Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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30 de jul de 2015

Os nove pentes d'África em Salvador

Dia 01 de setembro de 2015, às 18:00,  tem Os nove pentes d'África em Salvador, a segunda edição mais esperada do ano. Reserve a data e seu exemplar. Na Katuka Africanidades. Praça da Sé, n.01 (em frente ao Museu da Misericórdia). Informações: 71 - 33221634 / 87915829



26 de jul de 2015

Três propostas de políticas públicas para o setor do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil, na perspectiva de enfrentamento do racismo institucional e construção de espaço saudável para os temas de africanidades e relações raciais

Por Cidinha da Silva



No ano de 2014 organizamos a obra Africanidades e relações raciais, insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil, um alentado diagnóstico sociocultural do setor, na perspectiva de africanidades e relações raciais. O livro foi realizado a partir do pensamento de 48 mulheres e homens, a maioria, negros e jovens. Consideramos os desafios da encruzilhada do enfrentamento ao racismo institucional e a formação do leitor-literário.
A obra teve lançamentos e rodas de conversa em São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, abrindo interlocução com os Planos Municipais do Livro e Leitura (PMLL) em processo de elaboração por todo o país, e também com instâncias estaduais, federal e da sociedade civil, notadamente escritoras e escritores, leitoras e leitores negros e periféricos.
Com o objetivo de influenciar as políticas para o setor LLLB concebemos algumas propostas efetivas, que, por questões operacionais ligadas ao tempo do serviço público não foram incluídas na publicação. Aproveitamos este espaço no Pensar para socializar parte delas.
A primeira relaciona-se à promoção da bibliodiversidade, para a qual inexistem políticas públicas. É preciso atentar ao acervo editorial das pequenas editoras negras e periféricas, bem como aos selos editoriais de coletivos literários e/ou culturais e publicações independentes autofinanciadas, para que o conceito de diversidade de livros e formas de produzi-los faça sentido.
Para tanto, é fundamental escutar os responsáveis pela produção editorial independente e alternativa no Brasil. A partir da detecção dos principais impeditivos para serem publicados é que se poderá buscar uma política de inclusão dessa produção nos catálogos dos governos nos níveis federal, estadual e municipal.

Uma meta factível para ampliar o conceito de bibliodiversidade é estabelecer espaço de debate e governança entre instâncias governamentais responsáveis pela aquisição de livros e pequenas editoras, selos editoriais comunitários, autoras e autores de publicações autofinanciadas, com vistas a formular uma política de aquisição de livros bibliodiversa, afirmativa e alterativa, no sentido mesmo da mudança de paradigmas na constituição de catálogos.
Para atingir esta meta, sugerimos a reedição periódica (anual) de editais, hoje, sazonais, tais como o PNBE Temático e do Professor, fundamentais porque dedicam atenção especial aos temas não contemplados pela maior parte dos editais, como exemplo, obras de referência que funcionam como apoio pedagógico e obras ampliadas sobre diversidade, inclusão e cidadania, que precisam também alimentar, de maneira constante, as bibliotecas escolares de todo o país.
A segunda meta é a criação de política permanente de formação de mediadores de leitura em interlocução com as comunidades de favela e periféricas, visando a elaboração de programas específicos e em diferentes linguagens e suportes, destinados a estudantes, idosos, grupos de jovens, mulheres, neoleitores etc.
A formação de mediadores de leitura tem sido pontual e muitas vezes desarticulada das demandas e características do público ao qual se destina. Essa é uma oportunidade preciosa para estimular a desconstrução do racismo e as reflexões acerca da assimetria das relações raciais experimentadas pela população moradora de favelas e das periferias do Brasil, por meio da leitura e da produção literária.
Algumas ações para a formação qualitativa de mediadores de leitura são: introduzir as dimensões raciais e de africanidades em práticas de mediação de leitura já existentes; investir no diálogo com as escolas públicas locais, considerando que a maioria de crianças, adolescentes e jovens moradores de favelas e periferias é atendida por escolas públicas, e que estes são espaços de repercussão e reprodução do racismo. Por fim, realizar consultas públicas junto a moradores de favelas e periferias interessados na expansão das políticas de leitura, para ouvir suas demandas e sugestões quanto à elaboração de programas de formação de mediadores de maior eficácia.
É também imperativo, estreitar conexões, trocas e apoio mútuo entre as literaturas negra e periférica, rumo à preservação e ressignificação de sua memória coletiva. Para atingir este intento, sugerimos a criação de um Dicionário Biobibliográfico on-line de Literatura Negra e Periférica (a exemplo do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira) que se configure como um repositório público virtual que reúna informações atualizadas e atualizáveis com fotos, trajetórias individuais e literárias; dados sobre obras publicadas, grupos, movimentos, associações e coletivos a que escritoras e escritores se filiem; informações sobre as editoras e livrarias negras e periféricas, como também um banco de dados de entrevistas, artigos, dissertações, teses, livros, catálogos, antologias de referência, para o público interessado.
Para constituir este Dicionário é necessário debate amplo e democrático de formas para implementá-lo. Movimentos concretos neste sentido são a criação de editais públicos para apresentação de propostas, via convênio ou acordo de cooperação técnica com universidade, grupo de pesquisa, coletivos literários ou afins, ou ainda, via equipe técnica de órgãos especificamente devotados ao livro e à literatura, tais como a Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (MinC) ou à cultura negra, Fundação Cultural Palmares.
A partir da discussão deliberativa dos sujeitos realizadores do Dicionário Biobibliográfico, definir etapas e prazos (plano de trabalho) para que a produção seja disponibilizada ao público em local virtual, gratuito, do qual se possa baixar as informações em arquivos de qualquer parte do mundo, traduzidos também para o inglês e espanhol, pelo menos. Fomentaríamos, assim, o intercâmbio entre escritoras e escritores das Américas e África com os afro-brasieliros e periféricos, bem como com o público leitor de diversos países. Seria uma alternativa também, elaborar estratégias de interação com o público via ferramenta-web, para que o Dicionário possa receber aportes espontâneos, algo semelhante ao sistema da Wikipedia.
Uma inovação pertinente ao Dicionário seria criar a figura crítica da ombudswoman ou ombudsman, posto não remunerado, aberto à concorrência pública (um/a representante por região geográfica brasileira), com mandato de dois anos, como canal aberto e refrescante para que a sociedade civil monitore a completude e complexidade do Dicionário On Line, com o objetivo de criticá-lo, corrigi-lo e de contribuir para sua constante atualização.
Como resultado dessas ações, pensadas em concomitância à elaboração do livro Africanidades e relações raciais, esperamos que as demandas do setor livreiro negro e periférico sejam conhecidas e atendidas por meio da seleção e aquisição governamental de seu acervo que passará a circular largamente pelo país. Que sejam efetivadas condições para fomento à formação de um leitor literário crítico, habilitado e convidado a destrinchar as imbricações raciais de seu cotidiano, por meio da leitura e do acesso a uma literatura na qual se reconheça. Que tenhamos crianças, adolescentes e jovens negros mais preparados para enfrentar os currículos escolares ultrapassados e os conteúdos racistas que os levam a figurar nas primeiras posições de evasão e fracasso escolar, em rejeição defensiva à escola como forma libertária de preservar sua essência e pertencimento sócio-racial.
Por fim, esperamos que sejam conferidas importância e dignidade à memória coletiva dos que não tiveram privilégios na história literária do Brasil e ainda lutam pela garantia de direitos para existir integralmente. Que possamos louvar a memória das pessoas que constroem as literaturas negra e periférica e ousam gritar que não permitirão ser esquecidas ou apagadas, como nos lembra o sociólogo Mário Medeiros em texto ovular acerca das intersecções e fraturas entre as literaturas negra e periférica, presentes na obra.

25 de jul de 2015

Entretelas

por Cidinha da Silva no Revista Fórum



O filme tinha sido bonito e doce. Teve certa melancolia, é verdade, mas nada que ofuscasse a complexidade das personagens vivida nas situações cotidianas, a convivência humana e respeitosa entre elas, mesmo marcada pelas idiossincrasias individuais. Tudo isso ajudado pela beleza da fotografia, pela trama bem costurada por diálogos ágeis e boa atuação dos artistas.

O homem mais novo do casal pergunta ao mais velho se este o culpa por ter perdido o emprego na escola onde lecionava música, depois de explicitar ao mundo escolar o amor de 39 anos por ele, companheiro de vida. Afinal, isso os deixara em situação econômica lastimável e por essa razão tiveram que vender o pequeno imóvel onde moravam e foram forçados a viver como apêndices em casas de parentes até reorganizarem a vida. O mais velho, pintor mediano, pergunta ao mais novo se este ficaria frustrado caso ele não conseguisse, um dia, expor em uma grande galeria. Em cena, tudo o que importa, a opinião de quem a gente ama sobre as coisas da vida.

A esposa de um sobrinho dos protagonistas, aparentemente egocentrada, revela-se mãe atenciosa e responsável, companheira solidária e sensual, além de lutar para escrever o novo livro, enquanto resolve os problemas da vida da pequena família, incluindo as necessidades de atenção do velho tio que fala como maritaca e diz que não volta a pintar porque precisa de silêncio e isolamento.

Variados tons, saberes, sons e sabores da homoafetividade desfilam naturalmente na tela, da vida pacata de um velho casal de artistas à experiência agitada das boates e da casa do jovem casal gay, bastante semelhante a uma discoteca aberta todas as noites.

A morte, o mais previsível dos eventos para os seres vivos, prega peças, encerra a vida quando tudo parecia entrar nos eixos, ressignifica o viver de quem fica.

A sala de cinema cumpre sua função de abrigar gente que sai de casa para sonhar, ver filmes, comer pipoca, namorar, atividades concomitantes, ou não. Pena que o escurinho do cinema tenha perdido a sacralidade.

No tempo templário de amor e de fantasia na contemplação da tela grande, os risos nervosos no meio da cena dramática eram abafados por quem temia um psiu do restante da audiência. Hoje, reinam as gargalhadas, solitárias ou em grupo, frente a uma piada no Zapzap exibida na palma da mão, ou, o pior, o farol do smartphone na fileira da frente que embaça os olhos da vizinha ao abri-los depois do beijo.

Nesses tempos de ostentação comunicacional, as relações de amor e dependência entre pessoas e seus aparelhos de manter contato humano são mesmo perturbadoras.




20 de jul de 2015

O homem da mudança



Bom dia! Minha crônica na edição recente da Fórum, sobre como o conhecimento pode pesar de maneiras diferentes. Dê uma passadinha lá para ler.

http://www.revistaforum.com.br/semanal/o-homem-da-mudanca/

15 de jul de 2015

Cidinha da Silva por Paulo Scott, no blogue da Companhia das Letras


"Conversando, tempos atrás, com jornalista estrangeiro sobre literatura brasileira e sendo questionado por esse jornalista sobre quais jovens autores brasileiros conseguem de fato apresentar um corte atualizado do comportamento brasileiro de maneira a dar pistas para uma eventual composição de perfil geral do brasileiro contemporâneo, me vieram à cabeça muitos nomes, mas em primeiro lugar veio o nome da escritora mineira Cidinha da Silva. Não pelo seu engajamento sociopolítico (o que fica evidente, por exemplo, no livro de ensaios acadêmicos Africanidade e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil, coordenado por ela), não pela sua capacidade de levantar elementos históricos e reflexões críticas, inserindo-as com habilidade nas suas crônicas, nos seus estudos, mas pelo fato de, sendo escritora, ter escrito narrativas curtas, cheias de vivacidade que venho acompanhando há alguns anos e que sempre chamam muito a minha atenção, como o conto “Ônibus especial” — um conto que está no livro de bolso Oh, margem! Reinventa os rios, da coleção “Selo do povo”, idealizada pelo escritor Ferréz Escritor —, que demonstra bem o olhar e a dicção que são exclusivamente dela".

9 de jul de 2015

Cidinha da Silva inicia trabalho como colunista da revista Forum

Hoje, dia 9 de julho de 2015, sempre o 9 à frente do caminho, estreio como colunista da revista Revista Fórum, em crônica que discute o caso de discriminação racial a Maria Júlia Coutinho. Dê uma olhadinha lá e deixe seu comentário.

http://www.revistaforum.com.br/semanal/o-caso-maria-julia-coutinho-em-14-esquetes-2/

6 de jul de 2015

A merendeira e os biscoitos na escola

Por Cidinha Da Silva​



Dona Elvira era uma preta de formas generosas, tão fofas quanto seu coração de grande-mãe. Conhecia a meninada toda da escola e era a mãe postiça de muitos deles. Sabia da cachaça do pai de um, do HIV da mãe de outro, do assassinato do irmão daquela, da chacina dos irmãos e primos daquele outro, da perseguição policial sofrida pelo menino de dreads, da orfandade e abandono de boa parte deles. Monitorava alguns com conselhos e puxões de orelha no cuidado de impedir que engrossassem as fileiras do tráfico. Conhecia-os como se filhos fossem.

Tinha sua fé e suas guias e ostentava ambas no dia a dia do trabalho como merendeira na escola. Vez por outra chamava um professor e dizia: “viu pro, tenha paciência com a aluna tal porque ela está passando por esse ou aquele problema em casa. Seja mais duro com o fulaninho porque o pai é um frouxo, desleixado, e ele precisa de referência de homem que tenha comando e responsabilidade para aprender a ser homem também.”

A convite da direção Dona Elvira passou a frequentar as reuniões do conselho de classe e era senhora das ponderações mais perspicazes e objetivas durante as avaliações dos estudantes. Não fazia defesa acrítica dos meninos, não, não fazia isso, mas tinha a capacidade de compreender o contexto da vida deles e trazia essas informações para os professores e direção, mais preocupados com o cumprimento dos conteúdos e a disciplina em sala de aula.

Naquela reunião do conselho havia um burburinho e dona Elvira percebeu logo que o caso era com ela. A orientadora educacional que a havia convidado para participar do parlatório tomou a palavra e professoralmente apresentou-lhe a lei que proibia que os alunos recebessem merenda para levar à casa. Dona Elvira ouviu impassível a exposição da lei. Depois veio a acusação: ela estaria enchendo o fichário de alguns alunos de biscoitos água e sal. E a sentença: ela deveria parar imediatamente, pois infringira a lei.

Quieta estava dona Elvira e quieta permaneceu. Só seus olhos se moviam olhando os olhos ausentes dos professores. Por fim, ela perguntou para a orientadora: pro, a senhora já passou fome? E vocês, algum de vocês já passou fome? Eu já! Eu só não dou comida de sal para esses meninos porque não cabe no fichário. Não dou cachorro-quente para levar para casa porque não cabe também, se coubesse, eu dava.  Vocês não sabem o que é deitar com fome, não dormir porque o pesadelo da fome não deixa e de manhã ter aquela fome curtida na barriga que vai te acompanhar todo o dia, vai morrer no corpo e vai doer a vida inteira. E enquanto eles passarem fome em casa e tiver biscoito nessa escola, eles vão levar e ninguém vai me impedir de dar, não é pro?

Eu respondi que sim e todo mundo já tinha abaixado a cabeça na hora mesma da pergunta. Quem é que pode com dona Elvira?

3 de jul de 2015

Dunga X Maria Júlia Coutinho


Por Cidinha da Silva



Pena! Lástima! Deixar a reprise da vitória de Dustin Brown sobre Rafael Nadal para, em outro canal da Net , obrigar-me a ler as ofensas racistas a Maju Coutinho, a moça do tempo no país de Dunga,  técnico da Seleção que disse gostar de apanhar como um afrodescendente e não perdeu o cargo por isso.

Se Dunga gosta de apanhar é um problema dele. O homem de confiança da CBF deve ter lá seus traumas e motivos, além da necessidade pueril de admitir o gosto esdrúxulo ao público. Mas, Dunga, deixe os afrodescendentes fora da neurose que o consome desde que Ronaldinho Gaúcho, ainda menino, pintou e bordou contigo num Grenal.

E Maju Coutinho, oh... deusas do absurdo, que crime terrível cometeu? Terá sido a combinação maviosa dos cromossomas de Dona Zilma e Seu João Raimundo que resultou nessa mulher linda, o motivo da perseguição? Ou a vida amorosa, instrutiva, incentivadora, plena de consciência racial vivida em casa e que a levou a ter um olhar doce, mas sóbrio e seguro, e um sorriso equilibrado de quem sabe que o sol brilha para todos, inclusive para os racistas, raça do caralho!

Ok. Calma. Maju, por favor, me inspire, pois Dustin Brown me aguarda. Vamos lá,  o amor na educação das crianças, no dia a dia, é que nos dá segurança para enfrentar o mundo. Maju Coutinho é uma mulher segura, é, portanto, demonstração de uma educação amorosa. Será esse o grande incômodo dos racistas que nos atacam? Eles se sentem atingidos e ameaçados pela sobriedade, beleza, competência profissional e simpatia dessa moça encantadora?

O encantamento tem sido odu de resistência na diáspora africana. Maju Coutinho parece ser sabedora disso.

O país parece viver os anos 1950 do racismo estadunidense. Os herdeiros da casa grande tupiniquim estão desesperados e saem à rua das redes sociais regurgitando ódio e perda de privilégios, baba sanguinária. Mas, estão também nas ruas das cidades grandes e pequenas, matando a pedradas e tiros de fuzis, encarcerando os que escapam da morte. Nos corredores do Congresso a casa grande legisla em favor de empresas e carteis financiadores da política nacional.

O beijinho no ombro descontrai, sai por cima. A hastag com coraçãozinho feita pelos colegas de profissão dá um alento, diz aos herdeiros da casa grande que há brancos ao lado de Maju, ela não é uma pretinha desamparada, contudo, continua sendo única e a emissora empregadora nem pensa em fazer ação afirmativa de verdade.

A casa grande precisa ser atingida por baixo, na raiz, na estrutura. Boletins de ocorrência, investigação policial do IP dos racistas digitais, criminalização da discriminação racial, atuação do Ministério Público, encarceramento dos criminosos, demissão do técnico da Seleção por justa causa (protagonismo em discriminação racial e exemplo racista dado às crianças, principalmente), ampla divulgação das ações punitivas é o que pode inibir novas práticas de racismo.

Enquanto atos racistas como o de Dunga forem minimizados por cínicos pedidos de desculpas, haverá campo fértil para ataques racistas frontais como os que se dirigiram a Maju Coutinho. Existem provas passíveis de punição e há que punir, sob pena de se alastrarem os métodos que roubam a vida de maneira literal, como nas décadas de 1910 e 1920 nos EUA, como o genocídio da juventude negra a partir dos anos 1980 no Brasil e a indústria das prisões estadunidenses que nos ronda.

O crime de discriminação racial deve ser tratado como tal.  A casa grande não pode ameaçar impunemente a vida dos negros a cada vez que saiam dos lugares de subalternidade construídos com esmero para domesticá-los.

Viva o encantamento de 2015! Dustin Brown venceu Rafael Nadal e me espera para finalizar a reprise do jogo. Maju Coutinho ainda será âncora do Jornal Nacional. Quer apostar? O direito de resposta dado a ela em rede nacional, em tempos de audiência muito baixa na TV e de Facebook que pauta as telecomunicações é um sinal.