na noite de 21 de fevereiro de 1965 por três integrantes da Nação do Islã. O edifício pertence à Columbia University e foi cedido em 2005 para uso da família por 99 anos, após intensa mobilização no fim dos anos 1980, quando a universidade quase derrubou o prédio.

A reforma foi bancada pela cidade de Nova York e pelo banco Chase e planejada pelo também conhecido arquiteto negro Max Bond, que estudou em Columbia. “Ainda faltam 97 anos, temos muita coisa para fazer aqui”, diz Malak, confiante. A exposição Freedom Sisters foi financiada pela Fundação Ford. Além do centro, a família dirige a Malcolm X Foundation, o X Legacy Inc., e uma série de planos de bolsas para estudantes negros, especialmente em medicina, em Columbia.

Há um belo salão de danças no segundo andar do memorial. Piso de madeira, telhado branco e um imponente mural. Malak emociona-se. Ela para no exato local do crime, próximo à janela, onde ficava o palco em que seu pai discursava. Na parede oposta, um grande mural resume a vida de Malcolm X. “Foi bem aqui que mataram ele. A minha mãe estava ali do lado, eu e minha irmã na barriga dela.” Qubilah Shabazz, segunda das irmãs, foi testemunha do crime (e acabaria presa em 1995 acusada- de encomendar a morte de Louis Farrakhan, que teria incentivado o assassinato de seu pai).


Malak é uma celebridade no Harlem e mantém viva a memória dos pais

“As pessoas falam de meu pai, mas esquecem de Betty. Ela criou seis filhas sozinha. Estudou, fez doutorado. Organizou a luta pelos direitos, foi intensa ativista. E ela nos protegeu. Só nos demos conta do ódio que havia lá fora quando fomos à universidade.”

Malak é uma celebridade no Harlem. Nas ruas, apertos de mão, acenos. Descendente de italianos, pareço deslocado – o único não afrodescendente na reunião da House of Justice. Mas a identidade brasileira abre portas. “Eu tenho lido muito sobre os quilombos, que luta incrível os nossos irmãos travam no Brasil”, afirma Gary, um radialista de voz forte durante a cerimônia. “Meu pai queria unir os povos africanos. Na África, na América, todos os negros da diáspora imposta pela escravidão”, afirma a ativista. “Minha mãe adorava a Bahia. Foi muitas vezes para lá. Acho até que ela tinha algum namorado”, sorri.

A adoção do islamismo, talvez uma forma de protesto, é sustentada pelo que Malak diz ser sua fé. Cristãos e muçulmanos eram opostos na luta nos direitos civis, inclusive dentro do movimento negro. Ela lembra a histórica divergência entre seu pai e Martin Luther King. “Se batessem nele, Luther King iria oferecer a outra face. Meu pai partiria para a briga. Ele nunca aceitou a submissão.” Suas palavras, diz ela, fortaleciam a autoestima do afro-americano para lutar por seus direitos. “Hoje estamos vivendo um retrocesso.” A militante teme pelas eleições presidenciais deste ano. “Não é fácil (re)eleger um negro neste país racista.”

A conversa logo entra no tema das cotas raciais, as ações afirmativas. “Temos de ter acesso a direitos. Vivemos como exilados. Viemos embaixo de um navio, no porão. Contra a nossa vontade.” Ela fala em “direito para vivermos e justiça social”, o “direito de existir”. Contra os argumentos popularmente apresentados no Brasil, entre eles o de que as cotas pioram o nível da educação, é direta: “Isso é ridículo. Quem acredita nisso?”

A música está em cada canto do Harlem. Malak diz não gostar de rap (“É violência, degrada as mulheres”), mas mostra simpatia pelo hip-hop (“É um modo de vida. Como o jazz, usa a arte para abrir a mente e a alma”).

“A música é uma arma”, diz Gary, parceiro de Steve Wonder no famoso disco Songs In The Key of Life, enquanto conduz a cerimônia na House of Justice. “Com a música ninguém pode nos impedir de criar, de falar. E hoje, com a web, estamos livres das gravadoras. Ninguém pode nos impedir de distribuir”, incentiva ao microfone. “Uma revolução está sendo criada pela música. Temos de usar o poder da música, que é a mais poderosa forma de comunicação.” Malak aprova. A resistência e a esperança ela herdou, em igual medida, de Malcolm e Betty.
*Eliana sonha em ser Alice
Por Cidinha da Silva

Eliana era bonita como um copo de leite. Sonhava em ser Alice enquanto vendia balas no sinal. Os motoristas a olhavam surpresos e consternados.

Os pais de Eliana estavam sempre por perto. A mãe cuidando dos dois menores, de 3 e 4 anos, talvez. O pai lavando o vidro dos carros, um olho na filha, outro no rodinho com sabão.

Já tinha vindo até jornalista fazer matéria de TV com Eliana e sua família. O pai, Constantino Zykzyz, era colono em Santa Catarina. Perdera a parceria da terra para o fazendeiro. Foi convidado a ingressar num movimento de trabalhadores rurais sem terra, mas temeu a dureza do dia a dia das ocupações. Juntou a família e preferiu tentar a vida no concreto de São Paulo. Não conseguiu trabalho, pois só sabia plantar. Por sorte, um conhecido lhe indicou um movimento de citadinos sem teto e ele conseguiu um quarto naquela ocupação de prédio no centro da cidade.

Eliana queria estudar. Eles, os pais, também queriam que ela estudasse, mas a beleza da menina era fascinante demais e eles foram aconselhados a deixá-la na vitrine da rua à espera da chance de ouro. Mais cedo ou mais tarde passaria alguém da TV por ali e a convidaria para ser modelo infantil, na certa. Era só confiar e perseverar.

Já estão ali há dois anos e nenhum convite veio. Eliana tem 8 anos e ainda não foi à escola. Sabe ler o que a mãe ensinou. O problema maior é que sua pele de copo de leite começa a se confundir com a fumaça dos carros e os sinais do tempo da infância perdida aparecem a cada dia. Daqui a pouco, será apenas mais uma menininha do semáforo que sonha em ser Alice.

*Eliana sonha em ser Alice é crônica integrante do livro OH, MARGEM! REINVENTA OS RIOS!- sessão de autógrafos amanhã, dia 9 de junho de 2012, na Casa das Rosas (Paulista, 37).



7 de jun de 2012





*Guerreiros
Por Cidinha da Silva

Contam que naquela época havia os pretos forros que não adotavam para os filhos o sobrenome dos escravizadores. Nem queriam entregá-los aos Santos, a Jesus, aos Passos ou aos Anjos. Por outro lado, também não tinham sobrenome africano que lhes valesse.

Inventaram então um jeito de transformar nome em sobrenome e assim nasceram as famílias Belizário, Felisberto, Juliano, Mariano, Eleutério, Hemetério e tantas outras, batizadas com o nome do patriarca. Estavam criados os brasões dos negros.

*Crônica do livro OH, MARGEM! REINVENTA OS RIOS! - sessão de autógrafos dia 9/6 na Casa das Rosas, às 19:00 (Paulista, 37).

5 de jun de 2012

Biografias Negras da Dança, mais um trabalho de Luciane Ramos Silva




Biografias Negras da Dança
Lançamento da série de encontros
Convidado: Irineu Nogueira
Quando: 8/6/12 (sexta-feira), 15h
Onde: Espaço Cachuera! - Rua Monte Alegre, 1.094 - Perdizes - São Paulo
Entrada franca
Mais informações: 11 3872 8113 . 3875 5563 . cachuera@cachuera.org.br . www.cachuera.org.br


BIOGRAFIAS NEGRAS DA DANÇA

Série de encontros que intenta documentar a trajetória de artistas dedicad@s às danças de matrizes afrodiaspóricas. Consideramos que o registro, preservação e disseminação da memória viva da dança negra no Brasil é de fundamental importância para o reconhecimento dessas produções de saberes empreendidas no campo da dança moderna e contemporânea do país.

Através do registro dos depoimentos construiremos uma rede crítica sobre os caminhos trilhados pel@s artistas e coreógraf@s, suas influências e criações, seus empenhos na estruturação de uma pedagogia de dança, na constituição de metodologias e processos, suas parcerias e escolhas profissionais.

Necessária também é a reflexão acerca das políticas de representação na dança e sobre o lugar legado as expressões de matrizes negras nas políticas culturais do país.

Esperamos que a produção deste acervo documental facilite a pesquisa sobre a dança negra brasileira, assim como traga luz às influências das matrizes afrodiaspóricas na constituição da dança no Brasil.

Além do depoimento, cada artista compartilhará seus trabalhos pedagógicos e de criação.

Palavra falada, Palavra do corpo, Palavra viva.

Luciane Ramos Silva e Fernando Ferraz
Curadores


Realização: Diásporos Coletivo das Artes e Núcleo Cachuera! de Artes

Por te amar




Por Cidinha da Silva

Por te amar, eu pintei um azul de o céu se admirar. Até o mar adocei e das pedras leite eu fiz brotar. De um vulgar fiz um rei, e do nada, um império para te dar.

Enfim, um horizonte melhor me sorriu. Minha dor virou gota no mar. Saí daquela maré, Luiz, não vivo mais à sombra dos ais.

Não foi fácil, meu velho. Vieram para mim de barba-de-bode e eu de comigo-ninguém-pode fiz o mar desaguar no chafariz.

Fui ao Cacique de Ramos, planta onde em todos os ramos cantam os passarinhos nas manhãs. Quando a moçada puxou suas músicas, meu coração desaguou, de alegria e saudade. Olhei para o alto das tamarineiras, as guardiãs da poesia, e elas vestiam um laço branco, como Kitembo. E só ele, para acomodar dores e saudade. Continuamos cantando, buscando o tom, um acorde com lindo som, para tornar bom, outra vez, o nosso cantar.

Então os meninos entoaram seu samba para dona Ivone: “Lara, o seu laraiá é lindo. São canções de quem tantos corações retêm com seu canto. Baila e baila o ar ao te ouvir”. Tão singela e precisa definição.

Na volta passei por Manguinhos, mirei a lua de Luanda que veio para iluminar a rua. Visitei a fachada da escola pública, batizada com o seu nome: Luiz Carlos da Vila! Que alegria. Eu já sabia, passei para te ver.

É Luiz, a chama não se apagou, nem se apagará, enquanto as ondas do mar brincarem com a areia. São luzes de eterno fulgor, Candeia e Luiz Carlos da Vila. O tempo que o samba viver, o sonho não vai acabar e ninguém se esquecerá de vocês, os timoneiros. O não chorar e o não sofrer se alastrarão, do jeito que você sonhou no seu dia de graça. Valeu, poeta, seu grito forte dos Palmares.


Por te amar é crônica do livro OH, MARGEM! REINVENTA OS RIOS!
Sessão de autógrafos dia 09 de junho de 2012, às 19:00, na Casa das Rosas. Av. Paulista, 37.

4 de jun de 2012

Cia Capulanas de Arte Negra autografa livro em São Paulo





Lançamento do "{Em} Goma", amanhã, dia 05/06 de 2012, no Sarau Suburbano Convicto.
Texto de divulgação

"Pra quem ainda não tem nosso livro e DVD, essa é uma boa oportunidade de adquirir. Estaremos amanhã no Sarau Suburbano Convicto, na rua 13 de maio, 70 2° andar, a partir das 20hs. Pra quem não sabe "{Em} Goma. Dos pés a cabeça, os quintais que sou" é resultado do Projeto Pé no Quintal que circulou com o espetáculo "Solano Trindade e suas Negras Poesias" pelas periferias de São Paulo durante 1 ano e meio entre 2010 e 2011 e também proporcionou formações acerca de culturas e artes negras na zona sul de SP. O livro traz experiências pessoais e coletivas de como o racismo, machismo e a arte proporcionam olhares doloridos e poéticos. Além de textos de pesquisa de arte e teatro negro de Salloma Salomão, Julio Moracen Naranjo e Lucrécia Paco (Moçambique). Cheguem e nos deem o prazer de sua presença. Axé. Cia Capulanas."

2 de jun de 2012

Um encontro com Fátima Oliveira




Por Cidinha da Silva – texto de 2008

É tarefa complexa resenhar o livro Reencontros na Travessia: a tradição das carpideiras (Mazza Edições, 2008), segundo romance de Fátima Oliveira, e dizer coisas fundamentais sobre a obra, depois do excelente prefácio de Erisvaldo Pereira dos Santos. Ela, doutora das Ciências Médicas, ele, doutor das Ciências Humanas. Mas, do que trata a boa Medicina, senão do essencialmente humano?

Inicialmente, observo que o objeto-livro Reencontros na travessia: a tradição das carpideiras é muito bem cuidado, bonito, gostoso de ver, além de despertar a vontade de folhear. O livro traz uma peculiaridade, a orelha foi escrita pela própria autora. A escolha parece indicar que ela, Fátima Oliveira, poderá apresentá-lo melhor do que qualquer outra pessoa. Corajoso, isto, pois existe uma linha tênue entre a propriedade e a arrogância. Fiquei com a sensação de que Fátima demarcou, por este caminho, o caráter intimista do texto – que não deve ser compreendido como sinônimo de autobiografia. Fátima desdenha o risco de “explicar o texto” ou tentar completá-lo, como se ele não tivesse dito tudo o que tinha a dizer por si mesmo e anuncia o romance, introduz o tema, convida o leitor e a leitora a promover certos olhares, a atentar para o fundamento do bendito “tirado”, para a “ incelência” cantada por ela ao escrever esta obra deliciosa.

Sou forçada a dizer que duvido do cumprimento da promessa feita na dedicatória, embora promessa seja dívida. A obra é dedicada ao neto e à neta da autora que reclamam do tempo excessivo despendido pela avó no computador. Ela os tranqüiliza e assegura que não a disputarão mais com a máquina, ou, “com nenhum livro”, pois sente que Reencontros na travessia: a tradição das carpideiras é o livro que sonhou escrever. Diz ela: “É meu legado de fragmentos da memória cultural da gente simples e do cantar dos grilos do sertão que eu desejo que um dia vocês aprendam a amar.”

Não sei não. Suponhamos que Brígida, por exemplo, personagem riquíssima e pouco explorada, apareça à Fátima em sonho e reapareça outras vezes cobrando um tratamento mais detido, um conto. Duvido que Fátima teime. Brígida e sua história são irresistíveis, quanta humanidade, dor e amor, encerram: sertaneja casada com um sertanejo tem com ele quatro filhos, apaixona-se por uma mulher e o coração não lhe deixa outra opção, senão, viver aquele amor. Deixa o marido e os filhos e vai amar por inteiro a mulher amada. Vivem a felicidade possível, por vários anos, até que a mulher amada se apaixona por outra e, desta vez, é o coração da amada de Brígida quem impõe outro caminho. E ela vai viver integralmente o novo amor, deixa Brígida sozinha (abandonada à própria sorte?) e assume todas as responsabilidades pela nova amada, que a família espanca quase à morte ao dar-se conta do proibido. Depois do troca-troca, a mulher-foco do amor de Brígida e da outra, escolhe relacionar-se com ambas. Em casas separadas, pelo menos. Fátima Oliveira tem uma dívida com Brígida e um compromisso com os netos (me lembra minha consciência). Acordo firmado com criança é coisa da maior seriedade. Mas Brígida insistirá, percebi a tenacidade dela.
E que marido seria aquele que não matou a mulher para “lavar a honra”, como ainda hoje é costume? Parece-me também uma personagem interessante. E a relação de Brígida com os filhos? Quem compreendeu? Quem a destratou? Quem continuou a amá-la? Lá na frente, uma das filhas de Brígida comparece ao casamento de Cacá (personagem central), trabalha na festa ao lado da mãe, é uma pista, mas e os outros três? E como será o sentimento de passar de “matriz à filial”, experimentado por Brígida, para usar expressão da própria narradora? Tudo isso vivido no grupo das carpideiras, naquele cotidiano miúdo de novenas, umas nas casas das outras. É matéria ficcional rica por demais para deixar adormecido. Brígida merece mais do que um conto, merece uma novela, um romance. E se o compromisso com os netos falar mais alto, olha que roubo o argumento e crio uma história do meu jeito.

Na construção do texto literário, Fátima não é abandonada pela mulher de Ciência que é, pelo olhar investigador, antropológico, documentarista. Opta por explicitar suas fontes de pesquisa (jornais, livros, Internet), apresentadas como investigação feita pelas personagens e com literais notas de rodapé. Vai que alguém se interesse em pesquisar as carpideiras por métodos científicos que desemboquem numa monografia, dissertação ou tese? Nunca se sabe. Por outro lado, a atitude não deixa de configurar uma planta baixa do romance, expressão emprestada de Autran Dourado, que detalha ao leitor o método de trabalho da autora, seus caminhos, a orientação do foco narrativo das personagens, dentre outras escolhas.

Fátima, como autora, também se mostra uma “mulher de ciência”, no sentido da sabedoria popular, uma mulher que sabe das coisas, pois, com habilidade de bordadeira, aprendida com Chiquinha de Dorinha, Mariana de dona Socorro e Zuleide, suas personagens, põe o conhecimento sistematizado, fruto do uso de métodos investigativos de comprovação da realidade, a serviço da validação e da documentação da Ciência do Povo. Mais do que nunca, compreendo a escolha do prefaciador: um doutor em educação, professor universitário e sacerdote de religião de matriz africana, um homem de muita ciência sobre o nascimento e a morte.

A divisão dos capítulos do livro é muito feliz e ajuda quem lê a organizar todas as informações oferecidas. Encantou-me, particularmente, o “Na trilha das carpideiras e dos rituais de carpir”,não tanto pela documentação da presença da arte de carpir em várias cidades do Brasil, mas pelo detalhamento da vida e da personalidade de cada carpideira do grupo (irmandade) de mãe Lali. No todo da obra, há um clima de sensualidade bem urdido, mesclado com outras tantas expressões de amor.

A história é bem narrada, os conflitos internos abundam, diálogos se entrecruzam e tudo se resolve de maneira criativa e bem articulada sob a batuta da autora, apaixonada pela obra que escreveu, mas que conseguiu manter a lucidez ao contruí-la, ao contrário do que costuma acontecer quando entramos no alfa da paixão. Deve ser por isso que li em algum lugar, um depoimento de Fátima dando conta de que a personagem Cacá, em vários momentos, chocou sua moralidade. Para nossa sorte, Fátima é lúcida e Cacá desvairada.

Quanto ao capítulo “As primeiras cenas da Grotões dos Bezerras Filmes”, há problemas de estrutura. Nota-se a existência de cortes que não foram bem suturados, criaram-se vazios e passagens abruptas no texto que merecem ser corrigidos.

Nos três capítulos seguintes, últimos do livro, há declarações de amor variadas: de Cacá para Pablo e vice-versa – o casal apaixonado do romance; de pais para filhas e destas para os pais - nesse momento do texto, as figuras masculinas, mais discretas, sempre, crescem maravilhosamente em sua humanidade -; do homem e da mulher para a terra, para o sertão que vive neles e no qual vivem. Há também demonstrações comoventes de respeito, valorização e promoção dos saberes de outrem; solidariedade entre as pessoas, lealdade a princípios, valores e às pessoas, com o compromisso inarredável de promover dignidade em suas vidas. Não bastasse a beleza e humanidade dos capítulos finais, estes se prestariam também a ser utilizados como cartilha pelo vasto contingente de pessoas que trabalham com a idéia de voluntariado nas empresas e na sociedade civil. É que Cacá, por meio de seu exemplo de gestão, ensina como se faz. Ela oferece o melhor de si para o povo de Grotões dos Bezerras. É uma artista e como tal, ajuda o povo a reconhecer, valorizar e transmitir sua arte aos mais novos, garantindo, inclusive, as condições materiais para que a transmissão de conhecimento ocorra e os talentos emerjam. Cacá dá os exemplos fundamentais junto com as receitas de comidas típicas dos Grotões dos Bezerras e do povo simples do sertão, é só seguir.

1 de jun de 2012

Lesmas comandadas por raposas (e o fechamento do Sarau do Binho)

Por Allan da Rosa

"Pedem um comprovante, Binho leva e volta com uma exigência de novo atestado. O tal atestado vai e aí pedem uma conta carimbada. Vai o borderô e Binho ganha a missão de levar um outro certificado. Levado esse protocolo é a vez de esperar algumas semanas antes de reclamarem outro papel. Há anos vai em arrasto de lesma a situação comandada pelas raposas pra soltarem o divino alvará.

Isso pra funcionar o bar, onde acontece o Sarau do Binho. Só que o bar do Binho é dele e de sua família, seu sustento. Mas o sarau não é mais, há tempos. É praia e viela da comunidade, é centro cultural e fortaleza, fórum e cozinha.

Doce contradição: este sarau, o mais antigo e dos mais cooperativos de São Paulo, mesmo levando o nome de seu idealizador tem a agenda guiada pela demanda da comunidade. Quase toda semana chega alguém, algum coletivo, com um livro pra lançar, uma urgência pra debater, uma animação pra projetar. O “Sarau do Binho” tem a pauta levada pela beirada da zona sul e não é uma marca que visa crescer o ibope do Robinson. É um encontro com o encanto, com estética, com a política.

Ali, toda segunda-feira, onde já passaram milhares ou milhões de pessoas e nunca houve uma agressão física, acontecem cirandas, mesas redondas, projeções de filmes, exposições de quadros e esculturas, apresentação de teatro, rodas de capoeira. E além disso tudo, declamação.

Ali esquentamos e aprofundamos temas como o genocídio indígena, o machismo assassino, os movimentos afro-brasileiros, a especulação imobiliária, as diferenças entre educação oficial e comunitária, a tal democracia representativa. Trocamos idéia e vivenciamos cultura nordestina, argentina, japonesa, angolana, etc. Proseamos sobre nostalgia, espiritualidade, paternidade, desespero... Ali também já vogou um naipe de debates sobre questões estéticas como figurino cênico, direção teatral e dramaturgia, realismo e fantasia em literatura, luz e roteiro em cinema, enquadro e diafragma em fotografia, timbre e melodia em música, composição e volume em artes plásticas, entre tantos. Entrelaçados e fundamentados por Poesia.

Ali construímos amizades sólidas e flexíveis, aprendendo a apreciar, a perguntar e a discordar. Ali chegou gente de toda América do Sul, do Norte, de África, da Europa, da Ásia. Veio até gente de outros bairros de SP que parecem ser outro país.

Na atual gestão da prefeitura de São Paulo absolutamente nada é decidido junto com o povo. Na virada do ano o orçamento daqui da região da M´Boi mirim teve corte de 46%, já o de Pinheiros cresceu 12%. Assim bailamos entre a correia da burocracia que paralisa e o chicote medroso dos politiqueiros. Pra eles somos apenas a lista de despejados, a mira pra PM que de novo chega em seu ápice homicida, a massa pra consumir show, a população na sola dos coturnos das sub-prefeituras, todas hoje comandadas por coronéis e marechais.

O lacre na porta do bar, a mordaça no sarau, tem a ver com o perigo de nossa formação política, de nossa sensibilidade sendo educada, autônoma?

Nossa garganta seca na sede de Poesia. Nossos ouvidos queimam por tanta hipocrisia. Poesia de amor, de dúvida, de luta, de geografia, de matemática, de solidão, de movimento.

Clamamos pela nitidez, pela definição nos processos de recolha dos documentos exigidos para o alvará de funcionamento do bar do Binho!

Pelo retorno imediato do Sarau do Binho!"