Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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30 de set de 2013

A saúde da mulher negra sobe ao palco, em produção da periferia paulistana


Baseado em histórias reais, espetáculo Sangoma, da Cia. Capulanas, aborda saúde cultural, física e psíquica da mulher afrodescendente
por Xandra Stefanel, para a Rede Brasil Atual publicado 29/09/2013 15:55
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DIVULGAÇÃO
capulana.jpg
As artistas e ativistas do grupo teatral que trabalha para desconstruir a negatividade imposta pela cultura de colonização
São Paulo – A Capulanas Cia. de Arte Negra apresenta até dia 9 de novembro sua terceira peça teatral, Sangoma, que traz à tona um universo místico permeado de histórias de amor, dor, superação e possibilidades de cura. A companhia é formada por jovens artistas negras que têm o propósito de dialogar com a sociedade sobre as descobertas, os anseios e as percepções de mulheres negras e periféricas.
Ambientada em uma casa onde os espectadores percorrem cada cômodo sentindo de perto a força do depoimento das personagens, a peça sugere que a construção negativa da identidade atinge o corpo físico.
Sangoma, na verdade, são as mulheres escolhidas espiritualmente por seus ancestrais para dar continuidade aos trabalhos de cura espiritual e física dentro das comunidades zulus, na África do Sul. “Já no Brasil, sã é toda a pessoa que goza de boa saúde, e goma é uma gíria para nomear casa, utilizada nas periferias de São Paulo. Neste sentido, sangoma simboliza ‘casa sã’”, sintetiza o coletivo.
Em maio de 2011, depois de participar de uma palestra sobre o tema, o grupo se deparou com um estudo sobre o atendimento médico de mulheres negras nas unidades de saúde da periferia. “Chegamos a um dado – não computado pelas estatísticas, mas reincidente em vários depoimentos de pacientes e profissionais de saúde – de que as mulheres negras são mais tolerantes a dor e, por isso, recebem um atendimento diferenciado quanto às suas necessidades imediatas de tratamento médico em hospitais e centros de saúde”. A partir disso, eles começaram a pesquisar a relação da mulher negra com a dor e como isso refletia na vida delas. “Daí discutimos as formas de cura, como por exemplo, o tratamento com as ervas, uma forma de medicina ancestral”.
As histórias interpretadas pelas atrizes em Sangoma foram compiladas a partir de atividades de formação que o grupo promoveu no ano passado. As oficinas abordavam temas ligados à saúde cultural, física e psíquica de mulheres negras.
O texto, feito em parceria com a escritora Cidinha da Silva, dá voz ao que antes era silêncio. “São vozes muitas vezes caladas, que despertaram do silêncio para brotar vida e relatar as enfermidades causadas em suas relações com o mundo, com o outro e os caminhos que percorreram para chegar à cura”, diz a sinopse da obra.
O intuito do grupo era fazer um espetáculo que fizesse com que o público refletisse por si mesmo. “Não queremos mostrar que a opressão existe, através da opressão de outros gêneros. Captar estes elementos com simplicidade, responsabilidade e respeito e transformá-los em arte exigiu uma imersão tão profunda, um questionamento de nós mesmas enquanto mulheres que também passaram por isso e que hoje se propõem a compartilhar algo que acreditam, pensando e criando dentro de um cenário onde o preconceito fique claro aos olhos de todos,” afirmam as atrizes.
Apresentar a obra em áreas periféricas faz parte da proposta do grupo. “Realizamos Sangoma num espaço não convencional, dentro da periferia e para todos os públicos, para desconstruir a ideia de que o teatro é para uma determinada fatia da sociedade ou simplesmente um evento social para poucos. E também para mostrar que a mulher negra, aparentemente mais forte e preparada para aguentar qualquer tipo de adversidade, sofre com e em silencio geração após geração. Sangoma é o resultado de uma busca que nós, Capulanas, desejamos e necessitamos compartilhar.”
Assista ao vídeo promocional da peça:
Ficha Técnica
Elenco: Adriana Paixão, Carol Ewaci Rocha, Débora Marçal, Flávia Rosa, Priscila Preta, Rose de Oyá
Direção: Kleber Lourenço
Texto: Cidinha da Silva e Capulanas
Direção musical e composição: Naruna Costa
Trilha sonora: Giovani Di Ganzá
Design de luz: Ari Nagô
Operação de luz: Clébio Ferreira (Dedê)
Cenografia: Rodrigo Bueno
Cenotecnia: Renan Jordan e Majó Sesan
Contrarregra: Renan Jordan
Indumentária e figurino: Ligia Passos
Maquiagem: Capulanas e Ligia Passos
Costureira: Danna Lisboa
Identidade visual: Cassimano
Concepção audiovisual: Daniel Fagundes
Produção geral: Odun e Renan Jordan
Produção executiva: Carla Lopes e Fernanda Conceição

Serviço
Sangoma
Quando: todos os sábados, até 9 de novembro, às 20hs.
Onde: Goma Capulanas - Rua José Barros Magaldi, 1121 – Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo

Lotação: 30 lugares
Os ingressos devem ser retirados no local com uma hora de antecedência
Mais informações: capulanasciadeartenegra@gmail.com

29 de set de 2013

Banda Aláfia e Projeto Um Canto são os convidados da Fundação Cultural Palmares em seu 25o aniversário, dia 01/10




Venha abrir a programação de aniversário de 25 anos da Fundação Cultural Palmares no mês de outubro com a chave de todos os sons. Bate-papo gostoso com a BANDA ALAFIA e a moçada do PROJETO UM CANTO, no primeiro dia do mês, às 19:00.

A BANDA ALÁFIA é paulistana, formada por 11 músicos une a tradição da música negra, de africanismos, cultura popular brasileira à revolução do hip hop, passando por funk, jazz, soul. 

"ALÁFIA cria uma performance que perpassa a inteligência do canto e da harmonia, do lirismo poético e exemplar concepção de arranjos de base influenciados pela música preta de todo o planeta - já que a antiga relação África Brasil, tendo como contraponto os EUA, é constantemente revisitada dentro de um tempo onde não mais os carros de bois e negreiros nos movimentam e sim a banda larga.

A exemplo dos cultos ancestrais de tradição oral, em que o fundamental é o repasse do conhecimento mítico, Aláfia vem desenvolvendo linguagem absolutamente particular utilizando-se não apenas das conhecidas e pertinentes estruturas musicais de todos os tempos, mas também inserindo novas e por vezes inusitadas pitadas de diversas expressões artísticas.

Considera-se fator fundamental para o ineditismo que se instaura em cada apresentação da banda, essa aliança entre os contextuais elementos da música tradicional e a “musica contemporânea”, buscando convivência plena entre o novo e o antigo bem como alternâncias entre a rítmica das palavras e o próprio canto, um importante elemento de percussão melódica" (trechos de texto de Serena Assumpção sobre a Banda).

O PROJETO UM CANTO é um processo artístico-pedagógico, criado por pessoas interessadas em estudar a história social do samba, tendo como referência as contribuições africanas à música popular brasileira. Constitui-se de núcleos de estudos com ensaios e apresentações musicais. 

Voltado para músicos e público em geral, tem por objetivo resgatar as tradições afro-brasileiras em meio a um ambiente propriamente voltado para as novas gerações, sendo uma oportunidade de permitir o conhecimento da linguagem, de ritmos que foram articulados no passado e podem dar boas pistas para entendemos o presente e a partir daí propor novas expressões capazes de dar vozes e reconhecimento às populações que vivem a margem do circuito de informações e formação sócio culturais.


BANDA ALÁFIA E PROJETO UM CANTO presentes ao 25o aniversário da Fundação Cultural Palmares, dia 1 de outubro, às 19:00, no auditório do MinC (Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, fone (11) 27664300)

28 de set de 2013

Editais da FCP-MinC investem R$2,3 milhões na produção cultural negra


sexta-feira by marakarina
Chamadas públicas da FCP – MinC  vão apoiar a produção audiovisual e atividades socioculturais em referência a memória e a resistência da cultura negra
A Fundação Cultural Palmares – MinC (FCP) vai investir R$2,3 milhões em ações para o registro e dinamização das culturas negras brasileiras com os Editais Palmares 25 Anos: 1º Imagens da Memória e 3º Ideias Criativas, que serão lançados pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, nesta terça-feira, 1º de outubro, às 10h, no auditório da FCP – MinC, em Brasília/DF. As inscrições seguem até dia 15 de novembro.
Os certames representam mais uma estratégia da FCP – MinC para registrar e promover a memória e a resistência negra no Brasil. Hilton Cobra, presidente da FCP – MinC, avalia que a iniciativa é parte do empenho da Fundação rumo a uma política pública de cultura que contemple os produtores e artistas negros(as). “O mecanismo de chamada pública/edital é o meio que temos, atualmente, para expressar nosso intuito de ver as produções artísticoculturais negras efetivadas e circulando por todos os cantos do Brasil”, disse.
Imagens, histórias e memórias negras – A sabedoria negra é levada pelas gerações por líderes: anciãos e anciãs que guardam na memória conhecimento, sua história e identidade. E com o objetivo de registrar os depoimentos desses mestres e mestras, a FCP – MinC elaborou o 1º Edital Imagens da Memória.
A premiação de R$1,3 milhão, recurso do Fundo Nacional de Cultura, será distribuída para 12 obras audiovisuais que irão captar as narrativas de mulheres e homens negros das comunidades quilombolas, tradicionais de matriz africana e ícones das manifestações culturais afro-brasileiras sobre de temas diversos, adotando as histórias sobre a escravidão como parâmetro prioritário para os registros.
Criatividade negra – Já a terceira edição do Edital Ideias Criativas, com apoio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, vai destinar R$1 milhão à 38 projetos para elaboração e execução de atividades socioeducativas formativas, assim como para pesquisa produção e publicação de trabalho. As ações devem, principalmente, promover a dinamização, preservação e difusão da memória da população negra no Brasil.
“Os Editais trabalham com a questão da presença negra para construção da sociedade brasileira, com foco na memória e na resistência dessa população.  São ainda um reforço para as ações em torno do 20 de novembro, uma importante conquista do Movimento Negro Brasileiro, e um reconhecimento à importância e referência da memória quilombola e de outros ícones das culturas negras no Brasil “, concluiu o presidente da FCP – MinC, Hilton Cobra.
Mais incentivo para Arte Negra - De acordo com Cobra, além de outros editais nos quais os produtores e as temáticas negras sejam contempladas, é imperativa a  necessidade de garantir mais incentivos para as artes e culturas negras. “O  Brasil só tem a ganhar com a riqueza de abordagens cultural pautada na equidade na aplicação dos recurso e de expressão das criatividades” completa.
Os dois editais ora lançados pela FCP tem em comum a perspectiva do registro da memória negra – destacando sua atuação no campo artisticocultural e as lembranças ligadas ao escravismo. O presidente da FCP acredita, que com essas iniciativas, criam-se possibilidades para que trajetórias ainda invisibilizadas  pela historiografia oficial possam contribuir para a construção de um Brasil que respeite as diferenças e a cultura negra.
Os produtos motivados pelos editais farão parte do acervo da Fundação Cultural Palmares – MinC.
Serviço
Lançamento dos Editais Palmares 25 anos:  1º Imagens da Memória e  3ºIdeias Criativas
Data: Terça-feira, 1º de outubro de 2013
Horário: 10 horas
Local: Quadra 601 Norte – SGAN – Lote L, Ed. ATP, em Brasília/DF.

24 de set de 2013

Programação da FCP destaca a importância das religiões de matrizes africanas em São Paulo


segunda-feira by Ascom
Série de debates “Olhares de dentro” busca dar voz aos detentores dos saberes tradicionais que preservam as manifestações religiosas do estado
A Fundação Cultural Palmares – MinC (FCP), por meio de Representação Regional em São Paulo, convida os moradores das cidades de São Paulo e Tietê a conhecerem as religiões de matriz africana através de um novo olhar. O olhar de quem respira, vive, participa e contribui diariamente para que essas manifestações sejam preservadas.
Trata-se da série “Olhares de dentro”, que promoverá os encontros “Presença das matrizes africanas na cidade de São Paulo” e “Salvaguarda das celebrações de matrizes africanas em Tietê / a Festa de São Benedito”, realizados nos dias 25 e 27 de setembro, respectivamente. A representante da FCP em São Paulo, Cidinha da Silva, explica o nome da série: “Olhares de dentro remete à emissão de voz dos detentores de bens culturais por seus próprios mundos de vista, ou seja, a partir de seus  valores, matrizes e lócus de referência”, afirma.
Ainda de acordo com Cidinha, o objetivo das conversas é amarrar pontas e entrelaçar ideias de forma a dar consequência a cada uma das frentes já abertas pela Representação. “Pretendemos também recolher subsídios para publicações futuras em formato de cadernos ou textos em PDF para o acervo digital da FCP, a serem distribuídos amplamente para o público interessado em diálogo com a aplicação da Lei 10.639”, pontuou.
A cantora e deputada estadual Leci Brandão (PC do B-SP) confirmou sua participação no encontro e abordará a visibilidade das religiões de matriz africana na cidade de São Paulo em sua dimensão política.
Visibilidade – O encontro “Olhares de Dentro: Presença das matrizes africanas na cidade de São Paulo” será realizado no dia 25/09 em parceria com o Movimento Águas de São Paulo, que luta pelos direitos humanos e de cidadania das Casas de Asé e contra a intolerância religiosa. De acordo com Felipe Brito, um dos articuladores, a intenção é fazer um debate que coloque as religiões de matriz africana em questão com os eixos cultural, político e de comunicação da cidade de São Paulo.
“A ideia é que cada debatedor consiga demonstrar se as religiões de matriz africana tem ou não visibilidade nos seus eixos de atuação. Apesar de, para nós, ser notável a invisibilidade, é muito bom trazer a tona a discussão para que todos sejam ouvidos”, afirma Felipe.
Felipe destaca também que o importante é combater a invisibilidade apresentando o dia a dia dos terreiros. “Nós não precisamos nos ater a questões muito formais e tradicionais, mas podemos falar do simples, do que é mais compreensível”, aponta.
Patrimônio Cultural – Já no dia 27/09, o debate será pelo reconhecimento da Festa de São Benedito, realizada em Tietê/SP como patrimônio cultural imaterial dos negros da região, de São Paulo e do Brasil. Alessandra Gama, articuladora do Ponto de Memória e Cultura IBAÔ e uma das debatedoras do encontro, conta que o evento pretende contribuir com a iniciativa dos festeiros da cidade em pleitear o tombamento.
“Nós vamos discutir o que significa ser reconhecido como patrimônio cultural imaterial, quais são os requisitos, as políticas que podem assegurar o reconhecimento, o que pode trazer de benefício para a festa e muitos outros aspectos”, conta.
Alessandra destaca ainda que o tombamento é muito importante porque assim o Estado também passa a ter responsabilidades sobre a preservação das manifestações culturais. “Além, é claro, de promover a autoestima, reconhecer junto à população a importância que ela tem como contribuição para a cultura, e assegurar direitos culturais e cidadania”, cita.
Confira abaixo a programação dos dois eventos:
25/09 (quarta-feira)
“Olhares de dentro: presença das matrizes africanas na cidade de São Paulo”
Articulação e Coordenação: Movimento Águas de São Paulo em luta pelos direitos humanos e de cidadania das Casas de Asé e contra a intolerância religiosa
Hora: 19h
Local: Auditório do Ministério da Cultura, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elísios.
Informações: (11) 2766-4300
27/09 (sexta-feira)
“Olhares de dentro: salvaguarda das celebrações de matrizes africanas em Tietê / a Festa de São Benedito”
Alessandra Gama, capoeira e articuladora do Ponto de Memória e Cultura IBAÔ
Sônia Florêncio – Coordenadora de Educação Patrimonial DAF / IPHAN – Brasília
Marcela Bonatti – Coordenação Setorial de Patrimônio Cultural / Secretaria de Cultura de Campinas
Facilitador: Wellington Alves – Articulador da Festa de São Benedito em Tietê
Hora: 14h
Local: Prefeitura Municipal de Tietê, J. A. Corrêa, 01, Tietê, SP. Telefone para informações: 15 – 32858755

23 de set de 2013

SÃO PAULO: PROGRAMAÇÃO DE ANIVERSÁRIO DE 25 ANOS DA FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES, DIAS 25 E 26 DE SETEMBRO




A Representação da Fundação Cultural Palmares em São Paulo oferece à capital e à cidade de Tietê (dia 27 de setembro), 2 meses intensos de debates e rodas de conversa organizados em torno de 4 eixos, a saber:  “o corpo negro nas artes”; “mídia e relações raciais” e as séries “olhares de dentro” e “territórios negros na urbes paulistana”.

Os temas escolhidos respondem às demandas levantadas nos 3 primeiros meses de trabalho desta Representação (abril, maio e junho) junto a artistas e produtores culturais negros.  O propósito das conversas é amarrar pontas e entrelaçar idéias de forma a dar conseqüência a cada uma das frentes abertas pela Representação neste período. Visamos também recolher subsídios para publicações futuras em formato de cadernos ou textos em PDF para o acervo digital da FCP, a serem distribuídos amplamente para o público interessado.  As atividades acontecerão no Auditório MinC, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elísios, sempre às 19:00. Informações: 11 - 27664300. Participe!


25/09 (quarta-feira) às 19:00
Olhares de dentro: presença das matrizes africanas na cidade de São Paulo
Articulação e Coordenação: Movimento Águas de São Paulo em luta pelos direitos humanos (políticos, econômicos, e culturais) dos Povos de Terreiro e contra a intolerância religiosa. Presenças confirmadas da Deputada Estadual Leci Brandão, de Gilberto de Exu, Rafael Pinto e Felipe Brito, abordando de dentro, a visibilidade e invisibilidade das religiões de matrizes africanas na cidade de São Paulo, nas dimensões da política, da cultura, da comunicação e da construção do conhecimento acadêmico. 

26/09 (quinta-feira) às 19:00
O caminho editorial negro – Guellwaar Adún, escritor, coordenador editorial da Ogum’s Toques Negros; Marciano Ventura, coordenador editorial da Ciclo Contínuo e Michel Yakini, escritor, articulador do sarau Elo da Corrente.
Facilitadora: Cidinha da Silva, escritora, responsável pela Representação da FCP em São Paulo

20 de set de 2013

A presença negra nas artes é tema de debates em São Paulo


quinta-feira by marakarina
As atividades estão na programação alusiva ao Palmares 25 Anos, e vão discutir as perspectivas sobre a presença negra paulistana no fazer cultural
Discussões sobre os espaços atualmente ocupados pelos negros e negras representam uma forma eficaz de identificar as necessidades reais dessa população. Para tanto a Representação Regional da Fundação Cultural Palmares – MinC (FCP), em São Paulo, promove uma série de debates que vai discutir a presença negra no teatro, na literatura e no fazer intelectual, nos dias 19, 20 e 26 de setembro, no Auditório MinC, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elísios, sempre às 19 horas.
As atividades fazem parte do Palmares 25 Anos e contam ainda com debates sobre mídia e relações raciais, as séries “Olhares de Dentro” e “Territórios Negros na Urbes Paulistana”. Cidinha da Silva, representante da FCP no estado, e idealizadora das ações, conta que esses temas foram escolhidos como resposta às demandas apresentadas pelos agentes culturais negros nas reuniões realizadas com a FCP – MinC nos meses de abril, maio e junho.
O corpo negro no teatro – Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 130 companhias de teatro, formadas majoritariamente por atores, atrizes e diretores negros. As produções viajam pela estética negra, recriam representações das tradições de matriz africana, assim como situações cotidianas da população afro-brasileira. No campo cultural, representam uma das principais armas de combate ao racismo e a discriminação racial.
Para a diretora e atriz de teatro, Lucélia Sérgio, da Companhia “Os Crespos”,  que participa do debate “O corpo Negro no Teatro”, que acontece nessa quinta-feira, 19/09, a partir das 19h, é importante discutir a presença negra em cena, assim como financiamento e capacitação para as produções afro-brasileiras.
Produção intelectual negra - No mesmo dia, encerrando as atividades, acontece ainda um debate sobre “O corpo negro no fazer intelectual”. Flávia Rios, socióloga convidada para participar da atividade, relata que a produção intelectual da população negra tem mais visibilidade nas áreas humanas e há um déficit em relação às ciências exatas e de saúde. A socióloga atribui isso ao falta de oportunidade de acessos dos negros nessas áreas.  “O debate deve movimentar as pessoas sobre a necessidade do aumento de linhas de pesquisas e de financiamento, assim como meio para facilitar o acesso dos negros e negras às universidades e espaços de produção intelectual”, pontuou Flávia.
Afro-literatura – Numa pesquisa recente a pesquisadora da Universidade de Brasília Regina Dalcastagnè,  denuncia padrões construídos e validados pela literatura brasileira que mostram que o racismo também é forte no segmento. Segundo informações, 93,9% dos escritores são brancos.  E com o objetivo de discutir a participação negra no campo da literatura, acontecem nos dias 20 e 26 de setembro, também às 19h, respectivamente, os debates “O corpo negro na literatura” e “O caminho editorial negro”.
A escritora Miriam Alves, palestrante do evento, relata a dificuldade encontrada pelos autores negros em publicar as obras nas editoras comerciais, o que os leva às casas alternativas.”Por isso fazemos saraus, eventos e debates. São esses que nos fazem trocar informações e dão visibilidade ao nosso trabalho”, disse.
Palmares 25 Anos – São Paulo
19/09 (quinta-feira) às 19:00
O corpo no teatro negro – Sidney Santiago, ator, diretor / Os Crespos
O corpo negro no teatro – Lucélia Sérgio, atriz, diretora / Os Crespos
O corpo negro no fazer intelectual – Flávia Rios, Socióloga, Co-autora de Lélia Gonzales, uma biografia e Emerson Inácio, professor / USP, pesquisador em raça, etnia, gênero e sexualidade
Facilitador: Pedro Neto, Cientista Social PUC-SP e Onilu no Ilé Àse Palepa Mariwo Sesu – SP
20/09 (sexta-feira) às 19:00
Performance: “Folhas poéticas… apanha folha com folha!” Com a escritora e poeta Miriam Alves
O corpo negro na literatura – Sérgio Ballouk, escritor, autor de “Enquanto o tambor não chama” e Miriam Alves, escritora, autora de Brasilafro, entre outros
Facilitadora: Raquel Almeida, escritora, articuladora do sarau Elo da Corrente

26/09 (quinta-feira) às 19:00
O caminho editorial negro – Guellwaar Adún, escritor, coordenador editorial da Ogum’s Toques Negros; Marciano Ventura, coordenador editorial da Ciclo Contínuo e Michel Yakini, escritor, articulador do sarau Elo da Corrente.
Facilitadora: Cidinha da Silva, escritora, responsável pela Representação da FCP em São Paulo.

19 de set de 2013

Acompanhe os 25 anos da Fundação Cultural Palmares, Programação de São Paulo, On Line



Caso não possa estar conosco durante a programação comemorativa dos 25 anos da Fundação Cultural Palmares , acompanhe os debates pelo endereço https://www.facebook.com/CidinhadaSilva?fref=ts, faça perguntas aos expositores. Participe!

Os Crespos - Intervenção Púbica, Dia 20 de setembro


Performance de Miriam Alves no Aniversário de 25 Anos da Fundação Cultural Palmares

20/09 (sexta-feira) às 19:00
Performance: “Folhas poéticas... apanha folha com folha!” Com a Escritora e poeta Miriam Alves
O corpo negro na literatura – Sérgio Ballouk, escritor, autor de “Enquanto o tambor não chama” e Miriam Alves, escritora, autora de "Brasilafro", entre outros
Facilitadora: Raquel Almeida, escritora, articuladora do sarau Elo da Corrente
Endereço: Auditório do MinC, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo
Informações: 11 - 27664300


18 de set de 2013

Sobre um menino dançante e sorridente!

Por Cidinha da Silva


E assim, sem mas, nem meio mas, Icu interrompe a curva da vida e nos leva. Sim, morremos quando morremos e também quando morre alguém que amamos. Morremos mais ainda quando parte uma criança ou um jovem. A lógica da vida se perde.

 Certa vez, uma senhora, sexagenária, comentou sobre o filho de 23 anos que havia perdido. Eu mencionei uma criança de 10 do meu inventário de perdas e ela me disse: “Não posso imaginar a dor desses pais” e contou algumas das coisas que tinha podido viver com o filho de 23. Eu fiquei calada, observando a humanidade desbordante daquela mulher.

Há pessoas, entretanto,  que diante do choque da morte de uma criança, lembram a tia de 86 anos falecida há pouco, de morte natural e pensam que é a mesma coisa, a mesma dor. Não é não! E torço para que morram sem sabê-lo. Que não tenham que perder uma criança, adolescente ou jovem amado, para entender o quanto isso é diferente de perder alguém depois de uma vida adulta vivida.

Há outras pessoas, tão brutalizadas pela vida, que diante do sentimento de dor de alguém abalado pela implacável Icu, conseguem perguntar secamente quem era, de onde era, o que fazia a pessoa morta.

O certo é que Icu nos põe assim pelo avesso, frente a frente com sentimentos viscerais: A raiva, a revolta, a incompreensão, o vazio, a noção de justiça ou a falta dela, a perplexidade. Poucas vezes conseguimos aceitar sua ação em paz. Em silêncio.

Eu, agora preciso ouvir Gil, meu poeta, aquele que diz o que sinto quando a voz me falta: Não tenho medo da morte / mas medo de morrer, sim / a morte é depois de mim / mas quem vai morrer sou eu / o derradeiro ato meu / e eu terei de estar presente / assim como um presidente / dando posse ao sucessor / terei que morrer vivendo / sabendo que já me vou (...) quem sabe eu sinta saudade / como em qualquer despedida.”

E, se morrer ainda é mesmo aqui, nos resta saudar a vida, não morrer em vida, que gente nasceu para brilhar, assim como brilhou nosso Jarbas, o Ébano Majestoso, que ontem foi estrelar o Orun, nos deixando aqui com a responsabilidade de honrar a vida que ele viveu, ao vivermos também, em plenitude, a nossa.

(Do livro BAÚ DE MIUDEZAS, SOL E CHUVA)





17 de set de 2013

O tempo

 Por Cidinha da Silva



A menina, pela primeira vez, docemente tomada pelo amor, vira-se para a outra, senhora do seu coração, e confessa: “Você é a música mais doce do meu ipod, a mensagem mais freqüente no meu twitter, o jogo mais gostoso do meu smartphone!

O que sinto por você me varre toda por dentro, é forte como um rock do tempo dos nossos pais. Olha, eu não pensei que pudesse um dia dizer isso a alguém, mas eu te amo e quero envelhecer com você.”

 A outra, comovida, responde: “Poxa, gata, é o maior fofo o que você está me dizendo, mas não vai dar!”
Confusa, a moça apaixonada retruca: “Como assim, não vai dar? Pensei que a gente estivesse dividindo o iphone e ouvindo a mesma música!”


“Acho até que estamos, gata! Só que eu não vou envelhecer!”

(Do livro BAÚ DE MIUDEZAS, SOL E CHUVA).

15 de set de 2013

SÃO PAULO: PROGRAMAÇÃO DE ANIVERSÁRIO DE 25 ANOS DA FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES



A Representação da Fundação Cultural Palmares em São Paulo oferece à capital e à cidade de Tietê (dia 27 de setembro), 2 meses intensos de debates e rodas de conversa organizados em torno de 4 eixos, a saber:  “o corpo negro nas artes”; “mídia e relações raciais” e as séries “olhares de dentro” e “territórios negros na urbes paulistana”.

Os temas escolhidos respondem às demandas levantadas nos 3 primeiros meses de trabalho desta Representação (abril, maio e junho) junto a artistas e produtores culturais negros.  O propósito das conversas é amarrar pontas e entrelaçar idéias de forma a dar conseqüência a cada uma das frentes abertas pela Representação neste período. Visamos também recolher subsídios para publicações futuras em formato de cadernos ou textos em PDF para o acervo digital da FCP, a serem distribuídos amplamente para o público interessado.  As atividades acontecerão no Auditório MinC, Alameda Nothmann, 1058, Campos Elísios, sempre às 19:00. Informações: 11 - 27664300. Participe!

19/09 (quinta-feira) às 19:00
O corpo no teatro negro – Sidney Santiago, ator, diretor / Os Crespos
O corpo negro no teatro – Lucélia Sérgio, atriz, diretora / Os Crespos
O corpo negro no fazer intelectual – Flávia Rios, Socióloga, Co-autora de Lélia Gonzales, uma biografia e Emerson Inácio, professor / USP, pesquisador  em raça, etnia, gênero e sexualidade
Facilitador: Pedro Neto, Cientista Social PUC-SP e Onilu no Ilé Àse Palepa Mariwo Sesu – SP

20/09 (sexta-feira) às 19:00
Performance: “Folhas poéticas... apanha folha com folha!” Com a escritora e poeta Miriam Alves
O corpo negro na literatura – Sérgio Ballouk, escritor, autor de “Enquanto o tambor não chama” e Miriam Alves, escritora, autora de Brasilafro, entre outros
Facilitadora: Raquel Almeida, escritora, articuladora do sarau Elo da Corrente

25/09 (quarta-feira) às 19:00
Olhares de dentro: presença das matrizes africanas na cidade de São Paulo
Articulação e Coordenação: Movimento Águas de São Paulo em luta pelos direitos humanos e de cidadania das Casas de Asé e contra a intolerância religiosa

26/09 (quinta-feira) às 19:00
O caminho editorial negro – Guellwaar Adún, escritor, coordenador editorial da Ogum’s Toques Negros; Marciano Ventura, coordenador editorial da Ciclo Contínuo e Michel Yakini, escritor, articulador do sarau Elo da Corrente.
Facilitadora: Cidinha da Silva, escritora, responsável pela Representação da FCP em São Paulo

27/09 (sexta-feira), às 14:00, na cidade de Tietê
Olhares de dentro: salvaguarda das celebrações de matrizes africanas em Tietê / a Festa de São Benedito
 Alessandra Gama, capoeira e articuladora do Ponto de Memória e Cultura IBAÔ
Sônia Florêncio – Coordenadora de Educação Patrimonial DAF / IPHAN – Brasília
Marcela Bonatti - Coordenação Setorial de Patrimônio Cultural / Secretaria de Cultura de Campinas
Facilitador: Wellington Alves – Articulador da Festa de São Benedito em Tietê
Endereço: Prefeitura Municipal de Tietê, J. A. Corrêa, 01, Tietê, SP. Telefone para informações: 15 - 32858755

Duas mulheres numa rua íngreme

 Por Cidinha da Silva


A moça iniciava a descida da ladeira e o vento cortava fino, de baixo para cima. O salto era alto, tanto quanto a nobreza a equilibrar-se sobre ele. A dúvida da assistência era se a saia de tecido fino, seda, talvez, em tons de verde e azul, resistiria à inclemência do vento. A torcida inconfessável dos homens era para que sucumbisse e a saia se desfizesse, que a bela ficasse apenas com a blusa laranja de alças delicadas, as sisterlocks em leve desalinho e o salto 12. 

A gata também tinha torcida feminina. Não pensem que só os meninos notavam sua exuberância. "É de Iansã!" Dizia uma admiradora ao entrar no carro, saindo de uma joalheria na rua de cima. "Como você sabe?" Pergunta a amiga já dentro do veículo, no banco de trás. "É de Iabá! Não tenho dúvidas. Não é de Iemanjá, de Nanã, nem de Obá. Se fosse de Oxum teria mais dois dedos de saia". "Olha que pode ser de Euá, viu?" Comenta a segunda amiga, que conhecendo a motorista, acha por bem aboletar-se no banco da carona.

"Pode ser!" A entusiasta conclui, deslocando o freio de mão e preparando-se para descer a ladeira, bem devagar. No ritmo dos passos da diva. "Pode ser, mas o Xangô que mora em mim, avisa que ela é de Iansã." "Hunf! Que Xango é esse que nunca veio, nunca vi?" Pergunta uma das amigas. "Ousada desse jeito só pode ser de Iansã", ela insiste.

Sabedora da multa que está por vir, a intrépida motorista desliza na ladeira. A suposta filha de Iansã vence o primeiro terço da descida. Os homens saem às janelas e portas para vê-la, querem que a saia suba pelos ares. Algumas mulheres também não despregam os olhos dela e torcem para que o salto enrosque nos paralelepípedos. Contra tudo e todos, acariciada pelo vento, a bela segue, segura.

Motorista habilidosa, a moça do carro vermelho, dirige coladinho nela e mansa, doce, diz à semi-deusa: "Boa tarde, senhora dos ventos, da tempestade que tumultua meu peito. Permita que eu me apresente. Eu sou o Xangô que Oyá mandou para guardar seu caminho. Dê-me a honra de acompanhá-la em seu destino."

A mulher de Iansã tira os óculos escuros, sem qualquer surpresa. Olha o que ainda falta da ladeira, espreita três mulheres inofensivas dentro do automóvel, dá a volta, deslizando a mão pelo capô e resolve entrar. Cumprimenta a todas, simpática, agradece a gentileza e a motorista pergunta, "para onde vamos?"

Vão a um cartório, para onde a bela se dirigia na Barroquinha. Depois vão tomar sorvete na Ribeira. A motorista deixa as amigas por lá e vai levar a musa em casa. A essa altura já tem certeza de que ela é de Iansã.


É convidada a entrar e papo vai, papo vem, musiquinha, carinho, janelão para mirar o Sol se pondo atrás do mar e o tempo parece correr lento. Num dado momento, a mulher de Iansã vê o fio de contas da motorista sobre a mesinha do abajour e o saúda: "Saluba, viu Xangô?" A outra ri e explica: "É herança, preta!"

(Do livro BAÚ DE MIUDEZAS, SOL E CHUVA)

14 de set de 2013

Vida de condutor

 Por Cidinha da Silva


Assim somos, meu irmão! Leis de trânsito organizando o caos numa estação central de metrô, em Zagreb ou Nova York. Convergência de linhas, transferência de destinos, caminho de muitos lados.

O amor nos domina! Este trem cuja constância se resume ao ponto de partida (nosso coração incansável) e nos lança em corrida inútil atrás dele.  E nos alegramos como crianças de cidade pequena, a cada vez que avistamos o trem. E as crianças, como nós dois, acenam as mãos para ele, mesmo sabendo que o minério de ferro, único passageiro do trem, permanecerá quieto e mudo.


Ocorre conosco, mano, que sem amor não existimos e o coração pesa mais do que o ferro. Persistimos amando, mesmo que o desamor nos desfaça em lama, tal qual montanha ferida durante o dilúvio. Não prescindimos, querido, como crianças, do barulho do trem.

(Do livro BAÚ DE MIUDEZAS, SOL E CHUVA)