Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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25 de jun de 2015

Partículas Subatômicas - microcontos brasileiros tem participação de Cidinha da Silva

O Fiel Carteiro, editora brasileira 100% digital, e Ubook convidam o público da Flip para um bate-papo com o escritor Luiz Ruffato e André Palme, Executive Manager da editora, a respeito do lançamento do e-book e audiolivro “Partículas Subatômicas - Microcontos Brasileiros”, antologia organizada por Ruffato e José Santos reunindo textos de até 140 caracteres de nomes de destaque da literatura brasileira: Ivana Arruda Leite, Fernando Bonassi, Carlos Seabra, Leila Teixeira, Cidinha da Silva, Alexandre Vidal Porto, Mario Araujo, Rodrigo Ciríaco , Andrea del Fuego, Rogério Pereira, Michelliny Verunschk, Ana Miranda, Marcelo Moutinho, Sidney Rocha e Helena Terra. A obra ganhará microcontos de dois novos autores a cada mês, nos próximos cinco meses, e será traduzida para cinco idiomas.

Dia e horário: sexta-feira, 03/07, às 16h
Local: Casa Coworking PublishNews na Flip - Festa Literária Internacional de Paraty (Rua do Comércio, 26, Centro Histórico)

23 de jun de 2015

Projeto da editora digital O fiel carteiro reúne microcontos de autoras/es brasileiras/es

O e-book e audiolivro “Partículas Subatômicas - Microcontos Brasileiros”, antologia organizada por Ruffato e José Santos reunindo textos de até 140 caracteres de nomes de destaque da literatura brasileira é o projeto mais recente no qual estou envolvida.
O livro estará já nas livrarias digitais (incluindo as maiores: Apple, Google, Amazon, Livraria Cultura e Kobo) a partir do dia 30/06 em pré-venda e disponível para compra a partir do dia 03/07.
A publicação desta antologia conta com 15 autores: Ivana Arruda Leite, Fernando Bonassi, Carlos Seabra, Leila Teixeira, Cidinha da Silva, Alexandre Vidal Porto, Mário Araujo, Rodrigo Ciríaco, Andrea del Fuego, Rogério Pereira, Micheliny Verunschk, Ana Miranda, Marcelo Moutinho, Sidney Rocha e Helena Terra.

21 de jun de 2015

Vivas à Biblioteca Inaldete Pinheiro


Por Cidinha da Silva



A primeira vez que estive com Inaldete Pinheiro foi em algum lugar da juventude no Rio ou em Brasília. Eu que descobrira o Baobá e falava sobre ele em alguma roda informal de conversa, tive por lá a escuta atenta de Inaldete. De pronto, ela me ofereceu uma muda de Baobá. Aceitei e para sempre guardei o presente, embora nunca tenha ido busca-lo.

Duas décadas mais tarde um amor do Recife nos reaproximou e como não tinha mais a terra para plantar o Baobá, não resgatei a grande árvore, mas conheci a Biblioteca Inaldete Pinheiro que mora parede e meia com a dona do acervo. Pude testemunhar sua alegria e zelo por cada uma das obras, fotografias e revistas, por cada um dos jornais, cartazes e outros documentos.

Inaldete Pinheiro no Recife, Mundinha Araújo em São Luís, compõem o grupo daquelas mulheres fantásticas, fundamentais na formação de diferentes gerações de ativistas e intelectuais negros, mas pouco presentes em coleções e obras de referência, pelo motivo simplório de não estarem articuladas ao sul maravilha e seus poderes de manter invisíveis ou projetar pessoas. Pouca gente sabe, por exemplo, que um texto de Mundinha Araújo, Doutora Honoris Causa pela Universidade Estadual do Maranhão, compõe o primeiro bloco de livros publicados pela Mazza Edições no início da década de 1980.

Poucos de nós sabemos também que Inaldete Pinheiro, depois de Ruth Guimarães, falecida aos 93 anos com mais de 40 livros publicados, é, provavelmente, a segunda escritora negra a publicar literatura para crianças no Brasil. Só a falta de circulação pelo sul maravilha justifica o desconhecimento da obra de Inaldete Pinheiro por parte de pesquisadoras e pesquisadores de literatura negra, bem como de programas e núcleos dedicados a essa mesma produção literária em diversas universidades brasileiras, o que não justifica, mas explica sua ausência da antologia Literatura e Afrodescendência (UFMG, 2010) que reuniu cem dos mais importantes autores e autoras de literatura negra no Brasil.

Um contemporâneo e conterrâneo de Inaldete Pinheiro, Lepê Correia, lá está. Mas Lepê, como a maioria de nós, circula, se mostra, põe os livros na cacunda e roda o mundo. É na circulação que se conhece um pesquisador aqui, outro ali e a obra da gente é estudada e ganha destaque.

É justo dizer que várias pessoas chamaram a atenção do grupo organizador da Antologia para a existência de Inaldete Pinheiro e então, o erro foi parcialmente corrigido com a inclusão de sua obra em dois volumes recentes publicados pela Pallas: Literatura Afro-brasileira - 100 Autores do século XVIII ao XXI e Literatura Afro-brasileira - Abordagens na sala de aula, organizados pela mesma equipe.

Por tudo isso, vivas e loas à Biblioteca Inaldete Pinheiro, resultado de 35 anos de militância política contra o racismo, de investimento na própria formação para formar outras pessoas, de participação horizontalizada em grupos de estudos e de tomada de atitudes e decisão, de construção de um caminho de liberdade que exaustivamente exaltou dois nomes, Carolina Maria de Jesus e Solano Trindade.


Disponibilizar ao público o acervo de Inaldete Pinheiro é contar parte da história recente do Brasil, pelos olhos, pelas escolhas literárias, teóricas, culturais e políticas de uma guerreira, na melhor acepção do termo. Lutar o bom combate é marca de Inaldete Pinheiro e a biblioteca que leva seu nome seguirá a mesma trilha.

20 de jun de 2015

Se a questão fosse rola, os machos a resolveriam entre si

Por Cidinha da Silva



O problema não está na falta de rola, periquita ou pomba, mas em acharmos que o pastor nazi-evangélico está abrindo o rabo como pavão apenas para se exibir. Essa é a leitura jocosa e infantil de um fenômeno de violência e arbitrariedade pelos olhos do jeitinho brasileiro.

Temos todos, o direito ao riso, à ação redentora do jornalista inteligente, correto e bonitão que nos vinga ao expor o pastor nazi-evangélico ao escárnio. Escárnio machista, é verdade, dito aos homens que gostam de homens e se escondem atrás da homo/transfobia (insinua-se que esse seja o caso do ser das trevas ridicularizado), correlato à falta de homem atribuída às mulheres autônomas e posicionadas no mundo. Mas esse não é o foco, por ora, nos redimimos em alguém que rasgue a carne da hipocrisia dos que tratam um bandido como excelência.

As pessoas estão cansadas de tantos absurdos e querem desopilar e riem, e perpetuam a piada. O risco é minimizar o projeto fascista em curso pelo jeito descontraído de ser do povo brasileiro. O negócio é sério, o babado é forte e exige reação institucional para impedir, politicamente, a emergência e o ódio dos pequenos fascistas, para que não possam surgir os grandes, que poderão transformar ações pontuais em massacres gigantescos, já alertou tarso Genro.

As bancadas BBB, boi, bala e bíblia agem impunemente no Congresso, nas Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas em nome de interesses espúrios e respaldadas pela imensa população que as elegeu e que se identifica com suas plataformas políticas. Os tubarões da comunicação se encarregam de disseminar o ovo da serpente nazista.

Vozes isoladas como a de Florestan Fernandes Júnior, jornalista arguto e sério, asseveram termotivos de sobra pra acreditar que um jogo perigoso está sendo realizado pela extrema direita num movimento que envolve parte do Ministério Público, Justiça Federal, oposição derrotada nas urnas e os senhores da comunicação. A prisão dos donos da Odebrecht deveria ser motivo de comemoração, mas não é. Nesse teatro montado no Paraná a intenção não é desmontar as operações promíscuas das empreiteiras com os poderosos, mas sim produzir condições para se prender o ex-presidente Lula. A maior doadora de recursos para os Institutos FHC e Lula, a que mais dinheiro deu para as campanhas eleitorais de Aécio Neves e Dilma sabe que a linha tênue que o separa do papel de vilão para o de herói é uma delação verdadeira ou não contra o ex-presidente. Quando isso acontecer Dilma será derrubada como foi João Goulart em 64. Tudo com um ar de legalidade. Nos últimos meses vimos desaparecer das manchetes as denúncias de contas secretas no HSBC da Suíça que envolvem bilhões de reais depositados ilegalmente por políticos, empresários e donos dos meios de comunicação. Vimos as denúncias de corrupção na CBF que envolvem políticos e emissoras de televisão desaparecer em apenas uma semana. O mesmo se deu com as denúncias das licitações fraudulentas no Metrô de São Paulo. Até a fraude fiscal de quase 1 bilhão de reais da maior emissora de televisão deixou de ter importância, isso sem falar no mensalão do PSDB de Minas. Por tanto, o país não está numa cruzada contra a corrupção, mas num jogo já conhecido de golpe para a retomada do poder pelos setores que sempre mandaram no país”.

Tudo está valendo, inclusive matar. As pedras lançadas contra os praticantes do candomblé ferem a cabeça de crianças, aviltam a dignidade, e dependendo do lugar da cabeça em que acertem, matam. O menino de 14 anos é apedrejado até a morte porque homens da localidade onde morava o julgaram gay. Meninos e homens negros são mortos como ratos, mais de 80 por dia. Templos religiosos não-evangélicos são depredados, imagens de santas católicas recebem jatos de urina daqueles que demonizam tudo o que não seja a crença deles. Túmulo de líder kardecista sofre vandalismo. Médium espírita é assassinado dentro do local onde desenvolvia trabalho espiritual de cura. Ialorixás enfartam e morrem diante da difamação de sua crença e do apedrejamento de seus templos. Terreiros de candomblé e umbanda são expulsos das favelas pelos traficantes, orientados por pastores nazi-evangélicos. Nesses lugares geopolíticos vestir-se de branco tem sido proibido desde o início dos anos 2000 e a cada dia, como no início do racista século XX, casas de candomblé e umbanda são multadas e até invadidas e fechadas sob pretexto do barulho dos tambores.

Tempos sombrios que exigem ações constitucionais de combate aos ovos do fascismo enquanto temos Constituição. Os exércitos da extrema direita estão armados e atuam de maneira orquestrada. O Taliban, o Boko Haram fumam um cigarro ali na esquina enquanto testam o engate da metralhadora, certos de que seu alvo continuará carnavalizando os sinais da guerra e da barbárie.























18 de jun de 2015

Cidinha da Silva na Primavera dos Livros de Belo Horizonte (26 de junho de 2015)

PRIMAVERA DA LIGA BRASILEIRA DE EDITORAS - LIBRE   Belo Horizonte - MG

Mesa: "Literaturas da diáspora africana" - Cidinha da Silva e o querido Edimilson de Almeida Pereira, entre outros
Local: Espaço Ribalta (Parque Municipal, Belo Horizonte)
Data: 26 de junho de 2015
Horário: 16h às 17h30

MUQUIFOCA - O museu no carrinho de pipoca



O Muquifu - Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos - apresenta seu novo dispositivo de interação com a favela e a cidade: O museu no carrinho de pipoca.

O objetivo do Muquifoca é criar um museu num carrinho de pipoca restaurado ao levar peças de um acervo museológico para fora do espaço físico do museu e, dessa forma, aproximar a comunidade do acervo.
O Muquifoca, nome do novo dispositivo do museu, representa a democratização do acesso à cultura e afirma o papel do Muquifu enquanto museu de território, que alcança as pessoas além de suas fronteiras físicas. Além de dialogar de forma tão próxima com o universo da favela em que está sendo inserido. O Muquifoca pode ser levado para outros lugares da cidade, levando um pouco da história e da memória daquele lugar para além dos prédios localizados no Aglomerado Santa Lúcia.

Serviço completo
Além de expor algumas peças catalogadas do acervo do Muquifu, o Muquifoca será também mais um meio de conectar os moradores de diferentes áreas do Aglomerado ao acervo da Biblioteca Comunitária Doutora Sìlvia Lorenso, situada na sede principal do museu (Beco Santa Inês, 30, Barragem Santa Lúcia). Com isso os moradores da comunidade e das adjacências poderão se cadastrar na biblioteca para pegar livros emprestados no próprio carrinho. Além disso, serão disponibilizados artigos da loja oficial do Muquifu (localizada na Rua Principal, 321) e, é claro, pipoca!

Inauguração e foco na participação dos mais jovens
A inauguração do Muquifoca será no próximo dia 20 de junho, às 16h, durante a Festa Junina das Crianças da Catequese no Salão do Encontro Padre João Batista Guetta, localizado na Capela Santa Lúcia (Rua Principal, 408 - Barragem Santa Lúcia).

DATA: 20 de junho, sábado
HORÁRIO: 16 horas
LOCAL: Salão do Encontro Padre João Batista Guetta - Capela Santa Lúcia
ENDEREÇO: Rua Principal, 408 - Barragem Santa Lúcia / Morro do Papagaio

CONTATO: (31) 9257 0856 / 3296 6583 / 3293 3698 - Padre Mauro
(31) 9746-1519 - Isabela Andréo (Assessoria de Imprensa)

17 de jun de 2015

Palavra real



Por Cidinha da Silva

Nas manhãs de véspera ao dia de saudar o Rei, a cidade se torna um quiabal. Por todos os cantos e ruas, vendedores moços e velhos oferecem quiabos frescos, graúdos e belos já ensacados. Ai de quem disser com os olhos que gostaria de escolher os quiabos. O vendedor responderá, também com o olhar, que os quiabos já são selecionados, afinal, destinam-se à mesa do Rei.  

Quando, desconfiada, a compradora chegar à casa com o pacote fechado e só de pirraça quebrar as pontas do que se transformará na comida real, verificará que todos estão bons.

Vencida, compreenderá que aqueles vendedores de quiabo são filhos do Rei postados nas esquinas do mundo, devotados a honrar o nome do Pai pela palavra. 

16 de jun de 2015

Mário, Rachel e a poética do amor




Por Cidinha da Silva

Os jornais virtuais informam sobre atrocidades  cometidas contra animais, gatos, cachorros e outros. Espécie de diversão macabra das pessoas no século XXI. Eu não sabia da missa um terço, talvez embrutecida pelas ações racistas, pelas fobias a gêneros e orientações sexuais há séculos impostas aos sujeitos humanos dissonantes.

A moça negra, toda negra, vista como branca pelos olhos mórbidos vocifera que não aceitará culpas por ser fruto de sucessivas violências raciais. Porém, devagar com o andor, senhora cronista. Há também mestiços filhos do amor. Eu evoco Maria da Fé na cena de condução do navio que enfrenta o estupro colonial. Evoco sua capacidade alquímica de tornar-se negra e espero que a moça e os seus encontrem paz na guerra.

Os que falam desde dentro também podem ser muito cruéis. Vejam agora tudo o que se quer encontrar na correspondência do Mário (substrato para a Veja) reduzida à fofoca de pegar ou não pegar meninos, em detrimento da densidade poética da escrita de um homem trágico, gay e negro, vivo num meio que reconhecia e reverenciava sua genialidade, mas, como de hábito com os gênios, não permitia sua plena humanidade. Deve haver muito mais do que um homem gay nas cartas.

Os jornais virtuais dão conta também de que no país do presidente negro uma mulher branca se passa por negra e dirige organização tradicional africano-americana. O fato em si me interessa menos do que a interpretação do campo pós-racial, obviamente, mais favorável a Rachel Dolezal do que a Mário de Andrade.

Na terra do operário e da ativista política torturada que chegaram à presidência da república, os tupiniquins evasivos propõem sofisticação do debate como forma de, mais uma vez, escapar das lições básicas do racismo. A cartilha do dia é mais ou menos a seguinte: se você é branco e escolhe ser negro como Raquel, tem filhos negros e vivencia os efeitos do racismo na vida deles, debuta na Capoeira Angola ou é discriminado por ser de religiões de matrizes africanas, compreenda o ensinamento primevo, você não se torna negro por esses motivos, nem nas ilusórias sociedades pós-raciais. Você é branco, continua branco, compreendeu baby? A novidade, o salutar, é que na esfera íntima, no seu campo de percepção do mundo, você nunca mais voltará ao lugar confortável de desconhecimento dos privilégios da branquitude. Apenas isso. E veja se cresce e sai desse lugar de quem pede colo porque fez o mínimo exigido a alguém que pauta a vida por princípios de dignidade.

Aqui dentro é São João e meu amigo poeta performa sobre vidro e não se corta, como os filhos de Ayrá pulam a fogueira dedicada a ele e não se queimam, como Oxum pisou em brasas, mas manteve a elegância a caminho do palácio de Obá, como se pisasse no tapete de flores aparente (e foi depois que vingou-se, emboscando-a com a  mentira da orelha que daria sabor à comida).

Nas ruas o amor acontece pleno de contradições, de mercado inclusive: tem cotações, alta e baixa de preços, sexualidades digitais x sexualidades analógicas, gozos virtuais e encontros mediados por máquinas, tal qual o mercado financeiro.

E é por configurar denso material humano que as cartas de Mário e seus segredos poderiam exercer fascínio. Porque o amor oferece sol de verão e sombra de copa grande ao mesmo tempo, água fresca, comida, perfume, canto de passarinho. Sim, o amor é também exigente,  tira quem ama do centro, inverte o foco, reclama atenção para as borboletas coloridas, telefona de madrugada, grita pedindo colo, grita ao gozar (e para gozar). Sim, o amor convulsiona a rotina, o esquema, o planejamento prévio. Contrapõe dinâmica à letargia.

O amor traz saúde porque vira do avesso, põe os pés para cima e a cabeça para baixo. Desconfio que seja amor, aquele que suplanta a dor, a angústia e a amargura, o que encontrarão ao abrir as cartas de Mário.

12 de jun de 2015

Dia das namoradas


Por Cidinha da Silva

Nesse dia, como no restante do ano, você pode escolher entre falar de amor ou de relações comerciais. Vamos aqui inventar o amor que a Organização Mundial do Comércio já está com a vida ganha.

Amar é... passar a ferro o vestido da amada, quando não se gosta de passar, só para aliviar a pressa dela, que não gosta também de fazê-lo.

Amar é... compreender que o sangue da mulher amada tem cinco componentes: hemácias, plaquetas, leucócitos, polvilho e queijo. E sair pela cidade nova na chuva à cata de um pão de queijo decente, quentinho, que aplaque a crise de abstinência.

Amar é... aguardar ansiosa a próxima partida de futebol na TV só para ouvir os comentários dela. Amor, quem é que tá jogando? O Barcelona... Ah... o time do Neymar. Sim, o time do Messi. Humm, aquele baixinho que dizem que bate um bolão. Não, preta, ele joga muito. Joga nada, esse pessoal é comparsa dele! Como?

Messi na TV, o simples majestoso, passa por dois adversários, deixa o terceiro no chão, torto, e por fim leva uma botinada do quarto, brasileiro recém-chegado do futebol inglês. Permanece de pé, mesmo trôpego, corre e mantem a bola coladinha ao pé. Conclui a jogada num passe açucarado para um companheiro qualquer completar o gol. 

Singela, a amada arrebata: esse pessoal da Europa deixa ele jogar, olha pra isso! Por que é que ninguém pára o sujeito? Quero ver jogar bem aqui, na série B do brasileiro.


3 de jun de 2015

A gente negra ama (e consome). Tá ligado, O Boticário?


Por Cidinha da Silva
Nos subterrâneos de Gothan City, os irmãos Malafisto, Suaristo, Macedisto e Valderisto, conhecidos como Os Metralhas das igrejas caça-niqueis, tecem teias ardilosas, definem pontos para instalação de poços de areia movediça, constroem o marketing da arrecadação de dízimo via débito eletrônico, com o objetivo de estender as possessões territoriais e espirituais de sua agremiação religiosa e dominar Gothan por inteiro.
O projeto de poder é ambicioso e muitíssimo bem-estruturado, passa pela conquista de representação política em eleições livres, pela extorsão, propina e corrupção generalizadas, pela ocupação de ministérios e secretarias de governo, pela FIFA e times de futebol, pelas empresas e, principalmente, pela conquista do reino do deus mídia-publicidade-marketing.
Faz parte do projeto de poder atacar a altivez, a beleza e o êxito familiar e econômico do casal de lésbicas idosas da principal novela de Gothan, fazer da Marcha para Jesus acinte hodierno aos ensinamentos do Cristo, aplicar lavagem cerebral aos seguidores, constituir exército treinado e armado para aviltar e destruir as religiões de matrizes africanas, assumir postos importantes de representação política, espalhar-se pelo mundo, principalmente por África, dominar os meios de comunicação e explorar e extorquir a credulidade dos pobres crentes.
Êeeee... vida de gado! Povo marcado. Povo feliz. A obra de arte faz dessas proezas, continua a fazer sentido, mesmo quando o autor passa a jogar no time dos Coxinhas Futebol Clube de Gothan.
Na campanha publicitária Casais, caro O Boticário, você não mesclou classes socioeconômicas ou raças, como anunciado na resposta às interpelações feitas pelos que dela não gostaram, mas, é mister reconhecer que misturaram faixas etárias e tomaram o cuidado de expor a diversidade das pessoas brancas (altas, baixas, loiras, ruivas, morenas, de cabelos compridos, curtos, encaracolados).
Aqui, no pedaço de Gothan onde vivemos, não temos ilusões, Boticário, sabemos que vocês são ensinados a nos ver, a nós, os negros, como seres subalternizados, acantonados nos porões de Gothan. Nem nossos blacks poderosos fazem cócegas para vocês nos enxergarem com olhos de humanidade. O amor é o ápice da humanidade, logo, não cabe no amor representação de negros. Isso faz sentido na lógica de vocês.
Mercado é dinheiro, mercado é o dinheiro e vivemos ainda sob a névoa do mito colonial de que o negro que vende, o negro que gera dinheiro, é o negro representado por estereótipos e estigmas ligados à escravidão e sua herança maldita (não é preciso dizer que não existe qualquer aspecto bendito nesta seara), ao racismo, à branquitude e seus instrumentos eficazes e mutantes de garantia de privilégios, inferiorização e subalternização da pessoa negra. Compreendemos que seja assim na cabecinha de vocês, publicitários de todas as idades, compreendemos (decodificamos), porque sabemos como opera a casa grande, mas não aceitamos, não aquiescemos.
Por enquanto, O Boticário, estamos do lado de vocês, porque, em Gothan, precisamos nos opor a essa gente que acende charuto com notas de um euro, à custa da exploração da fé popular, enquanto conta notas de 500 euros, dentro do cofre do Tio Patinhas. Mas não se enganem, as mulheres negras presenteiam suas namoradas e os homens negros também (namoradas e namorados), portanto, vocês têm até o dia 11 de junho para nos incluir na publicidade do dia do comércio destinado aos apaixonados.
Fotógrafo Braden Summers

2 de jun de 2015

Livro Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil + entrevista de Cidinha da Silva no LITERAFRO

Fresquinha no portal LITERAFRO resenha sobre o livro Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil, acrescida de entrevista desta escriba. Confira também resenha alargada sobre a revista Legítima defesa, da Cia Os Crespos​, feita por Luís Carlos dos Santos. É só clicar no endereço: http://150.164.100.248/literafro/news.asp